Dicionário

O Dicionário de termos psiquiátricos contém muitas palavras explicadas didaticamente.

Ablação

A primeira técnica consistente para a psicocirurgia foi desenvolvida pelo neurologista português Dr. Antônio Egas Moniz, e realizada pela primeira vez em 1935, com o seu colega, Almeida Lima. Moniz baseou sua operação no achado que tinha sido feito alguns anos antes, de que certos sintomas neuróticos induzidos em chimpanzés poderiam ser diminuídos cortando-se as fibras nervosas que conectam o córtex prefrontal com o resto do cérebro. Ele desenvolveu uma técnica chamada leucotomia ou lobotomia que consistia de cortar tratos de fibra entre o tálamo e os lobo frontal, usando uma faca especial chamada um leucótomo.

Os resultados de Moniz foram considerados tão bons, que a lobotomia começou a ser usada em vários países como uma tentativa de reduzir psicose e depressão severa ou comportamento violento em pacientes que não podiam ser tratados com qualquer outro meio (na ocasião, não havia muitos: o choque induzido por insulina e o choque eletroconvulsivo também estavam em seus estágios iniciais e os medicamentos ainda não estavam disponíveis). Assim, a lobotomia era empregada principalmente em pacientes institucionalizados que também mostravam agitação crônica ou angústia e comportamento obsessivo-impulsivo. Moniz foi premiado com o Nobel em 1949 por sua descoberta.

Abstinência

Abstinência é a abstenção do uso de droga ou, mais comumente, de bebidas alcoólicas. O indivíduo que pratica a abstinência é chamado de abstêmio, aquele que não bebe ou não usa drogas. Deve-se, no entanto, diferenciar abstêmio (que não bebe ou não usa drogas) de abstinente, que é a pessoa que não está, ATUALMENTE, bebendo ou que não está, ATUALMENTE, usando drogas.

A expressão “atualmente abstinente”, frequentemente usada em levantamentos populacionais, geralmente define uma pessoa que não ingeriu bebidas alcoólicas nos últimos 12 meses; esta definição não coincide necessariamente com a descrição que o próprio indivíduo faz de si como um abstêmio.

O termo “abstinência” não deve ser confundido com “síndrome de abstinência”.

Abulia

Por Hipobulia e Abulia entende-se, respectivamente, a diminuição e a total incapacidade do potencial volitivo.

Esse enfraquecimento da vontade pode ocorrer, fugazmente em indivíduos normais, em estados de fadiga ou em consequência de trauma emocional intenso. Nessa situação há lentidão concomitante das ações e dos movimentos (bradibulia e bradicinesia).

A debilidade da vontade é observada em todos os estados de depressão e de inibição. A Hipobulia pode ser permanente nas esquizofrenias e em oligofrênicos apáticos. O tipo mais característico de debilidade volitiva é encontrado na depressão, na qual a vontade está inibida em todo o período de duração do acesso. Em estados depressivos a Hipobulia é duradoura, onde surge junto com a baixa volição as típicas dificuldade de decisão.

Veja Hipobulia e Abulia em Alterações da Atividade Voluntária

Abuso de drogas

As classificações falam em Abuso de Substância, de modo genérico, especificando-se daí qual a substância abusada. A característica essencial do Abuso de Substância é um padrão mal-adaptativo de uso de substância, manifestado por consequências significativamente danosas e recorrentes relacionadas ao uso repetido da substância.

Em decorrência do abuso da substância pode haver um fracasso repetido em cumprir obrigações importantes, pode haver uso repetido em situações nas quais isto apresenta perigo físico, múltiplos problemas legais e problemas sociais e interpessoais recorrentes. Esses problemas devem acontecer de maneira recorrente (com recaídas), durante um período de 12 meses.

À diferença entre Dependência de Substância e Abuso de Substância, diz respeito à tolerância (aumento progressivo na quantidade consumida), abstinência (crise por falta da substância) ou um padrão de uso compulsivo, quando há dependência.

Embora um diagnóstico de Abuso de Substância seja mais provável em indivíduos que começaram recentemente a consumi-la, alguns indivíduos continuam por um longo período de tempo sofrendo as consequências sociais adversas relacionadas à substância, sem desenvolverem evidências de Dependência de Substância. A categoria Abuso de Substância não se aplica à nicotina e à cafeína.

O indivíduo pode repetidamente apresentar intoxicação ou outros sintomas relacionados à substância, quando deveria cumprir obrigações importantes relativas a seu papel no trabalho, na escola ou em casa. Pode haver repetidas ausências ou fraco desempenho no trabalho, relacionados a “ressacas” recorrentes. Um estudante pode ter ausências, suspensões ou expulsões da escola relacionadas à substância. Enquanto intoxicado, o indivíduo pode negligenciar os filhos ou os afazeres domésticos. A pessoa pode apresentar-se repetidamente intoxicada em situações nas quais isto representa perigo físico (por ex., ao dirigir um automóvel, operar máquinas ou em comportamentos recreativos arriscados, tais como nadar ou praticar montanhismo).

Podem ser observados problemas legais recorrentes relacionados à substância (por ex., detenções por conduta desordeira, agressão e espancamento, direção sob influência da substância). O indivíduo pode continuar utilizando a substância, apesar de uma história de consequências sociais ou interpessoais indesejáveis, persistentes ou recorrentes (por ex., conflito com o cônjuge ou divórcio, lutas corporais ou verbais).

ABUSO DE SUBSTÂNCIAS QUE NÃO PRODUZEM DEPENDÊNCIA (F55)
Definido como o uso repetido e inadequado de uma substância isenta de potencial de dependência, mas que se acompanha de efeitos físicos ou psicológicos nocivos ou envolve um contato desnecessário com profissionais da saúde (ou ambos). Esta categoria poderia ser mais apropriadamente chamada de “abuso de substâncias não psicoativas”.

Uma ampla variedade de medicamentos à venda sob prescrição médica ou de venda livre e de remédios populares e fitoterápicos pode estar envolvida. Os grupos particularmente importantes são:

a) drogas psicotrópicas que não produzem dependência, tais como os antidepressivos e neurolépticos;
b) laxativos (o uso inadequado dos mesmos é chamado de “hábito laxativo”);
c) analgésicos que podem ser comprados sem prescrição médica, tais como aspirina (ácido acetilsalicílico) e paracetamol (acetaminofem);
d) esteroides e outros hormônios;
e) vitaminas; e
f) antiácidos.

Embora estas substâncias não produzam, tipicamente, efeitos psíquicos agradáveis, as tentativas de desencorajar ou proibir o seu uso frequentemente encontram resistência. A despeito da forte motivação do paciente para tomar a substância, não há o desenvolvimento de síndrome de dependência nem de síndrome de abstinência. Estas substâncias não têm potencial de dependência no sentido de efeitos farmacológicos intrínsecos, mas são capazes de induzir dependência psicológica.

Abuso sexual

Abuso sexual infantil:
O abuso sexual é caracterizado pela investida sexual apesar do não consentimento da criança na relação com o adulto. Este tipo de abuso não necessita, obrigatoriamente, do coito mas pode ocorrer através da coerção ou com jogos de sedução afetiva perpetrados pelos adultos. As formas mais comuns de agressão sexual contra crianças relatadas por especialistas que trabalham com a psicoterapia nos casos de abuso são: as “carícias”, o contato com a genitália, a masturbação e a relação sexual vaginal, anal ou oral.

Abuso sexual intra-familiar:
Utiliza-se esta expressão para caracterizar o abuso sexual infantil que ocorre dentro do sistema familiar da criança. O agressor pode ser o pai, um irmão, um primo, ou seja: pessoas com relação de consanguinidade com a criança. Mas também é agressor intra-familiar um padrasto, um novo namorado da mãe da criança (que a criança conheça), um amigo muito íntimo da família, enfim: todos aqueles que mesmo sem nenhum grau de parentesco têm um certo convívio com a criança a ponto de travar com ela laços afetivos. O abuso sexual intra-familiar também pode ser chamado de relação de incesto.

Veja também Desejo Sexual e Parafilias

Acalásia

Acalásia é um transtorno esofágico neurológico que causa uma alteração do peristaltismo (movimento para conduzir o bolo alimentar) esofágico e o relaxamento do esfíncter esofágico inferior; em algumas ocasiões se denomina cardioespasmo. Parte de sua causa é desconhecida mas, em nosso meio a causa mais frequente é a Doença de Chagas.

O começo do transtorno é insidioso e progressivo, evoluindo gradualmente, durante meses ou anos. O sintoma principal é a disfagia a líquidos e sólidos. Alguns pacientes referem dor torácica, regurgitação ou tosse noturna. Num terço dos pacientes se produz regurgitação noturna da comida não digerida e pode dar lugar a aspiração pulmonar de alimentos. O afinamento do esôfago pode ser leve a moderado. Deve ser diferenciado da disfagia produzida por medicamentos neurolépticos ou outros bloqueadores de dopamina.

Acalculia

Acalculia é um déficit no domínio de habilidades básicas de cálculos (soma, divisão, subtração e multiplicação) ao invés de habilidades matemáticas mais abstratas envolvidas em álgebra, trigonometria, geometria ou cálculo. Tem como sinônimo Discalculia ou Transtornos Específicos das Habilidades Aritméticas.

Acatafasia

Acatafasia é um distúrbio onde há um desvio do discurso quanto à intencionalidade ideativa, como uma impossibilidade de falar ou escrever os pensamentos coerentemente. Pode ser chamado de Acatagrafia e Agramatismo

Acatisia

Acatisia é uma condição psicomotora onde o paciente sente uma grande dificuldade em permanecer parado, sentado ou imóvel.

A Acatisia como efeito colateral dos antipsicóticos, notadamente os incisivos (haloperidol, flufenazina e trifuoperidol) ocorre geralmente após o terceiro dia de uso da medicação. Clinicamente é caracterizado por inquietação psicomotora, desejo incontrolável de movimentar-se e sensação interna de tensão. O paciente assume uma postura típica de levantar-se a cada instante, andar de um lado para outro e, quando compelido a permanecer sentado, não para de mexer suas pernas. Há um movimento constante e continuado de mexer as pernas como se o paciente estivesse marchando sem sair do lugar.

A Acatisia não responde bem aos anticolinérgicos ou ansiolíticos e o clínico é obrigado a decidir entre a manutenção do tratamento com o antipsicótico com aquelas doses e o desconforto da sintomatologia da Acatisia. Com frequência é necessário a diminuição da dose ou mudança para outro tipo de antipsicótico. Quando isso acontece normalmente pode-se recorrer aos Antipsicóticos Atípicos.

Acetilcolina

Acetilcolina (AC) é um neurotransmissor relevante para a memória e outras funções centrais, bem como para o funcionamento neuromuscular em nível periférico. Existem dois tipos de receptores de AC, os receptores nicotínicos e muscarínicos. Os receptores nicotínicos se unem aos canais iônicos, são mais rápidos e geralmente excitatórios, são bloqueados pelo curare e se estimulam pela nicotina e acetilcolina.

Os receptores muscarínicos se unem à proteína G, são mais lentos, são excitatórios ou inibitórios, são bloqueados pela atropina e estimulados pela muscarina, pilocarpina e acetilcolina.

A concentração de AC está disminuída no cérebro dos pacientes com Doença de Alzheimer. Também podem estar implicados mecanismos da AC nos trastornos do humor ou do estado de ânimo.

A Acetilcolina foi o primeiro neurotransmissor descoberto. Ela se encontra nos neurônios motores da espinha dorsal, nos neurônios pré-ganglionares do Sistema Nervoso Autônomo (SNA) e nos neurônios pós-ganglionares do Sistema Nervoso Autônomo Parassimpático ou Vagal.

As vias colinérgicas se projetam desde os núcleos basais de Meynert, situados no globo pálido, ao córtex frontal e parietal, principalmente, e ao tálamo, amígdala e hipocampo.

Acidente Vascular Cerebral - AVC

Acidente Vascular Cerebral – AVC
Acidente Vascular Cerebral é também leigamente conhecido como Derrame ou simplesmente AVC. Trata-se de uma lesão do tecido cerebral produzido por falta de irrigação sanguínea. É uma importante causa de morte na velhice e também uma importante fonte de seqüelas. Pode ocorrer em qualquer idade, mas é muito mais freqüente em pessoas com mais de 65 anos. Em 80% dos casos são isquêmicos, isto é, são devidos a súbita falta de sangue em determinada região do cérebro, sem hemorragia.

Na isquemia cerebral ou acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) a causa básica é a arteriosclerose. O processo de arteriosclerose se caracteriza pelo estreitamento das artérias e a formação de placas nas mesmas (ateromas). Esta situação favorece o processo de falta de irrigação de sangue ao cérebro. Esta falta de irrigação pode ocorrer pelo entupimento brusco de uma artéria por um pedaço da placa que se desprendeu de um local mais distante (embolia) ou simplesmente pelo estreitamento da própria artéria (trombose). Há situações em que a falta de irrigação sangüínea ao cérebro se deve a queda brusca da pressão arterial (hipotensão) o que é agravada pelo estreitamento das artérias. Na pessoa portadora de doença cardíaca, como na fibrilação atrial por ex, há condições que também favorecem o deslocamento de placas ou êmbolos para o cérebro.

O AVCI se caracteriza por paralisia de membros de um lado do corpo (hemiplegia), podendo ocorrer distúrbios na fala e na compreensão (distúrbios da linguagem: ver Afasia). Dependendo do local lesado no cérebro pode haver vários tipos de manifestações, como dificuldade na deglutição, paralisias de músculos da face, dificuldade na movimentação dos olhos, etc. Pode também ocorrer convulsões. Lesões extensas ou em determinadas localizações pode desenvolver o estado de inconsciência.

Há situações em que a falta de sangue ao cérebro é transitória, durando poucos minutos e levando a sintomas também transitórios, como dificuldade de fala e paralisias, que regridem totalmente em poucas horas.

Esta situação caracteriza o AVCI Transitório que é um tipo comum de acidente vascular cerebral isquêmico aonde não chega a ocorrer uma lesão definitiva da célula nervosa. Este tipo de acidente transitório, entretanto, pode se tornar definitivo com lesão cerebral.

Nos casos em que há hemorragia, acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCH), a principal causa é a hipertensão arterial, que leva ao rompimento de pequenas artérias. Certas malformações de artérias como os aneurismas, situações em que há diminuição da coagulação como na leucemia, em certos tipos de tumores cerebrais ou durante o uso de drogas anticoagulantes pode também ocorrer a hemorragia cerebral.
O AVCH em geral é mais grave que o AVCI, ocorrendo com freqüência diminuição do nível da consciência e até o coma. Dependendo do local lesado podem ocorrer paralisias, distúrbios da fala, da visão, da deglutição, da memória, da marcha, etc. Como no AVCI também pode ocorrer crise convulsiva. O AVCH eventualmente pode determinar a formação de um coágulo ou hematoma dentro do cérebro que pode se confundir com um tumor cerebral.

A tomografia cerebral e/ou a ressonância nuclear magnética são os principais exames para o diagnóstico, localização e extensão da lesão. O exame do líquor deve ser feito em algumas ocasiões especiais, como para se excluir a possibilidade de processo infeccioso do sistema nervoso (encefalite). É freqüente a tomografia cerebral se apresentar normal logo no inicio da doença, principalmente no AVCI, mostrando-se alterada somente horas ou dias após o inicio dos sintomas.

A prevenção do AVC é a principal arma contra a doença. A identificação dos fatores de risco para as doenças vasculares e o seu controle diminuíram muito o numero de casos de derrame cerebral. O controle das doenças cardiovasculares, da hipertensão arterial, e de distúrbios metabólicos como o diabetes, são fundamentais na profilaxia da doença. O tabagismo é um importante fator de risco que também deve ser eliminado. A atividade física regular sempre deve ser estimulada.

Não se conhece medicamento eficiente para o tratamento da fase aguda do acidente vascular cerebral. Recentemente foram desenvolvidos estudos com medicamentos vasodilatadores cerebrais
(bloqueadores de cálcio) que apresentam algum beneficio na fase aguda da doença, principalmente no AVCH. A principal droga, utilizada como preventiva do AVCI, é a aspirina. A sua principal indicação ocorre naquelas situações que caracterizam o AVCI Transitório.
Medicamentos denominados vasodilatadores cerebrais são substâncias que provocam uma melhora no fluxo de sangue levando benefícios aos órgãos irrigados. Teoricamente melhorariam o fluxo sangüíneo para o cérebro provocando uma melhoria na função cerebral. Mas na prática não é o que se observa. Não se conhece substância até o momento capaz de reverter o processo isquêmico que ocorre no AVCI, ou de melhorar o rendimento intelectual, ou a memória, ou mesmo reverter um processo de demência.

A identificação de placas de ateromas é importante na avaliação de riscos de AVC. O ateroma em geral ocorre nas artérias carótidas ao nível de suas origens (pescoço) e também nas artérias vertebrais. O exame clínico pode indicar um estreitamento arterial devido a uma placa de ateroma através da ausculta de um sopro ao nível do pescoço. A avaliação precisa da lesão é feita através da Angiografia, podendo também ser utilizada a Ultra-sonografia (Eco-Doppler) que tem menor precisão mas é menos agressiva. Em algumas situações muito especiais, como aquela em que há estreitamento importante (superior a 50% da luz da artéria) e o paciente apresentou manifestação neurológica transitória, está indicada o tratamento cirúrgico da artéria para a retirada da placa: endarterectomia. Nas obstruções arteriais sem sintomas a indicação cirúrgica é discutível.
No AVCH com presença de coágulo ou hematoma dentro do tecido cerebral e que se comporta como um tumor, está indicado o tratamento cirúrgico para sua remoção.

A ponte cerebral, isto é, o enxerto de veia com o intuito de revascularizar o cérebro que apresenta insuficiência circulatória (técnica semelhante à revascularização do coração ou ponte de safena) não teve o sucesso esperado e atualmente não está sendo mais realizada.

Ácido Desoxirribonucleico Ribonuclêico - DNA

Acido Desoxi-Ribonucleico – DNA
O Ácido Desoxi-Ribonucleico, conhecido pelas iniciais ADN ou, em inglês, Deoxyribonucleic acid (DNA), é o responsável pela divisão e reprodução celular. O DNA se localiza nos cromossomos, dentro do núcleo da célula. Ele é composto por substâncias menores, os quatro nucleotídeos – adenina, guanina, citosina e timina. Tem a forma de uma escada retorcida, como uma fita enrolada, helicoidal, que se divide no meio no momento de se reproduzir, fazendo com que características de uma geração sejam transmitidas aos seus descendentes. O DNA é considerado o código da vida.

Todas as células de animais ou vegetais surgiram a partir de uma única célula inicial por um processo de divisão. Nos animais, o óvulo fecundado divide-se e forma duas células-filhas idênticas, cada uma das quais contém um jogo de cromossomos igual ao da célula mãe. Depois, cada uma das células-filhas volta a se dividir formando quatro, depois 8, 16, e assim por diante.

Essa fase da divisão celular é chamada de mitose, onde se duplica o número de cromossomos, ou seja, o número de moléculas de ADN. E cada um dos jogos de cromossomos duplicados constituirá o patrimônio genético de cada uma das duas células-filhas formadas.

Essa divisão de mitose vai até se formar todo o organismo. O Genoma Humano, que reúne todos os nossos genes, é formado por 23 pares de cromossomos. Desses, 22 pares são numerados pelos biólogos numa seqüência de tamanho, do mais largo até o menor. O par restante é o cromossomo sexual: 2 grandes cromossomos X para a mulher (XX), e 1 X e um pequeno Y para o homem (XY). O corpo humano tem mais ou menos 100 trilhões de células, a maioria com menos de um décimo de milímetro.

Dentro de cada célula há um núcleo, com 2 conjuntos de genoma humano. Um vem da mãe e o outro do pai, que se juntam na hora da concepção. Por isso, tanto o espermatozóide quanto o óvulo devem ter metade desses cromossomos, porque quando eles se juntam, metade de um com a metade de outro, germinam uma célula que conterá o número normal das demais células do organismo que se formará. Essa divisão especial, onde cada gameta (óvulo e espermatozóide) recebem apenas metade dos cromossomos chama-se meiose.

Atualmente o DNA tem estado mais em evidência devido aos testes de paternidade. Desde que começaram a ser realizados no Brasil, no início da década de 90, os testes de paternidade por exame de DNA têm sido encarados como uma resposta infalível para uma eterna dúvida: quem é o pai da criança?
O teste é realmente um instrumento de resultados assombrosos. Realizado com apuro técnico, atinge índices de acerto superiores a 99,99%, uma margem de erro de menos de um em cada 10.000 testes. Mas, infelizmente, nem todos os resultados merecem igual credibilidade.

 

Acido Nicotínico, Niacina ou Vitamina B3

Refere-se a dois compostos: acido nicotínico e nicotinamida. É um tipo de vitamina B que não possui grande capacidade de se armazenar no organismo, daí sua deficiência isolada ser mais fácil de ocorrer. Tem função no processo respiratório das células. Ocorre em inúmeros alimentos, principalmente carne, leite e ovos. Dieta à base de milho favorece a deficiência de niacina, mas o alcoolismo é a sua principal causa. Sua deficiência gera a pelagra, doença caracterizada por manifestações cutâneas (manchas escuras em áreas expostas à luz), diarréia, emagrecimento e irritabilidade. Ocorre lesões nos cantos da boca e na língua. Nas formas graves ocorre quadro de demência, podendo surgir crises convulsivas e alucinações. A maiorias dos produtos vitamínicos comerciais só contem a nicotinamida. Em doses elevadas contribui no tratamento do aumento de gorduras no sangue (triglicerídeos e colesterol). Durante algum tempo a niacina foi tentada no tratamento de certos distúrbios psiquiátricos, como a esquizofrenia, mas sem resultados positivos. Altas doses da niacina podem provocar vasodilatação e dores abdominais.

Acrodinia

Acrodinia é um distúrbio infantil caracterizado por transtornos do caráter, apatia, agitação, agressividade, manifestações neurovegetativas, e alterações neuro-anatômicas das extremidades (dores, hipersensibilidade, erupções avermelhadas com descamação e pigmentação parda) É conhecido também como Doença de Selter-Swift-Feer, ou Trofodermatoneurose.

Acromatopsia

Acromatopsia é a incapacidad de distinguir cores apesar de haver integridade das células pigmentadas da retina. O distúrbio da percepção de cores está prejudicada por defeito primário na fisiologia dos cones retinianos.

As características principais da Acromatopsia podem ser:
– ausência de função dos cones
– percepção de intensidades luminosas diferenças
– deslumbramento acentuado (glare)

Aculturação

Aculturação é o processo de mudança de cultura e seus efeitos, quer em um indivíduo quer em grupo, conseqüente do contato contínuo entre pessoas culturalmente distintas. Grupos em contato um com o outro freqüentemente compartilham aspectos de sua cultura, mas o menor ou o mais fraco destes grupos adota mais aspectos da cultura dominante do que a cultura dominante dos grupos mais fracos e menores.

Adaptação (Ajustamento) - Transtorno de

– A característica essencial de um Transtorno de Ajustamento (no DSM.IV) é o desenvolvimento de sintomas emocionais ou comportamentais significativos em resposta a um ou mais estressores psicossociais identificáveis. Os sintomas devem desenvolver-se dentro de um período de 3 meses após o início do estressor ou estressores.

A importância clínica da reação é indicada por um acentuado sofrimento, que excede o que seria esperado, dada a natureza do estressor, ou por um prejuízo significativo no funcionamento social ou profissional (ou acadêmico). O diagnóstico de Transtorno de Ajustamento também não se aplica quando os sintomas representam Luto.

Por definição, um Transtorno de Ajustamento deve resolver-se dentro de 6 meses após o término do estressor (ou de suas conseqüências). Entretanto, os sintomas podem persistir por um período prolongado (isto é, mais de 6 meses), se ocorrem em resposta a um estressor crônico (por ex., uma condição médica geral debilitante e crônica) ou a um estressor de conseqüências prolongadas (por ex., dificuldades emocionais ou financeiras resultantes de um divórcio).

Transtorno de Adaptação é um Estado de sofrimento e de perturbação emocional, de sintomatologia ansiosa e/ou depressiva que necessita, para seu desencadeamento, de um acontecimento particularmente estressante, ou uma alteração particularmente marcante na vida do sujeito, que comporta conseqüências desagradáveis e duradouras e levam a um transtorno de adaptação.

O Estado de sofrimento e de perturbação emocional subjetivos, que entravam usualmente o funcionamento e o desempenho sociais, ocorrendo durante um período de adaptação a uma mudança existencial importante ou a um acontecimento estressante.

O fator de “stress” pode afetar a integridade do ambiente social do sujeito (luto, experiências de separação) ou seu sistema global de suporte social e de valor social (imigração, estado de refugiado); ou ainda representado por uma etapa da vida ou por uma crise do desenvolvimento (escolarização, nascimento de um filho, derrota em atingir um objetivo pessoal importante, aposentadoria).

A predisposição e a vulnerabilidade individuais desempenham um papel importante na ocorrência e na sintomatologia de um transtorno de adaptação; admite-se, contudo, que o transtorno não teria ocorrido na ausência do fator de “stress” considerado.

 

Adicção

Adicção é um neologismo inadequado originado da má tradução do inglês ou espanhol, mas, de qualquer forma, acabou fazendo parte da linguagem técnica psiquiátrica quando se refere à dependência. Assim sendo, adicção e dependência tornaram-se sinônimo.
A maioria das definições de adicção a drogas ou dependência de substâncias inclui descrições do tipo “indivíduo completamente dominado pelo uso de uma droga (uso compulsivo)” e vários sintomas ou critérios que refletem a perda de controle sobre o consumo de drogas.
As pesquisas, hoje em dia, caminham através da Psiquiatria e da Psicologia Experimental, juntamente com a Neurobiologia. Todas essas áreas se esforçam para identificar os elementos emocionais e biológicos que contribuem para alterar o equilíbrio do prazer (homeostase hedonista), alterações esta que dá origem àquilo que se conhece como drogadicção (droga-adicção). A palavra “adicção”, em português, é um neologismo técnico que quer dizer, de fato, “drogadicção”.
O tema “drogas” é muito complexo, multidimensional e tem atraído a atenção da maioria dos países. Nas últimas duas décadas, importantes avanços nas ciências do comportamento e nas neurociências vieram contribuir para um melhor entendimento na questão do abuso de drogas e da drogadicção (droga-adicção).
A neurociência tem identificando circuitos neuronais envolvidos em todos tipos de abusos conhecidos, assinalando regiões cerebrais, neuroreceptores, neurotransmissores e as vias neurológicas comuns afetadas pelas drogas. Também têm sido identificados os principais receptores das drogas suscetíveis de abuso, assim como todas as ligações naturais da maior parte desses receptores.
Neurologicamente a drogadicção deve ser considerada uma doença. Ela está ligada a alterações na estrutura e funções cerebrais, e isso torna a drogadicção fundamentalmente uma doença cerebral. Inicialmente, o uso de drogas é um comportamento voluntário mas, com o uso prolongado um “interruptor” no cérebro parece ligar-se, e quando o “interruptor” é ligado, o indivíduo entra em estado de dependência química caracterizado pela busca e consumo compulsivo da droga.

Adenosina

Adenosina é um neuromodulador potente que atua sobre duas subfamilias de neuroreceptores: o receptor A1, que inibe a enzima adenilato-ciclase mediante Gi, e o receptor A2, que estimula a adenilato-ciclase mediante GS.

No Sistema Nervoso Autônomo a Adenosina também tem papel preponderante. O subsistema nervoso autônomo tipo Simpático se origina nos neurônios hipotalâmicos, passa para a coluna de células intermediolaterais da medula espinhal e faz sinapses, prosseguindo para o gânglio cervical superior. Aqui os nervos Simpáticos novamente fazem sinapse e dão origem às fibras que inervam os vasos intracranianos. Este sistema contém os transmissores noradrenalina, neuropeptídeo Y (NPY) e possivelmente trifosfato de adenosina (ATP), tendo ação vasoconstritora.

A Adenosina tem propiedades neuroprotetoras e anticonvulsivas, modulando o acúmulo de inositol fosfato (IP) no tecido cerebral produzido por outras substâncias como noradrenalina e histamina.

A Adenosina Deaminase (ADA)-enzima conversora da Adenosina em inosina – é uma enzima envolvida no metabolismo das purinas. Está distribuída em todo organismo apresentando um papel importante no sistema imune, possui alta atividade nos linfócitos T e macrófagos.

Entre as doenças humanas para as quais se tenta a terapia gênica, está a síndrome da imunodeficiência combinada (SCID), forma rara e letal de disfunção do sistema imunológico que torna o portador suscetível a qualquer forma de infecção. Esse distúrbio é causado pela falta de uma enzima, a adenosina-deaminase (ADA), conversora da Adenosina em inosina.

Adler - Alfred

A idéia de Alfred Adler sobre a inferioridade orgânica apareceu pela primeira vez em 1907, e tentava explicar por que a doença afeta as pessoas de formas diferentes. Ele sugeriu que em cada indivíduo certos órgãos são mais fracos que outros de algum modo, e isso tornaria a pessoa mais suscetível à doenças envolvendo tais órgãos mais frágeis.

Adler ampliou sua investigação sobre inferioridade orgânica para o estudo do sentimento psicológico de inferioridade. Ele criou o termo “complexo de inferioridade” e afirmava que todas as crianças são profundamente afetadas por um sentimento de inferioridade, conseqüência inevitável do tamanho da criança e de sua falta de poder.

Um forte sentimento de inferioridade, ou um complexo de inferioridade, impediria o crescimento e desenvolvimento positivos. Entretanto, sentimentos de inferioridade mais moderados podem motivar os indivíduos para realizações construtivas. Desde a mais tenra idade, a criança passa a perceber que existem outros seres humanos capazes de satisfazer completamente suas necessidades mais urgentes, melhor preparados para viver.

A criança aprende então a dar um valor excessivo ao tamanho, atributo que possibilita a pessoa abrir uma porta, ou à força, a qual habilita a transportar objetos pesados, ou ao direito de dar ordens e exigir obediência. Esses sentimentos despertam na criança um desejo de crescer, de ficar tão forte como os outros, ou mesmo mais forte ainda.
Veja mais sobre Adler na seção Personalidade, sub-seção Teorias da Personalidade

Adrenalina - Epinefrina

Adrenalina ou Epinefrina é um neurotransmissor, substância utilizada para a transmissão de estímulos entre neuronios. A neurotransmissão química é de fundamental importância para o mecanismo de diversas patologias e para a ação de fármacos e é a responsável pela conversão de energia elétrica para energia química entre um neurônio e outro na sinapse. A neurotransmissão, então, implica na necessidade de síntese do transmissor, de armazenamento, e de liberação.

O efeito do estímulo no nueroreceptor é então observado na alteração da membrana da célula pós-sináptica e nos eventos que disso decorrem, que é a transmissão do estímulo de um nmeurônio para outro. Dessa forma os neurotransmissores se acoplam aos neuro-receptores.

Atualmente os neuro-receptores vem sendo intensamente estudados. Cada neurotransmissor pode atuar sobre diversos subtipos de receptores de uma mesma categoria e o subgrupo de receptores descritos é crescente na literatura.

A Adrenalina ou Epinefrina e a Noradrenalina ou Norepinefrina são neurotransmissores metabolizadas em produtos biologicamente inativos por oxidação (catabolizada pela mono-amino-oxidase – MAO) e metilação (catabolizada pela catecol-O-metiltransferase – COMT).

MAO localiza-se na superfície externa das mitocôndrias e encontra-se em altas concentrações nas terminações dos nervos que secretam norepinefrina. COMT tambem encontra-se distribuída em grandes quantidades nas terminações nervosas e no fígado e rins. COMT cataboliza principalmente a norepinefrina circulante a nível hepático.

Nas terminações nervosas, a norepinefrina é inicilamente inativada pela ação da MAO, em compostos inativos que entram na circulação e são posteriormente metabolizados no fígado pela COMT.

Recaptação de norepinefrina da fenda sináptica é o principal mecanismo de remoção deste transmissor. Epinefrina e Norepinefrina atuam nos receptores alfa e beta, porem a norepinefrina tem maior afinidade pelos alfa e a epinefrina pelos beta.

Tem mais detalhes sobre esse tema neste glossário em Catecolaminas

Afasia (de Broca)

A afasia é um distúrbio da linguagem que ocorre com freqüência nas doenças vasculares cerebrais, principalmente no acidente vascular do tipo o isquêmico (AVCI). A linguagem é a forma de expressão das pessoas e se dá através da fala, da escrita e dos gestos. O cérebro possui um que é formado durante a vida e que por meio de complexos mecanismos traduz as palavras em todas as formas de expressão. A compreensão faz parte evidentemente, deste processo. A linguagem é processada no hemisfério cerebral esquerdo das pessoas destras em determinados locais bem conhecidos pelos neurofisiologistas.Distúrbios ocorridos nestas regiões produzem a afasia ou a disfasia que se caracteriza pela dificuldade em falar.

Dependendo do local afetado a fala pode permanecer conservada mas se torna absolutamente incoerente e sem sentido. Outras vezes ocorre completa falta de compreensão estando a fala preservada, fluente, mas desconexa. Tais distúrbios ocorrem principalmente nos acidentes vasculares cerebrais podendo ser transitórios.

Tumores cerebrais também podem produzir afasia. Pode ocorrer também situação em que há prejuízo de ambas, da fala e da compreensão. Freqüentemente há também prejuízo da linguagem escrita. Algumas vezes ocorre uma dificuldade ou incapacidade de executar movimentos anteriormente aprendidos (como o gesto de se bater continência ou de fazer “o nome do padre”) apesar de não haver qualquer paralisia. Este distúrbio denomina-se apraxia. Cada tipo de distúrbio significa uma determinada localização da lesão cerebral. A afasia raramente está isolada sendo freqüentemente acompanhada de outros sintomas neurológicos como paralisias ou alterações visuais.

O distúrbio pode ser transitório, que ocorre no acidente vascular cerebral transitório, durando horas ou dias, e que regride espontaneamente. Outras vezes é definitivo, necessitando de cuidados especiais (exercícios foniátricos). A correção destes distúrbios é feito através de exercícios especializados sob orientação de profissional especializado.

Afasia de Broca é uma Afasia na qual o paciente, embora sabendo o que deseja falar ou expressar, vê-se impossibilitado de fazê-lo devido à lesão dos centros neurológicos necessários à coordenação dos movimentos responsáveis pela emissão daqueles sons adequados para esta cominicação.

Afetividade

Afetividade é o atributo psíquico que dá o valor e Representa a realidade. Essa Afetividade também é capaz de Representar um ambiente cheio de gente como se fosse ameaçador, é capaz de nos fazer imaginar que pode existir uma cobra dentro do quarto ou ainda, é capaz de produzir pânico ao nos fazer imaginar que podemos morrer de repente.

A Afetividade valoriza tudo em nossa vida, tudo aquilo que está fora de nós, como os fatos e acontecimentos, bem como aquilo que está dentro de nós (causas subjetivas), como nossos medos, nossos conflitos, nossos anseios, etc. A Afetividade valoriza também os fatos e acontecimentos de nosso passado e nossas perspectivas futuras.

O melhor exemplo que podemos referir para entender a Afetividade é compará-la à óculos através dos quais vemos o mundo. São esses hipotéticos óculos que nos fazem enxergar nossa realidade desse ou daquele jeito. Se esses óculos não estiverem certos podemos enxergar as coisas maiores ou menores do que são, mais coloridas ou mais cinzentas, mais distorcidas ou fora de foco. Tratar da Afetividade significa regular os óculos através dos quais vemos nosso mundo.

Porque uma pessoa portadora de Síndrome do Pânico pensa que pode morrer ou passar mal de repente?
Porque ela acha que sofre do coração, ou está prestes a ter algum derrame, ou que está tão descontrolada ao ponto de perder o controle. Ora, nada disso faz parte da realidade objetiva e concreta.

Trata-se de um juízo pessimista, uma avaliação negativa que a pessoa faz de si mesma, ou seja, trata-se de uma Afetividade que representa negativamente para a própria pessoa o seu próprio eu. Se a pessoa está se vendo pior do que é de fato, então afetivamente não está bem.

A Depressão típica, por sua vez, também faz com que a pessoa se sinta e se ache pior do que realmente é.
Isso produz insegurança e rebaixa a auto-estima.
Novamente aqui a Afetividade representa negativamente a pessoa para si mesma. A avaliação negativa de si mesmo, achar que a vida não vale a pena, que a realidade é sofrível, sentir medo exagerado, achar-se doente e toda sorte de pensamentos ruins resultam do Afeto alterado.

Afonia

Afonia é a perda ou diminuição da parte sonora da voz com preservação da articulação vocal (o paciente pode sussurrar) devido a causas locais da laringe, faringe ou cordas vocais, podendo ainda ser ocasionada por fatores emocionais.

Agitação Psicomotora

Agitação psicomotora é uma atividade motora excessiva e associada à tensão emocional, geralmente improdutiva e repetitiva. Em alguns casos, são acompanhadas de gritos e lamentos. Normalmente há incapacidade para permanecer sentado, compulsão em mexer muito as mãos, etc. Os estados de agitação psicomotora são comuns em crianças e adolescentes portadores de distúrbio neurológico ou submetidas a situação de estresse onde se sentem pressionados e solicitados além da sua capacidade de resposta. A agitação psicomotora é um forte indício de alteração emocional, e se constitui, quase sempre, em comportamentos diferentes à padronização da comunidade.

Nos quadros de Mania Típica, uma das fases do Transtorno Afetivo Bipolar e que se caracterizam por humor eufórico ou irritável, verborragia, fuga de idéias, comportamento social desinibido, dificuldades de concentração, desatenção, aumento da atividade, necessidade diminuída de sono, a agitação psicomotora costuma estar sempre presente em graus variados.

Agnosia

Agnosia é a incapacidade de transformar as sensações simples em percepções propriamente ditas. A pessoa é incapaz de perceber características da forma e da natureza dos objetos, embora suas funções sensoriais estejam intactas. Normalmente esse transtorno deve-se à lesões cerebrais localizadas.

