Dicionário

O Dicionário de termos psiquiátricos contém muitas palavras explicadas didaticamente.

Ablação

A primeira técnica consistente para a psicocirurgia foi desenvolvida pelo neurologista português Dr. Antônio Egas Moniz, e realizada pela primeira vez em 1935, com o seu colega, Almeida Lima. Moniz baseou sua operação no achado que tinha sido feito alguns anos antes, de que certos sintomas neuróticos induzidos em chimpanzés poderiam ser diminuídos cortando-se as fibras nervosas que conectam o córtex prefrontal com o resto do cérebro. Ele desenvolveu uma técnica chamada leucotomia ou lobotomia que consistia de cortar tratos de fibra entre o tálamo e os lobo frontal, usando uma faca especial chamada um leucótomo.

Os resultados de Moniz foram considerados tão bons, que a lobotomia começou a ser usada em vários países como uma tentativa de reduzir psicose e depressão severa ou comportamento violento em pacientes que não podiam ser tratados com qualquer outro meio (na ocasião, não havia muitos: o choque induzido por insulina e o choque eletroconvulsivo também estavam em seus estágios iniciais e os medicamentos ainda não estavam disponíveis). Assim, a lobotomia era empregada principalmente em pacientes institucionalizados que também mostravam agitação crônica ou angústia e comportamento obsessivo-impulsivo. Moniz foi premiado com o Nobel em 1949 por sua descoberta.

Abstinência

Abstinência é a abstenção do uso de droga ou, mais comumente, de bebidas alcoólicas. O indivíduo que pratica a abstinência é chamado de abstêmio, aquele que não bebe ou não usa drogas. Deve-se, no entanto, diferenciar abstêmio (que não bebe ou não usa drogas) de abstinente, que é a pessoa que não está, ATUALMENTE, bebendo ou que não está, ATUALMENTE, usando drogas.

A expressão “atualmente abstinente”, frequentemente usada em levantamentos populacionais, geralmente define uma pessoa que não ingeriu bebidas alcoólicas nos últimos 12 meses; esta definição não coincide necessariamente com a descrição que o próprio indivíduo faz de si como um abstêmio.

O termo “abstinência” não deve ser confundido com “síndrome de abstinência”.

Abulia

Por Hipobulia e Abulia entende-se, respectivamente, a diminuição e a total incapacidade do potencial volitivo.

Esse enfraquecimento da vontade pode ocorrer, fugazmente em indivíduos normais, em estados de fadiga ou em consequência de trauma emocional intenso. Nessa situação há lentidão concomitante das ações e dos movimentos (bradibulia e bradicinesia).

A debilidade da vontade é observada em todos os estados de depressão e de inibição. A Hipobulia pode ser permanente nas esquizofrenias e em oligofrênicos apáticos. O tipo mais característico de debilidade volitiva é encontrado na depressão, na qual a vontade está inibida em todo o período de duração do acesso. Em estados depressivos a Hipobulia é duradoura, onde surge junto com a baixa volição as típicas dificuldade de decisão.

Veja Hipobulia e Abulia em Alterações da Atividade Voluntária

Abuso de drogas

As classificações falam em Abuso de Substância, de modo genérico, especificando-se daí qual a substância abusada. A característica essencial do Abuso de Substância é um padrão mal-adaptativo de uso de substância, manifestado por consequências significativamente danosas e recorrentes relacionadas ao uso repetido da substância.

Em decorrência do abuso da substância pode haver um fracasso repetido em cumprir obrigações importantes, pode haver uso repetido em situações nas quais isto apresenta perigo físico, múltiplos problemas legais e problemas sociais e interpessoais recorrentes. Esses problemas devem acontecer de maneira recorrente (com recaídas), durante um período de 12 meses.

À diferença entre Dependência de Substância e Abuso de Substância, diz respeito à tolerância (aumento progressivo na quantidade consumida), abstinência (crise por falta da substância) ou um padrão de uso compulsivo, quando há dependência.

Embora um diagnóstico de Abuso de Substância seja mais provável em indivíduos que começaram recentemente a consumi-la, alguns indivíduos continuam por um longo período de tempo sofrendo as consequências sociais adversas relacionadas à substância, sem desenvolverem evidências de Dependência de Substância. A categoria Abuso de Substância não se aplica à nicotina e à cafeína.

O indivíduo pode repetidamente apresentar intoxicação ou outros sintomas relacionados à substância, quando deveria cumprir obrigações importantes relativas a seu papel no trabalho, na escola ou em casa. Pode haver repetidas ausências ou fraco desempenho no trabalho, relacionados a “ressacas” recorrentes. Um estudante pode ter ausências, suspensões ou expulsões da escola relacionadas à substância. Enquanto intoxicado, o indivíduo pode negligenciar os filhos ou os afazeres domésticos. A pessoa pode apresentar-se repetidamente intoxicada em situações nas quais isto representa perigo físico (por ex., ao dirigir um automóvel, operar máquinas ou em comportamentos recreativos arriscados, tais como nadar ou praticar montanhismo).

Podem ser observados problemas legais recorrentes relacionados à substância (por ex., detenções por conduta desordeira, agressão e espancamento, direção sob influência da substância). O indivíduo pode continuar utilizando a substância, apesar de uma história de consequências sociais ou interpessoais indesejáveis, persistentes ou recorrentes (por ex., conflito com o cônjuge ou divórcio, lutas corporais ou verbais).

ABUSO DE SUBSTÂNCIAS QUE NÃO PRODUZEM DEPENDÊNCIA (F55)
Definido como o uso repetido e inadequado de uma substância isenta de potencial de dependência, mas que se acompanha de efeitos físicos ou psicológicos nocivos ou envolve um contato desnecessário com profissionais da saúde (ou ambos). Esta categoria poderia ser mais apropriadamente chamada de “abuso de substâncias não psicoativas”.

Uma ampla variedade de medicamentos à venda sob prescrição médica ou de venda livre e de remédios populares e fitoterápicos pode estar envolvida. Os grupos particularmente importantes são:

a) drogas psicotrópicas que não produzem dependência, tais como os antidepressivos e neurolépticos;
b) laxativos (o uso inadequado dos mesmos é chamado de “hábito laxativo”);
c) analgésicos que podem ser comprados sem prescrição médica, tais como aspirina (ácido acetilsalicílico) e paracetamol (acetaminofem);
d) esteroides e outros hormônios;
e) vitaminas; e
f) antiácidos.

Embora estas substâncias não produzam, tipicamente, efeitos psíquicos agradáveis, as tentativas de desencorajar ou proibir o seu uso frequentemente encontram resistência. A despeito da forte motivação do paciente para tomar a substância, não há o desenvolvimento de síndrome de dependência nem de síndrome de abstinência. Estas substâncias não têm potencial de dependência no sentido de efeitos farmacológicos intrínsecos, mas são capazes de induzir dependência psicológica.

Abuso sexual

Abuso sexual infantil:
O abuso sexual é caracterizado pela investida sexual apesar do não consentimento da criança na relação com o adulto. Este tipo de abuso não necessita, obrigatoriamente, do coito mas pode ocorrer através da coerção ou com jogos de sedução afetiva perpetrados pelos adultos. As formas mais comuns de agressão sexual contra crianças relatadas por especialistas que trabalham com a psicoterapia nos casos de abuso são: as “carícias”, o contato com a genitália, a masturbação e a relação sexual vaginal, anal ou oral.

Abuso sexual intra-familiar:
Utiliza-se esta expressão para caracterizar o abuso sexual infantil que ocorre dentro do sistema familiar da criança. O agressor pode ser o pai, um irmão, um primo, ou seja: pessoas com relação de consanguinidade com a criança. Mas também é agressor intra-familiar um padrasto, um novo namorado da mãe da criança (que a criança conheça), um amigo muito íntimo da família, enfim: todos aqueles que mesmo sem nenhum grau de parentesco têm um certo convívio com a criança a ponto de travar com ela laços afetivos. O abuso sexual intra-familiar também pode ser chamado de relação de incesto.

Veja também Desejo Sexual e Parafilias

Acalásia

Acalásia é um transtorno esofágico neurológico que causa uma alteração do peristaltismo (movimento para conduzir o bolo alimentar) esofágico e o relaxamento do esfíncter esofágico inferior; em algumas ocasiões se denomina cardioespasmo. Parte de sua causa é desconhecida mas, em nosso meio a causa mais frequente é a Doença de Chagas.

O começo do transtorno é insidioso e progressivo, evoluindo gradualmente, durante meses ou anos. O sintoma principal é a disfagia a líquidos e sólidos. Alguns pacientes referem dor torácica, regurgitação ou tosse noturna. Num terço dos pacientes se produz regurgitação noturna da comida não digerida e pode dar lugar a aspiração pulmonar de alimentos. O afinamento do esôfago pode ser leve a moderado. Deve ser diferenciado da disfagia produzida por medicamentos neurolépticos ou outros bloqueadores de dopamina.

Acalculia

Acalculia é um déficit no domínio de habilidades básicas de cálculos (soma, divisão, subtração e multiplicação) ao invés de habilidades matemáticas mais abstratas envolvidas em álgebra, trigonometria, geometria ou cálculo. Tem como sinônimo Discalculia ou Transtornos Específicos das Habilidades Aritméticas.

Acatafasia

Acatafasia é um distúrbio onde há um desvio do discurso quanto à intencionalidade ideativa, como uma impossibilidade de falar ou escrever os pensamentos coerentemente. Pode ser chamado de Acatagrafia e Agramatismo

Acatisia

Acatisia é uma condição psicomotora onde o paciente sente uma grande dificuldade em permanecer parado, sentado ou imóvel.

A Acatisia como efeito colateral dos antipsicóticos, notadamente os incisivos (haloperidol, flufenazina e trifuoperidol) ocorre geralmente após o terceiro dia de uso da medicação. Clinicamente é caracterizado por inquietação psicomotora, desejo incontrolável de movimentar-se e sensação interna de tensão. O paciente assume uma postura típica de levantar-se a cada instante, andar de um lado para outro e, quando compelido a permanecer sentado, não para de mexer suas pernas. Há um movimento constante e continuado de mexer as pernas como se o paciente estivesse marchando sem sair do lugar.

A Acatisia não responde bem aos anticolinérgicos ou ansiolíticos e o clínico é obrigado a decidir entre a manutenção do tratamento com o antipsicótico com aquelas doses e o desconforto da sintomatologia da Acatisia. Com frequência é necessário a diminuição da dose ou mudança para outro tipo de antipsicótico. Quando isso acontece normalmente pode-se recorrer aos Antipsicóticos Atípicos.

Acetilcolina

Acetilcolina (AC) é um neurotransmissor relevante para a memória e outras funções centrais, bem como para o funcionamento neuromuscular em nível periférico. Existem dois tipos de receptores de AC, os receptores nicotínicos e muscarínicos. Os receptores nicotínicos se unem aos canais iônicos, são mais rápidos e geralmente excitatórios, são bloqueados pelo curare e se estimulam pela nicotina e acetilcolina.

Os receptores muscarínicos se unem à proteína G, são mais lentos, são excitatórios ou inibitórios, são bloqueados pela atropina e estimulados pela muscarina, pilocarpina e acetilcolina.

A concentração de AC está disminuída no cérebro dos pacientes com Doença de Alzheimer. Também podem estar implicados mecanismos da AC nos trastornos do humor ou do estado de ânimo.

A Acetilcolina foi o primeiro neurotransmissor descoberto. Ela se encontra nos neurônios motores da espinha dorsal, nos neurônios pré-ganglionares do Sistema Nervoso Autônomo (SNA) e nos neurônios pós-ganglionares do Sistema Nervoso Autônomo Parassimpático ou Vagal.

As vias colinérgicas se projetam desde os núcleos basais de Meynert, situados no globo pálido, ao córtex frontal e parietal, principalmente, e ao tálamo, amígdala e hipocampo.

Acidente Vascular Cerebral - AVC

Acidente Vascular Cerebral – AVC
Acidente Vascular Cerebral é também leigamente conhecido como Derrame ou simplesmente AVC. Trata-se de uma lesão do tecido cerebral produzido por falta de irrigação sanguínea. É uma importante causa de morte na velhice e também uma importante fonte de seqüelas. Pode ocorrer em qualquer idade, mas é muito mais freqüente em pessoas com mais de 65 anos. Em 80% dos casos são isquêmicos, isto é, são devidos a súbita falta de sangue em determinada região do cérebro, sem hemorragia.

Na isquemia cerebral ou acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) a causa básica é a arteriosclerose. O processo de arteriosclerose se caracteriza pelo estreitamento das artérias e a formação de placas nas mesmas (ateromas). Esta situação favorece o processo de falta de irrigação de sangue ao cérebro. Esta falta de irrigação pode ocorrer pelo entupimento brusco de uma artéria por um pedaço da placa que se desprendeu de um local mais distante (embolia) ou simplesmente pelo estreitamento da própria artéria (trombose). Há situações em que a falta de irrigação sangüínea ao cérebro se deve a queda brusca da pressão arterial (hipotensão) o que é agravada pelo estreitamento das artérias. Na pessoa portadora de doença cardíaca, como na fibrilação atrial por ex, há condições que também favorecem o deslocamento de placas ou êmbolos para o cérebro.

O AVCI se caracteriza por paralisia de membros de um lado do corpo (hemiplegia), podendo ocorrer distúrbios na fala e na compreensão (distúrbios da linguagem: ver Afasia). Dependendo do local lesado no cérebro pode haver vários tipos de manifestações, como dificuldade na deglutição, paralisias de músculos da face, dificuldade na movimentação dos olhos, etc. Pode também ocorrer convulsões. Lesões extensas ou em determinadas localizações pode desenvolver o estado de inconsciência.

Há situações em que a falta de sangue ao cérebro é transitória, durando poucos minutos e levando a sintomas também transitórios, como dificuldade de fala e paralisias, que regridem totalmente em poucas horas.

Esta situação caracteriza o AVCI Transitório que é um tipo comum de acidente vascular cerebral isquêmico aonde não chega a ocorrer uma lesão definitiva da célula nervosa. Este tipo de acidente transitório, entretanto, pode se tornar definitivo com lesão cerebral.

Nos casos em que há hemorragia, acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCH), a principal causa é a hipertensão arterial, que leva ao rompimento de pequenas artérias. Certas malformações de artérias como os aneurismas, situações em que há diminuição da coagulação como na leucemia, em certos tipos de tumores cerebrais ou durante o uso de drogas anticoagulantes pode também ocorrer a hemorragia cerebral.
O AVCH em geral é mais grave que o AVCI, ocorrendo com freqüência diminuição do nível da consciência e até o coma. Dependendo do local lesado podem ocorrer paralisias, distúrbios da fala, da visão, da deglutição, da memória, da marcha, etc. Como no AVCI também pode ocorrer crise convulsiva. O AVCH eventualmente pode determinar a formação de um coágulo ou hematoma dentro do cérebro que pode se confundir com um tumor cerebral.

A tomografia cerebral e/ou a ressonância nuclear magnética são os principais exames para o diagnóstico, localização e extensão da lesão. O exame do líquor deve ser feito em algumas ocasiões especiais, como para se excluir a possibilidade de processo infeccioso do sistema nervoso (encefalite). É freqüente a tomografia cerebral se apresentar normal logo no inicio da doença, principalmente no AVCI, mostrando-se alterada somente horas ou dias após o inicio dos sintomas.

A prevenção do AVC é a principal arma contra a doença. A identificação dos fatores de risco para as doenças vasculares e o seu controle diminuíram muito o numero de casos de derrame cerebral. O controle das doenças cardiovasculares, da hipertensão arterial, e de distúrbios metabólicos como o diabetes, são fundamentais na profilaxia da doença. O tabagismo é um importante fator de risco que também deve ser eliminado. A atividade física regular sempre deve ser estimulada.

Não se conhece medicamento eficiente para o tratamento da fase aguda do acidente vascular cerebral. Recentemente foram desenvolvidos estudos com medicamentos vasodilatadores cerebrais
(bloqueadores de cálcio) que apresentam algum beneficio na fase aguda da doença, principalmente no AVCH. A principal droga, utilizada como preventiva do AVCI, é a aspirina. A sua principal indicação ocorre naquelas situações que caracterizam o AVCI Transitório.
Medicamentos denominados vasodilatadores cerebrais são substâncias que provocam uma melhora no fluxo de sangue levando benefícios aos órgãos irrigados. Teoricamente melhorariam o fluxo sangüíneo para o cérebro provocando uma melhoria na função cerebral. Mas na prática não é o que se observa. Não se conhece substância até o momento capaz de reverter o processo isquêmico que ocorre no AVCI, ou de melhorar o rendimento intelectual, ou a memória, ou mesmo reverter um processo de demência.

A identificação de placas de ateromas é importante na avaliação de riscos de AVC. O ateroma em geral ocorre nas artérias carótidas ao nível de suas origens (pescoço) e também nas artérias vertebrais. O exame clínico pode indicar um estreitamento arterial devido a uma placa de ateroma através da ausculta de um sopro ao nível do pescoço. A avaliação precisa da lesão é feita através da Angiografia, podendo também ser utilizada a Ultra-sonografia (Eco-Doppler) que tem menor precisão mas é menos agressiva. Em algumas situações muito especiais, como aquela em que há estreitamento importante (superior a 50% da luz da artéria) e o paciente apresentou manifestação neurológica transitória, está indicada o tratamento cirúrgico da artéria para a retirada da placa: endarterectomia. Nas obstruções arteriais sem sintomas a indicação cirúrgica é discutível.
No AVCH com presença de coágulo ou hematoma dentro do tecido cerebral e que se comporta como um tumor, está indicado o tratamento cirúrgico para sua remoção.

A ponte cerebral, isto é, o enxerto de veia com o intuito de revascularizar o cérebro que apresenta insuficiência circulatória (técnica semelhante à revascularização do coração ou ponte de safena) não teve o sucesso esperado e atualmente não está sendo mais realizada.

Ácido Desoxirribonucleico Ribonuclêico - DNA

Acido Desoxi-Ribonucleico – DNA
O Ácido Desoxi-Ribonucleico, conhecido pelas iniciais ADN ou, em inglês, Deoxyribonucleic acid (DNA), é o responsável pela divisão e reprodução celular. O DNA se localiza nos cromossomos, dentro do núcleo da célula. Ele é composto por substâncias menores, os quatro nucleotídeos – adenina, guanina, citosina e timina. Tem a forma de uma escada retorcida, como uma fita enrolada, helicoidal, que se divide no meio no momento de se reproduzir, fazendo com que características de uma geração sejam transmitidas aos seus descendentes. O DNA é considerado o código da vida.

Todas as células de animais ou vegetais surgiram a partir de uma única célula inicial por um processo de divisão. Nos animais, o óvulo fecundado divide-se e forma duas células-filhas idênticas, cada uma das quais contém um jogo de cromossomos igual ao da célula mãe. Depois, cada uma das células-filhas volta a se dividir formando quatro, depois 8, 16, e assim por diante.

Essa fase da divisão celular é chamada de mitose, onde se duplica o número de cromossomos, ou seja, o número de moléculas de ADN. E cada um dos jogos de cromossomos duplicados constituirá o patrimônio genético de cada uma das duas células-filhas formadas.

Essa divisão de mitose vai até se formar todo o organismo. O Genoma Humano, que reúne todos os nossos genes, é formado por 23 pares de cromossomos. Desses, 22 pares são numerados pelos biólogos numa seqüência de tamanho, do mais largo até o menor. O par restante é o cromossomo sexual: 2 grandes cromossomos X para a mulher (XX), e 1 X e um pequeno Y para o homem (XY). O corpo humano tem mais ou menos 100 trilhões de células, a maioria com menos de um décimo de milímetro.

Dentro de cada célula há um núcleo, com 2 conjuntos de genoma humano. Um vem da mãe e o outro do pai, que se juntam na hora da concepção. Por isso, tanto o espermatozóide quanto o óvulo devem ter metade desses cromossomos, porque quando eles se juntam, metade de um com a metade de outro, germinam uma célula que conterá o número normal das demais células do organismo que se formará. Essa divisão especial, onde cada gameta (óvulo e espermatozóide) recebem apenas metade dos cromossomos chama-se meiose.

Atualmente o DNA tem estado mais em evidência devido aos testes de paternidade. Desde que começaram a ser realizados no Brasil, no início da década de 90, os testes de paternidade por exame de DNA têm sido encarados como uma resposta infalível para uma eterna dúvida: quem é o pai da criança?
O teste é realmente um instrumento de resultados assombrosos. Realizado com apuro técnico, atinge índices de acerto superiores a 99,99%, uma margem de erro de menos de um em cada 10.000 testes. Mas, infelizmente, nem todos os resultados merecem igual credibilidade.

 

Acido Nicotínico, Niacina ou Vitamina B3

Refere-se a dois compostos: acido nicotínico e nicotinamida. É um tipo de vitamina B que não possui grande capacidade de se armazenar no organismo, daí sua deficiência isolada ser mais fácil de ocorrer. Tem função no processo respiratório das células. Ocorre em inúmeros alimentos, principalmente carne, leite e ovos. Dieta à base de milho favorece a deficiência de niacina, mas o alcoolismo é a sua principal causa. Sua deficiência gera a pelagra, doença caracterizada por manifestações cutâneas (manchas escuras em áreas expostas à luz), diarréia, emagrecimento e irritabilidade. Ocorre lesões nos cantos da boca e na língua. Nas formas graves ocorre quadro de demência, podendo surgir crises convulsivas e alucinações. A maiorias dos produtos vitamínicos comerciais só contem a nicotinamida. Em doses elevadas contribui no tratamento do aumento de gorduras no sangue (triglicerídeos e colesterol). Durante algum tempo a niacina foi tentada no tratamento de certos distúrbios psiquiátricos, como a esquizofrenia, mas sem resultados positivos. Altas doses da niacina podem provocar vasodilatação e dores abdominais.

Acrodinia

Acrodinia é um distúrbio infantil caracterizado por transtornos do caráter, apatia, agitação, agressividade, manifestações neurovegetativas, e alterações neuro-anatômicas das extremidades (dores, hipersensibilidade, erupções avermelhadas com descamação e pigmentação parda) É conhecido também como Doença de Selter-Swift-Feer, ou Trofodermatoneurose.

Acromatopsia

Acromatopsia é a incapacidad de distinguir cores apesar de haver integridade das células pigmentadas da retina. O distúrbio da percepção de cores está prejudicada por defeito primário na fisiologia dos cones retinianos.

As características principais da Acromatopsia podem ser:
– ausência de função dos cones
– percepção de intensidades luminosas diferenças
– deslumbramento acentuado (glare)

Aculturação

Aculturação é o processo de mudança de cultura e seus efeitos, quer em um indivíduo quer em grupo, conseqüente do contato contínuo entre pessoas culturalmente distintas. Grupos em contato um com o outro freqüentemente compartilham aspectos de sua cultura, mas o menor ou o mais fraco destes grupos adota mais aspectos da cultura dominante do que a cultura dominante dos grupos mais fracos e menores.

Adaptação (Ajustamento) - Transtorno de

– A característica essencial de um Transtorno de Ajustamento (no DSM.IV) é o desenvolvimento de sintomas emocionais ou comportamentais significativos em resposta a um ou mais estressores psicossociais identificáveis. Os sintomas devem desenvolver-se dentro de um período de 3 meses após o início do estressor ou estressores.

A importância clínica da reação é indicada por um acentuado sofrimento, que excede o que seria esperado, dada a natureza do estressor, ou por um prejuízo significativo no funcionamento social ou profissional (ou acadêmico). O diagnóstico de Transtorno de Ajustamento também não se aplica quando os sintomas representam Luto.

Por definição, um Transtorno de Ajustamento deve resolver-se dentro de 6 meses após o término do estressor (ou de suas conseqüências). Entretanto, os sintomas podem persistir por um período prolongado (isto é, mais de 6 meses), se ocorrem em resposta a um estressor crônico (por ex., uma condição médica geral debilitante e crônica) ou a um estressor de conseqüências prolongadas (por ex., dificuldades emocionais ou financeiras resultantes de um divórcio).

Transtorno de Adaptação é um Estado de sofrimento e de perturbação emocional, de sintomatologia ansiosa e/ou depressiva que necessita, para seu desencadeamento, de um acontecimento particularmente estressante, ou uma alteração particularmente marcante na vida do sujeito, que comporta conseqüências desagradáveis e duradouras e levam a um transtorno de adaptação.

O Estado de sofrimento e de perturbação emocional subjetivos, que entravam usualmente o funcionamento e o desempenho sociais, ocorrendo durante um período de adaptação a uma mudança existencial importante ou a um acontecimento estressante.

O fator de “stress” pode afetar a integridade do ambiente social do sujeito (luto, experiências de separação) ou seu sistema global de suporte social e de valor social (imigração, estado de refugiado); ou ainda representado por uma etapa da vida ou por uma crise do desenvolvimento (escolarização, nascimento de um filho, derrota em atingir um objetivo pessoal importante, aposentadoria).

A predisposição e a vulnerabilidade individuais desempenham um papel importante na ocorrência e na sintomatologia de um transtorno de adaptação; admite-se, contudo, que o transtorno não teria ocorrido na ausência do fator de “stress” considerado.

 

Adicção

Adicção é um neologismo inadequado originado da má tradução do inglês ou espanhol, mas, de qualquer forma, acabou fazendo parte da linguagem técnica psiquiátrica quando se refere à dependência. Assim sendo, adicção e dependência tornaram-se sinônimo.
A maioria das definições de adicção a drogas ou dependência de substâncias inclui descrições do tipo “indivíduo completamente dominado pelo uso de uma droga (uso compulsivo)” e vários sintomas ou critérios que refletem a perda de controle sobre o consumo de drogas.
As pesquisas, hoje em dia, caminham através da Psiquiatria e da Psicologia Experimental, juntamente com a Neurobiologia. Todas essas áreas se esforçam para identificar os elementos emocionais e biológicos que contribuem para alterar o equilíbrio do prazer (homeostase hedonista), alterações esta que dá origem àquilo que se conhece como drogadicção (droga-adicção). A palavra “adicção”, em português, é um neologismo técnico que quer dizer, de fato, “drogadicção”.
O tema “drogas” é muito complexo, multidimensional e tem atraído a atenção da maioria dos países. Nas últimas duas décadas, importantes avanços nas ciências do comportamento e nas neurociências vieram contribuir para um melhor entendimento na questão do abuso de drogas e da drogadicção (droga-adicção).
A neurociência tem identificando circuitos neuronais envolvidos em todos tipos de abusos conhecidos, assinalando regiões cerebrais, neuroreceptores, neurotransmissores e as vias neurológicas comuns afetadas pelas drogas. Também têm sido identificados os principais receptores das drogas suscetíveis de abuso, assim como todas as ligações naturais da maior parte desses receptores.
Neurologicamente a drogadicção deve ser considerada uma doença. Ela está ligada a alterações na estrutura e funções cerebrais, e isso torna a drogadicção fundamentalmente uma doença cerebral. Inicialmente, o uso de drogas é um comportamento voluntário mas, com o uso prolongado um “interruptor” no cérebro parece ligar-se, e quando o “interruptor” é ligado, o indivíduo entra em estado de dependência química caracterizado pela busca e consumo compulsivo da droga.

Adenosina

Adenosina é um neuromodulador potente que atua sobre duas subfamilias de neuroreceptores: o receptor A1, que inibe a enzima adenilato-ciclase mediante Gi, e o receptor A2, que estimula a adenilato-ciclase mediante GS.

No Sistema Nervoso Autônomo a Adenosina também tem papel preponderante. O subsistema nervoso autônomo tipo Simpático se origina nos neurônios hipotalâmicos, passa para a coluna de células intermediolaterais da medula espinhal e faz sinapses, prosseguindo para o gânglio cervical superior. Aqui os nervos Simpáticos novamente fazem sinapse e dão origem às fibras que inervam os vasos intracranianos. Este sistema contém os transmissores noradrenalina, neuropeptídeo Y (NPY) e possivelmente trifosfato de adenosina (ATP), tendo ação vasoconstritora.

A Adenosina tem propiedades neuroprotetoras e anticonvulsivas, modulando o acúmulo de inositol fosfato (IP) no tecido cerebral produzido por outras substâncias como noradrenalina e histamina.

A Adenosina Deaminase (ADA)-enzima conversora da Adenosina em inosina – é uma enzima envolvida no metabolismo das purinas. Está distribuída em todo organismo apresentando um papel importante no sistema imune, possui alta atividade nos linfócitos T e macrófagos.

Entre as doenças humanas para as quais se tenta a terapia gênica, está a síndrome da imunodeficiência combinada (SCID), forma rara e letal de disfunção do sistema imunológico que torna o portador suscetível a qualquer forma de infecção. Esse distúrbio é causado pela falta de uma enzima, a adenosina-deaminase (ADA), conversora da Adenosina em inosina.

Adler - Alfred

A idéia de Alfred Adler sobre a inferioridade orgânica apareceu pela primeira vez em 1907, e tentava explicar por que a doença afeta as pessoas de formas diferentes. Ele sugeriu que em cada indivíduo certos órgãos são mais fracos que outros de algum modo, e isso tornaria a pessoa mais suscetível à doenças envolvendo tais órgãos mais frágeis.

Adler ampliou sua investigação sobre inferioridade orgânica para o estudo do sentimento psicológico de inferioridade. Ele criou o termo “complexo de inferioridade” e afirmava que todas as crianças são profundamente afetadas por um sentimento de inferioridade, conseqüência inevitável do tamanho da criança e de sua falta de poder.

Um forte sentimento de inferioridade, ou um complexo de inferioridade, impediria o crescimento e desenvolvimento positivos. Entretanto, sentimentos de inferioridade mais moderados podem motivar os indivíduos para realizações construtivas. Desde a mais tenra idade, a criança passa a perceber que existem outros seres humanos capazes de satisfazer completamente suas necessidades mais urgentes, melhor preparados para viver.

A criança aprende então a dar um valor excessivo ao tamanho, atributo que possibilita a pessoa abrir uma porta, ou à força, a qual habilita a transportar objetos pesados, ou ao direito de dar ordens e exigir obediência. Esses sentimentos despertam na criança um desejo de crescer, de ficar tão forte como os outros, ou mesmo mais forte ainda.
Veja mais sobre Adler na seção Personalidade, sub-seção Teorias da Personalidade

Adrenalina - Epinefrina

Adrenalina ou Epinefrina é um neurotransmissor, substância utilizada para a transmissão de estímulos entre neuronios. A neurotransmissão química é de fundamental importância para o mecanismo de diversas patologias e para a ação de fármacos e é a responsável pela conversão de energia elétrica para energia química entre um neurônio e outro na sinapse. A neurotransmissão, então, implica na necessidade de síntese do transmissor, de armazenamento, e de liberação.

O efeito do estímulo no nueroreceptor é então observado na alteração da membrana da célula pós-sináptica e nos eventos que disso decorrem, que é a transmissão do estímulo de um nmeurônio para outro. Dessa forma os neurotransmissores se acoplam aos neuro-receptores.

Atualmente os neuro-receptores vem sendo intensamente estudados. Cada neurotransmissor pode atuar sobre diversos subtipos de receptores de uma mesma categoria e o subgrupo de receptores descritos é crescente na literatura.

A Adrenalina ou Epinefrina e a Noradrenalina ou Norepinefrina são neurotransmissores metabolizadas em produtos biologicamente inativos por oxidação (catabolizada pela mono-amino-oxidase – MAO) e metilação (catabolizada pela catecol-O-metiltransferase – COMT).

MAO localiza-se na superfície externa das mitocôndrias e encontra-se em altas concentrações nas terminações dos nervos que secretam norepinefrina. COMT tambem encontra-se distribuída em grandes quantidades nas terminações nervosas e no fígado e rins. COMT cataboliza principalmente a norepinefrina circulante a nível hepático.

Nas terminações nervosas, a norepinefrina é inicilamente inativada pela ação da MAO, em compostos inativos que entram na circulação e são posteriormente metabolizados no fígado pela COMT.

Recaptação de norepinefrina da fenda sináptica é o principal mecanismo de remoção deste transmissor. Epinefrina e Norepinefrina atuam nos receptores alfa e beta, porem a norepinefrina tem maior afinidade pelos alfa e a epinefrina pelos beta.

Tem mais detalhes sobre esse tema neste glossário em Catecolaminas

Afasia (de Broca)

A afasia é um distúrbio da linguagem que ocorre com freqüência nas doenças vasculares cerebrais, principalmente no acidente vascular do tipo o isquêmico (AVCI). A linguagem é a forma de expressão das pessoas e se dá através da fala, da escrita e dos gestos. O cérebro possui um que é formado durante a vida e que por meio de complexos mecanismos traduz as palavras em todas as formas de expressão. A compreensão faz parte evidentemente, deste processo. A linguagem é processada no hemisfério cerebral esquerdo das pessoas destras em determinados locais bem conhecidos pelos neurofisiologistas.Distúrbios ocorridos nestas regiões produzem a afasia ou a disfasia que se caracteriza pela dificuldade em falar.

Dependendo do local afetado a fala pode permanecer conservada mas se torna absolutamente incoerente e sem sentido. Outras vezes ocorre completa falta de compreensão estando a fala preservada, fluente, mas desconexa. Tais distúrbios ocorrem principalmente nos acidentes vasculares cerebrais podendo ser transitórios.

Tumores cerebrais também podem produzir afasia. Pode ocorrer também situação em que há prejuízo de ambas, da fala e da compreensão. Freqüentemente há também prejuízo da linguagem escrita. Algumas vezes ocorre uma dificuldade ou incapacidade de executar movimentos anteriormente aprendidos (como o gesto de se bater continência ou de fazer “o nome do padre”) apesar de não haver qualquer paralisia. Este distúrbio denomina-se apraxia. Cada tipo de distúrbio significa uma determinada localização da lesão cerebral. A afasia raramente está isolada sendo freqüentemente acompanhada de outros sintomas neurológicos como paralisias ou alterações visuais.

O distúrbio pode ser transitório, que ocorre no acidente vascular cerebral transitório, durando horas ou dias, e que regride espontaneamente. Outras vezes é definitivo, necessitando de cuidados especiais (exercícios foniátricos). A correção destes distúrbios é feito através de exercícios especializados sob orientação de profissional especializado.

Afasia de Broca é uma Afasia na qual o paciente, embora sabendo o que deseja falar ou expressar, vê-se impossibilitado de fazê-lo devido à lesão dos centros neurológicos necessários à coordenação dos movimentos responsáveis pela emissão daqueles sons adequados para esta cominicação.

Afetividade

Afetividade é o atributo psíquico que dá o valor e Representa a realidade. Essa Afetividade também é capaz de Representar um ambiente cheio de gente como se fosse ameaçador, é capaz de nos fazer imaginar que pode existir uma cobra dentro do quarto ou ainda, é capaz de produzir pânico ao nos fazer imaginar que podemos morrer de repente.

A Afetividade valoriza tudo em nossa vida, tudo aquilo que está fora de nós, como os fatos e acontecimentos, bem como aquilo que está dentro de nós (causas subjetivas), como nossos medos, nossos conflitos, nossos anseios, etc. A Afetividade valoriza também os fatos e acontecimentos de nosso passado e nossas perspectivas futuras.

O melhor exemplo que podemos referir para entender a Afetividade é compará-la à óculos através dos quais vemos o mundo. São esses hipotéticos óculos que nos fazem enxergar nossa realidade desse ou daquele jeito. Se esses óculos não estiverem certos podemos enxergar as coisas maiores ou menores do que são, mais coloridas ou mais cinzentas, mais distorcidas ou fora de foco. Tratar da Afetividade significa regular os óculos através dos quais vemos nosso mundo.

Porque uma pessoa portadora de Síndrome do Pânico pensa que pode morrer ou passar mal de repente?
Porque ela acha que sofre do coração, ou está prestes a ter algum derrame, ou que está tão descontrolada ao ponto de perder o controle. Ora, nada disso faz parte da realidade objetiva e concreta.

Trata-se de um juízo pessimista, uma avaliação negativa que a pessoa faz de si mesma, ou seja, trata-se de uma Afetividade que representa negativamente para a própria pessoa o seu próprio eu. Se a pessoa está se vendo pior do que é de fato, então afetivamente não está bem.

A Depressão típica, por sua vez, também faz com que a pessoa se sinta e se ache pior do que realmente é.
Isso produz insegurança e rebaixa a auto-estima.
Novamente aqui a Afetividade representa negativamente a pessoa para si mesma. A avaliação negativa de si mesmo, achar que a vida não vale a pena, que a realidade é sofrível, sentir medo exagerado, achar-se doente e toda sorte de pensamentos ruins resultam do Afeto alterado.

Afonia

Afonia é a perda ou diminuição da parte sonora da voz com preservação da articulação vocal (o paciente pode sussurrar) devido a causas locais da laringe, faringe ou cordas vocais, podendo ainda ser ocasionada por fatores emocionais.

Agitação Psicomotora

Agitação psicomotora é uma atividade motora excessiva e associada à tensão emocional, geralmente improdutiva e repetitiva. Em alguns casos, são acompanhadas de gritos e lamentos. Normalmente há incapacidade para permanecer sentado, compulsão em mexer muito as mãos, etc. Os estados de agitação psicomotora são comuns em crianças e adolescentes portadores de distúrbio neurológico ou submetidas a situação de estresse onde se sentem pressionados e solicitados além da sua capacidade de resposta. A agitação psicomotora é um forte indício de alteração emocional, e se constitui, quase sempre, em comportamentos diferentes à padronização da comunidade.

Nos quadros de Mania Típica, uma das fases do Transtorno Afetivo Bipolar e que se caracterizam por humor eufórico ou irritável, verborragia, fuga de idéias, comportamento social desinibido, dificuldades de concentração, desatenção, aumento da atividade, necessidade diminuída de sono, a agitação psicomotora costuma estar sempre presente em graus variados.

Agnosia

Agnosia é a incapacidade de transformar as sensações simples em percepções propriamente ditas. A pessoa é incapaz de perceber características da forma e da natureza dos objetos, embora suas funções sensoriais estejam intactas. Normalmente esse transtorno deve-se à lesões cerebrais localizadas.

A síntese das sensações de forma a constituir percepções conscientes dá-se nas zonas corticais do SNC. A anestesia, surdez ou cegueira podem resultar da lesão de um órgão sensorial periférico, do nervo aferente ou da zona cortical do SNC onde se projetam essas sensações determinando o desaparecimento delas.

Nos casos onde estão conservadas a integridade das vias nervosas aferentes e existem lesões corticais na vizinhança da área de projeção, nas chamadas áreas para-sensoriais, mantém-se a integridade das sensações elementares, porém, há alteração do ato perceptivo. Nesses casos, fala-se de Agnosia.

Assim sendo, Agnosia não é uma alteração exclusiva das sensações nem exclusiva da capacidade central de perceber objetos externos, mas uma alteração intermediária entre as sensações e a percepção. Em alguns casos, observa-se a perda da intensidade e da extensão das sensações, permanecendo inalteradas as sensações elementares, em outros há integridade e extensão, mas perda da capacidade de reconhecimento dos objetos.

Agorafobia

Agorafobia é um medo irracional (fóbico) de sair de casa, de lugares cheios de gente, de locais de onde sair rapidamente pode ser difícil. Os sintomas são muito parecidos com aqueles do Pânico. Esse transtorno foi descrito por Westphal em 1872, enfatizando o medo mórbido de lugares grandes e abertos.

A característica essencial da Agorafobia é uma Ansiedade que aparece quando a pessoa se encontra em locais ou situações das quais sair dali (escapar) poderia ser difícil ou embaraçoso ou, na maioria das vezes, em situações nas quais um auxílio imediato pode ser difícil, caso a pessoa venha a passar mal.

A Ansiedade agorafóbica pode ser, inclusive, antecipatória, ou seja, aparecer diante da simples possibilidade de ter que participar de determinadas situações. Essa Ansiedade antecipatória pode levar ao afastamento (fuga) dessas situações, presumivelmente causadoras de Ansiedade.

Tais situações podem incluir:

  1. a) – estar sozinho fora de casa ou estar sozinho em casa;
  2. b) – estar em meio a uma multidão;
  3. c) – viajar de automóvel, ônibus ou avião, ou estar em uma ponte ou elevador.

 

Veja em Ansiedade (Agorafobia)

Agramatismo

O Agramatismo (ou Acatafasia) é uma evolução freqüente da Afasia e reflete uma importante redução da linguagem. Trata-se de um desvio do discurso quanto à intencionalidade ideativa que se traduz pela impossibilidade de escrever os pensamentos coerentemente.

A utilização prevalente de substantivos, juntamente com o emprego sistemático de verbos no infinitivo e a supressão de pequenos instrumentos de linguagem (artigos, preposições…) determinam uma forma de expressão semelhante a uma linguagem primitiva (mim Tarzã, you Jane) ou de um estilo telegráfico, com uma linguagem econômica, reduzida, concreta, pobre, sem flexibilidade e sem possibilidade de abstração.

Agressão

O termo “Agressão” possui tantas conotações que, na realidade, seu significado foi perdido e diluído. Embora seja conveniente conceber a violência e a agressão como processos comportamentais, por não se tratarem de conceitos simples e unitários, também não poderão ser definidos como tal, permanecendo difíceis de serem analisados isoladamente de outras formas do comportamento motivado.

Guardando inúmeras exceções, a tendência a agressão e a violência poderão ser concebidas como traços de personalidade, como respostas aprendidas no ambiente, como reflexos estereotipados de determinados tipos de pessoas ou até como manifestações psicopatológicas. Em nosso caso particular, interessa tratar a violência e a agressão como eventuais conseqüências de processos biopsicológicos subjacentes.

A hostilidade, as ameaças, ataques ou outros comportamentos de uma pessoa contra a outra variam de acordo com valores e costumes, havendo várias maneiras de expressar a agressão nas diversas culturas. É impossível considerar a agressão no ser humano como um evento em si, emancipada das circunstâncias e contingências.

Primeiramente, devemos considerar a agressão a partir do agente agressor, depois, a partir do agente agredido e, finalmente, a partir de um observador ou terceiro. Não surpreenderá encontrarmos três representações diferentes de um mesmo evento.Do ponto de vista do agressor, deve-se considerar a intencionalidade dolosa do ato, ou seja, a tentativa intencional de um indivíduo em transmitir estímulos nocivos à outro. Para o agredido, deve-se considerar o sentimento de estar sendo agredido ou prejudicado e, quanto ao observador, deve-se considerar seus sentimentos críticos acerca da possibilidade de ter havido nocividade no ato em apreço, bem como sua intencionalidade (subjetiva) em promover a agressão.

Ajustamento (Adaptação) Transtorno de

A característica essencial de um Transtorno de Ajustamento é o desenvolvimento de sintomas emocionais ou comportamentais significativos em resposta a um ou mais estressores psicossociais identificáveis. Os sintomas devem desenvolver-se dentro de um período de 3 meses após o início do estressor ou estressores.

A importância clínica da reação é indicada por um acentuado sofrimento, que excede o que seria esperado, dada a natureza do estressor, ou por um prejuízo significativo no funcionamento social ou profissional (ou acadêmico). O diagnóstico de Transtorno de Ajustamento também não se aplica quando os sintomas representam Luto.

Por definição, um Transtorno de Ajustamento deve resolver-se dentro de 6 meses após o término do estressor (ou de suas conseqüências). Entretanto, os sintomas podem persistir por um período prolongado (isto é, mais de 6 meses), se ocorrem em resposta a um estressor crônico (por ex., uma condição médica geral debilitante e crônica) ou a um estressor de conseqüências prolongadas (por ex., dificuldades emocionais ou financeiras resultantes de um divórcio).

Transtorno de Adaptação é um estado de sofrimento e de perturbação emocional, de sintomatologia ansiosa e/ou depressiva que necessita, para seu desencadeamento, de um acontecimento particularmente estressante, ou uma alteração particularmente marcante na vida do sujeito, que comporta conseqüências desagradáveis e duradouras e levam a um transtorno de adaptação.

O Estado de sofrimento e de perturbação emocional subjetivos, que entravam usualmente o funcionamento e o desempenho sociais, ocorrendo durante um período de adaptação a uma mudança existencial importante ou a um acontecimento estressante.

O fator de “estresse” pode afetar a integridade do ambiente social do sujeito (luto, experiências de separação) ou seu sistema global de suporte social e de valor social (imigração, estado de refugiado); ou ainda representado por uma etapa da vida ou por uma crise do desenvolvimento (escolarização, nascimento de um filho, derrota em atingir um objetivo pessoal importante, aposentadoria).

A predisposição e a vulnerabilidade individuais desempenham um papel importante na ocorrência e na sintomatologia de um transtorno de adaptação; admite-se, contudo, que o transtorno não teria ocorrido na ausência do fator de “stress” considerado.

Alcoolismo

A utilização de bebida alcoólica regular deve ser vista com muito cuidado. O seu uso esporádico ou moderado não significa grande problema de saúde. O seu uso exagerado caracteriza o alcoolismo, uma grave doença que basicamente atinge o sistema nervoso, o sistema gastrintestinal, fígado e pâncreas, e o sistema cardiocirculatório. A principal característica do alcoolismo é a dependência, ocorrendo na terceira idade de maneira significativa.

Na dependência, a súbita retirada da bebida pode gerar graves distúrbios, caracterizados pelo quadro de “delírium tremens” (Síndrome de Abstinência). A Síndrome de Abstinência se caracteriza por estado de delírio com agitação, confusão, e alucinações. Além da dependência o alcoolismo pode se manifestar através de sua intoxicação e de suas complicações.

No idoso o álcool tende a atingir maiores concentrações no sangue mesmo com doses pequenas. Suas manifestações caracterizam dificuldade no andar, confusão e negligência consigo mesmo. Acentua a falta de memória. Pode haver mudança de humor, com excitação seguida de depressão e agressividade, podendo se confundir com demência. Facilita as quedas e ferimentos, e com freqüência há distúrbios como diarréia e incontinência urinária.

O alcoolismo na terceira idade fica agravado devido ao fato de ser ignorado por médicos e serviços de saúde pública que estão mais preocupados com o alcoolismo entre jovens. A intoxicação por álcool ocorre em geral em grandes alcoólatras. No alcoolismo crônico ocorrem repetidos episódios de intoxicação alcoólica.

O alcoolismo leva a pessoa ao isolamento social e a graves distúrbios familiares. As principais características do alcoólatra são a ingestão muito rápida da bebida, o hábito de beber só e cada vez maiores quantidades, a perda de apetite, e irritabilidade nos momentos em que não bebe.

São inúmeras as conseqüências medicas do alcoolismo. A demência e as neuropatias são suas principais manifestações neurológicas. Há o desenvolvimento de doença cardíaca (insuficiência, arritmias), doenças gastro-intestinais e hepáticas. Ocorre uma tendência a aumentar gorduras no sangue, exacerba crises de gota, e aumenta a susceptibilidade a infeções. Leva à impotência sexual.

Inúmeras deficiências vitamínicas são conseqüentes ao alcoolismo (ácido fólico, tiamina, etc). O câncer de boca, de faringe e de esôfago estão relacionados ao alcoolismo. Acentua os efeitos sedativos dos tranqüilizantes, de analgésicos e também de antialérgicos.

Talvez a principal conseqüência do alcoolismo para o idoso seja o acidente devido ao comportamento indevido, às quedas e principalmente aos acidentes de trânsito. O problema das quedas tem relevância na terceira idade . O alcoolismo é muito freqüente entre aqueles que praticam o suicídio e nas situações de intoxicações por drogas.

O alcoolismo com todas suas conseqüências e complicações é freqüente causa de morte na terceira idade, situando-se entre doenças cardíacas, derrames cerebrais e câncer. Na base do alcoolismo está o componente hereditário que predispõe à doença. Mas o peso de distúrbios psicológicos é sem duvida fundamental para o desenvolvimento da doença. São as frustrações, os medos, as ansiedades que levam ao uso do álcool como tranqüilizante.

Na terceira idade o medo da morte, a solidão, a ansiedade gerada pela sensação de dependência, a tristeza pelas perdas, a falta de adaptação à aposentadoria, as frustrações de mais variadas causas assumem grande importância sendo fatores que devem ser encarados com muito respeito e compreensão.

O tratamento não se limita à correção dos vários distúrbios orgânicos que acompanham o alcoolismo. A abordagem psicológica e a terapia ocupacional são armas eficientes no seu tratamento que deve sempre contar com a ativa participação dos familiares.

Alergia - Doença Psicossomática

Alergia é a intolerância do organismo para com determinados produtos físicos, químicos ou biológicos, aos quais reage-se de forma exagerada. Portanto, trata-se de uma reação anormal à uma ou mais substâncias aparentemente inocentes que, quando apreendidas pelo organismo (inaladas, ingeridas, ou por contato com a pele) causam irritabilidade. As substâncias capazes de desencadear a alergia são chamadas de Alérgenos.

Quando alérgenos são apreendidos pelo organismo, células brancas do sangue que produzem anticorpos (IgE) são ativadas. Estes anticorpos determinam a liberação de produtos químicos (mediadores) potentes como, por exemplo, a histamina, que acabam provocando os sintomas alérgicos típicos.

Trata-se a alergia, na realidade, de uma INTOLERÂNCIA do organismo à alguma circunstância externamente determinada. Isso pode perfeitamente servir de analogia, em psiquiatria, com nossas Reações Vivenciais Anormais, diante das vivências consideradas traumáticas (Veja Reações Vivenciais). Alguns alérgenos mais comuns são o pólen, a poeira, pelos de animais, penas, comidas, medicamentos, picadas de inseto, cosméticos.

Alexia

Existe a Alexia Agnósica, Alexia Afásica e Alexia Pura

Chama-se Alexia Agnósica uma espécie de transtorno na escrita (Afasia Gráfica, Agrafia) onde predomina a dificuldade de integração das percepções visuais e, assim sendo, a Alexia Agnósica corresponde a uma dificuldade maior para a identificação das palavras (compreensão global) do que para a identificação de letras isoladas.

A leitura tende a ser literal ou escondida. O indivíduo utiliza o dedo para a identificação das letras e a identificação das palavras soletradas é satisfatória. Nesses pacientes a cópia é imperfeita, ainda que a escrita espontânea ou ditada seja satisfatória. A alexia agnósica está freqüentemente associada a outras manifestações de agnosia visual, notadamente a agnosia para as cores.

Alexia Afásica – É quando está prejudicada a utilização de mensagens em função de seu valor simbólico em termos de linguagem. A Alexia Afásica determina uma maior dificuldade para o entendimento de letras do que de palavras, estas dotadas de uma significação que facilita sua identificação.

A leitura é global e os erros resultam de uma interpretação falsa da forma geral da palavra. Para o aléxico afásico a divisão em sílabas é difícil e a escrita espontânea e ditada apresenta os caracteres de uma agrafia afásica. A cópia é possível, porém o paciente apresenta dificuldade em reler.

Alexia Pura

A Alexia Pura se caracteriza por uma perda eletiva de identificação da linguagem escrita, na ausência de qualquer outra forma de Afasia. As características gerais são as mesmas de uma Alexia Agnósica e ocorrem, quase sempre, manifestações associadas de Agnosia Visual, principalmente agnosia para cores e para formas geométricas. A lesão responsável se localiza no giro lingual e no giro fusiforme do hemisfério dominante, mas atinge também o esplênio do corpo caloso.

Algomania

Algomania é a tendência mórbida em procurar sensações dolorosas, distinguindo-se do masoquismo pela falta do componente erótico.

Alienação

Alienação é uma condição caracterizada pela perda de relacionamentos significativos com outros, com a sociedade ou com a cultura. Este termo, também usado num sentido socioeconômico, passou a substituir o antigo conceito de loucura. Portanto, alienação e loucura são termos que se correspondem. O mesmo não acontece com os termos alienação e desrazão.

Problemas sociais de aculturação e socialização, juntamente com o desenvolvimento emocional individual problemático pode produzir ou exacerbar perturbações psicopatológicas que promovem a desrazão, tais como a despersonalização, comportamento dissociativo e/ou histérico, mas isso não é alienação (loucura) na acepção essencial do termo.

Tem-se falado muito na Alienação da Adolescência. Trata-se de um desenvolvimento de antipatia ou até mesmo hostilidade à sociedade e/ou à cultura que acontece durante a adolescência. Este fenômeno pode estar associado a alterações psicopatológicas, mas pode também acompanhar mudanças sociais importantes.

 

A alienação durante a adolescência pode resultar em problemas psicossociais epidêmicos, como, por exemplo, o abuso de álcool e drogas, delinqüência, depressão, conflitos familiares, gravidez precoce e fora do casamento, abandono escolar vandalismo e suicídio.

Alopsíquica (Orientação)

Os termos caracterizam se a orientação é em relação à própria pessoa (auto) ou a outros objetos (alo), tais como ao tempo e ao espaço. De regra, verifica-se a Orientação Autopsíquica e a Orientação Alopsíquica, através da entrevista com o paciente. Pode-se dizer que o paciente está bem orientado quanto a noção do eu, quando fornece ele próprio dados de sua identificação pessoal, revelando saber quem é, como se chama, que idade tem, qual sua nacionalidade, profissão, estado civil, etc. Este atributo da consciência lúcida chama-se Orientação Autopsíquica.

A pessoa psiquicamente normal deve, além de identificar-se, ter noção de sua situação a qualquer momento, deve saber perfeitamente onde se encontra, o dia, o mês e o ano atuais e qual a sua situação em relação ao ambiente.

A consciência humana deve ser plena e absolutamente lúcida para que se estabeleçam ligações eficientes entre o momento presente e o passado, estabelecendo-se a noção exata do tempo ou da época em que nos encontramos. Chama-se de Orientação Alopsíquica a orientação da pessoa em relação ao tempo e ao espaço. A orientação no tempo e no espaço depende estritamente da percepção, da memória e da contínuo processamento psíquico dos acontecimentos.

Alteração do comportamento

Entende-se “alteração” como uma modificação acentuada de determinadas manifestações comportamentais, modificações estas, acima da faixa etária e sócio-cultural considerada normal na grande maioria das pessoas. Na alteração comportamental não estão implicados déficits cognitivos, distúrbios orgânicos ou mentais. O que acontece é que a pessoa passa a ter alguma dificuldade em lidar com os fatos de seu ambiente psicossocial e, como mecanismo de defesa, faz investidas em atos violentos e anti-sociais ou, ao contrário, se contrai emocionalmente, podendo chegar ao isolamento e à depressão. Nos casos de alterações comportamentais, a psicoterapia tem sido muito eficiente.

Alterações da Personalidade

As Alterações Permanentes da Personalidade estão definidas como um transtorno da personalidade e do comportamento adulto que se desenvolve após estresse catastrófico ou excessivamente prolongado, ou após várias doenças psiquiátricas graves num indivíduo sem transtorno de personalidade prévia.

Há uma mudança definitiva e permanente no padrão individual de perceber, relacionar-se com o mundo e consigo próprio. A mudança de personalidade é associada com comportamento inflexível e mal-adaptativo que não estava presente antes da experiência patogênica e não é uma manifestação de outro transtorno mental nem um sintoma residual de qualquer transtorno mental precedente.

ALTERAÇÕES PERMANENTES DA PERSONALIDADE APÓS EXPERIÊNCIA CATASTRÓFICA
Caracterizam-se por uma atitude hostil ou desconfiada em relação ao mundo, isolamento social, sentimento de inutilidade (vazio) ou desesperança e um sentimento crônico de estar “no limite”, como se estivesse constantemente ameaçado. As alterações estão presentes por pelo menos dois anos e o estresse é tão extremo que é desnecessário considerar a vulnerabilidade pessoal para explicar seu profundo efeito sobre a personalidade.

Os estressores típicos mais relacionados à essas alterações de personalidade incluem experiências em campos de concentração, desastres, cativeiro prolongado com iminente possibilidade de ser morto e exposição prolongada a sitvações de risco de vida tal como ser vítima de terrorismo e de tortura.

ALTERAÇÕES PERMANENTES DA PERSONALIDADE DEPOIS DE DOENÇA PSIOUIÁTRICA
1) Essas alterações de personalidade se caracterizam por uma dependência excessiva e uma atitude exigente em relação aos outros, e uma convicção de ter sido transformado ou estigmatizado pela doença precedente, que levam a:

a) uma incapacidade para estabelecer e manter relações pessoais próximas e isolamento social,
b) passividade,
c) redução de interesses e diminuição do envolvimento em atividades anteriormente prazerosas e apreciadas,
d) queixas persistentes de estar doente que podem ser associadas com queixas hipocondríacas e comportamento de ficar doente,
e) humor disfórico ou lábil não devido à presença de uma doença mental atual nem a transtorno mental anterior com sintomas afetivos residuais e
f) problemas importantes no funcionamento social e ocupacional. As alterações persistem por pelo menos dois anos e não podem ser explicadas nem por um transtorno da personalidade prévio nem como uma recuperação incompleta, ou residual de um transtorno mental antecedente.

Alucinação

Alucinação é a percepção sensorial sem estímulo do orgão sensorial correspondente. A pessoa com alucinação tem o senso imediato de que a sua percepção é verdadeira; em alguns casos, a alucinação provém de dentro do corpo. Algumas vezes, a pessoa com alucinação consegue ter o entendimento de que está com uma alteração de registro sensorial .

Outras vezes, a intensidade do delírio (que normalmente ocorre junto com alucinação) concede ao indivíduo o peso de que o que percebe é a verdade absoluta. Em um sentido mais restrito, as alucinação indicam um distúrbio psicótico quando associadas a deficiência de prova da realidade. O termo “alucinação” não se aplica a falsas percepções que ocorrem durante o sonho.

Alucinações manifestas em ritos religiosos não têm necessariamente significado patológico. Alucinações transitórias são freqüentes em indivíduo sem distúrbio mental quando submetido à privação física ou psíquica.

Classificação das alucinações :
Alucinação auditiva
– sonora: vozes, estalidos, etc.
Alucinação de humor congruente e incongruente
– idéias delirantes ou alucinações que podem ser concordantes com o humor do sujeito ou antagônico ao mesmo.
Alucinações gustativas
– são distorções de percepção do paladar.
Alucinações olfativas
– cheiros persistentes.
Alucinações somáticas
– percepções relacionadas ao interior do corpo, por exemplo, dores, pressões, calores. Distingue-se da preocupação hipocondríaca na medida em que se verifica na alucinação somática uma interpretação delirante de uma doença física.

Alucinação tátil
– (ou cinestésica ) – relativa à sensações de contato, sobre ou sob a pele. Observa-se com freqüência em síndromes de abstinência ao álcool ou à cocaína. A alucinação tátil dolorosa distingue-se da dor psicogênica, na qual não existe interpretação delirante.

Alucinógenos

Alucinógeno é a denominação para toda substância psicoativa, natural ou sintética, capaz de ocasionar alterações da consciência, normalmente caracterizadas por alterações da percepção, imagens vívidas que podem evoluir para ilusões e alucinações, alterações do humor e vivências de despersonalização/ desrealização.

Esses estados mentais produzidos por alucinógenos podem se assemelhar a uma psicose aguda e produzir graves transtornos de comportamento, sem que se acompanhe de uma disfunção grosseira da memória e orientação, própria das síndromes orgânicas (arteriosclerose, psicoses esquizofrênicas, traumatismos cranianos…).

Figuram entre os alucinógenos as chamadas indolaminas, como a dietilamida do ácido lisérgico (lisergida, LSD), a N,Ndimetiltriptamina (DMT), a psilocibina e a harmina, as feniletilaminas metoxiladas, como a mescalina; tetrahidrocanabinois, encontrados na maconha e no haxixe e várias outras drogas, como a metanfetamina (3,4 metilenodioxianfetamina, MDA), a 3,4 metilenodioximetan-fetamina (MDMA ou ecstasis), a fer:ciclidina (PCP), a muscarina e a miristicina.

A maioria dos alucinógenos é usada por via oral; o DMT, no entanto, é cheirado ou fumado. Os efeitos são notados dentro de 20 a 30 minutos e consistem de dilatação pupilar, elevação da pressão sangüínea, taquicardia, tremor, hiperreflexia e a fase psicodélica. Essa fase consiste de euforia ou alterações de humor, ilusões visuais e percepções alteradas, embotamento dos limites entre o eu e o não-eu, e freqüentemente um sentimento de unidade com o cosmos; são comuns flutuações rápidas entre euforia e disforia. Após 4-5 horas, este quadro pode ser substituído por idéias de auto-referência, sentimentos de consciência aumentada do eu interior, e uma sensação de controle mágico.

Além dessa alncinose regularmente produzida, são freqüentes outros efeitos, tais como um transtorno delirante, que geralmente leva o nome de má-viagem; mudanças na sensopercepção com convicção de corresponderem à realidade. Esse estado delirante pode durar apenas um ou dois dias, ou pode persistir por mais tempo.

Alucinose

Alucinose é um termo introduzido por Wernicke (1848-1905) para indicar os estados alucinatórios agudos. Atualmente o termo Alucinose se refere à uma percepção patológica com todas as características de uma imagem alucinatória (sobretudo uma notável nitidez), entretanto, ao contrário das alucinações, há menor convicção de realidade ou menor participação do eu, isto é, o paciente reconhece aquela experiência perceptiva como algo estranho a si mesmo, como um acontecimento patológico.

As alucinações alcoólicas e as alucinoses pedunculares são seus exemplos mais comuns. A expressão Alucinose tem sido empregada cada vez mais para designar um delirium alucinatório: imagens alucinatórias resultantes da dissolução da consciência-vigilância ou da ação de substâncias psicoativas; “alucinose alcoólica” e “alucinose infecciosa” têm este sentido. Outros a empregam com o mesmo sentido de alucinação orgânica, sintomática ou tóxica, sem confusão mental ou prejuízo intelectual, mas persistente e recorrente.

Alzheimer, Doença de

A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência. Caracteriza-se pela perda da memória associada à deterioração das funções intelectuais, emocionais e cognitivas. Ocorre na mesma proporção entre homens e mulheres, sendo que incide em 8% da população de idosos. Pode ter inicio ao redor dos 50 anos mas é mais frequente em idades mais avançadas. É uma doença de caráter progressivo.

É devida à disfunção das células nervosas, de causa ainda desconhecida, que provoca a diminuição uma molécula neurotransmissora de grande importância na função cerebral (acetilcolina). Sabe-se que se trata de doença com caraterísticas hereditárias, sendo frequente em pessoas da mesma família.

O inicio da doença é discreto com esquecimentos, confusão com datas, dificuldade para saber dia, mês, ano. É muito característica a dificuldade em memorizar fatos recentes. Evolui progressivamente com o aparecimento de dificuldade para realizar pequenas tarefas domesticas, como realizar compras, cozinhar, etc. A pessoa passa a ter dificuldade na fala e não consegue manter raciocínio lógico. Há diminuição na concentração e na atenção. Há afastamento social. A desorientação no tempo e no espaço tende a piorar progressivamente. Há perda da capacidade de fazer cálculos, da leitura e da escrita. O humor se torna variável, com momentos de raiva, choro, depressão e agressividade. Evolui para dificuldade em se
alimentar, e também de fazer a higiene pessoal.

O diagnóstico é de exclusão com outras demências (aterosclerótica, por ex), com manifestações de certas intoxicações (por drogas tipo tranqüilizantes, alcoolismo, etc) , com certas infecções (encefalites), e com seqüela de traumatismo de crânio. Os mais modernos exames que estudam o sistema nervoso, como a tomografia cerebral ou a ressonância nuclear magnética, se mostram normais ou com alterações próprias para a idade.

Não deve ser confundida com as alterações de memória (“lapsos de memória”) muito comuns em qualquer idade e que se acentuam na velhice , ou com estados de emoção ou depressivo e também com a intoxicação pelo uso excessivo de medicamentos tranqüilizantes. Estes “lapsos de memória” são processos benignos e nunca são acompanhados de outras alterações como ocorre na Doença de Alzheimer.

Não há cura para a doença, não havendo tratamento específico. O FDA norte-americano liberou duas substâncias que possuem algum efeito sobre os sintomas da doença em sua fase inicial: a tacrina e o hidroclorido de donepezil. Estas substâncias devem ser administradas com cautela pois podem levar a problemas digestivos e hepáticos. O tratamento se baseia em medicamentos sintomáticos, atividades físicas e mentais, sendo fundamental a constante estimulação da pessoa doente. Estes cuidados podem retardar a evolução da doença. Neste processo a participação da família é fundamental e deve começar pela compreensão da doença. A manutenção da dignidade e do auto respeito deve ser uma constante.

O paciente deve ser estimulado a manter atividades, como exercícios físicos, afazeres domésticos, e se
possível, participação de atividades sociais com outras pessoas. Os exercícios de memória devem ser estimulados. Nas situações de ansiedade ou agitação devem ser utilizados tranquilizante suaves.

Veja aqui

Amaurose

Amaurose é o enfraquecimento ou perda total da visão, especialmente quando ocorre sem lesão aparente do olho, mas sim, geralmente, por lesão medular, cerebral, do nervo óptico ou da retina.

 

Ambivalência Afetiva

Ambivalência Afetiva é uma alteração da afetividade muito encontrada na Esquizofrenia. São acentuações afetivas opostas e basicamente simultâneas, tais como o amor, temor e ódio que uma pessoa pode ter em relação a outra simultaneamente, ou os sentimentos dos acontecimentos que se teme e que se deseja no mesmo instante. O paciente ambivalente, apesar de não pode unir ambos sentimentos e tendências opostas, percebe-os ao mesmo tempo (ama e odeia), sem que ambos os sentimentos ajam entre si ou se debilitem. Deseja a morte da mulher e se as alucinações a apresentam morta, pode ao mesmo tempo ficar desesperado e chorar por isso.

Ambivalência Afetiva pode ser entendida como a anormalidade das tendências e se caracteriza pela coexistência de juízos contraditórios sobre o mesmo objeto simultaneamente. Portanto, no plano afetivo a Ambivalência consiste em experimentar sentimentos opostos, simultaneamente e em relação ao mesmo objeto.

A Ambivalência Afetiva surge em todas as situações de conflito, especialmente nos Transtornos Neuróticos mas, será na Esquizofrenia que a Ambivalência se apresentará com aspectos mais característicos, patológicos e extremos. Aliás, Ambivalência foi um termo idealizado por Bleuler para a “tendência, particularmente na Esquizofrenia, de dar expressão igual a impulsos e sentimentos contraditórios e opostos“.

Ambliopia

Ambliopia  é o obscurecimento da visão sem comprometimento orgânico do olho, mas determinada por razões emocionais (Histeria, histrionismo ou conversão).

Amência

Na confusão mental simples, ou turvação da consciência, ou ainda na Amência, perde-se a relação entre os processos psíquicos na realização do pensamento, da memória e da percepção. Neste estado as vivências não são coerentemente elaboradas e a associação dos estímulos faz-se de forma bizarra. A própria situação do indivíduo dentro de seu contexto existencial passa a ser confusa e desorganizada.

O curso do pensamento parece incoerente e, embora fragmentos possam ser expressos de maneira compreensível, são intercalados por lapsos completamente alienados do tema ou da realidade. É uma alteração da qualidade porque o paciente confuso encontra-se vígil, respondendo, ainda que erroneamente, aos estímulos à ele dirigidos, portanto, sua “quantidade” de consciência está normal. A Confusão Mental está frequentemente presente nas psicoses esquiozofreniformes, nas crises maníacas intensas, no delirium tremens, nas intoxicações por drogas e estados pós-traumáticos.

Por Amência Maynert descreveu uma perturbação mental caracterizada principalmente por turvação mais ou menos acentuada da consciência, acompanhada de fenômenos de excitação psicomotora. Kraepelin admitiu a Amência apenas como manifestação sintomática, que se desenvolve de forma aguda, com um quadro de confusão fantástica, acompanhada de distúrbios ilusórios e alucinatórios, e inquietação motora.

A Amência é caracterizada, principalmente, por obnubilação mais ou menos acentuada da consciência, com incoerência do pensamento e perplexidade, incapacidade do paciente apreender a realidade objetiva ao ponto de manifestar desorientação no tempo e no espaço, incompreensão da situação atual, lentidão do pensamento e das respostas e predominância de vivências alucinatórias.

O estado efetivo que acompanha a Amência é de caráter depressivo, ansioso ou mesmo fóbico. Em alguns casos, podem aparecer sintomas catatônicos, interpretações delirantes de ocorrências externas, idéias deliróides confusas e contraditórias. A atividade desenvolvida pelo paciente está de acordo com o estado geral. Frequentemente se observa uma amnésia completa para o período agudo da Amência ou, quando não, ficam apenas lembranças fragmentárias e inconsistentes.

A Amência aparece mais também no curso agudo das doenças infecciosas, evolui para a cura espontaneamente dentro de semanas, não deixar sintomas residuais e pode seguir com amnésia para certos acontecimentos e lembrança para outros.

Amigdala (cerebral)

A Amígdala é uma pequena estrutura em forma de amêndoa situada dentro da região antero-inferior do lobo temporal cerebral. Ela se interconecta com o hipocampo, os núcleos septais, a área pré-frontal e o núcleo dorso-medial do tálamo. Essas conexões garantem seu importante desempenho na mediação e controle das atividades emocionais de ordem maior, como amizade, amor e afeição, nas exteriorizações do humor e, principalmente, nos estados de medo e ira e na agressividade.

A Amígdala é quem procesa a informação sensorial em termos de “memória emocional”. Este processamento é subliminar à consciência, ainda que seja controlado pelo cérebro promovendo uma resposta cognitivo-comportamental que leva em conta o registro emocional das experiências prévias.

A destruição experimental das amígdalas, que são duas, uma para cada um dos hemisférios cerebrais, torna o animal dócil, sexualmente indiscriminativo, afetivamente descaracterizado e indiferente às situações de risco.

O estímulo elétrico das amigdalas provoca crises de violenta agressividade. Em humanos a lesão da amígdala faz, entre outras coisas, com que o indivíduo perca o sentido afetivo da percepção de uma informação vinda de fora, como a visão de uma pessoa conhecida. Ele sabe quem está vendo mas não sabe se gosta ou desgosta da pessoa em questão.

A Amígdala é ativada em situações com marcante significado emocional, como encontros agressivos ou de natureza sexual; está também relacionada aos aprendizados emocionais e ao armazenamento de memórias afetivas. Ademais, a amígdala é responsável pela formação da associação entre estímulos e recompensas

Aminoácidos cerebrais excitatórios

Os aminoácidos, tais como Glutamato e Aspartato, estão implicados nas conexiões recíprocas entre a Amígdala e o Córtex Pré-Frontal (opercular) anterolateral e entre estas duas estruturas com o tálamo mediodorsal e o núcleo caudado. O aumento fisiológico das concentrações desses aminoácidos excitadores pode producir a morte neuronal em diversos sistemas biológicos.

Os neurotransmissores, entre eles Glutamato e Aspartato, são mensageiros do cérebro. Quimicamente, os neurotransmissores são moléculas relativamente pequenas e simples.

Diferentes tipos de células secretam diferentes neurotransmisores. Cada substância química cerebral funciona em áreas bastante espalhadas mas muito específicas do cérebro e podem ter efeitos diferentes dependendo do local de ativação.

Cerca de 60 neurotransmissores foram identificados e podem ser classificados, em geral em uma das quatro categorias.

1) colinas: das quais a acetilcolina é a mais importante;
2) aminas biogênicas: a serotonina, a histamina, e as catecolaminas – a dopamina e a norepinefrina
3) aminoácidos: o glutamato e o aspartato são os transmissores excitatórios bem conhecidos, enquanto que o ácido gama-aminobutírico (GABA), a glicina e a taurina são neurotransmissores inibidores. O principal neurotransmissor excitante do cérebro, vital para estabelecer os vínculos entre os neuroônios que são a base da aprendizagem e da memória a longo prazo.
4) neuropeptídeos: esses são formados por cadeias mais longas de aminoácidos (como uma pequena molécula de proteína). Sabe-se que mais de 50 deles ocorrem no cérebro e muitos deles têm sido implicados na modulação ou na transmissão de informação neural.

Aminésia

Amnésia e a Hipomnésia podem ser consideradas como graus de hipofunção da memória, ou seja, são diminuições do número de lembranças evocáveis. A Amnésia, por sua vez, seria a desaparição completa das representações mnêmicas correspondentes a um determinado tempo da vida do indivíduo.

Bleuler prefere o termo debilidade da memória ao invés de Hipomnésia. Ele diz ainda que a Amnésia não precisa ser completa, havendo várias gradações entre o nada absoluto e a lembrança incompleta.

Chama-se de Amnésia Eletiva (ou Seletiva), quando a alteração da memória dá-se por razões emocionais e não neurológicas, manifestando-se pelo prejuízo da memória de fatos específicos, isolados. Seria uma repressão ou negação de certas recordações.

É aproximadamente o mesmo fenômeno a chamada Amnésia Lacunar, onde determinado período é apagado da memória, porém, originada por razões orgânicas, como pode ocorrer depois de AVCs (acidentes vasculares cerebrais), Embriaguês Patológica, Traumatismo Craniano, encefalites, etc.

Segundo Jaspers, “amnésias são perturbações da memória que se estendem a um período de tempo delimitado, do qual nada ou quase nada pode ser evocado (Amnésia parcial), ou ainda a acontecimentos menos nitidamente delimitados no tempo“. Em seguida, estuda quatro variedades de Amnésia :

1. Primeiro – Há profunda obnubilação da consciência mais do que perturbação da memória. Como nada se pode aprender na obnubilação, nada se pode fixar, ou seja, como nenhum acontecimento atinge a consciência, não será possível alguma reprodução.
2. Segundo – Aqui verifica-se ser possível a compreensão durante algum período de tempo, porém a capacidade de fixação está profundamente diminuída, não sendo possível reter nada. Isso é comum em psicoses orgânicas, notadamente na Korsakov.
3. Terceiro – É quando certos acontecimentos podem ser compreendidos passageiramente, porém as disposições da memória foram destruídas por um processo orgânico bem delimitado no tempo. É, por exemplo, o que acontece nas amnesias retrógradas, após graves lesões cerebrais, em que desaparecem totalmente as experiências das últimas horas ou dias antes do acidente.
4. Quarto – Trata-se de amnésias extremamente acentuadas, normalmente de origem psicogênica, sendo o principal defeito uma alteração da capacidade de reprodução, apesar da soma das lembranças existentes estar conservada. Nesses casos, muitas vezes a solução é conseguida por meio de hipnose.

Amok

Amok é um termo de orígem malaia que se refere a episódios, crises ou ataques homicidas contra pessoas conhecidas ou mesmo estranhas. Em outras culturas o mesmo fenômeno recebe outros nomes, como por exemplo, na Polinésia se chama Cafard, em Porto Rico se chama Mal de Pelea e entre os índios navajos é referido como iich”aa.

Os episódios de Amok podem não ser aleatórios ou fortúitos como um rompante totalmente involuntários como se acredita. Eles podem seguir a um planejamento prévio, normalmente decorrente de sentimentos de desprezo, menosprezo, insulto um diminuição ofensiva do Ego.

Não é incomum que depois do Amok a pessoa apresente um episódio de Amnésia Seletiva. Também é freqüente que essas pessoas tenham outros transtornos da personalidade ou outras psicopatias concomitantemente.

Amotivacional

Amotivacional diz respeito a falta de motivação e apática. Trata-se de sinônimo da Síndrome Nolitiva (sem volição, sem vontade). É um conjunto de características de significativo desinteresse, associado ao uso abusivo de substâncias psicoativas (drogadicção) que inclui:
– apatia, perda de afetividade, capacidade diminuída para planejar, para pleitear, para encarregar-se, baixa tolerância à frustrações, concentração muito prejudicada, dificuldade em seguir rotinas e cumprir compromissos.

Essa situação amotivacional tem sido associada predominantemente ao uso frequente de maconha e, de acordo com alguns pesquisadores, pode refletir uma espécie de intoxicação crônico pela droga.

Amusia

Amusia é a perda da capacidade de reconhecer ou evocar elementos musicais. Seria o mesmo que uma espécie de Afasia ou Alexia musicais. O hemisfério direito do cérebro parece ter um papel chave para diversas aptidões musicais, mas nos profissionais da música, curiosamente, o hemisfério esquerdo parece ter predominância.

A Amusia pode ser considerada um tipo de Disfasia. A Disfasia é caracterizada, fundamentalmente, pela incapacidade para apreciar o significado simbólico das palavras, sejam elas faladas ou escritas. Esse transtorno possui valor localizatório pois, quase invariavelmente, é devido a uma lesão na Área de Wernicke do hemisfério cerebral dominante.

Pacientes gravemente afetados por Disfasia demonstram total incapacidade para compreenderem o significado das palavras que ouvem ou vêem. Muitas vezes perdem também a capacidade de apreciar sons musicais, configurando o que se define, então, por Amusia.

Anancástico

Anancástico é um termo que se refere à preocupação obsessiva, portanto, um pensamento ou conduta ou transtorno anancástico da personalidade corresponde às características obsessivas-compulsivas da conduta, do pensamento ou da personalidade.

No caso dos Pensamentos Anancásticos, pode se tratar de pensamentos, imagens mentais ou impulsos para agir obsessivamente, quase sempre angustiantes para o sujeito.

As Idéias Obsessivas (ou Anancásticas) são pensamentos, representações ou impulsos, que se intrometem na consciência do sujeito de modo repetitivo e estereotipado. Em regra geral, elas perturbam muito o sujeito, o qual tenta, frequentemente resistir-lhes, mas sem sucesso. O sujeito reconhece, entretanto, que se trata de seus próprios pensamentos, mas estranhos à sua vontade e em geral desprazeirosos. Os comportamentos e os rituais compulsivos são atividades estereotipadas repetitivas.

O sujeito não tira prazer algum da realização destes atos os quais, por outro lado, não levam à realização de tarefas úteis por si mesmas. O comportamento compulsivo tem por finalidade prevenir algum evento objetivamente improvável, freqüentemente implicando dano ao sujeito ou causado por ele, que ele(a) teme que possa ocorrer. O sujeito reconhece habitualmente o absurdo e a inutilidade de seu comportamento e faz esforços repetidos para resistir-lhes. O transtorno se acompanha quase sempre de ansiedade. Esta ansiedade se agrava quando o sujeito tenta resistir à sua atividade compulsiva.

Às vezes trata-se de hesitações intermináveis entre várias opções, que se acompanham frequentemente de uma incapacidade de tomar decisões banais mas necessárias à vida cotidiana. Existe uma relação particularmente estreita entre as ruminações obsessivas e a depressão, e deve-se somente preferir um diagnóstico de transtorno obsessivo-compulsivo quando as ruminações surgem ou persistem na ausência de uma síndrome depressiva.

No caso da Personalidade Anancástica ou Obsessiva-Compulsiva, é um transtorno da personalidade caracterizado por um sentimento de dúvida, perfeccionismo, escrupulosidade, verificações, e preocupação com pormenores, obstinação, prudência e rigidez excessivas. O transtorno pode se acompanhar de pensamentos ou de impulsos repetitivos e intrusivos não atingindo a gravidade de um transtorno obsessivo-compulsivo.

Anartria

As alterações articulares da fala não são monopólio da Disartria. Elas também podem dificultar a expressão oral dos afásicos, tanto surgindo espontaneamente como mediante a solicitação do exame. Essas alterações serão determinadas pelos testes de repetição de palavras e frases. Vistas pelo ângulo neurológico, as anomalias podem apresentar um aspecto paralítico, quando falta a articulação e há anasalamento. A falta de articulação das palavras chama-se Anartria e pode mostrar um aspecto distônico, com contrações excessivas, sincinesias ou, ainda, um aspecto apráxico.

Analisadas sob um ângulo fonético, as alterações articulares se caracterizam também pela redução da formação e diferenciação dos fonemas, semelhantes às simplificações fonéticas da criança (“bibiloteca”, “espetaco”, fessado”…). Outros elementos de diferenciação entre Afasia e Disartria são as alterações evidenciadas no uso voluntário e automático da linguagem. As alterações articulares da Disartria estão ausentes na formas automáticas do falar, como no canto, por exemplo.

Anedonia

Anedonia é uma palavra que deriva de Hedonismo, do grego Hedoné, que significa prazer. Hedonismo é a tendência a buscar o prazer imediato, individual, como única e possível forma de vida moral, evitando tudo o que possa ser desagradável. Ao contrário do Hedonismo a Anedonia é a perda da capacidade de sentir prazer, próprio dos estados depressivos.

O interesse humano, assim como a motivação, está indissoluvelmente ligado ao prazer; nos interessamos por aquilo quer nos dá prazer, por aquilo com o qual temos alguma ligação afetiva. Em situações normais a pessoa abre para si um leque de interesses: interesse pelas notícias, pelos esportes, pela companhia de amigos e pessoas queridas, pelo conhecimento em geral, pelos passeios, pelas novidades, pelas compras, pelas artes, pelos filmes, pela comida, pelas revistas e jornais, enfim, cada pessoa nutre um rol de interesses pessoais, evidentemente, interesses por coisas que lhe dão prazer.

Na depressão esse leque de interesses vai se fechando, aparecendo progressivamente um desinteresse e desencanto pelas coisas. Há um momento onde a preocupação com o próprio sofrimento é o único interesse vivencial do deprimido.

Aneurisma

Aneurisma é uma dilatação anormal de um vaso sanguíneo, em geral uma artéria. Pode se localizar em várias partes do organismo. No idoso a localização mais comum de aneurismas é na artéria aorta, no abdômen. Os aneurismas das artérias cerebrais, infelizmente, são geralmente diagnosticados depois que se rompem, produzindo os AVCs (acidentes vasculares cerebrais) e podem acometer pessoas em qualquer idade.

O Aneurisma da aorta abdominal é frequentemente assintomático, e se deve à arteriosclerose. Quando se torna sintomático em geral é porque está em vias de se romper, caracterizando uma situação de urgência. A sua rotura pode levar à morte rapidamente.

O diagnóstico precoce de Aneurisma é fundamental e é feito com base no exame clínico e na radiologia. O sintoma mais comum do aneurisma abdominal é a dor nas costas, que é uma queixa muito frequente e vaga. Ocorre comumente em pessoas com doença cardiovascular tipo insuficiência coronariana ou hipertensão arterial.

O exame físico pode mostrar uma tumoração abdominal. A ultrassonografia abdominal e a tomografia computadorizada são exames básicos para o diagnóstico de Aneurisma. A angiografia também deve ser utilizada. O tratamento é cirúrgico em todos aneurismas maiores que 6 cm. Os menores devem ser acompanhados pelo cirurgião vascular.

Anfetamina

Anfetamina é uma classe de aminas chamadas simpaticomiméticas, com poderosa ação estimulante no sistema nervoso central. Esta classe de substâncias inclui a anfetamina, a dexanfetamina e a metanfetamina.

São drogas estimulantes da atividade do sistema nervoso central, isto é, fazem o cérebro trabalhar mais depressa, deixando as pessoas mais “ligadas” com “menos sono”, “elétricas”, etc. É chamada de rebite principalmente entre os motoristas que precisam dirigir durante várias horas seguidas sem descanso, a fim de cumprir prazos pré-determinados. Também é conhecida como bolinha por estudantes que passam noites inteiras estudando, ou por pessoas que costumam fazer regimes de emagrecimento sem o acompanhamento médico.

Nos USA, a metanfetamina (uma Anfetamina) tem sido muito consumida de forma fumada em cachimbos, recebendo o nome de “ICE” (gelo). Outra anfetamina, metilenodióximetanfetamina (MDMA), também conhecida pelo nome de Êxtase, tem sido uma das drogas com maior aceitação pela juventude inglesa e agora, também, com um consumo crescente em vários países. No Brasil as festas chamadas de Rave são os locais preferidos para o uso de Êxtase.

As Anfetaminas farmacologicamente utilizadas hoje em dia incluem o metilfenidato, a fenmetrazina e a anfepramona (dietilpropiona). Em lìnguagem de rua, as anfetamìnas são frequentemente referidas como “bolinhas”.

No mercado farmacológico brasileiro as anfetaminas disponíveis são as seguintes:

Droga do tipo Anfetamina Produtos (remédios comerciais) vendidos nas farmácias
Dietilpropiona ou Anfepramona Dualid S; Hipofagin S; Inibex S; Moderine
Fenproporex Desobesi-M; Lipomax AP; Inobesin
Mazindol Dasten; Fagolipo; Absten-Plus; Diazinil; Dobesix
Metanfetamina Pervitin*
Metilfenidato Ritalina

Angelman, Síndrome de

A Síndrome de Angelman, relatada pela primeira vez em 1965 pelo neurologista britânico com o mesmo nome, é um distúrbio neurológico que também causa Retardo Mental, alterações do comportamento e algumas características físicas próprias. Essa síndrome foi quando um descreveu 3 crianças com este quadro.

Mais tarde, em 1987, observou-se a alteração genética dessa síndrome, presente na maioria dos casos, representada pela falta de uma pequena porção (deleção) do cromossomo 15. Estima-se, atualmente, que uma em cada quinze ou vinte mil crianças são afetadas por esta doença.

Angiografia cerebral

A Angiografia cerebral, que mostra as artérias e veias do cérebro, deve ser realizada em determinadas situações em que se quer saber do estado das artérias e a presença de anomalias, como por exemplo, o aneurisma cerebral, que é uma dilatação das artérias, ou de arterites (inflamação das artérias), malformações vasculares, obstruções, tromboses cerebrais, etc.

A técnica consiste nainjeção de uma substância chamada de contraste radiopaco nas artérias que irrigam o cérebro. O contraste revela o padrão do fluxo sangüíneo cerebral nas radiografias. A angiografia também pode ser modificada para mostrar o  fluxo sangüíneo das artérias do pescoço e da base do cérebro, mas as imagens apresentam uma qualidade inferior às da angiografia cerebral.

Até há poucos anos a angiografia cerebral era o único método radiológico para o estudo do cérebro, tendo sido substituído pela Tomografia Computadorizada e pela Ressonância Magnética.

Angústia

Blaser e Poeldinger estudaram a evolução do conceito de angústia, admitindo que se deve a Kierkegaard a primeira distinção entre temor a um objeto e angústia, livre e flutuante, desprovida de objeto. Esta distinção foi adotada pelo psiquiatra e filósofo alemão Karl Jaspers, tendo deixado claro o seu conceito ao escrever que a angústia é um sentimento frequente e torturante, e que o medo sempre se refere a alguma coisa, enquanto a angústia é sem objeto.

Desde então, esta tem sido a orientação seguida pelos tratadistas, entre os quais se encontra Binder, que desenvolveu amplas considerações no sentido de estabelecer os limites entre medo e angústia:

“Se procurarmos estabelecer a diferença entre esses dois estados de ânimo, a introspecção nos mostrará que a vivência afetiva de encontrar-se em perigo aparece em duas modalidades diferentes:

1 – Em uma forma diferenciada, em que o referido sentimento surge em estruturas psíquicas amplamente configuradas, precisas e determinadas; quando se costuma falar quase sempre da presença de medo ou temor, e; 

2 – Em forma mais primitiva, que se designa de modo geral como angústia e que corresponde a estratos psíquicos mais profundos que, com freqüência, são menos claramente conscientes e conservam conexões psíquicas mais difusas e menos articuladas.

Alguém teme algo ou sente medo diante de algo, enquanto alguém se angustia, e nestas locuções se expressa que no temor ou no medo do objeto perigoso aparece mais claramente destacado do indivíduo e é percebido, imaginado ou pensado como uma articulação e uma delimitação clara e determinada, enquanto na angústia os processos do conhecimento que a precedem são, freqüentemente, muito mais vagos e indiferenciados, características que correspondem a estratos psíquicos mais primitivos”.

Angústia Vital
Lopez Ibor considera a angústia vital como o elemento básico da personalidade humana, podendo surgir sem características patológicas mas, em condições mórbidas, está representada por seus graus mais acentuados. A angústia se acha corporalizada.
De acordo com Binder, esta forma de angústia apodera-se do consciente quando existem condições corporais íntimas ameaçadoras da vida. “Surge de modo mais claro nos estados de hipoxemia e anoxemia de qualquer natureza, seja devido a espasmos das coronárias (angina do peito), à perda de sangue (sempre que não leve à inconsciência), à dificuldade respiratória (asma brônquica, estrangulação) ou a asma cardíaca.

Bash considera que, nesses casos, a reação psíquica é perfeitamente normal: “O objeto se apresenta no consciente sob a forma de sensações viscerais”. A própria debilidade constitucional, seja do sistema ou de sua regulação vegetativa, pode determinar o aparecimento de sensações desagradáveis, as quais são captadas como ameaça à integridade do eu, estando, nesse caso, a angústia vital ligada à depressão ou à transtorno orgânico. A angústia vital, exceto nos casos de depressão, indica um grave transtorno orgânico.

Animia Facial

Animia Facial é uma manifestação de um complexo sintomático de extrema pobreza das expressões e acinesia em pacientes com doenças degenerativas neurológicas, como por exemplo, na Demência Fronto-Temporal, Doença de Parkinson (às vezes no parkinsonismo medicamentoso).

Consiste em escassez e pobreza de movimentos faciais ou mímica facial que alteram a capacidade de expressar idéias mediante sinais ou gestos faciais. O paciente com animia facial adquire uma expressão pétrea, gelada e inexpressiva, mesmo diante de fatos que deveriam despertar fortes sentimentos.

Anímico

Trata-se de uma qualidade de valorização da realidade que as pessoas experimentam de acordo com seu afeto (humor). Avaliar a realidade sob o ponto de vista anímico implica em impregná-la com a tonalidade afetiva da personalidade do sujeito (entendendo-se por personalidade uma constituição dinamicamente atualizada).

Uma outra categoria de valorização da realidade além da anímica é a categoria vital . Esta forma vital é objetiva, constante, concreta e continua de valorizar o mundo, enquanto a categoria anímica é dinâmica e o significado da realidade assim avaliada muda de acordo com a tonalidade afetiva que o sujeito dá ao mundo.

A pessoa aqui e agora pode ser entendida como uma resultância daquilo que ela trouxe ao mundo com aquilo que o mundo lhe deu (fenótipo = genótipo + ambiente). Então, o aqui-e-agora da pessoa é seu Fenótipo. Pois bem. Para categoria anímica de valorizar a realidade interessa a pessoa aqui e agora (seu fenótipo).

O humor, responsável por esse tipo de valorização do real, seria o perfil afetivo atual, o que representa o resultado de seus elementos constitucionais influenciado pelas vivências e pelo destino. Vale aqui o ditado segundo o qual “cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça“.

Pequenas variações anímicas se dão ao longo dos dias ou das horas, grandes e sólidas variações anímicas se dão ao longo dos anos. Fossemos adequar essa categoria anímica de valorizar a realidade na teoria jungueana, possivelmente estaríamos falando da reversão das fases natural para a fase cultural da pessoa onde, depois de aproximadamente 30 anos para mulheres e 40 para os homens, os valores sofreriam grande e substancial alteração; muito daquilo anteriormente importante deixa de sê-lo e vice-versa.

Animismo

Animismo é a percepção de objetos inanimados como se tivessem vida, sentimentos e intenções. A percepção animista é fenômeno comum tanto às crianças como aos adultos, e depende, em sua origem, da sensibilidade de cada pessoa para as “propriedades fisionômicas” dos objetos e acontecimentos.

O termo Animismo foi proposto pelo antropólogo inglês Sir Edward B. Tylor, em 1871, na sua obra Primitive Culture (A Cultura Primitiva). Por Animismo, ele designou a manifestação religiosa na qual se atribui a todos os elementos do cosmos (Sol, Lua, estrelas), a todos os elementos da natureza (rio, oceano, montanha, floresta, rocha), a todos os seres vivos (animais, árvores, plantas) e a todos os fenômenos naturais (chuva, vento, dia, noite) um princípio vital e pessoal, chamado de “ânima”, que na visão cosmocêntrica significa energia, na antropocêntrica significa espírito e na teocêntrica alma.

Consequentemente, segundo o animismo, todos esses elementos possuiriam sentimentos, emoções, vontades ou desejos, e até mesmo inteligência. Resumidamente, os cultos animistas alegam que: “Todas as coisas são Vivas”, “Todas as coisas são Conscientes”, ou “Todas as coisas têm ânima”.

Em psicofisiologia o fenômeno do animismo continua sendo a atribuição de características vivas, animais ou humanas todas as coisas. Na mídia, propaganda e publicidade vemos continuadamente objetos inanimados dançando, sorrindo, cantando, carros com expressão de pessoas, eletrodomésticos vivos, etc.

O animismo, na psicologia infantil, dito de maneira bem simples, designa uma maneira de dar vida aos objetos, de enxergar e se relacionar com a alma das coisas. A diferença básica entre o mundo adulto e o da criança não está na presença ou ausência desses “atributos fisionômicos”, em suas percepções, mas na proporção que geralmente ocupam no conjunto de sua experiência perceptiva. O adulto controla e tende a eliminar tais “características expressivas” dos objetos como fatores meramente subjetivos e irrelevantes. Para a criança, ao contrário, elas constituem geralmente as qualidades fundamentais dos objetos percebidos.

Por força da própria maturação psicológica e da aprendizagem, o mundo perceptual dos adultos tende, por isso, a uma pronunciada uniformidade, com a progressiva “depuração” de tais elementos subjetivos em suas percepções, ao passo que nas crianças predominam normalmente os aspectos subjetivos da percepção. Vem daí o fato do mundo de percepções de uma criança apresentar, comumente, maior riqueza e originalidade que o mundo dos adultos. E as diferenças são mais notáveis de uma criança para a outra do que entre um adulto e outro.

Anorexia

Isoladamente o termo Anorexia significa falta total de apetite, portanto, trata-se de um sintoma e não uma doença. Por outro lado, quando se diz Anorexia Nervosa, estamos falando de uma doença psiquiátrica com características próprias e bem definidas.

As características essenciais da Anorexia Nervosa são a recusa do paciente em manter um peso corporal na faixa normal mínima, associado à um temor intenso de ganhar peso. Na realidade, trata-se de uma perturbação significativa na percepção do esquema corporal, ou seja, da auto-percepção da forma e/ou do tamanho do corpo.

O termo Anorexia pode não ser de todo suficiente para definir a doença Anorexia Nervosa, tendo em vista que não há uma verdadeira perda do apetite mas sim, uma recusa em se alimentar e em manter um peso em uma faixa normal mínima, junto com uma preocupação patológica de ganhar peso. A Anorexia Nervosa é então, um transtorno alimentar caracterizado por limitação da ingestão de alimentos, devido à obsessão de magreza e o medo mórbido de ganhar peso.

Normalmente a pessoa anoréxica mantém um peso corporal abaixo de um nível normal mínimo para sua idade e altura. Quando a Anorexia Nervosa se desenvolve em numa pessoa durante a infância ou início da adolescência, pode haver fracasso em fazer os ganhos de peso esperados, embora possa haver ganho na altura.

Anorgasmia

Anorgasmia é a incapacidade para alcançar o orgasmo ou mesmo a ausência de orgasmo. Esse transtorno da sexualidade pode ter causas psicológicas, como por exemplo, dificuldades no relacionamento conjugal, estados de estresse e depressão. A anorgasmia pode também dever-se a efeitos colaterais de alguns medicamentos, notadamente alguns antidepressivos e tranquilizantes.

A maior parte das queixas de anorgasmia costuma ser das mulheres. Para se ter noção das dimensões da anorgasmia no mundo feminino, algumas pesquisas brasileiras referem entre 40 e 60% das mulheres com dificuldades ou incapacidades em obter orgasmos nas relações sexuais.

Em grande número de casos, as mulheres conseguem ter orgasmos com a masturbação mas não os conseguem com a penetração sexual. Outras vezes, apesar de não sentirem o orgasmo, muitas mulheres referem sentir bastante prazer durante o ato sexual. Existem também aquelas que conseguem o orgasmos manipulando-se enquanto penetradas.

Nos homens, desde que não haja problema no Desejo Sexual nem na ereção, a falta de orgasmo normalmente se deve ao uso de medicamentos que aumentam muito o tempo de latência (tempo necessário para atingir o orgasmo), ao alcoolismo, ao tabagismo e diabetes.

Tendo em vista a incidência do problema, seria então normal não ter orgasmos? Bem, estatisticamente falando, pelas pesquisas que apontam entre 40 e 60% de mulheres anorgasmáticas, até que não seria de se estranhar tanto a falta do orgasmo. Os valores estatísticos, entretanto, não são suficiente para saber se algo é ou não normal, no sentido de sadio. Para tal, devemos considerar o grau de satisfação da pessoa em apreço. Melhor dizermos então que a anorgasmia é comum na sexualidade feminina (mas não dizer normal).

Anosmia

Existem vários sintomas e doenças associadas ao paladar e olfato. A Anosmia se caracteriza pela perda completa do olfato, ou a Ageusia, que corresponde à perda total do paladar. As maiores causas são infecções no trato nasal, distúrbios hormonais ou problemas com os dentes.

Assim como existem pacientes que não sentem cheiro algum ou com olfato muito diminuído, portadores de Anosmia e Hiposmia, respectivamente, existem também pessoas que sentem todos os odores de maneira alternada e desagradável são portadores de Parosmia.

Podemos agrupar as causas de Anosmia em:
a – que impedem a passagem de partículas odoríferas até a zona olfatória, ou ;
b – que lesam as terminações nervosas olfatórias (pólipos, hipertrofia acentuada dos cornetos, edema permanete da rinite alérgica crônica, atrofias de mucosa nasal, Sd. deSjögren, uso de cocaína, benzocaína, RDT e doenças granulomatosas)

A causa pode ser extranasal intracraniana (tumor de lobo frontal, anosmia congênita seletiva, trauma, atrofia difusa senil, meningite, oclusãovascular cerebral, esclerose múltipla, miastenia gravis, Parkinson, hidrocefalia, tabes dorsalis)

A causa pode ser ainda extranasal extracraniana (Sd Turner, disautonomia familiar, DM, psedohipoparatireoidismo, déficit de vitamina A, hipotireoidismo, hepatite, IRC, póslaringectomia).

Anóxia

Anóxia é a falta ou deficiência acentuada de oxigênio nos órgãos ou nos tecidos (an= falta; oxia=oxigênio) . Em recém nascidos é ligada à insuficiência placentária, que pode ocorrer durante a gravidez, levando a um sofrimento fetal crônico, ou período perinatal, quando surge, agudamente, no momento do parto, levando a um sofrimento fetal agudo, com falta de oxigenação ao Sistema Nervoso Central ou outros centros vitais, levando a risco de vida e surgimento de Paralisia Cerebral.

Pode-se falar, assim, em Anóxia Cerebral, Anóxia Fetal, Anóxia do Miocárdio, Intestinal e assim por diante, dependendo do tecido onde está faltando o oxigênio. Normalmente, no Acidente Vascular Cerebral (AVC) e no Infarto do Miocárdio, por exemplo, as lesões são causadas pela anóxia dos tecidos.

Ansiedade

Ansiedade é um estado bio-psicológico onde o ser (humano ou animal, exceto dos répteis para baixo) se encontra mobilizado para uma adaptação necessária. Com certeza, até por uma questão biológica, podemos dizer que a Ansiedade sempre esteve presente na jornada humana desde a caverna até a nave espacial. A novidade é que só agora estamos dando atenção à quantidade, tipos e efeitos dessa Ansiedade sobre o organismo e sobre o psiquismo humanos, de acordo com as concepções da prática clínica, da medicina psicossomática e da psiquiatria.

Nosso potencial ansioso sempre se manteve fisiologicamente presente e sempre carregando consigo o sentimento do medo, sua sombra inseparável. É muito difícil dizer se era diferente o estresse (esta revolução orgânica e psíquica) que acometia o homem das cavernas diante de um urso invasor de sua morada daquilo que sente hoje um cidadão comum diante do assaltante que invade seu lar. Provavelmente não. Faz parte da natureza humana certos sentimentos determinados pelo perigo, pela ameaça, pelo desconhecido e pela perspectiva de sofrimento.

A Ansiedade passou a ser objeto de distúrbios quando o ser humano colocou-a, não a serviço de sua sobrevivência como fazia antes, mas a serviço de sua existência, com o amplo leque de circunstâncias quantitativas e qualitativas desta existência . Assim, o estresse passou a ser o representante emocional da Ansiedade, sua correspondência psíquica e egoicamente determinada. O fato de um evento ser percebido como estressante não depende apenas da natureza do mesmo, como acontece no mundo animal, mas do significado atribuído à este evento pela pessoa, de seus recursos, de suas defesas e de seus mecanismos de enfrentamento. Isso tudo diz respeito mais à personalidade que aos eventos do destino em si.

Embora a Ansiedade favoreça a performance e a adaptação, ela o faz somente até certo ponto, até que nosso organismo atinja um máximo de eficiência. À partir de um ponto excedente a Ansiedade, ao invés de contribuir para a adaptação, concorrerá exatamente para o contrário, ou seja, para a falência da capacidade adaptativa. Veja mais

Ansiedade, Personalidade

A marca característica do Transtorno Ansioso de Personalidade é a persistência e continuidade de tensão e apreensão. Como consequência disso o portador deste tipo psicológico experimenta a crença frequente de ser socialmente inepto, desinteressante e desagradável, portanto, inferior aos demais. Na realidade, a ansiedade aparece com maior exuberância sempre que tais pessoas vislumbrem a possibilidade de serem objeto de apreciação por parte dos demais.

Normalmente, devido aos sentimentos supra-referidos, há isolamento social e, como o próprio nome do transtorno diz, uma constante evitação social. Nesse caso chama-se também de Transtorno de Evitação. O que, de fato, eles evitam é a possibilidade de experimentarem sentimentos desagradáveis de desapreço ao se submeterem ao jugo público. Com frequência se utilizam de mentiras com a intenção de dissimular sua real situação existencial, pois, de qualquer forma, acham que se os interlocutores souberem como eles são realmente, perderão todo interesse em suas pessoas.

 

Anticonvulsivantes

Anticonvulsantes são fármacos que, entre outras importantes ações na psiquiatria, também na neurologia evitam ou controlam as crises epilépticas. Dessa forma os anticonvulsivantes são chamados, na neurologia, como Antiepilépticos e na psiquiatria, como Antimpulsivos e Estabilizadores do Humor no Transtorno Afetivo Bipolar.

Por conta disso a bula de muitos anticonvulsivantes pode atrapalhar e interferir negativamente no tratamento. Pacientes epilépticos podem resistir ao seu uso por não se considerarem bipolares e, ao contrário, os bipolares estranham o fato de terem que tomar um medicamento para epilepsia. Mas é assim que se faz universalmente.

Alguns desses fármacos, como dissemos, possuem efeitos antimaníacos (anti-eufóricos) e, possivelmente, antidepressivos (carbamazepina, valproato de sódio, clonazepam), podem ser úteis no tratamento das fortes reações de ira e da conduta impulsiva e agressiva. Os anticonvulsivantes não devem nunca ser suspensos de forma súbita devido ao risco de produzir crises convulsivas na abstinência.

Os principais Anticonvulsivantes usados no Brasil são:
– Carbamazepina
– Fenobarbital
– Gabapentina
– Lamotrigina
– Oxcarbazepina
– Valproato de Sódio
– Topiramato
– Hidantoína

Anticolinérgicos

Anticolinérgicos são substâncias extraídas de plantas ou sinteticamente produzidas que possuem em comum uma série de efeitos no corpo humano. Estão entre as plantas anticolinérgicas a Saia Branca, Lírio, Trombeta, Trombeteira, Zabumba, Cartucho, Estramônio e outras.

Essas plantas produzem duas substâncias responsáveis pelos efeitos anticolinérgicos; a atropina e a escopolamina, que anulam os efeitos de um neurotransmissor chamado acetilcolina.

Entre as substâncias sintéticas, temos os medicamentos comercialmente vendidos com o nome de Artane® , Akineton® , ambos usados na Doença de Parkinson, além de colírios para glaucoma e outros. etc.

Os sintomas provocados pelo uso dos anticolinérgicos são: pupilas dilatadas, visão borrada, secura na boca e narinas, dificuldade respiratória, aumento do número de batimentos do coração, diminuição de pressão sanguínea, intestino preso e aumento da temperatura corporal.

Em doses elevadas o uso desses produtos torna-se perigoso pois a temperatura se eleva muito, a pressão pode cair muito e chegar ao coma até a morte. Os sintomas anticolinérgicos aparecem em cerca de dez minutos após à ingestão da substância. Juntos com álcool podem produzir alucinações (viagens), euforia e excitação. Por conta disso oferecem risco de uso abusivo e ilegal.

Quimicamente os anticolinérgicos são também denominados antimuscarínicos, que são fármacos que antagonizam a ação da acetilcolina nos receptores muscarínicos. São utilizados, freqüentemente, no tratamento da Doença de Parkinson e dos sintomas extrapiramidais produzidos por medicamentos antipsicóticos.

Algumas vezes os anticolinérgicos são administrados junto com antipsicóticos, desde o início do tratamento, com objetivo de evitar o aparecimento de sintomas extrapiramidais. A literatura cita que os anticolinérgicos podem também ter efeitos levemente antidepressivos.

Antidepressivos

Os Antidepressivos são drogas que aumentam o tônus psíquico melhorando o humor e, consequentemente, melhorando o desempenho psíquico global.

A ação terapêutica das drogas antidepressivas tem lugar no Sistema Límbico, o principal centro das emoções. Este efeito terapêutico é consequência de um aumento dos neurotransmissores na fenda sináptica, principalmente da norepinefrina (NE) e/ou da serotonina (5HT) e/ou da dopamina (DO), bem como alteração no número e sensibilidade dos neuroreceptores. O aumento de neurotransmissores na fenda sináptica pode se dar através do bloqueio da recaptação desses neurotransmissores no neurônio pré-sináptico ou ainda, através da inibição da Monoaminaoxidase (MAO), a enzima responsável pela inativação destes neurotransmissores. Será, portanto, os sistemas noradrenérgico, serotoninérgico e dopaminérgico do Sistema Límbico o local de ação das drogas antidepressivas empregadas na terapia dos transtornos da afetividade.

Podemos dividir os antidepressivos em 4 grupos:
1 – Antidepressivos Tricíclicos (ADT)
2 – Antidepressivos Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina
3 – Antidepressivos Atípicos
4 – Inibidores da Monoaminaoxidase (IMAO)

ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS
Os Antidepressivos Tricíclicos (ADT) sofrem metabolização hepática por oxidação e hidroxilação numa via metabólica, noutra via sofrem dimetilação originando metabólitos também ativos. Eles têm uma forte tendência em ligar-se às proteínas plasmaticas, embora a fração livre tenha também uma grande importância na ação terapêutica. Apenas 5% da dose ingerida é excretada em sua forma original.

Como os metabólitos dos ADT são ativos terapeuticamente, as diferenças individuais de metabolização fa-zem com que as doses equivalentes prescritas resultem, com freqüência, em níveis plasmaticos muito discre-pantes de uma pessoa para outra.

O local de ação dos ADT é no Sistema Límbico aumentando a NE e a 5HT na fenda sináptica. Este au-mento da disponibilidade dos neurotransmissores na fenda sináptica é conseguido através da inibição na re-captação destas aminas pelos receptores pré-sinápticos. Parece haver também, com o uso prolongado dos ADT, uma diminuição do número de receptores pré-sinápticos do tipo Alfa-2, cuja estimulação do tipo feedback inibiria a liberação de NE.

Desta forma, quanto menor o número destes receptores, menor seria sua estimula-ção e, conseqüentemente, mais NE seria liberada na fenda. Portanto, dois mecanismos relacionados à recap-tação; um inibindo diretamente a recaptação e outro diminuindo o número dos receptores.

Alguns autores tentam relacionar subtipos de depressão de acordo com o envolvimento do sistema seroto-ninérgico ou noradrenérgico. Teríamos então, bioquímica e farmacologicamente, a depressão por déficit de 5HT, considerada depressão ansiosa e a depressão por déficit de NE, depressão inibida.

Importa, em relação à farmacocinética dos ADT, o conhecimento do período de latência para a obtenção dos resultados terapêuticos. Normalmente estes resultados são obtidos após um período de 15 dias de utilização da droga e, não raro, podendo chegar até 30 dias.

Os ADT são potentes anticolinérgicos e, esta característica, juntamente com a afinidade por receptores muscarínicos explicam a maioria de seus muitos efeitos colaterais. Enquanto os efeitos terapêuticos exigem um período de latência, o mesmo não acontece com os efeitos colaterais. Estes aparecem imediatamente após a ingestão da droga e são responsáveis pelo grande número de pacientes que abandonam o tratamento antes dos resultados desejados.

INIBIDORES SELETIVOS DE RECAPTAÇÃO DA SEROTONINA
Os Inibidores Específicos da Recaptação de Serotonina (ISRS) atuam no neurônio pré-sináptico inibindo específicamente a recaptação desse neurotransmissor, logrando daí seu efeito antidepressivo. Por não terem efeitos anticolinérgicos e nem por apresentarem afinidade com receptores adrenérgicos, muscarínicos, colinér-gicos, histamínicos ou dopamínicos, deixam de apresentar a expressiva maioria dos efeitos colaterais encontra-dos nos antidepressivos tricíclicos e, emboral alguns deles tornem o ato sexual mais prolongado, decididamente não diminuiem a libido.

Os ISRS interagem muito pouco com o álcool, portanto, limitam menos o nível social dos pacientes. Estudos realizados por períodos de até um ano demonstram que a maioria dos ISRS não causa ganho de peso ou causam muito pouco ganho, ao contrário do que ocorre em muitos pacientes em uso de antidepressivos tricíclicos. Os efeitos antidepressivos dos ISRS começam a ser observados de 2 a 4 semanas após o início do tratamento, normalmente após a segunda semana. O efeito máximo ocorre após 5-6 semanas de uso.

Recomenda-se a utilização de 20 a 60 mg/dia, via oral, para a maioria das substâncias ISRS, dose esta que pode ser em uma única tomada, devido sua meia-vida mais longa. A Nefazodona e o Citalopram são ministra-dos em doses maiores.

ANTIDEPRESSIVOS ATÍPICOS
São os antidepressivos que não se caracterizam como Tricíclicos, como ISRS e nem como Inibidores da MonoAminaOxidase (IMAOs). Alguns deles aumentam a transmissão noradrenérgica através do antagonismo de receptores 2 (pré-sinápticos) no sistema nervoso central, ao mesmo tempo em que modulam a função cen-tral da serotonina por interação com os receptores 5-HT2 e 5-HT3 , como é o caso da Mirtazapina. A atividade antagonista nos receptores histaminérgicos H1 da Mirtazapina é responsável por seus efeitos sedativos, embo-ra esteja praticamente desprovida de atividade anticolinérgica.

Outros atípicos são inibidores da recaptação de serotonina e norepinefrina, inibindo também, a recaptação de dopamina. É o caso da venlafaxina. Essa droga também reduz a sensibilidade dos receptores beta-adrenérgicos, inclusive após administração aguda, o que pode sugerir um início de efeito clínico mais rápido.

Antiparkinsonianos

Os Antiparkinsonianos constituem provavelmente o grupo de substâncias mais usado para reduzir os sintomas da Doença de Parkinson, bem como os efeitos colaterais de alguns medicamentos (neurolépticos) que podem simular a Doença de Parkinson. As medicações comumente usadas nesse grupo são trihexafenidil, biperideno e a benzotropina.

No caso de serem usados na prevenção e tratamento dos efeitos colaterais de medicamentos (neurolépticos), os antiparkinsonianos melhoram e podem revertger os sintomas chamados extrapiramidais, tais como: parkinsonismo, distonia aguda e acatisia aguda.

Os antiparkinsonianos têm absorção gastrointestinal e ação rápida no sistema nervoso central por serem lipofílicos, alcançando o pico plasmático em poucas horas.

Outras dorgas antiparkinsonianas mais diferenciadas só são utilizadas em situações mais avançadas da doença. A dopamina é a principal droga (Levodopa), e em geral é encontrada comercialmente associada a substância que aumenta sua potência (“Sinemet” ou “Prolopa“). As complicações que surgem com o uso da levodopa (movimentos anormais, por ex) limitam a sua eficácia.

Recentemente surgiram medicamentos que otimizam a ação da levodopa: o tolcapone e o entacapone.Existem outras substâncias que auxiliam a dopamina ou aumentam a sua eficiência como a bromocriptina (“Parlodel“) e a Amantadina (“Mantidan“). Drogas anticolinérgicas mais antigas (“Artane“, “Akineton“) também podem ser úteis. A Selegilina foi recentemente desenvolvida e provoca o aumento da dopamina no cérebro havendo uma tendência atual de se iniciar o tratamento com ela.

Uso Abusivo de Antiparkinsonianos
Os Antiparkinsonianos agem no sistema dopaminérgico, além de serem anticolinérgicos. Assim, eles ocasionam, dependendo das doses e de associações, estado de excitação psíquica, euforia e mesmo alucinações (viagens). Essas características parecem estimular o uso ilegal e abusivo dessas substâncias.

É possível que, no caso dos antiparkinsonianos, os efeitos anticolinérgicos ocorram antes do bloqueio dopaminérgico. Várias drogas atuantes no sistema dopaminérgico foram testadas no tratamento da dependência, com resultados discrepantes.O efeito euforizante das medicações descritas poderia ser responsável pelo potencial de abuso, independentemente dos neurotransmissores envolvidos.

Por fim, o efeito rápido de drogas que atuam no sistema dopaminérgico teoricamente poderia também estar relacionado ao seu potencial de abuso. Enquanto não se desenvolver maior compreensão de seus mecanismos determinantes, incluindo neurobiológicos, é necessária a prescrição cautelosa dessas medicações, sobretudo no caso de pacientes com quadros prévios de abuso de substâncias psicoativas. Logo, o potencial de abuso de drogas dopaminérgicas merece atenção.

 

Antipsicóticos

Entre 1910 e 1920 praticamente não havia terapêutica para a esquizofrenia e que somente 20% dos pacientes, aproximadamente, apresentavam algum tipo de melhora. Em 1930 surge o primeiro tratamento biológico para essa psicose, a eletroconvulsoterapia.

Através desse tratamento foi possível alcançar pouco mais de 30% de resposta terapêutica. Mas foi somente nas décadas de 50 e 60 que chegam os primeiros antipsicóticos, chamados então de primeira geração, hoje conhecidos como “convencionais“.

A clorpromazina (Amplictil®), que é um antipsicótico sedativo, foi descoberta em 1957. Sedativo é o neuroléptico cuja ação predominante é a sedação do paciente. O haloperidol (Haldol®), neuroléptico incisivo, em 1959. Incisiva é a ação responsável pelo desaparecimento dos delírios e das alucinações. Com esses medicamentos foi possível alcançar mais de 60% de melhora, aumentando significativamente as chances de pacientes com esquizofrenia se ressocializarem e deixarem os manicômios.

Em 1990 surgem os antipsicóticos de segunda geração, que trouxeram uma nova perspectiva para o tratamento da doença. A clozapina (Leponex®), considerada o primeiro antipsicótico de segunda geração (ou atípico) foi descoberta em 1970 mas, devido ao problema da agranulocitose, aparece no mercado somente em 1988, sendo aprovada para uso nos Estados Unidos em 1990 e no Brasil em 1992.

Logo, outros antipsicóticos de segunda geração entram no mercado, para alívio dos milhões de esquizofrênicos. A risperidona foi lançada em 1994, a olanzapina em 1996, a quetiapina em 1997 e a ziprasidona no ano 2000.

Os neurolépticos atípicos, ou de 2a. geração, não podem ser classificados de sedativos ou incisivos tendo em vista a diversidade de ação, ora cumprindo um objetivo, ora outro.

Esses novos medicamentos tem se mostrado um novo e valioso recurso terapêutico nas psicoses, principalmente naquelas refratárias aos antipsicóticos tradicionais, nos casos de intolerância aos efeitos colaterais extra piramidais, bem como nas psicoses predominantemente com sintomas negativos, onde os antipsicóticos tradicionais podem ser ineficazes.

De qualquer forma, os Antipsicóticos ou Neurolépticos são medicamentos inibidores das funções psicomotoras, como é o caso da excitação e da agitação. Paralelamente eles atenuam também os distúrbios neuro-psíquicos ditos psicóticos, tais como os delírios e as alucinações. São substâncias químicas sintéticas, capazes de atuar seletivamente em células nervosas que regulam os processos no homem e a conduta em animais.

Farmacologicamente os Antipsicóticos compõem um termo genérico aplícado de maneira ampla a diversas classes químicas de drogas empregadas no manejo sintomático de várias condições psicóticas, especialmente a esquizofrenia e estados de excitação. As substâncias incluem fenotiazinas, butirofenonas e tioxantenos, difenilbutilpiperidinas, pimozide e fluspirileno. Mais recente ainda surgiram a Clozapinas, Olanzapina, Ziprazidona, Quetiapina e outras.

A maioria dos Antipsicóticos mais antigos pode provocar reações adversas, entre as quais as síndromes extrapiramidais são as mais incômodas.

Antissocial, Transtorno

A característica essencial do Transtorno da Personalidade Antissocial é um continuado desrespeito e violação dos direitos dos outros que se inicia na infância ou começo da adolescência e continua na idade adulta. Este padrão também é conhecido como psicopatia, sociopatia ou transtorno da personalidade dissocial.

É comum que as pessoas com Personalidade Antissocial tenham tido Transtorno da Conduta na infância ou adoelescência. O Transtorno da Conduta envolve um padrão de comportamento repetitivo e persistente, no qual ocorre violação dos direitos básicos dos outros ou de normas ou regras sociais importantes e adequadas à idade.

Os comportamentos característicos do Transtorno da Conduta ajustam-se a uma entre 4 categorias:
1- agressão a pessoas e animais,
2- destruição de propriedade,
3- defraudação ou furto,
4- séria violação de regras.

O padrão de comportamento antissocial persiste pela idade adulta. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Antissocial ou Sociopatas não se conformam às normas pertinentes a um comportamento dentro de parâmetros legais. Eles podem realizar repetidos atos que constituem motivo de detenção (quer sejam presos ou não), tais como destruir propriedade alheia, importunar os outros, roubar ou dedicar-se à contravenção.

As pessoas com este transtorno desrespeitam os desejos, direitos ou sentimentos alheios. Frequentemente enganam ou manipulam os outros, a fim de obter vantagens pessoais ou prazer (por ex., para obter dinheiro, sexo ou poder). Podem mentir repetidamente, usar nomes falsos, ludibriar ou fingir.

Um padrão de impulsividade pode ser manifestado por um fracasso em planejar o futuro. As decisões são tomadas ao sabor do momento, de maneira impensada e sem considerar as conseqüências para si mesmo ou para outros, o que pode levar a mudanças súbitas de empregos, de residência ou de relacionamentos.

Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Antissocial ou Sociopatas tendem a ser irritáveis ou agressivos e podem repetidamente entrar em lutas corporais ou cometer atos de agressão física (inclusive espancamento do cônjuge ou dos filhos).

Os atos agressivos cometidos em defesa própria ou de outra pessoa não são considerados evidências para este quesito. Esses indivíduos também exibem um desrespeito imprudente pela segurança própria ou alheia, o que pode ser evidenciado pelo seu comportamento ao dirigir (excesso de velocidade recorrente, dirigir intoxicado, acidentes múltiplos). Eles podem engajar-se em um comportamento sexual ou de uso de substâncias com alto risco de conseqüências danosas. Eles podem negligenciar ou deixar de cuidar de um filho, de modo a colocá-lo em perigo.

Veja Transtorno da Personalidade Antissocial ou Sociopatas

Antropofagia

Canibalismo é a atitude de um animal comer outro da mesma espécie. Quando esse canibalismo se dá entre seres humanos chama-se de Antropofagia. O sentido etimológico original da palavra “antropófago” (do grego anthropos, “homem” + phagein, “comer”)

Evidentemente, na avaliação do comportamento canibal, não podemos considerar o ato humano isoladamente mas sim, sempre inserido em um determinado contexto. Existem atitudes perfeitamente aceitas em certas culturas e consideradas aberrantes em outras. A Antropofagia é um desses casos; aceita em algumas culturas (e algumas épocas) e até entendida como uma atitude nobre, de vencedores.

Encontram-se evidências arqueológicas da prática de canibalismo em algumas comunidades da África, América do Sul e do Norte, ilhas do Pacífico Sul e nas Antilhas. Canibais famosos foram os astecas, no México, que sacrificavam seus prisioneiros de guerra e comiam alguns deles. Eles comiam os prisioneiros de guerra e outras vítimas, numa prática conhecida como exocanibalismo ou exofagia, ou seja, canibalismo praticado em indivíduos de tribos diferentes. O canibalismo que consiste no ato de consumir parte dos corpos de seus parentes e amigos mortos é chamado de endocanibalismo.

Atualmente, entretanto, na quase totalidade dos casos é indício de severa patologia mental, embora existam poucos casos de canibalismo de humanos na sociedade ocidental moderna  ligados a situações limites de sobrevivência e de opção de vida ou morte.

Sabemos que, de acordo com determinadas exigências situacionais extremas, indivíduos psiquicamente normais podem atuar maneira tal que, em outras circunstâncias mais amenas, seriam considerados francamente patológicos. Veja-se, por exemplo, o caso da antropofagia registrada em desastres dantescos.

 

Apercepção

Apercepção da realidade é um processo em que a realidade é representada de maneira muito íntima, própria e pessoal. Enquanto a natureza da Sensopercepção é melhor entendida a nível do fisiologismo neuro-sensorial através dos cinco sentidos, a Apercepção ou Representação reporta-se predominantemente à subjetividade da realidade, e é revestida de uma tonalidade afetiva particular do indivíduo, portanto, afetivo-psicológico. A Representação da realidade é aquilo que a realidade representa para a pessoa, independentemente de opiniões em contrário.

Uma simples rosa pode ser percebida fisiológicamente através da visão, tato ou olfato, porém, será ricamente representada através do subjetivismo da pessoa. Pode até ser dispensável, nesta representação, a presença física do objeto rosa.

Da mesma forma, a palavra mãe, por exemplo, que pode ser percebida pela visão, se for escrita ou pela audição, se for falada, terá sua representação interna tocada pela afetividade e jamais será igual entre as pessoas.

O texto de Jung é bastante explicativo: “parece que o consciente flui em torrentes para dentro de nós, vindo de fora sob a forma de percepções sensoriais. Nós vemos, ouvimos, apalpamos e cheiramos o mundo, e assim temos consciência do mundo. Estas percepções sensoriais nos dizem que algo existe fora de nós, mas elas não dizem o que isso seja em si. Esta é tarefa não do processo perceptivo, mas do processo de Apercepção. Este último tem uma estrutura altamente complexa. Não que as percepções sensoriais sejam algo simples, mas sua natureza é menos psíquica do que fisiológica. A complexidade da apercepção, pelo contrário, é psíquica“.

Portanto, Jung identifica a Representação da qual falamos, com a Apercepção, algo responsável pela significação da coisa ou do que é a coisa em si.

Apneia do sono

Pessoas que tem o transtorno conhecido como Apneia do Sono podem parar brevemente de respirar quando adormecidos, e tem vários despertares breves e repetidos ao longo da noite perturbados por essas crises. Este distúrbio frequentemente se associa a roncos, que é a tradução sonora do estreitamento da via aérea durante a passagem do ar.

Quando o referido estreitamento da via aérea se torna mais severo, dá-se o fechamento desta, resultando em Apneia. Assim sendo, a Apneia é arbitrariamente definida como parada da respiração ou interrupção do fluxo aéreo por no mínimo durante 10 segundos.

A chamada Apneia Noturna ou Apneia do Sono é muito mais comum nos idosos que em outros grupos etários, e uma importante causa de hipersônia. A Apneia Noturna se caracteriza por uma crise de roncos altos, repentina, que se repete ao longo da noite e cessa em mais ou menos 10 segundos. As crises acontecem mais quando a pessoa dorme de barriga para cima.

O fator determinante da Apneia do Sono pode estar  localizado nas vias aéreas superiores, especialmente na faringe. O colapso de suas paredes durante o sono pode restringir, em parte, o fluxo aéreo, produzindo vibrações de baixa frequência, constituindo o ronco. O ronco não pode mais ser avaliado simplesmente pelo seu aspecto social e deve ser considerado um problema médico, pois pode preceder a Apneia do Sono em mais de 90% dos casos.

A Apneia do Sono parece estar relacionada ao excesso de sonolência durante o dia, a depressão, a dor de cabeça, e o prejuízo da memória da demência. O quadro de Apneia do Sono está ainda relacionado a um aumento do risco de morte súbita dormindo.

Apoplexia

Apoplexia é um conjunto de sinais e sintomas provocados pela destruição violenta de uma parte variável do cérebro, normalmente devido à trombose arterial cerebral (formação de coágulo numa artéria) ou à embolia cerebral (obliteração de uma artéria por coágulo sanguíneo, partícula de gordura, vegetação de endocardite), ou à hemorragia cerebral, enfim, tudo o que possa contribuir para interrupção da irrigação sanguínia do cérebro, produzindo anóxia.

Nos dois primeiros casos (trombose ou embolia), o tecido cerebral correspondente à artéria obstruída morre por falta de nutrição (oxigênio). No último caso, o tecido é comprimido pelo sangue que escapa do vaso rompido, havendo, além da falta de sangue, também compressão do tecido vizinho à ruptura do vaso. As causas mais frequentes das tromboses e hemorragias cerebrais, raras antes de quarenta anos, são a arteriosclerose e a hipertensão.

Já a embolia cerebral, felizmente pouco frequente, costuma ser consequência de doença cardíaca, de ruptura de aneurisma e acontece em qualquer idade. Coágulos saem de um coração com arritmia e “enroscam” nas artéras cerebrais de menor calibre interrompendo o fluxo do sangue desse ponto em diante.

Fatores que favorecem a apoplexia são: obesidade, abuso de estimulantes (álcool, fumo), excessos alimentares e vida sedentária. O ataque de apoplexia é repentino e violento, havendo paralisia, perda da articulação das palavras, e perda do conhecimento durante algum tempo (coma). A paralisia estende-se geralmente a um lado inteiro do corpo (hemiplegia), o lado oposto ao do vaso atingido, exceto quanto aos músculos da face.

Este fato paradoxal na aparência tem sua razão de ser: as fibras nervosas que comandam os músculos do tronco e dos membros, cruzam a linha mediana ao nível do bulbo. No início do ataque, os músculos ficam flácidos, mas, depois de algumas horas ou dias, voltam às atividades normais, embora com certa rigidez, acompanhada de contraturas.

Durante a coma, o doente geralmente respira com barulho, como que roncando, e apresenta o rosto congestionado. Se a lesão cerebral não for muito grave, a maior parte dos sintomas vai desaparecendo.

Persiste em geral certa rigidez no lado atingido e dificuldades de elocução, mais ou menos pronunciadas. Promover medidas que facilitem a respiração. Levantar ligeiramente a cabeça do doente e procurar assistência hospitalar imediata. Jamais dar-lhe alguma coisa para ingerir no estado de inconsciência: o líquido pode passar para os brônquios e produzir grave broncopneumonia.

Cuidados médicos urgentes podem salvar o doente; depois fazem-se os tratamentos específicos das seqüelas. O lado paralisado pode ser reeducado em centros especializados (fisioterapia, massagens, mecanoterapia, etc.), com melhoras por vezes espetaculares e até com a volta do indivíduo à vida ativa.

Apragmatismo

Apragmatismo é o contrário de pragmático. Apragmatismo é a incapacidade de realizar atos eficientes, objetivos e propositais. No Apragmatismo a atividade fica estéril ou ineficaz por incoordenação das ações parciais necessárias à realização do ato pleno.

Nos estados confusionais as pessoas ficam apragmáticas, assim como nos Estados Crepusculares e em algumas crises de epilepsia parcial e/ou psicomotora.

Em muitas doenças mentais, incluindo as mais graves, como a Esquizofrenia, pode haver um preejuízo do pragmatismo (diminuição) mas raramente chega-se ao Apragmatismo. Quando ela ocorre é sempre bom verificar a possibilidade de causa orgânica.

Apraxia

Apraxia é o prejuízo na capacidade de executar atividades motoras, apesar das capacidades motoras, função sensorial e compreensão estarem intactas para a tarefa exigida. O termo “apraxia” foi usado pela primeira vez em 1871 por Steinthal. Não existe uma definição universal para o termo, mas Rothi e Heilman sugerem que seja definido como uma alteração neurológica da capacidade de movimento apreendido e proposicional que não possa ser explicado por defeitos elementares da motricidade nem dos sistemas sensoriais.

Na realidade Apraxia é a perda da capacidade de executar eficientemente a intenção para um ato para um determinado fim, mas não há comprometimento anatômico das estruturas cerebrais envolvidas na execussão desse ato (seja ele da musculatura voluntária, da fala, da mímica, etc).

Os indivíduos com Demência podem apresentar apraxia. Eles apresentam prejuízo em sua capacidade de demonstrar com mímica o uso de objetos (por ex., pentear os cabelos) ou de executar atos motores conhecidos (por ex., acenar dizendo adeus).

A Apraxia pode contribuir para déficits nos atos de cozinhar, vestir-se e desenhar. As perturbações na habilidade motora podem ser testadas pedindo que o indivíduo execute funções motoras (por ex., mostrar como se escova os dentes, copiar pentágonos que se intercruzam, montar blocos, ou arranjar varetas em desenhos específicos).

Podemos classificar vários tipos de Apraxia:
A apraxia ideativa corresponde à ideomotora, mas o desempenho não melhora com a presença do objecto nem com a imitação. É como se todos os esquemas de programação motora estivessem perdidos. Este tipo de apraxia é mais comum nos casos de Demência.
A apraxia buco-facial corresponde à incapacidade de realizar movimentos com os músculos da face e da boca. Este tipo acompanha muitas vezes os quadros afásicos, sendo possível que os mecanismos que sustentam estes movimentos partilhem algumas funções com as da linguagem.
A apraxia de marcha corresponde à impossibilidade de realizar os movimentos necessários para andar. Estes doentes, são capazes de cruzar as pernas quando estão sentados, de bater com os pés no chão alternadamente, de fazer movimentos de bicicleta quando estão deitados, mas não conseguem realizar os movimentos necessários para progredir na marcha.
A apraxia do vestir surge com muita frequência nos casos de demência. O doente deixa de saber a sequência correcta com que se vestem as diferentes peças de roupa. Pode, por exemplo, vestir a camisa por cima do casaco. Muits vezes, tenta vestir peças de roupa de forma errada, tenta enfiar a perna na manga do casaco e, noutras ocasiões, pode usar múltiplas peças de roupa repetidas, por exemplo, três pares de meias.

Área Pré-Frontal

O área ou córtex pré-frontal é uma região do cérebro que apresenta o período de desenvolvimento mais prolongado, após o nascimento, em relação a qualquer outra parte do cérebro. É de sua responsabilidade as tarefas cognitivas mais sofisticadas e complexas da mente humana.

Devido sua grande heterogeneidade e complexidade, nenhuma teoria é amplamente aceita para explicar as funções do córtex pré-frontal. Entretanto, várias dessas teorias convergem para três funções cognitivas básicas desta área, ligadas à memória de trabalho. Assim, a área pré-frontal vem sendo considerada a “sede” da personalidade.

Ainda há muitas especulações em torno dessa região, mas por meio da interpretação de dados experimentais e clínicos, nota-se que essa estrutura participa na tomada de decisões e na adoção de estratégias comporta mentais mais adequadas à situação física e social; ademais, parece estar relacionada à capacidade de seguir sequências ordenadas de pensamentos e a modalidades de controle do comportamento emocional.

Sabe-se também que o córtex pré-frontal mantém informações relevantes acessíveis por períodos curtos de tempo, enquanto uma determinada tarefa está sendo executada. Em segundo, ele planeja e executa uma seqüência de ações. Por fim o córtex pré-frontal se encarrega de inibir respostas inadequadas para um determinado contexto, e estimular estas respostas em outros contextos.

Quando o córtex pré-frontal é lesado há severo prejuízo das responsabilidades sociais (lesões orbitofrontais), bem como a capacidade de concentração e de abstração (lesões dorsolaterais). Em alguns casos, a pessoa, conquanto mantendo intactas a consciência e algumas funções cognitivas, como a linguagem, já não consegue resolver problemas, mesmo os mais elementares.

Quando se praticava a lobotomia pré-frontal para tratamento de certos distúrbios psiquiátricos, os pacientes entravam em um estado de “tamponamento afetivo”, não mais evidenciando quaisquer sinais de alegria, tristeza, esperança ou desesperança. Em suas palavras ou atitudes não mais se vislumbravam quaisquer resquícios de afetividade.

Ateriosclerose

Arteriosclerose é o nome que se dá ao processo de envelhecimento das grandes e medias artérias do corpo que se tornam endurecidas e estreitadas, portanto, é uma doença degenerativa. Esse envelhecimento vascular consiste no depósito de gordura nas paredes das artérias, facilitando a formação de embolias, tromboses e infartos, todos esses processos resultando em má irrigação sangüínea.

A arteriosclerose se inicia na juventude e começa a ficar nítida por volta dos 50 anos. É a base de moléstias como o Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou derrame, e o infarto agudo do miocárdio, as duas das principais causas de morte no mundo ocidental.

Há situações em que o processo está mais acentuado podendo surgir logo na infância levando a manifestações cardíacas na juventude, mas isto caracteriza uma situação muito rara. Não se conhece a causa da aterosclerose, mas já se sabe que a hereditariedade é importante.

A alimentação rica em gorduras (colesterol) é também um fator predisponente e agravante. O aumento de gorduras no sangue também pode ocorrer em algumas doenças, principalmente aquelas que apresentam diminuição do colesterol de alta densidade (HDL). A diminuição dos níveis sangüíneos de HDL é considerado um fator de risco para doenças como o infarto do miocárdio, por ex., que ocorre no adulto jovem.

Na terceira idade os níveis de gordura no sangue não tem relação com a doença cardíaca. Outros fatores, denominados de risco por favorecer ou acelerar o processo de arteriosclerose são o tabagismo, a pressão alta, o diabetes, a obesidade, a vida sedentária e o estresse. Sabe-se também que o tipo de personalidade pode favorecer o processo de arteriosclerose, destacando-se então as pessoas tensas e ansiosas.

O desenvolvimento da Arteriosclerose é um processo progressivo, chegando à placa ou ateroma, que é a lesão presente na parede da artéria e que surge mais tardiamente. Esse ateroma consiste no acúmulo exagerado de material gorduroso dentro de determinados vasos sangüíneos, o que os tornam ainda mais estreitos.

Posteriormente esta placa de gordura ou ateroma tende a se calcificar e apresentar ulcerações ou fissuras. Estas alterações da parede interna da artéria são os locais propícios para a formação de trombos. O trombo é um agrupamento de componentes do sangue (plaquetas) que se prendem aos locais alterados, ou placas, da parede das artérias.

O crescimento do trombo pode levar à oclusão da artéria (trombose), ou um pedaço do mesmo, desprendido, pode entrar na corrente sangüínea e obliterar uma artéria menor mais distante (embolia).

A arteriosclerose ocorre de preferência em grandes artérias, destacando-se: a aorta, artérias dos membros inferiores (femoral, poplítea, tibial), artérias do coração (coronárias) e artérias que irrigam o cérebro (carótidas). O termo arteriosclerose é genérico e indica o envelhecimento de artérias e seu consequente processo de endurecimento.

Aspartato e Glutamato

Os neurotransmissores, tais como Glutamato e Aspartato, estão implicados nas conexões recíprocas entre a Amígdala e o Córtex Pré-Frontal (opercular) anterolateral e entre estas duas estruturas com o tálamo mediodorsal e o núcleo caudado. O aumento fisiológico intenso das concentrações desses aminoácidos excitadores pode produzir a morte neuronal em diversos sistemas biológicos. Glutamato e Aspartato são mensageiros do cérebro. Quimicamente, os neurotransmissores são moléculas relativamente pequenas e simples.

Diferentes tipos de células secretam diferentes neurotransmisores. Cada substância química cerebral funciona em áreas bastante espalhadas mas muito específicas do cérebro e podem ter efeitos diferentes dependendo do local de ativação. Cerca de 60 neurotransmissores foram identificados e podem ser classificados, em geral em uma das quatro categorias.

1) colinas: das quais a acetilcolina é a mais importante;
2) aminas biogênicas: a serotonina, a histamina, e as catecolaminas – a dopamina e a norepinefrina
3) aminoácidos: o glutamato e o aspartato são os transmissores excitatórios bem conhecidos, enquanto que o ácido gama-aminobutírico (GABA), a glicina e a taurine são neurotransmissores inibidores.O principal neurotransmissor excitante do cérebro, vital para estabelecer os vínculos entre os neurônios que são a base da aprendizagem e da memória a longo prazo.
4) neuropeptídeos: são formados por cadeias mais longas de aminoácidos (como uma pequena molécula de proteína). Sabe-se que mais de 50 deles ocorrem no cérebro e muitos deles têm sido implicados na modulação ou na transmissão de informação neural.

Asperger, Síndrome

A expressão Síndrome de Asperger se refere a um transtorno de validade classificatória e nosológica incerta, caracterizado por uma alteração qualitativa das interações sociais recíprocas, semelhante à observada no autismo, com um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo.

Autismo e a Síndrome de Asperger são duas entidades diagnósticas classificadas dentro dos transtornos de neurodesenvolvimento, comprometendo os processos fundamentais de socialização, comunicação e aprendizado. Esses transtornos são coletivamente conhecidos como transtornos invasivos de desenvolvimento.

A incidência desse grupo de condições entre os transtornos de desenvolvimento afeta aproximadamente 1 em cada 200 indivíduos. Eles estão também entre aqueles com maior carga genética entre os transtornos de desenvolvimento, com riscos de recorrência entre familiares da ordem de 2 a 15%. O início da Síndrome de Asperger é precoce, perfil sintomático e cronicidade envolvem mecanismos biológicos fundamentais relacionados à adaptação social.

Asperger se diferencia do autismo essencialmente pelo fato de que não se acompanha de um retardo ou de uma deficiência de linguagem ou do desenvolvimento cognitivo. Os sujeitos que apresentam este transtorno são em geral muito desajeitados. As anomalias persistem frequentemente na adolescência e idade adulta. O transtorno se acompanha por vezes de episódios psicóticos no início da idade adulta. Inclui o que se pode chamar de Psicopatia Autística e Transtorno Esquizóide da Infância.

O termo Síndrome de Asperger foi utilizado pela primeira vez por Lorna Wing em 1981 em um jornal médico, pretendendo honrar Hans Asperger, um psiquiatra e pediatra austríaco cujo trabalho não havia sido reconhecido internacionalmente. A síndrome foi reconhecida pela primeira vez no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, na sua quarta edição, em 1994 (DSM-IV).

As características essenciais da Síndrome de Asperger são um prejuízo severo e persistente na interação social e o desenvolvimento de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades. A perturbação deve causar prejuízo clinicamente significativo nas áreas social, ocupacional ou outras áreas importantes de funcionamento.

Alguns outros sintomas da Síndrome de Asperger são: dificuldade de interação social e empatia; interpretação muito literal da linguagem; dificuldade com mudanças, perseveração em comportamentos estereotipados. No entanto, pode isso ser conciliado com desenvolvimento cognitivo normal ou alto. A doença (ou transtorno) é mais comum no sexo masculino.

Contrastando com o Transtorno Autista, não existem atrasos clinicamente significativos na linguagem (isto é, palavras isoladas são usadas aos 2 anos, frases comunicativas são usadas aos 3 anos). Além disso, não existem atrasos clinicamente significativos no desenvolvimento cognitivo ou no desenvolvimento de habilidades de auto-ajuda apropriadas à idade, comportamento adaptativo (outro que não na interação social) e curiosidade acerca do ambiente na infância.

 

Assembléias Neuronais

O conceito de Assembléias Neuronais é relativamente novo e serve como uma valiosa hipótese acerca da formação da consciência no ser humano. O mecanismo responsável para a formação da consciência no ser humano não encontra nenhuma explicação, plenamente satisfatória até o momento.

A consciência reflete sempre a individualidade e unidade do ser humano e, sem dúvida, seu aspecto mais relevante é sua característica unitária, onde todas as nossas percepções, pensamentos e emoções são integrados e fundidos num mesmo e determinado momento.

Depois de muitos séculos tentando delimitar um sítio cerebral específico para a sede da consciência, tudo indica que esta não esteja circunscrita à nenhuma área cerebral específica, mas se espalha difusamente pelo cérebro, sendo, simultaneamente, uni-temporal e múltiplo espacial. Essa visão global da consciência se alicerça na recente teoria das Assembléias Neuronais.

Um grupo de físicos israelenses do Instituto Weizmann, dirigidos por Amiram Ginvald, trabalhando com contrastes sensíveis à voltagem elétrica capazes de visualizar os neurônios se acendendo em larga escala, verificaram que mesmo um simples estímulo visual não provoca uma simples resposta cerebral, e sim uma resposta que cresce gradualmente à medida que mais e mais neurônios vão sendo recrutados. Isso confirma, de certa forma, as hipóteses da Dra. Greenfield, quando propôs a teoria das assembléias neuronais.

A teoria baseada nas Assembléias Neuronais representa um modelo muito convincente para a formulação de uma hipótese a respeito da consciência. Segundo essa teoria, o pensamento consciente é gerado quando vários neurônios de diversas colunas se unem funcionalmente e, atuando harmonicamente e em conjunto, constroem uma assembléia, iniciando assim a formação de um determinado estado consciente.

Essa teoria tem sido corroborada por constatações de que os neurônios são capazes de se associarem rapidamente, formando grupos (assembléias) funcionais para realizarem uma determinada tarefa. Uma vez que esta tarefa esteja terminada, o grupo se dissolve e os neurônios estão novamente aptos a se engajarem em outras assembléias, para cumprirem uma nova tarefa.

Há, ainda, um aspecto quantitativo acerca dessa Assembléia Neuronal, segundo a qual, quanto maior o número de neurônios recrutados, maior será o tamanho dessa assembléia e, em conseqüência, maior será essa determinada e recém criada consciência, em termos de intensidade e tempo de duração. Contrariamente, se for pequeno o número de neurônios recrutados, a consciência resultante será pequena em intensidade e duração.

Veja mais sobre Consciência em Psicopatologia

Associações de Ideias

Associações de Ideias são um processo intelectivo segundo o qual a mente humana, a partir de uma ideia inicial (indutora), é imediatamente levada a suscitar uma outra. Isso ocorreria em razão de alguma “conexão natural” existente entre ambas.

A ideia indutora pode ser representada no caso, tanto por uma palavra, como por um objeto, uma imagem, ou mesmo uma emoção (da qual o sujeito toma consciência) cujo simples aparecimento na mente é suficiente para despertar uma segunda ideia, e esta uma terceira, e assim por diante, num processo praticamente sem limite e no qual, conforme a expressão popular, “uma coisa puxa a outra“.

Trata-se de fenômeno conhecido e estudado desde a antiguidade grega. Já Aristóteles descobrira que o processo de associação de idéias se rege por algumas leis intrínsecas e invariáveis. São elas:

a) a lei da contiguidade (ou continuidade) temporal, segundo a qual a ideia indutora tende a evocar de preferencia uma segunda ideia que, em experiência anterior, tenha sido apreendida ao mesmo tempo ou quase ao mesmo tempo que ela;
b) lei da semelhança (ou similaridade), segundo a qual uma ideia tende a suscitar outra que lhe seja afim quanto ao significado;
c) lei do contraste, segundo a qual uma ideia tende a evocar, entre outras, uma outra que lhe seja especificamente contrária.

A estas três leis básicas deve-se juntar, segundo alguns intérpretes, a lei da causalidade, de acordo com a qual o objeto representado pela idéia induzida apresenta uma relação de causa ou efeito com o objeto ou coisa representada pela ideia indutora.

Depois de muitos séculos, foi o inglês Locke quem lançou em circulação, tanto em Filosofia como em Psicologia, a expressão “associação de ideias“. Muitos psicólogos passaram a entender todo o funcionamento da mente humana como um simples processo de associação, de natureza mais ou menos mecânica. São os chamados associacionistas.

A existência desse processo mental, bem como o conhecimento das leis que o regem, possibilitou a Freud e aos psicanalistas desenvolver, em psicoterapia, uma importante técnica de análise psicológica, conhecida como “prova (ou método) das associações“, sejam livres, sejam condicionadas. Anteriormente cura da doença proposta por Freud consistia em fazer com que o paciente tornasse consciente o inconsciente, deixando assim de produzir os sintomas. Para tanto, Freud se valia da hipnose como um procedimento que facilitava a recordação.

Mais adiante Freud reformulou seu método terapêutico e deixou de usar a indução hipnótica, passando a solicitar que o paciente expressasse tudo que lhe ocorria à mente, fazendo assim uma livre associação de ideias. Essa nova técnica de tratamento marcou o início da Psicanálise.

Associações Livres

A técnica psicanalista das Associações Livres foi uma decorrência direta e estruturada do conceito da Associação de Ideias. A prova das associações livres pode ser considerada como a técnica clássica da psicanálise freudiana para a identificação das perturbações emocionais oriundas dos mais diversos tipos de complexos.

Associações Livres consistem, essencialmente, em um processo de evocação espontânea de ideias, em estado consciente e sem a interferência direta do terapeuta. Isso permitiria a localização de ideias e desejos reprimidos, que se encontram na raiz dos sintomas mórbidos apresentados pelo paciente, produz uma descarga geral da tensão psíquica, sendo este o seu efeito terapêutico mais simples e imediato.

O procedimento usual é o seguinte: o paciente é convidado a deitar-se sobre um divã, em uma sala semi-obscura e silenciosa, devendo colocar-se em posição de completo relaxamento e repouso, numa atitude inteiramente disponível. Postando-se por trás dele o médico lhe pede então que deixe a mente vagar descontraída, numa espécie de devaneio proposital, e vá dizendo em voz alta tudo o que lhe ocorrer no momento.

É importante conseguir que o sujeito diga tudo, absolutamente tudo, sem a mínima inibição ou crítica, portando-se como mero espectador, completamente neutro, do próprio pensamento. O analista se limita a ir anotando ou gravando em um aparelho de som com imparcial fidelidade, as palavras e frases proferidas pelo paciente.

As idéias assim evocadas revelarão invariavelmente certas associações (das quais o próprio sujeito não tem consciência) a partir das quais é possível descobrir ligações lógicas e emocionais entre os sintomas de seus distúrbios e experiências anteriores traumatizantes por ele vividas.

Essas associações espontâneas, involuntariamente estabelecidas pelo sujeito durante seu solilóquio em presença do terapeuta, são portanto “significativas” em relação aos sintomas apresentados e servem como pista indicadora capaz de levar o terapeuta à identificação das causas mais profundas dos males de seu paciente.

Uma série de indicações e convergências de “sentido” darão ao terapeuta um quadro elucidativo da situação patológica em seu conjunto e lhe permitirão – com a ajuda das leis gerais das associações de idéias – conjeturar e reconstruir o material “esquecido” e recalcado que deu origem aos sintomas mórbidos atualmente verificáveis no paciente.

Durante todo o processo, o terapeuta jamais intervém no próprio curso das associações, deixando o paciente inteiramente à vontade, como se estivesse falando sozinho. Apenas quando o rumo dos acontecimentos se mostrar decididamente improdutivo, poderá haver uma intervenção do analista. Nesse ponto ele pode sugerir uma palavra, um tema ou imagem que lhe pareça particularmente fecunda e a partir da qual o paciente passará a estabelecer novas associações.

Com isto, o método já se aproximará de uma técnica correlata, que é a prova das associações condicionadas, a qual é aliás preferida por muitos terapeutas desde o início das sessões. Ao final de cada sessão o terapeuta pedirá ao paciente para “explicar” e ampliar as associações por ele expressas durante o “devaneio”. Juntos, procurarão assim uma interpretação satisfatória da situação.

Entre as críticas que se fazem sobre a validade e eficácia de tal método psicanalítico, costuma-se chamar a atenção para o fato de que o paciente pode facilmente imprimir uma orientação subjetiva e intencional às próprias associações.

Além disto, sua disposição momentânea, bem como a própria tensão gerada pela tarefa proposta, podem influir decisivamente no rumo dado a essas associações que, desse ponto de vista, já não seriam realmente “livres” e espontâneas.

A atitude preconcebida do próprio terapeuta (como por exemplo, a tendência em querer explicar tudo em termos de sexo) poderá influir negativamente no curso do trabalho, desviando e falsificando o verdadeiro sentido dos dados obtidos. Mas estes parecem ser riscos óbvios, inerentes a qualquer tipo de interpretação psicanalítica.

Astrocitoma e Glioma

Glioma é um tumor do tecido nervoso (neuroglia) em qualquer estágio de desenvolvimento.
O termo é também usado de forma mais abrangente, incluindo todos os tumores primários do cérebro e medula espinhal (melhor denominados astrocitoma, ependimoma, neurocitoma, etc).

Em crianças, os tumores de tronco cerebral surgem, geralmente, sob a forma de gliomas intrínsecos e difusos de tronco cerebral, esses tumores compreendem 10% de todos os tumores pediátricos de Sistema Nervoso Central. Esses tumores se associam a um prognóstico bastante desfavorável, devido a impossibilidade de abordagem cirúrgica e constituem um desafio para futuras pesquisas em neuro-oncologia. Seu tratamento clássico envolve a radioterapia craniana.

Existem também os gliomas supratentoriais, os quais compreendem entre 30% e 35% dos tumores pediátricos de Sistema Nervoso Central. A maior incidência se dá entre 2 e 4 anos de idade e na adolescência. Histologicamente, podem ter padrões que variam desde os gliomas de baixo grau até os de alta malignidade ou anaplásicos.

O prognóstico depende do grau de diferenciação e do grau de ressecção cirúrgica obtida. Os pacientes com gliomas de baixo grau podem ser tratados com cirurgia exclusiva, caso tenha sido obtida uma remoção completa do tumor. É o caso dos astrocitomas pilocíticos, os quais podem chegar a 90% de sobrevida de 5 anos, após sua remoção total. O uso de quimioterapia para pacientes com lesão residual pós operatória vem sendo atualmente preconizado.

A radioterapia nesses tumores de baixo grau é reservada apenas para situações de progressão de doença. Já para tumores de alto grau de malignidade a taxa de sobrevida é baixa, mesmo com o uso de quimio e radioterapia, sendo de 20% a 46% em 5 anos.

Ataxia

Ataxia (do grego ataxis), quer dizer sem ordem ou incoordenação. Trata-se de um sintoma, não uma doença específica, caracterizado pela perda de coordenação dos movimentos musculares voluntários. Esse fenômeno cobre uma grande variedade de desordens neurológicas e, portanto, pode fazer parte do quadro clínico de numerosas doenças do sistema nervoso.

Algumas formas de ataxia são mais comuns que outras e têm até nomes específicos, como por exemplo a Ataxia de Friedreich, a mais comum entre as ataxias. A Ataxia de Friedreich foi a primeira forma de ataxia hereditária a ser distinguida de outras formas de ataxia.  Seu nome se origina do médico neurologista alemão Nicholaus Friedreich (1825-1882), o primeiro a descrever em 1863 esta misteriosa doença caracterizada pela perda gradual de coordenação e progressiva degeneração do sistema nervoso.

A Ataxia de Friedreich é uma doença genética ou hereditária, isto significa que ela é causada por uma anormalidade de um simples gene. De modo geral, todas as pessoas têm genes que não funcionam adequadamente.  No caso desta ataxia, e em várias outras doenças hereditárias, os sintomas não aparecem a menos que a pessoa tenha uma dose dupla de um gene alterado ou em mal funcionamento.

Nessas Ataxias que são causadas por uma anormalidade genética, com freqüência os primeiros sintomas aparecem na infância. Não há cura para a ataxia de Friedreich. O tratamento baseia-se em controlar os sintomas e em manter a saúde geral. Recomenda-se atividade física e fisioterapia, que podem ser benéfica.

Outras formas podem aparecer até a metade da vida e são então conhecidas como de iniciação tardia. Geralmente, todo esse grupo de desordens neurológicas é conhecido como ataxia degenerativa porque os sintomas se agravam com o passar do tempo.

A ataxia pode afetar os dedos, as mãos, os braços, as pernas, o corpo, a fala ou o movimento dos olhos. Essa perda de coordenação pode ser causada por diversas condições médicas ou neurológicas; por essa razão é importante que uma pessoa com ataxia procure auxílio médico para determinar a causa subjacente do sintoma e obter o tratamento apropriado.

Existe a Ataxia Cerebelar Aguda que acomete, na maioria das vezes crianças, principalmente naquelas com menos de 3 anos de idade. O problema costuma aparecer várias semanas depois de uma infecção viral. Doenças virais como a catapora e a doença Coxsackie normalmente aumentam a tendência a desenvolver esta condição.

Essa Ataxia Cerebelar acomete a marcha, e se caracteriza por uma deambulação instável e de base alargada (pernas abertas). Quando a criança está sentada o tronco move-se de um lado para o outro, para frente e para trás ou em qualquer combinação, e retorna à posição vertical com um movimento abrupto. Ao mesmo tempo, os olhos apresentam movimentos desordenados para os lados (nistagmo)e a pessoa apresenta uma fala explosiva e entrecortada (disartria).

Esse quadro geralmente diminui sem tratamento após algumas semanas ou meses. Ocasionalmente, a criança pode continuar apresentando distúrbios de movimento ou distúrbios de comportamento.

Atenção

Uma maneira importante pela qual a percepção se torna consciente é através da Atenção que, em essência, é a focalização consciente e específica sobre alguns aspectos ou algumas partes da realidade. Assim sendo, nossa consciência pode, voluntariamente ou espontaneamente, privilegiar um determinado conteúdo e determinar a inibição de outros conteúdos vividos. Portanto, reconhece-se a Atenção como um fenômeno de tensão, de esforço, de concentração, de interesse e de focalização da consciência.

A Atenção pode ser entendida como uma atitude psicológica através da qual concentramos a nossa atividade psíquica sobre um estímulo específico, seja este estímulo uma sensação, uma percepção, representação, afeto ou desejo, a fim de elaborar os conceitos e o raciocínio. Portanto, de modo geral a Atenção parece criar a própria consciência.

Alguns dividem o estado de atenção em 2 tipos: Vigilância e Tenacidade.
1- Vigilância é quando polarizamos nossa atenção em vários objetos da realidade, por exe., quando dirigimos. Devemos ter atenção em vários estímulos (marchas, trânsito, pedestres, conversa com outra pessoa… etc.).
2- Tenacidade é quando polarizamos nossos recursos cognitivos em um só objeto, por ex., quando estudamos, fazemos um cálculo, etc, havendo esmaecimento da consciência para outros estímulos simultâneos de nossa volta.

Ambos estado de atenção são importantes e existem em todas as pessoas, porém, nunca simultaneamente. Nas pessoas muito ansiosas, hiperativas e em estado de euforia predomina a Vigilância sobrea Tenacidade.

Outra característica importante da atenção é que ela é fortemente influenciada pela ligação afetiva que o sujeito tenha com o objeto de seu interesse.

Veja Memória e Atenção em Psicopatologia

Ato Compulsivo

Compulsivos são os atos que se impõem a um indivíduo, involuntariamente, apesar de seus esforços para resistir aos mesmos. Os Atos Compulsivos mais comumente se referem à limpeza (particularmente o ato de lavar as mãos), verificação repetida para se assegurar a eliminação de que uma situação potencialmente ou organização e arrumação. Subjacente ao comportamento manifesto está um medo, usualmente de perigo para o paciente ou causado por ele, e o ritual é uma tentativa ineficaz ou simbólica de afastar aquele perigo.

Quando observamos no indivíduo a tendência a ritualizar todos os seus procedimentos, tudo o que faz deve ser ordenado rigidamente, dizemos que ele possui um caráter obsessivo, ou uma personalidade anancástica (obsessiva-compulsiva).

Existe um distúrbio primário desta atividade, antigamente chamado de Neurose Obsessiva-Compulsiva, mas que é de fato um Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC), na qual aparecem idéias reverberantes e rituais compulsivos primários e alheios à intencionalidade, indicando tratar-se de um distúrbio do psiquismo, e não uma condição psicológica, psicodinâmica. Tanto é assim que a abordagem psicoterápica, nesses casos, é bastante difícil, sendo melhor sucedida com a interferência medicamentosa.

Ato Voluntário

Jaspers acredita que somente as ações são voluntárias quando há possibilidades de escolha, de reflexão e de decisão. Caso não haja esse conjunto circunstancial o ato será impulsivo, isto é, será mera descarga motora, sem direção e sem conteúdo, ou será ainda instintivo, sem considerações conscientes, embora dotadas de finalidade . Para se formar uma ideia geral do verdadeiro processo volitivo (da vontade), temos que delimitar e identificar quatro etapas:

1. intenção ou propósito, fase onde se esboçam as inclinações ou tendências de ação, geralmente vivenciadas sob a forma de algum interesse e, normalmente, polarizando nossa atenção sobre determinado objeto;
2. deliberação, etapa que corresponde à ponderação consciente dos motivos mencionados acima, analisando-se o que será favorável ou desfavorável (apreciação), levando forçosamente a uma opção, isto é, a fazer ou deixar de fazer;
3. decisão, momento culminante do processo volitivo, instante que demarca o começo da ação, resultado da vantagem consciente dos motivos favoráveis;
4. execução, quando surgem as atitudes necessárias à consumação dos propósitos, dependente da performance da pessoa sob o ponto de vista global e sua capacitação à eficácia da ação.

Para a execução do ato voluntário exige-se um certo grau de consciência e de reflexão sobre finalidades, entretanto, a maior parte dos atos que executamos na vida diária são relativamente automáticos. Para a atividade voluntária cotidiana fazem parte uma série reflexos automáticos e instintivos os quais, na prática, não podem ser bem diferenciados. A freqüente repetição de atitudes voluntárias acaba por transformar atos volitivos em atos automáticos, portanto, todos atos automáticos foram antes atos volitivos.

Algumas alterações do caráter comprometem a autonomia volitiva (da vontade, da voluntariedade), como aqueles traços encontrados nos dependentes químicos, nos jogadores compulsivos, nos portadores de Transtornos do Controle dos Impulsos, etc.

Veja mais sobre Alterações da Atividade Voluntária em Psicopatologia

 

Atraso Cultural (Dissonância)

Atraso Cultural pode ser entendido como a persistência de um costume ou norma cultural para além do tempo de sua contribuição funcional para aquela dada sociedade ou cultura podendo gerar conflito com outros costumes ou normas mais contemporâneas.

Um exemplo de Atraso Cultural são os núcleos regionais onde a estrutura familiar rural serve como norma inflexível para todos, a despeito dos atuais aspectos da sociedade urbanizada. Também os papéis dos gêneros sexuais (masculino e feminino) tradicionais.

Ao invés de Atraso Cultural, talvez fosse mais adequado falar em Dissonância Cultural para esta discrepância entre práticas tradicionais e necessidades modemas. Esse fenômeno pode precipitar transtornos de ajustamento ou transtornos mais graves.

Autismo (sintoma)

É essencial diferenciar o Autismo, como sintoma psicótico, do Autismo Infantil, uma doença específica. O Autismo sintoma diz respeito ao tipo de relacionamento entre o sujeito e a realidade, entre o paciente e outras pessoas. No Autismo esta relação se deforma grotescamente e o doente se exclui da comunidade, ele se afasta da Concordância Cultural que deveria permear a vida gregária de um determinado sistema, portanto, podemos dizer que, de modo geral, o delírio tende ao autismo.

No Autismo o paciente experimenta sua representação da realidade sem se preocupar, de forma alguma, com outros pontos de vista, interesses e juízos. O paciente autista quase exclui o outro, ou quase se exclui dos outros, ele não sente necessidade de comprovar sua convicção diante da realidade, não se preocupa em fundamentá-la nem para si, nem para os demais.

Em casos de Esquizofrenia, o autismo, com a sua significação de perda do contato vital com a realidade, serve para explicar certos tipos de estereotipias, como a catatonia, por exemplo, ou as alterações da linguagem oral e escrita. Nesses casos pode ocorrer que os enfermos repitam, sem cessar, as palavras ou frases, em tom de voz monótono, em voz sussurrada ou aos gritos.

O autismo esquizofrênico, ainda, especialmente na esquizofrenia catatônica, o que costuma estar reduzida e até abolida, é a atenção espontânea. O indivíduo está preso no seu mundo interno, imerso na fragmentação mental e não consegue estabelecer vínculos sólidos com o meio nem consigo mesmo.

O mundo no qual vive o esquizofrênico nada tem a ver com o mundo real, e ele apresenta significados herméticos, inacessíveis a todos os demais. Esse estado é o que chamamos de Autismo. Assim, o Autismo sintoma caracteriza um novo mundo, próprio, que não obedece a nenhuma regra do mundo real e é justamente ele que torna o esquizofrênico uma pessoa completamente estranha aos demais, mesmo a seus familiares.

Autismo Infantil

O Transtorno Autista ou Autismo Infantil é uma doença (não mais apenas um sintoma, como é o Autismo). As características essenciais do Transtorno Autista são a presença de um desenvolvimento acentuadamente anormal ou prejudicado na interação social e na comunicação e um repertório marcantemente restrito de atividades e interesses. As manifestações do transtorno variam imensamente, dependendo do nível de desenvolvimento e idade cronológica do indivíduo.

O Transtorno Autista é chamado, ocasionalmente, de Autismo Infantil PrecoceAutismo da Infância ou Autismo de Kanner.  O prejuízo na interação social recíproca é amplo e persistente.  Pode haver um prejuízo marcante no uso de múltiplos comportamentos não-verbais (por exemplo o  contato visual direto, expressão facial, posturas e gestos corporais) que regulam a interação social e a comunicação. Há também um fracasso em desenvolver relacionamentos apropriados ao nível de desenvolvimento com seus pares, em diferentes formas, em diferentes idades.

Os indivíduos mais jovens podem demonstrar pouco ou nenhum interesse pelo estabelecimento de amizades; os mais velhos podem ter interesse por amizades, mas não compreendem as convenções da interação social. Pode ocorrer uma falta de busca espontânea pelo prazer compartilhado, interesses ou realizações com outras pessoas (por ex., não mostrar, trazer ou apontar para objetos que consideram interessantes).

Uma falta de reciprocidade social ou emocional pode estar presente (por ex., não participa ativamente de jogos ou brincadeiras sociais simples, preferindo atividades solitárias, ou envolve os outros em atividades apenas como instrumentos ou auxílios “mecânicos”).

Frequentemente, a conscientização da existência dos outros pelo indivíduo encontra-se bastante prejudicada. Os indivíduos com este transtorno podem ignorar as outras crianças (incluindo os irmãos), podem não ter ideia das necessidades dos outros, ou não perceber o sofrimento de outra pessoa.

O prejuízo na comunicação também é marcante e persistente, afetando as habilidades tanto verbais quanto não-verbais. Pode haver atraso ou falta total de desenvolvimento da linguagem falada. Em indivíduos que chegam a falar, pode existir um acentuado prejuízo na capacidade de iniciar ou manter uma conversação, um uso estereotipado e repetitivo da linguagem ou uma linguagem idiossincrática. Além disso, podem estar ausentes os jogos variados e espontâneos de faz-de-conta ou de imitação social apropriados ao nível de desenvolvimento.

Quando a fala chega a se desenvolver, o timbre, a entonação, a velocidade, o ritmo ou a ênfase podem ser anormais (por ex., o tom de voz pode ser monótono ou elevar-se de modo interrogativo ao final de frases afirmativas). As estruturas gramaticais são freqüentemente imaturas e incluem o uso estereotipado e repetitivo da linguagem (por ex., repetição de palavras ou frases, independentemente do significado; repetição de comerciais ou singles) ou uma linguagem metafórica (isto é, uma linguagem que apenas pode ser entendida claramente pelas pessoas familiarizadas com o estilo de comunicação do indivíduo). Uma perturbação na compreensão da linguagem pode ser evidenciada por uma incapacidade de entender perguntas, orientações ou piadas simples.

As brincadeiras imaginativas em geral estão ausentes ou apresentam prejuízo acentuado. Esses indivíduos também tendem a não se envolver nos jogos de imitação ou rotinas simples da infância, ou fazem-no fora de contexto ou de um modo mecânico.

Do CID.10 em diante descreveu-se o Autismo Atípico (F84.1). Esse transtorno desintegrativo do desenvolvimento se diferencia do autismo infantil típico, tanto pela idade de início quanto pelo fato de não preencher todos os critérios de diagnósticos.

Refere-se a um desenvolvimento anormal e prejudicado que se evidencia somente depois dos 3 anos de idade, faltando normalidades suficientemente demonstráveis em uma ou duas das três áreas da psicopatologia requeridas para o diagnóstico de autismo típico, como por exemplo:

1. interações sociais recíprocas anormais,
2. comunicação anormal e
3. comportamento restrito, estereotipado e repetitivo

Apesar de faltar anormalidades nas áreas supra-referidas, há anormalidades características em outras áreas.

O autismo atípico surge mais freqüentemente em indivíduos com deficiência mental profunda e em indivíduos com um grave transtorno específico do desenvolvimento, da recepção e da linguagem.

Veja Síndrome de Autismo Infantil em Transtornos do Desenvolvimento – CID.10
Veja Síndrome de Autismo em Transtornos Disruptivo – DSM.IV
Veja Síndrome de Autismo Infantil em PsiqWeb

 

Automatismo Mental (Sonorização do Pensamento)

Algumas vezes as vozes fabricadas pelas alucinações auditivas podem determinar ordens ao paciente, o qual as obedece mesmo contra sua vontade. Diante desta situação, de obediência compulsório às ordens ditadas por vozes alucinadas, chamamos de Automatismo Mental. Esta situação oferece alguma periculosidade, já que, quase sempre, as ordens proferidas são eticamente condenáveis ou socialmente desaconselháveis.

A Alucinação Auditiva é recebida pelo paciente com muita ansiedade e contrariedade pois, na maioria das vezes, o conteúdo de tais vozes é desabonador, acusatório, infame e caluniador. Quando a Alucinação Auditiva se traduz por vozes que ditam antecipadamente as atitudes do paciente falamos em Sonorização do Pensamento, como se ele pensasse em voz alta ou como se alguma voz estivesse permanentemente comentando todos seus atos: “lá vai ele lavar as mãos”, “lá vai ele ligar a televisão” e assim por diante. Alguns autores costumam entender o Automatismo Mental como sinônimo de Sonorização do Pensamento.

Veja Transtornos da Percepção em Psicopatologia

Automutilação

Automutilação é o dano permanente infligido por alguém a alguma parte do próprio corpo. É diferente da Auto-escoriação, onde o dano não é permanante.  A Automutilação pode ser parte de certas alterações psiquiátricas ou de síndromes tradicionais nas quais a pessoa obtém algum alívio através de autoflagelação, sem que isso seja aceito pela cultura.

Em algumas culturas, certas formas de Automutilação, sob certas condições, são acetáveis ou mesmo desejáveis (por exemplo, auto-flagelação, escarificações, rituais, laceração do couro cabeludo ou amputação de parte de um dedo em caso de morte de um membro da família).

Ainda culturalmente vários jovens do mundo todo estão aderindo à uma espécie de Automutilação chamada de Cutting, que é a prática de se fazerem marcas no próprio corpo com estiletes, giletes e afins. A modalidade já começa a despertar a atenção de educadores e comunidade médica, especialmente porque pesquisas recentes apontam um aumento do número de adolescentes adeptos de algum tipo de Automutilação. Entre as hipóteses psicológicas que explicariam a prática do Cutting, seria abusca de uma forma de estar no controle de sua própria dor.

Entretanto, na maioria dos casos, a Automutilação está ligada ao Transtorno de Personalidade Borderline, caracterizado pelo humor instável, baixa tolerância à frustração, histórico de relacionamentos complicados, medo de abandono e impulsividade prejudicial.

O Transtorno de Personalidade Borderline é o diagnóstico do DSM-IV mais freqüentemente associado à automutilação, que pode variar desde cortes superficiais até ferimentos graves resultando, inadvertidamente, em suicídio.

Felizmente a diminuição da Automutilação foi observada com o uso de uma substância neuroléptica (antipsicótica) chamada Risperidona. Na pesquisa, o desaparecimento desse sintoma foi completa em todos os casos, destacando-se que em um deles houve uma interrupção breve da medicação com reaparecimento do sintoma. Isso sugere que, assim como a resposta benéfica aparece precocemente no uso, provavelmente ainda dentro da primeira semana, também a reagudização é precoce quando ocorre a interrupção do tratamento.

Autonômicos (ou Autossômicos), Sintomas

Autonômicos ou Autossômicos são os sintomas produzidos pelo Sistema Nervoso Autônomo, ou Neurovegetativo, como se dizia antigamente. Frequentemente, esses sintomas aparecem nos quadros de ansiedade (simples, pânico, fobias…) como uma sensação desagradável de apreensão, acompanhada por: sudorese, tremores, náuseas, taquicardia, agitação psicomotora, vômitos, palpitações, desconforto abdominal, diarreia, tonturas, falta-de-ar, etc.

Autônomo, Sistema Nervoso

Existe, no organismo, um Sistema Nervoso Autônomo (SNA), responsável pelo gerenciamento de todas nossas vísceras, órgãos e glândulas. Esse SNA se equilibra em dois sub-sistemas: o Simpático e o Parassimpático. Enquanto o Sistema Simpático, do SNA, acelera tudo, faz subir a pressão, faz aumentar o batimento cardíaco, etc, o Sistema Parassimpático faz exatamente o contrário. Isso para haver um equilíbrio.

Em um susto, por exemplo, primeiro funciona o Simpático e em seguida é equilibrado pelo Parassimpático. O Estado de Desequilíbrio Neurovegetativo é uma antiga expressão que se refere a uma ruptura desse equilíbrio, normalmente devido ao estresse ou ansiedade muito intensa e duradoura. Passa, então a prevalecer ou os sintomas produzidos pelo Simpático ou do Parassimpático.

Autopsíquica (Orientação)

Os termos caracterizam se a orientação é em relação à própria pessoa (auto) ou a outros objetos (alo), tais como ao tempo e ao espaço. De regra, verifica-se a Orientação Autopsíquica e a Orientação Alopsíquica, através da entrevista com o paciente. Pode-se dizer que o paciente está bem orientado quanto a noção do eu, quando fornece ele próprio dados de sua identificação pessoal, revelando saber quem é, como se chama, que idade tem, qual sua nacionalidade, profissão, estado civil, etc. Este atributo da consciência lúcida chama-se Orientação Autopsíquica.

 A pessoa psiquicamente normal deve, além de identificar-se, ter noção de sua situação a qualquer momento, deve saber perfeitamente onde se encontra, o dia, o mês e o ano atuais e qual a sua situação em relação ao ambiente.

 A consciência humana deve ser plena e absolutamente lúcida para que se estabeleçam ligações eficientes entre o momento presente e o passado, estabelecendo-se a noção exata do tempo ou da época em que nos encontramos. Chama-se de Orientação Alopsíquica a orientação da pessoa em relação ao tempo e ao espaço.  A orientação no tempo e no espaço depende estritamente da percepção, da memória e da contínuo processamento psíquico dos acontecimentos.

 Veja Alterações da Orientação

Aversão Sexual

Aversão Sexual ou Evitação Sexual Fóbica é o sofrimento causado pela premente necessidade de evitação de oportunidades e de encontros sexuais com parceiros, devido a sensações de desagrado, de medo, de “nojo”, de repulsa e de perigo iminente. Também podem aparecer sinais de pânico, como náuseas, suor excessivo e falta de ar quando a pessoa tenta enfrentar esse medo, aproximando-se de seu parceiro.

Transtorno de Aversão Sexual pode ser classificado como um estágio agravado do Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo no DSM.IV.  Sua característica essencial é a aversão e esquiva ativa do contato sexual genital com um parceiro sexual. Para esse diagnóstico a perturbação (Aversão) deve causar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal. Caso contrário seria apenas uma recusa sexual, uma indiferença sexual, uma apatia sexual ou coisa assim.

O paciente com Transtorno de Aversão Sexual relata ansiedade, medo ou repulsa ao se defrontar com uma oportunidade sexual com um parceiro. A aversão ao contato genital pode concentrar-se em um determinado aspecto da experiência sexual (por ex., secreções genitais, penetração vaginal) ou, mais comumente, a um determinado(a) parceiro(a). Alguns indivíduos experimentam repulsa generalizada a quaisquer estímulos sexuais, inclusive beijos e toques. A intensidade da reação do indivíduo quando exposto aos estímulos aversivos pode variar desde uma ansiedade moderada e falta de prazer, até um extremo sofrimento psicológico.

Freqüentemente a Aversão Sexual acompanha os Transtornos do Desejo Sexual, onde se inclui a Frigidez ou Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo, além de estar presente também no Transtorno da Excitação Sexual Feminina e no Transtorno Orgásmico Feminino. A pessoa com Transtorno da Excitação Sexual Feminina pode ter pouca ou nenhuma sensação subjetiva de excitação sexual. Pelo DSM.IV, esse transtorno pode resultar em intercurso doloroso, esquiva sexual e perturbação de relacionamentos conjugais ou sexuais.

Veja mais sobre Desejo Sexual em Sexualidade

Autopsíquica e Alopsíquica, Orientação

Orientação é um estado psíquico funcional em virtude do qual temos consciência plena, em cada momento de nossa vida, da situação real em que nos encontramos.

É indubitável que a orientação depende, antes de mais nada, da integridade psíquica e do estado de consciência e, uma vez perturbada esta consciência, altera-se concomitantemente a orientação. A orientação mobiliza, em sua execução, fatores que muito cooperam em sua eficácia funcional e que envolvem o exercício de certas operações mentais, bem mais complexas do que se conhece.

De regra, verifica-se a orientação autopsíquica e a orientação alopsíquica, através da entrevista com o paciente. Pode-se dizer que o paciente está bem orientado quanto a noção do eu, quando fornece ele próprio dados de sua identificação pessoal, revelando saber quem é, como se chama, que idade tem, qual sua nacionalidade, profissão, estado civil, etc. Este atributo da consciência lúcida chama-se Orientação Autopsíquica.

Chama-se de Orientação Alopsíquica a orientação da pessoa em relação ao tempo e ao espaço. A orientação no tempo e no espaço depende estritamente da percepção, da memória e da contínuo processamento psíquico dos acontecimentos.

Balint, Síndrome de

Síndrome de Balint, ou Simultagnosia é uma alteração onde prevalesce a ataxia ótica e/ou apraxia oculomotora. No exame de imagens cerebrais, embora possa ser normal a imagem estrutural (anatômica), na imagem funcional (SPECT) encontra-se uma importante disfunção cortical posterior.

Simultagnosia é a incapacidade de perceber visualmente mais de um ou dois estímulos simultaneamente. Essa sintomatologia foi descrita por Balint en 1909 e caracteriza a síndrome com seu nome.

A Atrofia Cortical Posterior – ACP -, é uma síndrome de demenciação progressiva frequentemente causada pela Doença de Alzheimer. A Atrofia Cortical Posterior é rara, e poucos autores têm estudado a natureza das perturbações visuais dela decorrentes.

O fenômeno visual-cognitivo sintomático mais evidente é a incapacidade de leitura, caracterizada pela perda progressiva em juntar palavra, chamada então de Simultagnosia ventral. Há preservação da habilidade em apreender múltiplos estímulos, mas com inabilidade de interpretar a integração desses estímulos, de integrar a totalidade das cenas.

Cacofagia

A Cacofagia, é uma alteração do paladar e do apetite que acaba por induzir a pessoa a comer coisas repugnantes. Outros autores comsideram que os objetos da vontade de comer não necessitam ser apenas de coisas repuganantes, mas coisas que não sejam alimento. Como exemplo disso temos a chamada “pica“, que a vontade de comer coisas estranhas e que acomete predominantemente grávidas (p.ex., sabonete, tijolo, terra, etc).

Outro exemplo de Cacofagia é o ato de comer fezes, chamado de Coprofagia. As severas alterações da personalidade, como é a Deficiência Mental Severa pode produzir esse sintoma, assim como os casos de deterioração mental severa da Esquizofrenia crônica.