Dicionário – DEF

O Dicionário de termos psiquiátricos contém muitas palavras explicadas didaticamente.

Dedução e Indução

Dedução e Indução são métodos de conhecimento e costumam estar atrelados à vocação das pessoas, algumas são predominantemente dedutivas, outras indutivas. Enquanto na dedução o raciocínio parte do geral e/ou universal para o particular, na indução vai do particular para o geral. Um exemplo de Dedução: de “todos os homens são mortais” (uma afirmação de caráter geral), podemos deduzir que “Sócrates é mortal” (uma afirmação particular).

Um exemplo de Indução: quando percebemos que “João morreu”, “Maria morreu”, “Pedro morreu”, e todos os outros seres humanos morreram (ou seja de várias constatações individuais), podemos concluir que “todos os seres humanos são mortais” (afirmação geral).

Em geral, embora isso não seja tão certo quanto parece, a indução é o processo mais natural das ciências empiricas. Por isso um pouco mais sobre ela:
Chama-se Indução ou Conclusão indutiva a passagem de um conjunto finito de casos para um conjunto maior, eventualmente infinito, de casos. Ou: da constatação de casos singulares para a afirmação de uma lei geral. O método indutivo consiste na obervação de casos particulares para o estabelecimento de hipóteses de caráter geral.

Conclusões Indutivas são perigosas, pois generalizações de premissas verdadeiras podem levar a uma falsa conclusão. O primeiro a perceber o caráter incerto de conclusões indutivas foi Aristóteles, mas o primeiro a formulá-lo de forma mais precisa foi David Hume (1711-1776).

Para Hume, a formulação do problema acentua o caráter temporal das induções: De afirmações sobre o passado e o presente não podem ser deduzidas prognoses absolutamente seguras sobre o futuro. Ou seja, mesmo que todos os cisnes até hoje observados sejam/tenham sido brancos, não se pode afirmar com absoluta convicção que todos os cisnes sempre serão brancos. Um exemplo mais humorístico oferece Bertrand Russell: um peru que todas as manhãs recebia ração estaria errado ao supor que no dia 24 de dezembro também receberia ração: neste dia ele foi para a panela.

Veja a Fonte: Dr. phil Guido Imaguire

Deficiência Mental

Segundo a descrição do DSM.IV, a característica essencial do Retardo Mental é quando a pessoa tem um “funcionamento intelectual significativamente inferior à média, acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades:

comunicação, autocuidados, vida doméstica, habilidades sociais, relacionamento interpessoal, uso de recursos comunitários, auto-suficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança”.

Essa é também a definição de Deficiência Mental adotada pela AAMR (Associação Americana de Deficiência Mental).

Degeneração Neurofibrilar

Degeneração Neurofibrilar
Degeneração Neurofibrilar é uma aglutinação dos neurofilamentos intra neuronais que formam filamentos helicoidais em pares, em grande medida devida à hiper fosforização de proteína tau. Aglutinam-se em massas que se deslocam do núcleo, podendo ficar livres, uma vez destruído o citoplasma neuronal.

Essa lesão é característica da Doença de Alzheimer e outras doenças neurológicas, tais como da Doença de Parkinson pós-encefalítica e da Pam-encefalite esclerosante subaguda

Delirante Crônica, Psicose

Ao contrário dos esquizofrênicos e doentes cerebrais, onde as idéias delirantes são um tanto desconexas, nesta Psicose Delirante Crônica ou Transtorno Delirante Persistente  as idéias se unem num determinado contexto lógico para formar um sistema delirante total, rigidamente estruturado e organizado.

A característica essencial da Psicose Delirante Crônica ou Transtorno Delirante Persistente é a presença de um ou mais delírios não-bizarros (ou seja, delírios organizados) que persistem por pelo menos 1 mês. Para o diagnóstico é muito importante que o delírio do Transtorno Delirante Persistente não seja bizarro nem seja desorganizado, ou seja, ele deve ter seu tema e script organizado e compreensível ao ouvinte, embora continue se tratando de uma falsa e absurda crença.

As alucinações não são proeminentes e nem habituais, embora possam existir concomitantemente. Quando existem, a alucinações táteis ou olfativas costumam ser mais freqüentes que as visuais e auditivas.

Normalmente o funcionamento social desses pacientes Paranoicos não está prejudicado, apesar da existência do Delírio. A maioria dos pacientes pode parecer normais em seus papéis interpessoais e ocupacionais, entretanto, em alguns o prejuízo ocupacional pode ser substancial e incluir isolamento social. A impressão que se tem é a de uma ilha de delírio num mar de sanidade, portanto, uma espécie de delírio insular.

TIPOS DE PSICOSES DELIRANTES PERSISTENTES
A – TIPO EROTOMANÍACO 

Neste caso o delírio habitualmente se refere ao amor romântico idealizado e a união espiritual, mais do que a atração sexual. Acreditam, freqüentemente, ser amados por pessoa do sexo oposto que ocupa uma posição de superioridade (ídolos, artistas, autoridades, etc.) mas, pode também ser uma pessoa normal e estranha.


B – TIPO GRANDEZA

Neste subtipo de Transtorno Delirante Persistente a pessoa é convencida, pelo seu delírio, possuir algum grau de parentesco ou ligação com personalidades importantes ou, quando não, possuir algum grande e irreconhecível talento especial, alguma descoberta importante ou algum dom magistral. Outras vezes acha-se possuidor de grande fortuna.

C – TIPO CIÚME

Neste tipo de Paranoia a pessoa está convencida, sem motivo justo ou evidente, da infidelidade de sua esposa ou amante. Pequenos pedaços de “evidência”, como roupas desarranjadas ou manchas nos lençóis podem ser coletados e utilizados para justificar o delírio. O paciente pode tomar medidas extremas para evitar que o companheiro(a) proporcione a infidelidade imaginada, como por exemplo, exigindo uma permanência no lar de forma tirana ou obrigando que nunca saia de casa desacompanhado(a).

D – TIPO PERSECUTÓRIO (PARANÓIA)

É o tipo mais comum entre os paranoicos ou delirantes crônicos. O delírio costuma envolver a crença de estar sendo vítima de conspiração, traição, espionagem, perseguição, envenenamento ou intoxicação com drogas ou estar sendo alvo de comentários maliciosos.

E – TIPO SOMÁTICO (PARAFRENIA)

A Formação Delirante do Tipo Somático, como justifica o nome, caracteriza-se pela ocorrência de variadas formas de delírios somático e, neste caso, com maiores possibilidades de alucinações que outros tipos de Paranoia. Os mais comuns dizem respeito à convicção de que a pessoa emite odores fétidos de sua pele, boca, reto ou vagina, de que a pessoa está infestada por insetos na pele ou dentro dela, esdrúxulos parasitas internos, deformações de certas partes do corpo ou órgãos que não funcionam.

 

Delirante, Cognição

Sob a designação de Cognição Delirante incluem-se certas convicções intuitivas que surgem inesperadamente, sobretudo no início de surtos psicóticos agudos, vivências que, não raro, se mantêm, arraigadas e firmes, durante largo tempo. O característico dessas vivências é que, em contraste com as anteriores, elas dispensam por completo de conexões significativas com quaisquer dados perceptivos ou representativos concretos, ocorrendo à guisa de intuições puras atuais. É o que pode se evidenciar no seguinte relato do tipo: “- Súbito, eu me dei conta de que a situação significava qualquer coisa de mau, mas eu não sabia o que“.

O mesmo se verifica, neste outro exemplo, em que a paciente se revela repentinamente tomada da tranquila convicção de sua alta linhagem: “sabia que era filha do Presidente da República“, certeza que se instala sob a forma de uma evidência interna imediata, isto é, que não lhe vem de qualquer interpretação, suposição ou reflexão crítica ou lógica, referente a acontecimentos vividos.

Caracteriza-se igualmente como Cognição Delirante, por exemplo, a vivência experimentada por um paciente que, acometido de súbita alteração, sai para a rua, dizendo:  “Eu sou o filho da estrela d´Alva“.

Algumas vezes, contudo, essas cognições aparecem em estreita consonância com a temática delirante, ligando-se então, incidentalmente, a acontecimentos implicados no delírio. Esse tipo de Cognição Delirante ligada à temática do próprio delírio se observa, por exemplo, em pacientes obcecados com a Bíblia.

Jaspers cita o caso de certa jovem que, ao ler o episódio da Ressurreição de Lázaro, sente-se, de repente, ela própria, encarnada na pessoa de Maria. Daí em diante assume o delírio onde sua irmã é Marta, Lázaro é um primo seu e passa a viver, com grande intensidade, o acontecimento narrado na Bíblia.

Veja mais no texto Delírios, na seção Psicopatologia

Delírio

Karl Jaspers define o Delírio com sendo um juízo patologicamente falseado da realidade e que apresenta três características:

1. Uma convicção subjetivamente irremovível e uma crença absolutamente inabalável;
2. Impenetrabilidade e incompreensibilidade psicológica para o indivíduo normal, bem como, impossibilidade de sujeitar-se às influências de correções quaisquer, seja através da experiência ou da argumentação lógica e;
3. Impossibilidade de conteúdo (da realidade) .

Esta tríade proposta por Karl Jaspers é aceita pela psicopatologia clássica, notadamente pela tendência organodinâmica. É contestada, principalmente os itens 2 e 3, por autores psicodinâmicos, mais por uma questão de nosografia que de fenomenologia.

Segundo Kraepelin, “Delírios são idéias morbidamente falseadas que não são acessíveis à correção por meio do argumento“. Bleuler, por sua vez, dizia que ” Idéias delirantes são representações inexatas que se formaram não por uma causal insuficiência da lógica, mas por uma necessidade interior.  Não há necessidades senão afetivas“, determinava ele.

Ideia Delirante, ou Delírio, espelha uma verdadeira mutação na relação eu-mundo e se acompanha de uma mudança nas convicções e na significação da realidade . O delirante encontra-se imerso numa nova realidade de forma à desorganizar a sua própria identidade e se desorganiza pela ruptura entre o sujeito e o objeto, entre o interno e o externo, ou seja, entre o eu e o mundo.

 

Delirium

Delirium consiste de uma perturbação da consciência acompanhada por uma alteração na cognição, a qual não pode ser atribuída a alguma Demência preexistente ou em evolução (DSM.IV). O Delirium é uma síndrome clínica e orgânica de etiologia múltipla e freqüentemente mal diagnosticada. Trata-se, o Delirium, de uma emergência médica verdadeira, comumente interpretado erroneamente como demência ou como psicose funcional, erro este capaz de obscurecer o diagnóstico de um sério distúrbio físico ou tóxico subjacente.

O Delirium, por se tratar de um sério problema de saúde de conseqüência significativa e freqüentemente experimentado por muitos pacientes idosos, principalmente quando hospitalizados, deve merecer sempre uma especial atenção dos médicos generalistas. Devido à sua habitual e potencial reversibilidade clínica, o tratamento do Delirium é uma atitude médica essencial.

Do ponto de vista fenomenológico os pacientes com delirium, ou seja, aqueles portadores de algum transtorno mental orgânico, têm alteração da atenção, da memória e conseqüentemente da orientação. Não apresentam pensamento sistematizado, somente fragmentos. Eles parecem não compreender o que se passa a sua volta. Outra peculiaridade é a observada piora noturna e em qualquer situação que diminua o “input” sensorial, já que sua atenção está reduzida.

Podem apresentar alterações da psicomotricidade principalmente agitação noturna, retirando equipos de soro, sondas vesicais ou tentando pegar pequenos animais onde não há nada (alucinose visual).

A característica essencial do Delirium consiste de uma perturbação da consciência, acompanhada por uma alteração na cognição, que não pode ser melhor explicada por uma demência preexistente, ou em evolução. A perturbação desenvolve-se em um curto período de tempo, de horas a dias, tendendo a flutuar no decorrer do dia. É importante observar que os distúrbios cognitivos em questão são predominantemente do nível de consciência, o que diferencia, por exemplo das esquizofrenias em que há alteração isolada de conteúdo.

Etiologicamente podemos sistematizar as causas de Delirium da seguinte forma:

CAUSAS COMUNS DE DELIRIUM
Drogas: Abstinência de Álcool; Abstinência de Sedativos
Distúrbios Endócrinos: hipo/hiperglicemis; hipo/hipertiroidismo
Distúrbios Eletrolíticos: hiponatremia; hipo/hipercalcemia
Distúrbios Nutricionais: encefalopatia de Wernicke; deficiência de vitamina B12
Falência de Órgãos Sistêmicos: encefalopatia hepática; uremia
Meningites: bacteriana; viral; fúngica
Encefalites: AIDS; herpes simplex
Distúrbios Vasculares: encefalopatia hipertensiva; hemorragia subaracnoide; infarto cerebral
Trauma: concussão; hemorragia intracraniana
Convulsões: estado pós-ictial

Veja Delirium na seção Psicoses

 

Delirium Tremens

Delirium Tremens é sinônimo de Síndrome de Abstinência ao Álcool com Delirium. Trata-se de um estado psicótico agudo que ocorre durante a fase de abstinência em pessoas dependentes de álcool.

Delirium Tremens é caracterizado por confusão, desorientação, ideação paranoide, delírios, ilusões, alucinações (tipicamente visuais ou táteis, menos comumente auditivas, olfatórias ou vestibulares), inquietação, distração, tremores (algumas vezes grosseiros), sudorese, taquicardia e hipertensão.

Esse quadro é usualmente precedido por sinais de síndrome de abstinência simples. O início do Delirium Tremens ocorre usualmente 48h ou mais após a retirada ou a redução do consumo de álcool, mas pode apresentar-se até 1 semana após este período. Deve ser distinguido da alucinose alcoólica, que nem sempre é um fenômeno da abstinência.

 

Deliróide, Ideia

A distinção fundamental entre Ideias Delirantes (que é o Delírio) e Ideias Deliroides, é que nas Ideias Deliroides a imagem do mundo exterior é falsificada de acordo com as demandas afetivas e instintivas fragilizadas. O sistema deliroide constrói a realidade da qual a pessoa necessita emocionalmente, portanto, é uma construção da realidade secundária às exigências emocionais e não, como no Delírio, uma ocorrência primária.

O raciocínio que caracteriza a ideia deliroide é bastante similar àquele que todos nós utilizamos, embora de grau muito diferente (patológico). Seria uma fantasia ou devaneio patologicamente mais sólido que aqueles aos quais todos nós estamos sujeitos nos momentos de angústia. Na penúria nos imaginamos ganhando na loteria, o deliroide tem certeza de que ganhou…

Por isso a Ideia Deliroide é compreensível para as pessoas normais na maioria das vezes. Nossas crenças tendem a ser subjetivamente coloridas e, sem dúvida, todos recorremos a certas ficções por insegurança. O emprego da Racionalização e da Projeção com propósitos defensivos, por exemplo, têm o mesmo objetivo psicológico da utilização patológica desses Mecanismos de Defesa como acontece nas Ideias Deliroides.