A síntese das sensações de forma a constituir percepções conscientes dá-se nas zonas corticais do SNC. A anestesia, surdez ou cegueira podem resultar da lesão de um órgão sensorial periférico, do nervo aferente ou da zona cortical do SNC onde se projetam essas sensações determinando o desaparecimento delas.

Nos casos onde estão conservadas a integridade das vias nervosas aferentes e existem lesões corticais na vizinhança da área de projeção, nas chamadas áreas para-sensoriais, mantém-se a integridade das sensações elementares, porém, há alteração do ato perceptivo. Nesses casos, fala-se de Agnosia.

Assim sendo, Agnosia não é uma alteração exclusiva das sensações nem exclusiva da capacidade central de perceber objetos externos, mas uma alteração intermediária entre as sensações e a percepção. Em alguns casos, observa-se a perda da intensidade e da extensão das sensações, permanecendo inalteradas as sensações elementares, em outros há integridade e extensão, mas perda da capacidade de reconhecimento dos objetos.

Agorafobia

Agorafobia é um medo irracional (fóbico) de sair de casa, de lugares cheios de gente, de locais de onde sair rapidamente pode ser difícil. Os sintomas são muito parecidos com aqueles do Pânico. Esse transtorno foi descrito por Westphal em 1872, enfatizando o medo mórbido de lugares grandes e abertos.

A característica essencial da Agorafobia é uma Ansiedade que aparece quando a pessoa se encontra em locais ou situações das quais sair dali (escapar) poderia ser difícil ou embaraçoso ou, na maioria das vezes, em situações nas quais um auxílio imediato pode ser difícil, caso a pessoa venha a passar mal.

A Ansiedade agorafóbica pode ser, inclusive, antecipatória, ou seja, aparecer diante da simples possibilidade de ter que participar de determinadas situações. Essa Ansiedade antecipatória pode levar ao afastamento (fuga) dessas situações, presumivelmente causadoras de Ansiedade.

Tais situações podem incluir:

  1. a) – estar sozinho fora de casa ou estar sozinho em casa;
  2. b) – estar em meio a uma multidão;
  3. c) – viajar de automóvel, ônibus ou avião, ou estar em uma ponte ou elevador.

 

Veja em Ansiedade (Agorafobia)

Agramatismo

O Agramatismo (ou Acatafasia) é uma evolução freqüente da Afasia e reflete uma importante redução da linguagem. Trata-se de um desvio do discurso quanto à intencionalidade ideativa que se traduz pela impossibilidade de escrever os pensamentos coerentemente.

A utilização prevalente de substantivos, juntamente com o emprego sistemático de verbos no infinitivo e a supressão de pequenos instrumentos de linguagem (artigos, preposições…) determinam uma forma de expressão semelhante a uma linguagem primitiva (mim Tarzã, you Jane) ou de um estilo telegráfico, com uma linguagem econômica, reduzida, concreta, pobre, sem flexibilidade e sem possibilidade de abstração.

Agressão

O termo “Agressão” possui tantas conotações que, na realidade, seu significado foi perdido e diluído. Embora seja conveniente conceber a violência e a agressão como processos comportamentais, por não se tratarem de conceitos simples e unitários, também não poderão ser definidos como tal, permanecendo difíceis de serem analisados isoladamente de outras formas do comportamento motivado.

Guardando inúmeras exceções, a tendência a agressão e a violência poderão ser concebidas como traços de personalidade, como respostas aprendidas no ambiente, como reflexos estereotipados de determinados tipos de pessoas ou até como manifestações psicopatológicas. Em nosso caso particular, interessa tratar a violência e a agressão como eventuais conseqüências de processos biopsicológicos subjacentes.

A hostilidade, as ameaças, ataques ou outros comportamentos de uma pessoa contra a outra variam de acordo com valores e costumes, havendo várias maneiras de expressar a agressão nas diversas culturas. É impossível considerar a agressão no ser humano como um evento em si, emancipada das circunstâncias e contingências.

Primeiramente, devemos considerar a agressão a partir do agente agressor, depois, a partir do agente agredido e, finalmente, a partir de um observador ou terceiro. Não surpreenderá encontrarmos três representações diferentes de um mesmo evento.Do ponto de vista do agressor, deve-se considerar a intencionalidade dolosa do ato, ou seja, a tentativa intencional de um indivíduo em transmitir estímulos nocivos à outro. Para o agredido, deve-se considerar o sentimento de estar sendo agredido ou prejudicado e, quanto ao observador, deve-se considerar seus sentimentos críticos acerca da possibilidade de ter havido nocividade no ato em apreço, bem como sua intencionalidade (subjetiva) em promover a agressão.

Ajustamento (Adaptação) Transtorno de

A característica essencial de um Transtorno de Ajustamento é o desenvolvimento de sintomas emocionais ou comportamentais significativos em resposta a um ou mais estressores psicossociais identificáveis. Os sintomas devem desenvolver-se dentro de um período de 3 meses após o início do estressor ou estressores.

A importância clínica da reação é indicada por um acentuado sofrimento, que excede o que seria esperado, dada a natureza do estressor, ou por um prejuízo significativo no funcionamento social ou profissional (ou acadêmico). O diagnóstico de Transtorno de Ajustamento também não se aplica quando os sintomas representam Luto.

Por definição, um Transtorno de Ajustamento deve resolver-se dentro de 6 meses após o término do estressor (ou de suas conseqüências). Entretanto, os sintomas podem persistir por um período prolongado (isto é, mais de 6 meses), se ocorrem em resposta a um estressor crônico (por ex., uma condição médica geral debilitante e crônica) ou a um estressor de conseqüências prolongadas (por ex., dificuldades emocionais ou financeiras resultantes de um divórcio).

Transtorno de Adaptação é um estado de sofrimento e de perturbação emocional, de sintomatologia ansiosa e/ou depressiva que necessita, para seu desencadeamento, de um acontecimento particularmente estressante, ou uma alteração particularmente marcante na vida do sujeito, que comporta conseqüências desagradáveis e duradouras e levam a um transtorno de adaptação.

O Estado de sofrimento e de perturbação emocional subjetivos, que entravam usualmente o funcionamento e o desempenho sociais, ocorrendo durante um período de adaptação a uma mudança existencial importante ou a um acontecimento estressante.

O fator de “estresse” pode afetar a integridade do ambiente social do sujeito (luto, experiências de separação) ou seu sistema global de suporte social e de valor social (imigração, estado de refugiado); ou ainda representado por uma etapa da vida ou por uma crise do desenvolvimento (escolarização, nascimento de um filho, derrota em atingir um objetivo pessoal importante, aposentadoria).

A predisposição e a vulnerabilidade individuais desempenham um papel importante na ocorrência e na sintomatologia de um transtorno de adaptação; admite-se, contudo, que o transtorno não teria ocorrido na ausência do fator de “stress” considerado.

Alcoolismo

A utilização de bebida alcoólica regular deve ser vista com muito cuidado. O seu uso esporádico ou moderado não significa grande problema de saúde. O seu uso exagerado caracteriza o alcoolismo, uma grave doença que basicamente atinge o sistema nervoso, o sistema gastrintestinal, fígado e pâncreas, e o sistema cardiocirculatório. A principal característica do alcoolismo é a dependência, ocorrendo na terceira idade de maneira significativa.

Na dependência, a súbita retirada da bebida pode gerar graves distúrbios, caracterizados pelo quadro de “delírium tremens” (Síndrome de Abstinência). A Síndrome de Abstinência se caracteriza por estado de delírio com agitação, confusão, e alucinações. Além da dependência o alcoolismo pode se manifestar através de sua intoxicação e de suas complicações.

No idoso o álcool tende a atingir maiores concentrações no sangue mesmo com doses pequenas. Suas manifestações caracterizam dificuldade no andar, confusão e negligência consigo mesmo. Acentua a falta de memória. Pode haver mudança de humor, com excitação seguida de depressão e agressividade, podendo se confundir com demência. Facilita as quedas e ferimentos, e com freqüência há distúrbios como diarréia e incontinência urinária.

O alcoolismo na terceira idade fica agravado devido ao fato de ser ignorado por médicos e serviços de saúde pública que estão mais preocupados com o alcoolismo entre jovens. A intoxicação por álcool ocorre em geral em grandes alcoólatras. No alcoolismo crônico ocorrem repetidos episódios de intoxicação alcoólica.

O alcoolismo leva a pessoa ao isolamento social e a graves distúrbios familiares. As principais características do alcoólatra são a ingestão muito rápida da bebida, o hábito de beber só e cada vez maiores quantidades, a perda de apetite, e irritabilidade nos momentos em que não bebe.

São inúmeras as conseqüências medicas do alcoolismo. A demência e as neuropatias são suas principais manifestações neurológicas. Há o desenvolvimento de doença cardíaca (insuficiência, arritmias), doenças gastro-intestinais e hepáticas. Ocorre uma tendência a aumentar gorduras no sangue, exacerba crises de gota, e aumenta a susceptibilidade a infeções. Leva à impotência sexual.

Inúmeras deficiências vitamínicas são conseqüentes ao alcoolismo (ácido fólico, tiamina, etc). O câncer de boca, de faringe e de esôfago estão relacionados ao alcoolismo. Acentua os efeitos sedativos dos tranqüilizantes, de analgésicos e também de antialérgicos.

Talvez a principal conseqüência do alcoolismo para o idoso seja o acidente devido ao comportamento indevido, às quedas e principalmente aos acidentes de trânsito. O problema das quedas tem relevância na terceira idade . O alcoolismo é muito freqüente entre aqueles que praticam o suicídio e nas situações de intoxicações por drogas.

O alcoolismo com todas suas conseqüências e complicações é freqüente causa de morte na terceira idade, situando-se entre doenças cardíacas, derrames cerebrais e câncer. Na base do alcoolismo está o componente hereditário que predispõe à doença. Mas o peso de distúrbios psicológicos é sem duvida fundamental para o desenvolvimento da doença. São as frustrações, os medos, as ansiedades que levam ao uso do álcool como tranqüilizante.

Na terceira idade o medo da morte, a solidão, a ansiedade gerada pela sensação de dependência, a tristeza pelas perdas, a falta de adaptação à aposentadoria, as frustrações de mais variadas causas assumem grande importância sendo fatores que devem ser encarados com muito respeito e compreensão.

O tratamento não se limita à correção dos vários distúrbios orgânicos que acompanham o alcoolismo. A abordagem psicológica e a terapia ocupacional são armas eficientes no seu tratamento que deve sempre contar com a ativa participação dos familiares.

Alergia - Doença Psicossomática

Alergia é a intolerância do organismo para com determinados produtos físicos, químicos ou biológicos, aos quais reage-se de forma exagerada. Portanto, trata-se de uma reação anormal à uma ou mais substâncias aparentemente inocentes que, quando apreendidas pelo organismo (inaladas, ingeridas, ou por contato com a pele) causam irritabilidade. As substâncias capazes de desencadear a alergia são chamadas de Alérgenos.

Quando alérgenos são apreendidos pelo organismo, células brancas do sangue que produzem anticorpos (IgE) são ativadas. Estes anticorpos determinam a liberação de produtos químicos (mediadores) potentes como, por exemplo, a histamina, que acabam provocando os sintomas alérgicos típicos.

Trata-se a alergia, na realidade, de uma INTOLERÂNCIA do organismo à alguma circunstância externamente determinada. Isso pode perfeitamente servir de analogia, em psiquiatria, com nossas Reações Vivenciais Anormais, diante das vivências consideradas traumáticas (Veja Reações Vivenciais). Alguns alérgenos mais comuns são o pólen, a poeira, pelos de animais, penas, comidas, medicamentos, picadas de inseto, cosméticos.

Alexia

Existe a Alexia Agnósica, Alexia Afásica e Alexia Pura

Chama-se Alexia Agnósica uma espécie de transtorno na escrita (Afasia Gráfica, Agrafia) onde predomina a dificuldade de integração das percepções visuais e, assim sendo, a Alexia Agnósica corresponde a uma dificuldade maior para a identificação das palavras (compreensão global) do que para a identificação de letras isoladas.

A leitura tende a ser literal ou escondida. O indivíduo utiliza o dedo para a identificação das letras e a identificação das palavras soletradas é satisfatória. Nesses pacientes a cópia é imperfeita, ainda que a escrita espontânea ou ditada seja satisfatória. A alexia agnósica está freqüentemente associada a outras manifestações de agnosia visual, notadamente a agnosia para as cores.

Alexia Afásica – É quando está prejudicada a utilização de mensagens em função de seu valor simbólico em termos de linguagem. A Alexia Afásica determina uma maior dificuldade para o entendimento de letras do que de palavras, estas dotadas de uma significação que facilita sua identificação.

A leitura é global e os erros resultam de uma interpretação falsa da forma geral da palavra. Para o aléxico afásico a divisão em sílabas é difícil e a escrita espontânea e ditada apresenta os caracteres de uma agrafia afásica. A cópia é possível, porém o paciente apresenta dificuldade em reler.

Alexia Pura

A Alexia Pura se caracteriza por uma perda eletiva de identificação da linguagem escrita, na ausência de qualquer outra forma de Afasia. As características gerais são as mesmas de uma Alexia Agnósica e ocorrem, quase sempre, manifestações associadas de Agnosia Visual, principalmente agnosia para cores e para formas geométricas. A lesão responsável se localiza no giro lingual e no giro fusiforme do hemisfério dominante, mas atinge também o esplênio do corpo caloso.

Algomania

Algomania é a tendência mórbida em procurar sensações dolorosas, distinguindo-se do masoquismo pela falta do componente erótico.

Alienação

Alienação é uma condição caracterizada pela perda de relacionamentos significativos com outros, com a sociedade ou com a cultura. Este termo, também usado num sentido socioeconômico, passou a substituir o antigo conceito de loucura. Portanto, alienação e loucura são termos que se correspondem. O mesmo não acontece com os termos alienação e desrazão.

Problemas sociais de aculturação e socialização, juntamente com o desenvolvimento emocional individual problemático pode produzir ou exacerbar perturbações psicopatológicas que promovem a desrazão, tais como a despersonalização, comportamento dissociativo e/ou histérico, mas isso não é alienação (loucura) na acepção essencial do termo.

Tem-se falado muito na Alienação da Adolescência. Trata-se de um desenvolvimento de antipatia ou até mesmo hostilidade à sociedade e/ou à cultura que acontece durante a adolescência. Este fenômeno pode estar associado a alterações psicopatológicas, mas pode também acompanhar mudanças sociais importantes.

 

A alienação durante a adolescência pode resultar em problemas psicossociais epidêmicos, como, por exemplo, o abuso de álcool e drogas, delinqüência, depressão, conflitos familiares, gravidez precoce e fora do casamento, abandono escolar vandalismo e suicídio.

Alopsíquica (Orientação)

Os termos caracterizam se a orientação é em relação à própria pessoa (auto) ou a outros objetos (alo), tais como ao tempo e ao espaço. De regra, verifica-se a Orientação Autopsíquica e a Orientação Alopsíquica, através da entrevista com o paciente. Pode-se dizer que o paciente está bem orientado quanto a noção do eu, quando fornece ele próprio dados de sua identificação pessoal, revelando saber quem é, como se chama, que idade tem, qual sua nacionalidade, profissão, estado civil, etc. Este atributo da consciência lúcida chama-se Orientação Autopsíquica.

A pessoa psiquicamente normal deve, além de identificar-se, ter noção de sua situação a qualquer momento, deve saber perfeitamente onde se encontra, o dia, o mês e o ano atuais e qual a sua situação em relação ao ambiente.

A consciência humana deve ser plena e absolutamente lúcida para que se estabeleçam ligações eficientes entre o momento presente e o passado, estabelecendo-se a noção exata do tempo ou da época em que nos encontramos. Chama-se de Orientação Alopsíquica a orientação da pessoa em relação ao tempo e ao espaço. A orientação no tempo e no espaço depende estritamente da percepção, da memória e da contínuo processamento psíquico dos acontecimentos.

Alteração do comportamento

Entende-se “alteração” como uma modificação acentuada de determinadas manifestações comportamentais, modificações estas, acima da faixa etária e sócio-cultural considerada normal na grande maioria das pessoas. Na alteração comportamental não estão implicados déficits cognitivos, distúrbios orgânicos ou mentais. O que acontece é que a pessoa passa a ter alguma dificuldade em lidar com os fatos de seu ambiente psicossocial e, como mecanismo de defesa, faz investidas em atos violentos e anti-sociais ou, ao contrário, se contrai emocionalmente, podendo chegar ao isolamento e à depressão. Nos casos de alterações comportamentais, a psicoterapia tem sido muito eficiente.

Alterações da Personalidade

As Alterações Permanentes da Personalidade estão definidas como um transtorno da personalidade e do comportamento adulto que se desenvolve após estresse catastrófico ou excessivamente prolongado, ou após várias doenças psiquiátricas graves num indivíduo sem transtorno de personalidade prévia.

Há uma mudança definitiva e permanente no padrão individual de perceber, relacionar-se com o mundo e consigo próprio. A mudança de personalidade é associada com comportamento inflexível e mal-adaptativo que não estava presente antes da experiência patogênica e não é uma manifestação de outro transtorno mental nem um sintoma residual de qualquer transtorno mental precedente.

ALTERAÇÕES PERMANENTES DA PERSONALIDADE APÓS EXPERIÊNCIA CATASTRÓFICA
Caracterizam-se por uma atitude hostil ou desconfiada em relação ao mundo, isolamento social, sentimento de inutilidade (vazio) ou desesperança e um sentimento crônico de estar “no limite”, como se estivesse constantemente ameaçado. As alterações estão presentes por pelo menos dois anos e o estresse é tão extremo que é desnecessário considerar a vulnerabilidade pessoal para explicar seu profundo efeito sobre a personalidade.

Os estressores típicos mais relacionados à essas alterações de personalidade incluem experiências em campos de concentração, desastres, cativeiro prolongado com iminente possibilidade de ser morto e exposição prolongada a sitvações de risco de vida tal como ser vítima de terrorismo e de tortura.

ALTERAÇÕES PERMANENTES DA PERSONALIDADE DEPOIS DE DOENÇA PSIOUIÁTRICA
1) Essas alterações de personalidade se caracterizam por uma dependência excessiva e uma atitude exigente em relação aos outros, e uma convicção de ter sido transformado ou estigmatizado pela doença precedente, que levam a:

a) uma incapacidade para estabelecer e manter relações pessoais próximas e isolamento social,
b) passividade,
c) redução de interesses e diminuição do envolvimento em atividades anteriormente prazerosas e apreciadas,
d) queixas persistentes de estar doente que podem ser associadas com queixas hipocondríacas e comportamento de ficar doente,
e) humor disfórico ou lábil não devido à presença de uma doença mental atual nem a transtorno mental anterior com sintomas afetivos residuais e
f) problemas importantes no funcionamento social e ocupacional. As alterações persistem por pelo menos dois anos e não podem ser explicadas nem por um transtorno da personalidade prévio nem como uma recuperação incompleta, ou residual de um transtorno mental antecedente.

Alucinação

Alucinação é a percepção sensorial sem estímulo do orgão sensorial correspondente. A pessoa com alucinação tem o senso imediato de que a sua percepção é verdadeira; em alguns casos, a alucinação provém de dentro do corpo. Algumas vezes, a pessoa com alucinação consegue ter o entendimento de que está com uma alteração de registro sensorial .

Outras vezes, a intensidade do delírio (que normalmente ocorre junto com alucinação) concede ao indivíduo o peso de que o que percebe é a verdade absoluta. Em um sentido mais restrito, as alucinação indicam um distúrbio psicótico quando associadas a deficiência de prova da realidade. O termo “alucinação” não se aplica a falsas percepções que ocorrem durante o sonho.

Alucinações manifestas em ritos religiosos não têm necessariamente significado patológico. Alucinações transitórias são freqüentes em indivíduo sem distúrbio mental quando submetido à privação física ou psíquica.

Classificação das alucinações :
Alucinação auditiva
– sonora: vozes, estalidos, etc.
Alucinação de humor congruente e incongruente
– idéias delirantes ou alucinações que podem ser concordantes com o humor do sujeito ou antagônico ao mesmo.
Alucinações gustativas
– são distorções de percepção do paladar.
Alucinações olfativas
– cheiros persistentes.
Alucinações somáticas
– percepções relacionadas ao interior do corpo, por exemplo, dores, pressões, calores. Distingue-se da preocupação hipocondríaca na medida em que se verifica na alucinação somática uma interpretação delirante de uma doença física.

Alucinação tátil
– (ou cinestésica ) – relativa à sensações de contato, sobre ou sob a pele. Observa-se com freqüência em síndromes de abstinência ao álcool ou à cocaína. A alucinação tátil dolorosa distingue-se da dor psicogênica, na qual não existe interpretação delirante.

Alucinógenos

Alucinógeno é a denominação para toda substância psicoativa, natural ou sintética, capaz de ocasionar alterações da consciência, normalmente caracterizadas por alterações da percepção, imagens vívidas que podem evoluir para ilusões e alucinações, alterações do humor e vivências de despersonalização/ desrealização.

Esses estados mentais produzidos por alucinógenos podem se assemelhar a uma psicose aguda e produzir graves transtornos de comportamento, sem que se acompanhe de uma disfunção grosseira da memória e orientação, própria das síndromes orgânicas (arteriosclerose, psicoses esquizofrênicas, traumatismos cranianos…).

Figuram entre os alucinógenos as chamadas indolaminas, como a dietilamida do ácido lisérgico (lisergida, LSD), a N,Ndimetiltriptamina (DMT), a psilocibina e a harmina, as feniletilaminas metoxiladas, como a mescalina; tetrahidrocanabinois, encontrados na maconha e no haxixe e várias outras drogas, como a metanfetamina (3,4 metilenodioxianfetamina, MDA), a 3,4 metilenodioximetan-fetamina (MDMA ou ecstasis), a fer:ciclidina (PCP), a muscarina e a miristicina.

A maioria dos alucinógenos é usada por via oral; o DMT, no entanto, é cheirado ou fumado. Os efeitos são notados dentro de 20 a 30 minutos e consistem de dilatação pupilar, elevação da pressão sangüínea, taquicardia, tremor, hiperreflexia e a fase psicodélica. Essa fase consiste de euforia ou alterações de humor, ilusões visuais e percepções alteradas, embotamento dos limites entre o eu e o não-eu, e freqüentemente um sentimento de unidade com o cosmos; são comuns flutuações rápidas entre euforia e disforia. Após 4-5 horas, este quadro pode ser substituído por idéias de auto-referência, sentimentos de consciência aumentada do eu interior, e uma sensação de controle mágico.

Além dessa alncinose regularmente produzida, são freqüentes outros efeitos, tais como um transtorno delirante, que geralmente leva o nome de má-viagem; mudanças na sensopercepção com convicção de corresponderem à realidade. Esse estado delirante pode durar apenas um ou dois dias, ou pode persistir por mais tempo.

Alucinose

Alucinose é um termo introduzido por Wernicke (1848-1905) para indicar os estados alucinatórios agudos. Atualmente o termo Alucinose se refere à uma percepção patológica com todas as características de uma imagem alucinatória (sobretudo uma notável nitidez), entretanto, ao contrário das alucinações, há menor convicção de realidade ou menor participação do eu, isto é, o paciente reconhece aquela experiência perceptiva como algo estranho a si mesmo, como um acontecimento patológico.

As alucinações alcoólicas e as alucinoses pedunculares são seus exemplos mais comuns. A expressão Alucinose tem sido empregada cada vez mais para designar um delirium alucinatório: imagens alucinatórias resultantes da dissolução da consciência-vigilância ou da ação de substâncias psicoativas; “alucinose alcoólica” e “alucinose infecciosa” têm este sentido. Outros a empregam com o mesmo sentido de alucinação orgânica, sintomática ou tóxica, sem confusão mental ou prejuízo intelectual, mas persistente e recorrente.

Alzheimer, Doença de

A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência. Caracteriza-se pela perda da memória associada à deterioração das funções intelectuais, emocionais e cognitivas. Ocorre na mesma proporção entre homens e mulheres, sendo que incide em 8% da população de idosos. Pode ter inicio ao redor dos 50 anos mas é mais frequente em idades mais avançadas. É uma doença de caráter progressivo.

É devida à disfunção das células nervosas, de causa ainda desconhecida, que provoca a diminuição uma molécula neurotransmissora de grande importância na função cerebral (acetilcolina). Sabe-se que se trata de doença com caraterísticas hereditárias, sendo frequente em pessoas da mesma família.

O inicio da doença é discreto com esquecimentos, confusão com datas, dificuldade para saber dia, mês, ano. É muito característica a dificuldade em memorizar fatos recentes. Evolui progressivamente com o aparecimento de dificuldade para realizar pequenas tarefas domesticas, como realizar compras, cozinhar, etc. A pessoa passa a ter dificuldade na fala e não consegue manter raciocínio lógico. Há diminuição na concentração e na atenção. Há afastamento social. A desorientação no tempo e no espaço tende a piorar progressivamente. Há perda da capacidade de fazer cálculos, da leitura e da escrita. O humor se torna variável, com momentos de raiva, choro, depressão e agressividade. Evolui para dificuldade em se
alimentar, e também de fazer a higiene pessoal.

O diagnóstico é de exclusão com outras demências (aterosclerótica, por ex), com manifestações de certas intoxicações (por drogas tipo tranqüilizantes, alcoolismo, etc) , com certas infecções (encefalites), e com seqüela de traumatismo de crânio. Os mais modernos exames que estudam o sistema nervoso, como a tomografia cerebral ou a ressonância nuclear magnética, se mostram normais ou com alterações próprias para a idade.

Não deve ser confundida com as alterações de memória (“lapsos de memória”) muito comuns em qualquer idade e que se acentuam na velhice , ou com estados de emoção ou depressivo e também com a intoxicação pelo uso excessivo de medicamentos tranqüilizantes. Estes “lapsos de memória” são processos benignos e nunca são acompanhados de outras alterações como ocorre na Doença de Alzheimer.

Não há cura para a doença, não havendo tratamento específico. O FDA norte-americano liberou duas substâncias que possuem algum efeito sobre os sintomas da doença em sua fase inicial: a tacrina e o hidroclorido de donepezil. Estas substâncias devem ser administradas com cautela pois podem levar a problemas digestivos e hepáticos. O tratamento se baseia em medicamentos sintomáticos, atividades físicas e mentais, sendo fundamental a constante estimulação da pessoa doente. Estes cuidados podem retardar a evolução da doença. Neste processo a participação da família é fundamental e deve começar pela compreensão da doença. A manutenção da dignidade e do auto respeito deve ser uma constante.

O paciente deve ser estimulado a manter atividades, como exercícios físicos, afazeres domésticos, e se
possível, participação de atividades sociais com outras pessoas. Os exercícios de memória devem ser estimulados. Nas situações de ansiedade ou agitação devem ser utilizados tranquilizante suaves.

Veja aqui

Amaurose

Amaurose é o enfraquecimento ou perda total da visão, especialmente quando ocorre sem lesão aparente do olho, mas sim, geralmente, por lesão medular, cerebral, do nervo óptico ou da retina.

 

Ambivalência Afetiva

Ambivalência Afetiva é uma alteração da afetividade muito encontrada na Esquizofrenia. São acentuações afetivas opostas e basicamente simultâneas, tais como o amor, temor e ódio que uma pessoa pode ter em relação a outra simultaneamente, ou os sentimentos dos acontecimentos que se teme e que se deseja no mesmo instante. O paciente ambivalente, apesar de não pode unir ambos sentimentos e tendências opostas, percebe-os ao mesmo tempo (ama e odeia), sem que ambos os sentimentos ajam entre si ou se debilitem. Deseja a morte da mulher e se as alucinações a apresentam morta, pode ao mesmo tempo ficar desesperado e chorar por isso.

Ambivalência Afetiva pode ser entendida como a anormalidade das tendências e se caracteriza pela coexistência de juízos contraditórios sobre o mesmo objeto simultaneamente. Portanto, no plano afetivo a Ambivalência consiste em experimentar sentimentos opostos, simultaneamente e em relação ao mesmo objeto.

A Ambivalência Afetiva surge em todas as situações de conflito, especialmente nos Transtornos Neuróticos mas, será na Esquizofrenia que a Ambivalência se apresentará com aspectos mais característicos, patológicos e extremos. Aliás, Ambivalência foi um termo idealizado por Bleuler para a “tendência, particularmente na Esquizofrenia, de dar expressão igual a impulsos e sentimentos contraditórios e opostos“.

Ambliopia

Ambliopia  é o obscurecimento da visão sem comprometimento orgânico do olho, mas determinada por razões emocionais (Histeria, histrionismo ou conversão).

Amência

Na confusão mental simples, ou turvação da consciência, ou ainda na Amência, perde-se a relação entre os processos psíquicos na realização do pensamento, da memória e da percepção. Neste estado as vivências não são coerentemente elaboradas e a associação dos estímulos faz-se de forma bizarra. A própria situação do indivíduo dentro de seu contexto existencial passa a ser confusa e desorganizada.

O curso do pensamento parece incoerente e, embora fragmentos possam ser expressos de maneira compreensível, são intercalados por lapsos completamente alienados do tema ou da realidade. É uma alteração da qualidade porque o paciente confuso encontra-se vígil, respondendo, ainda que erroneamente, aos estímulos à ele dirigidos, portanto, sua “quantidade” de consciência está normal. A Confusão Mental está frequentemente presente nas psicoses esquiozofreniformes, nas crises maníacas intensas, no delirium tremens, nas intoxicações por drogas e estados pós-traumáticos.

Por Amência Maynert descreveu uma perturbação mental caracterizada principalmente por turvação mais ou menos acentuada da consciência, acompanhada de fenômenos de excitação psicomotora. Kraepelin admitiu a Amência apenas como manifestação sintomática, que se desenvolve de forma aguda, com um quadro de confusão fantástica, acompanhada de distúrbios ilusórios e alucinatórios, e inquietação motora.

A Amência é caracterizada, principalmente, por obnubilação mais ou menos acentuada da consciência, com incoerência do pensamento e perplexidade, incapacidade do paciente apreender a realidade objetiva ao ponto de manifestar desorientação no tempo e no espaço, incompreensão da situação atual, lentidão do pensamento e das respostas e predominância de vivências alucinatórias.

O estado efetivo que acompanha a Amência é de caráter depressivo, ansioso ou mesmo fóbico. Em alguns casos, podem aparecer sintomas catatônicos, interpretações delirantes de ocorrências externas, idéias deliróides confusas e contraditórias. A atividade desenvolvida pelo paciente está de acordo com o estado geral. Frequentemente se observa uma amnésia completa para o período agudo da Amência ou, quando não, ficam apenas lembranças fragmentárias e inconsistentes.

A Amência aparece mais também no curso agudo das doenças infecciosas, evolui para a cura espontaneamente dentro de semanas, não deixar sintomas residuais e pode seguir com amnésia para certos acontecimentos e lembrança para outros.

Amigdala (cerebral)

A Amígdala é uma pequena estrutura em forma de amêndoa situada dentro da região antero-inferior do lobo temporal cerebral. Ela se interconecta com o hipocampo, os núcleos septais, a área pré-frontal e o núcleo dorso-medial do tálamo. Essas conexões garantem seu importante desempenho na mediação e controle das atividades emocionais de ordem maior, como amizade, amor e afeição, nas exteriorizações do humor e, principalmente, nos estados de medo e ira e na agressividade.

A Amígdala é quem procesa a informação sensorial em termos de “memória emocional”. Este processamento é subliminar à consciência, ainda que seja controlado pelo cérebro promovendo uma resposta cognitivo-comportamental que leva em conta o registro emocional das experiências prévias.

A destruição experimental das amígdalas, que são duas, uma para cada um dos hemisférios cerebrais, torna o animal dócil, sexualmente indiscriminativo, afetivamente descaracterizado e indiferente às situações de risco.

O estímulo elétrico das amigdalas provoca crises de violenta agressividade. Em humanos a lesão da amígdala faz, entre outras coisas, com que o indivíduo perca o sentido afetivo da percepção de uma informação vinda de fora, como a visão de uma pessoa conhecida. Ele sabe quem está vendo mas não sabe se gosta ou desgosta da pessoa em questão.

A Amígdala é ativada em situações com marcante significado emocional, como encontros agressivos ou de natureza sexual; está também relacionada aos aprendizados emocionais e ao armazenamento de memórias afetivas. Ademais, a amígdala é responsável pela formação da associação entre estímulos e recompensas

Aminoácidos cerebrais excitatórios

Os aminoácidos, tais como Glutamato e Aspartato, estão implicados nas conexiões recíprocas entre a Amígdala e o Córtex Pré-Frontal (opercular) anterolateral e entre estas duas estruturas com o tálamo mediodorsal e o núcleo caudado. O aumento fisiológico das concentrações desses aminoácidos excitadores pode producir a morte neuronal em diversos sistemas biológicos.

Os neurotransmissores, entre eles Glutamato e Aspartato, são mensageiros do cérebro. Quimicamente, os neurotransmissores são moléculas relativamente pequenas e simples.

Diferentes tipos de células secretam diferentes neurotransmisores. Cada substância química cerebral funciona em áreas bastante espalhadas mas muito específicas do cérebro e podem ter efeitos diferentes dependendo do local de ativação.

Cerca de 60 neurotransmissores foram identificados e podem ser classificados, em geral em uma das quatro categorias.

1) colinas: das quais a acetilcolina é a mais importante;
2) aminas biogênicas: a serotonina, a histamina, e as catecolaminas – a dopamina e a norepinefrina
3) aminoácidos: o glutamato e o aspartato são os transmissores excitatórios bem conhecidos, enquanto que o ácido gama-aminobutírico (GABA), a glicina e a taurina são neurotransmissores inibidores. O principal neurotransmissor excitante do cérebro, vital para estabelecer os vínculos entre os neuroônios que são a base da aprendizagem e da memória a longo prazo.
4) neuropeptídeos: esses são formados por cadeias mais longas de aminoácidos (como uma pequena molécula de proteína). Sabe-se que mais de 50 deles ocorrem no cérebro e muitos deles têm sido implicados na modulação ou na transmissão de informação neural.

Aminésia

Amnésia e a Hipomnésia podem ser consideradas como graus de hipofunção da memória, ou seja, são diminuições do número de lembranças evocáveis. A Amnésia, por sua vez, seria a desaparição completa das representações mnêmicas correspondentes a um determinado tempo da vida do indivíduo.

Bleuler prefere o termo debilidade da memória ao invés de Hipomnésia. Ele diz ainda que a Amnésia não precisa ser completa, havendo várias gradações entre o nada absoluto e a lembrança incompleta.

Chama-se de Amnésia Eletiva (ou Seletiva), quando a alteração da memória dá-se por razões emocionais e não neurológicas, manifestando-se pelo prejuízo da memória de fatos específicos, isolados. Seria uma repressão ou negação de certas recordações.

É aproximadamente o mesmo fenômeno a chamada Amnésia Lacunar, onde determinado período é apagado da memória, porém, originada por razões orgânicas, como pode ocorrer depois de AVCs (acidentes vasculares cerebrais), Embriaguês Patológica, Traumatismo Craniano, encefalites, etc.

Segundo Jaspers, “amnésias são perturbações da memória que se estendem a um período de tempo delimitado, do qual nada ou quase nada pode ser evocado (Amnésia parcial), ou ainda a acontecimentos menos nitidamente delimitados no tempo“. Em seguida, estuda quatro variedades de Amnésia :

1. Primeiro – Há profunda obnubilação da consciência mais do que perturbação da memória. Como nada se pode aprender na obnubilação, nada se pode fixar, ou seja, como nenhum acontecimento atinge a consciência, não será possível alguma reprodução.
2. Segundo – Aqui verifica-se ser possível a compreensão durante algum período de tempo, porém a capacidade de fixação está profundamente diminuída, não sendo possível reter nada. Isso é comum em psicoses orgânicas, notadamente na Korsakov.
3. Terceiro – É quando certos acontecimentos podem ser compreendidos passageiramente, porém as disposições da memória foram destruídas por um processo orgânico bem delimitado no tempo. É, por exemplo, o que acontece nas amnesias retrógradas, após graves lesões cerebrais, em que desaparecem totalmente as experiências das últimas horas ou dias antes do acidente.
4. Quarto – Trata-se de amnésias extremamente acentuadas, normalmente de origem psicogênica, sendo o principal defeito uma alteração da capacidade de reprodução, apesar da soma das lembranças existentes estar conservada. Nesses casos, muitas vezes a solução é conseguida por meio de hipnose.

Amok

Amok é um termo de orígem malaia que se refere a episódios, crises ou ataques homicidas contra pessoas conhecidas ou mesmo estranhas. Em outras culturas o mesmo fenômeno recebe outros nomes, como por exemplo, na Polinésia se chama Cafard, em Porto Rico se chama Mal de Pelea e entre os índios navajos é referido como iich”aa.

Os episódios de Amok podem não ser aleatórios ou fortúitos como um rompante totalmente involuntários como se acredita. Eles podem seguir a um planejamento prévio, normalmente decorrente de sentimentos de desprezo, menosprezo, insulto um diminuição ofensiva do Ego.

Não é incomum que depois do Amok a pessoa apresente um episódio de Amnésia Seletiva. Também é freqüente que essas pessoas tenham outros transtornos da personalidade ou outras psicopatias concomitantemente.

Amotivacional

Amotivacional diz respeito a falta de motivação e apática. Trata-se de sinônimo da Síndrome Nolitiva (sem volição, sem vontade). É um conjunto de características de significativo desinteresse, associado ao uso abusivo de substâncias psicoativas (drogadicção) que inclui:
– apatia, perda de afetividade, capacidade diminuída para planejar, para pleitear, para encarregar-se, baixa tolerância à frustrações, concentração muito prejudicada, dificuldade em seguir rotinas e cumprir compromissos.

Essa situação amotivacional tem sido associada predominantemente ao uso frequente de maconha e, de acordo com alguns pesquisadores, pode refletir uma espécie de intoxicação crônico pela droga.

Amusia

Amusia é a perda da capacidade de reconhecer ou evocar elementos musicais. Seria o mesmo que uma espécie de Afasia ou Alexia musicais. O hemisfério direito do cérebro parece ter um papel chave para diversas aptidões musicais, mas nos profissionais da música, curiosamente, o hemisfério esquerdo parece ter predominância.

A Amusia pode ser considerada um tipo de Disfasia. A Disfasia é caracterizada, fundamentalmente, pela incapacidade para apreciar o significado simbólico das palavras, sejam elas faladas ou escritas. Esse transtorno possui valor localizatório pois, quase invariavelmente, é devido a uma lesão na Área de Wernicke do hemisfério cerebral dominante.

Pacientes gravemente afetados por Disfasia demonstram total incapacidade para compreenderem o significado das palavras que ouvem ou vêem. Muitas vezes perdem também a capacidade de apreciar sons musicais, configurando o que se define, então, por Amusia.

Anancástico

Anancástico é um termo que se refere à preocupação obsessiva, portanto, um pensamento ou conduta ou transtorno anancástico da personalidade corresponde às características obsessivas-compulsivas da conduta, do pensamento ou da personalidade.

No caso dos Pensamentos Anancásticos, pode se tratar de pensamentos, imagens mentais ou impulsos para agir obsessivamente, quase sempre angustiantes para o sujeito.

As Idéias Obsessivas (ou Anancásticas) são pensamentos, representações ou impulsos, que se intrometem na consciência do sujeito de modo repetitivo e estereotipado. Em regra geral, elas perturbam muito o sujeito, o qual tenta, frequentemente resistir-lhes, mas sem sucesso. O sujeito reconhece, entretanto, que se trata de seus próprios pensamentos, mas estranhos à sua vontade e em geral desprazeirosos. Os comportamentos e os rituais compulsivos são atividades estereotipadas repetitivas.

O sujeito não tira prazer algum da realização destes atos os quais, por outro lado, não levam à realização de tarefas úteis por si mesmas. O comportamento compulsivo tem por finalidade prevenir algum evento objetivamente improvável, freqüentemente implicando dano ao sujeito ou causado por ele, que ele(a) teme que possa ocorrer. O sujeito reconhece habitualmente o absurdo e a inutilidade de seu comportamento e faz esforços repetidos para resistir-lhes. O transtorno se acompanha quase sempre de ansiedade. Esta ansiedade se agrava quando o sujeito tenta resistir à sua atividade compulsiva.

Às vezes trata-se de hesitações intermináveis entre várias opções, que se acompanham frequentemente de uma incapacidade de tomar decisões banais mas necessárias à vida cotidiana. Existe uma relação particularmente estreita entre as ruminações obsessivas e a depressão, e deve-se somente preferir um diagnóstico de transtorno obsessivo-compulsivo quando as ruminações surgem ou persistem na ausência de uma síndrome depressiva.

No caso da Personalidade Anancástica ou Obsessiva-Compulsiva, é um transtorno da personalidade caracterizado por um sentimento de dúvida, perfeccionismo, escrupulosidade, verificações, e preocupação com pormenores, obstinação, prudência e rigidez excessivas. O transtorno pode se acompanhar de pensamentos ou de impulsos repetitivos e intrusivos não atingindo a gravidade de um transtorno obsessivo-compulsivo.

Anartria

As alterações articulares da fala não são monopólio da Disartria. Elas também podem dificultar a expressão oral dos afásicos, tanto surgindo espontaneamente como mediante a solicitação do exame. Essas alterações serão determinadas pelos testes de repetição de palavras e frases. Vistas pelo ângulo neurológico, as anomalias podem apresentar um aspecto paralítico, quando falta a articulação e há anasalamento. A falta de articulação das palavras chama-se Anartria e pode mostrar um aspecto distônico, com contrações excessivas, sincinesias ou, ainda, um aspecto apráxico.

Analisadas sob um ângulo fonético, as alterações articulares se caracterizam também pela redução da formação e diferenciação dos fonemas, semelhantes às simplificações fonéticas da criança (“bibiloteca”, “espetaco”, fessado”…). Outros elementos de diferenciação entre Afasia e Disartria são as alterações evidenciadas no uso voluntário e automático da linguagem. As alterações articulares da Disartria estão ausentes na formas automáticas do falar, como no canto, por exemplo.

Anedonia

Anedonia é uma palavra que deriva de Hedonismo, do grego Hedoné, que significa prazer. Hedonismo é a tendência a buscar o prazer imediato, individual, como única e possível forma de vida moral, evitando tudo o que possa ser desagradável. Ao contrário do Hedonismo a Anedonia é a perda da capacidade de sentir prazer, próprio dos estados depressivos.

O interesse humano, assim como a motivação, está indissoluvelmente ligado ao prazer; nos interessamos por aquilo quer nos dá prazer, por aquilo com o qual temos alguma ligação afetiva. Em situações normais a pessoa abre para si um leque de interesses: interesse pelas notícias, pelos esportes, pela companhia de amigos e pessoas queridas, pelo conhecimento em geral, pelos passeios, pelas novidades, pelas compras, pelas artes, pelos filmes, pela comida, pelas revistas e jornais, enfim, cada pessoa nutre um rol de interesses pessoais, evidentemente, interesses por coisas que lhe dão prazer.

Na depressão esse leque de interesses vai se fechando, aparecendo progressivamente um desinteresse e desencanto pelas coisas. Há um momento onde a preocupação com o próprio sofrimento é o único interesse vivencial do deprimido.

Aneurisma

Aneurisma é uma dilatação anormal de um vaso sanguíneo, em geral uma artéria. Pode se localizar em várias partes do organismo. No idoso a localização mais comum de aneurismas é na artéria aorta, no abdômen. Os aneurismas das artérias cerebrais, infelizmente, são geralmente diagnosticados depois que se rompem, produzindo os AVCs (acidentes vasculares cerebrais) e podem acometer pessoas em qualquer idade.

O Aneurisma da aorta abdominal é frequentemente assintomático, e se deve à arteriosclerose. Quando se torna sintomático em geral é porque está em vias de se romper, caracterizando uma situação de urgência. A sua rotura pode levar à morte rapidamente.

O diagnóstico precoce de Aneurisma é fundamental e é feito com base no exame clínico e na radiologia. O sintoma mais comum do aneurisma abdominal é a dor nas costas, que é uma queixa muito frequente e vaga. Ocorre comumente em pessoas com doença cardiovascular tipo insuficiência coronariana ou hipertensão arterial.

O exame físico pode mostrar uma tumoração abdominal. A ultrassonografia abdominal e a tomografia computadorizada são exames básicos para o diagnóstico de Aneurisma. A angiografia também deve ser utilizada. O tratamento é cirúrgico em todos aneurismas maiores que 6 cm. Os menores devem ser acompanhados pelo cirurgião vascular.

Anfetamina

Anfetamina é uma classe de aminas chamadas simpaticomiméticas, com poderosa ação estimulante no sistema nervoso central. Esta classe de substâncias inclui a anfetamina, a dexanfetamina e a metanfetamina.

São drogas estimulantes da atividade do sistema nervoso central, isto é, fazem o cérebro trabalhar mais depressa, deixando as pessoas mais “ligadas” com “menos sono”, “elétricas”, etc. É chamada de rebite principalmente entre os motoristas que precisam dirigir durante várias horas seguidas sem descanso, a fim de cumprir prazos pré-determinados. Também é conhecida como bolinha por estudantes que passam noites inteiras estudando, ou por pessoas que costumam fazer regimes de emagrecimento sem o acompanhamento médico.

Nos USA, a metanfetamina (uma Anfetamina) tem sido muito consumida de forma fumada em cachimbos, recebendo o nome de “ICE” (gelo). Outra anfetamina, metilenodióximetanfetamina (MDMA), também conhecida pelo nome de Êxtase, tem sido uma das drogas com maior aceitação pela juventude inglesa e agora, também, com um consumo crescente em vários países. No Brasil as festas chamadas de Rave são os locais preferidos para o uso de Êxtase.

As Anfetaminas farmacologicamente utilizadas hoje em dia incluem o metilfenidato, a fenmetrazina e a anfepramona (dietilpropiona). Em lìnguagem de rua, as anfetamìnas são frequentemente referidas como “bolinhas”.

No mercado farmacológico brasileiro as anfetaminas disponíveis são as seguintes:

Droga do tipo Anfetamina Produtos (remédios comerciais) vendidos nas farmácias
Dietilpropiona ou Anfepramona Dualid S; Hipofagin S; Inibex S; Moderine
Fenproporex Desobesi-M; Lipomax AP; Inobesin
Mazindol Dasten; Fagolipo; Absten-Plus; Diazinil; Dobesix
Metanfetamina Pervitin*
Metilfenidato Ritalina

Angelman, Síndrome de

A Síndrome de Angelman, relatada pela primeira vez em 1965 pelo neurologista britânico com o mesmo nome, é um distúrbio neurológico que também causa Retardo Mental, alterações do comportamento e algumas características físicas próprias. Essa síndrome foi quando um descreveu 3 crianças com este quadro.

Mais tarde, em 1987, observou-se a alteração genética dessa síndrome, presente na maioria dos casos, representada pela falta de uma pequena porção (deleção) do cromossomo 15. Estima-se, atualmente, que uma em cada quinze ou vinte mil crianças são afetadas por esta doença.

Angiografia cerebral

A Angiografia cerebral, que mostra as artérias e veias do cérebro, deve ser realizada em determinadas situações em que se quer saber do estado das artérias e a presença de anomalias, como por exemplo, o aneurisma cerebral, que é uma dilatação das artérias, ou de arterites (inflamação das artérias), malformações vasculares, obstruções, tromboses cerebrais, etc.

A técnica consiste nainjeção de uma substância chamada de contraste radiopaco nas artérias que irrigam o cérebro. O contraste revela o padrão do fluxo sangüíneo cerebral nas radiografias. A angiografia também pode ser modificada para mostrar o  fluxo sangüíneo das artérias do pescoço e da base do cérebro, mas as imagens apresentam uma qualidade inferior às da angiografia cerebral.

Até há poucos anos a angiografia cerebral era o único método radiológico para o estudo do cérebro, tendo sido substituído pela Tomografia Computadorizada e pela Ressonância Magnética.

Angústia

Blaser e Poeldinger estudaram a evolução do conceito de angústia, admitindo que se deve a Kierkegaard a primeira distinção entre temor a um objeto e angústia, livre e flutuante, desprovida de objeto. Esta distinção foi adotada pelo psiquiatra e filósofo alemão Karl Jaspers, tendo deixado claro o seu conceito ao escrever que a angústia é um sentimento frequente e torturante, e que o medo sempre se refere a alguma coisa, enquanto a angústia é sem objeto.

Desde então, esta tem sido a orientação seguida pelos tratadistas, entre os quais se encontra Binder, que desenvolveu amplas considerações no sentido de estabelecer os limites entre medo e angústia:

“Se procurarmos estabelecer a diferença entre esses dois estados de ânimo, a introspecção nos mostrará que a vivência afetiva de encontrar-se em perigo aparece em duas modalidades diferentes:

1 – Em uma forma diferenciada, em que o referido sentimento surge em estruturas psíquicas amplamente configuradas, precisas e determinadas; quando se costuma falar quase sempre da presença de medo ou temor, e; 

2 – Em forma mais primitiva, que se designa de modo geral como angústia e que corresponde a estratos psíquicos mais profundos que, com freqüência, são menos claramente conscientes e conservam conexões psíquicas mais difusas e menos articuladas.

Alguém teme algo ou sente medo diante de algo, enquanto alguém se angustia, e nestas locuções se expressa que no temor ou no medo do objeto perigoso aparece mais claramente destacado do indivíduo e é percebido, imaginado ou pensado como uma articulação e uma delimitação clara e determinada, enquanto na angústia os processos do conhecimento que a precedem são, freqüentemente, muito mais vagos e indiferenciados, características que correspondem a estratos psíquicos mais primitivos”.

Angústia Vital
Lopez Ibor considera a angústia vital como o elemento básico da personalidade humana, podendo surgir sem características patológicas mas, em condições mórbidas, está representada por seus graus mais acentuados. A angústia se acha corporalizada.
De acordo com Binder, esta forma de angústia apodera-se do consciente quando existem condições corporais íntimas ameaçadoras da vida. “Surge de modo mais claro nos estados de hipoxemia e anoxemia de qualquer natureza, seja devido a espasmos das coronárias (angina do peito), à perda de sangue (sempre que não leve à inconsciência), à dificuldade respiratória (asma brônquica, estrangulação) ou a asma cardíaca.

Bash considera que, nesses casos, a reação psíquica é perfeitamente normal: “O objeto se apresenta no consciente sob a forma de sensações viscerais”. A própria debilidade constitucional, seja do sistema ou de sua regulação vegetativa, pode determinar o aparecimento de sensações desagradáveis, as quais são captadas como ameaça à integridade do eu, estando, nesse caso, a angústia vital ligada à depressão ou à transtorno orgânico. A angústia vital, exceto nos casos de depressão, indica um grave transtorno orgânico.

Animia Facial

Animia Facial é uma manifestação de um complexo sintomático de extrema pobreza das expressões e acinesia em pacientes com doenças degenerativas neurológicas, como por exemplo, na Demência Fronto-Temporal, Doença de Parkinson (às vezes no parkinsonismo medicamentoso).

Consiste em escassez e pobreza de movimentos faciais ou mímica facial que alteram a capacidade de expressar idéias mediante sinais ou gestos faciais. O paciente com animia facial adquire uma expressão pétrea, gelada e inexpressiva, mesmo diante de fatos que deveriam despertar fortes sentimentos.

Anímico

Trata-se de uma qualidade de valorização da realidade que as pessoas experimentam de acordo com seu afeto (humor). Avaliar a realidade sob o ponto de vista anímico implica em impregná-la com a tonalidade afetiva da personalidade do sujeito (entendendo-se por personalidade uma constituição dinamicamente atualizada).

Uma outra categoria de valorização da realidade além da anímica é a categoria vital . Esta forma vital é objetiva, constante, concreta e continua de valorizar o mundo, enquanto a categoria anímica é dinâmica e o significado da realidade assim avaliada muda de acordo com a tonalidade afetiva que o sujeito dá ao mundo.

A pessoa aqui e agora pode ser entendida como uma resultância daquilo que ela trouxe ao mundo com aquilo que o mundo lhe deu (fenótipo = genótipo + ambiente). Então, o aqui-e-agora da pessoa é seu Fenótipo. Pois bem. Para categoria anímica de valorizar a realidade interessa a pessoa aqui e agora (seu fenótipo).

O humor, responsável por esse tipo de valorização do real, seria o perfil afetivo atual, o que representa o resultado de seus elementos constitucionais influenciado pelas vivências e pelo destino. Vale aqui o ditado segundo o qual “cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça“.

Pequenas variações anímicas se dão ao longo dos dias ou das horas, grandes e sólidas variações anímicas se dão ao longo dos anos. Fossemos adequar essa categoria anímica de valorizar a realidade na teoria jungueana, possivelmente estaríamos falando da reversão das fases natural para a fase cultural da pessoa onde, depois de aproximadamente 30 anos para mulheres e 40 para os homens, os valores sofreriam grande e substancial alteração; muito daquilo anteriormente importante deixa de sê-lo e vice-versa.

Animismo

Animismo é a percepção de objetos inanimados como se tivessem vida, sentimentos e intenções. A percepção animista é fenômeno comum tanto às crianças como aos adultos, e depende, em sua origem, da sensibilidade de cada pessoa para as “propriedades fisionômicas” dos objetos e acontecimentos.

O termo Animismo foi proposto pelo antropólogo inglês Sir Edward B. Tylor, em 1871, na sua obra Primitive Culture (A Cultura Primitiva). Por Animismo, ele designou a manifestação religiosa na qual se atribui a todos os elementos do cosmos (Sol, Lua, estrelas), a todos os elementos da natureza (rio, oceano, montanha, floresta, rocha), a todos os seres vivos (animais, árvores, plantas) e a todos os fenômenos naturais (chuva, vento, dia, noite) um princípio vital e pessoal, chamado de “ânima”, que na visão cosmocêntrica significa energia, na antropocêntrica significa espírito e na teocêntrica alma.

Consequentemente, segundo o animismo, todos esses elementos possuiriam sentimentos, emoções, vontades ou desejos, e até mesmo inteligência. Resumidamente, os cultos animistas alegam que: “Todas as coisas são Vivas”, “Todas as coisas são Conscientes”, ou “Todas as coisas têm ânima”.

Em psicofisiologia o fenômeno do animismo continua sendo a atribuição de características vivas, animais ou humanas todas as coisas. Na mídia, propaganda e publicidade vemos continuadamente objetos inanimados dançando, sorrindo, cantando, carros com expressão de pessoas, eletrodomésticos vivos, etc.

O animismo, na psicologia infantil, dito de maneira bem simples, designa uma maneira de dar vida aos objetos, de enxergar e se relacionar com a alma das coisas. A diferença básica entre o mundo adulto e o da criança não está na presença ou ausência desses “atributos fisionômicos”, em suas percepções, mas na proporção que geralmente ocupam no conjunto de sua experiência perceptiva. O adulto controla e tende a eliminar tais “características expressivas” dos objetos como fatores meramente subjetivos e irrelevantes. Para a criança, ao contrário, elas constituem geralmente as qualidades fundamentais dos objetos percebidos.

Por força da própria maturação psicológica e da aprendizagem, o mundo perceptual dos adultos tende, por isso, a uma pronunciada uniformidade, com a progressiva “depuração” de tais elementos subjetivos em suas percepções, ao passo que nas crianças predominam normalmente os aspectos subjetivos da percepção. Vem daí o fato do mundo de percepções de uma criança apresentar, comumente, maior riqueza e originalidade que o mundo dos adultos. E as diferenças são mais notáveis de uma criança para a outra do que entre um adulto e outro.

Anorexia

Isoladamente o termo Anorexia significa falta total de apetite, portanto, trata-se de um sintoma e não uma doença. Por outro lado, quando se diz Anorexia Nervosa, estamos falando de uma doença psiquiátrica com características próprias e bem definidas.

As características essenciais da Anorexia Nervosa são a recusa do paciente em manter um peso corporal na faixa normal mínima, associado à um temor intenso de ganhar peso. Na realidade, trata-se de uma perturbação significativa na percepção do esquema corporal, ou seja, da auto-percepção da forma e/ou do tamanho do corpo.

O termo Anorexia pode não ser de todo suficiente para definir a doença Anorexia Nervosa, tendo em vista que não há uma verdadeira perda do apetite mas sim, uma recusa em se alimentar e em manter um peso em uma faixa normal mínima, junto com uma preocupação patológica de ganhar peso. A Anorexia Nervosa é então, um transtorno alimentar caracterizado por limitação da ingestão de alimentos, devido à obsessão de magreza e o medo mórbido de ganhar peso.

Normalmente a pessoa anoréxica mantém um peso corporal abaixo de um nível normal mínimo para sua idade e altura. Quando a Anorexia Nervosa se desenvolve em numa pessoa durante a infância ou início da adolescência, pode haver fracasso em fazer os ganhos de peso esperados, embora possa haver ganho na altura.

Anorgasmia

Anorgasmia é a incapacidade para alcançar o orgasmo ou mesmo a ausência de orgasmo. Esse transtorno da sexualidade pode ter causas psicológicas, como por exemplo, dificuldades no relacionamento conjugal, estados de estresse e depressão. A anorgasmia pode também dever-se a efeitos colaterais de alguns medicamentos, notadamente alguns antidepressivos e tranquilizantes.

A maior parte das queixas de anorgasmia costuma ser das mulheres. Para se ter noção das dimensões da anorgasmia no mundo feminino, algumas pesquisas brasileiras referem entre 40 e 60% das mulheres com dificuldades ou incapacidades em obter orgasmos nas relações sexuais.

Em grande número de casos, as mulheres conseguem ter orgasmos com a masturbação mas não os conseguem com a penetração sexual. Outras vezes, apesar de não sentirem o orgasmo, muitas mulheres referem sentir bastante prazer durante o ato sexual. Existem também aquelas que conseguem o orgasmos manipulando-se enquanto penetradas.

Nos homens, desde que não haja problema no Desejo Sexual nem na ereção, a falta de orgasmo normalmente se deve ao uso de medicamentos que aumentam muito o tempo de latência (tempo necessário para atingir o orgasmo), ao alcoolismo, ao tabagismo e diabetes.

Tendo em vista a incidência do problema, seria então normal não ter orgasmos? Bem, estatisticamente falando, pelas pesquisas que apontam entre 40 e 60% de mulheres anorgasmáticas, até que não seria de se estranhar tanto a falta do orgasmo. Os valores estatísticos, entretanto, não são suficiente para saber se algo é ou não normal, no sentido de sadio. Para tal, devemos considerar o grau de satisfação da pessoa em apreço. Melhor dizermos então que a anorgasmia é comum na sexualidade feminina (mas não dizer normal).

Anosmia

Existem vários sintomas e doenças associadas ao paladar e olfato. A Anosmia se caracteriza pela perda completa do olfato, ou a Ageusia, que corresponde à perda total do paladar. As maiores causas são infecções no trato nasal, distúrbios hormonais ou problemas com os dentes.

Assim como existem pacientes que não sentem cheiro algum ou com olfato muito diminuído, portadores de Anosmia e Hiposmia, respectivamente, existem também pessoas que sentem todos os odores de maneira alternada e desagradável são portadores de Parosmia.

Podemos agrupar as causas de Anosmia em:
a – que impedem a passagem de partículas odoríferas até a zona olfatória, ou ;
b – que lesam as terminações nervosas olfatórias (pólipos, hipertrofia acentuada dos cornetos, edema permanete da rinite alérgica crônica, atrofias de mucosa nasal, Sd. deSjögren, uso de cocaína, benzocaína, RDT e doenças granulomatosas)

A causa pode ser extranasal intracraniana (tumor de lobo frontal, anosmia congênita seletiva, trauma, atrofia difusa senil, meningite, oclusãovascular cerebral, esclerose múltipla, miastenia gravis, Parkinson, hidrocefalia, tabes dorsalis)

A causa pode ser ainda extranasal extracraniana (Sd Turner, disautonomia familiar, DM, psedohipoparatireoidismo, déficit de vitamina A, hipotireoidismo, hepatite, IRC, póslaringectomia).

Anóxia

Anóxia é a falta ou deficiência acentuada de oxigênio nos órgãos ou nos tecidos (an= falta; oxia=oxigênio) . Em recém nascidos é ligada à insuficiência placentária, que pode ocorrer durante a gravidez, levando a um sofrimento fetal crônico, ou período perinatal, quando surge, agudamente, no momento do parto, levando a um sofrimento fetal agudo, com falta de oxigenação ao Sistema Nervoso Central ou outros centros vitais, levando a risco de vida e surgimento de Paralisia Cerebral.

Pode-se falar, assim, em Anóxia Cerebral, Anóxia Fetal, Anóxia do Miocárdio, Intestinal e assim por diante, dependendo do tecido onde está faltando o oxigênio. Normalmente, no Acidente Vascular Cerebral (AVC) e no Infarto do Miocárdio, por exemplo, as lesões são causadas pela anóxia dos tecidos.

Ansiedade

Ansiedade é um estado bio-psicológico onde o ser (humano ou animal, exceto dos répteis para baixo) se encontra mobilizado para uma adaptação necessária. Com certeza, até por uma questão biológica, podemos dizer que a Ansiedade sempre esteve presente na jornada humana desde a caverna até a nave espacial. A novidade é que só agora estamos dando atenção à quantidade, tipos e efeitos dessa Ansiedade sobre o organismo e sobre o psiquismo humanos, de acordo com as concepções da prática clínica, da medicina psicossomática e da psiquiatria.

Nosso potencial ansioso sempre se manteve fisiologicamente presente e sempre carregando consigo o sentimento do medo, sua sombra inseparável. É muito difícil dizer se era diferente o estresse (esta revolução orgânica e psíquica) que acometia o homem das cavernas diante de um urso invasor de sua morada daquilo que sente hoje um cidadão comum diante do assaltante que invade seu lar. Provavelmente não. Faz parte da natureza humana certos sentimentos determinados pelo perigo, pela ameaça, pelo desconhecido e pela perspectiva de sofrimento.

A Ansiedade passou a ser objeto de distúrbios quando o ser humano colocou-a, não a serviço de sua sobrevivência como fazia antes, mas a serviço de sua existência, com o amplo leque de circunstâncias quantitativas e qualitativas desta existência . Assim, o estresse passou a ser o representante emocional da Ansiedade, sua correspondência psíquica e egoicamente determinada. O fato de um evento ser percebido como estressante não depende apenas da natureza do mesmo, como acontece no mundo animal, mas do significado atribuído à este evento pela pessoa, de seus recursos, de suas defesas e de seus mecanismos de enfrentamento. Isso tudo diz respeito mais à personalidade que aos eventos do destino em si.

Embora a Ansiedade favoreça a performance e a adaptação, ela o faz somente até certo ponto, até que nosso organismo atinja um máximo de eficiência. À partir de um ponto excedente a Ansiedade, ao invés de contribuir para a adaptação, concorrerá exatamente para o contrário, ou seja, para a falência da capacidade adaptativa. Veja mais

Ansiedade, Personalidade

A marca característica do Transtorno Ansioso de Personalidade é a persistência e continuidade de tensão e apreensão. Como consequência disso o portador deste tipo psicológico experimenta a crença frequente de ser socialmente inepto, desinteressante e desagradável, portanto, inferior aos demais. Na realidade, a ansiedade aparece com maior exuberância sempre que tais pessoas vislumbrem a possibilidade de serem objeto de apreciação por parte dos demais.

Normalmente, devido aos sentimentos supra-referidos, há isolamento social e, como o próprio nome do transtorno diz, uma constante evitação social. Nesse caso chama-se também de Transtorno de Evitação. O que, de fato, eles evitam é a possibilidade de experimentarem sentimentos desagradáveis de desapreço ao se submeterem ao jugo público. Com frequência se utilizam de mentiras com a intenção de dissimular sua real situação existencial, pois, de qualquer forma, acham que se os interlocutores souberem como eles são realmente, perderão todo interesse em suas pessoas.

 

Anticonvulsivantes

Anticonvulsantes são fármacos que, entre outras importantes ações na psiquiatria, também na neurologia evitam ou controlam as crises epilépticas. Dessa forma os anticonvulsivantes são chamados, na neurologia, como Antiepilépticos e na psiquiatria, como Antimpulsivos e Estabilizadores do Humor no Transtorno Afetivo Bipolar.

Por conta disso a bula de muitos anticonvulsivantes pode atrapalhar e interferir negativamente no tratamento. Pacientes epilépticos podem resistir ao seu uso por não se considerarem bipolares e, ao contrário, os bipolares estranham o fato de terem que tomar um medicamento para epilepsia. Mas é assim que se faz universalmente.

Alguns desses fármacos, como dissemos, possuem efeitos antimaníacos (anti-eufóricos) e, possivelmente, antidepressivos (carbamazepina, valproato de sódio, clonazepam), podem ser úteis no tratamento das fortes reações de ira e da conduta impulsiva e agressiva. Os anticonvulsivantes não devem nunca ser suspensos de forma súbita devido ao risco de produzir crises convulsivas na abstinência.

Os principais Anticonvulsivantes usados no Brasil são:
– Carbamazepina
– Fenobarbital
– Gabapentina
– Lamotrigina
– Oxcarbazepina
– Valproato de Sódio
– Topiramato
– Hidantoína

Anticolinérgicos

Anticolinérgicos são substâncias extraídas de plantas ou sinteticamente produzidas que possuem em comum uma série de efeitos no corpo humano. Estão entre as plantas anticolinérgicas a Saia Branca, Lírio, Trombeta, Trombeteira, Zabumba, Cartucho, Estramônio e outras.

Essas plantas produzem duas substâncias responsáveis pelos efeitos anticolinérgicos; a atropina e a escopolamina, que anulam os efeitos de um neurotransmissor chamado acetilcolina.

Entre as substâncias sintéticas, temos os medicamentos comercialmente vendidos com o nome de Artane® , Akineton® , ambos usados na Doença de Parkinson, além de colírios para glaucoma e outros. etc.

Os sintomas provocados pelo uso dos anticolinérgicos são: pupilas dilatadas, visão borrada, secura na boca e narinas, dificuldade respiratória, aumento do número de batimentos do coração, diminuição de pressão sanguínea, intestino preso e aumento da temperatura corporal.

Em doses elevadas o uso desses produtos torna-se perigoso pois a temperatura se eleva muito, a pressão pode cair muito e chegar ao coma até a morte. Os sintomas anticolinérgicos aparecem em cerca de dez minutos após à ingestão da substância. Juntos com álcool podem produzir alucinações (viagens), euforia e excitação. Por conta disso oferecem risco de uso abusivo e ilegal.

Quimicamente os anticolinérgicos são também denominados antimuscarínicos, que são fármacos que antagonizam a ação da acetilcolina nos receptores muscarínicos. São utilizados, freqüentemente, no tratamento da Doença de Parkinson e dos sintomas extrapiramidais produzidos por medicamentos antipsicóticos.

Algumas vezes os anticolinérgicos são administrados junto com antipsicóticos, desde o início do tratamento, com objetivo de evitar o aparecimento de sintomas extrapiramidais. A literatura cita que os anticolinérgicos podem também ter efeitos levemente antidepressivos.

Antidepressivos

Os Antidepressivos são drogas que aumentam o tônus psíquico melhorando o humor e, consequentemente, melhorando o desempenho psíquico global.

A ação terapêutica das drogas antidepressivas tem lugar no Sistema Límbico, o principal centro das emoções. Este efeito terapêutico é consequência de um aumento dos neurotransmissores na fenda sináptica, principalmente da norepinefrina (NE) e/ou da serotonina (5HT) e/ou da dopamina (DO), bem como alteração no número e sensibilidade dos neuroreceptores. O aumento de neurotransmissores na fenda sináptica pode se dar através do bloqueio da recaptação desses neurotransmissores no neurônio pré-sináptico ou ainda, através da inibição da Monoaminaoxidase (MAO), a enzima responsável pela inativação destes neurotransmissores. Será, portanto, os sistemas noradrenérgico, serotoninérgico e dopaminérgico do Sistema Límbico o local de ação das drogas antidepressivas empregadas na terapia dos transtornos da afetividade.

Podemos dividir os antidepressivos em 4 grupos:
1 – Antidepressivos Tricíclicos (ADT)
2 – Antidepressivos Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina
3 – Antidepressivos Atípicos
4 – Inibidores da Monoaminaoxidase (IMAO)

ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS
Os Antidepressivos Tricíclicos (ADT) sofrem metabolização hepática por oxidação e hidroxilação numa via metabólica, noutra via sofrem dimetilação originando metabólitos também ativos. Eles têm uma forte tendência em ligar-se às proteínas plasmaticas, embora a fração livre tenha também uma grande importância na ação terapêutica. Apenas 5% da dose ingerida é excretada em sua forma original.

Como os metabólitos dos ADT são ativos terapeuticamente, as diferenças individuais de metabolização fa-zem com que as doses equivalentes prescritas resultem, com freqüência, em níveis plasmaticos muito discre-pantes de uma pessoa para outra.

O local de ação dos ADT é no Sistema Límbico aumentando a NE e a 5HT na fenda sináptica. Este au-mento da disponibilidade dos neurotransmissores na fenda sináptica é conseguido através da inibição na re-captação destas aminas pelos receptores pré-sinápticos. Parece haver também, com o uso prolongado dos ADT, uma diminuição do número de receptores pré-sinápticos do tipo Alfa-2, cuja estimulação do tipo feedback inibiria a liberação de NE.

Desta forma, quanto menor o número destes receptores, menor seria sua estimula-ção e, conseqüentemente, mais NE seria liberada na fenda. Portanto, dois mecanismos relacionados à recap-tação; um inibindo diretamente a recaptação e outro diminuindo o número dos receptores.

Alguns autores tentam relacionar subtipos de depressão de acordo com o envolvimento do sistema seroto-ninérgico ou noradrenérgico. Teríamos então, bioquímica e farmacologicamente, a depressão por déficit de 5HT, considerada depressão ansiosa e a depressão por déficit de NE, depressão inibida.

Importa, em relação à farmacocinética dos ADT, o conhecimento do período de latência para a obtenção dos resultados terapêuticos. Normalmente estes resultados são obtidos após um período de 15 dias de utilização da droga e, não raro, podendo chegar até 30 dias.

Os ADT são potentes anticolinérgicos e, esta característica, juntamente com a afinidade por receptores muscarínicos explicam a maioria de seus muitos efeitos colaterais. Enquanto os efeitos terapêuticos exigem um período de latência, o mesmo não acontece com os efeitos colaterais. Estes aparecem imediatamente após a ingestão da droga e são responsáveis pelo grande número de pacientes que abandonam o tratamento antes dos resultados desejados.

INIBIDORES SELETIVOS DE RECAPTAÇÃO DA SEROTONINA
Os Inibidores Específicos da Recaptação de Serotonina (ISRS) atuam no neurônio pré-sináptico inibindo específicamente a recaptação desse neurotransmissor, logrando daí seu efeito antidepressivo. Por não terem efeitos anticolinérgicos e nem por apresentarem afinidade com receptores adrenérgicos, muscarínicos, colinér-gicos, histamínicos ou dopamínicos, deixam de apresentar a expressiva maioria dos efeitos colaterais encontra-dos nos antidepressivos tricíclicos e, emboral alguns deles tornem o ato sexual mais prolongado, decididamente não diminuiem a libido.

Os ISRS interagem muito pouco com o álcool, portanto, limitam menos o nível social dos pacientes. Estudos realizados por períodos de até um ano demonstram que a maioria dos ISRS não causa ganho de peso ou causam muito pouco ganho, ao contrário do que ocorre em muitos pacientes em uso de antidepressivos tricíclicos. Os efeitos antidepressivos dos ISRS começam a ser observados de 2 a 4 semanas após o início do tratamento, normalmente após a segunda semana. O efeito máximo ocorre após 5-6 semanas de uso.

Recomenda-se a utilização de 20 a 60 mg/dia, via oral, para a maioria das substâncias ISRS, dose esta que pode ser em uma única tomada, devido sua meia-vida mais longa. A Nefazodona e o Citalopram são ministra-dos em doses maiores.

ANTIDEPRESSIVOS ATÍPICOS
São os antidepressivos que não se caracterizam como Tricíclicos, como ISRS e nem como Inibidores da MonoAminaOxidase (IMAOs). Alguns deles aumentam a transmissão noradrenérgica através do antagonismo de receptores 2 (pré-sinápticos) no sistema nervoso central, ao mesmo tempo em que modulam a função cen-tral da serotonina por interação com os receptores 5-HT2 e 5-HT3 , como é o caso da Mirtazapina. A atividade antagonista nos receptores histaminérgicos H1 da Mirtazapina é responsável por seus efeitos sedativos, embo-ra esteja praticamente desprovida de atividade anticolinérgica.

Outros atípicos são inibidores da recaptação de serotonina e norepinefrina, inibindo também, a recaptação de dopamina. É o caso da venlafaxina. Essa droga também reduz a sensibilidade dos receptores beta-adrenérgicos, inclusive após administração aguda, o que pode sugerir um início de efeito clínico mais rápido.

Antiparkinsonianos

Os Antiparkinsonianos constituem provavelmente o grupo de substâncias mais usado para reduzir os sintomas da Doença de Parkinson, bem como os efeitos colaterais de alguns medicamentos (neurolépticos) que podem simular a Doença de Parkinson. As medicações comumente usadas nesse grupo são trihexafenidil, biperideno e a benzotropina.

No caso de serem usados na prevenção e tratamento dos efeitos colaterais de medicamentos (neurolépticos), os antiparkinsonianos melhoram e podem revertger os sintomas chamados extrapiramidais, tais como: parkinsonismo, distonia aguda e acatisia aguda.

Os antiparkinsonianos têm absorção gastrointestinal e ação rápida no sistema nervoso central por serem lipofílicos, alcançando o pico plasmático em poucas horas.

Outras dorgas antiparkinsonianas mais diferenciadas só são utilizadas em situações mais avançadas da doença. A dopamina é a principal droga (Levodopa), e em geral é encontrada comercialmente associada a substância que aumenta sua potência (“Sinemet” ou “Prolopa“). As complicações que surgem com o uso da levodopa (movimentos anormais, por ex) limitam a sua eficácia.

Recentemente surgiram medicamentos que otimizam a ação da levodopa: o tolcapone e o entacapone.Existem outras substâncias que auxiliam a dopamina ou aumentam a sua eficiência como a bromocriptina (“Parlodel“) e a Amantadina (“Mantidan“). Drogas anticolinérgicas mais antigas (“Artane“, “Akineton“) também podem ser úteis. A Selegilina foi recentemente desenvolvida e provoca o aumento da dopamina no cérebro havendo uma tendência atual de se iniciar o tratamento com ela.

Uso Abusivo de Antiparkinsonianos
Os Antiparkinsonianos agem no sistema dopaminérgico, além de serem anticolinérgicos. Assim, eles ocasionam, dependendo das doses e de associações, estado de excitação psíquica, euforia e mesmo alucinações (viagens). Essas características parecem estimular o uso ilegal e abusivo dessas substâncias.

É possível que, no caso dos antiparkinsonianos, os efeitos anticolinérgicos ocorram antes do bloqueio dopaminérgico. Várias drogas atuantes no sistema dopaminérgico foram testadas no tratamento da dependência, com resultados discrepantes.O efeito euforizante das medicações descritas poderia ser responsável pelo potencial de abuso, independentemente dos neurotransmissores envolvidos.

Por fim, o efeito rápido de drogas que atuam no sistema dopaminérgico teoricamente poderia também estar relacionado ao seu potencial de abuso. Enquanto não se desenvolver maior compreensão de seus mecanismos determinantes, incluindo neurobiológicos, é necessária a prescrição cautelosa dessas medicações, sobretudo no caso de pacientes com quadros prévios de abuso de substâncias psicoativas. Logo, o potencial de abuso de drogas dopaminérgicas merece atenção.

 

Antipsicóticos

Entre 1910 e 1920 praticamente não havia terapêutica para a esquizofrenia e que somente 20% dos pacientes, aproximadamente, apresentavam algum tipo de melhora. Em 1930 surge o primeiro tratamento biológico para essa psicose, a eletroconvulsoterapia.

Através desse tratamento foi possível alcançar pouco mais de 30% de resposta terapêutica. Mas foi somente nas décadas de 50 e 60 que chegam os primeiros antipsicóticos, chamados então de primeira geração, hoje conhecidos como “convencionais“.

A clorpromazina (Amplictil®), que é um antipsicótico sedativo, foi descoberta em 1957. Sedativo é o neuroléptico cuja ação predominante é a sedação do paciente. O haloperidol (Haldol®), neuroléptico incisivo, em 1959. Incisiva é a ação responsável pelo desaparecimento dos delírios e das alucinações. Com esses medicamentos foi possível alcançar mais de 60% de melhora, aumentando significativamente as chances de pacientes com esquizofrenia se ressocializarem e deixarem os manicômios.

Em 1990 surgem os antipsicóticos de segunda geração, que trouxeram uma nova perspectiva para o tratamento da doença. A clozapina (Leponex®), considerada o primeiro antipsicótico de segunda geração (ou atípico) foi descoberta em 1970 mas, devido ao problema da agranulocitose, aparece no mercado somente em 1988, sendo aprovada para uso nos Estados Unidos em 1990 e no Brasil em 1992.

Logo, outros antipsicóticos de segunda geração entram no mercado, para alívio dos milhões de esquizofrênicos. A risperidona foi lançada em 1994, a olanzapina em 1996, a quetiapina em 1997 e a ziprasidona no ano 2000.

Os neurolépticos atípicos, ou de 2a. geração, não podem ser classificados de sedativos ou incisivos tendo em vista a diversidade de ação, ora cumprindo um objetivo, ora outro.

Esses novos medicamentos tem se mostrado um novo e valioso recurso terapêutico nas psicoses, principalmente naquelas refratárias aos antipsicóticos tradicionais, nos casos de intolerância aos efeitos colaterais extra piramidais, bem como nas psicoses predominantemente com sintomas negativos, onde os antipsicóticos tradicionais podem ser ineficazes.

De qualquer forma, os Antipsicóticos ou Neurolépticos são medicamentos inibidores das funções psicomotoras, como é o caso da excitação e da agitação. Paralelamente eles atenuam também os distúrbios neuro-psíquicos ditos psicóticos, tais como os delírios e as alucinações. São substâncias químicas sintéticas, capazes de atuar seletivamente em células nervosas que regulam os processos no homem e a conduta em animais.

Farmacologicamente os Antipsicóticos compõem um termo genérico aplícado de maneira ampla a diversas classes químicas de drogas empregadas no manejo sintomático de várias condições psicóticas, especialmente a esquizofrenia e estados de excitação. As substâncias incluem fenotiazinas, butirofenonas e tioxantenos, difenilbutilpiperidinas, pimozide e fluspirileno. Mais recente ainda surgiram a Clozapinas, Olanzapina, Ziprazidona, Quetiapina e outras.

A maioria dos Antipsicóticos mais antigos pode provocar reações adversas, entre as quais as síndromes extrapiramidais são as mais incômodas.

Antissocial, Transtorno

A característica essencial do Transtorno da Personalidade Antissocial é um continuado desrespeito e violação dos direitos dos outros que se inicia na infância ou começo da adolescência e continua na idade adulta. Este padrão também é conhecido como psicopatia, sociopatia ou transtorno da personalidade dissocial.

É comum que as pessoas com Personalidade Antissocial tenham tido Transtorno da Conduta na infância ou adoelescência. O Transtorno da Conduta envolve um padrão de comportamento repetitivo e persistente, no qual ocorre violação dos direitos básicos dos outros ou de normas ou regras sociais importantes e adequadas à idade.

Os comportamentos característicos do Transtorno da Conduta ajustam-se a uma entre 4 categorias:
1- agressão a pessoas e animais,
2- destruição de propriedade,
3- defraudação ou furto,
4- séria violação de regras.

O padrão de comportamento antissocial persiste pela idade adulta. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Antissocial ou Sociopatas não se conformam às normas pertinentes a um comportamento dentro de parâmetros legais. Eles podem realizar repetidos atos que constituem motivo de detenção (quer sejam presos ou não), tais como destruir propriedade alheia, importunar os outros, roubar ou dedicar-se à contravenção.

As pessoas com este transtorno desrespeitam os desejos, direitos ou sentimentos alheios. Frequentemente enganam ou manipulam os outros, a fim de obter vantagens pessoais ou prazer (por ex., para obter dinheiro, sexo ou poder). Podem mentir repetidamente, usar nomes falsos, ludibriar ou fingir.

Um padrão de impulsividade pode ser manifestado por um fracasso em planejar o futuro. As decisões são tomadas ao sabor do momento, de maneira impensada e sem considerar as conseqüências para si mesmo ou para outros, o que pode levar a mudanças súbitas de empregos, de residência ou de relacionamentos.

Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Antissocial ou Sociopatas tendem a ser irritáveis ou agressivos e podem repetidamente entrar em lutas corporais ou cometer atos de agressão física (inclusive espancamento do cônjuge ou dos filhos).

Os atos agressivos cometidos em defesa própria ou de outra pessoa não são considerados evidências para este quesito. Esses indivíduos também exibem um desrespeito imprudente pela segurança própria ou alheia, o que pode ser evidenciado pelo seu comportamento ao dirigir (excesso de velocidade recorrente, dirigir intoxicado, acidentes múltiplos). Eles podem engajar-se em um comportamento sexual ou de uso de substâncias com alto risco de conseqüências danosas. Eles podem negligenciar ou deixar de cuidar de um filho, de modo a colocá-lo em perigo.

Veja Transtorno da Personalidade Antissocial ou Sociopatas

Antropofagia

Canibalismo é a atitude de um animal comer outro da mesma espécie. Quando esse canibalismo se dá entre seres humanos chama-se de Antropofagia. O sentido etimológico original da palavra “antropófago” (do grego anthropos, “homem” + phagein, “comer”)

Evidentemente, na avaliação do comportamento canibal, não podemos considerar o ato humano isoladamente mas sim, sempre inserido em um determinado contexto. Existem atitudes perfeitamente aceitas em certas culturas e consideradas aberrantes em outras. A Antropofagia é um desses casos; aceita em algumas culturas (e algumas épocas) e até entendida como uma atitude nobre, de vencedores.

Encontram-se evidências arqueológicas da prática de canibalismo em algumas comunidades da África, América do Sul e do Norte, ilhas do Pacífico Sul e nas Antilhas. Canibais famosos foram os astecas, no México, que sacrificavam seus prisioneiros de guerra e comiam alguns deles. Eles comiam os prisioneiros de guerra e outras vítimas, numa prática conhecida como exocanibalismo ou exofagia, ou seja, canibalismo praticado em indivíduos de tribos diferentes. O canibalismo que consiste no ato de consumir parte dos corpos de seus parentes e amigos mortos é chamado de endocanibalismo.

Atualmente, entretanto, na quase totalidade dos casos é indício de severa patologia mental, embora existam poucos casos de canibalismo de humanos na sociedade ocidental moderna  ligados a situações limites de sobrevivência e de opção de vida ou morte.

Sabemos que, de acordo com determinadas exigências situacionais extremas, indivíduos psiquicamente normais podem atuar maneira tal que, em outras circunstâncias mais amenas, seriam considerados francamente patológicos. Veja-se, por exemplo, o caso da antropofagia registrada em desastres dantescos.

 

Apercepção

Apercepção da realidade é um processo em que a realidade é representada de maneira muito íntima, própria e pessoal. Enquanto a natureza da Sensopercepção é melhor entendida a nível do fisiologismo neuro-sensorial através dos cinco sentidos, a Apercepção ou Representação reporta-se predominantemente à subjetividade da realidade, e é revestida de uma tonalidade afetiva particular do indivíduo, portanto, afetivo-psicológico. A Representação da realidade é aquilo que a realidade representa para a pessoa, independentemente de opiniões em contrário.

Uma simples rosa pode ser percebida fisiológicamente através da visão, tato ou olfato, porém, será ricamente representada através do subjetivismo da pessoa. Pode até ser dispensável, nesta representação, a presença física do objeto rosa.

Da mesma forma, a palavra mãe, por exemplo, que pode ser percebida pela visão, se for escrita ou pela audição, se for falada, terá sua representação interna tocada pela afetividade e jamais será igual entre as pessoas.

O texto de Jung é bastante explicativo: “parece que o consciente flui em torrentes para dentro de nós, vindo de fora sob a forma de percepções sensoriais. Nós vemos, ouvimos, apalpamos e cheiramos o mundo, e assim temos consciência do mundo. Estas percepções sensoriais nos dizem que algo existe fora de nós, mas elas não dizem o que isso seja em si. Esta é tarefa não do processo perceptivo, mas do processo de Apercepção. Este último tem uma estrutura altamente complexa. Não que as percepções sensoriais sejam algo simples, mas sua natureza é menos psíquica do que fisiológica. A complexidade da apercepção, pelo contrário, é psíquica“.

Portanto, Jung identifica a Representação da qual falamos, com a Apercepção, algo responsável pela significação da coisa ou do que é a coisa em si.

Apneia do sono

Pessoas que tem o transtorno conhecido como Apneia do Sono podem parar brevemente de respirar quando adormecidos, e tem vários despertares breves e repetidos ao longo da noite perturbados por essas crises. Este distúrbio frequentemente se associa a roncos, que é a tradução sonora do estreitamento da via aérea durante a passagem do ar.

Quando o referido estreitamento da via aérea se torna mais severo, dá-se o fechamento desta, resultando em Apneia. Assim sendo, a Apneia é arbitrariamente definida como parada da respiração ou interrupção do fluxo aéreo por no mínimo durante 10 segundos.

A chamada Apneia Noturna ou Apneia do Sono é muito mais comum nos idosos que em outros grupos etários, e uma importante causa de hipersônia. A Apneia Noturna se caracteriza por uma crise de roncos altos, repentina, que se repete ao longo da noite e cessa em mais ou menos 10 segundos. As crises acontecem mais quando a pessoa dorme de barriga para cima.

O fator determinante da Apneia do Sono pode estar  localizado nas vias aéreas superiores, especialmente na faringe. O colapso de suas paredes durante o sono pode restringir, em parte, o fluxo aéreo, produzindo vibrações de baixa frequência, constituindo o ronco. O ronco não pode mais ser avaliado simplesmente pelo seu aspecto social e deve ser considerado um problema médico, pois pode preceder a Apneia do Sono em mais de 90% dos casos.

A Apneia do Sono parece estar relacionada ao excesso de sonolência durante o dia, a depressão, a dor de cabeça, e o prejuízo da memória da demência. O quadro de Apneia do Sono está ainda relacionado a um aumento do risco de morte súbita dormindo.

Apoplexia

Apoplexia é um conjunto de sinais e sintomas provocados pela destruição violenta de uma parte variável do cérebro, normalmente devido à trombose arterial cerebral (formação de coágulo numa artéria) ou à embolia cerebral (obliteração de uma artéria por coágulo sanguíneo, partícula de gordura, vegetação de endocardite), ou à hemorragia cerebral, enfim, tudo o que possa contribuir para interrupção da irrigação sanguínia do cérebro, produzindo anóxia.

Nos dois primeiros casos (trombose ou embolia), o tecido cerebral correspondente à artéria obstruída morre por falta de nutrição (oxigênio). No último caso, o tecido é comprimido pelo sangue que escapa do vaso rompido, havendo, além da falta de sangue, também compressão do tecido vizinho à ruptura do vaso. As causas mais frequentes das tromboses e hemorragias cerebrais, raras antes de quarenta anos, são a arteriosclerose e a hipertensão.

Já a embolia cerebral, felizmente pouco frequente, costuma ser consequência de doença cardíaca, de ruptura de aneurisma e acontece em qualquer idade. Coágulos saem de um coração com arritmia e “enroscam” nas artéras cerebrais de menor calibre interrompendo o fluxo do sangue desse ponto em diante.

Fatores que favorecem a apoplexia são: obesidade, abuso de estimulantes (álcool, fumo), excessos alimentares e vida sedentária. O ataque de apoplexia é repentino e violento, havendo paralisia, perda da articulação das palavras, e perda do conhecimento durante algum tempo (coma). A paralisia estende-se geralmente a um lado inteiro do corpo (hemiplegia), o lado oposto ao do vaso atingido, exceto quanto aos músculos da face.

Este fato paradoxal na aparência tem sua razão de ser: as fibras nervosas que comandam os músculos do tronco e dos membros, cruzam a linha mediana ao nível do bulbo. No início do ataque, os músculos ficam flácidos, mas, depois de algumas horas ou dias, voltam às atividades normais, embora com certa rigidez, acompanhada de contraturas.

Durante a coma, o doente geralmente respira com barulho, como que roncando, e apresenta o rosto congestionado. Se a lesão cerebral não for muito grave, a maior parte dos sintomas vai desaparecendo.

Persiste em geral certa rigidez no lado atingido e dificuldades de elocução, mais ou menos pronunciadas. Promover medidas que facilitem a respiração. Levantar ligeiramente a cabeça do doente e procurar assistência hospitalar imediata. Jamais dar-lhe alguma coisa para ingerir no estado de inconsciência: o líquido pode passar para os brônquios e produzir grave broncopneumonia.

Cuidados médicos urgentes podem salvar o doente; depois fazem-se os tratamentos específicos das seqüelas. O lado paralisado pode ser reeducado em centros especializados (fisioterapia, massagens, mecanoterapia, etc.), com melhoras por vezes espetaculares e até com a volta do indivíduo à vida ativa.

Apragmatismo

Apragmatismo é o contrário de pragmático. Apragmatismo é a incapacidade de realizar atos eficientes, objetivos e propositais. No Apragmatismo a atividade fica estéril ou ineficaz por incoordenação das ações parciais necessárias à realização do ato pleno.

Nos estados confusionais as pessoas ficam apragmáticas, assim como nos Estados Crepusculares e em algumas crises de epilepsia parcial e/ou psicomotora.

Em muitas doenças mentais, incluindo as mais graves, como a Esquizofrenia, pode haver um preejuízo do pragmatismo (diminuição) mas raramente chega-se ao Apragmatismo. Quando ela ocorre é sempre bom verificar a possibilidade de causa orgânica.

Apraxia

Apraxia é o prejuízo na capacidade de executar atividades motoras, apesar das capacidades motoras, função sensorial e compreensão estarem intactas para a tarefa exigida. O termo “apraxia” foi usado pela primeira vez em 1871 por Steinthal. Não existe uma definição universal para o termo, mas Rothi e Heilman sugerem que seja definido como uma alteração neurológica da capacidade de movimento apreendido e proposicional que não possa ser explicado por defeitos elementares da motricidade nem dos sistemas sensoriais.

Na realidade Apraxia é a perda da capacidade de executar eficientemente a intenção para um ato para um determinado fim, mas não há comprometimento anatômico das estruturas cerebrais envolvidas na execussão desse ato (seja ele da musculatura voluntária, da fala, da mímica, etc).

Os indivíduos com Demência podem apresentar apraxia. Eles apresentam prejuízo em sua capacidade de demonstrar com mímica o uso de objetos (por ex., pentear os cabelos) ou de executar atos motores conhecidos (por ex., acenar dizendo adeus).

A Apraxia pode contribuir para déficits nos atos de cozinhar, vestir-se e desenhar. As perturbações na habilidade motora podem ser testadas pedindo que o indivíduo execute funções motoras (por ex., mostrar como se escova os dentes, copiar pentágonos que se intercruzam, montar blocos, ou arranjar varetas em desenhos específicos).

Podemos classificar vários tipos de Apraxia:
A apraxia ideativa corresponde à ideomotora, mas o desempenho não melhora com a presença do objecto nem com a imitação. É como se todos os esquemas de programação motora estivessem perdidos. Este tipo de apraxia é mais comum nos casos de Demência.
A apraxia buco-facial corresponde à incapacidade de realizar movimentos com os músculos da face e da boca. Este tipo acompanha muitas vezes os quadros afásicos, sendo possível que os mecanismos que sustentam estes movimentos partilhem algumas funções com as da linguagem.
A apraxia de marcha corresponde à impossibilidade de realizar os movimentos necessários para andar. Estes doentes, são capazes de cruzar as pernas quando estão sentados, de bater com os pés no chão alternadamente, de fazer movimentos de bicicleta quando estão deitados, mas não conseguem realizar os movimentos necessários para progredir na marcha.
A apraxia do vestir surge com muita frequência nos casos de demência. O doente deixa de saber a sequência correcta com que se vestem as diferentes peças de roupa. Pode, por exemplo, vestir a camisa por cima do casaco. Muits vezes, tenta vestir peças de roupa de forma errada, tenta enfiar a perna na manga do casaco e, noutras ocasiões, pode usar múltiplas peças de roupa repetidas, por exemplo, três pares de meias.

Área Pré-Frontal

O área ou córtex pré-frontal é uma região do cérebro que apresenta o período de desenvolvimento mais prolongado, após o nascimento, em relação a qualquer outra parte do cérebro. É de sua responsabilidade as tarefas cognitivas mais sofisticadas e complexas da mente humana.

Devido sua grande heterogeneidade e complexidade, nenhuma teoria é amplamente aceita para explicar as funções do córtex pré-frontal. Entretanto, várias dessas teorias convergem para três funções cognitivas básicas desta área, ligadas à memória de trabalho. Assim, a área pré-frontal vem sendo considerada a “sede” da personalidade.

Ainda há muitas especulações em torno dessa região, mas por meio da interpretação de dados experimentais e clínicos, nota-se que essa estrutura participa na tomada de decisões e na adoção de estratégias comporta mentais mais adequadas à situação física e social; ademais, parece estar relacionada à capacidade de seguir sequências ordenadas de pensamentos e a modalidades de controle do comportamento emocional.

Sabe-se também que o córtex pré-frontal mantém informações relevantes acessíveis por períodos curtos de tempo, enquanto uma determinada tarefa está sendo executada. Em segundo, ele planeja e executa uma seqüência de ações. Por fim o córtex pré-frontal se encarrega de inibir respostas inadequadas para um determinado contexto, e estimular estas respostas em outros contextos.

Quando o córtex pré-frontal é lesado há severo prejuízo das responsabilidades sociais (lesões orbitofrontais), bem como a capacidade de concentração e de abstração (lesões dorsolaterais). Em alguns casos, a pessoa, conquanto mantendo intactas a consciência e algumas funções cognitivas, como a linguagem, já não consegue resolver problemas, mesmo os mais elementares.

Quando se praticava a lobotomia pré-frontal para tratamento de certos distúrbios psiquiátricos, os pacientes entravam em um estado de “tamponamento afetivo”, não mais evidenciando quaisquer sinais de alegria, tristeza, esperança ou desesperança. Em suas palavras ou atitudes não mais se vislumbravam quaisquer resquícios de afetividade.

Ateriosclerose

Arteriosclerose é o nome que se dá ao processo de envelhecimento das grandes e medias artérias do corpo que se tornam endurecidas e estreitadas, portanto, é uma doença degenerativa. Esse envelhecimento vascular consiste no depósito de gordura nas paredes das artérias, facilitando a formação de embolias, tromboses e infartos, todos esses processos resultando em má irrigação sangüínea.

A arteriosclerose se inicia na juventude e começa a ficar nítida por volta dos 50 anos. É a base de moléstias como o Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou derrame, e o infarto agudo do miocárdio, as duas das principais causas de morte no mundo ocidental.

Há situações em que o processo está mais acentuado podendo surgir logo na infância levando a manifestações cardíacas na juventude, mas isto caracteriza uma situação muito rara. Não se conhece a causa da aterosclerose, mas já se sabe que a hereditariedade é importante.

A alimentação rica em gorduras (colesterol) é também um fator predisponente e agravante. O aumento de gorduras no sangue também pode ocorrer em algumas doenças, principalmente aquelas que apresentam diminuição do colesterol de alta densidade (HDL). A diminuição dos níveis sangüíneos de HDL é considerado um fator de risco para doenças como o infarto do miocárdio, por ex., que ocorre no adulto jovem.

Na terceira idade os níveis de gordura no sangue não tem relação com a doença cardíaca. Outros fatores, denominados de risco por favorecer ou acelerar o processo de arteriosclerose são o tabagismo, a pressão alta, o diabetes, a obesidade, a vida sedentária e o estresse. Sabe-se também que o tipo de personalidade pode favorecer o processo de arteriosclerose, destacando-se então as pessoas tensas e ansiosas.

O desenvolvimento da Arteriosclerose é um processo progressivo, chegando à placa ou ateroma, que é a lesão presente na parede da artéria e que surge mais tardiamente. Esse ateroma consiste no acúmulo exagerado de material gorduroso dentro de determinados vasos sangüíneos, o que os tornam ainda mais estreitos.

Posteriormente esta placa de gordura ou ateroma tende a se calcificar e apresentar ulcerações ou fissuras. Estas alterações da parede interna da artéria são os locais propícios para a formação de trombos. O trombo é um agrupamento de componentes do sangue (plaquetas) que se prendem aos locais alterados, ou placas, da parede das artérias.

O crescimento do trombo pode levar à oclusão da artéria (trombose), ou um pedaço do mesmo, desprendido, pode entrar na corrente sangüínea e obliterar uma artéria menor mais distante (embolia).

A arteriosclerose ocorre de preferência em grandes artérias, destacando-se: a aorta, artérias dos membros inferiores (femoral, poplítea, tibial), artérias do coração (coronárias) e artérias que irrigam o cérebro (carótidas). O termo arteriosclerose é genérico e indica o envelhecimento de artérias e seu consequente processo de endurecimento.

Aspartato e Glutamato

Os neurotransmissores, tais como Glutamato e Aspartato, estão implicados nas conexões recíprocas entre a Amígdala e o Córtex Pré-Frontal (opercular) anterolateral e entre estas duas estruturas com o tálamo mediodorsal e o núcleo caudado. O aumento fisiológico intenso das concentrações desses aminoácidos excitadores pode produzir a morte neuronal em diversos sistemas biológicos. Glutamato e Aspartato são mensageiros do cérebro. Quimicamente, os neurotransmissores são moléculas relativamente pequenas e simples.

Diferentes tipos de células secretam diferentes neurotransmisores. Cada substância química cerebral funciona em áreas bastante espalhadas mas muito específicas do cérebro e podem ter efeitos diferentes dependendo do local de ativação. Cerca de 60 neurotransmissores foram identificados e podem ser classificados, em geral em uma das quatro categorias.

1) colinas: das quais a acetilcolina é a mais importante;
2) aminas biogênicas: a serotonina, a histamina, e as catecolaminas – a dopamina e a norepinefrina
3) aminoácidos: o glutamato e o aspartato são os transmissores excitatórios bem conhecidos, enquanto que o ácido gama-aminobutírico (GABA), a glicina e a taurine são neurotransmissores inibidores.O principal neurotransmissor excitante do cérebro, vital para estabelecer os vínculos entre os neurônios que são a base da aprendizagem e da memória a longo prazo.
4) neuropeptídeos: são formados por cadeias mais longas de aminoácidos (como uma pequena molécula de proteína). Sabe-se que mais de 50 deles ocorrem no cérebro e muitos deles têm sido implicados na modulação ou na transmissão de informação neural.

Asperger, Síndrome

A expressão Síndrome de Asperger se refere a um transtorno de validade classificatória e nosológica incerta, caracterizado por uma alteração qualitativa das interações sociais recíprocas, semelhante à observada no autismo, com um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo.

Autismo e a Síndrome de Asperger são duas entidades diagnósticas classificadas dentro dos transtornos de neurodesenvolvimento, comprometendo os processos fundamentais de socialização, comunicação e aprendizado. Esses transtornos são coletivamente conhecidos como transtornos invasivos de desenvolvimento.

A incidência desse grupo de condições entre os transtornos de desenvolvimento afeta aproximadamente 1 em cada 200 indivíduos. Eles estão também entre aqueles com maior carga genética entre os transtornos de desenvolvimento, com riscos de recorrência entre familiares da ordem de 2 a 15%. O início da Síndrome de Asperger é precoce, perfil sintomático e cronicidade envolvem mecanismos biológicos fundamentais relacionados à adaptação social.

Asperger se diferencia do autismo essencialmente pelo fato de que não se acompanha de um retardo ou de uma deficiência de linguagem ou do desenvolvimento cognitivo. Os sujeitos que apresentam este transtorno são em geral muito desajeitados. As anomalias persistem frequentemente na adolescência e idade adulta. O transtorno se acompanha por vezes de episódios psicóticos no início da idade adulta. Inclui o que se pode chamar de Psicopatia Autística e Transtorno Esquizóide da Infância.

O termo Síndrome de Asperger foi utilizado pela primeira vez por Lorna Wing em 1981 em um jornal médico, pretendendo honrar Hans Asperger, um psiquiatra e pediatra austríaco cujo trabalho não havia sido reconhecido internacionalmente. A síndrome foi reconhecida pela primeira vez no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, na sua quarta edição, em 1994 (DSM-IV).

As características essenciais da Síndrome de Asperger são um prejuízo severo e persistente na interação social e o desenvolvimento de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades. A perturbação deve causar prejuízo clinicamente significativo nas áreas social, ocupacional ou outras áreas importantes de funcionamento.

Alguns outros sintomas da Síndrome de Asperger são: dificuldade de interação social e empatia; interpretação muito literal da linguagem; dificuldade com mudanças, perseveração em comportamentos estereotipados. No entanto, pode isso ser conciliado com desenvolvimento cognitivo normal ou alto. A doença (ou transtorno) é mais comum no sexo masculino.

Contrastando com o Transtorno Autista, não existem atrasos clinicamente significativos na linguagem (isto é, palavras isoladas são usadas aos 2 anos, frases comunicativas são usadas aos 3 anos). Além disso, não existem atrasos clinicamente significativos no desenvolvimento cognitivo ou no desenvolvimento de habilidades de auto-ajuda apropriadas à idade, comportamento adaptativo (outro que não na interação social) e curiosidade acerca do ambiente na infância.

 

Assembléias Neuronais

O conceito de Assembléias Neuronais é relativamente novo e serve como uma valiosa hipótese acerca da formação da consciência no ser humano. O mecanismo responsável para a formação da consciência no ser humano não encontra nenhuma explicação, plenamente satisfatória até o momento.

A consciência reflete sempre a individualidade e unidade do ser humano e, sem dúvida, seu aspecto mais relevante é sua característica unitária, onde todas as nossas percepções, pensamentos e emoções são integrados e fundidos num mesmo e determinado momento.

Depois de muitos séculos tentando delimitar um sítio cerebral específico para a sede da consciência, tudo indica que esta não esteja circunscrita à nenhuma área cerebral específica, mas se espalha difusamente pelo cérebro, sendo, simultaneamente, uni-temporal e múltiplo espacial. Essa visão global da consciência se alicerça na recente teoria das Assembléias Neuronais.

Um grupo de físicos israelenses do Instituto Weizmann, dirigidos por Amiram Ginvald, trabalhando com contrastes sensíveis à voltagem elétrica capazes de visualizar os neurônios se acendendo em larga escala, verificaram que mesmo um simples estímulo visual não provoca uma simples resposta cerebral, e sim uma resposta que cresce gradualmente à medida que mais e mais neurônios vão sendo recrutados. Isso confirma, de certa forma, as hipóteses da Dra. Greenfield, quando propôs a teoria das assembléias neuronais.

A teoria baseada nas Assembléias Neuronais representa um modelo muito convincente para a formulação de uma hipótese a respeito da consciência. Segundo essa teoria, o pensamento consciente é gerado quando vários neurônios de diversas colunas se unem funcionalmente e, atuando harmonicamente e em conjunto, constroem uma assembléia, iniciando assim a formação de um determinado estado consciente.

Essa teoria tem sido corroborada por constatações de que os neurônios são capazes de se associarem rapidamente, formando grupos (assembléias) funcionais para realizarem uma determinada tarefa. Uma vez que esta tarefa esteja terminada, o grupo se dissolve e os neurônios estão novamente aptos a se engajarem em outras assembléias, para cumprirem uma nova tarefa.

Há, ainda, um aspecto quantitativo acerca dessa Assembléia Neuronal, segundo a qual, quanto maior o número de neurônios recrutados, maior será o tamanho dessa assembléia e, em conseqüência, maior será essa determinada e recém criada consciência, em termos de intensidade e tempo de duração. Contrariamente, se for pequeno o número de neurônios recrutados, a consciência resultante será pequena em intensidade e duração.

Veja mais sobre Consciência em Psicopatologia

Associações de Ideias

Associações de Ideias são um processo intelectivo segundo o qual a mente humana, a partir de uma ideia inicial (indutora), é imediatamente levada a suscitar uma outra. Isso ocorreria em razão de alguma “conexão natural” existente entre ambas.

A ideia indutora pode ser representada no caso, tanto por uma palavra, como por um objeto, uma imagem, ou mesmo uma emoção (da qual o sujeito toma consciência) cujo simples aparecimento na mente é suficiente para despertar uma segunda ideia, e esta uma terceira, e assim por diante, num processo praticamente sem limite e no qual, conforme a expressão popular, “uma coisa puxa a outra“.

Trata-se de fenômeno conhecido e estudado desde a antiguidade grega. Já Aristóteles descobrira que o processo de associação de idéias se rege por algumas leis intrínsecas e invariáveis. São elas:

a) a lei da contiguidade (ou continuidade) temporal, segundo a qual a ideia indutora tende a evocar de preferencia uma segunda ideia que, em experiência anterior, tenha sido apreendida ao mesmo tempo ou quase ao mesmo tempo que ela;
b) lei da semelhança (ou similaridade), segundo a qual uma ideia tende a suscitar outra que lhe seja afim quanto ao significado;
c) lei do contraste, segundo a qual uma ideia tende a evocar, entre outras, uma outra que lhe seja especificamente contrária.

A estas três leis básicas deve-se juntar, segundo alguns intérpretes, a lei da causalidade, de acordo com a qual o objeto representado pela idéia induzida apresenta uma relação de causa ou efeito com o objeto ou coisa representada pela ideia indutora.

Depois de muitos séculos, foi o inglês Locke quem lançou em circulação, tanto em Filosofia como em Psicologia, a expressão “associação de ideias“. Muitos psicólogos passaram a entender todo o funcionamento da mente humana como um simples processo de associação, de natureza mais ou menos mecânica. São os chamados associacionistas.

A existência desse processo mental, bem como o conhecimento das leis que o regem, possibilitou a Freud e aos psicanalistas desenvolver, em psicoterapia, uma importante técnica de análise psicológica, conhecida como “prova (ou método) das associações“, sejam livres, sejam condicionadas. Anteriormente cura da doença proposta por Freud consistia em fazer com que o paciente tornasse consciente o inconsciente, deixando assim de produzir os sintomas. Para tanto, Freud se valia da hipnose como um procedimento que facilitava a recordação.

Mais adiante Freud reformulou seu método terapêutico e deixou de usar a indução hipnótica, passando a solicitar que o paciente expressasse tudo que lhe ocorria à mente, fazendo assim uma livre associação de ideias. Essa nova técnica de tratamento marcou o início da Psicanálise.

Associações Livres

A técnica psicanalista das Associações Livres foi uma decorrência direta e estruturada do conceito da Associação de Ideias. A prova das associações livres pode ser considerada como a técnica clássica da psicanálise freudiana para a identificação das perturbações emocionais oriundas dos mais diversos tipos de complexos.

Associações Livres consistem, essencialmente, em um processo de evocação espontânea de ideias, em estado consciente e sem a interferência direta do terapeuta. Isso permitiria a localização de ideias e desejos reprimidos, que se encontram na raiz dos sintomas mórbidos apresentados pelo paciente, produz uma descarga geral da tensão psíquica, sendo este o seu efeito terapêutico mais simples e imediato.

O procedimento usual é o seguinte: o paciente é convidado a deitar-se sobre um divã, em uma sala semi-obscura e silenciosa, devendo colocar-se em posição de completo relaxamento e repouso, numa atitude inteiramente disponível. Postando-se por trás dele o médico lhe pede então que deixe a mente vagar descontraída, numa espécie de devaneio proposital, e vá dizendo em voz alta tudo o que lhe ocorrer no momento.

É importante conseguir que o sujeito diga tudo, absolutamente tudo, sem a mínima inibição ou crítica, portando-se como mero espectador, completamente neutro, do próprio pensamento. O analista se limita a ir anotando ou gravando em um aparelho de som com imparcial fidelidade, as palavras e frases proferidas pelo paciente.

As idéias assim evocadas revelarão invariavelmente certas associações (das quais o próprio sujeito não tem consciência) a partir das quais é possível descobrir ligações lógicas e emocionais entre os sintomas de seus distúrbios e experiências anteriores traumatizantes por ele vividas.

Essas associações espontâneas, involuntariamente estabelecidas pelo sujeito durante seu solilóquio em presença do terapeuta, são portanto “significativas” em relação aos sintomas apresentados e servem como pista indicadora capaz de levar o terapeuta à identificação das causas mais profundas dos males de seu paciente.

Uma série de indicações e convergências de “sentido” darão ao terapeuta um quadro elucidativo da situação patológica em seu conjunto e lhe permitirão – com a ajuda das leis gerais das associações de idéias – conjeturar e reconstruir o material “esquecido” e recalcado que deu origem aos sintomas mórbidos atualmente verificáveis no paciente.

Durante todo o processo, o terapeuta jamais intervém no próprio curso das associações, deixando o paciente inteiramente à vontade, como se estivesse falando sozinho. Apenas quando o rumo dos acontecimentos se mostrar decididamente improdutivo, poderá haver uma intervenção do analista. Nesse ponto ele pode sugerir uma palavra, um tema ou imagem que lhe pareça particularmente fecunda e a partir da qual o paciente passará a estabelecer novas associações.

Com isto, o método já se aproximará de uma técnica correlata, que é a prova das associações condicionadas, a qual é aliás preferida por muitos terapeutas desde o início das sessões. Ao final de cada sessão o terapeuta pedirá ao paciente para “explicar” e ampliar as associações por ele expressas durante o “devaneio”. Juntos, procurarão assim uma interpretação satisfatória da situação.

Entre as críticas que se fazem sobre a validade e eficácia de tal método psicanalítico, costuma-se chamar a atenção para o fato de que o paciente pode facilmente imprimir uma orientação subjetiva e intencional às próprias associações.

Além disto, sua disposição momentânea, bem como a própria tensão gerada pela tarefa proposta, podem influir decisivamente no rumo dado a essas associações que, desse ponto de vista, já não seriam realmente “livres” e espontâneas.

A atitude preconcebida do próprio terapeuta (como por exemplo, a tendência em querer explicar tudo em termos de sexo) poderá influir negativamente no curso do trabalho, desviando e falsificando o verdadeiro sentido dos dados obtidos. Mas estes parecem ser riscos óbvios, inerentes a qualquer tipo de interpretação psicanalítica.

Astrocitoma e Glioma

Glioma é um tumor do tecido nervoso (neuroglia) em qualquer estágio de desenvolvimento.
O termo é também usado de forma mais abrangente, incluindo todos os tumores primários do cérebro e medula espinhal (melhor denominados astrocitoma, ependimoma, neurocitoma, etc).

Em crianças, os tumores de tronco cerebral surgem, geralmente, sob a forma de gliomas intrínsecos e difusos de tronco cerebral, esses tumores compreendem 10% de todos os tumores pediátricos de Sistema Nervoso Central. Esses tumores se associam a um prognóstico bastante desfavorável, devido a impossibilidade de abordagem cirúrgica e constituem um desafio para futuras pesquisas em neuro-oncologia. Seu tratamento clássico envolve a radioterapia craniana.

Existem também os gliomas supratentoriais, os quais compreendem entre 30% e 35% dos tumores pediátricos de Sistema Nervoso Central. A maior incidência se dá entre 2 e 4 anos de idade e na adolescência. Histologicamente, podem ter padrões que variam desde os gliomas de baixo grau até os de alta malignidade ou anaplásicos.

O prognóstico depende do grau de diferenciação e do grau de ressecção cirúrgica obtida. Os pacientes com gliomas de baixo grau podem ser tratados com cirurgia exclusiva, caso tenha sido obtida uma remoção completa do tumor. É o caso dos astrocitomas pilocíticos, os quais podem chegar a 90% de sobrevida de 5 anos, após sua remoção total. O uso de quimioterapia para pacientes com lesão residual pós operatória vem sendo atualmente preconizado.

A radioterapia nesses tumores de baixo grau é reservada apenas para situações de progressão de doença. Já para tumores de alto grau de malignidade a taxa de sobrevida é baixa, mesmo com o uso de quimio e radioterapia, sendo de 20% a 46% em 5 anos.

Ataxia

Ataxia (do grego ataxis), quer dizer sem ordem ou incoordenação. Trata-se de um sintoma, não uma doença específica, caracterizado pela perda de coordenação dos movimentos musculares voluntários. Esse fenômeno cobre uma grande variedade de desordens neurológicas e, portanto, pode fazer parte do quadro clínico de numerosas doenças do sistema nervoso.

Algumas formas de ataxia são mais comuns que outras e têm até nomes específicos, como por exemplo a Ataxia de Friedreich, a mais comum entre as ataxias. A Ataxia de Friedreich foi a primeira forma de ataxia hereditária a ser distinguida de outras formas de ataxia.  Seu nome se origina do médico neurologista alemão Nicholaus Friedreich (1825-1882), o primeiro a descrever em 1863 esta misteriosa doença caracterizada pela perda gradual de coordenação e progressiva degeneração do sistema nervoso.

A Ataxia de Friedreich é uma doença genética ou hereditária, isto significa que ela é causada por uma anormalidade de um simples gene. De modo geral, todas as pessoas têm genes que não funcionam adequadamente.  No caso desta ataxia, e em várias outras doenças hereditárias, os sintomas não aparecem a menos que a pessoa tenha uma dose dupla de um gene alterado ou em mal funcionamento.

Nessas Ataxias que são causadas por uma anormalidade genética, com freqüência os primeiros sintomas aparecem na infância. Não há cura para a ataxia de Friedreich. O tratamento baseia-se em controlar os sintomas e em manter a saúde geral. Recomenda-se atividade física e fisioterapia, que podem ser benéfica.

Outras formas podem aparecer até a metade da vida e são então conhecidas como de iniciação tardia. Geralmente, todo esse grupo de desordens neurológicas é conhecido como ataxia degenerativa porque os sintomas se agravam com o passar do tempo.

A ataxia pode afetar os dedos, as mãos, os braços, as pernas, o corpo, a fala ou o movimento dos olhos. Essa perda de coordenação pode ser causada por diversas condições médicas ou neurológicas; por essa razão é importante que uma pessoa com ataxia procure auxílio médico para determinar a causa subjacente do sintoma e obter o tratamento apropriado.

Existe a Ataxia Cerebelar Aguda que acomete, na maioria das vezes crianças, principalmente naquelas com menos de 3 anos de idade. O problema costuma aparecer várias semanas depois de uma infecção viral. Doenças virais como a catapora e a doença Coxsackie normalmente aumentam a tendência a desenvolver esta condição.

Essa Ataxia Cerebelar acomete a marcha, e se caracteriza por uma deambulação instável e de base alargada (pernas abertas). Quando a criança está sentada o tronco move-se de um lado para o outro, para frente e para trás ou em qualquer combinação, e retorna à posição vertical com um movimento abrupto. Ao mesmo tempo, os olhos apresentam movimentos desordenados para os lados (nistagmo)e a pessoa apresenta uma fala explosiva e entrecortada (disartria).

Esse quadro geralmente diminui sem tratamento após algumas semanas ou meses. Ocasionalmente, a criança pode continuar apresentando distúrbios de movimento ou distúrbios de comportamento.

Atenção

Uma maneira importante pela qual a percepção se torna consciente é através da Atenção que, em essência, é a focalização consciente e específica sobre alguns aspectos ou algumas partes da realidade. Assim sendo, nossa consciência pode, voluntariamente ou espontaneamente, privilegiar um determinado conteúdo e determinar a inibição de outros conteúdos vividos. Portanto, reconhece-se a Atenção como um fenômeno de tensão, de esforço, de concentração, de interesse e de focalização da consciência.

A Atenção pode ser entendida como uma atitude psicológica através da qual concentramos a nossa atividade psíquica sobre um estímulo específico, seja este estímulo uma sensação, uma percepção, representação, afeto ou desejo, a fim de elaborar os conceitos e o raciocínio. Portanto, de modo geral a Atenção parece criar a própria consciência.

Alguns dividem o estado de atenção em 2 tipos: Vigilância e Tenacidade.
1- Vigilância é quando polarizamos nossa atenção em vários objetos da realidade, por exe., quando dirigimos. Devemos ter atenção em vários estímulos (marchas, trânsito, pedestres, conversa com outra pessoa… etc.).
2- Tenacidade é quando polarizamos nossos recursos cognitivos em um só objeto, por ex., quando estudamos, fazemos um cálculo, etc, havendo esmaecimento da consciência para outros estímulos simultâneos de nossa volta.

Ambos estado de atenção são importantes e existem em todas as pessoas, porém, nunca simultaneamente. Nas pessoas muito ansiosas, hiperativas e em estado de euforia predomina a Vigilância sobrea Tenacidade.

Outra característica importante da atenção é que ela é fortemente influenciada pela ligação afetiva que o sujeito tenha com o objeto de seu interesse.

Veja Memória e Atenção em Psicopatologia

Ato Compulsivo

Compulsivos são os atos que se impõem a um indivíduo, involuntariamente, apesar de seus esforços para resistir aos mesmos. Os Atos Compulsivos mais comumente se referem à limpeza (particularmente o ato de lavar as mãos), verificação repetida para se assegurar a eliminação de que uma situação potencialmente ou organização e arrumação. Subjacente ao comportamento manifesto está um medo, usualmente de perigo para o paciente ou causado por ele, e o ritual é uma tentativa ineficaz ou simbólica de afastar aquele perigo.

Quando observamos no indivíduo a tendência a ritualizar todos os seus procedimentos, tudo o que faz deve ser ordenado rigidamente, dizemos que ele possui um caráter obsessivo, ou uma personalidade anancástica (obsessiva-compulsiva).

Existe um distúrbio primário desta atividade, antigamente chamado de Neurose Obsessiva-Compulsiva, mas que é de fato um Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC), na qual aparecem idéias reverberantes e rituais compulsivos primários e alheios à intencionalidade, indicando tratar-se de um distúrbio do psiquismo, e não uma condição psicológica, psicodinâmica. Tanto é assim que a abordagem psicoterápica, nesses casos, é bastante difícil, sendo melhor sucedida com a interferência medicamentosa.

Ato Voluntário

Jaspers acredita que somente as ações são voluntárias quando há possibilidades de escolha, de reflexão e de decisão. Caso não haja esse conjunto circunstancial o ato será impulsivo, isto é, será mera descarga motora, sem direção e sem conteúdo, ou será ainda instintivo, sem considerações conscientes, embora dotadas de finalidade . Para se formar uma ideia geral do verdadeiro processo volitivo (da vontade), temos que delimitar e identificar quatro etapas:

1. intenção ou propósito, fase onde se esboçam as inclinações ou tendências de ação, geralmente vivenciadas sob a forma de algum interesse e, normalmente, polarizando nossa atenção sobre determinado objeto;
2. deliberação, etapa que corresponde à ponderação consciente dos motivos mencionados acima, analisando-se o que será favorável ou desfavorável (apreciação), levando forçosamente a uma opção, isto é, a fazer ou deixar de fazer;
3. decisão, momento culminante do processo volitivo, instante que demarca o começo da ação, resultado da vantagem consciente dos motivos favoráveis;
4. execução, quando surgem as atitudes necessárias à consumação dos propósitos, dependente da performance da pessoa sob o ponto de vista global e sua capacitação à eficácia da ação.

Para a execução do ato voluntário exige-se um certo grau de consciência e de reflexão sobre finalidades, entretanto, a maior parte dos atos que executamos na vida diária são relativamente automáticos. Para a atividade voluntária cotidiana fazem parte uma série reflexos automáticos e instintivos os quais, na prática, não podem ser bem diferenciados. A freqüente repetição de atitudes voluntárias acaba por transformar atos volitivos em atos automáticos, portanto, todos atos automáticos foram antes atos volitivos.

Algumas alterações do caráter comprometem a autonomia volitiva (da vontade, da voluntariedade), como aqueles traços encontrados nos dependentes químicos, nos jogadores compulsivos, nos portadores de Transtornos do Controle dos Impulsos, etc.

Veja mais sobre Alterações da Atividade Voluntária em Psicopatologia

 

Atraso Cultural (Dissonância)

Atraso Cultural pode ser entendido como a persistência de um costume ou norma cultural para além do tempo de sua contribuição funcional para aquela dada sociedade ou cultura podendo gerar conflito com outros costumes ou normas mais contemporâneas.

Um exemplo de Atraso Cultural são os núcleos regionais onde a estrutura familiar rural serve como norma inflexível para todos, a despeito dos atuais aspectos da sociedade urbanizada. Também os papéis dos gêneros sexuais (masculino e feminino) tradicionais.

Ao invés de Atraso Cultural, talvez fosse mais adequado falar em Dissonância Cultural para esta discrepância entre práticas tradicionais e necessidades modemas. Esse fenômeno pode precipitar transtornos de ajustamento ou transtornos mais graves.

Autismo (sintoma)

É essencial diferenciar o Autismo, como sintoma psicótico, do Autismo Infantil, uma doença específica. O Autismo sintoma diz respeito ao tipo de relacionamento entre o sujeito e a realidade, entre o paciente e outras pessoas. No Autismo esta relação se deforma grotescamente e o doente se exclui da comunidade, ele se afasta da Concordância Cultural que deveria permear a vida gregária de um determinado sistema, portanto, podemos dizer que, de modo geral, o delírio tende ao autismo.

No Autismo o paciente experimenta sua representação da realidade sem se preocupar, de forma alguma, com outros pontos de vista, interesses e juízos. O paciente autista quase exclui o outro, ou quase se exclui dos outros, ele não sente necessidade de comprovar sua convicção diante da realidade, não se preocupa em fundamentá-la nem para si, nem para os demais.

Em casos de Esquizofrenia, o autismo, com a sua significação de perda do contato vital com a realidade, serve para explicar certos tipos de estereotipias, como a catatonia, por exemplo, ou as alterações da linguagem oral e escrita. Nesses casos pode ocorrer que os enfermos repitam, sem cessar, as palavras ou frases, em tom de voz monótono, em voz sussurrada ou aos gritos.

O autismo esquizofrênico, ainda, especialmente na esquizofrenia catatônica, o que costuma estar reduzida e até abolida, é a atenção espontânea. O indivíduo está preso no seu mundo interno, imerso na fragmentação mental e não consegue estabelecer vínculos sólidos com o meio nem consigo mesmo.

O mundo no qual vive o esquizofrênico nada tem a ver com o mundo real, e ele apresenta significados herméticos, inacessíveis a todos os demais. Esse estado é o que chamamos de Autismo. Assim, o Autismo sintoma caracteriza um novo mundo, próprio, que não obedece a nenhuma regra do mundo real e é justamente ele que torna o esquizofrênico uma pessoa completamente estranha aos demais, mesmo a seus familiares.

Autismo Infantil

O Transtorno Autista ou Autismo Infantil é uma doença (não mais apenas um sintoma, como é o Autismo). As características essenciais do Transtorno Autista são a presença de um desenvolvimento acentuadamente anormal ou prejudicado na interação social e na comunicação e um repertório marcantemente restrito de atividades e interesses. As manifestações do transtorno variam imensamente, dependendo do nível de desenvolvimento e idade cronológica do indivíduo.

O Transtorno Autista é chamado, ocasionalmente, de Autismo Infantil PrecoceAutismo da Infância ou Autismo de Kanner.  O prejuízo na interação social recíproca é amplo e persistente.  Pode haver um prejuízo marcante no uso de múltiplos comportamentos não-verbais (por exemplo o  contato visual direto, expressão facial, posturas e gestos corporais) que regulam a interação social e a comunicação. Há também um fracasso em desenvolver relacionamentos apropriados ao nível de desenvolvimento com seus pares, em diferentes formas, em diferentes idades.

Os indivíduos mais jovens podem demonstrar pouco ou nenhum interesse pelo estabelecimento de amizades; os mais velhos podem ter interesse por amizades, mas não compreendem as convenções da interação social. Pode ocorrer uma falta de busca espontânea pelo prazer compartilhado, interesses ou realizações com outras pessoas (por ex., não mostrar, trazer ou apontar para objetos que consideram interessantes).

Uma falta de reciprocidade social ou emocional pode estar presente (por ex., não participa ativamente de jogos ou brincadeiras sociais simples, preferindo atividades solitárias, ou envolve os outros em atividades apenas como instrumentos ou auxílios “mecânicos”).

Frequentemente, a conscientização da existência dos outros pelo indivíduo encontra-se bastante prejudicada. Os indivíduos com este transtorno podem ignorar as outras crianças (incluindo os irmãos), podem não ter ideia das necessidades dos outros, ou não perceber o sofrimento de outra pessoa.

O prejuízo na comunicação também é marcante e persistente, afetando as habilidades tanto verbais quanto não-verbais. Pode haver atraso ou falta total de desenvolvimento da linguagem falada. Em indivíduos que chegam a falar, pode existir um acentuado prejuízo na capacidade de iniciar ou manter uma conversação, um uso estereotipado e repetitivo da linguagem ou uma linguagem idiossincrática. Além disso, podem estar ausentes os jogos variados e espontâneos de faz-de-conta ou de imitação social apropriados ao nível de desenvolvimento.

Quando a fala chega a se desenvolver, o timbre, a entonação, a velocidade, o ritmo ou a ênfase podem ser anormais (por ex., o tom de voz pode ser monótono ou elevar-se de modo interrogativo ao final de frases afirmativas). As estruturas gramaticais são freqüentemente imaturas e incluem o uso estereotipado e repetitivo da linguagem (por ex., repetição de palavras ou frases, independentemente do significado; repetição de comerciais ou singles) ou uma linguagem metafórica (isto é, uma linguagem que apenas pode ser entendida claramente pelas pessoas familiarizadas com o estilo de comunicação do indivíduo). Uma perturbação na compreensão da linguagem pode ser evidenciada por uma incapacidade de entender perguntas, orientações ou piadas simples.

As brincadeiras imaginativas em geral estão ausentes ou apresentam prejuízo acentuado. Esses indivíduos também tendem a não se envolver nos jogos de imitação ou rotinas simples da infância, ou fazem-no fora de contexto ou de um modo mecânico.

Do CID.10 em diante descreveu-se o Autismo Atípico (F84.1). Esse transtorno desintegrativo do desenvolvimento se diferencia do autismo infantil típico, tanto pela idade de início quanto pelo fato de não preencher todos os critérios de diagnósticos.

Refere-se a um desenvolvimento anormal e prejudicado que se evidencia somente depois dos 3 anos de idade, faltando normalidades suficientemente demonstráveis em uma ou duas das três áreas da psicopatologia requeridas para o diagnóstico de autismo típico, como por exemplo:

1. interações sociais recíprocas anormais,
2. comunicação anormal e
3. comportamento restrito, estereotipado e repetitivo

Apesar de faltar anormalidades nas áreas supra-referidas, há anormalidades características em outras áreas.

O autismo atípico surge mais freqüentemente em indivíduos com deficiência mental profunda e em indivíduos com um grave transtorno específico do desenvolvimento, da recepção e da linguagem.

Veja Síndrome de Autismo Infantil em Transtornos do Desenvolvimento – CID.10
Veja Síndrome de Autismo em Transtornos Disruptivo – DSM.IV
Veja Síndrome de Autismo Infantil em PsiqWeb

 

Automatismo Mental (Sonorização do Pensamento)

Algumas vezes as vozes fabricadas pelas alucinações auditivas podem determinar ordens ao paciente, o qual as obedece mesmo contra sua vontade. Diante desta situação, de obediência compulsório às ordens ditadas por vozes alucinadas, chamamos de Automatismo Mental. Esta situação oferece alguma periculosidade, já que, quase sempre, as ordens proferidas são eticamente condenáveis ou socialmente desaconselháveis.

A Alucinação Auditiva é recebida pelo paciente com muita ansiedade e contrariedade pois, na maioria das vezes, o conteúdo de tais vozes é desabonador, acusatório, infame e caluniador. Quando a Alucinação Auditiva se traduz por vozes que ditam antecipadamente as atitudes do paciente falamos em Sonorização do Pensamento, como se ele pensasse em voz alta ou como se alguma voz estivesse permanentemente comentando todos seus atos: “lá vai ele lavar as mãos”, “lá vai ele ligar a televisão” e assim por diante. Alguns autores costumam entender o Automatismo Mental como sinônimo de Sonorização do Pensamento.

Veja Transtornos da Percepção em Psicopatologia

Automutilação

Automutilação é o dano permanente infligido por alguém a alguma parte do próprio corpo. É diferente da Auto-escoriação, onde o dano não é permanante.  A Automutilação pode ser parte de certas alterações psiquiátricas ou de síndromes tradicionais nas quais a pessoa obtém algum alívio através de autoflagelação, sem que isso seja aceito pela cultura.

Em algumas culturas, certas formas de Automutilação, sob certas condições, são acetáveis ou mesmo desejáveis (por exemplo, auto-flagelação, escarificações, rituais, laceração do couro cabeludo ou amputação de parte de um dedo em caso de morte de um membro da família).

Ainda culturalmente vários jovens do mundo todo estão aderindo à uma espécie de Automutilação chamada de Cutting, que é a prática de se fazerem marcas no próprio corpo com estiletes, giletes e afins. A modalidade já começa a despertar a atenção de educadores e comunidade médica, especialmente porque pesquisas recentes apontam um aumento do número de adolescentes adeptos de algum tipo de Automutilação. Entre as hipóteses psicológicas que explicariam a prática do Cutting, seria abusca de uma forma de estar no controle de sua própria dor.

Entretanto, na maioria dos casos, a Automutilação está ligada ao Transtorno de Personalidade Borderline, caracterizado pelo humor instável, baixa tolerância à frustração, histórico de relacionamentos complicados, medo de abandono e impulsividade prejudicial.

O Transtorno de Personalidade Borderline é o diagnóstico do DSM-IV mais freqüentemente associado à automutilação, que pode variar desde cortes superficiais até ferimentos graves resultando, inadvertidamente, em suicídio.

Felizmente a diminuição da Automutilação foi observada com o uso de uma substância neuroléptica (antipsicótica) chamada Risperidona. Na pesquisa, o desaparecimento desse sintoma foi completa em todos os casos, destacando-se que em um deles houve uma interrupção breve da medicação com reaparecimento do sintoma. Isso sugere que, assim como a resposta benéfica aparece precocemente no uso, provavelmente ainda dentro da primeira semana, também a reagudização é precoce quando ocorre a interrupção do tratamento.

Autonômicos (ou Autossômicos), Sintomas

Autonômicos ou Autossômicos são os sintomas produzidos pelo Sistema Nervoso Autônomo, ou Neurovegetativo, como se dizia antigamente. Frequentemente, esses sintomas aparecem nos quadros de ansiedade (simples, pânico, fobias…) como uma sensação desagradável de apreensão, acompanhada por: sudorese, tremores, náuseas, taquicardia, agitação psicomotora, vômitos, palpitações, desconforto abdominal, diarreia, tonturas, falta-de-ar, etc.

Autônomo, Sistema Nervoso

Existe, no organismo, um Sistema Nervoso Autônomo (SNA), responsável pelo gerenciamento de todas nossas vísceras, órgãos e glândulas. Esse SNA se equilibra em dois sub-sistemas: o Simpático e o Parassimpático. Enquanto o Sistema Simpático, do SNA, acelera tudo, faz subir a pressão, faz aumentar o batimento cardíaco, etc, o Sistema Parassimpático faz exatamente o contrário. Isso para haver um equilíbrio.

Em um susto, por exemplo, primeiro funciona o Simpático e em seguida é equilibrado pelo Parassimpático. O Estado de Desequilíbrio Neurovegetativo é uma antiga expressão que se refere a uma ruptura desse equilíbrio, normalmente devido ao estresse ou ansiedade muito intensa e duradoura. Passa, então a prevalecer ou os sintomas produzidos pelo Simpático ou do Parassimpático.

Autopsíquica (Orientação)

Os termos caracterizam se a orientação é em relação à própria pessoa (auto) ou a outros objetos (alo), tais como ao tempo e ao espaço. De regra, verifica-se a Orientação Autopsíquica e a Orientação Alopsíquica, através da entrevista com o paciente. Pode-se dizer que o paciente está bem orientado quanto a noção do eu, quando fornece ele próprio dados de sua identificação pessoal, revelando saber quem é, como se chama, que idade tem, qual sua nacionalidade, profissão, estado civil, etc. Este atributo da consciência lúcida chama-se Orientação Autopsíquica.

 A pessoa psiquicamente normal deve, além de identificar-se, ter noção de sua situação a qualquer momento, deve saber perfeitamente onde se encontra, o dia, o mês e o ano atuais e qual a sua situação em relação ao ambiente.

 A consciência humana deve ser plena e absolutamente lúcida para que se estabeleçam ligações eficientes entre o momento presente e o passado, estabelecendo-se a noção exata do tempo ou da época em que nos encontramos. Chama-se de Orientação Alopsíquica a orientação da pessoa em relação ao tempo e ao espaço.  A orientação no tempo e no espaço depende estritamente da percepção, da memória e da contínuo processamento psíquico dos acontecimentos.

 Veja Alterações da Orientação

Aversão Sexual

Aversão Sexual ou Evitação Sexual Fóbica é o sofrimento causado pela premente necessidade de evitação de oportunidades e de encontros sexuais com parceiros, devido a sensações de desagrado, de medo, de “nojo”, de repulsa e de perigo iminente. Também podem aparecer sinais de pânico, como náuseas, suor excessivo e falta de ar quando a pessoa tenta enfrentar esse medo, aproximando-se de seu parceiro.

Transtorno de Aversão Sexual pode ser classificado como um estágio agravado do Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo no DSM.IV.  Sua característica essencial é a aversão e esquiva ativa do contato sexual genital com um parceiro sexual. Para esse diagnóstico a perturbação (Aversão) deve causar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal. Caso contrário seria apenas uma recusa sexual, uma indiferença sexual, uma apatia sexual ou coisa assim.

O paciente com Transtorno de Aversão Sexual relata ansiedade, medo ou repulsa ao se defrontar com uma oportunidade sexual com um parceiro. A aversão ao contato genital pode concentrar-se em um determinado aspecto da experiência sexual (por ex., secreções genitais, penetração vaginal) ou, mais comumente, a um determinado(a) parceiro(a). Alguns indivíduos experimentam repulsa generalizada a quaisquer estímulos sexuais, inclusive beijos e toques. A intensidade da reação do indivíduo quando exposto aos estímulos aversivos pode variar desde uma ansiedade moderada e falta de prazer, até um extremo sofrimento psicológico.

Freqüentemente a Aversão Sexual acompanha os Transtornos do Desejo Sexual, onde se inclui a Frigidez ou Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo, além de estar presente também no Transtorno da Excitação Sexual Feminina e no Transtorno Orgásmico Feminino. A pessoa com Transtorno da Excitação Sexual Feminina pode ter pouca ou nenhuma sensação subjetiva de excitação sexual. Pelo DSM.IV, esse transtorno pode resultar em intercurso doloroso, esquiva sexual e perturbação de relacionamentos conjugais ou sexuais.

Veja mais sobre Desejo Sexual em Sexualidade

Autopsíquica e Alopsíquica, Orientação

Orientação é um estado psíquico funcional em virtude do qual temos consciência plena, em cada momento de nossa vida, da situação real em que nos encontramos.

É indubitável que a orientação depende, antes de mais nada, da integridade psíquica e do estado de consciência e, uma vez perturbada esta consciência, altera-se concomitantemente a orientação. A orientação mobiliza, em sua execução, fatores que muito cooperam em sua eficácia funcional e que envolvem o exercício de certas operações mentais, bem mais complexas do que se conhece.

De regra, verifica-se a orientação autopsíquica e a orientação alopsíquica, através da entrevista com o paciente. Pode-se dizer que o paciente está bem orientado quanto a noção do eu, quando fornece ele próprio dados de sua identificação pessoal, revelando saber quem é, como se chama, que idade tem, qual sua nacionalidade, profissão, estado civil, etc. Este atributo da consciência lúcida chama-se Orientação Autopsíquica.

Chama-se de Orientação Alopsíquica a orientação da pessoa em relação ao tempo e ao espaço. A orientação no tempo e no espaço depende estritamente da percepção, da memória e da contínuo processamento psíquico dos acontecimentos.

Balint, Síndrome de

Síndrome de Balint, ou Simultagnosia é uma alteração onde prevalesce a ataxia ótica e/ou apraxia oculomotora. No exame de imagens cerebrais, embora possa ser normal a imagem estrutural (anatômica), na imagem funcional (SPECT) encontra-se uma importante disfunção cortical posterior.

Simultagnosia é a incapacidade de perceber visualmente mais de um ou dois estímulos simultaneamente. Essa sintomatologia foi descrita por Balint en 1909 e caracteriza a síndrome com seu nome.

A Atrofia Cortical Posterior – ACP -, é uma síndrome de demenciação progressiva frequentemente causada pela Doença de Alzheimer. A Atrofia Cortical Posterior é rara, e poucos autores têm estudado a natureza das perturbações visuais dela decorrentes.

O fenômeno visual-cognitivo sintomático mais evidente é a incapacidade de leitura, caracterizada pela perda progressiva em juntar palavra, chamada então de Simultagnosia ventral. Há preservação da habilidade em apreender múltiplos estímulos, mas com inabilidade de interpretar a integração desses estímulos, de integrar a totalidade das cenas.

Barbitúricos

Os Barbitúricos compõem um grupo de substâncias depressoras do Sistema Nervoso Central, quimicamente derivados do ácido barbitúrico. Entre eles se incluem o fenobarbital, dial, amobarbital, pentobarbital e secobarbital. Eles são usados como antiepilépticos (anticonvulsivos), anestésicos, sedativos, hipnóticos e – menos comumente – como ansiolíticos ou drogas anti-ansiedade. Na psiquiatria, alguns deles têm aplicação como anti-impulsivos.

Os barbitúricos foram descobertos no começo do século XX. Em 1903, o Veronal foi o primeiro Barbitúrico lançado no mercado farmacêutico, mostrando-se um promissor hipnótico em substituição aos medicamentos menos eficientes até então existentes. Assim, os barbitúricos foram amplamente empregados como hipnóticos até o aparecimento das benzodiazepinas (diazepam), na década de 60. A partir daí, as indicações dos Barbitúricos se restringiram.

Até algum tempo atrás, sedativos (e até alguns analgésicos leves) continham barbitúricos em pequenas quantidades em suas fórmulas e não estavam sujeitos aos controles de venda, podendo ser livremente adquiridos em farmácias. Era o caso da Cibalena, Veramon, Optalidon, Fiorinal etc., que continham o butabarbital ou secobarbital (dois tipos de barbitúricos) em suas fórmulas. O abuso de barbitúricos foi muito mais freqüente até a década de 50 do que é hoje em dia.

Como efeitos físicos e psíquicos os Barbitúricos são capazes de deprimir (diminuir) varias áreas do cérebro. As pessoas podem ficar sonolentas, sentindo-se menos tensas, com uma sensação de calma e de relaxamento. A capacidade de raciocínio e de concentração também ficam afetadas. Com doses maiores, causam sensação de embriaguez, a fala fica “pastosa”, a pessoa pode sentir dificuldade de andar direito, a atenção e a atividade psicomotora são prejudicadas (ficando perigoso operar máquinas, dirigir automóveis etc.).

Os Barbitúricos têm uma pequena margem de segurança entre as dosagens terapêutica e tóxica e são freqüentemente letais em superdose. Devido à sua maior margem de segurança, os benzodiazepínicos têm substituído amplamente os barbitúricos como sedativos/hipnóticos, ansiolíticos e mesmo como anti epilépticos.  A tolerância aos barbitúricos se desenvolve rapidamente e o risco de uso nocivo ou de dependência é alto.

Os pacientes que usam estas drogas por períodos prolongados podem tornar-se dependentes, mesmo quando a dose prescrita não é ultrapassada. Assim sendo, eles podem desencadear síndromes de abstinência quando de sua privação ou, mais traumático ainda, podem induzir à convulsões quando interrompidos bruscamente.

 

Behaviorismo

O behaviorismo é uma técnica de terapia e abordagem da pessoa baseada no comportamento. Essa tendência surgiu com John Watson em 1912 começando assim o período conhecido como o do behaviorismo clássico que durou, mais ou menos, até 1930.

A partir desse ano até 1940 surgiu o neo-behaviorismo, mais minucioso experimentalmente e baseado na teoria do comportamento adaptado de Pavlov. Um dos neo-behavioristas mais importante foi Skinner.

Pavlov descreveu o processo do condicionamento clássico o qual consiste na substituição de estímulos: “Um estímulo, antes neutro, adquire o poder de eliciar a resposta que originalmente era eliciada por outro estímulo”. Skinner chama o experimento pavloviano de condicionamento do tipo S e o seu de tipo R.

No primeiro tipo as respostas são eliciadas (respondentes) e no segundo, emitidas (operantes). O reforço no condicionamento operante é dado após a resposta exigida, quando aparece a resposta condicionada. A ação do organismo produz o agente que reforça. Portanto, o condicionamento do tipo S diz respeito a respostas do sistema nervoso autônomo e o do tipo R ao comportamento motor (músculos estriados).

Tipos de Reforços

a) Reforço Positivo: é aquele que apresentado a uma situação favorece o surgimento da resposta operante.  Água e alimento, por exemplo.
b) Reforço Negativo: é um estímulo que, removido, fortalece a probabilidade de uma resposta operante.  Choque elétrico, calor ou frio intenso, barulho etc.
c) De Intervalo: é o reforço intermitente apresentado em intervalos fixos de tempo (de 5 em 5 minutos, por exemplo).
d) De Razão: o reforço é apresentado em intervalos de tempo padrão, após um número x de respostas.

No experimento do rato na caixa, um pedaço de queijo reforça a pressão da barra. Ele só aparece quando o rato pressionar a barra e se for suspenso, dar-se-á a extinção do operante. O rato também pode discriminar: só recebe alimento quando a barra é pressionada e uma lâmpada acende; quando pressiona no escuro, não. Por discriminação, só pressionará com a lâmpada acesa.

A teoria de Skinner teve pronta aceitação porque na prática o reforço é dado justamente pela ação do indivíduo. O pai só elogia o filho quando este dá a resposta esperada; o filho, fazendo o desejado pelo pai recebe o prêmio, a recompensa ou reforço positivo. E vai aprendendo a buscar o incentivo positivo com diferentes tipos de comportamento.

Uma série de operantes podem ser estabelecidos, com reforços primários e secundários (alimentos e palavras, por exemplo), formando encadeamentos. Através de sucessivas aproximações é possível obter-se uma seqüência desejada.

Para o behaviorismo, o organismo se parece com um responding (um ser respondente) às condições (estímulos), produto de processos ambientais e internos. O objeto da Psicologia tinha sido até então a alma, ou a consciência, a mente.

A personalidade para o behaviorista é um conjunto, um sistema de hábitos condicionados através de reforços positivos e negativos. A maior importância é dada aos fatores ambientais e a hereditariedade é relegada para segundo plano.

Para o behaviorismo ou neo-behaviorismo o ser humano é produto do ambiente e essa afirmação é valida no sentido bem radical.

Podemos resumir a posição de Skinner nas seguintes declarações: Quando ocorrer uma reação, reforce-a e o sujeito tenderá a reagir de novo da mesma maneira. Negue o reforço ou castigue o sujeito e a reação tenderá a desaparecer.

O reforço operante é um meio extremamente possante para “modelar a personalidade”. Skinner e outros o usaram em grande número de problemas práticos, incluindo aprendizagem programada e o tratamento de distúrbios comportamentais.

 

Belle Indiférance

La Belle Indiférance” é uma expressão francesa que se refere à típica ausência de preocupação em relação a sintomas incapacitantes, proeminente e característica nos Transtornos Dissociativos e Conversivos (histéricos). Um exemplo disso é a pessoa que acaba de ficar cega emocionalmente (cegueira histérica), paralítica ou muda, e reage ou esboça emotividade à essa brutal incapacidade com naturalidade.

La Belle Indifférence deve ser diferenciada da anosognosia, que é uma negação de doença baseada numa distorção da imagem corporal, geralmente resultante de uma lesão no lobo parietal. Na Belle Indifférence, a doença não é negada, a pessoa se sabe incapacitada, a imagem corporal não está perturbada, mas o indivíduo parece despreocupado com o grau em que os sintomas interferem com o seu funcionamento. Como se fosse sua sina suportar o infortúnio.

Geralmente  La Belle Indifférence acompanha transtornos dissociativos e conversivos.

Veja Transtorno Dissociativos e Conversivos

Benzodiazepínicos

Os Benzodiazepínicos são um grupo de drogas  usadas, primordialmente, como sedativos/hipnóticos, relaxantes musculares e antiepilépticos, e outrora denominados de “tranquilizantes menores”. Acredita-se que estes agentes produzam efeitos terapêuticos ao potencializar a ação do ácido gama-aminobutírico (GABA), um importante neurotransmissor inibidor. Os benzodiazepínicos, segundo a duração de sua ação, são classificados em benzodiazepínicos de ação longa ou de ação curta.

Os Benzodiazepínicos foram introduzidos como alternativas mais seguras que os barbitúricos. Eles não suprimem o sono REM na mesma extensão que os barbitúricos, mas tem um potencial significativo para induzir dependência se o uso for indevido.

Mesmo quando os Benzodiazepínicos são consumidos em doses terapêuticas, sua interrupção abrupta pode induz uma síndrome de abstinência em até 50% das pessoas tratadas por seis meses ou mais.

Os sintomas de abstinência parecem ser mais intensos com as preparações de ação curta; com os Benzodiazepínicos de ação longa os sintomas de abstinência aparecem uma ou duas semanas depois da interrupção e duram mais, mas são menos intensos. Como com outros sedativos, é necessário um programa de desintoxicação lenta para evitar complicações graves como as convulsões da abstinência.

Os Benzodiazepínicos são utilizados nas mais variadas formas de ansiedade e, infelizmente, sua indicação não tem obedecido, desejavelmente, a determinadas regras. Os Benzodiazepínicos são apensas ansiolíticos e nada mais que isso. Não são antineuróticos, antipsicóticos ou anti insônia, como pode estar pensando muitos clínicos e pacientes.

A melhor indicação para os Benzodiazepínicos são nos casos onde a ansiedade NÃO faz parte da personalidade do paciente ou ainda, para os casos onde a ansiedade NÃO seja secundária a outro distúrbio psíquico. Resumindo, serão bem indicados quando a ansiedade estiver muito bem delimitada no tempo e com uma causa bem definida.

Naturalmente podemos nos valer dos Benzodiazepínicos como coadjuvantes do tratamento psiquiátrico, quando a causa básica da ansiedade ainda não estiver sendo prontamente resolvida. No caso, por exemplo, de um paciente deprimido e, conseqüentemente ansioso, os Benzodiazepínicos podem ser úteis enquanto o tratamento antidepressivo não estiver exercendo o efeito desejável. Trata-se, neste caso, de uma associação medicamentosa provisória e benéfica ao paciente. Entretanto, com a progressiva melhora do quadro depressivo não haverá mais embasamento para a continuidade dos Benzodiazepínicos.

ALPRAZOLAM – Frontal, Tranquinal
BROMAZEPAM – Brozepax, Deptran, Lexotam, Nervium, Novazepam, Somalium, Sulpam BUSPIRONA – Ansienon, Ansitec, Bromopirim , Brozepax, Buspanil, Buspar
CLOBAZAM – Frizium, Urbanil
CLONAZEPAM – Rivotril
CLORDIAZEPÓXIDO – Psicosedim
CLOXAZOLAM – Elum, Olcadil
DIAZEPAM – Ansilive, Calmociteno, Diazepam, Diazepan, Kiatriun, Noam, Somaplus, Valium
LORAZEPAM – Lorium, Lorax, Mesmerin
Veja Benzodiazepínicos  em Ansiolíticos, na seção Farmacologia

 

Bestialismo (Zoofilia)

Uma das áreas onde se manifestam Transtornos da Sexualidade diz respeito ao Transtorno da Preferência Sexual. Diversas outras modalidades da preferência e do comportamento sexual tais como o fato de dizer obscenidade por telefone, esfregar-se contra outro em locais públicos com aglomeração (Frotteurismo), a atividade sexual com um animal, o emprego de estrangulamento ou anóxia para aumentar a excitação sexual.

Quando a preferência diz respeito à atividade sexual com um animal dizemos Bestialismo ou Zoofilia. Portanto, Trata-se de uma Parafilia, que são alterações da sexualidade caracterizadas por anseios, fantasias ou comportamentos sexuais recorrentes e intensos que envolvem objetos, atividades ou situações incomuns e causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Entre essas Parafilias podemos ter a escatologia telefônica (telefonemas obscenos), necrofilia (cadáveres), parcialismo (foco exclusivo em uma parte do corpo), zoofilia (animais), coprofilia (fezes), clisma filia (enemas) e urofilia (urina), entre outras.

Veja Parafilia e Zoofilia no DSM.IV
Veja Transtornos da Preferência Sexual na CID.10

Betacaroteno

O Betacaroteno faz parte da composição da vitamina A.  A Vitamina A é o retinol.  O caroteno (beta-caroteno), pigmento de algumas plantas ( vegetais amarelos e verdes: cenoura, mamão papaia e pêssego), é convertido em vitamina A pelo organismo.  Está relacionada à visão e à manutenção da integridade da pele como também com o crescimento ósseo, com a reprodução e com o desenvolvimento embriológico. É discutível usá-la na prevenção do câncer.

Ocorre também nos óleos de peixe, fígado, gema de ovo, mas sua principal fonte são os vegetais amarelos e verdes, e a batata doce. A dieta normal contem quantidades suficientes de retinol. A sua deficiência gera um distúrbio da visão denominado cegueira noturna e pode ser devida a falta de ingestão ou a distúrbios na sua absorção ao nível do estômago-duodeno. É rara na III Idade.

Pode ocorrer em dietas restritivas que só contenham arroz, feijão e batata, por exemplo, comum em nosso meio. É comum no alcoolismo e também em pessoas que se utilizam com freqüência de determinados medicamentos, como a colchicina para o tratamento da gota, por ex. A sua intoxicação leva ao aumento na pressão intracraniana, com dores de cabeça e vômitos. Pode ocorrer o coma. Pode ser útil no tratamento da otosclerose.

 

Biogênese

Biogênese é uma teoria biológica segundo a qual a matéria viva procede sempre de matéria viva. Segundo as teorias formuladas pelos partidários da biogênese, entre os quais, Fritz Müller, Serres e Haeckel, a evolução do indivíduo deve reproduzir a da espécie. Procurou-se do mesmo modo explicar transformações ocorridas durante o desenvolvimento mental do indivíduo pelo desenvolvimento intelectual da espécie.

Várias hipóteses foram formuladas para se explicar o surgimento da vida em nosso planeta, no qual acreditavam que este processo se dava não só por cruzamentos de seres vivos entre si, mas também, a partir de uma matéria bruta. O surgimento da vida se daria a partir de princípios ativos contidos em certos alimentos, que quando ingeridos poderiam ser ativados. (Abiogênese). Essa ideia foi proposta por Aristóteles há mais de 2000 anos.

Francesco Redi, no século XVII, defendia a idéia da Biogênese, segundo o qual a vida só se origina a partir de outra vida preexistente, desde que encontre meio favorável ao seu desenvolvimento. Anton Leeuwenhoek, pouco depois de Redi, aperfeiçoou o microscópio, revelando que os microorganismos tinham seus próprios meios de reprodução.

Esses estudos estimularam Louis Pasteur, aproximadamente em 1895, provou com seus experimentos que um meio estéril em contato com o ar contaminado, permitia a proliferação de microorganismos, logo, a teoria da abiogênese caiu por terra.

Tentando resolver este problema a ciência se depara com outro enigma: “Se a vida surge de vida preexistentes, como e quando apareceu o primeiro ser vivo?” A partir dessa dúvida a questão da Biogênese passou a fazer parte da teologia também.

Segundo Carl Gustav Jung, a história do desenvolvimento das espécies se repete no desenvolvimento embrionário do indivíduo. Deste modo, até atingir um certo grau de desenvolvimento em sua vida embrionária, o homem atravessa as formas anatômicas dos tempos primitivos.

A mesma lei vale para o desenvolvimento mental do indivíduo. Assim, sempre segundo Jung, a criança desenvolve-se a partir de uma condição originalmente inconsciente e animal para o estado de consciência.

Voltando ao ponto de vista da hereditariedade física, Huxley foi um dos grandes partidários da teoria biogênica, juntamente com F. Redi e Hertwíg, que afirmou não ser determinado e espontâneo o desenvolvimento das células, mas que, pelo contrário, cada célula se desenvolve segundo o lugar que passa a ocupar no organismo e de acordo com as influências exercidas pelas outras células, assim como pelos agentes externos.

 

Bipolar, Transtorno

Transtorno Bipolar do Humor, sinônimo de Transtorno Afetivo Bipolar (antiga denominação de Psicose Maníaco-Depressiva, PMD),  é um transtorno caracterizado por dois ou mais episódios de alteração do humor onde o nível de atividade do sujeito está profundamente perturbado. O distúrbio consiste em episódios de elevação patológica do humor e aumento da energia e da atividade (hipomania ou mania) e em outras, de um rebaixamento patológico do humor e de redução da energia e da atividade (depressão).

Por convenção classificatória internacional, os pacientes que sofrem somente de episódios repetidos de hipomania ou mania são classificados como bipolares também. O DSM.IV já classifica o Transtorno Afetivo Bipolar em dois tipos: Bipolar I e Bipolar II.  A característica essencial do Transtorno Bipolar I é um curso clínico caracterizado pela ocorrência de um ou mais Episódios Maníacos ou Episódios Mistos. Com freqüência, mas não obrigatoriamente, os indivíduos também tiveram um ou mais Episódios Depressivos Maiore.

A característica essencial do Transtorno Bipolar II é um curso clínico marcado pela ocorrência de um ou mais Episódios Depressivos Maiores, acompanhados por pelo menos um Episódio Hipomaníaco. Os Episódios Hipomaníacos não devem ser confundidos com os vários dias de eutimia que podem seguir-se à remissão de um Episódio Depressivo Maior.

 

Bissexualidade

Bissexualidade é a atividade sexual com membros de ambos os sexos. Algumas culturas estimulam a atividade sexual ritual com o mesmo sexo, em determinadas circunstâncias.

Borderline, Personalidade

Patologicamente podemos dizer que a pessoa portadora de Personalidade Borderline, embora seja bem menos perturbada que os psicóticos, são muito mais complexas que os neuróticos, embora não apresentem deformações de caráter típicas das personalidades sociopáticas. Na realidade, o Borderline tem séria limitação para usufruir as disponibilidades de opção emocional diante dos estímulos do cotidiano e, por causa disso, pequenos estressores são capazes de enfurecê-lo.

São indivíduos sujeitos a acessos de ira e verdadeiros ataques de fúria ou de mau gênio, em completa inadequação ao estímulo desencadeante. Essas crises de fúria e agressividade acontecem de forma inesperada, intempestivamente e, habitualmente, tem por alvo pessoas do convívio mais íntimo, como os pais, irmãos, familiares, amigos, namoradas, cônjuges, etc.

De acordo com alguns autores, as características principais da pessoa com Personalidade Borderline seriam:

Grinker e outros (1967) descrevem a síndrome borderline, cujas características seriam:
1. – Sentimento de raiva como afeto único ou essencial;
2. – Anáclise como transtorno nas relações objetais (aderência patológica – veja Depressão Anaclínica);
3. – Ausência de auto-identidade consistente (instabilidade);
4. – Depressão sem sentimento de culpa, sem auto-acusação ou remorso.

Gunderson explora cinco áreas na avaliação para o Transtorno Borderline:
1. – A adaptação social: aparentemente sem dificuldades;
2. – Impulsos e ações: atitudes impulsivas, drogadição, álcool, auto-agressão, promiscuidade, bulimia;
3. – Afetividade: depressão, raiva, ansiedade e desespero;
4. – Eventuais surtos psicóticos: normalmente breves, reativos e pouco severos;
5. – Relações interpessoais: não suportam a solidão e o abandono, necessitam do outro em tempo integral, a todo o momento, são francamente dependentes, masoquistas e manipuladores.

Mahler faz uma a classificação evolutiva entre duas apresentações de Personalidade Borderline:
1. – Estados borderline aparentemente bem adaptados, que geralmente não procuram ajuda especializada;
2. – Síndrome borderline, com sintomas de depressão de abandono, fixação oral e medo ou preocupação obsessiva de abandonado.

Embora o Borderline mantenha condutas até bastante adequadas em grande número de situações, ele tropeça escandalosamente em certas situações triviais e simples. O limiar de tolerância às frustrações é extremamente susceptível nessas pessoas.

Veja Transtorno Borderline da Personalidade em Personalidade.


Bradicinesia

Bradicinesia e Hipocinesia são quadros psicomotores onde ocorre um início vagaroso dos movimentos, com perda de movimentos suplementares harmoniosos. Movimentos automáticos, como colocação da mão na face durante a fala, cruzar as pernas ou os braços, estão muito diminuídos ou ausentes. Os olhos se movem para o lado sem movimento associado da cabeça, saliva não é rapidamente deglutida, piscar dos olhos é infrequente.

Em casos extremos, desenvolve-se a acinesia, ou seja, a perda completa de movimentos sem perda da força muscular. Em termos fisiopatológicos, bradicinesia pode ocorrer quando há lesão do circuito cortico-estriato-pálido-talâmico por degeneração neuronal, por depleção de transmissor (dopamina), e por bloqueio ou perda de receptores. Considerando-se que os neurônios do neostriado recebem dupla inervação dopaminérgica e colinérgica com efeitos antagônicos, acredita-se que a perda da influência inibitória da dopamina leve a uma excitação por conta da acetilcolina. A acetil colina tem efeito basicamente inibitório, então o deficit de dopamina se manifesta por perda da inibição da inibição, resultando em última instância, em acinesia.

Doença de Parkison é uma degeneração subcortical progressiva do sistema extrapiramidal  clinicamente caracterizada por bradicinesia, rigidez e tremor de repouso. Distúrbios neuropsicológicos podem ocorrer em 20% a 90% dos casos caracterizando-se por déficit cognitivos do tipo subcortical com alentecimento progressivo dos processos mentais, tendência a depressão e apatia em intensidade variável.

Bradifrenia

O prefixo bradi significa sempre lento; bradicardia (pulso lento), bradipnéia (respiração lenta).  Bradifrenia é uma lentificação mental, o mesmo que Bradipsiquismo (mais usado hoje em dia) A Bradifrenia geralmente está associada à bradicinesia(lenificação dos movimentos) e ocorrem na Doença de Parkinson. Observa-se também a bradifrenia em outras patologias que implicam em lesões da substância cerebral branca (esclerose múltipla, leucodistrofias, etc).

Broca, Afasia de

A afasia é um distúrbio da linguagem que ocorre com freqüência nas doenças vasculares cerebrais, principalmente no acidente vascular do tipo o isquêmico (AVCI).  A linguagem é a forma de expressão das pessoas e se dá através da fala, da escrita e dos gestos.  O cérebro possui um que é formado durante a vida e que por meio de complexos mecanismos traduz as palavras em todas as formas de expressão.  A compreensão faz parte evidentemente, deste processo.  A linguagem é processada no hemisfério cerebral esquerdo das pessoas destras em determinados locais bem conhecidos pelos neurofisiologistas. Distúrbios ocorridos nestas regiões produzem a afasia ou a disfasia que se caracteriza pela dificuldade em falar.

Dependendo do local afetado a fala pode permanecer conservada mas se torna absolutamente incoerente e sem sentido. Outras vezes ocorre completa falta de compreensão estando a fala preservada, fluente, mas desconexa. Tais distúrbios ocorrem principalmente nos acidentes vasculares cerebrais podendo ser transitórios.

Tumores cerebrais também podem produzir afasia. Pode ocorrer também situação em que há prejuízo de ambas, da fala e da compreensão. Freqüentemente há também prejuízo da linguagem escrita. Algumas vezes ocorre uma dificuldade ou incapacidade de executar movimentos anteriormente aprendidos (como o gesto de se bater continência ou de fazer “o nome do padre”) apesar de não haver qualquer paralisia. Este distúrbio denomina-se apraxia. Cada tipo de distúrbio significa uma determinada localização da lesão cerebral. A afasia raramente está isolada sendo freqüentemente acompanhada de outros sintomas neurológicos como paralisias ou alterações visuais.

O distúrbio pode ser transitório, que ocorre no acidente vascular cerebral transitório, durando horas ou dias, e que regride espontaneamente. Outras vezes é definitivo, necessitando de cuidados especiais (exercícios foniátricos). A correção destes distúrbios é feito através de exercícios especializados sob orientação de profissional especializado.

Afasia de Broca é uma Afasia na qual o paciente, embora sabendo o que deseja falar ou expressar, vê-se impossibilitado de fazê-lo devido à lesão dos centros neurológicos necessários à coordenação dos movimentos responsáveis pela emissão daqueles sons adequados para esta comunicação.

Veja mais em Alterações da Linguagem na seção Psicopatologia

Bruxismo

Bruxismo é um hábito parafuncional de ranger os dentes durante o sono e constitui um dos mais difíceis desafios para a odontologia restauradora, sendo que a dificuldade para sua resolução aumenta de acordo com a gravidade do desgaste dentário produzido.

O Bruxismo é adquirido inconscientemente e é extremamente destrutivo para a arcada dentária e dentes.  Ao raspar as superfícies dos dentes superiores contra os da arcada inferior, causa  desgaste do esmalte dentário, altera completamente a oclusão e a posição de repouso dos músculos. O Bruxismo envolve movimentos rítmicos semelhantes aos da mastigação com longos períodos de contração dos músculos  mandibulares.

Entre as prováveis causas do Bruxismo cogita-se a tensão psíquica, a agressão reprimida, a  raiva, a  neurose, o  medo  e,  principalmente,  a má oclusão dentária. O tratamento do Bruxismo com aparelhos ortodônticos pode ser a melhor solução.  Quando o paciente inicia o tratamento ainda criança ou na adolescência é possível aproveitar o crescimento facial do paciente e construir uma arcada funcional e esteticamente correta.  Os aparelhos móveis apresentam melhores resultados finais.

Fisiopatologicamente, o esmalte dentário é o primeiro a receber os prejuízos do Bruxismo, e o desgaste anormal dos dentes é o sinal mais frequente da anomalia funcional. O padrão de desgaste dental do Bruxismo prolongado é, frequentemente, não uniforme e mais severo nos dentes anteriores.

A importância do Bruxismo ainda se deve à sua relação com a dor muscular da articulação temporomandibular e alguns tipos de cefaleia.

Bufê Delirante

 é um neologismo aportuguesado da expressão francesa Bou ffée Délirant. Entende-se Bufê Delirante, pela psiquiatria tradicional e descritiva dos grandes tratadistas, como uma condição psicótica aguda e transitória associada com turvação da consciência, excitação psicomotora e comportamento agitado, seguida de amnésia anterógrada. O quadro agudo tem bom prognóstico (como costuma ocorrer nos quadros agudos da psiquiatria).

Em essência (e fisiopatologicamente), o Bufê Delirante se assemelha às psicoses agudas e transitórias, relacionadas a estresse agudo. A descrição original da apresentação clínica contém cinco características cardinais:

1. início abrupto;
2. delírios estruturados com alucinações ocasionais;
3. um certo grau de turvação da consciência associada com instabilidade emocional;
4. ausência de sinais físicos;
5. uma remissão rápida e completa.

Mais recentemente, outras características têm sido assinaladas: a possibilidade de precipitação por estressores psicossociais, o alto risco de recorrência de episódios após intervalos assintomáticos e a independência nosológica do episódio em relação à esquizofrenia, ainda que um estado (crônico) de esquizofrenia possa desenvolver-se após uma ou mais recaídas.

Um dos sinônimos classificatórios do Bufê Delirante é a Psicose Reativa Breve, ou Transtorno Delirante Transitório. A Psicose Reativa Breve se caracteriza pelo aparecimento abrupto dos sintomas psicóticos sem a existência de sintomas pré-mórbidos e, habitualmente, seguindo-se à um estressor psicossocial. Os sinais e sintomas clínicos são similares àqueles vistos em outros distúrbios psicóticos, como na Esquizofrenia e nos Transtornos Afetivos com Sintomas Psicóticos.

O prognóstico é bom e a persistência de sintomas residuais não ocorre. Durante o surto observa-se incoerência e acentuado afrouxamento das associações, delírios, alucinações e comportamento catatônico ou desorganizado. Há componentes afetivos com mudanças bruscas de um afeto para outro, perplexidade e confusão.

A Organização Mundial de Saúde, através da Classificação Internacional de Doenças (CID), recomenda que esta categoria de psicose deve ser restringida ao pequeno grupo de afecções psicóticas, em grande parte ou totalmente atribuídas a uma experiência existencial recente. Deve ser entendida como uma alteração psicótica na qual os fatores ambientais tem a maior influência etiológica.

Trata-se de reações cuja natureza não é só determinada pela situação psicotraumática, mas também pelas predisposições da personalidade. A maioria das reações psíquicas mórbidas desenvolve-se em função de uma perturbação de caráter que predispõe a elas. Tal perturbação será fruto de um desenvolvimento psicorreativo anormal.

O desenvolvimento da Psicose Reativa pode satisfazer a necessidade do paciente em representar, simbolicamente, a si e aos outros através da natureza interna de suas contradições, angústias e paixões, numa espécie de falência aguda de sua capacidade de adaptação a uma situação sofrível.

Veja Psicose Transitória ou Psicose Breve em Esquizofrenia

 

Bulimia (Nervosa)

As características essenciais da Bulimia Nervosa consistem de compulsões periódicas em comer (polifagia) e métodos compensatórios inadequados posteriores para evitar ganho de peso.

Além disso, a auto-avaliação dos pacientes com Bulimia Nervosa é excessivamente influenciada pela forma e peso do corpo, tal como ocorre na Anorexia Nervosa.  Para qualificar o transtorno, a compulsão periódica e os comportamentos compensatórios inadequados devem ocorrer, em média, pelo menos duas vezes por semana por 3 meses.

Uma compulsão periódica é definida pela ingestão, num período limitado de tempo, de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria dos pacientes consumiria sob circunstâncias similares. O médico deve considerar o contexto no qual a compulsão periódica ocorreu; durante uma celebração ou uma ceia festiva, por exemplo, o que seria considerado um consumo excessivo em uma refeição comum é considerado normal.

Veja Bulimia em Transtornos Alimentares, CID.10 e DSM.IV

 

Burnout, Síndrome de

A chamada Síndrome de Burnout é definida por alguns autores como uma das conseqüências mais marcantes do estresse profissional, caracterizando-se por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos.

Inicialmente este quadro se referia, principalmente, àqueles desenvolvidos em profissionais da área de serviços que trabalham em contato direto com os usuários. Entre a clientela de risco, estão os trabalhadores em educação, profissionais em saúde, policiais, agentes penitenciários, os bancários, profissionais liberais, departamentos de vendas e de compras, enfim, funções que obrigam um contacto intenso com o outro. Hoje parece não haver tamanha especificidade, mas na clínica diária realmente a percebemos nas ocupações que lidam estressantemente com o atendimento do próximo.

A Síndrome de Burnout começou a ser identificada na década de 1970, como um quadro tridimensional caracterizado por exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal. Entretanto, a Síndrome de Burnout não consta nas classificações psiquiátricas.  Alguns autores julgam a Síndrome de Burnout algo diferente da sintomatologia do estresse.  No Burnout teria um quadro de extrema apatia e desinteresse, não como sinônimo de estresse, mas como uma de suas conseqüências bastante sérias.

Assim, Síndrome de Burnout pode ser definida como uma reação à tensão emocional crônica gerada a partir do contato direto, excessivo e estressante com o trabalho. A doença faz com que a pessoa perca a maior parte do interesse em sua relação com o trabalho, de forma que as coisas deixam de ter importância e qualquer esforço pessoal passa a parecer inútil.

Entre os fatores aparentemente associados ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout está a pouca autonomia no desempenho profissional, problemas de relacionamento com as chefias, problemas de relacionamento com colegas ou clientes, conflito entre trabalho e família, sentimento de desqualificação e falta de cooperação da equipe.

Contestadores desse diagnóstico repelem a ideia de se considerar uma “nova doença” quaisquer quadros sintomáticos academicamente descritos. De fato, atendendo a própria psicopatologia, o diagnóstico psiquiátrico não deve ser feito apenas pela descrição de uma lista de sintomas, mas sim pela observação fenomenológica criteriosa que organiza elementos, os quais, juntos, nos permitem reconhecer uma determinada patologia.

Veja Síndrome de Burnout em Estresse

 

Cacofagia

A Cacofagia, é uma alteração do paladar e do apetite que acaba por induzir a pessoa a comer coisas repugnantes.  Outros autores consideram que os objetos da vontade de comer não necessitam ser apenas de coisas repugnantes, mas coisas que não sejam alimento. Como exemplo disso temos a chamada “pica“, que a vontade de comer coisas estranhas e que acomete predominantemente grávidas (p.ex., sabonete, tijolo, terra, etc).

Outro exemplo de Cacofagia é o ato de comer fezes, chamado de Coprofagia.  As severas alterações da personalidade, como é a Deficiência Mental Severa pode produzir esse sintoma, assim como os casos de deterioração mental severa da Esquizofrenia crônica.

Cacosmia

Cacosmia é uma alteração do olfato, na qual o paciente relata como sendo agradáveis odores muito desagradáveis ou, ao contrário, percebe como muito desagradáveis odores neutros ou agradáveis.

Na presença de Cacosmia deve-se proceder cuidadosa investigação neurológica por ser comum nos casos de tumores cerebrais.

 

Cafeína

A  é uma substância da família das Xantinas, capaz de estimular levemente o Sistema Nervoso Central, vasodilatador e diurético.  A cafeína é encontrada no café, chá chocolate, guaraná, Coca Cola e outros refrigerantes.  Em alguns desses casos a cafeína está junto com outras xantinas, tais como teofilina ou teobromina.

Denomina-se cafeinismo o uso excessivo crônico ou agudo de cafeina (por exemplo, consumo diário de 500 mg ou mais) com eventual toxicidade.  Os sintomas incluem inquietação, insônia, rubor facial, contração muscular, taquicardia, perturbações gastrintestinais (por exemplo, dores abdominais), tensão, pensamento e fala acelerados e desorganizados e, algumas vezes, exacerbação de uma ansiedade preexistente ou estados de pânico, depressão ou esquizofrenia. Os transtornos por uso de substâncias da CID-10 incluem os transtornos causados pelo uso e a dependência de cafeína (classificadas em F15).

Na terapêutica psiquiátrica biológica a Cafeína já foi usada (às vezes ainda é) com resultados contraditórios no tratamento do Transtorno Hipercinético (Déficit de Atenção por Hiperatividade).  Nos EUA a cafeína como tratamento para do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade foi totalmente abandonada devido às facilidades para a prescrição do Metilfenidato (Ritalina®). No Brasil a Ritalina® é muito mais difícil de ser prescrita por razões eminentemente burocráticas, havendo necessidade de receituário especial para entorpecentes (de cor amarelo) que só a secretaria da saúde fornece.

De modo geral, de modo acanhado, a cafeína pode ser muito utilizada com o mesmo propósito estimulante do metilfenidato. A grande maioria das crianças portadoras de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade responde razoavelmente ao uso da cafeína, formulada em farmácias de manipulação na dose de 10 mg/kg/dia, dividido em 3 tomadas.

 

Cálcio

O   é um elemento do organismo, constituinte dos dentes e dos ossos. Participa também da contração muscular e auxilia o controle do ritmo cardíaco.  O seu metabolismo é regulado pela vitamina D.  O Cálcio se relaciona também com a coagulação do sangue e com os impulsos nervosos e a sua falta obriga o organismo a retirá-lo dos ossos, tornando-os mais porosos e mais fracos.

A partir dos 40 anos de idade há uma queda no nível de Cálcio do organismo devido a um declínio na sua absorção pelo intestino.  Na menopausa a diminuição do hormônio estrógeno provoca a diminuição da fixação do cálcio nos ossos, daí ser a osteoporose mais freqüente entre as mulheres neste período. A deficiência de vitamina D (ingestão inadequada e a pouca exposição à luz solar) é também causa de queda de cálcio na III Idade. Doenças renais e distúrbios do sistema digestivo podem também levar a diminuição do cálcio.

A deficiência do Cálcio provoca tremores e contrações musculares e a sua correção pode ser feita pelo aumento da ingestão e pela correção da causa básica. Os alimentos ricos em cálcio são o leite e seus derivados, o agrião, o espinafre e o feijão.  A suplementação da dieta com cálcio é recomendável para mulheres a partir da menopausa com intuito de evitar a osteoporose.  O aumento na ingestão de cálcio é recomendada após os 40 anos.

O excesso de cálcio é uma situação incomum e em geral está relacionada a doença cancerosa com metástases ósseas ou a intoxicação por vitamina D. P ode também ocorrer nas disfunções da glândula tireoide.  Os sintomas do aumento de cálcio são discretos, podendo ocorrer inapetência, náuseas e vômitos.  O tratamento varia em função da causa básica.

 

Câncer (cerebral)

Os tumores cerebrais são raros acima dos 70 anos.  Até os 70 anos os principais tumores que crescem no cérebro são as metástases de tumores originados em outros locais, os tumores próprios do sistema nervoso (gliomas) e os tumores das meninges (meningeomas).

Quando nos referimos a Tumores Cerebrais, queremos dizer todas as lesões ou massas expansivas dentro do crânio que surgem devido a multiplicação anormal e desordenada de células. São chamados de Gliomas os tumores originários das células do próprio cérebro e de Meningeomas aqueles originários das membranas que recobrem o cérebro (meninges).

Ainda temos tumores chamados de Neuromas ou Neurinomas, que são aqueles formados a partir das bainhas que recobrem os nervos que saem do cérebro. Por fim, temos os tumores que são originários de outros órgãos ou tecidos que podem se disseminar pelo sangue, que são os chamados tumores metastáticos.  A medula também faz parte do sistema nervoso central e, portanto, pode apresentar o mesmo tipo de tumores descritos para o cérebro.

São diversas as causas para o surgimento de Tumores Cerebrais. Alguns genes podem levar ao surgimento de tumores pelo corpo como no cérebro que são chamadas facomatoses. Outra causa de tumores são as radiações, curiosamente usadas para tratamento de outros tumores.  Algumas substâncias químicas também foram apontadas como prováveis indutoras de Tumores Cerebrais e a última hipótese é que alguns dos Tumores Cerebrais sejam induzidos por vírus (entre eles o vírus da herpes).

Os sintomas dos Tumores Cerebrais são bastante variáveis, porém, de um modo geral podem ser de cefaleia (preferencialmente pela manhã), vômitos em jato, perda de coordenação motora, tontura, perda de visão, perda de audição, dor no rosto, perda de força em um lado do corpo, perda de sensibilidade nos braços.

Entre as principais manifestações é comum também a crise convulsiva, a mudança de comportamento e a confusão mental. Os tumores cerebrais podem ser confundidos com um Acidente Vascular Cerebral ou um Hematoma Subdural.

Mas, só a relação destes sintomas e da história clínica  pode sugerir a possibilidade de Tumores Cerebrais. O diagnóstico de certeza dos Tumores Cerebrais, entretanto, é dado por exames complementares como a Tomografia Computadorizada e da Ressonância Magnética.

O tratamento dos tumores cerebrais é muito variado, pois existem vários tipos de tumores em lugares também variados no crânio. Como regra geral os tumores cerebrais são de indicação cirúrgica e, caso sejam benignos e únicos, sua remoção completa pode ser a cura.

Já nos casos de tumores múltiplos, como acontece com as metástases, nos casos de tumores malignos e com remoção cirúrgica incompleta, o tratamento pode ser complementado com a  radioterapia e quimioterapia.

 

Canibalismo

Canibalismo é a atitude de um animal comer outro da mesma espécie. Quando esse canibalismo se dá entre seres humanos chama-se de Antropofagia. O sentido etimológico original da palavra “antropófago” (do grego anthropos, “homem” + phagein, “comer”)

Evidentemente, na avaliação do comportamento canibal, não podemos considerar o ato humano isoladamente mas sim, sempre inserido em um determinado contexto. Existem atitudes perfeitamente aceitas em certas culturas e consideradas aberrantes em outras. A Antropofagia é um desses casos; aceita em algumas culturas (e algumas épocas) e até entendida como uma atitude nobre, de vencedores.

Encontram-se evidências arqueológicas da prática de canibalismo em algumas comunidades da África, América do Sul e do Norte, ilhas do Pacífico Sul e nas Antilhas. Canibais famosos foram os astecas, no México, que sacrificavam seus prisioneiros de guerra e comiam alguns deles. Eles comiam os prisioneiros de guerra e outras vítimas, numa prática conhecida como exocanibalismo ou exofagia, ou seja, canibalismo praticado em indivíduos de tribos diferentes. O canibalismo que consiste no ato de consumir parte dos corpos de seus parentes e amigos mortos é chamado de endocanibalismo.

Atualmente, entretanto, na quase totalidade dos casos é indício de severa patologia mental, embora existam poucos casos de canibalismo de humanos na sociedade ocidental moderna  ligados a situações limites de sobrevivência e de opção de vida ou morte.

Sabemos que, de acordo com determinadas exigências situacionais extremas, indivíduos psiquicamente normais podem atuar maneira tal que, em outras circunstâncias mais amenas, seriam considerados francamente patológicos. Veja-se, por exemplo, o caso da antropofagia registrada em desastres dantescos.

 

Cannabis

Cannabis é um termo genérico usado para referir os vários preparados do cânhamo ou maconha (Cannabis sativa). Isso inclui a folha de maconha ou diamba (com variada sinonímia de gíria), o cânhamo-da-índia ou haxixe (derivado da resina dos extremos floridos da planta) e o óleo de haxixe.

Na Convenção Única de Narcóticos e Drogas de 1961, a cannabis foi definida como “as extremidades floridas ou frutificadas da planta de cannabis (excluindo as sementes e as folhas sem aquelas extremidades) das quais a resina não foi extraída“, enquanto que a resina da cannabis é “a resina bruta ou purificada, extraída da planta da cannabis“.
As definições são baseadas na terminologia tradicional indiana como ganja (= cannabis) e charas (= resina). Um terceiro termo indiano, o bhang se refere às folhas.

O óleo de cannabis (óleo de haxixe, cannabis líquida ou haxixe líquido) é um concentrado de cannabis obtido pela extração geralmente através de um óleo vegetal. O termo marijuana é de origem mexicana. Originalmente um termo usado para o tabaco barato, ocasionalmente misturado com cannabis. tornou-se um termo genérico para as folhas de cannabis ou a cannabis, em geral, em muitos países. O haxixe, inicialmente um termo utilizado para a cannabis nas áreas do Mediterrâneo oriental, é hoje utilizada para a resina da cannabis.

A cannabis contém pelo menos 60 canabinóides, muitos dos quais biologicamente ativos. O componente mais ativo é o delta 9-tetrahidrocanabinol (THC), o qual, bem como seus metabólitos, pode ser detectado na urina várias semanas após seu uso (geralmente após ter sido fumado).

A intoxicação pela cannabis produz sensação de euforia, leveza dos membros e geralmente retração social. Prejudica a capacidade de dirigir veículos, bem como de outras atividades complexas que requerem habilidade; prejudica a memória imediata, a capacidade de concentração, os reflexos, a capacidade de aprendizado, a coordenação motora, a percepção de profundidade, a visão periférica, a percepção do tempo (a pessoa geralmente tem a sensação de lentificação do tempo) e a detecção de sinais.

Outros sinais de intoxicação podem incluir ansiedade excessiva, desconfiança ou idéias paranoides em alguns e euforia ou apatia em outros, juízo crítico prejudicado, irritação conjuntival, aumento de apetite, boca seca e taquicardia. A cannabis às vezes é consumida com álcool, o que aumenta os efeitos psicomotores.

Há registros de que o uso da cannabis pode precipitar recaídas em casos de esquizofrenia. Estados de ansiedade e pânico agudos, e estados delirantes foram também relatados na intoxicação por cannabis; estes geralmente regridem em alguns dias. Os canabinoides são às vezes usados terapeuticamente para glaucoma e para as náuseas em tratamentos quimioterápicos do câncer.

Veja mais sobre os transtornos por uso de canabinoides estão incluídos nos Transtornos por Uso de Substância Psicoativa na CID-10 (classificados em F12).

Capacidade de Enfrentamento (Ajustamento)

Trata-se da capacidade de ajustamento e adaptação à realidade, à resolução de problemas e à interação com os desafios.  Uma capacidade de reação individual que reflete a interação de múltiplos fatores, incluindo bagagem genética, história pessoal do aprendizado, desenvolvimento e estrutura de personalidade.

A ansiedade fisiológica e normal comum à todos seres humanos tem uma função adaptativa (de enfrentamento), entretanto, até certo ponto. Até que nosso organismo atinja um máximo de eficiência. À partir de um ponto limítrofe, sendo a ansiedade excessiva, ao invés de contribuir para a adaptação, produziria exatamente o contrário, ou seja, traria a falência da capacidade adaptativa. Nesse ponto crítico, onde a ansiedade foi tanta que já não favorece a adaptação, ocorre o esgotamento da capacidade adaptativa.

Assim sendo, ultrapassando-se o ponto máximo para o desempenho, a capacidade para a adaptação cai vertiginosamente, caracterizando-se o Esgotamento. Trata-se de um termo leigo mas conceitualmente muito verdadeiro. O esgotamento ocorre quando a pessoa não dispõe de estabilidade emocional suficientemente adequada para adaptar-se a vários aspectos da vida cotidiana. Os estímulos estressores, nesse caso, seriam estressores exclusivamente para essa determinada pessoa, portanto, objetivamente falando, são estímulos não obrigatoriamente traumáticos para todos, mas sim, mais traumáticos para as pessoas mais sensíveis, mais ansiosas ou mais esgotadas.

Essas falências adaptativas estão incluídas nos Transtornos de Ajustamento, onde se vê que o esgotamento aparece quando a pessoa não dispõe de estabilidade emocional suficientemente adequada para adaptar-se a vários aspectos da vida cotidiana.

Veja mais em Transtornos do Ajustamento do DSM.IV

 

Caráter

Caráter aqui nesse glossário interessa sob o ponto de vista da personalidade. De acordo com Reich, o Caráter é composto das atitudes habituais de uma pessoa e de seu padrão consistente de respostas para várias situações. Isso inclui as atitudes e valores conscientes, estilo de comportamento (timidez, agressividade e assim por diante) e atitudes físicas (postura, hábitos de manutenção e movimentação do corpo).

Na psiquiatria clássica o Caráter é o atributo funcional da Personalidade responsável pela volição (vontade) e pelos conceitos éticos e morais. Assim sendo, o sociopata ou a pessoa que se conduz emancipada dos conceitos morais e éticos, bem como aquela que não consegue dominar sua vontade seria portadora de um transtorno de Caráter.

Alguma neuroses também podem ser entendidas como alterações do Caráter.  A chamada Personalidade Neurótica ou, conforme termo de Henri Ey, do Caráter Neurótico, implica nas Disposições Pessoais, no arranjo peculiar dos traços no interior do eu, da modelagem afetiva no desenvolvimento da personalidade, da história biológica e existencial do indivíduo e das exigências adaptativas que a vida solicita.

Patologicamente podemos dizer, também, que a pessoa portadora da Personalidade Borderline, embora seja bem menos perturbada que os psicóticos, são muito mais complexas que os neuróticos, embora possam ter deformações de caráter tanto quanto nas personalidades sociopáticas. Estas personalidades sociopáticas ou psicopáticas, devido aos defeitos de caráter, costumam fazer com que o a pessoa demonstre uma absoluta falta de sentimentos diante de estímulos importantes.

Cloninger desenvolveu uma das teorias mais aceitas atualmente para explicar como se forma a personalidade e também considerações a respeito dos transtornos de personalidade. Neste modelo a personalidade é concebida como a interação do Temperamento (traços herdados) com o Caráter (traços aprendidos). Este modelo é tridimensional ou seja “bio-psico-social.

De fato, particularmente, entendemos o Caráter como tendo sim uma parte, talvez a maior delas, de natureza constitucional. Esta seria a volição (vontade) ou, se preferir, a capacidade de domínio sobre a vontade.  A parte do Caráter relacionada à valoração do comportamento, ou os limites da conduta (ética), seria aprendida. O Temperamento, por sua vez, realmente é de natureza constitucional. Isso quer dizer que a tonalidade afetiva ou o perfil de humor é de origem constitucional.

Ao estudarmos as perturbações mentais, em muitos casos vamos ver que se tratam de reações cuja natureza não é só determinada pela situação vivencial psico traumática, mas também pelas predisposições da personalidade. A maioria das reações psíquicas mórbidas desenvolve-se em função de uma perturbação de Caráter que predispõe a elas.

 

Cardiopatia Alcoólica

Cardiopatia Alcoólica é um transtorno difuso do músculo do coração, observado em indivíduos com história de consumo exagerado de álcool por, geralmente, no mínimo 10 anos.  Esses pacientes apresentam caracteristicamente uma insuficiência biventricular do coração.

Os sintomas mais comuns da Cardiopatia Alcoólica incluem diminuição do fôlego durante pequenos esforço e mesmo deitado (dispneia noturna), palpitações, edema de tornozelos e distensão abdominal (devido à ascite).  É comum o transtorno do ritmo cardíaco; a fibrilação auricular é a mais freqüente arritmia.

Cardiopatia Alcoólica deve ser diferenciada do beribéri cardíaco e de uma forma da “cardiomiopatia dos bebedores de cerveja”, causada pelo envenenamento por cobalto.

Sinônimo: Doença Alcoólica do Músculo Cardíaco.

Catalepsia

Catalepsia é um estado de plasticidade motora no qual o indivíduo conserva as posições que lhe são dadas, como se se tratasse de um boneco de cera (flexibilidade cerosa). Os músculos tornam se como mecânicos, sem vida e sem potência. A Catalepsia pode ser observada, sobretudo, na Esquizofrenia, notadamente do tipo Catatônica e no sono hipnótico, caracterizando-se por uma perturbação psicomotora capaz de cessar bruscamente todos movimentos voluntários, sem que haja lesão dos músculos.

Catalepsia caractiza-se ainda pela manutenção da atitude ou posição em que se encontrava o paciente no momento do ataque. Durante a perturbação o doente conserva o uso perfeito das faculdades, da inteligência e da percepção, mas fica impossibilitado de responder às questões que lhe são propostas. Os membros se tornam moles, mas não ha contrações, embora os músculos se apresentem mais ou menos rijos. A Catalepsia ocorre em determinadas doenças nervosas, debilidade mental, histeria, intoxicações e alcoolismo.

Existe ainda a chamada Catalepsia Projetiva. Trata-se de um fenômeno comum, pelo qual muitas pessoas são acometidas durante a vida e acontece da seguinte maneira. Como em um pesadelo, a pessoa desperta durante a noite e descobre que não pode se mover. Parece que uma força invisível lhe tolhe os movimentos. Desesperada, ela tenta gritar, mas não consegue. Tenta abrir os olhos, mas também não obtém resultado. A sensação é extremamente angustiante.

Algumas pessoas portadoras de Catalepsia Projetiva criam fantasias subconscientes imaginando que um espírito possuiu-lhes, ou que está morrendo dormindo, etc. Essa catalepsia é considerada benigna, não apresenta riscos. Nessa situação a conduta mais adequada é não tente se mover, ficar calmo tendo em mente que a crise passará logo.

Catalepsia não deve ser confundida com a Narcolepsia. Esta última é uma condição neurológica caracterizada por episódios irresistíveis de sono, geralmente associada a outros transtornos do sono. Nas classificações de doenças a Narcolepsia é um um tipo de Dissonia.

Na Narcolepsia o sintoma mais expressivo é a sonolência diurna excessiva, colocando o paciente em perigo durante a realização de tarefas comuns, como dirigir, operar certos tipos de máquinas e outras ações que exigem concentração. Isso faz com que a pessoa passe a apresentar dificuldades no trabalho, na escola e, até mesmo, em casa.

Na grande maioria dos casos esse transtorno é incompreendido por familiares, amigos e patrões, associando-o mais comumente à displicência, negligência, preguiça e coisas assim. A sonolência da Narcolepsia geralmente é confundida com uma situação normal, o que leva a uma dificuldade de diagnóstico.

É comum portadores da narcolepsia passarem a vida inteira sem se darem conta que o seu quadro é motivado por uma doença, sendo tachados por todo esse tempo de preguiçosos e dorminhocos. No entanto, se o narcoléptico procurar ajuda especializada, vai descobrir que é vítima de um mal crônico, cujo tratamento é feito por meio de estimulantes e que pode se prolongar por toda a vida. As manifestações da Narcolepsia, principiando pela sonolência diurna excessiva, começam geralmente na adolescência

 

Catecolaminas

As Catecolaminas (norepinefrina, epinefrina e dopamina) são importantes neurotransmissores. Norepinefrina (sinônimo de Noradrenalina) e Epinefrina (sinônimo de Adrenalina) são formadas e secretadas no Sistema Nervoso Central e na medula da glândula Supra-Renal.

A maior parte das terminações nervosas chamadas de simpáticas pós-ganglionares usa a Norepinefrina como transmissor. Esta é armazenada em vesículas granulosas no botão sináptico, que variam em tamanho de 40 a 75mm. As principais catecolaminas são formadas pela hidroxilação e descarboxilação dos aminoácidos fenilalanina e tirosina.

A enzima fenilalanina hidroxilase, que converte a fenilalanina em norepinefrina é encontrada primariamente no fígado. Há uma longa trajetória entre a enzima fenilalanina hidroxilase e a Norepinefrina. Inicialmente ela cataboliza a reação fenilalanina para tirosina, que é transportada para neurônios e hidroxilada e descarboxilada para formação de dopamina. A dopamina entra nas vesículas onde é convertida para norepinefrina pela dopamina-b-hidroxilase. L-dopa é o isômero mais ativo, mas a Norepinefrina é formada na configuração D.

O fator limitante na conversão de dopamina em Norepinefrina é a conversão de tirosina em dopa. A tirosina hidroxilase está sujeita ao feedback inibitório da dopamina e norepinefrina. Nas vesículas granulosas a Norepinefrina e Epinefrina estão ligadas a ATP e associadas a proteínas denominadas cromograninas. A função destas proteínas ainda não está totalmente clara.

As Catecolaminas são liberadas das vesículas por exocitose, junto com ATP, dopamina-b-hidroxilase e cromograninas. Um mecanismo ativo de recaptação de Norepinefrina é encontrado nos neurônios adrenérgicos.

 

Catexia

Catexia é o processo pelo qual a energia libidinal disponível na psique é vinculada a ou investida na representação mental de uma pessoa, ideia ou coisa. A libido que foi catexizada perde sua mobilidade original e não pode mais mover-se em direção a novos objetos. Está enraizada em qualquer parte da psique que a atraiu e segurou.

Segundo a psicóloga Noelisa Lima, em artigo publicado em http://www.unat.com.br, seção artigos, junho de 2001 – revisado em 18/09/2004, para entender melhor, Freud, ao estudar os impulsos capazes de impelir o homem à atividade, comparou-os ao conceito de energia física, que se define como a capacidade de produzir trabalho. Mas tanto essa energia física como a psíquica são hipóteses, já que os estados de energização não são passíveis de medida.

Presume-se assim que há um quantum de energia psíquica com o qual uma determinada pessoa ou objeto estão investidos e a palavra que Freud escolheu para designar este conceito vem do alemão Besetzung, traduzido para o inglês por Cathexis – em português – Catexia. Segundo Terzis (2001), a Catexia é nada mais que o desejo. Parece que a motivação inerente ao ser humano possui um continuum de força – que se torna perceptível em suas ações.

Tomando a libido como exemplo de uma dada quantidade de dinheiro, a Catexia seria o processo de investir esse dinheiro. Digamos, então, que uma porção do dinheiro foi investida (catexizada), permanecendo nessa hipotética aplicação e deixando algo a a menos do montante original para investir em outro lugar.

Estudos psicanalíticos sobre luto, por exemplo, interpretam o desinteresse das ocupações normais e a preocupação com o recente finado como uma retirada de libido dos relacionamentos habituais e uma extrema Catexia na pessoa perdida.

A teoria psicanalítica se interessa em compreender onde a libido foi catexizada inadequadamente. Uma vez liberada ou redirecionada, esta mesma energia ficará disponível para satisfazer outras necessidades habituais. A necessidade de liberar energias presas também se encontra nos trabalhos de Rogers e Maslow, assim como no Budismo. Cada uma dessas teorias chega a diferentes conclusões a respeito da fonte da energia psíquica, mas todos concordam com a alegação freudiana de que a identificação e a canalização dessa energia são uma questão importante na compreensão da personalidade.

Veja mais sobre Catexia em Freud, na seção Personalidade (Teorias da)

 

Cegueira Cortical

Cegueira Cortical é a perda bilateral da visão com resposta pupilar normal e com exame ocular sem anormalidades. O têrmo Cegueira Cortical implica em não existir resposta sensorial aos estímulos luminosos, porém, muitas crianças com alterações no córtex visual mostram alguma visão residual.  Assim, pode ser preferível a denominação “Deficiência Visual Cortical” (DVC) para se referir a estes pacientes.

A causa mais comum da Cegueira Cortical é hipóxia (falta de oxigênio) peri e pós-natal, mas também pode ocorrer por trauma, epilepsia, infecção, drogas, envenenamentos e doenças neurológicas. O mesmo evento que causa a Cegueira Cortical por lesão das vias visuais geniculadas e/ou extra geniculadas também pode lesar outras áreas do cérebro ou da retina, nervo óptico ou quiasma. Assim as crianças frequentemente apresentam outros problemas neurológicos associados a  Cegueira Cortical .

A síntese das sensações de forma a constituir percepções conscientes dá-se nas zonas corticais do SNC. A anestesia, surdez ou cegueira podem resultar da lesão de um órgão sensorial periférico, do nervo aferente ou da zona cortical do SNC onde se projetam essas sensações determinando o desaparecimento delas.

Quando a lesão é central (cortical) podemos ter essas alterações seguidas do nome “cortical”. Cegueira Cortical é um defeito da visão produzido por lesão extensa no córtex cerebral occipital primário (área 17).  A Cegueira Cortical distingue-se da cegueira periférica mostrando olhos de aparência normal e reflexos pupilares conservados. Associa-se, frequentemente à alucinações e falta de consciência do déficit (Síndrome de Anton).

 

Cenestesia, Cinestesia e Sinestesia

Há grande semelhança gráfica entre 3 palavras cujos significados são totalmente diferentes: cenestesia, cinestesia, sinestesia.  Em neurologia, Cenestesia designa a sensação que o indivíduo tem da situação de sua existência, isto é, a consciência de suas funções orgânicas e de sua corporeidade.

Em fisiologia, Cinestesia é a consciência através da qual percebemos a movimentação espacial de nosso corpo, nossos movimentos musculares. Em psicologia, Sinestesia é quando um perfume nos lembra determinada cor ou um som nos traz uma imagem qualquer, ou seja, quando um determinado estímulo nos remete à uma determinada memória ou sentimento.

Cenestesia é a consciência (sensopercepção) que temos do próprio corpo, é a representação consciente do próprio corpo, de sua posição, de seu movimento, de sua postura em relação ao mundo à sua volta e em relação aos suas diversas partes e segmentos.

Quando existe uma percepção falsa dos órgãos internos ou do esquema corporal, falamos em Alucinações Cenestésicas. Nestes casos os pacientes sentem como se tivessem seu fígado revirado, esvaziado seu pulmão, seus intestinos arrancados, o cérebro apodrecido, o coração rasgado, e assim por diante.

Cinestesia já diz respeito à senso-percepção dos movimentos corporais e em relação ao ambiente à sua volta. As Alucinações Cenestésicas devem ser diferenciadas das Alucinações Cinestésicas, que não dizem respeito à sensação tátil, mas sim aos movimentos (cine=movimento). Nas cinestesias os pacientes percebem as paredes movendo-se ou eles próprios movendo-se no espaço.

Veja em mais em Alucinações, seção Psicopatologia (Sensopercepção)

 

Cerebelo

cerebelo é a parte do encéfalo, anteriormente tido como exclusivamente responsável pela manutenção do equilíbrio e postura corporal, controle do tônus muscular e dos movimentos voluntários, bem como pela aprendizagem motora. É formado por 2 hemisférios – os hemisférios cerebelares, e por uma parte central, chamada de Vermis.

Atualmente, tem-se reconhecido que este órgão tem funções mais amplas do que as puramente motoras, atuando em diversos processos cognitivos. O dano cerebelar está associado a disfunções em tarefas executivas, de aprendizagem, memória processual e declarativa, processamento de linguagem e funções visuais e espaciais, além de disfunções na personalidade, no afeto e na cognição.

A hipótese que deriva do modelo anatômico é de que o rompimento do circuito neural que conecta o cerebelo com as áreas associativas e paralímbicas impede a modulação cerebelar das funções cognitivas relacionadas, provocando alterações nos subsistemas e produzindo déficits de conduta, Foi proposto um esquema dos diferentes tipos de atividade não-motora, que poderiam modular-se por distintas regiões cerebelares.

No caso da cognição e da emoção, descrevem-se as regiões cerebelares mais antigas, como o lóbulo flóculo-nodular, o verme, o núcleo fastigial e o núcleo globoso, os quais podem ser considerados equivalentes a um cerebelo límbico, sendo responsáveis pelos mecanismos primitivos de preservação, como manifestações de luta, emoção, sexualidade e, possivelmente, de memória emociona.

Os hemisférios laterais cerebelares e os núcleos denteados e emboliformes parecem ser responsáveis pela modulação do pensamento, planificação, formulação de estratégias, aprendizagem, memória e linguagem, características só identificadas nos mamíferos.  Desse modo, o cerebelo vem sendo considerado um poderoso coordenador, capaz de contribuir tanto para as habilidades motoras, quanto sensoriais e cognitivas, graças às conexões que estabelece com regiões encefálicas responsáveis pela execução dessas funções

Cérebro (Encéfalo)

encéfalo é um órgão situado dentro do crânio que faz parte do sistema nervoso sendo constituído por células especiais denominadas células nervosas ou neurônios. Controla o funcionamento dos outros órgãos enviando e recebendo informações de todas as partes do corpo humano. Pesa cerca de 1.300g (adulto jovem) e é formado por aproximadamente 10 bilhões de neurônios. As funções cerebrais superiores que são responsáveis pelo nosso comportamento e pela inteligência não estão relacionadas com o peso ou volume do cérebro.

No cérebro estão os centros que controlam desde nossas emoções, nossa compreensão e nossa linguagem, até aqueles que controlam nossos movimentos mais simples. Contem os órgãos responsáveis por nossa olfação, paladar, visão e audição. Cerca de 70% do cérebro não é visível em sua superfície pois sua estrutura (a córtex cerebral) é constituída por milhares de dobras (as circunvoluções) o que permite uma extensa área em um pequeno espaço. As comunicações entre as células e entre os diferentes centros cerebrais são transmitidas por filamentos (longos ou axônios e curtos ou dendritos) e envolvem substâncias químicas (neurotransmissores), destacando-se a acetilcolina e a serotonina.

O encéfalo é constituído pelo tronco, o cerebelo e o cérebro. O tronco cerebral é a porção mais posterior ou caudal do encéfalo e se continua com a medula. O cerebelo envolve o tronco cerebral, localizando-se posteriormente ao cérebro, e o cérebro ocupa a maior parte da cavidade do crânio e é formado por duas partes semelhantes, os hemisférios cerebrais. Pelo tronco cerebral passam todas as fibras que ligam o corpo ao cérebro e que cruzam a linha média, provocando o fato de que estímulos localizados à direita do corpo terminam no lado esquerdo do cérebro.

A maior parte dos nervos cranianos (que são responsáveis pela sensibilidade e pela movimentação dos músculos da face, por ex) nascem no tronco cerebral. No tronco também se localizam os centros responsáveis pela estado de vigília ou alerta que ao serem lesados produzem o estado de coma. O cerebelo corresponde a 10% do peso do encéfalo e é responsável pela coordenação dos movimentos. Os hemisférios cerebrais contem estruturas como o hipotálamo que mantém a temperatura do corpo, os controles da pressão arterial e da respiração e centros reguladores da produção de hormônios e a córtex cerebral que possui uma estrutura complexa que contem a grande maioria dos neurônios. Na córtex estão localizados os centros motores (região frontal ou lobo frontal) de onde saem os estímulos que provocam a nossa movimentação bem como os centros sensitivos (região parietal ou lobo parietal) que recebem as informações de todos os órgãos. Na região frontal ou lobo frontal também está localizada a área responsável pela linguagem falada que se situa no hemisfério esquerdo de pessoas destras. Também na córtex cerebral estão situados os centros responsáveis pela olfação, audição e visão. A memória, por ex, tem sua regulação situada na região temporal ou lobo temporal.

encéfalo contem cavidades ou ventrículos por onde circula um liquido, liquido cefalorraquidiano, que transporta substâncias relacionadas ao equilíbrio metabólico do sistema nervoso. Este liquido caracteristicamente é límpido como água de rocha e é produzido por células que formam as paredes das cavidades ventriculares circulando no sentido caudal, isto é em direção à medula. Todo o encéfalo, bem como a medula, são envolvidos por uma membrana resistente denominada meninge.

encéfalo recebe sangue arterial que vem do coração através de calibrosas artérias localizadas no pescoço (artérias carótidas e vertebrais) e que se subdividem em inúmeras ramificações ao atingirem o tecido cerebral. Mais que qualquer órgão o encéfalo tem grande sensibilidade ao oxigênio sendo que a sua falta produz em tempo muito curto graves lesões. Daí a razão das doenças vasculares cerebrais serem tão importantes.

 

Choque Cultural

Choque Cultural é um estado de isolamento social, ansiedade e depressão que acontece devido à dificuldade da pessoa em se adaptar à uma nova e diferente realidade cultural que ocorre quando muda para uma outra cultura que não a sua, ou quando fica muito tempo fora de sua cultura original e volta à ela.

Esse tipo de problema costuma ser freqüente entre migrantes e imigrantes, mas pode também ocorrer quando as circunstâncias de vida ou de regime político mudam radicalmente dentro da mesma sociedade. Imediatamente após o contacto com a cultura diferente a pessoa pode experimentar um estresse pequeno e, durante algum tempo, até desfrutar de certos aspectos da nova cultura.

Com a manutenção da situação por mais tempo pode haver um agravamento do estresse psicológico. Os sintomas e sinais associados com este estresse variam de uma pessoa para outra, mas costuma ser representado por ansiedade, alterações do humor e/ou do comportamento. Este estado de Choque Cultural costuma se resolver em alguns meses ou, no máximo, em dois anos. Algumas vezes pode evoluir para um transtorno psiquiátrico mais sério e com severo prejuízo do processo de ajustamento cultural.

Alguns autores sistematizam a evolução do Choque Cultural em quatro fases:

Primeira fase: É uma fase habitualmente curta, digamos as primeiras duas a três semanas e constitui um período de euforia (ou encantamento) que tem a ver com a emoção da viagem, da nova terra e das novas pessoas. É o que geralmente acontece quando se vai de férias para um lugar novo.
Segunda Fase: É a fase do choque e, agora, aquilo que era interessante e encantador já não parece tão interessante nem tão encantador. É quando começa a vida real no novo ambiente.
Terceira Fase: Inicia-se quando o indivíduo estrangeiro aprendeu gradualmente a funcionar nas novas condições e nas novas regras, adotando e compreendendo alguns valores e normas locais, adquire confiança em si próprio e finalmente se integra na nova rede social.
Quarta Fase: Constitui o estado de estabilidade mental que acaba por ser alcançado. Contudo, os sentimentos podem permanecer negativos em comparação com a cultura de origem da pessoa, mas ela pode sentir-se tão bem como anteriormente e neste caso, pode considerar-se que se atingiu uma adaptação bicultural. Pode mesmo dar-se o caso da pessoa se sentir ainda melhor no novo ambiente e adaptar-se totalmente ao modo de vida dos anfitriões. Nestas situações pode colocar-se dúvidas quanto ao seu regresso tal como na fase 4ª se coloca a hipótese de repatriação por inadaptação, do próprio ou da família.

Em termos de migração ou emigração para trabalho, o choque cultural e toda a sintomatologia física que o acompanha pode mesmo atingir uma intensidade que leve à repatriação e muitas empresas têm experiências deste tipo. Não obstante, muitos regressos expatriados sucumbiram à pressão dos conjugues ou à inadaptação dos mesmos ao novo ambiente ou à nova situação de separação.

A expressão “luto cultural” pode significar uma condição, na qual a pessoa que sofre não sofre apenas devido ao esforço de se ajustar às circunstâncias de uma nova cultura mas, sobretudo, ao se dar conta da perda da cultura anterior.

Veja mais em Transtorno de Adaptação no CID.10

 

Ciclotimia (Personalidade Ciclóide)

Ciclotimia ou Humor Ciclotímico é um tipo de característica afetiva, ou seja, um traço afetivo (ou do humor) que se caracteriza por oscilações entre extremos depressivos e eufóricos, mas não suficientemente grave para que se faça um diagnóstico de Transtorno Afetivo Bipolar.

Na CID.10 existe a classificação de Transtornos Persistentes do Humor, onde se inclui a Ciclotimia e a Distimia. São transtornos ditos persistentes porque dizem respeito a determinados tipos (traços) de personalidade, com características que persistem por anos e, por vezes, durante a maior parte da vida adulta do paciente, podendo levar à sofrimento e à incapacidade. Em certos casos, episódios maníacos ou depressivos recorrentes ou isolados podem se superpor a um transtorno afetivo persistente.

Na Ciclotimia há instabilidade persistente do humor que comporta numerosos períodos de depressão ou de leve exaltação, porém, como dissemos, não suficientemente graves ou prolongados para ser considerados como Transtorno Afetivo Bipolar(F31) ou mesmo um Transtorno Depressivo Recorrente (F33). Esse tipo ciclotímico de transtorno se encontra, freqüentemente, em familiares de pacientes que apresentam um transtorno afetivo bipolar. Algumas pessoas ciclotímicas apresentarão elas próprias ulteriormente um transtorno afetivo bipolar.

O CID.10 recomenda que a Ciclotimia seja sinônimo de Personalidade Cicloide, Personalidade Ciclotímica ou de Transtorno Afetivo da Personalidade. Da mesma forma, o DSM.IV considera a característica essencial do Transtorno Ciclotímico, uma perturbação crônica e flutuante do humor, envolvendo numerosos períodos de sintomas hipomaníacos (de euforia) e numerosos períodos de sintomas depressivos.

Os sintomas hipomaníacos que fazem parte da Ciclotimia, têm número, gravidade, abrangência ou duração insuficientes para a satisfação dos critérios para um Episódio Maníaco, e os sintomas depressivos têm número, gravidade, abrangência ou duração insuficientes para a satisfação dos critérios para um Episódio Depressivo Maior.

Voce pode ver mais sobre Ciclotimia em:
Ciclotimia Distimia no DSM.IV e CID.10
Distimia no texto de PsiqWeb para Depressão

Pode ver também sobrre Episódios de Euforia e de Depressão em:
Transtorno Afetivo Bipolar na CID.10, no DSM.IV e no texto de PsiqWeb sobre Depressão.

 

Cingulado, Giro

Giro Cingulado é uma região do cérebro situada na face medial (central), entre o sulco cingulado e o corpo caloso, que é um feixe nervoso que liga os 2 hemisférios cerebrais. O Giro Cingulado faz parte do Tálamo, e este do Sistema Límbico, que é o grande controlador das emoções.

Recentes estudos de estimulação e de neuroimagem funcional (SPECT) em animais e humanos, incluindo pacientes com lesões cerebrais focais, demonstraram que a Amígdala, o Córtex Insular e o Núcleo Caudado participam do processo de identificação do significado emocional dos estímulos, enquanto que o córtex pré-frontal ventrolateral, o córtex orbito frontal, o córtex insular, o Giro Cingulado anterior, a amígdala e o estriado participam da resposta afetiva diante desses estímulos. A regulação afetiva e comportamental, por sua vez, é desempenhada pelo córtex pré-frontal dorsolateral e dorso medial, pelo hipocampo e pelo Giro Cingulado anterior dorsal.

A importância dos núcleos do Tálamo na regulação do comportamento emocional possivelmente decorre , não de uma atividade própria , mas das conexões com outras estruturas do Sistema Límbico. O núcleo dorso-medial conecta com as estruturas corticais da área pré-frontal e com o Hipotálamo.

Os núcleos anteriores ligam-se aos corpos mamilares no hipotálamo (e através destes , via fornix, com o hipocampo) e ao Giro Cingulado. Há ainda muito por conhecer a respeito desse giro, mas sabe-se que a sua porção frontal coordena odores e visões com memórias agradáveis de emoções anteriores. Esta região participa ainda, da reação emocional à dor e da regulação do comportamento agressivo.

A ablação (retirada) do Giro Cingulado (cingulectomia) em animais selvagens, domestica-os totalmente. A simples secção de um feixe desse giro (cingulomia), interrompendo a comunicação neural do circuito de Papez, reduz o nível de depressão e de ansiedade pré-existentes.

Veja mais no texto Cérebro e Agressão.

 

Circunstancialidade

Circunstancialidade, ou Prolixidade é uma alteração no rumo (direção) do pensamento. O paciente com circunstancialidade revela uma irritante incapacidade para selecionar o tema essencial dos detalhes acessórios, ou seja, o pensamento foge da pauta principal e perde-se no detalhamento trivial.

No discurso que manifesta o pensamento aparece um grande rodeio em torno do tema central, uma riqueza aborrecedora de detalhes e circunstâncias sem propósitos práticos e pormenores desnecessários, tornando o discurso bem pouco agradável.

À esta situação chamamos também de Viscosidade ou discurso Viscoso ou, quando esta é uma das características constante da pessoa, pode-se chamá-la de pessoa Viscosa. Um exemplo contundente de viscosidade é a conversa ou a atitude de alguns bêbados, muito inconvenientes e dos quais não é fácil se livrar.

Na Circunstancialidade aparece, como é natural, um certo grau de ansiedade por parte do interlocutor, provocada pela morosidade na conclusão da idéia. Um paciente, perguntado se tinha ido fazer uma tomografia, cuja resposta deveria ser algo como sim ou não, dizia: ” bem, tive que ir terça feira passada porque o movimento do escritório às terças é menor; na segunda feira é que tem mais serviço, porque o pessoal deixa tudo para ser resolvido às segundas. Até que foi bom eu ter deixado para a terça, porque, lá no serviço do tomógrafo, eles também devem ter mais movimento de segunda, que por sinal é um dia terrível. Acho que (brincando) a semana deveria começar pela terça“.

Prolixidade produz um curso do pensamento muito tortuoso e o tema central fica seriamente prejudicado pelas divagações inúteis e pelos comentários paralelos. Em seu diálogo o paciente viscoso tem sempre algo a acrescentar e de tal forma que o fim da conversa fica desagradavelmente comprometido. No consultório ele é capaz de levantar-se muitas vezes antes de ir embora e sentar novamente para acrescentar mais alguma coisa, absolutamente sem importância.

Veja mais em Alterações do Pensamento (Rumo) em Psicolpatologia

 

Cisão da Atenção

Cisão da Atenção é quando os objetos da Atenção opõem-se um ao outro e, por causa disso, não se pode estabelecer uma unidade. Este fato pode ocorrer com relativa frequência em alguns transtornos psíquicos, criando sérios problemas para a mente que deve atender, simultaneamente, a objetivos múltiplos e/ou contraditórios.

Bateson exemplifica a Cisão da Atenção ao propor a hipótese do Duplo Vínculo, que é uma situação insolúvel na qual se encontram muitas pessoas no contexto familiar. A situação é descrita como aquela em que uma pessoa transmite à outra duas mensagens afins, porém contraditórias e incompreensíveis, contendo exigências de natureza oposta, ao mesmo tempo que trata de impedir que a vítima expresse uma opinião acerca da incoerência.

Na Cisão da Atenção, segundo a hipótese do Duplo Vínculo, a pessoa se encontra numa situação singular e insustentável.  Não pode adotar nenhuma atitude sem sofrer pressões e exigências contraditórias vindas, geralmente, de parte de um ou de ambos os pais. O fato de não saber para que lado deva se “voltar”, para o lado do pai ou da mãe, ocasiona o desmantelamento no interior de si próprio e, externamente, nas relações interpessoais. Cria-se uma situação sem saída para os que se encontram a ela vinculados.

Veja mais sobre Cisão da Atenção em Atenção e Memória, em Psicopatologia

 

Ciúme, Ciúme Alcoólico e Patológico

Ciúme é uma emoção humana extremamente comum, senão universal, definido como a percepção incômoda da ameaça da perda de uma relação valiosa para outra pessoa, real ou imaginário. A expressão do ciúme varia da normalidade à doença, com graus diferentes de intensidade, persistência e percepção.

As definições de ciúme são muitas e imprecisas, mas todas costumam ter em comum três elementos:

1) ser uma reação frente a uma ameaça percebida;
2) haver um rival real ou imaginário e;
3) a reação visa eliminar os riscos da perda do objeto amado.

As vezes pode parecer difícil os limites entre ciúme normal e patológico. O Ciúme Patológico é aquele que está baseado em crenças falsas (idéias sobrevaloradas ou delírios) que não são abaladas pela argumentação racional. Ele pode ser um sintoma de um transtorno psiquiátrico, como o Alcoolismo, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo ou o Transtorno Delirante.

Ciúme Patológico inclui uma suspeita inexplicável relacionada à fidelidade do parceiro capaz de modificar os pensamentos, sentimentos e o comportamento. A suspeita não é confirmada por qualquer prova real ou argumentação racional. As tentativas para confirmar as suspeitas de infidelidade são absurdas, inconsequentes, invasivas e humilhantes.  Podem envolver a leitura da correspondência do parceiro, a checagem dos telefonemas, trajetos e até a contratação de detetives particulares. Freqüentemente, a pessoa enciumada interroga obsessivamente seu parceiro sobre os eventos que ocorreram em seu dia e sobre os supostos episódios de traição.

A característica delirante do Ciúme Patológico, a qual se manifesta por delírios de infidelidade, é conhecida também como Síndrome de Otelo, em referência ao personagem Otelo na peça de Shakespeare. Há também, no Ciúme Patológico, atitudes obsessivas, onde que ocorrem idéias repetitivas de infidelidade, muitas vezes tidas pelos próprios pacientes como absurdas, irracionais ou sem sentido, mas, ao mesmo tempo, inevitáveis.

 

Na verdade, pouco se sabe sobre experiências e comportamentos associados ao ciúme na população geral, mas num estudo populacional, todos os entrevistados (100%) responderam positivamente a uma pergunta indicativa de ciúme, embora menos de 10% reconheceu que este sentimento poderia acarretava problemas no relacionamento.

Ciúme seria um conjunto de emoções desencadeadas por sentimentos de alguma ameaça à estabilidade ou qualidade de um relacionamento íntimo valorizado.

Ciúme Alcoólico – Trata-se de um tipo de transtorno psicótico crônico (transtorno delirante) provocado pelo álcool caracterizado por delírios de que o parceiro conjugal ou sexual é infiel. O delírio é caracteristicamente acompanhado de procura intensa de evidências da infidelidade e acusações diretas que podem levar a discussões violentas.

Pela CID.10, o Ciúme Alcoólico está incluído na Psicose Alcoólica e esta é um conjunto de fenômenos psicóticos que ocorrem durante ou imediatamente após o consumo de uma substância psicoativa, mas que não podem ser explicados inteiramente com base numa intoxicação aguda e que não participam também do quadro de uma síndrome de abstinência.

Esse estado se caracteriza pela presença de alucinações (tipicamente auditivas, mas freqüentemente polis sensoriais), de distorção das percepções, de idéias delirantes (frequentemente do tipo paranoide ou persecutório), de perturbações psicomotoras (agitação ou estupor) e de afetos anormais, podendo ir de um medo intenso ao êxtase. O sensório não está habitualmente comprometido, mas pode existir um certo grau de obnubilação da consciência embora possa estar presente a confusão mas esta não é grave.

 

Cleptomania (Furto Patológico)

A característica essencial do Furto Patológico ou Cleptomania é o fracasso recorrente em resistir a impulsos de furtar objetos, embora esses não sejam necessários para o uso pessoal ou por seu valor monetário.

A pessoa vivencia um sentimento subjetivo de crescente tensão antes do furto e sente prazer, satisfação ou alívio da ansiedade ao cometer o furto. O furto não é cometido para expressar raiva ou vingança, não é realizado em resposta a um delírio ou alucinação, nem é explicado por um Transtorno da Conduta, por um Episódio Maníaco ou um Transtorno da Personalidade Anti-Social. A atitude está relacionada ao controle dos impulsos.

Os objetos são furtados apesar de tipicamente terem pouco valor para o indivíduo, que teria condições de comprá-los e freqüentemente os dá de presente ou joga-os fora. Às vezes, o indivíduo pode colecionar os objetos furtados ou devolvê-los disfarçadamente. Embora os indivíduos com este transtorno em geral evitem furtar quando uma detenção imediata é provável (por ex., na proximidade de um policial), eles não costumam planejar seus furtos de antemão nem levam plenamente em conta as chances de serem presos. O furto é cometido sem auxílio ou colaboração de outros.

Entre os transtornos do controle dos impulsos classifacam-se:

1. – Impulsos Agressivos-Destrutivos
2. – Frangofilia
3. – Piromania
4. – Dromomania
5. – Dipsomania
6. – Cleptomania
7. – Jogo Patológico

 

Cocaína

Cocaína é um alcaloide obtido das folhas de coca (Erythroxylon coca) ou derivado sinteticamente da ecgonina ou de seus derivados. O hidrocloreto de cocaína era comumente usado como anestésico local em odontologia, oftalmologia. Devido à sua ação vasoconstritora também era usada nas cirurgias de ouvido, nariz e garganta para redução das hemorragias locais.

Cocaína também é um poderoso estimulante do sistema nervoso central, usado não-medicamentosamente para produzir euforia ou “ligação”, porém, seu uso constante produz forte dependência. A cocaína ou “coca”, geralmente é vendida como cristais brancos e translúcidos, ou em pó (“farinha” ou “pó”), freqüentemente adulterada com açúcares ou anestésicos locais.

O pó é cheirado (aspirado pelo nariz) e produz efeitos euforizantes entre 1-3 minutos, os quais duram em torno de 30 minutos. A cocaína pode ainda ser ingerida oralmente, geralmente com bebidas alcoólicas ou injetada por via intravenosa.

Aquecendo-se o sal de cocaína com bicarbonato de sódio produz-se o crack. O crack é uma cocaína alcaloideo (básica), um composto amorfo que pode conter cristais de cloreto de sódio. O nome crack, refere-se ao som de estalido provocado quando o composto é aquecido.

O efeito intenso do crack, representado por um sentimento de exaltação, desaparecimento de ansiedade e um exagerado sentimento de confiança e auto-estima ocorre de 4-6 segundos após sua inalação. Há também uma perturbação do juízo crítico e o usuário tende a cometer atos irresponsáveis, ilegais ou perigosos, sem atentar para as conseqüências.

Os efeitos agradáveis terminam em torno de 5-7 minutos, depois disso o humor rapidamente muda para depressão e o consumidor é compelido a repetir o processo de forma a recuperar a euforia do ápice. A superdose parece ser mais freqüente com o crack que com outras formas de cocaína.

A interrupção do uso contínuo de cocaína é geralmente seguida por uma crise que pode ser vista como síndrome de abstinência, na qual a exaltação dá lugar à apreensão, depressão profunda, sonolência e inércia. Reações tóxicas agudas podem ocorrer no consumidor de cocaína e se traduzem por pânico, hiperpirexia, hipertensão (algumas vezes com hemorragia subdural ou subaracnoide), arritmias cardíacas, infarto do miocárdio, colapso cardiovascular, convulsões, estado de mal epiléptico e morte.

Outras sequelas neuropsiquiátricas incluem uma síndrome psicótica com delírios paranoides, alucinações visuais e auditivas e idéias de auto-referência. Nas grávidas que usam cocaína foram descritos efeitos teratogênicos (provocam malformações no feto), incluindo anormalidades do trato urinário e deformidade dos membros.

Codependência

Codependência é um transtorno emocional definido e conceituado nos Estados Unidos por volta das décadas de 70 e 80, relacionada aos familiares dos dependentes químicos, e atualmente estendido também aos casos de alcoolismo e transtornos da personalidade.

Codependentes são aqueles familiares, normalmente cônjuge ou companheira(o), que vivem em função da pessoa problema, fazendo desta pessoa a razão de sua felicidade e bem estar, sentindo-se útil e com objetivos diante dos problemas do dependente. São pessoas que têm baixa auto-estima e intenso sentimento de culpa e não conseguem se desvencilhar da pessoa dependente.

O que fica claro aos espectadores é que os codependentes vivem tentando ajudar a outra pessoa, esquecendo, na maior parte do tempo, de cuidar de sua própria vida, auto-anulando sua própria pessoa em função do outro e dos comportamentos insanos deste outro.

Codependência também pode ser agravante e desencadeante de depressão, suicídio, doenças psicossomáticas, e outros transtornos. Os grupos de ajuda para familiares de dependentes (químicos e alcoólicos) visam, principalmente, reverter este quadro, orientando os familiares a adotarem comportamentos mais saudáveis. Os profissionais acham que o primeiro passo em direção à esta mudança é tomar consciência e aceitar o problema.

Veja mais no artigo Codependência, na seção Dependências

 

 

Cognição

Em dicionários, Cognição é o ato ou processo de conhecer, inclui estados mentais e processos como pensar, a atenção, o raciocínio, a memória, o juízo, a imaginação, o pensamento, o discurso, a percepção visual e audível, a aprendizagem, a consciência, as emoções.

No dicionário Houaiss, Cognição é o ato ou efeito de conhecer; processo ou faculdade de adquirir um conhecimento; percepção, conhecimento; conjunto de unidades de saber da consciência que se baseiam em experiências sensoriais, representações, pensamentos e lembranças.

A concepção que temos da realidade é baseada na experiência intra-psíquica ou subjetiva e, sendo esta atividade subjetiva capaz de atribuir uma natureza altamente pessoal à percepção do mundo, então a realidade percebida decorrerá sempre do estado psíquico do indivíduo.

Cada consciência, em particular, integra e totaliza de maneira muito pessoal e peculiar o seu relacionamento com o mundo. Desta forma, os fatos oferecidos pelo mundo à nossa volta resultarão numa representação única e individual para cada um de nós, e será esta representação que constituirá a realidade particular de cada indivíduo. Portanto, a representação da realidade (mais importante que a própria realidade) será tão mais completa, global e integrada quanto maior a capacidade de consciência que a pessoa tem de sua vida.

A representação global da realidade é entendida como um ato de conhecimento da consciência, e é este o conceito de cognição.

Veja mais em Representação da Realidade, em Psicopatologia

 

Cognição Delirante

Sob a designação de Cognição Delirante incluem-se certas convicções intuitivas que surgem inesperadamente, sobretudo no início de surtos psicóticos agudos, vivências que, não raro, se mantêm, arraigadas e firmes, durante largo tempo. O característico dessas vivências é que, em contraste com as anteriores, elas dispensam por completo de conexões significativas com quaisquer dados perceptivos ou representativos concretos, ocorrendo à guisa de intuições puras atuais. É o que pode se evidenciar no seguinte relato do tipo: “- Súbito, eu me dei conta de que a situação significava qualquer coisa de mau, mas eu não sabia o que“.

O mesmo se verifica, neste outro exemplo, em que a paciente se revela repentinamente tomada da tranquila convicção de sua alta linhagem: “sabia que era filha do Presidente da República“, certeza que se instala sob a forma de uma evidência interna imediata, isto é, que não lhe vem de qualquer interpretação, suposição ou reflexão crítica ou lógica, referente a acontecimentos vividos.

Caracteriza-se igualmente como Cognição Delirante, por exemplo, a vivência experimentada por um paciente que, acometido de súbita alteração, sai para a rua, dizendo: “Eu sou o filho da estrela d Alva“.

Algumas vezes, contudo, essas cognições aparecem em estreita consonância com a temática delirante, ligando-se então, incidentalmente, a acontecimentos implicados no delírio. Esse tipo de Cognição Delirante ligada à temática do próprio delírio se observa, por exemplo, em pacientes obcecados com a Bíblia.

Jaspers cita o caso de certa jovem que, ao ler o episódio da Ressurreição de Lázaro, sente-se, de repente, ela própria, encarnada na pessoa de Maria. Daí em diante assume o delírio onde sua irmã é Marta, Lázaro é um primo seu e passa a viver, com grande intensidade, o acontecimento narrado na Bíblia.

Veja mais no texto Delírios, na seção Psicopatologia

 

Colite Ulcerativa

Colite Ulcerativa (Retocolite Ulcerativa) é uma doença psicossomática e inflamatória que afeta o intestino grosso. É descrita como um processo inflamatório que compromete o intestino grosso, fazendo com que a mucosa intestinal se apresente inflamada, vermelha, coberta de muco e com ulcerações.

No início do século 20, a Retocolite Ulcerativa era considerada crônica, irreversível, comprometendo, na maioria das vezes, o reto e o cólon sigmoide podendo haver o aparecimento dos pseudopólipos, tidos como sequelas da moléstia de evolução mais longa. A Retocolite Ulcerativa está incluída no capítulo das Doenças Psicossomáticas. Nessa mesma década, foi descrito a forma fulminante da Retocolite Ulcerativa, com o megacólon tóxico.

Retocolite Ulcerativa é uma doença relativamente comum nos países desenvolvidos. Estima-se que a incidência populacional da Retocolite Ulcerativa esteja entre 3 a 7 casos por ano para cada 100.000 habitantes. Isso dá uma prevalência global na população de 30-90 casos por 100.000 pessoas.

Nos EUA e nos países do norte europeu, a incidência da Retocolite Ulcerativa fica ao redor de 5 a 10 por ano por 100.000 com prevalência de 50 a 100 casos por 100.000 pessoas da população geral. A incidência familiar da doença varia de 1 a 5%, havendo dados de até entre 15 e 20%.

Veja Colite Ulcerativa em Doenças Psicossomáticas

 

Coma, Estado de

Estado de Coma é um estado profundo de inconsciência associado a depressão da atividade cerebral da qual o indivíduo não pode ser despertado. O Estado de Coma geralmente ocorre quando há disfunção ou lesão envolvendo ambos hemisférios cerebrais ou a Formação Reticular do tronco cerebral.

Assim sendo, o Estado de Coma (ou Comatose) é quando há perda completa ou parcial da consciência, o organismo deixa de ter reações e reflexos nervosos, ou reage muito pobremente ao estímulo externo. Estado de Coma mais profundo, os quais podem durar anos, são causados pela deficiência de oxigenação do cérebro, gerando lesões irreversíveis.

No Estado de Coma há perda quase total da consciência, da sensibilidade, dos reflexos, etc. Um doente em estado comatoso praticamente não responde às solicitações do mundo exterior, porém, as funções vegetativas, como por exemplo, a respiração, contrações do coração, temperatura do corpo, etc., se conservam em bom estado.

Há três graus de coma: o coma profundo, com respiração ruidosa e abolição total dos reflexos; o Coma Leve (coma vigil), com a conservação de alguns reflexos. Nesse nível o paciente pode abrir os olhos e delirar. Existe graduações de Coma Moderado Grave, dependendo do grau de perda da consciência.

Estado de Coma, como grave alteração do estado de consciência, traduz uma lesão que provocou o desligamento das funções cerebrais superiores que são responsáveis pela manutenção do estado de consciência.

A graduação do Estado de Coma  vai de um nível mais superficial aonde pode ocorrer movimentos espontâneos como a abertura dos olhos, até estado mais profundo aonde não há possibilidade de ocorrer uma respiração espontânea nem condições de se manter a pressão arterial em níveis normais.

Estado de Coma representa sempre grave insulto ao cérebro ocorrendo nas hemorragias cerebrais extensas, tumores cerebrais, nos traumatismos cranianos graves e nos distúrbios metabólicos severos. O diabetes descontrolado pode evoluir para o estado de coma. Há sempre necessidade de cuidados intensivos.

 

Comissurotomia (Cerebral)

Até onde a ciência sabe, nosso cérebro é constituído por um Hemisfério Esquerdo que se distingue pelo pensamento intelectual, racional, verbal e analítico e um Hemisfério Direito que de destaca na discriminação sensorial e no pensamento emocional, não-verbal e intuitivo. No entanto, as pesquisas referem que no cérebro normal, com extensa interconexões comissurais, a interação dos dois hemisférios é tal que não podemos dissociar claramente suas funções especializadas.

 Comissurotomia é a desconexão cirúrgica desses dois hemisférios cerebrais, cortando as comissuras cerebrais. Essa cirurgia é utilizada em casos de epilepsia de difícil tratamento medicamentoso.

 E, de fato, hoje há evidências de que a capacidade de um hemisfério desempenhar uma tarefa especializada pode deteriorar quando for desconectada do outro hemisfério após a comissurotomia.

Compensação (Mecanismo de Defesa)

Compensação é um Mecanismo de Defesa que tem por objetivo alcançar uma diminuição da ansiedade surgida de situações de inferioridade (real ou imaginária) e de assegurar uma posição de bem estar ao indivíduo em relação aos demais.  É um processo psíquico em que a pessoa se compensa por alguma deficiência percebida ou conscientizada (não necessariamente verdadeira), ou pela imagem desfavorável que tem de si própria, através de uma outra característica (falsa) que o caracterize, que ele, então, passa a considerar como um trunfo.

A inferioridade é o fundamento dos Mecanismos de Defesa Compensadores, podendo ser uma inferioridade real ou uma inferioridade criada pela mente do próprio indivíduo e, portanto, apenas imaginária. Esses mecanismos freqüentemente conduzem à super compensação, satisfazendo ao indivíduo mas, por outro lado, sendo fictícia em relação aos valores sociais.

A personalidade se esforça sempre para obter uma auto-estimulação e um sentido de segurança satisfatórios, frente aos estímulos sociais e à realidade. Alguns indivíduos, quando frente a esses estímulos sociais e frente à realidade, conseguem promover atividades positivas, porque suas reações se acham bem integradas; mas outros procuram isolar-se do grupo, não conseguindo promover qualidades satisfatórias da personalidade.

Veja Mecanismos de Defesa na seção Teorias da Personalidade – Freud

Complexo

O conceito psicológico do Complexo foi criado por Jung para compreender os vários grupos de conteúdo psíquico que, desvinculando-se da consciência, passam a atuar no inconsciente, com existência relativamente autônoma, a influir sobre a conduta. E, embora possa ser negativa, essa influência também assumem características positivas, quando se tornam o estímulo para novas possibilidades criativas.

Os Complexos podem estimular uma possibilidade de atuação nova e diferente, podem funcionar como um estímulo para que o indivíduo se esforce mais para sua própria realização. A patologia só aparece quando os complexos exigem uma quantidade muito grande de energia psíquica para si. Para que um complexo seja assimilado é necessário que o indivíduo compreenda os conflitos em termos intelectuais, mas que também exteriorize os afetos envolvidos, através de descargas emocionais que eram realizadas pelos antigos através de danças e cantos repetidos.

O termo Complexo, segundo Jung, representa um agrupamento de elementos psíquicos que envolvem conteúdos de tonalidade fortemente emocional. Aparentemente os conteúdos de um complexo podem ser conscientes ou inconscientes, mas geralmente são adquiridos na infância ou no desenvolvimento da personalidade, por cristalização perpétua de fagulhas emocionais das relações humanas num círculo familiar e social.

Há quem defina o Complexo como grupos de idéias coloridas emocionalmente, parcial ou totalmente reprimidas. Pode-se, em geral, dizer que os Conflitos psíquicos fundamentais, provocados geralmente durante as etapas de desenvolvimento infantil, podem gerar Complexos.

Muitos Complexos são provocados por situações sexuais, econômicas, sociais, culturais, podendo-se, deste modo, distinguir complexos de superioridade, inferioridade e outros. Conseqüentemente, embora a infância seja a fase mais própria à germinação de complexos, eles podem ser provocados e manifestarem-se em qualquer fase da vida.

 

Complexo de Inferioridade

O termo Complexo de Inferioridade foi criada pelo discípulo de Freud, Alfred Adler, para designar o estado neurótico que tem por fundamento o sentimento de insuficiência ou incapacidade para enfrentar a vida e seus problemas.  Esse Complexo de Inferioridade  pode ser provocado por vários motivos, reais ou irreais como por exemplo um defeito físico, uma situação econômica ou social difícil, ou simplesmente pela recordação de um fracasso perante um obstáculo que não foi possível vencer.

A pessoa com Complexo de Inferioridade procura compensar sua insuficiência real ou suposta, seja pela tentativa de sobressair em qualquer atividade física, artística ou cultural, o que constitui uma reação positiva, seja procurando vencer seu estado de inferioridade por artimanhas, agindo, consciente ou inconscientemente, com astúcia, cautela e pedantismo, a fim de apresentar aos outros caracteres que realmente não possui.

Neste último caso, que representa uma reação negativa, o Complexo de Inferioridade  pode se agravar se o indivíduo for mal sucedido nessas tentativas de Compensação (veja este Mecanismo de Defesa). Até aqui consideramos o Complexo de Inferioridade  como um estado anormal e neurótico.

Ultimamente tornou-se comum o uso da expressão “Complexo de Inferioridade” para designar um sentimento normal de inferioridade, que não deve ser confundido com o sentimento de origem neurótica, uma vez que a consciência de inferioridade, com sua conseqüente procura de compensação, representa um elemento dinâmico do desenvolvimento individual. Pode-se dizer que, em todo indivíduo, o sentimento de inferioridade está na base do próprio sentimento da personalidade. O ideal do indivíduo é tanto mais dominador quanto mais ele é consciente de que ainda resta um longo caminho a percorrer.

A psicologia individual, através da evolução, vê em todo esforço humano a procura de perfeição. Todo impulso vital está implicitamente ligado a essa tendência de perfeição, mas em comparação com a perfeição ideal irrealizável, todo homem é constantemente invadido pelo sentimento de inferioridade que o estimula a procurar a perfeição.

Toda a história da humanidade deve ser considerada “como a história do sentimento de inferioridade e das tentativas feitas para encontrar-lhe uma solução“, escreveu Adler. E, ainda segundo este discípulo de Freud, “o homem é um ser inferior mas esta inferioridade que lhe é inerente, da qual ele toma consciência num sentimento de limitação e de insegurança, age como um sortilégio estimulante, a fim de descobrir uma via por onde realizará a adaptação a esta vida… e a fim de nivelar as desvantagens da posição humana na natureza.

Nessa perspectiva, podemos considerar que o complexo de inferioridade resulta de uma condição natural do indivíduo, mais ainda, de uma fonte de dinamismo que não foi bem conduzida pela pessoa.

Comportamento Antissocial

Comportamento Antissocial tem início na infância ou adolescência com o nome de Transtorno de Conduta e seu portador se caracteriza por não ter consideração pelos sentimentos alheios, direitos e bem estar dos outros, faltando-lhe um sentimento apropriado de culpa e remorso que caracteriza as pessoas estatisticamente consideradas “normais”.

Normalmente há, nesses delinquentes, uma demonstração de comportamento insensível, podendo ter o hábito de acusar seus companheiros e tentar culpar qualquer outra pessoa ou circunstância por suas eventuais más ações. A baixa tolerância a frustrações das pessoas com Transtorno de Conduta favorece as crises de irritabilidade, explosões temperamentais e agressividade exagerada, parecendo, muitas vezes, uma espécie de comportamento vingativo e desaforado (veja mais em Transtorno de Conduta, na seção Adolescência).

Outros comportamentos relacionados ao antissocial incluem roubo, comportamento sexual promíscuo, atear fogo, vagabundagem, estupro, agressão física e assassinato; alguns comportamentos podem ser aceitáveis em algumas sociedades, mas não em outras (p.ex., relações extraconjugais, linguagem obscena, vestuário despudorado).

veja mais sobre Comportamento Antissocial em Transtorno de Conduta, na seção Adolescência, Personalidade Psicopática, na seção Personalidade

 

Comportamento Sexual Compulsivo

Comportamento Sexual Compulsivo pode ser observado naquelas pessoas que pensam automaticamente naquilo, interferindo as atividades cotidianas. Para ser tomado como algo patológico, segundo os autores e as diretrizes da psicopatologia, o Comportamento Sexual Compulsivo deveria causar sofrimento emocional e proporcionar conseqüências interpessoais, ocupacionais, familiares e financeiras. Mesmo assim estaríamos diante de um critério polêmico, pois se há uma sexualidade patológica, na qual o apetite e as fantasias sexuais aumentam a tal ponto que ocupam quase todos os pensamentos e sentimentos, estaríamos sim diante de um quadro Obsessivo-Compulsivo com sintomatologia sexual.

 

Compulsão Sexual é caracterizada por um grande número de fantasias sexuais que ocupam a mente do indivíduo, deixando-o inquieto, o que o impede de fazer outras coisas de maneira dedicada, concentrada e coerente. A pessoa tem fantasias sexuais durante todo o tempo e não consegue concentrar-se em outra coisa, que não seja nestes pensamentos, afetando o seu cotidiano.

 

Normalmente, o que a pessoa pensa acaba virando realidade e a doença a leva aos comportamentos sexuais mais exagerados e, às vezes, até perigosos. Considera-se que para determinar um diagnóstico de compulsão sexual, esse comportamento deve durar pelo menos seis meses.

Por outro lado, se estivermos diante de uma pessoa que exige gratificação sexual sem maiores considerações éticas, morais e legais, resolvendo-se numa sucessão impulsiva e insaciável de prazeres, aí então estaríamos diante de um Transtorno Sociopático ou Borderline da Personalidade, com sintomas também sexuais.

Comportamento Sexual Compulsivo pode se associar a outras doenças psiquiátricas, particularmente ao abuso de substâncias psicoativas (Dependência Química), atualmente à cocaína. Transtornos Ansiosos, Transtornos de Personalidade e outros Transtornos do Controle de Impulsos também podem ser concomitantes ao Comportamento Sexual Compulsivo.

Comportamento, Alteração do

Entende-se “alteração” como uma modificação acentuada de determinadas manifestações comportamentais, modificações estas, acima da faixa etária e sócio-cultural considerada normal na grande maioria das pessoas. Na alteração comportamental não estão implicados déficits cognitivos, distúrbios orgânicos ou mentais. O que acontece é que a pessoa passa a ter alguma dificuldade em lidar com os fatos de seu ambiente psicossocial e, como mecanismo de defesa, faz investidas em atos violentos e anti-sociais ou, ao contrário, se contrai emocionalmente, podendo chegar ao isolamento e à depressão. Nos casos de alterações comportamentais, a psicoterapia tem sido muito eficiente.

Veja Comportamento na CID.10

Compulsão

Compulsões são perturbações do ato voluntário, na medida em que se constituem numa atitude impositiva, quase automática e irresistível.  Normalmente o ato compulsivo está presenta no Transtorno Obsessivo-Compulsivo; primeiramente tem-se uma ideia obsessiva, involuntária e absurda, depois, para aliviar a ansiedade produzida por essa ideia, vem o ato compulsivo.

Compulsão pode ser entendida como um ato ou comportamento repetitivo e estereotipado, como por exemplo, lavar as mãos, verificar se as janelas ou o gás estão fechados, se as luzes estão apagadas, rezar) que uma pessoa se sente insistentemente obrigada a realizar, apesar da consciência da inutilidade do ato ou de sua indesejabilidade. A Compulsão é o equivalente motor (atitude ou ato) e comportamental da obsessão (que está na área das ideias).

Quando aplicado ao uso de substâncias psicoativas, o termo refere-se a uma necessidade poderosa de consumir a substância (ou substâncias) em questão, atribuída mais a sentimentos internos do que a influências externas.

O usuário da substância pode identificar a necessidade de usar a droga como prejudicial ao seu bem-estar e pode ter uma intenção consciente de refrear-se. Esses sentimentos são menos característicos da dependência do álcool e de droga do que do transtorno obsessivo-compulsivo.

No Transtorno Obsessivo-Compulsivo, acompanhando a manifestação central ou a ideia obsessiva, deve haver sempre um sentimento de medo eou ansiedade. Tal sentimento desagradável, freqüentemente leva a pessoa a tomar medidas contra a ideia ou impulso inicial, gerando assim o ato compulsivo ou compulsão.

Um exemplo é a Ideia Obsessiva de sujeira ou contaminação, seguida pela compulsão em lavar as mãos repetidas vezes. Comparados à compulsão, os tiques nervosos são menos complexos e não visam a neutralizar a ansiedade resultante de uma obsessão.

Veja Transtorno Obsessivo-Compulsivo em PsiqWeb, CID.10 e DSM.IV

Comunidade Terapêutica

Comunidade Terapêutica é um ambiente estruturado para o tratamento de alguns transtornos emocionais, notadamente aqueles transtornos onde se necessita de uma readequação social (ressocialização). Normalmente as atividades na Comunidade Terapêutica são conduzidas por equipes multiprofissionais.
Os indivíduos com transtornos por uso de substância psicoativa se utilizam das Comunidades Terapêuticas para alcançar uma reabilitação, portanto, esses ambientes geralmente operam sob normas estritas, são dirigidas principalmente por pessoas que se recuperaram de uma dependência, e são geralmente isoladas geograficamente.

As Comunidades Terapêuticas são caracterizadas por uma combinação de “teste de realidade”, através da confrontação do problema do paciente com a realidade dos funcionários, colegas e outras pessoas normais da sociedade. Elas têm geralmente uma linha muito similar à dos grupos de ajuda mútua tais como Narcóticos Anônimos, Alcoólicos Anônimos, etc.

Conceitos

Para o desenvolvimento da consciência (cognição)  diversos processos mentais se sucedem  ao longo da vida. Um desses processos é a formação de conceitos, que tem início na infância, amadurece na puberdade e continua ao longo da vida. A formação de conceitos envolve todas as funções mentais superiores e é um processo mediado por signos, estes constituem o meio para sua aquisição.

formação de conceitos passa por três fases básicas. A primeira delas é chamada de Sincretismo, onde a criança não forma classes entre os diferentes objetos do mundo externo, portanto, ela agrupa objetos formando amontoados sem características próprias.

A segunda fase na formação de conceitos é o Pensamento por Complexos, na qual o agrupamento dos objetos se dá por ligações concretas entre seus componentes, Assim a criança pode, por exemplo, agrupar por qualquer relação percebida entre os objetos, ou por características complementares entre si, embora eles possam os mais diferentes possíveis; agrupa objetos vermelhos, por exemplo, mesmo que se trate de maçãs junto com brinquedos de plástico vermelhos, vidro de catchup, etc.

Em seguida vem o estágio de Pseudoconceito, onde a criança começa a se orientar por semelhanças concretas visíveis e formar grupos de acordo com suas conexões perceptivas, como por exemplo, agrupar animais em um grupo e as plantas em outro.  Nele os resultados obtidos são semelhantes aos obtidos no pensamento conceitual. No entanto, o processo mental pelo qual são obtidos ainda não é o mesmo que ocorre no pensamento conceitual.

Na adolescência essas formas de pensamento mais primitivas (sincréticas e por complexos) ainda não são totalmente abandonadas, mas começam a dar lugar progressivamente à formação dos verdadeiros conceitos.

No ser humano desenvolvido as operações intelectuais se classificam em Conceitos, Juízos e Raciocínio. A atividade sensorial capta infinitas impressões provenientes do mundo exterior, os quais deixam marca de sua passagem na consciência. Para que essas marcas do mundo exterior possam retornar novamente à consciência ou se cristalizem melhor é necessário que se estabeleçam conexões com representações experimentadas anteriormente como fruto de nossa experiência sensorial e depositadas em alguma parte do cérebro. Então, toda vez que um estímulo primário é assim intensificado de forma adequada, ele adquire nitidez indispensável para se tornar consciente, determinando desse modo a compreensão do seu conteúdo. Dessa forma, a melhor compreensão do objeto estaria na dependência do número de representações despertadas pelo ato perceptivo, o qual está sempre reforçando o registro da vivência.

A sucessão de repetições das experiências sensoriais durante a vida faz com que as representações vão se tornando mais complexas e variando de indivíduo a indivíduo. Paulatinamente a pessoa passa a ter maior consciência de sua existência e surge a ideação humana, que consiste numa função psíquica onde se sucedem, primeiramente a percepção, seguida pela fixação na memória e, posteriormente, a elaboração e associação das impressões registradas pela consciência. De maneira continuadamente dinâmica, tudo isso se associa aos elementos anteriores de nossa experiência formando, numa primeira fase, os conceitos concretos e, posteriormente, os conceitos abstratos das coisas. Esse processo todo leva à formação de conceitos, de juízos e do pensamento racional.

Veja Conceitos e Realidade em Psicopatologia

 

Concretismo

Trata-se de uma modalidade especial de alteração da forma do pensamento, que consiste na incapacidade do indivíduo para fazer a distinção entre o simbólico e o concreto. Seria quase o oposto do dereísmo. Em muitas pessoas, esta manifestação não representa nada de anormal, sendo mais um resultado de incultura ou dificuldade intelectual, em outras pessoas, porém, essa dificuldade de abstrair-se do concreto adquire um caráter nitidamente patológico.

capacidade de abstração é fundamental ao ser humano e serve, entre outras utilidades, para avaliar os vários aspectos de uma situação, arguir e reagir diante de estímulos que não aparecem intrínseca e concretamente definidos. Pessoas incultas revelam sempre dificuldades na compreensão do simbólico e o ato de captar, rápida e intuitivamente, os vários aspectos de uma situação simbólica requer um bom nível intelectual e cultural. Nas atividades cotidianas não há exigência de nenhuma atitude abstrata, visto tratar-se da execução de atos eminentemente pragmáticos, aprendidos ou até condicionados.

pensamento concreto sempre se refere ao sensível e se opõe à abstração, tal como o pensamento chamado de primitivo. Falta ao pensamento primitivo e concreto a independência para abstrair-se, estando sempre escravizado ao fenômeno material e o objeto do pensar é sempre o objeto da percepção. Portanto, o conceito de concreto exprime sempre um objeto particular determinado e sensorialmente percebido. O que esse tipo de pensamento consegue produzir está sempre vinculado à analogia. Muitas vezes o concretismo aparece como sintoma na personalidade esquizoide (incapacidade de tratar da realidade de forma mais abstrata).

Veja Concretismo em Alterações do Pensamento em Psicopatologia

Condicionamento

Condicionamento é uma forma básica de aprendizado que envolve uma resposta simples ou uma série complexa de respostas a determinados estímulos (Comportamento Aprendido).

Condicionamento é um dos processo de aprendizagem e modificação de comportamento através de mecanismos estímulo-resposta sobre o sistema nervoso central do indivíduo. Esse processo é vinculado ao Behaviorismo ou Comportamentalismo, que é o conjunto de idéias presente na Psicologia que vê o comportamento como único, devendo ser o objeto de estudo da Psicologia.

O primeiro tipo de condicionamento, denominado Condicionamento Clássico, foi desenvolvido pelo fisiologista russo Ivan Pavlov. Pavlov fez uma experiência envolvendo um cão, uma campainha e um pedaço de carne. O fisiologista percebeu que quando o cão via o pedaço de carne, ele salivava, o que foi chamado de reflexo não-condicionado.

Pavlov também começou a tocar a campainha (estímulo neutro) quando ia mostrar o pedaço de carne. Rapidamente o cão passou a associar a carne com a campainha, salivando também toda vez que ela era tocada. Essa reação a um estímulo neutro foi chamada de Reflexo Condicionado.

Alguns psicólogos concordam com a divisão do condicionamento em dois tipos: o Condicionamento Respondente ou clássico e o Condicionamento Operante ou instrumental.

Condicionamento Respondente, também chamado condicionamento pavloviano, diz respeito às relações entre estímulos e resposta. Ele serve para explicar o comportamento involuntário e as reações emocionais condicionadas. Pavlov mostrou que um estímulo incondicionado provoca uma resposta incondicionada; um estímulo condicionado, uma resposta condicionada; e um estimulo incondicionado associado a um estímulo neutro passa a ser condicionado.

Este tipo de condicionamento é comumente relacionado ao comportamento involuntário, e está intimamente ligado ao sistema nervoso autônomo. As crianças em geral desenvolvem aversões e preferências semelhantes às de seus pais, podendo ocorrer em relação ao comportamento emocional aprendido, ódio a animais, repulsa às aranhas, medo de lugares altos, etc.

Já o Condicionamento Operante procura explicar outros aspectos do comportamento humano. Estão nesse caso nossos atos ou comportamentos voluntários, que algumas vezes dependem de atos voluntários. As diferenças entre condicionamento respondente e operante são dadas porque ajudam a distinguir quanto aos modos como diferentes comportamentos são aprendidos.

Condicionamento Operante ou instrumental ocorre quando uma resposta operante é reforçada. As respostas operantes são emitidas quando um organismo deve se adaptar a condições ambientais ou resolver problemas. Por exemplo, quando um animal é colocado numa gaiola, dá respostas tipicamente de fuga (respostas operantes). A resposta que leva à liberdade é reforçada pela fuga, e tende a ser dada toda vez que o animal é recolocado na gaiola. A maioria das aprendizagens complexas são de tipo operante.

Conduta, Transtornos de

Dentro da psiquiatria infantil um dos quadros mais problemáticos tem sido o chamado Transtorno de Conduta, caracterizado por um padrão repetitivo e persistente de conduta anti-social, agressiva ou desafiadora, por no mínimo seis meses (CID.10). E é problemático, exatamente por situar-se nos limites entre a psiquiatria, a moral e a ética. Embora se trate de um sério problema comportamental, muitos são os autores que se recusam a situá-lo como uma doença que isenta o portador da responsabilidade civil comum a todos nós.

De fato, soa estranho a alguns psiquiatras a necessidade de considerar-se doença um quadro onde o único sintoma é uma inclinação ao delito mas, não seremos nós a julgar essa questão. No mínimo devemos ter em mente que, para problemas éticos… soluções éticas.

Para ser considerado Transtorno de Conduta, esse comportamento deve alcançar violações importantes, além das expectativas apropriadas à idade da pessoa e, portanto, de natureza mais grave que travessuras infantis ou rebeldia normal de um adolescente.

Outra característica do Transtorno de Conduta é que esse padrão sociopático de comportamento costuma estar presente numa variedade de contextos sociais e não apenas em algumas circunstâncias, ou seja, não só na escola, não só no lar, só na rua…, por exemplo. O portador desse transtorno causa mal estar e rebuliço na comunidade em geral.

O diagnóstico de Transtorno de Conduta deve ser feito muito cuidadosamente, tendo em vista a possibilidade dos sintomas serem indício de alguma outra patologia, como por exemplo, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, ou Retardo Mental, Episódios Maníacos do Transtorno Afetivo Bipolar ou mesmo a Esquizofrenia. Devido à excelente capacidade das pessoas com Transtorno de Conduta manipular o ambiente e dissimular seus comportamentos anti-sociais, o psiquiatra precisa recorrer a informantes para avaliar com mais precisão o quadro clínico.

Este tipo comportamento delinquencial parece preocupar muito mais os outros do que a própria criança que sofre da perturbação. Ela pode não ter consideração pelos sentimentos alheios, direitos e bem estar dos outros, faltando-lhe um sentimento apropriado de culpa e remorso. Há, normalmente uma demonstração de comportamento insensível, podendo ter o hábito de acusar seus companheiros e tentar culpar qualquer outra pessoa ou circunstância por suas eventuais más ações.

 

Confabulação (ou Fabulação)

Confabulação ou Fabulação é uma modalidade especial de alteração da memória e atenção que consiste no relato de temas fantásticos os quais, na realidade, nunca aconteceram. São devaneios nos quais o próprio paciente acredita. Em grande parte, resultam de uma alteração da fixação e de uma incapacidade para reconhecer como falsas as imagens produzidas pela fantasia.

O conteúdo das Fabulações, como bem salientou Lange, procede do curso habitual da vida anterior, acontecendo muitas vezes que, achando-se perturbada a capacidade de localizá-las no tempo, lembranças isoladas autênticas completam erroneamente as lacunas da memória.

Confabulação ou Fabulação serve para preencher um vazio da memória que o paciente sente e se mostram como se fosse criada para este fim, podendo variar de tema e conteúdo. No sentido mais particular, a Fabulação é um sintoma de comprometimento orgânico, normalmente denunciando um estado pré-demencial senil ou já uma demência franca.

Confabulação aparece como um sintoma das síndromes amnésicas, demenciais e afásicas, admitindo-se que esteja relacionada às alterações de memória e da consciência.

A síndrome demencial conhecida por Psicose de Korsakoff , devido à carência de Vitamina B1 (tiamina), traumas cranianos, encefalite herpética, intoxicação pelo monóxido de carbono e indiretamente mas muito comumente ao alcoolismo agudo, por envolver danos à memória e a cognição, tem como sintoma mais distinto a Confabulação, quando a pessoa cria histórias detalhadas e verossímeis sobre experiências ou situações para compensar os lapsos de memória.

 

Confidencialidade

Confidencialidade se baseia em um tipo especial de conhecimento (tais como informação clínica, incluindo o diagnóstico psiquiátrico) que deve ter natureza secreta e pertencer apenas à pessoa que confidencia e à outra que obtêm essa informação sob aspecto ético. A Confidencialidade é tanto um direito do paciente quanto uma obrigação do médico.

Confidencialidade pode ser entendida como um tipo de privacidade informacional e está presente na assistência quando uma informação é revelada para o profissional no contexto de uma relação profissional. Subentende-se, dentro do princípio ético, que o profissional que ouve quem confidencia compromete-se a não divulgar tais informações sem a permissão do informante.

A Confidencialidade  não é prerrogativa de pacientes adultos mas se aplica a todas as faixas etárias, como conseqüência de direitos éticos e legais à privacidade, os quais limitam o acesso de terceiros a um âmbito privado e íntimo da pessoa, seja através de contato físico ou da revelação de idéias, informações, fatos ou sentimentos.

A promoção do estreitamento de uma relação individualizada entre o profissional e seu cliente é estruturada a partir do princípio fundamental da beneficência e da obrigatoriedade da Confidencialidade .

 

Conflitos

Os Conflitos interiores, íntimos, intra-psíquicos ou pessoais, juntamente com as frustrações presentes e passadas, com os traumas presentes e passados e os Complexos compõem aquilo que chamamos de causas interiores ou subjetivas dos transtornos neuróticos.

Segundo Ludwig Knoll, que resume teorias Freudianas, Junguianas, Teillaristas, etc., “as neuroses resultam de conflitos que não puderam ser resolvidos entre desejos pulsionais e obstáculos ou inibições que se opuseram à sua realização”. As neuroses baseiam-se essencialmente em Conflitos intra-psíquicos.

O ser humano sempre viveu diante do dilema entre aquilo que ele quer realmente (fazer), aquilo que ele deve (fazer) e aquilo que ele consegue (fazer). Portanto, nem sempre estamos fazendo aquilo que queremos, muitas vezes não queremos fazer aquilo que devemos, outras vezes queremos e devemos fazer aquilo que não conseguimos. Enfim, estamos constantemente diante desse conflito. Assim sendo, idéia de Conflito é melhor entendida como a sensação subjetiva (consciente ou não) da contraposição entre esses três elementos psíquicos: o que o sujeito quer, o que o sujeito deve e o que o sujeito consegue.

Essa situação não diz respeito apenas às questões de nossa vida prática, diz respeito também aos nossos sentimentos. Se devemos gostar ou não de determinada pessoa, gostar ou não de determinada atitude nem sempre obedece ao fato de querermos gostar ou não. Às vezes odiamos ou gostamos mesmo não querendo, outras vezes mesmo não devendo, outras vezes ainda, mesmo devendo e querendo não conseguimos.

Estes Conflitos Íntimos são reflexos de desarmonias interiores produzidas por tensões que envolvem situações instintivas, concepções éticas, paixões e sentimentos mais complicados, ou seja, reações determinadas pela força dos conflitos. Muitas vezes, estes conflitos íntimos têm origem em vivências exteriores acontecidas em algum lugar do passado mas, atualmente, pertencendo ao patrimônio da consciência ou do inconsciente.

Havendo Conflito, forçosamente este produzirá uma sensação de angústia. Sendo o Conflito universal e fisiológico, não nos interessa mais, do ponto de vista clínico, saber se alguém tem ou não Conflito. O que interessa, de fato, é saber se esse Conflito é suportado satisfatoriamente ou não. No caso de ser satisfatoriamente suportado ou, no caso desse Conflito não implicar em sofrimento, falamos na Angústia Existencial (ou Vivencial) e, caso contrário, havendo dor e sofrimento, em Angústia Patológica ou Angústia Neurótica.

O valor emocional que atribuímos à nossos Conflito, depende sempre da tonalidade afetiva de cada um. É por causa dessa singularidade afetiva das pessoas que muitos conflitos de conteúdo semelhante desempenham diferentes reações em diferentes pessoas. Cada qual tem uma sensibilidade afetiva ao seu Conflito.

Veja Conflitos no texto sobre Afeto.

 

Confusão Mental

Na Confusão Mental simples, também conhecida por TURVAÇÃO DA CONSCIÊNCIA, ou ainda por AMÊNCIA, perde-se a relação entre os processos psíquicos na realização do pensamento, da memória e da percepção. Neste estado as vivências não são coerentemente elaboradas e a associação dos estímulos faz-se de forma bizarra. A própria situação do indivíduo, dentro de seu contexto existencial, passa a ser confusa e desorganizada.

O curso do pensamento parece incoerente e, embora fragmentos possam ser expressos de maneira compreensível, são intercalados por lapsos completamente alienados do tema ou da realidade. É uma alteração da qualidade porque o paciente confuso encontra-se vígil, respondendo, ainda que erroneamente, aos estímulos à ele dirigidos, portanto, sua “quantidade” de consciência está normal. A Confusão Mental está, freqüentemente, presente nas psicoses esquizofrenias, crises maníacas intensas, no delirium tremens, nas intoxicações por drogas e estados pós-traumáticos.

Por Amência Maynert descreveu uma perturbação mental caracterizada principalmente por turvação mais ou menos acentuada da consciência, acompanhada de fenômenos de excitação psicomotora. Kraepelin admitiu a Amência apenas como manifestação sintomática, que se desenvolve de forma aguda, com um quadro de confusão fantástica, acompanhada de distúrbios ilusórios e alucinatórios, e inquietação motora.

A Amência é caracterizada, principalmente, por obnubilação mais ou menos acentuada da consciência, com incoerência do pensamento e perplexidade, incapacidade do paciente apreender a realidade objetiva ao ponto de manifestar desorientação no tempo e no espaço, incompreensão da situação atual, lentidão do pensamento e das respostas e predominância de vivências alucinatórias.

O estado efetivo que acompanha a Amência é de caráter depressivo, ansioso ou mesmo fóbico. Em alguns casos, podem aparecer sintomas catatônicos, interpretações delirantes de ocorrências externas, idéias deliroides confusas e contraditórias. A atividade desenvolvida pelo paciente está de acordo com o estado geral. Freqüentemente se observa uma amnesia completa para o período agudo da Amência ou, quando não, apresenta apenas lembranças fragmentárias e inconsistentes.

Amência aparece mais também no curso agudo das doenças infecciosas, evolui para a cura espontaneamente dentro de semanas, não deixar sintomas residuais e pode seguir com amnésia para certos acontecimentos e lembrança para outros.

 

Consciência

Popularmente, quando questionamos se uma pessoa tem ou não “consciência de seus atos“, na realidade estamos tentando dizer se ela tem ou não “juízo crítico de seus atos“, uma qualidade ética, estética e moral da personalidade em sua interação com o sistema cultural de que faz parte.

Consciência é uma qualidade da mente, considerando abranger qualificações tais como subjetividade, auto-consciência, senciência, sapiência, e a capacidade de perceber a relação entre si e um ambiente. É um assunto muito pesquisado na filosofia da mente, na psicologia, neurologia, e ciência cognitiva.

Consciência é uma qualidade psíquica, um atributo do espírito, da mente ou do pensamento humano. Ser consciente não é exatamente a mesma coisa que perceber-se no mundo, mas ser no mundo e do mundo. Alguns filósofos dividem consciência em consciência fenomenal, que é a experiência propriamente dita, e consciência de acesso, que é o processamento das coisas que vivenciamos durante a experiência. Consciência fenomenal é o estado de estar ciente, tal como quando dizemos “estou ciente” e consciência de acesso se refere a estar ciente de algo, tal como quando dizemos “estou ciente destas palavras”.

Consciência em si, diz respeito à excitabilidade do sistema nervoso central aos estímulos externos e internos sob o ponto de vista quantitativo e, também, à capacidade de integração harmoniosa destes estímulos internos-externos, passados e presentes, sob o ponto de vista qualitativo. Portanto, em psiquiatria, perguntar se a pessoa está ou não consciente daquilo que faz ou pensa, tem uma conotação muito diferente da mesma questão tratada popularmente. Na grande maioria das vezes o que se quer dizer, de fato, é se o indivíduo tem ou não crítica de seus atos.

O mecanismo responsável para a formação da Consciência no ser humano não encontra nenhuma explicação, plenamente satisfatória até o momento. A Consciência reflete sempre a individualidade e unidade do ser humano e, sem dúvida, seu aspecto mais relevante é sua característica unitária, onde todas as nossas percepções, pensamentos e emoções são integrados e fundidos num mesmo e determinado momento.

Veja mais sobre Alterações da Consciência em Psicopatologia

 

Contagio Psíquico (ou psicopatológico)

Originalmente aplicado a doenças infecciosas, este termo é atualmente aplicado com freqüência a condições psiquiátricas que: (i) espalham-se rapidamente em um grupo de indivíduos similares (p.ex., o koro), ou (ii) espalha-se de um grupo étnico no qual a condição é conhecida, para outro grupo no qual esta condição até então era desconhecida (p.ex.,um colonialista inglês que desenvolve amok na Malásia, ou adolescentes do sudeste da Ásia que desenvolvem transtornos do apetite na Inglaterra).

Uma forma de contágio delirante pode ocorrer em associação com certos casos de transtorno delirante com predomínio de elementos somáticos, como p.ex., folie-à-deux, artropofobia, venereofobia. Deve-se, no entanto, fazer a distinção entre o conceito de fenômeno contagioso (relativo às enfermidades transmissíveis) e fenômeno contagiante (relativo à sugestionabilidade).

Conversão, Conversivo (Transtorno)

Classicamente, o Transtorno Conversivo se manifesta por sintomas que sugerem uma doenças neurológicas, tais como paralisias, afonia, convulsões, perturbações da coordenação, acinesias, discinesias, cegueira, anestesias e parestesias. Como principal característica psíquica associada ao Transtorno de Conversão, funcionando como uma espécie de personalidade pré-mórbida, está o Transtorno Histriônico (ou Histérico) da Personalidade.

Trata-se de uma situação que envolve perda ou alteração na função motora ou sensorial voluntária, daí a semelhança com quadros neurológicos, porém os sintomas não são explicados por doença clínica ou outro processo patológico orgânico conhecido. Ainda que sejam acometidos os sentidos especiais, ocasionando cegueira e surdez, por exemplo, as vias sensoriais encontram-se intactas. Nesses casos o paciente acometido de cegueira conversiva pode caminhar sem se ferir.

Entre os sintomas motores estão movimentos anormais, fraqueza, paralisia, tremores e outros. Os sintomas na maioria das vezes pioram quando se dá atenção a eles. As vias motoras também estão intactas.

Existem 4 subtipos de transtorno conversivo, divididos em relação à natureza de seus sintomas:

a – Com sintoma ou déficit motor.
b – Com sintoma ou déficit sensitivo.
c – Com ataques ou convulsões.
d – Com apresentação mista.

Em relação à diferença entre a Conversão e a Dissociação, é que nesta última os sintomas prevalentes são aqueles relacionados ao estado da consciência. Neste caso os sintomas são de confusão mental, desorientação, amnésia, síncopes, agitação, etc.O neurótico conversivo, como os histéricos de um modo geral, é extremamente sugestionável, demonstrando com isso seu clássico infantilismo e falta de maturidade da personalidade. Tem afetos e relações objectuais pueris, com predomínio da vida em fantasia na tentativa de negar uma realidade frustrante e penosa.

A teatralidade do paciente conversivo é sempre marcante, ensaiando e interpretando papéis que acredita adequados à ele. Por mais que lhe sejam dispensados carinhos a atenções, estes nunca são suficientes e insistentemente estão a reclamar que ninguém os entende. Ele não simula seus sintomas, não está enganando e não é caso de falcatrua. De fato o conversivo está sofrendo e percebendo subjetivamente seus sintomas.

Veja Transtorno Conversivo em Transtorno Histriônico da Personalidade na seção Transtornos da Personalidade