Neurose: o que é isso?

Primeiramente, é bom falarmos em Transtornos Neuróticos, denominação mais corrente e menos pejorativa. Reação Neurótica, entretanto, pode ser até mais didático e contribuir para o conceito de neurose.

Qualquer que seja um fato ou acontecimento introduzido em nossa consciência, receberá sempre uma maquiagem pessoal fornecida pela afetividade, dando ao fato um significado bastante pessoal. Portanto, os fatos da vida, sejam eles presentes, passados ou perspectivas futuras, serão sempre coloridos pela afetividade (veja Afetividade).

Os fatos e acontecimentos apreendidos pela consciência e coloridos pela Afetividade são chamados de vivências, portanto, essas vivências têm sempre um caráter individual e particular para cada pessoa, de acordo com as particularidades dos traços afetivos. Dessa forma, os fatos podem ser os mesmos para várias pessoas, mas as vivências desses fatos serão sempre diferentes.

Tais vivências são sempre capazes de determinar uma resposta emocional na pessoa sob a forma de sentimento e os sentimentos produzidos pelas vivências são as Reações Vivenciais, tal como são as reações alérgicas determinadas pela imunidade diante de um objeto alérgeno. Compreender a Reação Neurótica exige entender, a partir das vivências, a Reação Vivencial Normal. Para que uma Reação Vivencial possa ser considerada normal ela deve ter 3 elementos.

1- uma relação causal;
2- uma relação proporcional;
3- uma relação temporal.

A complexidade do ser humano propicia o fato de que, nem sempre, um estímulo determine uma reação previsível e pré-estabelecida. Cada pessoa comporta uma sensibilidade individual aos fatos vividos, de tal forma que a valorização da vida será sempre concordante com a sensibilidade afetiva. Como a sensibilidade afetiva é um atributo da personalidade, os valores dos fatos dependerão sempre e invariavelmente da personalidade de cada um, mais que dos fatos em si. Portanto, para compreender as reações vivenciais aos fatos vividos, é indispensável a ideia segundo a qual cada pessoa reage exclusivamente à sua maneira diante da realidade dos fatos.

Na Reação Aguda ao Estresse os sintomas emocionais aparecem dentro de minutos ou horas depois da vivência causadora e desaparecem, também, em questão de alguns dias ou mesmo horas. Há uma espécie de atordoamento, diminuição da atenção, incapacidade para integrar todos os estímulos e até um estado de desorientação. Para que se caracterize uma Reação Aguda ao Estresse, é indispensável haver uma conexão temporal entre os sintomas emocionais e o impacto do estressor psicossocial. Nesta espécie de choque psíquico pode haver, concomitante ao atordoamento e desorientação, um quadro de depressão, angústia, ansiedade, raiva e desespero.

Quanto ao Transtorno de Estresse pós-Traumático, a resposta é mais tardia ou protraída a um evento ou situação estressante. Poderá ser de longa ou curta duração. Há, aqui, um certo embotamento emocional, afastamento social, sonhos frequentes com a situação causadora, diminuição do interesse para com o ambiente, diminuição do prazer ou sua abolição total (anedonia) e evitação de situações recordativas do trauma. Com freqüência há também uma hiperexitação, hipervigilância e insônia, ansiedade e depressão. Como complicação podemos encontrar, nestes casos, um abuso excessivo de bebidas alcoólicas.

Para o diagnóstico do Transtorno de Estresse pós-Traumático há necessidade de que o quadro tenha surgido dentro de até 6 meses após um evento traumático de excepcional gravidade. O curso deste transtorno é flutuante, porém, seu prognóstico costuma ser favorável para a grande maioria dos casos.

O Transtorno de Ajustamento por sua vez é cogitado quando existe uma angústia ou perturbação emocional interferindo com o funcionamento e desempenho sociais, a qual tenha surgido como consequência aos esforços adaptativos a uma mudança significativa na vida da pessoa.

A característica essencial de um Transtorno de Ajustamento é o desenvolvimento de um quadro psicoemocional significativo em resposta a um ou mais estressores psicossociais identificáveis. No Transtorno de Ajustamento os sintomas desenvolvem-se, normalmente, dentro de um período de 3 meses após o início do estressor ou estressores.

A reação vivencial no Transtorno de Ajustamento é caracterizada por um acentuado sofrimento, o qual excede o que seria estatisticamente esperado pela natureza do estressor e resulta em prejuízo significativo no funcionamento social ou profissional. Os sintomas principais são: humor deprimido, ansiedade, preocupação, sentimentos de incapacidade em adaptar-se, sensação de perspectivas sombrias do futuro, dificuldade no desempenho da rotina diária. Em crianças podemos observar comportamentos regressivos.

Os sintomas podem persistir por um período de até mais de 6 meses, principalmente se são em resposta a um estressor crônico, como por exemplo, uma doença crônica ou a um estressor breve mas de consequências prolongadas, como por exemplo as dificuldades sociais, financeiras, separações conjugais, etc.

 

O estressor pode ainda ser um evento único (por ex., fim de um relacionamento romântico) ou pode haver múltiplos estressores (por ex., dificuldades acentuadas nos negócios e problemas conjugais). Os estressores podem ser recorrentes (por ex., associados com crises profissionais cíclicas) ou contínuos (por ex., viver em uma área de alta criminalidade).

Os estressores podem afetar um único indivíduo, toda uma família, um grupo maior ou uma comunidade (por ex., em um desastre natural). Alguns estressores podem acompanhar eventos evolutivos específicos (por ex., ingresso na escola, deixar a casa paterna, casar-se, tornar-se pai/mãe, fracasso em atingir objetivos profissionais, aposentadoria).

A resposta emocional no Transtorno de Ajustamento é mal adaptativa porque existe um prejuízo no funcionamento social e ocupacional, ou porque os sintomas e comportamentos excedem a resposta normal esperada para tal estressor. São tão comuns estes Transtornos de Ajustamento que Kaplan refere uma incidência de 5% em todas admissões hospitalares estudadas num período de três anos.

A organização da personalidade e os valores culturais do grupo contribuem para respostas desproporcionais, assim como também podem advir de uma somatória de pequenos estressores menos importantes. Como exemplo disso citamos um relacionamento familiar conflitivo, o qual, depois de algum tempo, poderá comprometer progressivamente o limiar de tolerância da pessoa tornando-a mais vulnerável às solicitações existenciais, ou seja, reagindo neuroticamente às vivências que antes não desencadeariam tais respostas.

Se na Reação Aguda ao Estresse os sintomas emocionais aparecem dentro de minutos ou horas após a vivência causadora e desaparecem, também, em questão de alguns dias, e se no Transtorno de Estresse Pós-Traumático a resposta é mais tardia e o quadro tenha surgido dentro de até 6 meses após um evento traumático, ou se no Transtorno de Ajustamento tudo acontece dentro de um período de 3 meses após o início do estressor, isso tudo só terá valor prático quanto à duração do tratamento. Na realidade, o fenômeno psicopatológico pode muito bem ser o mesmo em todas essas situações..

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Reação à Estresse Grave e transtorno de Ajustamento

A Reação a Estresse Grave e Transtorno de Ajustamento é um transtorno transitório que ocorre em indivíduos de qualquer idade e sem nenhum transtorno emocional pré-existente. A condição básica para a classificação deste quadro é que, supostamente, tenha surgido como reação direta à grave estresse agudo ou à um trauma continuado. Portanto, estes transtornos podem ser considerados como respostas mal adaptadas à exigências ambientais estressoras e, por interferirem nos mecanismos adaptativos, tais situações acabam interferindo no funcionamento social.

Estas atitudes neuróticas agudas, reativas à estressores vivenciais, são relativamente circunscritas ou específicas à determinadas situações e geralmente são reversíveis. Comumente elas se relacionam de perto, no tempo e no conteúdo, à estados de estresse, como por exemplo, à perda de ente querido, outras perdas, migração ou separação.

O termo de Ajustamento é muito sugestivo, tendo em vista o fato da Reação Neurótica representar uma espécie de falência emocional diante de uma circunstância vivencial que exige uma atitude adaptativa. Não existem razões clínicas para diferenciar estas Reações de Ajustamento das Reações Vivenciais Anormais, estudadas mais atrás, uma vez que ambas dizem respeito às dificuldades de ajustamento a alguma vivência e que resultam em atitudes mal adaptadas. Vem daí a importância em compreender-se o conceito das Reações Vivenciais para melhor entendimento das neuroses.

Nas Reações Neuróticas Agudas figuram, em primeiro plano, as situações conflitivas atuais, relacionadas aos estados que se seguem a traumatismos psíquicos mais evidentes e recentes. Nestes casos, a baixa tolerância às frustrações e às vivências percebidas como desagradáveis determinam uma falência da capacidade de ajustamento à vida. Esta condição é suficiente para o surgimento de verdadeiras tempestades emocionais. Conforme comentários da CID-10, a vulnerabilidade individual e a capacidade de adaptação de cada um desempenham um papel muito relevante na ocorrência e na gravidade destes rompantes emocionais. Portanto, embora a vivência traumática seja indispensável para a Reação Neurótica Aguda, por si só não suficiente sem uma predisposição pessoal.

A – Reação Neurótica Aguda

Uma analogia didática para diferenciar a Reação Neurótica Aguda da Personalidade Neurótica seria, por exemplo, o caso da alergia. Há pessoas que, em contato com um determinado objeto capaz de produzir um alérgeno, como por exemplo o mofo, reagem alergicamente espirrando, com coriza e lacrimejando. Trata-se de uma reação alérgica ao mofo.

Depois de algum tempo e já distante do alérgeno, tudo volta ao normal. Desaparece a reação alérgica. Por outro lado, há pessoas que vivem cronicamente com alergia e de maneira inespecífica, ou seja, manifestam reação alérgica não apenas ao mofo, mas à muitos outros alérgenos. Essas pessoas são alérgicas, estão sempre com coriza, espirrando ou lacrimejando.

No primeiro caso temos um exemplo da Reação Aguda e no segundo de determinada configuração da Personalidade. A primeira pessoa ESTÁ com alergia, a outra É alérgica. Pois bem. O conceito atual de Neurose, nos manuais de classificação, fala em doenças da personalidade tal como um estado permanente e duradouro. Assim, será fácil deduzir que a chamada neurose seria, na realidade, uma personalidade neurótica.

Por outro lado, a Reação Neurótica Aguda pode ser entendida como um tropeço emocional passageiro na vida da pessoa.As classificações atuais de doenças emocionais não utilizam o termo Neurótico com a mesma assiduidade que usavam as classificações anteriores. A tendência é localizar as reações neuróticas como transtornos: Transtornos de Ajustamento, Transtornos Fóbico-Ansiosos, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Transtornos de Adaptação, Transtornos de Ansiedade, e assim por diante.

Ainda falando em classificações e reações, existem três situações clínicas englobadas pelo quadro de Reação a Estresse Grave e Transtorno de Ajustamento segundo a CID-10:

1.- Reação Aguda a Estresse (F43.0);
2.- Transtorno de Estresse Pós-Traumático (F43.1); e
3.- Transtornos de Ajustamento (F43.2).

A ideia de conflito é melhor entendida como sendo a sensação subjetiva (consciente ou não) da contraposição entre três elementos cognitivos íntimos: o que o sujeito quer, o que o sujeito deve e o que o sujeito consegue. Frequentemente nem tudo o que a pessoa quer, de fato, ela deve, nem sempre o que deve ela quer, e nem sempre o que deve e quer ela consegue. Como se vê, são muitas as combinações entre esses três elementos.

B – Personalidade Neurótica

Entender a Personalidade Neurótica implica, antes, no entendimento da Personalidade como um todo, normal ou alterada, apta a responder harmonicamente à vida ou claudicar por dificuldades imanentes ao seu modo de ser. É fundamental compreender as Disposições Pessoais, o arranjo peculiar dos Traços no interior do eu, a modelagem afetiva no desenvolvimento da personalidade, a história biológica e existencial do indivíduo e as exigências adaptativas que a vida solicita.

O indivíduo, do jeito que se encontra aqui e agora, com a específica disposição para com a vida, só pode ser compreendido como resultado daquilo que ele trouxe para a vida, através de sua natureza constitucional, com aquilo que a vida trouxe para ele, através de seu destino existencial.

Podemos dizer que o indivíduo possui uma Personalidade Neurótica quando ele reage neuroticamente diante dos eventos de uma forma habitual e isto passa a caracterizar sua maneira de existir. Podemos dizer ainda que é neurótico quando sucumbe cronicamente diante de seus conflitos, sucumbe não apenas aos conflitos atuais mas, também e sobretudo, aos conflitos remanescentes do passado.

Podemos ainda arriscar a considerar neurótico quando suas pulsões inconscientes dominam suas atitudes conscientes, quando constatamos uma falha crônica em seus mecanismos de defesa, enfim, quando sua adaptação emocional à vida é constantemente problemática.

Sempre que as Reações Vivenciais Anormais ou os Distúrbios Adaptativos, ou ainda e também sinônimo, as Reações de Ajustamento não são acontecimentos fortuitos e ocasionais, mas constituem uma maneira perene e constante de relacionar-se com a realidade, estamos diante de uma Personalidade Neurótica.

É tênue e as vezes impossível, clinicamente, delimitar precisamente aquilo que se entende como Transtornos da Personalidade da Personalidade Neurótica. A grosso modo pode-se dizer, se for imprescindível a distinção entre essas duas colocações, que o Transtorno da Personalidade é um pré-requisito constitucional para a Personalidade Neurótica e que esta aparece apenas como uma evidência clinicamente estabelecida daquela.

Arriscamos, sem receio de errar, que a diferença entre uma e outra é a mesma constatada entre uma miopia de meio grau e uma miopia de três graus. Ou seja, com meio grau o indivíduo ainda se conduz na vida sem auxílio de óculos, embora não tenha uma visão tão fiel da realidade, com três, entretanto, apresenta uma dificuldade de adaptação muito maior.

O conceito de Personalidade, seja referente à Personalidade Neurótica ou normal, diz respeito à modalidade do relacionamento do sujeito com o objeto. Os critérios de avaliação destas relações objectuais normalmente são estabelecidos pelo conjunto normativo de um sistema cultural, o que corresponde a dizer que, se todos integrantes de um mesmo sistema tiverem meio grau de miopia, esta será a norma.

Reconhecer que o indivíduo é um neurótico implica numa visão conceitual, estatística e valorativa, onde o relacionamento sujeito-objeto (pessoa-mundo) está prejudicado e o observador, quase intuitivamente, percebe esta não-normalidade até sem muita dificuldade. Classificar este tipo de relacionamento neurótico, entretanto, exige uma atitude clínica criteriosa. Os procedimentos de diagnóstico, cada vez mais internacionalizados, favorecem maior homogeneidade denominatória uma maior especificidade de diagnóstico nosográfico.

A tendência classificatória atual é especificar minuciosamente cada expressão sintomática, proporcionando uma visão mais abrangente de estados mórbido básicos. Vejamos a questão da ansiedade, por exemplo, considerada uma ocorrência psíquica universalmente experimentada pelos seres humanos. Do ponto de vista clínico e psicopatológico, não interessa muito saber se o indivíduo experimenta ansiedade ou não, mas sobretudo, o que ele faz exatamente com sua ansiedade, ou seja, se ele apresenta sintomas de pânico, se seu distúrbio é fóbico, generalizado, somatizado e assim por diante. Enfim, a antiga vacuidade associada à expressão Ansiedade é substituída hoje por uma maior especificidade de estados produtores de sofrimento associados a ela.

As crescentes sistematizações propostas pela psiquiatria e psicopatologia modernas não dispensam, em absoluto, os conhecimentos conceituais e as linhas gerais de conhecimento psicopatológico propostas pelos grandes tratadistas. Podemos fazer uma analogia com as novas concepções dos carros modernos, os quais, apesar dos muitos recursos tecnológicos que facilitam a segurança, a dirigibilidade, etc., foram concebidos à partir dos modelos antigos, sem os quais nada seria possível. Também em relação aos usuários, não há necessidade de aprender a dirigir novamente cada novo modelo de carro lançado no mercado; servem-se, pois, dos conhecimentos anteriormente adquiridos.

O conceito de neurose, apesar da substituição desejável deste termo por transtorno e apesar da complexa classificação atual, deve permanecer solidamente alicerçada em conhecimentos psicopatológicos tradicionais, de forma a fornecer a base de entendimento necessária para todos eventuais avanços de classificação futuros. Seria muito difícil compreender o significado do termo AGORAFOBIA SEM DISTÚRBIO DO PÂNICO, se não conhecêssemos, antes, as concepções tradicionais do acontecimento neurótico concebidas progressivamente pela psiquiatria formal.

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Além das Reações Vivenciais responderem à vivências exteriores ao sujeito, ou seja, à fatos proporcionados pela sua vida ou seu destino, existem também sentimentos determinados por reações à Vivências Interiores, não facilmente detectadas por um observador comum. Neste caso, falamos em CONFLITOS ÍNTIMOS. Estes, são reflexos de desarmonias interiores produzidas por tensões que envolvem situações instintivas, concepções éticas, paixões e sentimentos mais complicados, ou seja, reações determinadas pela força dos conflitos. Muitas vezes, estes conflitos íntimos têm origem em vivências exteriores acontecidas em algum lugar do passado mas, atualmente, pertencendo ao patrimônio da consciência ou do inconsciente.

Sobre Neuroses
A palavra “neurótico”, da maneira como costuma ser usada hoje, tem sentido impróprio e pode ser ofensivo ou pejorativo. Pessoas que não entendem nada dessa parte da medicina podem usar a palavra “neurose” como sinônimo de “loucura“. Mas isso não é verdade, de forma alguma.

Trata-se de uma reação exagerada do sistema psíquico em relação a uma experiência vivida (Reação Vivencial). Neurose é uma maneira da pessoa SER e de reagir à vida. A pessoa É neurótica e não ESTÁ neurótica .

Essa maneira de ser neurótica significa que a pessoa reage à vida através de reações vivenciais não normais; seja no sentido dessas reações serem desproporcionais, seja pelo fato de serem muito duradouras, seja pelo fato delas existirem mesmo que não exista uma causa vivencial aparente.

Essa maneira exagerada de reagir leva a pessoa neurótica a adotar uma serie de comportamentos (evita lugares, faz atitudes para alívio da ansiedade… etc). O neurótico, tem plena consciência do seu problema e, muitas vezes, sente-se impotente para modificá-lo.

Para Freud, a neurose resultaria de um conflito entre duas forças antagônicas, um desejo de prazer (pulsão) e o medo de punição (moral e social). O Dicionário de Psiquiatria, editado no site do Hospital das Clínicas da USP e organizado peloDr. Hélio Elkis diz o seguinte:

“A palavra neurose foi criada pelo médico escocês Wiliam Cullen no fim do século 18, para designar distúrbios das sensações e movimentação corporal, sem uma lesão anatômica correspondente na rede nervosa”.

No início do século 20 o termo popularizou-se graças à difusão das idéias de Freud e da Psicanálise, significando conjuntos de sintomas resultantes principalmente de conflitos psicológicos e recalques inconscientes.

Este conceito prevaleceu na Psiquiatria até a década de 60, em que os transtornos mentais eram distribuídos em dois grandes grupos: psicoses e neuroses. Às psicoses, consideradas doenças mentais mais graves, atribuíam-se causas orgânicas ou funcionais; as neuroses, tidas como menos graves, teriam origem nos conflitos emocionais e traumas psicológicos.

As pesquisas das últimas décadas mostraram que esta distinção não se sustenta; nas neuroses, embora os eventos vitais tenham capital importância, mecanismos químicos de neurotransmissão participam, também, da produção e manutenção dos sintomas, e os fatores genéticos são igualmente significativos. Considera-se que, nas neuroses, a autodeterminação e capacidade de discernimento não são afetadas seriamente.

Para referir:

Ballone GJNeuroses – in. PsiqWeb, Internet, disponível em http://www.psiqweb.med.br/, revisto em 2015.

F40 48: Transtornos neuróticos relacionados ao estresse e somatoformes
F40 Transtornos fóbico-ansiosos
F40.0 – Agorafobia
.00 – Sem transtorno de pânico
.01 – Com Transtorno de pânico
F40.1 – Fobias sociais
F40.2 – Fobias especificas (isoladas)
F40.8 – Outros transtornos fóbico-ansiosos
F40.9 – Transtorno fóbico-ansioso, não especificado

F41 Outros transtornos ansiosos
F41.0 – Transtornos de pânico (ansiedade  paroxística episódica)
F41.1 – Transtorno de ansiedade generalizada
F41.2 – Transtorno misto de ansiedade e depressão.
F41.3 – Outros transtornos de ansiedade mistos
F41.8 – Outros transtornos ansiosos especificados
F41.9 – Transtorno ansioso, não especificado

F42 Transtorno obsessivo-compulsivo
F42.0 – Com predominância de idéias ou de ruminações obsessivas
F42.1 – Com predominância de comportamentos compulsivos (rituais obsessivos)
F42.2 – Forma mista com idéias  obsessivas e comportamentos compulsivos
F42.8 – Outros transtornos obsessivo-compulsivos
F42.9 – Transtorno obsessivo-compulsivo, não especificado

F43 Reação a estresse grave e transtornos da adaptação
F43.0 – Reação aguda ao estresse
F43.1 – Transtorno de estresse pós-traumático
F43.2 – Transtornos de adaptação
.20 – Reação depressiva breve
.21 – Reação depressiva prolongada
.22 – Reação mista, depressiva ansiosa
.23 – Com perturbação predominantemente de outras emoções
.24 – Com perturbação predominantemente de conduta
.25 – Com perturbação mista de emoções e conduta
.28 – Com outros sintomas predominantes especificados
F43.8 – Outras reações ao estresse grave
F43.9 – Reação ao estresse grave, não especificada

F44 Transtornos dissociativos (conversivos)
F44.0 – Amnésia dissociativa
F44.1 – Fuga dissociativa
F44.2 – Estupor dissociativo
F44.3 – Transtornos de transe e possessão
F44.4 – Transtornos dissociativos da motricidade
F44.5 – Convulsões dissociativas
F44.6 – Anestesia e perda sensorial dissociativas
F44.7 – Transtornos dissociativos (conversivos) mistos
F44.8 – Outros transtornos dissociativos (conversivos)
.80 – Síndrome de Ganser
.81 – Transtorno de personalidade múltipla
.82 – Transtornos dissociativos (conversivos) transitórios ocorrendo na infância ou adolescência
.88 – Outros transtornos dissociativos (conversivos) especificados
F44.9 – Transtorno dissociativo (conversivo), não especificado

F45 Transtornos somatomorfos
F45.0 – Transtorno de somatização
F45.1 – Somatomorfo indiferenciado
F45.2 – Transtorno hipocondríaco
F45.3 – Disfunção autonômica somatomorfe
.30 – Coração e sistema cardiovascular
.31 – Trato gastrintestinal superior
.32 – Trato gastrintestinal inferior
.33 – Sistema Respiratório
.34 – Sistema geniturinário
.38 – Outro órgão ou sistema
F45.4 – Transtorno doloroso somatomorfo persistente
F45.8 – Outros transtornos somatomorfos
F45.9 – TRanstorno somatomorfo, não especificado

F48 – Outros transtornos neuróticos
F48.0 – Neurastenia
F48.1 – Síndrome de despersonalização-desrealização
F48.8 – Outros transtornos neuróticos especificados
F48.9 – Transtorno neurótico, não especificado

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