As Ideias Deliroides, notadamente aquelas organizadas e sistematizadas, constituem tentativas de manipular os problemas e as tensões da vida através da fantasias elaboradas para fornecer aquilo que a vida real nega, entretanto, devido ao seu aspecto mórbido, tais fantasias não são construídas numa estrutura compatível com uma adaptação social normal.

Verificamos, com freqüência, que o conteúdo das Ideias Deliroides revela aspectos significativos dos problemas pessoais do paciente. As fontes desses problemas podem ser freqüentemente encontradas em inclinações e impulsos contrariados, esperanças frustradas, sentimentos de inferioridade, inadequações biológicas, qualidades rejeitadas, desejos importunantes, sentimentos de culpa e outras situações que exigem uma defesa contra a angústia.

Uma profunda necessidade de consolo pode ser satisfeita por idéias auto-elogiosas, portanto, uma falsa Ideia Deliroide de grandeza, por exemplo, pode refletir uma defesa contra sentimentos de inferioridade.

Na Depressão Grave com Sintomas Psicóticos, como sabemos e bem atestou Kurt Schneider, embora a tristeza vital seja considerada primária, no sentido de ser também incompreensível e psicologicamente irredutível, dela deriva e se vincula toda a gama de Ideias Deliroides depressivas. Essas Ideias Deliroides são Pseudo-delírios ou Delírios Secundários, como os denomina Jaspers, por tomá-los psicologicamente compreensíveis e dentro do quadro clínico geral em que se forma formam. Atualmente fala-se também em Delírio Humor-Congruentes.

Veja Idéias Deliroides no texto Delírios, na seção Psicoses

Demência

Demência é a deterioração da função mental que leva a um declínio global das habilidades intelectuais interferindo com as funções normais da pessoa. A Demência ocorre na velhice, atingindo cerca de 20% das pessoas com idade superior a 80 anos. O diagnóstico é complexo e deve ser feito com muito cuidado. Algumas vezes um estado de ansiedade ou depressão pode confundir o diagnóstico.

Outras vezes uma doença cerebral como tumor ou encefalite, e mesmo um remédio ou substância tóxica pode se manifestar com deterioração da função mental. Para um diagnóstico correto são precisos várias avaliações medicas, alem de exames laboratoriais e radiológicos.

Demência não está relacionada diretamente ao envelhecimento. O processo de envelhecimento é acompanhado normalmente por uma diminuição da memória, e eventualmente uma queda no desempenho intelectual. Esse processo é leve, não piora com o tempo e não interfere com as atividades normais.

Popularmente é conhecido como “esclerose” ou “arteriosclerose cerebral“. A Demência, por outro lado, é devida a um determinado processo patológico .

Na Demência há uma ruptura com a realidade, ocorrendo desorientação , confusão e severo distúrbio de memória. A pessoa perde a capacidade de interpretar aquilo que sente, ouve ou vê. Há dificuldade na realização das atividades cotidianas básicas, como a de alimentação, de vestir-se, tomar banho, arrumar-se. A incontinência urinária e/ou fecal é freqüente . A pessoa não consegue escolher roupa apropriada, usar telefone, dirigir automóvel, etc. Em geral a fala e a escrita ficam comprometidas.

Três tipos de demência devem ser destacados: a Doença de Alzheimer, a Demência Vascular, e a Hidrocefalia de Pressão Normal ou Demência Hidrocefálica.

Doença de Alzheimer é a forma mais comum . No Acidente Vascular Cerebral que evolui com vários surtos de isquemias o quadro demencial também pode surgir, caracterizando a Demência Vascular . A Demência Hidrocefálica é mais rara e se caracteriza por dificuldade no andar, incontinência urinária além da demência, e não está ligada ao processo de aterosclerose. .

Algumas doenças metabólicas (doença da tireóide, por ex), falta de vitaminas (vitamina B12, por ex), e intoxicação por certos medicamentos são causas não muito raras de Demência. São situações reversíveis com tratamento.

Demência vascular: é uma forma comum de demência, também denominada demência aterosclerótica, caracterizando uma complicação do acidente vascular cerebral do tipo isquêmico – AVCI. Junto com a Doença de Alzheimer constitui a forma mais comum de demência.

Não se deve ao processo de envelhecimento propriamente dito e sim à doença aterosclerótica cerebral em sua forma mais severa, que leva a repetidas isquemias cerebrais.

Clinicamente confunde-se com a Demência de Alzheimer da qual se distingue por mostrar lesões tanto na tomografia cerebral como na ressonância nuclear magnética (áreas de isquemia em vários pontos do cérebro). Em geral ocorre mais tarde do que a Doença de Alzheimer, surgindo acima dos 80 anos de idade. O quadro clínico é o descrito para demência .

Por ser devida ao processo de aterosclerose se benificia das medidas profiláticas conhecidas, como controle da pressão alta, tratamento de arritmias cardíacas, eliminação do tabagismo, cuidados dietéticos, etc.

Demência Hidrocefálica: é uma forma muito rara de demência, e ocorre uma hidrocefalia com pressão cerebral normal. Está relacionada a doenças cerebrais ocorridas no passado, como hemorragia cerebral, meningite e/ou encefalite ou traumatismo de crânio, e que levam à interrupção do fluxo de líquido céfalo-raquidiano dentro do cérebro. Freqüentemente, entretanto, não se encontra uma causa. Exames como tomografia cerebral ou ressonância nuclear magnética cerebral mostram-se alteradas, indicando o aumento de tamanho dos ventrículos cerebrais.   A pressão intracraniana fica pouco elevada ou normal.

Clinicamente se apresenta com três sintomas característicos: demência, dificuldade para andar e incontinência urinária. O tratamento é cirúrgico e consiste na instalação de um sistema de derivação do liquido céfalo-raquidiano com a interposição de uma válvula.

Veja Demências na seção Geriatria.

 

Dependência Cruzada

Dependência Cruzada é o termo farmacológico usado para denotar a capacidade de uma substância (ou classe de substâncias) de suprimir as manifestações da síndrome de abstinência de outra substância ou classe e assim manter o estado de dependência física. Note que dependência é normalmente usado num sentido psicofarmacológico mais estrito, associado à supressão dos sintomas da síndrome de abstinência.

Uma conseqüência do fenômeno da Dependência Cruzada é que a dependência a uma substância é mais provavelmente desenvolvida se o indivíduo já está dependente de uma substância relacionada. Por exemplo, a dependência de um benzodiazepínico desenvolve-se mais rapidamente em indivíduos já dependentes de uma outra droga deste tipo ou de outras substâncias com efeitos sedativos, tais como álcool e barbitúricos.

 

Dependência Química ou Drogadicção

Drogadicção (ou Adicção a Drogas) é um neologismo inadequado originado da má tradução do inglês ou espanhol, mas, de qualquer forma, acabou fazendo parte da linguagem técnica psiquiátrica quando se refere à Dependência Química. Assim sendo, adicção e dependência tornaram-se sinônimo.

A maioria das definições de adicção a drogas ou Dependência de Substâncias inclui descrições do tipo “indivíduo completamente dominado pelo uso de uma droga (uso compulsivo)” e vários sintomas ou critérios que refletem a perda de controle sobre o consumo de drogas.

As pesquisas, hoje em dia, caminham através da Psiquiatria e da Psicologia Experimental, juntamente com a neurobiologia. Todas essas áreas se esforçam para identificar os elementos emocionais e biológicos que contribuem para alterar o equilíbrio do prazer (homeostase hedonista), alterações esta que dá origem àquilo que se conhece como drogadicção (droga-adicção).  A palavra “adicção” é um neologismo técnico que quer dizer, de fato, “drogadicção“.

O tema “drogas” é muito complexo, multidimensional e tem atraído a atenção da maioria dos países. Nas últimas duas décadas, importantes avanços nas ciências do comportamento e nas neurociências vieram contribuir para um melhor entendimento na questão do abuso de drogas e da drogadicção (droga-adicção).

A neurociência tem identificando circuitos neuronais envolvidos em todos tipos de abusos conhecidos, assinalando regiões cerebrais, neuroreceptores, neurotransmissores e as vias neurológicas comuns afetadas pelas drogas. Também têm sido identificados os principais receptores das drogas suscetíveis de abuso, assim como todas as ligações naturais da maior parte desses receptores.

Neurologicamente a Dependência Química deve ser considerada uma doença. Ela está ligada a alterações na estrutura e funções cerebrais, e isso torna a drogadicção fundamentalmente uma doença cerebral. Inicialmente, o uso de drogas é um comportamento voluntário mas, com o uso prolongado um “interruptor” no cérebro parece ligar-se, e quando o “interruptor” é ligado, o indivíduo entra em estado de dependência química caracterizado pela busca e consumo compulsivo da droga.

Segundo o CID.10, Dependência seria um conjunto de fenômenos psico-fisiológicos que se desenvolvem após repetido consumo de uma substância psicoativa. Tipicamente a Dependência estaria associada à várias circunstâncias, como por exemplo, ao desejo poderoso de tomar a droga, à dificuldade de controlar o consumo, à utilização persistente apesar das suas conseqüências nefastas, a uma maior prioridade dada ao uso da droga em detrimento de outras atividades e obrigações, a um aumento da tolerância pela droga e por vezes e, finalmente, associado a um estado de abstinência quando de sua privação.

Síndrome de Dependência pode dizer respeito a uma substância psicoativa específica (por exemplo, o fumo, o álcool ou o diazepam), a uma categoria de substâncias psicoativas (por exemplo, substâncias opiáceas) ou a um conjunto mais vasto de substâncias farmacologicamente diferentes.

Segundo o DSM.IV, a característica essencial da Dependência de Substância é a presença de um agrupamento de sintomas psico-fisiológicos indicando que o indivíduo continua utilizando uma substância, apesar de problemas significativos relacionados a ela.

Existe um padrão de auto-administração repetida que geralmente resulta em tolerância, abstinência e comportamento compulsivo de consumo da droga. Um diagnóstico de Dependência de Substância pode ser aplicado a qualquer classe de substâncias, exceto à cafeína. Os sintomas de Dependência são similares entre as várias categorias de substâncias, mas, para certas classes, alguns sintomas são menos salientes e, em alguns casos, nem todos os sintomas se manifestam.

Depressão

O termo Depressão pode significar um sintoma que faz parte de inúmeros distúrbios emocionais sem ser exclusivo de nenhum deles, pode significar uma síndrome traduzida por muitos e variáveis sintomas somáticos ou ainda, pode significar uma doença, caracterizada por marcantes alterações afetivas.

Sendo a sintomatologia depressiva muito variada e muito diferente entre as diferentes pessoas, a psicopatologia recomenda como válido a existência de apenas três sintomas depressivos básicos e suficientes para sua detecção, no entanto, estes sintomas básicos darão origem à infinitas manifestações desta alteração afetiva. Trata-se, esta tríade, da:

1 – Inibição Psíquica,
2 – do Estreitamento do Campo Vivencial e,
3 – do Sofrimento Moral.

Inibição Psíquica é um dos sintomas básicos da Depressão e se manifesta como uma espécie de freio ou lentificação dos processos psíquicos em sua globalidade, uma lassidão generalizada de toda a atividade mental. Em graus variáveis, esta inibição geral torna o indivíduo apático, desinteressado, lerdo, desmotivado, com dificuldade em suportar tarefas elementares do cotidiano e com grande perda na capacidade em tomar iniciativas. O campo da consciência e da motivação estão seriamente comprometidos, daí a dificuldade em manter um bom nível de memória, de rendimento intelectual, da atividade sexual e até da agressividade necessária para tocar adiante o dia-a-dia.

Estreitamento Vivencial não pode ser diferenciado totalmente da Inibição Psíquica. A palavra mais adequada para designar este fenômeno é ANEDONIA, ou seja, a incapacidade em sentir prazer.

O universo vivencial do deprimido vai sendo cada vez menor e mais restrito e a preocupação com seu próprio estado sofrível toma conta de todo seu interesse vivencial. Não há ânimo suficiente para admirar um dia bonito, para interessar-se na realização ocupacional, para degustar uma boa bebida, para deleitar-se com um filme interessante, para sorver uma boa companhia, para incrementar sua discoteca, enfim, em seu rol de ocupações só existe a preocupação consigo próprio. Nada mais lhe dá prazer, nada mais pode motivá-lo.

Sofrimento Moral, ou sentimento de menos-valia, é o fenômeno mais marcante e mais desagradável na trajetória do depressivo. É um sentimento de autodepreciação, autoacusação, inferioridade, incompetência, pecaminosidade, culpa, rejeição, feiura, fraqueza, fragilidade e mais um sem-número de adjetivos pejorativos. Evidentemente, tais sentimentos aparecem em grau variado; desde uma sutil sensação de inferioridade até profundos sentimentos depreciativos.

Veja Depressão na seção Depressão

Depressão Anaclítica

Depressão Anaclítica é uma depressão infantil precoce que representa um severo prejuízo no desenvolvimento físico e psíquico das crianças vítimas de abandono e/ou negligência. Esse tipo de depressão infantil e precoce foi descrita pela primeira vez por Spitz, que a via como um quadro de perda gradual de interesse pelo meio, perda ponderal (de peso), comportamentos estereotipados (tais como balanceios) e, eventualmente, até a morte.

É devido à esses trabalhos sobre abandono e negligência que Winnicott chega a dizer que “Sem ter alguém dedicado especificamente às suas necessidades, o bebê não consegue estabelecer uma relação eficiente com o mundo externo. Sem alguém para dar-lhe gratificações instintivas e satisfatórias, o bebê não consegue descobrir seu próprio corpo nem desenvolver uma personalidade integrada“.

Veja Abandono e Negligência Precoce Infantil no texto Adoção e Orfanatos, na seção Infância.

Depressão Endógena e Exógena

Depressão Endógena é a denominação antiga para a depressão constitucional e biológica (endo=dentro), ou seja, que vem de dentro da pessoa. Seria a Depressão que não depende, exclusivamente ou nada, da situação vivencial da pessoa mas sim, dos elementos de personalidade. Em contrapartida teríamos a Depressão Exógena ou Depressão Neurótica (exo=fora) dependente das circunstâncias de vida, aparecendo como uma reação depressiva da pessoa contra a situação na qual de encontra, ou seja, que vem de fora da pessoa.

Hoje em dia não se faz essa distinção (endógena/exógena) com o mesmo entusiasmo de antigamente, entretanto, para fins culturais é bom que se tenha noção da sinonímia das depressões conforme abaixo:

Depressão Endógena Depressão Exógena
Depressão Biológica
Depressão Constitucional
Depressão Maior
Depressão Psicótica Depressão Neurótica
Depressão Reativa
Depressão Menor
Reação Depressiva

Veja Depressão na seção Depressão

Depressão Pós-Parto ou Puerperal

Depressão Pós-parto ou Depressão Puerperal é um transtorno afetivo, usualmente transitório, que se inicia após um parto ou no período puerperal (até aproximadamente até 45 dias após o parto).

Suas características clínicas variam de um breve rebaixamento do humor até uma depressão grave com ansiedade e apreensão e, mais grave ainda, com sintomas psicóticos.  Nesse último caso há severos riscos à segurança da paciente e do bebê. Pode haver sentimentos de indiferença ou hostilidade para com a criança e para com o pai desta.

A incidência da Depressão no Pós-parto é elevada chegando a percentual de 10 a 15% nas mulheres que amamentam. O período de maior incidência está em torno dos primeiros dias do pós-parto, mas esses números são confusos quando se tenta estabelecer diferenças entre a chamada Tristeza Materna (Maternity Blues), a Depressão Pós-parto e uma crise depressiva de recaída do Transtornos Afetivo Bipolar no puerpério.

As alterações psíquicas mais comuns do puerpério podem ser divididas em três tipos; a Tristeza Materna (Maternity Blues), a Psicose Puerperal e a Depressão Pós-parto. A Tristeza Materna atinge até dois terços das puérperas, desenvolve-se nos 10 primeiros dias de pós-parto e se caracteriza por irritabilidade, depressão, labilidade do humor, choro fácil e indisposição.

A diferença entre Tristeza Materna e Depressão Pós-parto, apesar de não ser bem esclarecida pelos autores, parece estar no grau de severidade e na evolução do quadro, bem menor e mais breve na Tristeza Materna. A observação clínica, entretanto, mostra que a questão não é assim; o curso e época de maior incidência entre esses dois quadros parecem ser muito diferentes.

Estudos epidemiológicos têm estimado que mais de 80% das mulheres em idade reprodutiva, de modo geral, experimenta algum sintoma de humor deprimido. A Tristeza Materna (Maternity Blues), por sua vez, apresenta uma prevalência de 25 a 85%, dependendo do critério diagnóstico utilizado. Os sintomas desta síndrome se iniciam logo nos primeiros dias do pós-parto, diminuindo pelo décimo quinto dia e se resolvendo logo depois. Uma das características de diagnóstico para Tristeza Materna é que seus sintomas característicos não devem ser considerados suficientes para causar sérios danos para o funcionamento da mulher.

Veja Depressão Pós-parto na seção Feminino

Derreista, Pensamento

Pensamento Derreista é aquele que se desvia da razão, faltando-lhe vocação em se atrelar à realidade. Sua característica principal e criar, a partir de novas representações, um mundo novo de acordo com os desejos, anseios e angústias. Uma das modalidades (a mais grave) de Pensamento Derreista é o Pensamento Autista, o qual se recolhe totalmente em si mesmo, isolado e emancipado da realidade, prescindindo dos estímulos externos e bastando-se a si mesmo.

Bleuler deixou explícito que nos casos de esquizofrenia o pensar se encontra profundamente alterado. O voltar-se para o mundo interno contribui para que o pensamento se manifeste sob a forma de devaneio, quando a pessoa pode deixar suas fantasias em total liberdade, de rédeas soltas. Em tais circunstâncias, o pensar não obedece às leis da lógica e, nos casos mais acentuados, tudo transcorre como se o indivíduo estivesse submerso num verdadeiro estado onírico.

Para Bleuler, o Pensamento Derreista obedece às suas próprias leis e utiliza as relações lógicas habituais apenas na medida em que são convenientes mas, de qualquer forma, ele não se acha ligado de nenhuma maneira a essas leis lógicas. O Pensamento Derreista está dirigido pelas necessidades íntimas do paciente, o qual pensa mediante símbolos, analogias, conceitos fragmentários e vinculações acidentais.

Veja Pensamento Dereista na seção Psicopatologia em Alterações (da Forma) do Pensamento

 

Descarrilamento do Pensamento

Descarrilhamento do pensamento é uma alteração do curso do pensamento passa a extraviar-se do seu curso normal, retornando aqui e acolá ao seu curso original e geralmente está associado à marcante distraibilidade.

No Descarrilamento (“afrouxamento de associações”) surge um padrão de discurso no qual as idéias da pessoa mudam de um assunto para outro sem qualquer relação ou apenas obliquamente relacionado. Ao mover-se de uma frase ou oração para outra, a pessoa muda de assunto, idiossincraticamente, de um quadro de referência para outro, podendo dizer coisas em justaposição, sem que tenham um relacionamento significativo.

Esta perturbação ocorre entre as frases, em contraste com a Incoerência na qual a perturbação se dá dentro das frases. Uma mudança ocasional de assunto sem aviso ou conexão obvia não constitui um descarrilamento.

Veja Alterações do Pensamento em Psicopatologia

 

Descriminalização

Descriminalização é a anulação de leis ou regulamentações que definem como criminoso um comportamento, produto ou condição. O termo é usado tanto em conexão com drogas ilícitas como com delitos de embriaguez em via pública.

Assim, a Descriminalização é claramente distinguida da legalização, o que envolve a completa anulação de qualquer definição de um crime, freqüentemente acompanhado com um esforço governamental para controlar ou influenciar o mercado do comportamento ou produto afetado. Pretende-se descriminalizar o uso da maconha e não legalizar a maconha. Veja abaixo para entender melhor.

Trecho da entrevista do prof. Carlini, conduzida por Drauzio Varella onde a Descriminalização pode ser melhor entendida

Drauzio – Como você encara a legalização da maconha?
Carlini – Sou totalmente contra o uso e a legalização da maconha. No entanto, é necessário distinguir legalização de descriminalização. Quando falo em descriminalizar, não estou me referindo à droga. Estou me referindo a um comportamento humano, individual, que atinge o social. Quando falo em legalizar, falo de um objeto. Posso legalizar, por exemplo, o uso de determinado medicamento clandestino ou de um alimento qualquer desde que prove que eles não são prejudiciais à saúde.

Como a maconha faz mal para os pulmões, acarreta problemas de memória e, em alguns casos, leva à dependência, não deve ser legalizada. O que defendo é a descriminalização de uma conduta. Veja o seguinte exemplo: se alguém atirar um tijolo e ferir uma pessoa, não posso culpar o tijolo. Só posso criminalizar a conduta de quem o atirou. A mesma coisa acontece com a maconha. O problema é criminalizar seu uso e assumir as conseqüências da aplicação dessa lei.

Nos Estados Unidos, num único ano, 600.000 pessoas foram detidas e processadas por posse de maconha e o sistema de justiça americano acabou não fazendo outra coisa do que julgar jovens que, na maioria das vezes, não haviam cometido nenhum outro deslize e ficavam marcados por uma ficha criminal que os prejudicava na hora de conseguir um emprego, por exemplo, e de tocar a vida.

Diante disso, vários estados americanos optaram por descriminalizar o uso da maconha. O mesmo fizeram o Canadá e alguns países da Europa, entre eles Portugal. O importante não é punir um comportamento. É corrigi-lo. Para tanto, deve existir um programa eficiente de prevenção e de educação para que a pessoa evite consumir essa ou qualquer outra droga.
Repetindo, sou contra o uso e a legalização, mas favorável à descriminalização da maconha.

Fonte

 

Deslocamento - Mecanismo de Defesa

Deslocamento é um mecanismo psicológico de defesa onde a pessoa substitui a finalidade inicial de uma pulsão por outra diferente e socialmente mais aceita. Durante uma discussão, por exemplo, a pessoa tem um forte impulso em socar o outro, entretanto, acaba deslocando tal impulso para um copo, o qual atira ao chão.

Veja mais em Teorias da Personalidade, no texto Freud, na seção Personalidade

 

Desorientação (e Orientação) Alopsíquica

Desorientação é um estado psíquico funcional em virtude do qual não temos consciência plena da situação real em que nos encontramos. É indubitável que, ao contrário da Desorientação, a Orientação depende, antes de mais nada, da integridade psíquica e do estado de consciência e, uma vez perturbada esta consciência, altera-se concomitantemente a orientação.  A Orientação mobiliza, em sua execução, fatores que muito cooperam em sua eficácia funcional e que envolvem o exercício de certas operações mentais, bem mais complexas do que se conhece.

Chama-se de Orientação Alopsíquica a orientação da pessoa em relação ao mundo, ao tempo e ao espaço. A orientação no tempo e no espaço depende estritamente da percepção, da memória e da contínuo processamento psíquico dos acontecimentos. Na Desorientação Alopsíquica a pessoa se desorienta em relação aos demais e ao ambiente à sua volta. Ela não sabe quem são as outras pessoas, mesmo que tenham sido íntimas, não sabe o que é o ambiente onde está, etc.

Na Desorientação Autopsíquica total, o indivíduo não sabe quem é. Normalmente esse desconhecimento da própria identidade se verifica nas amnésias totais traumáticas, nos estados de acentuada obnubilação da consciência ou na evolução extremas dos processos demenciais. Bem mais frequente a chamada falsa orientação autopsíquica. É a que acomete os enfermos delirantes, quando se auto atribuem uma nova identidade ou quando assimilam a personalidade de figuras fantasiosas de seus delírios.

Veja mais em Alterações da Orientação na seção Psicopatologia

Despersonalização

Despersonalização é a sensação de estranheza e falta de realidade de si mesmo. Como sintoma psiquiátrico a Despersonalização não é rotineiramente estudada, a não ser quanto a participação em outros transtornos psiquiátricos, como por exemplo, os de ansiedade, depressão e conversão.

Despersonalização é muito semelhante à chamada Personalidade Múltipla e se caracteriza por alteração persistente e/ou recorrente na percepção de si mesmo, como a experiência de sentir-se separado do próprio corpo, de agir mecanicamente ou de estar num sonho.

Não há uma outra personalidade aqui, há sim, uma sensação de irrealidade para com o próprio corpo. A epilepsia é uma das causas orgânicas que mais apresentam a Despersonalização e que deve ser distinguida do Transtorno Dissociativo. Normalmente a Despersonalização é acompanhada de grande sensação de ansiedade.

Devido a falta de trabalhos sistemáticos para caracterizar a Despersonalização como uma categoria psiquiátrica e não apenas um sintoma flutuante, um grupo de pesquisadores se propôs a traçar um perfil clínico deste quadro, tomando-o como transtorno isolado.

Em uma pesquisa foram estudados 30 pacientes, 19 mulheres e 11 homens. Foi utilizado o manual americano de transtornos psiquiátricos para fazer e avaliar o diagnóstico de Despersonalização.

Testes de realidade foram aplicados durante o episódio de Despersonalização, assim como a escala de experiências dissociativas.

Resultados – A idade média de início da desordem de Despersonalização foi de 16,1 anos, duração média de 15,7 anos. Seu curso é bastante variável, alguns pacientes relatarem que os sintomas da Despersonalização persistiram continuamente por anos, outros disseram que era episódico. A duração pode ser restrita a alguns minutos ou estender-se a poucos anos. Aproximadamente metade dos pacientes relata um início abrupto, enquanto outra metade um início um início gradual.

Os fatores desencadeantes relatados foram: sentimentos de depressão, ansiedade, ciúmes, estresse; uso de drogas, álcool, anti-histamínicos, cafeína; privação de sono, cansaço, interações sociais, relações sexuais.

Fatores atenuantes citados: estimulação física (beliscar-se ou mutilar-se), exercícios, meditação, dor física, estresse emocional, ficar sozinho, manter uma relação de confiança. Em alguns casos a Despersonalização era tão intensa que o paciente preferia morrer a continuar vivendo daquela maneira. Ainda não se encontrou um tratamento realmente eficaz para este transtorno.

Veja Despersonalização em Transtorno do Espectro Histérico (ou Histriônico) na seção Transtornos Histéricos e Afins

 

Desrealização

Desrealização é uma experiência subjetiva de alienação semelhante à Despersonalização, mas que envolve o mundo externo ao invés das experiências próprias do indivíduo e sua personalidade. O ambiente pode parecer descolorido, sem vida e parecer artificial ou num estágio no qual as pessoas estão agindo em papéis errados.

Desrealização é a alteração da sensação a respeito de si próprio, enquanto a Despersonalização é a alteração da sensação de realidade do mundo exterior sendo preservada a sensação a respeito de si mesmo. Contudo ambas podem acontecer simultaneamente. A classificação norte-americana não distingue mais a desrealização da despersonalização, encarando-as como o mesmo problema.

Contrariamente ao que o nome pode sugerir, a despersonalização não trata de um distúrbio de perda da personalidade: este problema inclusive não tem nenhuma relação com qualquer aspecto da personalidade normal ou patológica.

 

Determinismo

Determinismo, mais precisamente Determinismo Antropológico, é a doutrina que afirma que todo agir humano é determinado por variáveis biológicas, ou seja, que como somos hoje-aqui-e-agora depende exclusivamente de componentes biológicos de nossa personalidade. Isso significa que todas as suas vontades e ações não são livres (no sentido de uma determinação racional e espontânea) de uma determinação do sujeito, e sim resultado de mecanismos biológicos.

O caso mais evidente do determinismo biológico é o determinismo genético, o qual afirma que uma pessoa é completamente determinada pelos seus gens: poderia exemplificar extremistamente, dizendo que se a pessoa gosta de sorvete de chocolate ou morango, isso é, em última análise, segundo o determinista genético, fixado pelos seus gens. Exageradamente poderíamos dizer que se um cientista decifrasse todos os gens, ele poderia dizer se a pessoa é mais inclinada à morango ou chocolate. Um argumento contra tal determinismo seria a demonstração que gêmeos univitelinos também podem ser bastante diferentes.

Uma outra forma de determinismo biológico é defendido por Pavlow, segundo seu esquema de reações instintivas aprendidas. Este modelo não é um puro biologismo, porque afirma a influência do meio na determinação de um indivíduo.

É necessário se perceber, que Determinismos são defendidos em diferentes graus. Uma coisa é afirmar que algumas características básicas são dadas geneticamente, outra coisa seria afirmar que tudo (até mesmo a decisão sobre a cor da camisa) é resultado de mecanismos biológicos.

Formas alternativas de Determinismo seriam: determinismo ambiental (Skinner), determinismo sócio-econômico(Marx), determinismo psicológico, ou até mesmo um determinismo teológico: Deus determina o seu comportamento. Estes modelos podem ser até mesmo complementares: poderia se dizer que o comportamento humano é determinado pelas variáveis gens + ambiente, ou gens + estrutura psicológica, etc.

Contra o determinismo é defendida a tese do Libertacionismo: O ser humano é livre para determinar suas ações.  É a opinião do senso comum.

Veja a Fonte em Dr. Phil. Guido Imaguire

Determinismo Cultural

A expressão “determinismo” é, por origem, associada ao componente biológico e constitucional da personalidade, ou seja, refere-se à maneira da pessoa ser aqui-e-agora uma conseqüência da biologia (gens, traços, constituição…), com pouca ou nenhuma contribuição de fatores sociais, culturais e psicológicos.  Determinismo Cultural é a expressão que se refere à visão de que o desenvolvimento, a psicologia e o comportamento humano seriam determinados pela cultura, com pouca ou nenhuma contribuição de fatores biológicos e psicológicos.

Determinismo Cultural é um conceito que se opõe, por um lado, ao Determinismo Biológico (determinismo originalmente conceituado)  e, simultaneamente, ao Determinismo Psicológico segundo o qual, a psicologia determina tudo.

Dialética

Originalmente, Dialética quer dizer a arte do diálogo, da contraposição de idéias que leva a outras idéias. O conceito de dialética, porém, é apropriado por diferentes doutrinas filosóficas e, de acordo com cada uma delas, assume um significado distinto.

Para Platão (427 a.C.-347 a.C.?), a Dialética é sinônimo de filosofia, o método mais eficaz para se aproximar as idéias particulares das idéias universais ou puras. Para ele, apenas por meio do diálogo o filósofo pode procurar atingir o verdadeiro conhecimento, partindo do mundo sensível e chegando ao mundo das idéias. É a técnica de perguntar, responder e refutar, que ele teria aprendido com Sócrates (469 a.C.-399 a.C.). Por meio da decomposição e da investigação racional de um conceito, chega-se a uma síntese, que também deve ser examinada, num processo infinito que busca a verdade.

Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) define a dialética como a lógica do provável, do processo racional que não pode ser demonstrado. “Provável é o que parece aceitável a todos, ou à maioria, ou aos mais conhecidos e ilustres“, diz o filósofo.

O alemão Emmanuel Kant (1724-1804) retoma a noção aristotélica quando define a dialética como “lógica da aparência”. Para ele, a dialética é uma ilusão, pois se baseia em princípios que, na verdade, são subjetivos.

Dialética e História
No início do século XIX, Friedrich Hegel (1770-1831) apresenta a dialética como um movimento histórico do espírito em direção à autoconsciência. É um processo movido pela contradição: uma tese inicial se contradiz e é ultrapassada por sua antítese. Por sua vez, essa antítese, que conserva elementos da tese, é superada pela síntese, que combina elementos das duas primeiras, num progressivo enriquecimento.

Hegel usa esse processo para justificar uma unidade entre espírito e natureza, conciliando conceitos religiosos e científicos. Segundo ele, a história da humanidade cumpre uma trajetória dialética que é marcada por três momentos: tese, antítese e síntese. O primeiro vai das civilizações orientais antigas até o surgimento da filosofia na Grécia. Hegel o classifica como objetivo, porque considera que o espírito está imerso na natureza.

O segundo é influenciado pelos gregos, mas começa efetivamente com o cristianismo e termina com Descartes. É um momento subjetivo, no qual o espírito toma consciência de sua existência e surge o desejo de liberdade.

O terceiro, ou a síntese absoluta, acontece a partir da Revolução Francesa, quando o espírito consciente controla a natureza e o desejo de liberdade se concretiza na concepção do Estado moderno.

Dialética marxista
Karl Marx (1818-1883) e Friederich Engels (1820-1895) reformam o conceito hegeliano de dialética: utilizam a mesma forma, mas introduzem um novo conteúdo. Chamam essa nova dialética de materialista, porque o movimento histórico, para eles, não é produzido pelo espírito. Consideram que o espiritual é apenas um produto derivado das condições materiais da vida.

A dialética materialista analisa a história do ponto de vista dos processos econômicos e sociais e a divide em quatro momentos: antiguidade, feudalismo, capitalismo e socialismo. Cada um dos três primeiros é superado por uma contradição interna, que eles chamam de “germe da destruição“. A contradição da antiguidade é a escravidão. Do feudalismo, os servos. Do capitalismo, o proletariado. E o socialismo seria a síntese final, em que a história cumpre seu desenvolvimento dialético.

Veja a Fonte

 

Diazepam

Diazepam é uma substância pertencente à família dos benzodiazepínicos e utilizada para controle da ansiedade (ansiolítico).  Quando se pretende tratar medicamentosamente a ansiedade estamos falando, quase exclusivamente, dos benzodiazepínicos ou tranquilizantes. Essas são as drogas mais usadas em todo o mundo e, talvez por isso, consideradas um problema da saúde pública nos países mais desenvolvidos.

Os benzodiazepínicos são utilizados nas mais variadas formas de ansiedade e, infelizmente, sua indicação não tem obedecido, desejavelmente, a determinadas regras. Na clínica psiquiátrica os benzodiazepínicos são, quase sempre, utilizados como coadjuvantes, quando a causa básica da ansiedade ainda não estiver sendo prontamente resolvida. No caso, por exemplo, de um paciente deprimido e, conseqüentemente ansioso, os benzodiazepínicos podem ser úteis enquanto o tratamento antidepressivo não estiver exercendo o efeito pleno desejável.

Principais Benzodiazepínicos (nomes químicos e comerciais)
ALPRAZOLAM: Frontal, Tranquinal, Apraz
BROMAZEPAM: Brozepax, Deptran, Lexotam, Nervium, Novazepam, Somalium, Sulpam
BUSPIRONA: Ansienon, Ansitec, Bromopirim , Brozepax, Buspanil, Buspar
CLOBAZAM: Frizium, Urbanil
CLONAZEPAM: Clozal, Rivotril
CLORDIAZEPÓXIDO: Psicosedim
CLOXAZOLAM: Elum, Olcadil
DIAZEPAM: Ansilive, Calmociteno, Diazepam, Diazepan, Kiatriun, Somaplus, Valium
LORAZEPAM: Lorium, Lorax, Mesmerin

 

Dinorfina

Dinorfina é um peptídeo opioide endógeno (secretado fisiologicamente pelo organismo) derivado de uma das três famílias de proteínas precursoras que constituem a superfamília de peptídeos opioides.

Acredita-se que esses peptídeos formam parte do sistema de transmissão da percepção dolorosa, da regulação do estado de ânimo e da aprendizagem.

As Dinorfinas representam os elementos endógenos dos receptores opióides kappa. A administração intravenosa (60 mg/kg) de Dinorfinas a viciados em heroína durante os períodos de abstinência tem demostrado que possuem efeitos transitórios.

Um estudo recente sobre os efeitos de Dinorfina A em pessoas dependentes de opiáceos e com síndrome de abstinência, revelou que esta substância é muito bem tolerada (até a dose de 1000 µ/kg), inócua e que não afeta aos parâmetros fisiológicos, observando-se um efeito moderado sobre la diminuição dos sintomas de abstinência leve a opiáceos em seres humanos.

Dipsomania

Dipsomania é um impulso periódico à ingestão de grandes quantidades de bebidas alcoólicas. Alguns raríssimos casos de Dipsomania são dirigido ao consumo impulsivo de qualquer outra substância, inclusive gasolina, querosene, etc. Na Dispomania é característico o paroxismo incoercível com que se processa a ingestão de bebidas alcoólicas, ao mesmo tempo em que não se observam outras contingências associadas ao alcoolismo crônico comum.

O verdadeiro dipsômano é uma pessoa normal, subitamente invadido por um estado de ânimo indefinível e penoso, o qual acaba sempre por arrasta-lo à ingestão copiosa de bebidas alcoólicas, mesmo contra seus desejos e propósitos. Pode beber um dia inteiro ou durante vários dias ou semanas, ininterruptamente. Em dado instante, quase sempre bruscamente e após um sono prolongado, a crise é superada e a pessoa volta à situação anterior de normalidade, normalmente com amnésia do ocorrido.

Veja os quadros onde se inclui os IMPULSOS PATOLÓGICOS ou TRANSTORNOS DO CONTROLE DOS IMPULSOS
1. – Impulsos Agressivos-Destrutivos
2. – Frangofilia
3. – Piromania
4. – Dromomania
5. – Dipsomania
6. – Cleptomania
7. – Jogo Patológico
8 – Tricotilomania

Atualmente ha uma tendência em incluir nos Transtornos do Controle dos Impulsos, também os Transtornos Alimentares e, mais didaticamente, quadros de TOC e de TOC-semelhantes, passando todo o grupo desses impulsos patológicos a se chamar Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo.

Veja mais em Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo

 

Disartria

Disartria consiste na dificuldade de articular as palavras, normalmente resultante de paresia, paralisia ou ataxia dos músculos que intervêm nesta articulação. A perturbação é mais acentuada quando se trata de pronunciar as consoantes labiais e linguais, as quais são omitidas ao dizer as palavras, ou a pessoa titubeia ao pronunciá-las.

A alteração torna-se mais evidente quando se utilizam as frases de prova, como por exemplo, pedindo ao paciente que pronuncie “sou caricaturista, vou caricaturar-me no caricaturista”, ou “artilheiro de artilharia”, “ministro plenipotenciário“.

Desta feita a Disartria acaba sendo sempre conseqüência de alguma alteração neurológica e, normalmente, as pessoas portadoras de lesões suficientes para produzir Disartria acabam por mostrar outras alterações ao exame clínico.

Assim sendo, a Disartria pode ser encontrada nos traumatismos crânio-encefálicos, nas patologias tumorais do cérebro, cerebelo ou tronco encefálico, nas lesões vasculares encefálicas, na intoxicação alcoólica, na esclerose em placas, na paralisia pseudobulbar, nas paralisias periféricas do grande hipoglosso, pneumogástrico e facial.

Veja Disartria em Distúrbios da Liguagem, na seção Psicopatologia

Disautonomia

Disautonomia é o funcionamento anômalo do Sistema Nervoso Autônomo (SNA), devido a uma anomalia cerebral que pode ser de origem familiar. A criança afetada por Disautonomia se mostra tensa, irritável e apresenta crises físicas recorrentes, assim como uma alteração do comportamento organizado complexo e de adaptação às mudanças.  A Disautonomia pode existir em diversos transtornos emocionais.

Discinesia

Discinesia é uma alteração dos movimentos voluntários, incluindo certos tipos de movimentos involuntários anômalos produzidos especialmente pelo consumo de alguns medicamentos, particularmente os antipsicóticos.

As Discinesias podem ser coreiformes (não repetitivas, rápidas, espasmódicas e quase intencionais), atetoides (contínuas, lentas, sinuosas, anárquicas) ou movimentos rítmicos em determinadas regiões corporais que diminuem com os movimentos voluntários da parte afetada e aumentam com os movimentos voluntários da zona intacta.

As Discinesias são mais conhecidas mais como efeitos secundários dos neurolépticos.  Nesse caso se chamarão Discinesias Tardias, aparecendo após o uso crônico de antipsicóticos (geralmente após 2 anos).

Clinicamente a Discinesia Tardia é caracterizada por movimentos involuntários, principalmente da musculatura oro-língua-facial, ocorrendo protrusão da língua com movimentos de varredura látero-lateral, acompanhados de movimentos sincrônicos da mandíbula. O tronco, os ombros e os membros também podem apresentar movimentos discinéticos.

Discinesia Tardia não responde a nenhum tratamento conhecido, embora em alguns casos possa ser suprimida com a readministração do antipsicótico ou, paradoxalmente, aumentando-se a dose anteriormente utilizada. Trata-se de um procedimento questionável do ponto de vista médico.

É importante sublinhar que, embora alguns estudos mostrem uma correlação entre o uso de antipsicóticos e esta síndrome, ainda não existem provas conclusivas da participação direta destes medicamentos na etiologia do quadro discinético. Alguns autores afirmam que a Discinesia Tardia é própria de alguns tipos de esquizofrenia mais deteriorantes. Quando surge a Discinesia Tardia deve-se recorrer aos Antipsicóticos Atípicos.

De forma ampla os Antipsicóticos Atípicos são definidos como uma nova classe desse tipo de medicamentos e causam menos efeitos colaterais extra-piramidais (incluindo a Discinesia). São os seguintes:

AMISULPRIDA Socian
CLOZAPINA Leponex
OLANZAPINA Zyprexa
QUETIAPINA Seroquel
RISPERIDONA Risperdal Zargus
ZUCLOPENTIXOL Clopixol (em breve)
ZIPRAZIDONA Geodon

Os antipsicóticos típicos, eficientes mas sujeitos a efeitos colaterais, principalmente efeitos extra-piramidais, onde se inclui a Discinesia Tardia, são os Seguintes:

FLUFENAZINA Anatensol, Flufenan
HALOPERIDOL Haldol, Haloperidol
PENFLURIDOL Semap
PIMOZIDA Orap
PIPOTIAZINA Piportil, Piportil L4

Discrasia Sanguínea

Discrasia é uma alteração sanguínea, do tipo leucopenia, agranulocitose ou anemia aplásica, que pode produzir-se pelo uso de determinados medicamentos psicoativos, tais como a carbamazepina, clorpromazina e clozapina.

Disfagia

Disfagia é a dificuldade para a deglutição. A Disfagia é uma das complicações mais freqüente da distonia cervical e uma complicação comum da Discinesia Tardia. Também pode aparecer depois de muitos anos de uma crise de poliomielite paralítica aguda, a qual, na atualidade se denomina “síndrome pós-polio”.  Os pacientes com Disfagia podem ser incapazes de deglutir comprimidos ou cápsulas, recomendando-se medicamentos líquidos ou intramuscular.

Disfonia

Não se trata, propriamente, de alteração da linguagem, mas de defeitos da voz consequentes a perturbações orgânicas ou funcionais das cordas vocais ou, ainda, como conseqüência de uma respiração defeituosa.  Seria então, a Disfonia, um distúrbio da voz, como rouquidão, soprosidade ou aspereza.

Disfonia é subdividida em:
a) Disfonia Funcional: Alteração da voz resultante de abuso vocal ou mal uso. Não apresenta qualquer causa física ou estrutural.
b) Disfonia Orgânica: Alteração da voz, causada ou relacionada a algum tipo de condição laringiana ou doença.

Veja mais sobre Disfonia em Distúrbios da Linguagem, na seção Psicopatologia

Disforia

Disforia é uma mudança repentina e transitória do estado de ânimo, tais como sentimentos de tristeza, pena, angústia. É um mal estar psíquico acompanhado por sentimentos depressivos, tristeza, melancolia e pessimismo.

Na depressão emocional há o chamado afeto disfórico, com estado de ânimo disfórico persistente, contínuo e intenso.  Não obstante, a Disforia (não o afeto disfórico) pode existir transitoriamente em pessoas sem a doença depressiva.

Entre os quadros de Disforia existe um tipo específico chamado de Transtorno Disfórico Pré-Menstrual. O Transtorno Disfórico Pré-Menstrual acomete entre 3% e 8% das mulheres durante seus anos reprodutivos, segundo estimativas internacionais. Esse quadro representa um subtipo da Síndrome Pré-Menstrual, no qual as manifestações são mais graves e mais numerosas e em que predominam as alterações do humor e do comportamento. Para a formulação de um diagnóstico de Transtorno Disfórico Pré-Menstrual é necessário que ocorra importante alteração do humor (irritabilidade, tristeza, ansiedade ou labilidade afetiva), além de um quadro clínico cause prejuízo nas atividades ocupacionais, conflitos nos relacionamentos interpessoais ou isolamento social; e que a maioria dos ciclos dos últimos 12 meses tenha tido expressivos sintomas.

Outro quadro mais específico de Disforia é aquela que se manifesta quando existe depressão na Esquizofrenia. Quando a depressão ocorre na fase de estabilidade da esquizofrenia, isto é, depois de terem passado os sintomas psicóticos mais proeminentes, ela pode representar um quadro afetivo disfórico associado, uma depressão secundária ou um estado de sofrimento moral.

Esta Disforia Aguda que se manifesta na Esquizofrenia surge como uma associação de depressão e ansiedade simultaneamente.  Em geral esta Disforia está relacionada a um fator estressante desencadeante, portanto, tanto pode seguir a um Episódio Esquizofrênico Agudo e regredir em até 3 semanas, ou pode, como acontece mais comumente, anteceder em alguns dias um próximo Episódio Esquizofrênico Agudo. Para pacientes já diagnosticados como esquizofrênicos o surgimento de Disforia deve servir como alerta para a eclosão de um novo surto agudo.

Disfrenia Tardia

Disfrenia Tardia é uma das síndromes vinculadas ao uso crônico de antipsicóticos. Trata-se de uma consequência patológica ao uso desses neurolépticos que se diferencia das demais por apresentar manifestações comportamentais ao invés de motoras (como é o caso da Discinesia Tardia, Distonia Tardia e Acatisia Tardia).

Deve-se ao psiquiatra e psicofarmacologista canadense Guy Chouinard e sua equipe o primeiro reconhecimento clínico formal e detalhado de quadros psicóticos induzidos pelo uso continuado de antipsicóticos, descrevendo-a inicialmente como uma Psicose por Supersensibilidade (ou SSP, na sigla em inglês para “Supersensitivity Psychosis”), em novembro de 1978 no American Journal of Psychiatry.

Chouinard e seu grupo operacionalizaram sete critérios para o diagnóstico de sua Psicose por Supersensibilidade:

1) o início dos sintomas vincula-se cronologicamente à redução rápida do antipsicótico ou da retirada ou término do tratamento de efeito depot;
2) o quadro surge após, no mínimo, algumas semanas de tratamento com antipsicóticos;
3) acompanha-se de sinais clínicos de hipersensibilidade dopaminérgica em outras vias, tais como as discinesias;
4) altos níveis de prolactina no plasma comprovando bloqueio dopaminérgico central suficiente para indução de hipersensibilidade;
5) além de evidências de desenvolvimento de tolerância com necessidade de aumento nas doses para manutenção das melhoras psicopatológicas obtidas inicialmente;
6) assim como na Discinesia Tardia, o reinício do tratamento ou aumento das doses do antipsicótico alivia os sintomas, embora contribua para o agravamento da síndrome em médio prazo;
7) como na Discinesia Tardia, a síndrome pode se manifestar em diferentes graus gravidade, a saber:
a) a forma leve, que se resolve favoravelmente após apenas alguns dias de duração;
b) psicose grave, que segue à suspensão do tratamento e costuma mostrar-se duradoura, podendo tornar-se irreversível;
c) psicose aberta, que não responde ao reinício do tratamento que se revela irreversível.

O interesse por estas síndromes tardias, caracterizadas por sintomas psiquiátricos ou comportamentais, seria reforçado pela comprovação experimental de hipersensibilidade dopaminérgica em áreas extra-estriatais (mesolímbicas) por Seeger & Gardner no final década de 1970, com a administração prolongada de antipsicóticos a primatas não-humanos. Tal fenômeno passou a constituir a hipótese mais aceita para a etiologia das referidas síndromes em seres humanos, na clínica.

Entretanto, apesar de sua inegável coerência conceitual, o conceito de Psicose por Supersensibilidade não tem aceitação universal imediata. Entre alguns motivos para essa não-aceitação estão as delicadas questões éticas impostas por eventuais suspensões do tratamento numa enfermidade grave como a Esquizofrenia.

O fato é que o conceito de Psicose por Supersensibilidade nunca despertou interesse científico proporcional à importância de suas implicações clínicas, apesar da estimada alta prevalência para esta condição (22%) e o crescente reconhecimento de resistência ao tratamento em uma considerável parcela dos esquizofrênicos (30 a 40%).

Na clínica, em muitos casos, não raro o psiquiatra vê a sintomatologia psicótica retornar sucessivamente e com maior gravidade após melhoras iniciais serem obtidas, a despeito da continuação do tratamento, obrigando a aumentos sucessivos de doses ou substituições e associações de antipsicóticos para finalmente, em certo número de casos, mostrar-se permanentemente refratária.

Fonte: Disfrenia Tardia: o desafio da vez para os antipsicóticos atípicos de última geração? – Leopoldo Hugo Frota

Disfunção Cerebral Mínima

Disfunção Cerebral Mínima é uma expressão antiga e não aceita atualmente que se referia ao que hoje conhecemos por Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Trata-se de um transtorno do desenvolvimento capaz de afetar o comportamento, a percepção e as aptidões escolares em crianças com inteligência normal. A manifestação clínica inclui hiperatividade, dificuldades de coordenação motora, pouca capacidade de atenção e labilidade emocional.

Para entender melhor veja Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade na seção Infância e Adolescência.

 

Disfunção Erétil

Disfunção Erétil, antes conhecida por impotência , é a incapacidade de se obter ou manter uma ereção adequada para a prática da relação sexual. Não deve ser confundida com a falta ou diminuição no “apetite sexual”, nem como dificuldade em ejacular ou em atingir o orgasmo.

Impotência Sexual não pode ser encontrada nas classificações internacionais de doenças com este nome genérico. Na realidade o DSM.IV aborda o problema subdividindo o tema em vários tópicos. Fala-se em Transtornos do desejo Sexual, Transtorno da Excitação Sexual, Transtornos do Orgasmo e Transtornos de Dor Sexual.

Milhões de homens no mundo passam por esse problema da impotência sexual e as estatísticas mostram uma incidência de até 5% nos homens de 40 anos e até 25% nos de 65 anos. De modo geral, quase todos aqueles que são sexualmente ativos já experimentaram um episódio de impotência pelo menos uma vez na vida.

De qualquer forma o ser humano teme muito qualquer tipo de Impotência Sexual, qualquer rebaixamento em seu desempenho sexual e esse medo tem grande base cultural. Isso provavelmente porque a impotência sempre foi um assunto cercado de muitos tabus.

Disfunção Erétil (ou Sexual Masculina)

Disfunção Erétil, antes conhecida por impotência sexual, é a incapacidade de se obter ou manter uma ereção adequada para a prática da relação sexual. Não deve ser confundida com a falta ou diminuição do “apetite sexual“, nem como dificuldade em ejacular ou em atingir o orgasmo.

O termo Impotência Sexual não pode ser encontrado nas classificações internacionais de doenças com este nome genérico. Na realidade o DSM.IV aborda o problema subdividindo o tema em vários tópicos. Fala-se em Transtornos do Desejo Sexual, Transtorno da Excitação Sexual, Transtornos do Orgasmo Transtornos de Dor Sexual.

Milhões de homens no mundo passam por esse problema da Impotência Sexual e as estatísticas mostram uma incidência de até 5% nos homens de 40 anos e até 25% nos de 65 anos. De modo geral podemos dizer que a Impotência Sexual é uma disfunção sexual que incapacita o homem a obter ou manter a satisfação sexual. Alguns urologistas acreditam que, de um modo geral, as causas da impotência são 70% dos casos ocasionados por problemas psicológicos, assim distribuídos: 95% dos casos atinge pessoas com 20 anos, 70% aos 48 anos, 30% entre os 60 e 70 anos. Os restantes 30% dos casos seriam decorrentes de problemas orgânicos.

Disfunção Sexual dos homens brasileiros foi mais bem estudada através do projeto Sexualidade (ProSex), do Hospital das Clínicas da USP, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Sociedade Brasileira de Urologia. O estudo entrevistou 71.503 brasileiros com idade entre 20 e 103 anos em 24 estados.

O resultado mostra que 54% dos brasileiros, pelo menos 25 milhões de homens, sofrem com algum problema de ereção (2003). Essa pesquisa também determinou com precisão a relação direta entre Disfunção Sexual e doenças como diabetes, hipertensão, depressão e problemas cardíacos.

Veja mais em Disfunção Erétil e Depressão e Disfunção Sexual na seção Sexualidade

 

Disfunção Executiva

Diz-se Disfunção Executiva das dificuldades, do ponto de vista neurofisiológico, de manter-se a atenção sustentada e seletiva, juntamente com inibição de respostas, inconsistência mental, dificuldade de planejamento e de atividades organizadas.

Tem-se postulado que estas deficiências se devem a uma disfunção dos lobos frontais ou de suas interconexões. Os indivíduos que sofrem este tipo de transtorno possuem dificuldades de atenção e da memória executiva (alteração da capacidade para recordar algo durante um período suficientemente longo), têm dificuldade para iniciar, manter e inter-relacionar grupos de idéias abstratas e são incapazes de compreender a relação entre as coisas.

Disfunção Executiva pode dever-se a lesões em vários circuitos cerebrais, como os da córtex pré-frontal dorsolateral, núcleo caudado, globo pálido, substância negra e tálamo. Portanto, trata-se de um transtorno de origem predominantemente orgânica.

Este transtorno pode afetar profundamente a capacidade de independência dos pacientes idosos e originar problemas no comportamento.

Dislexia

Dislexia é um distúrbio específico da linguagem caracterizado pela dificuldade em decodificar (compreender) palavras. Segundo a definição elaborada pela Associação Brasileira de Dislexia, trata-se de uma insuficiência do processo fonoaudiológico e inclui-se, freqüentemente, entre os problemas de leitura e aquisição da capacidade de escrever e soletrar. Resumidamente podemos entender a Dislexia como uma alteração de leitura.

Apesar da criança disléxica ter dificuldade em decodificar certas letras, não o faz devido a algum problema de déficit cognitivo. Normalmente esses pacientes apresentam um QI perfeitamente compatível com a idade.

Veja mais sobre Dislexia nas Alterações da Linguagem, na seção Psicopatologia

Disgeusia

Disgeusia é a alteração ou distorção do sentido do gosto (sabor metálico, fecaloide, de terra, sangue, etc) que pode ser iatrogênica (produzida por algum medicamento), e pode ser um sintoma de depressão maior ou uma alucinação gustativa.

Este sintoma se produz com maior freqüência em idosos depressivos, especialmente mulheres, assim como em pessoas com Depressão Psicótica (Depressão Grave com Sintomas Psicóticos). Tal alteração se deve a uma disfunção bilateral dos ramos sensitivos do sétimo par craniano, o qual, além de sua função motora, é responsável pela discriminação do gosto nos dois terços anteriores da língua.

Disgeusia associada com depressão costuma ser resistente ao tratamento farmacológico antidepressivo. Empiricamente, um tratamento com 220 mg/dia de sulfato de zinco pode produzir uma completa resolução do problema gustativo mas sem afetar a depressão do paciente. Entretanto, a terapia eletroconvulsiva pode diminuir tanto a depressão como a Disgeusia. Este sintoma pode durar meses e ser muito incômodo para o paciente.

Dislalia

Dislalia consiste na má pronúncia das palavras, seja omitindo ou acrescentando fonemas, trocando um fonema por outro ou ainda distorcendo-os. A falha na emissão das palavras pode ainda ocorrer a nível de fonemas ou de sílabas. Assim sendo, os sintomas da Dislalia consistem em omissão, substituição ou deformação os fonemas.

De modo geral, a palavra do dislálico é fluida, embora possa ser até ininteligível, podendo o desenvolvimento da linguagem ser normal ou levemente retardado. Não se observam transtornos no movimento dos músculos que intervêm na articulação e emissão da palavra. Em muitos casos, a pronúncia das vogais e dos ditongos costuma ser correta, bem como a habilidade para imitar sons. Não há disfonia nem ronqueira.

Diante do paciente dislálico costuma-se fazer uma pesquisa das condições físicas dos órgãos necessários à emissão das palavras, verifica-se a mobilidade destes órgãos, ou seja, do palato, lábios e língua, assim como a audição, tanto sua quantidade como sua qualidade (percepção) auditiva.

As Dislalias constituem um grupo numeroso de perturbações orgânicas ou funcionais da palavra.

Veja mais sobre Dislalia nas Alterações da Linguagem, na seção Psicopatologia

Dismetria

Dismetria é um trastorno do cerebelo que causa uma interpretação errônea da distância, desorientação espacial e incapacidade para alcançar com precisão um ponto determinado, mas não há interpretação errônea se esse ponto determinado esta à frente, atrás ou de ambos os lados.

Disosmia

Disosmia é uma alteração ou distorção do sentido do olfato (hiper o hiposensibilidade para os odores, como odores de comidas ou de ambientes) que pode ser iatrogênica, ou um sintoma de depressão maior, ou ainda uma alucinação olfativa (Cacosmia).

Este sintoma se produz com maior freqüência em mulheres idosas depressivas, especialmente naquelas que apresentam uma Depressão Grave com Sintomas Psicóticos (Depressão Psicótica).

Disosmia associada com a depressão pode ser resistente ao tratamento farmacológico antidepressivo. Um tratamento de experimental com 220 mg de sulfato de zinco pode produzir uma resolução completa da Disosmia, porém, sem melhorar a depressão do paciente.

Dismorfofobia

A imagem corpórea é a imagem que elaboramos mentalmente de nosso corpo. Durante o desenvolvimento da adolescência, a auto-imagem corporal é uma daas referências para a compreensão dos problemas do adolescente, uma vez que seu corpo assume dia-a-dia um novo significado.

Quando a pessoa representa seu próprio corpo com defeitos e alterações que só ela vê e valoriza de forma pessoal, falamos em Dismorfofobia. Portanto, trata-se de uma alteração do esquema corporal para pior, onde o paciente tem verdadeira repulsa ou acentuada reprovação à sua forma corporal, e a opinião dele não tem concordância das outras pessoas.

Nos transtornos alimentares do tipo Anorexia e Bulimia, é comum a pessoa apresentar concomitantemente a Dismorfofobia, achando-se mais gorda que de fato é. Na realidade trata-se de uma visão delirante de seu próprio corpo. Em alguns casos de Transtorno Delirante Persistente (Psicose Delirante Crônica) ou da própria Esquizofrenia isso também pode ocorrer.

Pacientes com Transtorno Dismórfico Corporal sofrem de idéias persistentes sobre o modo como percebem a própria aparência corporal, portanto, é muito comum que entre pessoas com  Transtorno Dismórfico Corporal, tenha aquelas portadoreas de Vigorexia, que é o Transtorno Dismórfico Muscular.

Choi, Pope e Olivardia definiram essa forma de Transtorno Dismórfico Corporal, o Transtorno Dismórfico Muscular (sinônimo da Vigorexia), ou seja, uma síndrome onde as pessoas, geralmente homens, independentemente de sua musculatura e mesmo que seja bem desenvolvida, têm uma opinião patológica a respeito do próprio corpo, acreditando terem uma musculatura muito pequena, fraca e frágil.

Veja mais em Transtorno Dismórfico Corporal e Muscular, na seção Fobias e Obsessões

 

Disnomia

Disnomia é a incapacidade para recordar nomes próprios. Provavelmente, esta seja a anomalia da linguagem mais freqüente na Doença de Alzheimer e de outras formas de demência.

Depois de ouvido os nomes próprios, aparece uma grande dificuldade para recordar substantivos. Essa dificuldade progride até a alteração grave da fluidez da fala.

Um teste que pode ser útil é a prova de fluidez por categorias, na qual o paciente dispõe de um minuto para referir tantos elementos possíveis em cada uma das seguintes categorias: vegetais, veículos, ferramentas e roupa. Os pacientes com Alzheimer obtêm uma pontuação inferior a 50 elementos.

Tipicamente a linguagem na Doença de Alzheimer é normal ou, quando não, apresenta Disnomia. Há uma etapa de 3 a 4 anos, às vezes mais longa, na Doença de Alzheimer, em que o único sintoma é a falha da memória, depois começa uma piora da cognição, da orientação e surgimento da Disnomia.

Na Demência por Corpúsculos de Lewy estes sintomas degenerativos são mais precoces, e nos pacientes com Demência Subcortical, sobretudo na Doença de Parkinson, pode haver hipofonia, ou seja, os pacientes falam muito baixo e muito lentamente.

 

Dispareunia

A característica essencial da Dispareunia é dor genital associada com o intercurso sexual. Embora a dor seja experimentada com maior freqüência durante o coito, ela também pode ocorrer antes ou após o intercurso. O transtorno pode ocorrer tanto em homens quanto em mulheres.

Em mulheres, a dor pode ser descrita como superficial, durante a penetração, ou profunda, durante as investidas do pênis. A intensidade dos sintomas pode variar de um leve desconforto até uma dor aguda. A perturbação deve provocar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal.

O distúrbio não é causado exclusivamente por Vaginismo ou falta de lubrificação, não é melhor explicado por outro transtorno do Eixo I (exceto por outra Disfunção Sexual), nem se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral.

Dispareunia que ocorre durante a relação sexual algumas vezes tem causas orgânicas mas, fatores psicológicos também podem estar envolvidos. Nesses casos, geralmente, há associação com trauma sexual prévio, sentimentos de culpa ou atitudes negativas em relação ao sexo.

Veja Dispareunia nos Transtornos Sexuais do DSM.IV e em Disfunção Sexual Feminina – Frigidez, na seção Sexualidade.

 

Distimia

Distimia, por conceito, é uma depressão crônica, com sintomatologia não grave o suficiente para ser classificado como Episódio Depressivo ou Transtorno Depressivo Recorrente. A característica essencial do Transtorno Distímico é um humor cronicamente deprimido que ocorre na maior parte do dia, na maioria dos dias e por, pelo menos, 2 anos. Na Distimia as pessoas se auto-definem como tristes ou “na fossa“, e geralmente são definidas pelos outros como mau humoradas, amargas, irônicas e implicantes.

Em geral os pacientes distímicos vêm a si próprios como desinteressantes ou incapazes. Embora experimentem períodos de dias ou semanas de normalidade, durante os quais referem como estando bem, na quase maioria do tempo queixam-se de fadiga, desânimo, desinteresse e apatia, tendência à tristeza, dificuldade no relacionamento e na adaptação ambiental.

É comum que este transtorno seja marcado por reações depressivas desproporcionais depois de alguma experiência vivencial desagradável, embora essa vivência prévia não seja necessária para desencadear crises de mau humor.

DNA

O Ácido Desoxi-Ribonucleico, conhecido pelas iniciais ADN ou, em inglês, Deoxyribonucleic acid (DNA), é o responsável pela divisão e reprodução celular. O DNA se localiza nos cromossomos, dentro do núcleo da célula. Ele é composto por substâncias menores, os quatro nucleotídeos – adenina, guanina, citosina e timina. Tem a forma de uma escada retorcida, como uma fita enrolada, helicoidal, que se divide no meio no momento de se reproduzir, fazendo com que características de uma geração sejam transmitidas aos seus descendentes. O DNA é considerado o código da vida.

Todas as células de animais ou vegetais surgiram a partir de uma única célula inicial por um processo de divisão. Nos animais, o óvulo fecundado divide-se e forma duas células-filhas idênticas, cada uma das quais contém um jogo de cromossomos igual ao da célula mãe. Depois, cada uma das células-filhas volta a se dividir formando quatro, depois 8, 16, e assim por diante.

Essa fase da divisão celular é chamada de mitose, onde se duplica o número de cromossomos, ou seja, o número de moléculas de ADN. E cada um dos jogos de cromossomos duplicados constituirá o patrimônio genético de cada uma das duas células-filhas formadas.

Essa divisão de mitose vai até se formar todo o organismo. O Genoma Humano, que reúne todos os nossos genes, é formado por 23 pares de cromossomos. Desses, 22 pares são numerados pelos biólogos numa seqüência de tamanho, do mais largo até o menor. O par restante é o cromossomo sexual: 2 grandes cromossomos X para a mulher (XX), e 1 X e um pequeno Y para o homem (XY). O corpo humano tem mais ou menos 100 trilhões de células, a maioria com menos de um décimo de milímetro.

Dentro de cada célula há um núcleo, com 2 conjuntos de genoma humano. Um vem da mãe e o outro do pai, que se juntam na hora da concepção. Por isso, tanto o espermatozóide quanto o óvulo devem ter metade desses cromossomos, porque quando eles se juntam, metade de um com a metade de outro, germinam uma célula que conterá o número normal das demais células do organismo que se formará. Essa divisão especial, onde cada gameta (óvulo e espermatozóide) recebem apenas metade dos cromossomos chama-se meiose.

Atualmente o DNA tem estado mais em evidência devido aos testes de paternidade. Desde que começaram a ser realizados no Brasil, no início da década de 90, os testes de paternidade por exame de DNA têm sido encarados como uma resposta infalível para uma eterna dúvida: quem é o pai da criança?
O teste é realmente um instrumento de resultados assombrosos. Realizado com apuro técnico, atinge índices de acerto superiores a 99,99%, uma margem de erro de menos de um em cada 10.000 testes. Mas, infelizmente, nem todos os resultados merecem igual credibilidade.

Doença de Alzheimer

A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência na velhice. Caracteriza-se pela perda da memória associada à deterioração das funções intelectuais, emocionais e cognitivas. Ocorre entre homens e mulheres na mesma proporção sendo que incide em 8% da população de idosos. Pode ter inicio ao redor dos 50 anos mas é mais freqüente em idades mais avançadas. É uma doença de caráter progressivo.

É devida à disfunção das células nervosas, de causa ainda desconhecida, que provoca a diminuição de um hormônio de grande importância na função cerebral (acetilcolina) . Sabe-se que se trata de doença com caraterísticas hereditárias, sendo freqüente em pessoas da mesma família.

O inicio da doença é discreto, com esquecimentos, confusão com datas, dificuldade para saber dia, mês, ano. É muito característica a dificuldade em memorizar fatos recentes. Evolui progressivamente com o aparecimento de dificuldade para realizar pequenas tarefas domesticas, como realizar compras, cozinhar, etc. A pessoa passa a ter dificuldade na fala e não consegue manter raciocínio lógico. Há diminuição na concentração e na atenção. Há afastamento social. A desorientação no tempo e no espaço tende a piorar progressivamente. Há perda da capacidade de fazer cálculos, da leitura e da escrita. O humor se torna variável, com momentos de raiva, choro, depressão e agressividade. Evolui para dificuldade em se
alimentar, e também de fazer a higiene pessoal.

O diagnóstico é de exclusão com outras demências (aterosclerótica, por ex), com manifestações de certas intoxicações (por drogas tipo tranquilizantes, alcoolismo, etc) , com certas infecções (encefalites), e com sequela de traumatismo de crânio. Os mais modernos exames que estudam o sistema nervoso, como a tomografia cerebral ou a ressonância nuclear magnética, se mostram normais ou com alterações próprias para a idade.

Não deve ser confundida com as alterações de memória (“lapsos de memória”) muito comuns em qualquer idade e que se acentuam na velhice , ou com estados de emoção ou depressivo e também com a intoxicação pelo uso excessivo de medicamentos tranquilizantes. Estes “lapsos de memória” são processos benignos e nunca são acompanhados de outras alterações como ocorre na Doença de Alzheimer.

Não há cura para a doença, não havendo tratamento específico. O F.D.A. norte-americano liberou duas substâncias que possuem algum efeito sobre os sintomas da doença em sua fase inicial: a tacrina e o hidroclorido de donepezil. Estas substâncias devem ser administradas com cautela pois podem levar a problemas digestivos e hepáticos. O tratamento se baseia em medicamentos sintomáticos, atividades físicas e mentais, sendo fundamental a constante estimulação da pessoa doente. Estes cuidados podem retardar a evolução da doença. Neste processo a participação da família é fundamental e deve começar pela compreensão da doença. A manutenção da dignidade e do auto respeito deve ser uma constante.

O paciente deve ser estimulado a manter atividades, como exercícios físicos, afazeres domésticos, e se
possível, participação de atividades sociais com outras pessoas. Os exercícios de memória devem ser estimulados. Nas situações de ansiedade ou agitação devem ser utilizados tranqüilizante suaves.

Veja Doença de Alzeimer em Geriatria

Doença de Creuzfeldt-Jakob

Existe um tipo de demência fatal pertence à categoria das Encefalopatias Espongiformes Transmissíveis (EET) que no homem compreendem a Doença de Creuzfeldt-Jakob, a Síndrome de Gerstmann-Straüssler-Scheinker, o kuru e a insônia fatal familiar, todas doenças raras. Esse tipo de encefalite foi descrita pela primeira vez em 1920-1921.  É uma doença rara com uma incidência notificada na Europa de 0,5 a 1 caso por milhão de habitantes.

As EET constituem um grupo de doenças degenerativas subagudas do cérebro, causadas por agentes filtráveis não convencionais (vírus), com períodos de incubação muito longos e sem resposta inflamatória ou imune demonstráveis. Por causa do tempo de incubação longo desse tipo de vírus, essas doenças são também chamadas de Encefalite por Vírus de Longa Incubação.

Doença de Creuzfeldt-Jakob ocorre mais frequentemente sob a forma esporádica, embora em cerca de 10% dos casos se possa encontrar uma origem genética. A Doença de Creuzfeldt-Jakob também foi encontrada após transplantes ou tratamentos com hormona do crescimento obtidos de cadáveres infectados pelo agente.

Existem igualmente EETs que também afetam espécies animais. A mais antiga é o scrapie (tremedeira) nas ovelhas, conhecido na Europa desde 1732, mas que pode ocorrer em outros animais como visons, veados e alces. A Encefalopatia Espongiforme Bovina (BSE) (3) foi inicialmente descrita em 1987 no Reino Unido. É a chamada Doença da Vaca Louca.

Desde essa altura a BSE disseminou-se entre o gado inglês, com a maior incidência anual referida de 36.681 casos em 1992. Existe uma preocupação crescente sobre a possibilidade de transmissão inter-espécies, particularmente do animal ao homem.

Doença de Crohn

A Doença de Crohn é uma doença crônica que causa inflamação do intestino delgado, geralmente da parte inferior do intestino delgado, no chamado íleo. Não obstante a Doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato digestivo, da boca ao ânus.  A Doença de Crohn também pode ser chamada ileíte ou enterite.

A inflamação pode causar dor e levar a evacuações freqüentes, resultando em diarreia.  Seu diagnóstico pode ser difícil porque os sintomas são semelhantes aos de outros distúrbios intestinais, como por exemplo, a Síndrome do Cólon Irritável e a Retocolite Ulcerativa.

A Doença de Crohn afeta os sexos masculino e feminino em iguais proporções, e parece correr com certa predominância em algumas famílias pois, cerca de 20% das pessoas com a Doença de Crohn têm algum parente com alguma forma de Doença Intestinal Inflamatória, mais freqüentemente um irmão ou irmã e, algumas vezes, um dos pais ou um filho. Está incluída no capítulo das doenças Psicossomáticas.

Doença de Dupuytren

A Doença de Dupuytren consiste em uma contratura da mão decorrente de fibrose retrátil na aponeurose dos músculos da palma, levando a uma deformidade progressiva em flexão dos dedos.

O distúrbio é mais comum em homens brancos, após a 5ª década de vida e afeta 7-15 vezes mais os homens em relação às mulheres.  A maioria dos casos é observada em paciente com mais de 50 anos de idade.

Alguns  fatores podem aumentar o risco para a doença, tais como diabetes (5% dos pacientes com DD também são diabéticos), tabagismo, etilismo crônico, convulsões (a incidência de DD é 2-3 vezes maior em indivíduos epilépticos em relação à população em geral) e infecções.

A causa do distúrbio está relacionada a fatores genéticos e ambientais. Atualmente, a DD é considerada uma doença fibro proliferativa de transmissão autossômica dominante com penetrancia variável. Vários fatores de crescimento, mediadores imunológicos e radicais livres também parecem estar envolvidos no desenvolvimento das contraturas de Dupuytren.

O diagnóstico é essencialmente clínico, e os exames complementares possuem o objetivo de descartar possíveis diagnósticos diferenciais.

O tratamento cirúrgico resulta em um bom nível de melhora funcional na maioria dos casos, mas cerca de 20% dos pacientes evoluem com complicações pós-operatórias.

 

Doença de Selter-Swift-Feer

Doença de Selter-Swift-Feer ou Acrodinia é um distúrbio infantil caracterizado por transtornos do caráter, apatia, agitação, agressividade, manifestações neurovegetativas, e alterações neuro-anatômicas das extremidades (dores, hipersensibilidade, erupções avermelhadas com descamação e pigmentação parda) É conhecido também como Trofodermatoneurose.

 

Doença Inflamatória Intestinal

Doença Inflamatória Intestinal ou Doença Inflamatória Intestinal Crônica é um termo geral para um grupo de doenças inflamatórias crônicas de causa desconhecida envolvendo o trato gastrintestinal.

Fazem parte do capítulo das Doenças Psicossomáticas. As Doenças Inflamatórias Intestinais podem ser divididas em dois grupos principais, a Colite Ulcerativa e a Doença de Crohn.

A Doença de Crohn é uma inflamação crônica do trato gastrintestinal, de origem desconhecida que envolve o intestino fino (íleo) em 30% dos pacientes, a região ileocecal em 40% dos casos ou uma região maior, a ileo-cólon direita.

Colite Ulcerativa é igualmente uma doença inflamatória crônica do intestino, porém, restringindo-se ao cólon. Quando a doença está ativa (em crise), a mucosa intestinal torna-se maciçamente infiltrada por células inflamatórias e é afetada por micro-úlceras.

Essas doenças são mais comuns em brancos que em negros e orientais, com uma incidência maior (três a seis vezes) em judeus em comparação a não judeus. Os dois sexos são igualmente afetados. Muitos acham que a incidência da Doença de Crohn vêm aumentando cinco vezes mais rapidamente que as de Colite Ulcerativa.

Embora o pico de maior ocorrência das duas doenças esteja entre os 15 e os 35 anos de idade, elas têm sido relatadas em todas as décadas de vida. Não se sabe com certeza a causa para essas doenças mas, de qualquer forma, parece haver uma provável base hereditária e um componente ambiental. Fatores familiares ou genéticos, infecciosos, imunológicos e psicológicos podem estar ligados ao surgimento dos sintomas.

Donjuanismo

Don Juan é uma figura literária construída por vários autores. Em francês ele aparece em Corneille, Molière e Rostand, em inglês com Byron e Bernard Shaw, entretanto, a primeira versão é espanhola, de Tirso de Molina, do século XVI e, posteriormente, em José Zorrilla com a estória de Don Juan Tenorio.
Donjuanismo é a expressão destinada a definir um padrão de personalidade caracterizado por uma pessoa narcisista, enamorada , inescrupulosa, amada e odiada e que faz tudo valer para a conquista de uma mulher.
A característica personal de donjuanismo representa um protótipo particular de comportamento humano, classificação esta estribada particularmente em valores culturais e morais. Não existe essa denominação no CID.10 ou DSM.IV, mas isso não significa, absolutamente, que o fato deixa de existir.
A característica principal do donjuanismo seria relacionada ao comportamento sexual, através de uma forte compulsão para sedução, entretanto essa ocorrência não é isolada nem única na personalidade da pessoa, reflete sim uma estrutura social e comportamental especial.

Dopamina

A Dopamina é um neurotransmissor. A Dopamina é segregada pelo neurônio na sinápse, onde se combina com seus receptores específicos (da dopamina) nos neurônios adjacentes.

A dopamina é, portanto, um neurotransmissor sintetizado por certas células nervosas que age em regiões do cérebro promovendo, entre outros efeitos, a sensação de prazer e a motivação.

Depos de sintetizada, a Dopamina é armazenada dentro de vesículas nas sinápticas. Quando chega um impulso elétrico na sinápse, essas vesículas se direcionam para a periferia do neurônio e liberam seu conteúdo da Dopamina na fenda sináptica.

A Dopamina aí liberada atravessa essa fenda e se liga aos seus receptores específicos na membrana do próximo neurônio. O neurônio que secreta a Dopamina é chamado de Neurônio Pré-Sináptico, porque está antes da sinapse e o que recebe a dopamina é chamado de Neurônio Pós-Sináptico.

Uma série de reações ocorre quando a Dopamina ocupa seus receptores (receptores dopaminérgicos) no neurônio pós-sináptico: alguns íons entram e saem desse neurônio e algumas enzinas são liberadas ou inibidas.

Após cumprir sua função (estimular o neurônio seguinte) a Dopamina é recaptada novamente pelo neurônio pré-sináptico (o mesmo que a secretou) através de proteínas chamadas de transportadores de Dopamina, localizadas neste neurônio pré-sináptico.

Dor

A Dor é uma sensação desagradável de intensidade variável (desde a dor que se pode tolerar sem desprazer maior, até a que provoca emoção violenta). É causada por perturbação física, no que se diferencia de outras emoções, como a alegria, a culpa, o remorso, o amor.

No sentido psicofisiológico, a dor é uma sensação específica de um tipo de desprazer, de sofrimento, de contrariedade. Pode ser sentida pelos pontos de dor existentes na pele (além desses, a pele possui também pontos tácteis, pontos de frio e pontos de calor), mas há igualmente as dores internas, ou melhor, as que se manifestam em órgãos internos e músculos.

Distinguem-se ainda as dores surdas, agudas, tensivas, pulsativas, e outras. Alguns autores afirmam que a sensação de dor é um efeito de excitação muito forte, e portanto uma dor determinada seria uma variação de grau de intensidade, em uma sensação determinada.

A dor de origem desconhecida tem efeitos psicológicos: sentindo a emoção da dor sem saber sua causa, o indivíduo pode ser tomado de medo, imaginando alguma doença grave; ao contrário, quando o indivíduo sabe qual é a causa da dor, sua intensidade pode até diminuir.

Drogadicção

Drogadicção, Toxicomania ou Dependência Química (são sinônimos) é um desajuste psiquiátrico causado por drogas, geralmente as ilícitas (maconha, cocaína, LSD, heroína), que leva a prejuízos ao indivíduo e à sociedade. É um problema de saúde pública.

O toxicômano geralmente tem um desejo incontrolável de obter a droga e tentará obtê-la sob qualquer modo, até criminalmente. O toxicômano também tem a tendência de aumentar as doses do tóxico para obter os mesmos efeitos, em virtude do fenômeno da tolerância.

A retirada das drogas geralmente causa sintomas de abstinência, fazendo o toxicômano sofrer horrivelmente. Geralmente são indivíduos problemáticos, os quais buscam nos tóxicos a fuga dos seus problemas. Incide mais nos jovens e menos na vida adulta. Veja nesse dicionário um texto mais completo.

Dupuytren, Doença de

Veja em Doença de Dupuytren

Ecocinesia

Ecocinesia ou Ecomimia ou Ecopraxia é a imitação compulsiva dos movimentos de outras pessoas, observada às vezes na Síndrome de Gilles de la Tourette e em diversos quadros mentais, tais como na mania, esquizofrenia, demência, quadros do lobo frontal, etc.

Trata-se da imitação automática das ações que se vê realizar, tais como levantar os braços, cruzar as pernas, dobrar um papel… etc. A Ecomimia tem sua causa relacionada predominantmente aos transtornos de desagregação do eu, nos quais o enfermo não consegue sentir-se como si mesmo, atuando intencionalmente. Vem daí a “necessidade” que tem de imitar os movimentos dos demais.

Esta imitação se efetua com movimentos irregulares e espasmódicos. A Ecocinesia faz parte dos comportamentos em eco, como a ecolalia ou ecofrasia, a ecomimia, ecofonia…

Ecografia

A Ecografia é também conhecida por Ultrassonografia, um exame complementar (auxiliar) no qual se visualiza os órgãos internos através de imagens indiretas.  Trata-se de uma técnica de diagnóstico baseada em ondas ultrassonoras emitidas e posteriormente refletidas por uma sonda que varre, permitindo obter uma imagem dos tecidos duros e moles.

Funciona com o mesmo princípio do radar. O aparelho emite sons de alta freqüência e os recebe de volta.

Dependendo da distância e do tamanho dos elementos a serem examinados se obtêm diferentes tons de coloração cinza.

Atualmente existem aparelhos de Ultrassonografia coloridos, onde um microchip consegue através do aparelho de ecografia identificar separadamente algumas estruturas, principalmente aquelas que tem um fluxo de líquido em seu interior, como nas artérias, veias, ductos excretores da bile e urina, dando uma coloração específica para cada um.

Por ser um exame complementar, a Ultrassonografia não possui precisão de 100%.

Ecolalia

A ecolalia é um sintoma de linguagem descrito como “repetição em eco da fala do outro”. Este sintoma diferencia-se de outros quadros imitativos exatamente por não apresentar “erro”. O sintomático, nesse caso, está justamente no “acerto”, na rigidez e literalidade da Ecolalia, que denunciam uma fala sem “autoria”. 

O estudo dessas repetições em eco do outro diz respeito à equivalência entre “ecolalia” e “imitação”.  A repetição da fala do outro tem sido considerada como “porta de entrada” da criança na linguagem.  Entre os distúrbios da fala temos, então:

Ecolalia – Repetição tal qual papagaio do que as pessoas dizem, com eliminação de qualquer evidência de entendimento do que foi mencionado e com perda da fala espontânea. Lesão situa-se no giro angular e córtex adjacente da fissura sylviana posterior do hemisfério dominante. Deve ser realçado que, para se manifestar, a área de Broca deverá estar intacta.

Dislalia – Distúrbio benigno da linguagem caracterizado por omissões ou substituições errôneas de consoantes. É a típica conversa do personagem Cebolinha. Bons resultados com fonoterapia.

Disartria – Articulação inapropriada das palavras. Vista em uma ampla variedade de condições neurológicas distintas. Doenças que afetam o cerebelo e parkinsonianos em fase mais avançada costumam exibir esse transtorno. Entretanto, para fins didáticos, o exemplo mais marcante, que deve-se ter em mente para uma pronta identificação desse distúrbio da fala, é o do “bebum em final de noitada”. Aliás, intoxicação aguda pelo álcool é a causa mais freqüente de disartria. Apesar disso, outras etiologias devem ser ponderadas, principalmente quando a história clínica (e o hálito!) negar esta possibilidade. Em nosso meio, pessoas com a “doença dos açorianos” (Doença de Machado-Joseph), que apresentam marcantes sintomas cerebelares, costumam ser chamados de bêbados até que o diagnóstico seja estabelecido. 

Pacientes com outras formas de heredo-ataxias não raramente sofrem os mesmos percalços sociais.
Afonia – Perda completa da voz, sem qualquer outro sintoma associado. Distúrbios nos órgãos responsáveis pela fonação devem ser pesquisados. 

Na falta de evidência sugestiva de organicidade, uma origem psicogênica deveria ser questionada.

Anartria – Total incapacidade para pronunciar as palavras devido a um defeito no comando nervoso da musculatura envolvida na fonação. Apesar de não emitir sons, demonstra Ter sob controle consciente todos os demais complexos componentes da linguagem. A síndrome do encarcerado em si próprio (the “locked-in syndrome”), em conseqüência de lesões na porção ventral da ponte, é a causa mais freqüente desta rara condição. Nela, os pacientes estão totalmente paralisados e os movimentos oculares são a única forma de expressar plena consciência dos fatos.

Mutismo acinético – Pacientes nesse estado encontram-se em completa irresponsividade, apesar de estar alertas. Nenhuma forma racional de comunicação é possível. Atividade mental consciente nunca é manifestada. A expressão leiga “morto-vivo” talvez seja a melhor forma de expressar essa condição. Lesões vasculares na parte superior do tronco cerebral ou diencéfalo, ou mais raramente hidrocefalia, são as causas. Fonte

Efeito Mozart

A ideia do Efeito Mozart surgiu em 1993 na Universidade da Califórnia, em Irvine, com o físico Gordon Shaw e Frances Rauscher, pesquisadores em desenvolvimento cognitivo.  Eles estudaram os efeitos sobre alguns estudantes universitários produzidos quando escutavam os primeiros 10 minutos da Sonata para Dois Pianos em Ré Maior de Mozart.   Eles encontraram um melhoramento temporário do raciocínio espaço-temporal, conforme medido pelo teste Stanford-Binet de QI.

Ego

Princípio da realidade.  Segundo a Psicanálise, no processo de satisfação do libido (pulsão do ID), o organismo biológico se confronta com o Real, neste momento constitui-se o EGO, Princípio da Realidade começa a se formar quando o bebê passa a se reconhecer como sujeito (fase do espelho) e não mais como uma extensão do corpo da mãe, passando à controlar corretamente e decidindo quais instintos podem ser satisfeitos ( controle das esfíncteres, repertório social, por exemplo) e de que forma. O ID se orienta pelo princípio do prazer/desprazer, O Ego pelo Real.

Egodistônico e Egosintônico

Egodistônico. Diz-se Egodistônico para os aspectos do pensamento, dos impulsos, atitudes, comportamentos e sentimentos que contrariam e perturbam a própria pessoa; é o oposto ao egosintônico.

Por exemplo: a pessoa é homossexual, porém, discorda desse jeito dela própria ser.

Egosintônico. Diz-se Egodistônico para os aspectos do pensamento, dos impulsos, atitudes, comportamentos e sentimentos que não perturbam a própria pessoa; é o oposto ao egodistônico.

Por exemplo: a pessoa é homossexual e concorda desse jeito dela própria ser.

Ejaculação Precoce

Ejaculação Precoce ou Ejaculação Rápida representa um sério problema no controle do tempo do orgasmo, ocorrendo este orgasmo muito mais cedo do que o desejado, portanto, gerando um final abrupto e insatisfatório para a atividade sexual tanto para o homem quanto para a mulher.

Estudos recentes sugerem que a Ejaculação Precoce seja o problema sexual mais comum entre os homens, afetando algo em torno de 10-30% em algum momento de suas vidas.

O homem com Ejaculação Precoce freqüentemente manifesta decepção, ansiedade e sofrimento com essa situação. Tais sentimentos surgem não somente porque a rapidez da ejaculação interfere com sua satisfação sexual mas, freqüentemente, porque afeta também a satisfação de sua parceira.

Portanto, diferentemente das outras disfunções eréteis, as quais são prontamente definidas como ausência sexual, o estado da Ejaculação Precoce pode ser referido como uma atividade sexual muito insatisfatória. Essa dificuldade sexual geralmente motiva o casal a buscar tratamento. Sentir ansiedade sobre o desempenho sexual é comum entre homens.

Elação

Elevação, altivez, o oposto de depressão. Prazer, energia, interesse, impulso realizador e/ou criativo. Na Elação há um transbordamento dos sentimentos instintivos e um afastamento mais acentuado da realidade.

Todos acontecimentos são recebidos com exagerada satisfação e felicidade pelo paciente, o qual, julga-se completamente imune aos acontecimentos negativos, mantém uma certa intimidade com divindades cósmicas e comporta-se destemidamente diante de qualquer desafio.

Eletroconvulsoterapia

Eletroconvulsoterapia, também conhecida como Eletrochoque ou E.C.T. é uma das formas de tratamento psiquiátrico, que consiste na aplicação de uma corrente elétrica nas regiões bi-temporais, em geral em torno de 90 a 110 volts, durante fração de segundo, determinando uma crise convulsiva no paciente.

O E.C.T teve muita aplicação antes da era dos psicofármacos, sendo uma das poucas alternativas para o tratamento das psicoses. Após o advento dos psicofármacos, seu uso decaiu bastante, mas nos últimos anos vem novamente ganhando espaço no tratamento das psicoses e, inclusive, vem também, sendo bastante pesquisado na literatura internacional.

O E.C.T. tem duas principais grandes indicações: nas depressões graves resistentes aos outros tratamentos e que põem em risco a vida do deprimido, e nos quadros catatônicos agudos ( uma psicose onde o paciente fica bloqueado nos seus movimentos, não fala, não alimenta, não ingere líquidos e resiste a qualquer tipo de ajuda), onde o paciente pode vir a falecer, se não for prontamente tratado pelo E.C.T.. Muitos leigos e alguns adeptos do movimento antipsiquiátrico atacam o E.C.T.

Muitos leigos e alguns adeptos do movimento antipsiquiátrico atacam o E.C.T., como sendo um instrumento de tortura . Isto não é verdade! Sendo parcimoniosamente utilizado, é de portentosa ajuda; o paciente não sofre dor durante a aplicação ( nos centros mais especializados o doente é anestesiado) e sendo seu uso criterioso, não determina comprometimentos neurológicos ou da personalidade.

Eletroencefalograma

eletrencefalografia ou eletroencefalograma é exame que grava correntes cerebrais detectando alterações elétricas cerebrais associadas à epilepsia, distúrbios do Sono e doenças cerebrais devidas a distúrbios metabólicos. É exame básico no diagnóstico de morte cerebral quando demonstra a ausência de atividade cerebral.

Eletromiografia

eletroneuromiografia é o exame que mede a atividade elétrica dos nervos através da estimulação da pele. É utilizado no diagnóstico de doenças do nervo e também dos músculos.

Embriaguez Patológica

A embriaguez simples ou normal é uma reação normal ao uso abusivo do álcool (quando a quantidade de álcool ingerido é maior do que a velocidade de sua metabolização). De modo geral a personalidade da pessoa tem uma influência marcante sobre a forma da embriaguez.. 

A embriaguez normal pode cursar das seguintes formas abaixo descritas, nem sempre sendo necessário que todos os indivíduos apresentem a mesma seqüência, podendo essas fases ocorrerem isoladamente ou sucessivamente, dependendo do grau da bebedeira. 

Embriaguez Patológica 
Embriaguez Anormal ou Patológica ocorre em função do indivíduo não apresentar um quadro ordinário de embriaguez como foi descrito anteriormente.  A Embriaguez Patológica se distingue da Embriaguez Normal pelo fato do indivíduo, mesmo com pequenas quantidades de bebida alcoólica ingerida, apresentar um estado de ânimo exageradamente excitado, desinibição excessiva, descargas comportamentais agressivas e graves, enfim, manifestar ações que diferenciam muito de sua personalidade quando sóbrio. 

Embora para um observador desavisado as ações do paciente com Embriaguez Patológica pareçam coordenadas e inteligíveis, esse estado se caracteriza por uma grande sensação de estranheza, perplexidade, desorientação e alguns comportamentos automáticos. Posteriormente, poderá haver comprometimento grave da memória sobre o ocorrido. 

Apesar de pessoas normais poderem apresentar este tipo de reação, em regra geral, as pessoas com Embriaguez Patológica são portadoras de alguma disfunção cerebral, notadamente a disritmia. Por causa disso tem expressiva importância especial aconselhar a plena abstinência para os portadores de alterações cerebrais. 

A conduta delituosa da Embriaguez Patológica pode se caracterizar pelas seguintes particularidades:

1) A ação é imotivada, portanto, o ato delituoso independe das circunstâncias exteriores, faltando assim um motivo suficiente para provocá-lo.
2) Ausência de premeditação, caracterizando as reações como impulsivas e francamente bruscas.
3) A ação é inesperada e surpreendente, estando claramente em desacordo com as tendências habituais da pessoa.
4) Há furor brutal e extraordinária violência. As atitudes agressivas desencadeadas nesses estados epilépticos não se saciam mesmo depois de conseguido o objetivo da agressão. Algumas vezes, logo depois desse rompante explosivo a pessoa adormece profundamente.
5) Há amnésia do episódio.
6) Há semelhança fiel com outros episódios anteriores.
7) Há influencia favorável com tratamento anti-epiléptico.
Deve-se enfatizar que a Embriaguez Patológica constituiu um requisito biológico da irresponsabilidade penal e deverá ser incluída no capitulo da perturbação da atividade mental, tendo em vista que estes pacientes apresentam, em verdade, um transtorno da consciência. Essa alteração da consciência pode ser denominada, pela psicopatologia, como Estado Crepuscular (veja mais sobre Transtornos da Consciência, em particular, o Estado Crepuscular).

 

Emoção

Segundo o dicionário do site Integração Corpo Mente, emoção é um estado sentimental momentâneo em que o indivíduo tem seu organismo excitado. Há diversos tipos de emoção: medo, cólera, alegria, tristeza, piedade, felicidade, remorso, admiração, amor, ódio, culpa, vergonha etc. As emoções podem verificar-se como: experiências emocionais (quando o indivíduo sente a emoção), comportamento emocional (quando é levado, pelo sentimento, a fazer algo), além de se notarem também alterações fisiológicas que correspondem ou são provocadas diretamente pela própria emoção: ficar “corado” de vergonha, ficar “branco” de susto, ter batidas do coração aceleradas por causa do medo etc.

Logo se vê que toda emoção é um sentimento que pode levar a uma ação (preparação motora): um sentimento de cólera leva ao ataque, um sentimento de grande tristeza provoca o choro “para desabafar”. Evidentemente, a intensidade das emoções varia muito, e se a tensão resultante da emoção for muito alta, haverá o impulso para uma ação correspondente.

É muito difícil e até impossível “descrever” as emoções, simplesmente porque se trata de sentimentos próprios e que dependem inclusive da experiência pessoal de cada um. Entretanto, há relações íntimas do sentimento com a atividade muscular e glandular do indivíduo.

Assim, temos: aceleração da circulação sangüínea (aceleração das batidas do coração), tremor nas pernas, sorriso franco, suor (“Fulano suou frio quando viu a onça!”), choro, empalidecimento momentâneo ou ruborização das faces, contração dos músculos faciais. Em geral, a emoção está ligada a uma situação específica (medo daquela onça; amor por aquela moça), mas também pode acontecer de sentirmos uma experiência emocional desligada de uma situação imediata (emoções provocadas por acúmulo de experiências, como na frase popular: “…foi a gota que fez transbordar tudo!”).

Algumas das emoções mais básicas, criadas por situações simples e que surgem no indivíduo antes de outras, são: alegria, medo, cólera, tristeza. Por isso, são chamadas emoções primárias (se bem que a maior parte dos medos são aprendidos, isto é, não se pode dizer que o medo em geral é inato). Outras – como aversão, prazer, dor – dependem de estímulos dos sentidos.

Por outro lado, as emoções que dizem respeito ao indivíduo considerando seu próprio comportamento formam um grupo que inclui vergonha, remorso, noção de êxito e de fracasso, culpa etc. Podemos ainda considerar mais um grupo de emoções: as de sentimentos dirigidos a coisas ou a outras pessoas: amor, inveja, ódio etc.

As expressões emocionais são variadas. Pode-se dizer que toda emoção é um estado provocado por uma situação externa ao indivíduo e adequada a uma reação também externa. Um estado de medo, por exemplo, pode ser provocado por um automóvel vindo em nossa direção, e disso resulta uma ação imediata: fugir ao perigo. Também há estímulos que provocam gargalhadas, como uma situação muito cômica; ou cócegas por causa do roçar do dedo na pele etc.

Alguns movimentos de expressões emotivas não são aprendidos: sorrir, chorar, gritar etc. Mas outros são adquiridos, por imitação, e a vida em sociedade até exige que o indivíduo use de expressões – digamos – de educação, como polidez, sorriso cordial, e outras, quando na realidade ele gostaria de expressar desagrado, irritação, desprazer. A isso se chama controlar as emoções, processo que se aprende desde criança.

A emoção se faz sentir organicamente através de sinais que podem ser medidos. Quando o indivíduo sente forte emoção, as batidas do coração se aceleram. A respiração modifica-se igualmente, quando o indivíduo está sob forte emoção. Esse aspecto do funcionamento do organismo sob influência de uma emoção, junto com outro aspecto – o da pressão sangüínea – são pontos importantes para se testar a honestidade em um depoimento, e é nisso que se baseia o detetor de mentiras.

Explicando melhor: o detetor de mentiras procura registrar modificações em fenômenos corporais provocadas pela “emoção de mentir”. Um cinto inflável é colocado ao redor do tórax do indivíduo, e registra as variações ou a normalidade de sua respiração; a pressão arterial é medida pelo aparelhe apropriado comum; e eletrodos sensíveis acusam possíveis variações de condutibilidade de pele (colocados nas costas e nas palmas das mãos).

Dessa forma, o indivíduo que, submetido ao detetor de mentiras, estiver procurando inventar uma desculpa, ou encobrir um crime, ou ocultar um pormenor delicado, ou enfim dizer algo enganoso, logo será acusado, graças aos registros sensíveis das variações fisiológicas provocadas pelo estado emotivo em que se encontra.

 

Empatia

Empatia é a faculdade de experimentar os sentimentos e a conduta de outra pessoa. A empatia, ou endopatia, diz respeito a uma vivência pela qual quem a experimenta se introduz numa situação alheia, real ou imaginária, objetiva ou subjetiva, de tal modo que aparece como se estivesse dentro dela.  A empatia pode referir-se a toda espécie de situações, mas é considerada sobretudo como um problema psicológico.

Adquire grande importância, do ponto de vista de compreensão do próximo, já que essa qualidade do sentimento humano diz respeito, predominantemente, ao inter-relacionamento pessoal.

No entanto, isto não significa que a pessoa que a vive se identifique afetivamente com o estado alheio.  Um desenvolvimento especial da empatia é bastante útil para os psicólogos e psiquiatras, principalmente no início do relacionamento com o paciente.

Empírico - Empirismo

Empírico é o conhecimento humano baseado na experiência, na observação e na sensibilização dos 5 sentidos, ou seja, baseada na atitude experimental.  É uma tendência filosófica contraposta ao chamado racionalismo (de Descartes). Um problema empírico se pode solucionar recolhendo e analisando os dados apropriados, mediante técnicas estatísticas significativas.

Um dos filósofos representantes do empirismo foi John Locke. Para ele a mente humana era como uma folha em branco que receberia impressões através dos sentidos, a partir das experiências do indivíduo (empirismo), sem trazer consigo do nascimento, quaisquer idéias tais como a de “extensão”, de “perfeição” e outras, como pretendia Descartes.

Locke achava que o conhecimento, a formação de idéias, começava pelos sentidos, conforme se vê na descrição “Das idéias simples”, em seu “Ensaio sobre o Entendimento Humano“.

Encefalite

encefalite é uma inflamação do cérebro que ocorre devido a uma infeção por uma bactéria ou um vírus. Em geral surge de maneira muito rápida com sintomas de agitação e confusão mental, na maioria das vezes com febre.

Pode haver convulsão, inconsciência e paralisias. Em geral está relacionada a uma infeção inicialmente localizada fora do sistema nervoso, mas pode ser devida a distúrbios da imunidade. Nas infeções bacterianas o tratamento se baseia no uso de antibióticos, e nas infeções a vírus são utilizadas drogas antivirais.

Encefalopatia Hipertensiva

Encefalopatia Hipertensiva é o aumento difuso da pressão intracraniana que pode resultar de uma complicação da má evolução da hipertensão arterial. Os sintomas consistem em edema de papila (fundo do olho), aumento da pressão do líquido cefalorraquidiano, cefaleia, vômitos, convulsões e, finalmente, estado de coma.

Essa Encefalopatia Hipertensiva pode ter um início sub agudo, com surgimento de sinais focais, tais como, alterações visuais, afasia e hemiplegia, mas também pode ser crônico e caracterizar-se por mudanças da personalidade, juízo crítico deficiente e ansiedade.

Encéfalo (Cérebro)

encéfalo é um órgão situado dentro do crânio que faz parte do sistema nervoso sendo constituído por células especiais denominadas células nervosas ou neurônios. Controla o funcionamento dos outros órgãos enviando e recebendo informações de todas as partes do corpo humano.  Pesa cerca de 1.300g (adulto jovem) e é formado por aproximadamente 10 bilhões de neurônios. As funções cerebrais superiores que são responsáveis pelo nosso comportamento e pela inteligência não estão relacionadas com o peso ou volume do cérebro.

No cérebro estão os centros que controlam desde nossas emoções, nossa compreensão e nossa linguagem, até aqueles que controlam nossos movimentos mais simples. Contem os órgãos responsáveis por nossa olfação, paladar, visão e audição. Cerca de 70% do cérebro não é visível em sua superfície pois sua estrutura (a córtex cerebral) é constituída por milhares de dobras (as circunvoluções) o que permite uma extensa área em um pequeno espaço. As comunicações entre as células e entre os diferentes centros cerebrais são transmitidas por filamentos (longos ou axônios e curtos ou dendritos) e envolvem substâncias químicas (neurotransmissores), destacando-se a acetilcolina e a serotonina.

O encéfalo é constituído pelo tronco, o cerebelo e o cérebro. O tronco cerebral é a porção mais posterior ou caudal do encéfalo e se continua com a medula. O cerebelo envolve o tronco cerebral, localizando-se posteriormente ao cérebro, e o cérebro ocupa a maior parte da cavidade do crânio e é formado por duas partes semelhantes, os hemisférios cerebrais. Pelo tronco cerebral passam todas as fibras que ligam o corpo ao cérebro e que cruzam a linha média, provocando o fato de que estímulos localizados à direita do corpo terminam no lado esquerdo do cérebro.

A maior parte dos nervos cranianos (que são responsáveis pela sensibilidade e pela movimentação dos músculos da face, por ex) nascem no tronco cerebral. No tronco também se localizam os centros responsáveis pela estado de vigília ou alerta que ao serem lesados produzem o estado de coma. O cerebelo corresponde a 10% do peso do encéfalo e é responsável pela coordenação dos movimentos. Os hemisférios cerebrais contem estruturas como o hipotálamo que mantém a temperatura do corpo, os controles da pressão arterial e da respiração e centros reguladores da produção de hormônios e a córtex cerebral que possui uma estrutura complexa que contem a grande maioria dos neurônios. Na córtex estão localizados os centros motores (região frontal ou lobo frontal) de onde saem os estímulos que provocam a nossa movimentação bem como os centros sensitivos (região parietal ou lobo parietal) que recebem as informações de todos os órgãos. Na região frontal ou lobo frontal também está localizada a área responsável pela linguagem falada que se situa no hemisfério esquerdo de pessoas destras. Também na córtex cerebral estão situados os centros responsáveis pela olfação, audição e visão. A memória, por ex, tem sua regulação situada na região temporal ou lobo temporal.

O encéfalo contem cavidades ou ventrículos por onde circula um liquido, liquido cefalorraquidiano, que transporta substâncias relacionadas ao equilíbrio metabólico do sistema nervoso. Este liquido caracteristicamente é límpido como água de rocha e é produzido por células que formam as paredes das cavidades ventriculares circulando no sentido caudal, isto é em direção à medula. Todo o encéfalo, bem como a medula, são envolvidos por uma membrana resistente denominada meninge.

O encéfalo recebe sangue arterial que vem do coração através de calibrosas artérias localizadas no pescoço (artérias carótidas e vertebrais) e que se subdividem em inúmeras ramificações ao atingirem o tecido cerebral. Mais que qualquer órgão o encéfalo tem grande sensibilidade ao oxigênio sendo que a sua falta produz em tempo muito curto graves lesões. Daí a razão das doenças vasculares cerebrais serem tão importantes.

 

Encoprese (incontinência fecal)

Encoprese é a incontinência fecal funcional involuntária. O controle intestinal pode alcançar-se antes dos 5 anos de idade, mesmo que, nas crianças com incapacidade psíquica grave possa surgir mais tardiamente.

Quando a encopresia aparece em crianças, pode se associar com uma consciência deficiente do asseio pessoal ou com problemas pessoais. Por outro lado, pode também dever-se a concomitância com a incontinência fecal.

Ablação

A primeira técnica consistente para a psicocirurgia foi desenvolvida pelo neurologista português Dr. