Afetividade


O estado psíquico global com que a pessoa se apresenta e vive reflete a sua Afetividade. Tal como as lentes dos óculos, os filtros da Afetividade fazem com que o sol seja percebido com maior ou menor brilho

O Transtorno Afetivo mais típico é a Depressão com todo seu quadro clínico conhecido, mas apesar disso, talvez não seja o problema afetivo mais freqüente. As duas classificações internacionalmente reconhecidas – CID.10 e DSM-5 – classificam os transtorno afetivos ou do humor considerando quadros depressivos, bipolares, distímicos e afins. Para um entendimento mais amplo, consideramos os transtornos ansiosos como manifestações atípicas e indiretas de alterações afetivas. Para entender a Afetividade é necessário compreendermos também alguns elementos do mundo psíquico: as Representações, as Vivências, as Reações Vivenciais e os Sentimentos.

Durante toda vida os fatos ou acontecimentos vividos constituirão as experiências de vida e passarão a fazer parte da consciência. Os fatos e acontecimentos deixam registradas lembranças e sentimentos, assim como também ficam registradas as lembranças desses sentimentos. Portanto, as lembranças registram não apenas as experiências vividas mas, sobretudo, se elas foram agradáveis ou não, prazerosas ou não…

Embora diferentes pessoas possam viver mesmos fatos e acontecimentos, cada uma delas sentirá tais fatos e acontecimentos de maneira diferente e pessoal. Perder um mesmo objeto, sofrer a perda de um mesmo familiar, passar por um mesmo assalto, ouvir uma mesma música, comer uma mesma comida, etc., poderão causar diferentes sentimentos em diferentes pessoas. (veja A Representação da Realidade na seção Psicopatologia)

Afetividade é a função psíquica que dá valor e representação de nossa realidade. É essa Afetividade, por exemplo, que também é capaz de representar um ambiente cheio de gente como se fosse ameaçador, é capaz de nos fazer imaginar que pode existir uma cobra dentro do quarto ou ainda, é capaz de produzir pânico ao nos fazer imaginar que podemos morrer de repente.

A Afetividade valoriza tudo que é vivido, tudo aquilo que está fora do sujeito, como os fatos e acontecimentos (mundo objectual), bem como aquilo que está dentro do sujeito (mundo subjetivo), como os medos, os conflitos, os anseios, etc. A Afetividade valoriza também os fatos e acontecimentos de nosso passado e nossas perspectivas futuras.

Vendo uma antiga fotografia de algum ente querido já falecido, algumas pessoas experimentam sentimentos tenros, suaves, saudosos e até agradáveis, outras podem experimentar sentimentos de angústia, tristeza, sensação de perda, pesar, enfim, sentimentos desagradáveis. O que, realmente, dentro das pessoas faz com que essa foto seja valorizada (Representada) dessa ou daquela maneira? Trata-se da Afetividade.

O melhor exemplo para entender a Afetividade é compará-la aos óculos através dos “vê-se” o mundo. São esses hipotéticos óculos que fazem enxergar a realidade desse ou daquele jeito. Se esses óculos não estiverem certos as coisas serão percebidas maiores ou menores do que são, mais coloridas ou mais cinzentas, mais distorcidas ou fora de foco. Tratar da Afetividade significa regular os óculos através dos quais o mundo é percebido.

Porque uma pessoa portadora de Síndrome do Pânico acredita que pode morrer ou passar mal de repente? Porque ela acredita sofrer do coração, ou que está prestes a ter algum derrame, ou que está na iminência de perder o controle. Ora, nada disso faz parte da realidade objetiva e concreta. Trata-se de um juízo pessimista, uma avaliação negativa que a pessoa faz de si mesma, ou seja, trata-se de uma Afetividade que representa negativamente para a própria pessoa o seu próprio eu, como ela “enxerga” a si própria.

A Depressão, como transtorno afetivo que é, faz a pessoa se sentir e acreditar-se pior do que realmente é. Isso produz insegurança e rebaixa a autoestima. Novamente aqui a Afetividade representa negativamente a pessoa para si mesma. A avaliação negativa de si mesmo, achar que a vida não vale a pena, que a realidade é sofrível, sentir medo exagerado, achar-se doente e toda sorte de pensamentos ruins resultam do Afeto alterado.

Resumindo a questão da Afetividade, vejamos um exemplo ilustrativo. A pessoa prestes a começar uma briga de rua, por exemplo, terá um medo (ou ansiedade) diretamente proporcional ao tamanho do adversário; quanto maior o adversário, maior o medo. E como a pessoa avalia o tamanho de seu adversário? O tamanho do adversário, ou das adversidades, será avaliado sempre em comparação ao tamanho ou capacidade do próprio sujeito, pois, o único parâmetro de comparação será sempre a própria pessoa.

Não importa o adversário ser maior ou menor que uma outra pessoa qualquer, importa apenas ser maior ou menor que o próprio sujeito que irá enfrentá-lo. E quem diz se o sujeito é grande ou pequeno, forte ou fraco, esperto ou não, superior ao adversário ou não será a Afetividade, o apetrecho psíquico que dá valor à toda realidade e, principalmente, estabelece o valor do próprio sujeito.

Se a Afetividade alterada fizer o sujeito acreditar ser pequeno, fraco, pouco esperto e piore, então ele terá medo em lutar até com uma criança. O sujeito assim se amedronta e sentirá muita ansiedade diante de tudo na vida; diante das multidões, dos ambientes fechados, de viajar sozinho, da solidão, da ideia de estar doentes e assim por diante.

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Sentimentos Anímicos e Espirituais
De acordo com a terminologia utilizada por Max Scheler, Sentimentos Anímicos são estados afetivos concebidos como qualidades do eu e dotados de intencionalidade do eu para com o objeto, ou seja, do eu em relação ao mundo dos valores. São exemplos de sentimentos anímicos a tristeza e a alegria, o amor e o ódio, a felicidade e o desespero, a simpatia e antipatia, etc., referem-se a acontecimentos, objetos, coisas, pessoas, enquanto veículos de valor, positivo ou negativo.

Para entendermos melhor, poderíamos dizer que Sentimentos Anímicos seriam aqueles decorrentes do estado de ânimocom o qual nos relacionamos com a realidade, com o outro, com os fatos, etc.

É bom saber que este estado de ânimo tem sempre um componente biológico e constitucional, tal como falamos da introversão e extroversão, e um componente circunstancial. Neste caso, seriam as oscilações momentâneas de nosso estado, muitas vezes como resposta à acontecimentos do cotidiano ou alterações emocionais mais sérias.

Os sentimentos espirituais tendem para os valores absolutos, tais como os valores intelectuais, estéticos, morais, religiosos, não mais concebidos exclusivamente como qualidades do eu, portanto, não mais inerentes à estruturação do sistema de valores relativos ou individuais.

Sentimentos Não Normais
A Ansiedade exagerada, a Síndrome do Pânico, as Fobias, a Depressão ou a Angústia patológica são exemplos de sentimentos não-normais. A origem deles obedecem a três regras básicas: 1. – falta de causa objetiva; 2. – falta de proporção entre a vivência e a natureza da resposta; e 3. – falta de relação no tempo entre o acontecido e a reação.

É claro que existem causas para Pânico, Fobia, Depressão ou Angústia, entretanto, não são causas objetivas mas sim, subjetivas, ou seja, causas que existem particularmente na intimidade de cada um e não no mundo concreto dos fatos e acontecimentos objetivos. Essas causas subjetivas serão o objeto de maior interesse aqui.

Um caso de Fobia Social, por exemplo, onde a pessoa se sente mal (ansiedade excessiva) quando se encontra diante de muitas pessoas, em ambientes cheios de gente, etc. Para esse paciente as outras pessoas representam uma ameaça. Porém, não se trata de uma ameaça concreta e objetiva como representaria para a maioria das pessoas, mas sim, uma ameaça subjetiva para a pessoa que está sofrendo de Fobia Social.

Neste caso, pessoas e ambientes cheios representam uma causa subjetiva de ameaça para os pacientes portadores de Fobia Social e a reação causada por essa ameaça subjetiva será de extrema ansiedade, sensação de vir a desmaiar, sufocamento, falta de ar, mão frias, sudorese, etc., será uma Reação Vivencial não-normal.

A mesma coisa podemos dizer da Síndrome do Pânico, onde a pessoa reage emocionalmente como se, de repente, fosse morrer, passar mal, perder o controle ou acontecer algo ruim. Essas pessoas são levadas à Pronto Socorros e nada que possa estar ameaçando suas vidas é constatado. Não se constata nada de objetivo e concreto. Assim sendo, os fatos e acontecimentos para tal medo, ou seja, achar que sofrem do coração, que estão prestes a ter algum derrame, etc., só existe no plano subjetivo. Trata-se de uma Reação Vivencial não-normal

Nos quadros de Depressão o paciente se sente triste e angustiado, julga-se pior do que é, acha que a vida não tem sentido, pensa que nada vale a pena e coisas assim. Todas essas ideias são julgamentos que existem em sua maneira de pensar, portanto, são causas subjetivas que não correspondem aos fatos concretos e objetivos. Assim, trata-se também de uma Reação Vivencial Não-normal.

 

Conflitos Íntimos
Saber sobre os Conflitos íntimos é importante para o entendimento dos sentimentos decorrentes de causas subjetivas, ou seja, da Ansiedade, Angústia, Depressão, Pânico, Fobias que aparecem sem uma causa objetiva aparente.

O ser humano sempre viveu diante do dilema entre aquilo que ele quer realmente fazer, aquilo que ele deve fazer e aquilo que ele consegue fazer. Portanto, nem sempre estamos fazendo aquilo que queremos, muitas vezes não queremos fazer aquilo que devemos, outras vezes queremos e devemos fazer aquilo que não conseguimos. Enfim, estamos constantemente diante desse conflito.

Essa situação não diz respeito apenas às questões de nossa vida prática, mas também aos nossos sentimentos. Se devemos gostar ou não de determinada pessoa nem sempre obedece ao fato de querermos gostar ou não. Às vezes odiamos ou gostamos mesmo não querendo, outras vezes mesmo não devendo, outras vezes ainda, mesmo devendo e querendo não conseguimos.

Ora, uma pessoa que não consegue gostar de sua mãe mesmo sabendo que deveria gostar (afinal, culturalmente deve-se amar as mães pelo simples fato de serem mães), ou de sua irmã, de seu pai, estará experimentando um desagradável conflito. Quem vive o drama de querer namorar uma pessoa embora devesse ficar com outra, também vive em conflito. Quem queria ser ator embora deva continuar sendo advogado, idem. Ou queria ter um filho homem e só consegue gerar mulheres, queria e devia ser respeitada pelo marido mas não está conseguindo, devia trabalhar mais mas não quer, ou quer ficar em casa mas deve sair para trabalhar e assim por diante… Como vimos, todas pessoas estão sujeitas fisiologicamente a Conflito.

Na saúde emocional a pessoa consegue conviver bem com seus Conflitos, entretanto, estando a Afetividade comprometida, poderá sucumbir à essa tensão. Na Depressão, por exemplo, um Conflito com o qual pessoa poderia estar convivendo pacificamente há muitos anos, passa agora a ser insuportável.

Algumas vezes não temos consciência plena do Conflito, eles podem ser inconscientes. Isso geralmente acontece em pessoas muito ativas e que nunca se detém para refletir sobre suas vidas, pessoas que suportam tudo porque se acreditam fortes, pessoas que consideram as emoções uma coisinha trivial. Mesmo essas pessoas se esgotam. A Afetividade abalada ou esgotada poderá fazer com que os Conflitos inconscientes sejam capazes de causar uma ansiedade tão grande ao ponto de produzirem uma Síndrome do Pânico, ou Fobia, etc.

Outras vezes a Afetividade depressiva ou esgotada mexe e remexe no baú do psiquismo e os fatos, vivências, Conflitos e traumas praticamente esquecidos voltam à tona, incomodam e torturam. É como se uma cicatriz de anos e para a qual não se dava tanta importância passasse a incomodar muito, fazendo a pessoa sentir-se magoados, frustrada ou infeliz por causa dela.

Os Conflitos íntimos, juntamente com as frustrações presentes e passadas, os traumas presentes e passados e os complexos compõem aquilo que chamamos de causas subjetivas para as Reações Vivenciais Não-Normais. Serão sempre não-normais pelo fato de se originarem sem uma causa objetiva detectável. E as causas subjetivas causarão tanto mais incômodos e tanto mais Reações Vivenciais Não-Normais quanto mais alterada estiver a Afetividade. Portanto, a correção da Afetividade alterada será o primeiro e mais importante passo para o tratamento de todos esses quadros emocionais.

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Afetividade e Estado Afetivo Momentâneo
O estado psíquico global com que a pessoa se apresenta e vive reflete a suaAfetividade. Tal como as lentes dos óculos, os filtros da Afetividade fazem com que o sol seja percebido com maior ou menor brilho, que a vida tenha perspectivas otimistas ou pessimistas, que o passado seja revivido como um fardo pesado ou, simplesmente, lembrado com suavidade. Interfere assim na realidade percebida por cada um de nós, mais precisamente, na representação que cada pessoa tem do mundo, de seu mundo.

Podemos pensar na Afetividade como o tônus energético capaz de impulsionar o indivíduo para a vida, como uma energia psíquica dirigida ao relacionamento do ser com sua vida e o humor necessário para conferir uma determinada valoração às vivências.

A Afetividade colore com matizes variáveis todo relacionamento do sujeito com o objeto, faz com que os fatos sejam percebidos desta ou daquela maneira e que despertem este ou aquele sentimento.

Estado Afetivo Momentâneo
Há sempre um Estado Afetivo Momentâneo para cada pessoa, um tônus afetivo neste exato momento atribuindo os devidos valores às vivências, seja a tristeza na tragédia ou a alegria na comédia, em condições normais.

Este estado afetivo momentâneo é variável de momento para momento numa mesma pessoa; ora o humor está mais elevado, ora mais rebaixado. Um mesmo fato que nos parece demasiadamente desagradável no meio do dia poderá parecer-nos muito mais ameno à noite, ou uma mesma brincadeira que nos fez rir ontem poder irritar-nos hoje.

Nestes casos não estaria havendo variação ou mudança nos fatos, mas sim na representação deles, segundo os “filtros” do afeto.

 

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Reação Vivencial
Os fatos e acontecimentos com os quais temos contacto e, tratados por nossa Afetividade, serão chamados deVivências. Essas vivências devem ser sempre capazes de determinar um sentimento ou resposta emocional na pessoa. A este sentimento causado pelaVivência chamamos de Reação Vivencial. Para entender melhor, comparamos as Reações Vivenciais às Reações Alérgicas, que são os acontecimentos determinadas pelo contacto do organismo com algum produto alérgeno.

As Vivências, portanto, são os fatos ou acontecimentos vividos e representados particularmente por cada um de nós. E essas vivências causam sentimentos variados: ansiedade, medo, alegria, angústia, raiva, apreensão, etc.

Assim sendo, Reações Vivenciais são as reações de nosso psiquismo àsVivências. Assim como as reações alérgicas produzem alergia, as Reações Vivenciais produzem sentimentos. Assim como as reações alérgicas produzem tipos diferentes de alergia nas diferentes pessoas, também as Reações Vivenciaisdeterminam sentimentos diferentes nas diferentes pessoas, diferentes quanto ao tipo e quanto a intensidade.

Nas Reações Vivenciais, portanto, os sentimentos, serão sempre proporcionais ao significado que os fatos têm para as pessoas, ou seja, dependerão daquilo que os fatos representam para a pessoa. Um mesmo fato ou acontecimento poderá determinar sentimentos diferentes em diferentes pessoas porque eles representam também algo diferente para diferentes pessoas.

 

 

 

 

 

Lidando com a Afetividade Alterada
Os transtornos emocionais afetivos podem existir de duas maneiras:

  1. a pessoa está afetivamente abalada ou;
  2. ela é afetivamente problemática. É a mesma colocação que se pode fazer entre estar doente e ser

Pessoas que estão afetivamente abaladas normalmente são aquelas cuja personalidade original não tem traços naturais de instabilidade ou sensibilidade afetiva exagerada mas que, por razões circunstanciais acabam tendo problemas afetivos. Entre essas razões circunstanciais as mais comuns, hoje em dia, são o estresse continuado, as perdas e decepções, as exigências de adaptação do cotidiano, entre outras.

Esse tipo de transtorno afetivo surge em algum momento na vida de uma pessoa afetivamente normal e pode ser entendido como uma espécie de esgotamento decorrente da sobrecarga de vivências tensas e traumáticas.

O segundo tipo, aquele que é afetivamente problemático, existe em pessoas com traços na personalidade de sensibilidade afetiva mais intensa. Para essas pessoas a vida normalmente é sentida com mais emoções e as vivências tendem a ser experimentadas com maior sentimento. São pessoas ansiosas por natureza, naturalmente sentimentais, pessoas que podem se magoar com facilidade, costumam ter excesso de responsabilidade.

A diferença entre ser e estar com problemas afetivos será de fundamental importância para o tratamento. Se o caso é ser afetivamente problemático o tratamento tende a ser mais duradouro e, em alguns casos, até definitivo. É a mesma coisa que ser hipertenso, ser diabético, ser asmático, ser reumático, enfim, são casos que caracterizam uma maneira de ser e não de estar. Os preconceitos acerca d necessidade de um tratamento mais prolongado para esses casos são rejeitados por conta de nossa cultura.

Por outro lado, no caso da pessoa estar passando por uma fase de problemas afetivos decorrentes de circunstâncias momentâneas o tratamento será igualmente momentâneo, ou seja, durante um prazo de tempo suficiente para que a pessoa restabeleça sua harmonia afetiva.

Bases do tratamento

Aqui, como em tantos outros casos da psiquiatria, os medicamentos podem ser indispensáveis e insuficientes. Diz-se que são indispensáveis porque sem eles o tratamento pode ser impossível e insuficientes, porque só com eles também pode ser impossível. A associação entre medicamentos e psicoterapia pode ser o mais indicado, tanto para os casos que são problemáticos quanto para aqueles que estão com problemas.

A alteração da afetividade implicada nos problemas emocionais tipo Pânico, Fobia, Ansiedade e a própria Depressão, é o rebaixamento afetivo. Voltando ao exemplo que comparamos a Afetividade aos óculos através dos quais se enxerga a realidade, corrigir esses óculos é o objetivo do tratamento da Afetividade.

Os antidepressivos são os medicamentos melhor indicados para o tratamento do rebaixamento afetivo. Indica-se antidepressivos com o mesmo objetivo que a medicina indica os antidiabéticos, os anti-hipertensivos, os anti-reumáticos ou anti-asmáticos para suas respectivas doenças.

Além dos antidepressivos, em alguns casos pode-se associar também os ansiolíticos, medicamentos destinados ao alívio dos sintomas da ansiedade. Esses ansiolíticos atuam mais nos sintomas (ansiedade) que na causa básica do problema que é a Afetividade, mas mesmo assim, nos casos onde os sintomas ansiosos são muito importantes eles estão indicados durante algum tempo.

O tempo de uso dos antidepressivos dependerá, como já dissemos, com problemas afetivos ou de ela ser afetivamente problemática. Dependerá também da resposta do paciente ao tratamento.

A psicoterapia associada ao tratamento com medicamentos é de fundamental importância. A terapia chamada cognitiva tem sido uma das mais eficientes nesses casos. Este tipo de terapia busca uma auxílio de elementos racionais junto aos tropeços emocionais. Procura corrigir certos esquemas de pensamento deturpados pelas emoções.

para referir:
Ballone GJ Afetividade – in. PsiqWeb, Internet – disponível em http://www.psiqweb.med.br/, revisto em 2015

Transtornos do humor [ou afetivos] – CID-10
Segundo o CID-10, em vias de ser substituído pelo CID-11, Transtornos Afetivos são aqueles nos quais a perturbação fundamental é uma alteração do humor ou do afeto, no sentido de uma depressão (com ou sem ansiedade associada) ou de uma elação. A alteração do humor em geral se acompanha de uma modificação do nível global de atividade, e a maioria dos outros sintomas são quer secundários a estas alterações do humor e da atividade, quer facilmente compreensíveis no contexto destas alterações. A maioria destes transtornos tendem a ser recorrentes e a ocorrência dos episódios individuais pode frequentemente estar relacionada com situações ou fatos estressantes.

F30 Episódio maníaco
Todas as subdivisões desta categoria se aplicam exclusivamente a um episódio isolado. Um episódio hipomaníaco ou maníaco em indivíduo que já tenha apresentado um ou mais episódios afetivos prévios (depressivo, hipomaníaco, maníaco, ou misto) deve conduzir a um diagnóstico de transtorno afetivo bipolar (F31.-).
Inclui:
transtorno bipolar, episódio maníaco isolado

F30.0 Hipomania
Transtorno caracterizado pela presença de uma elevação ligeira mas persistente do humor, da energia e da atividade, associada em geral a um sentimento intenso de bem-estar e de eficácia física e psíquica. Existe frequentemente um aumento da sociabilidade, do desejo de falar, da familiaridade e da energia sexual, e uma redução da necessidade de sono; estes sintomas não são, entretanto, tão graves de modo a entravar o funcionamento profissional ou levar a uma rejeição social. A euforia e a sociabilidade são por vezes substituídas por irritabilidade, atitude pretensiosa ou comportamento grosseiro. As perturbações do humor e do comportamento não são acompanhadas de alucinações ou de idéias delirantes.

F30.1 Mania sem sintomas psicóticos
Presença de uma elevação do humor fora de proporção com a situação do sujeito, podendo variar de uma jovialidade descuidada a uma agitação praticamente incontrolável. Esta elação se acompanha de um aumento da energia, levando à hiperatividade, um desejo de falar e uma redução da necessidade de sono. A atenção não pode ser mantida, e existe frequentemente uma grande distração. O sujeito apresenta frequentemente um aumento do autoestima com ideias de grandeza e superestimativa de suas capacidades. A perda das inibições sociais pode levar a condutas imprudentes, irrazoáveis, inapropriadas ou deslocadas.

F30.2 Mania com sintomas psicóticos
Presença, além do quadro clínico descrito em F30.1, de ideias delirantes (em geral de grandeza) ou de alucinações (em geral do tipo de voz que fala diretamente ao sujeito) ou de agitação, de atividade motora excessiva e de fuga de ideias de uma gravidade tal que o sujeito se torna incompreensível ou inacessível a toda comunicação normal.
Estupor maníaco
Mania com sintomas psicóticos:

  • congruentes com o humor
  • incongruentes com o humor

F30.8 Outros episódios maníacos

F30.9 Episódio maníaco não especificado

F31 Transtorno afetivo bipolar
Transtorno caracterizado por dois ou mais episódios nos quais o humor e o nível de atividade do sujeito estão profundamente perturbados, sendo que este distúrbio consiste em algumas ocasiões de uma elevação do humor e aumento da energia e da atividade (hipomania ou mania) e em outras, de um rebaixamento do humor e de redução da energia e da atividade (depressão). Pacientes que sofrem somente de episódios repetidos de hipomania ou mania são classificados como bipolares.
Inclui:
psicose maníaco-depressiva
Exclui:
ciclotimia (F34.0)
transtorno bipolar, episódio maníaco isolado (F30.-)

F31.0 Transtorno afetivo bipolar, episódio atual hipomaníaco
Episódio atual correspondente à descrição de uma hipomania tendo ocorrido, no passado, ao menos um outro episódio afetivo (hipomaníaco, maníaco, depressivo ou misto).

F31.1 Transtorno afetivo bipolar, episódio atual maníaco sem sintomas psicóticos
Episódio atual maníaco correspondente à descrição de um episódio maníaco sem sintomas psicóticos (F30.1), tendo ocorrido, no passado, ao menos um outro episódio afetivo (hipomaníaco, maníaco, depressivo ou misto).

F31.2 Transtorno afetivo bipolar, episódio atual maníaco com sintomas psicóticos
Episódio atual correspondente à descrição de um episódio maníaco com sintomas psicóticos (F30.2), tendo ocorrido, no passado, ao menos um outro episódio afetivo (hipomaníaco, maníaco, depressivo ou misto).

F31.3 Transtorno afetivo bipolar, episódio atual depressivo leve ou moderado
Episódio atual correspondente à descrição de um episódio depressivo leve ou moderado (F32.0 ou F32.1), tendo ocorrido, no passado, ao menos um episódio afetivo hipomaníaco, maníaco ou misto bem comprovado.

F31.4 Transtorno afetivo bipolar, episódio atual depressivo grave sem sintomas psicóticos
Episódio atual correspondentes à descrição de um episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos (F32.2), tendo ocorrido, no passado, ao menos um episódio afetivo hipomaníaco, maníaco ou misto bem documentado.

F31.5 Transtorno afetivo bipolar, episódio atual depressivo grave com sintomas psicóticos
Episódio atual correspondente à descrição de um episódio depressivo grave com sintomas psicóticos (F32.3), tendo ocorrido, no passado, ao menos um episódio afetivo hipomaníaco, maníaco ou misto bem comprovado.

F31.6 Transtorno afetivo bipolar, episódio atual misto
Ocorrência, no passado, de ao menos um episódio afetivo maníaco, hipomaníaco ou misto bem documentado, e episódio atual caracterizado pela presença simultânea de sintomas maníacos e depressivos ou por uma alternância rápida de sintomas maníacos e depressivos.
Exclui:
episódio afetivo misto isolado (F38.0)

F31.7 Transtorno afetivo bipolar, atualmente em remissão
Ocorrência, no passado, de ao menos um episódio afetivo maníaco, hipomaníaco ou misto muito bem comprovado, e de ao menos um outro episódio afetivo (hipomaníaco, maníaco, depressivo ou misto) mas sem nenhuma perturbação significativa do humor, nem atualmente nem no curso dos últimos meses. As remissões sob tratamento profilático devem ser classificadas aqui.

F31.8 Outros transtornos afetivos bipolares
Episódios maníacos recidivantes SOE
Transtorno bipolar II

F31.9 Transtorno afetivo bipolar não especificado

F32 Episódios depressivos
Nos episódios típicos de cada um dos três graus de depressão: leve, moderado ou grave, o paciente apresenta um rebaixamento do humor, redução da energia e diminuição da atividade. Existe alteração da capacidade de experimentar o prazer, perda de interesse, diminuição da capacidade de concentração, associadas em geral à fadiga importante, mesmo após um esforço mínimo. Observam-se em geral problemas do sono e diminuição do apetite. Existe quase sempre uma diminuição da autoestima e da autoconfiança e frequentemente ideias de culpabilidade e ou de indignidade, mesmo nas formas leves. O humor depressivo varia pouco de dia para dia ou segundo as circunstâncias e pode se acompanhar de sintomas ditos “somáticos”, por exemplo perda de interesse ou prazer, despertar matinal precoce, várias horas antes da hora habitual de despertar, agravamento matinal da depressão, lentidão psicomotora importante, agitação, perda de apetite, perda de peso e perda da libido. O número e a gravidade dos sintomas permitem determinar três graus de um episódio depressivo: leve, moderado e grave.
Inclui:
episódios isolados de (um) (uma):

  • depressão:
  • psicogênica
  • reativa
  • reação depressiva

Exclui:
quando associados com transtornos de conduta em F91.- (F92.0)
transtornos (de):

  • adaptação (F43.2)
  • depressivo recorrente (F33.-)

F32.0 Episódio depressivo leve
Geralmente estão presentes ao menos dois ou três dos sintomas citados anteriormente. O paciente usualmente sofre com a presença destes sintomas mas provavelmente será capaz de desempenhar a maior parte das atividades.

F32.1 Episódio depressivo moderado
Geralmente estão presentes quatro ou mais dos sintomas citados anteriormente e o paciente aparentemente tem muita dificuldade para continuar a desempenhar as atividades de rotina.

F32.2 Episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos
Episódio depressivo onde vários dos sintomas são marcantes e angustiantes, tipicamente a perda da autoestima e ideias de desvalia ou culpa. As ideias e os atos suicidas são comuns e observa-se em geral uma série de sintomas “somáticos”.
 
Depressão:

  • agitada
  • maior

episódio único sem sintomas psicóticos

  • vital

F32.3 Episódio depressivo grave com sintomas psicóticos
Episódio depressivo correspondente á descrição de um episódio depressivo grave (F32.2) mas acompanhado de alucinações, idéias delirantes, de uma lentidão psicomotora ou de estupor de uma gravidade tal que todas as atividades sociais normais tornam-se impossíveis; pode existir o risco de morrer por suicídio, de desidratação ou de desnutrição. As alucinações e os delírios podem não corresponder ao caráter dominante do distúrbio afetivo.

Episódios isolados de:

  • depressão:
  • major com sintomas psicóticos
  • psicótica
  • psicose depressiva:
  • psicogênica
  • reativa

F32.8 Outros episódios depressivos
Depressão atípica
Episódios isolados de uma depressão “mascarada” SOE

F32.9 Episódio depressivo não especificado
Depressão SOE
Transtorno depressivo SOE

F33 Transtorno depressivo recorrente
Transtorno caracterizado pela ocorrência repetida de episódios depressivos correspondentes à descrição de um episódio depressivo (F32.-) na ausência de todo antecedente de episódios independentes de exaltação de humor e de aumento de energia (mania). O transtorno pode, contudo, comportar breves episódios caracterizados por um ligeiro aumento de humor e da atividade(hipomania), sucedendo imediatamente a um episódio depressivo, e por vezes precipitados por um tratamento antidepressivo. As formas mais graves do transtorno depressivo recorrente (F33.2 e F33.3) apresentam numerosos pontos comuns com os conceitos anteriores da depressão maníaco-depressiva, melancolia, depressão vital e depressão endógena. O primeiro episódio pode ocorrer em qualquer idade, da infância à senilidade, sendo que o início pode ser agudo ou insidioso e a duração variável de algumas semanas a alguns meses. O risco de ocorrência de um episódio maníaco não pode jamais ser completamente descartado em um paciente com um transtorno depressivo recorrente, qualquer que seja o número de episódios depressivos apresentados. Em caso de ocorrência de um episódio maníaco, o diagnóstico deve ser alterado pelo de transtorno afetivo bipolar (F31.-).
Inclui:
episódios recorrentes de uma:

  • depressão
  • psicogênica
  • reativa
  • reação depressiva

transtorno depressivo sazonal
Exclui:
episódios depressivos recorrentes breves (F38.1)

F33.0 Transtorno depressivo recorrente, episódio atual leve
Transtorno caracterizado pela ocorrência repetida de episódios depressivos, sendo o episódio atual leve, tal como descrito em F32.0, na ausência de qualquer antecedente de mania.

F33.1 Transtorno depressivo recorrente, episódio atual moderado
Transtorno caracterizado pela ocorrência repetida de episódios depressivos, sendo o episódio atual de moderada gravidade, tal como descrito em F32.1, na ausência de qualquer antecedente de mania.

F33.2 Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave sem sintomas psicóticos
Transtorno caracterizado pela ocorrência repetida de episódios depressivos, sendo o episódio atual grave, sem sintomas psicóticos, tal como descrito em F32.2, na ausência de qualquer antecedente de mania.
Depressão:

  • endógena
  • maior recorrente

sem sintomas psicóticos

  • vital recorrente

Psicose maníaco-depressiva, forma depressiva sem sintomas psicóticos

F33.3 Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave com sintomas psicóticos
Transtorno caracterizado pela ocorrência repetida de episódios depressivos, sendo o episódio atual grave, com sintomas psicóticos, tal como descrito em F32.3, na ausência de qualquer antecedente de mania.
Depressão endógena com sintomas psicóticos
Episódio recorrente grave (de):

  • depressão:
  • major com sintomas psicóticos
  • psicótica
  • psicose depressiva:
  • psicogênica
  • reativa

Psicose maníaco-depressiva, forma depressiva, com sintomas psicóticos

F33.4 Transtorno depressivo recorrente, atualmente em remissão
O paciente teve no passado dois ou mais transtornos depressivos como descritos acima (F33.0-F33.3) mas não apresenta atualmente nenhum sintoma depressivo e isto há vários meses.

F33.8 Outros transtornos depressivos recorrentes

F33.9 Transtorno depressivo recorrente sem especificação

Depressão unipolar SOE

F34 Transtornos de humor [afetivos] persistentes
Transtornos do humor persistentes e habitualmente flutuantes, nos quais os episódios individuais não são suficientemente graves para justificar um diagnóstico de episódio maníaco ou de episódio depressivo leve. Como persistem por anos e, por vezes, durante a maior parte da vida adulta do paciente, levam contudo a um sofrimento e à incapacidade consideráveis. Em certos casos, episódios maníacos ou depressivos recorrentes ou isolados podem se superpor a um transtorno afetivo persistente.

F34.0 Ciclotimia
Instabilidade persistente do humor que comporta numerosos períodos de depressão ou de leve elação nenhum deles suficientemente grave ou prolongado para responder aos critérios de um transtorno afetivo bipolar (F31.-) ou de um transtorno depressivo recorrente (F33.-). O transtorno se encontra frequentemente em familiares de pacientes que apresentam um transtorno afetivo bipolar. Algumas pessoas ciclotímicas apresentarão elas próprias ulteriormente um transtorno afetivo bipolar.
Personalidade:

  • ciclóide
  • ciclotímica

Transtorno afetivo da personalidade

F34.1 Distimia
Rebaixamento crônico do humor, persistindo ao menos por vários anos, mas cuja gravidade não é suficiente ou na qual os episódios individuais são muito curtos para responder aos critérios de transtorno depressivo recorrente grave, moderado ou leve (F33.-).
Depressão:

  • ansiosa persistente
  • neurótica

Neurose depressiva
Personalidade depressiva
Exclui:
depressão ansiosa (leve ou não-persistente) (F41.2)

F34.8 Outros transtornos do humor [afetivos] persistentes

F34.9 Transtorno do humor [afetivo] persistente não especificado

F38 Outros transtornos do humor [afetivos]
Quaisquer outros transtornos de humor que não justificam ser classificados em F30-F34 por não apresentarem gravidade ou duração suficientes.

F38.0 Outros transtornos do humor [afetivos] isolados
Episódio afetivo misto

F38.1 Outros transtornos do humor [afetivos] recorrentes
Episódio depressivo recorrente breve

F38.8 Outros transtornos especificados do humor [afetivos]

F39 Transtorno do humor [afetivo] não especificado

Psicose afetiva SOE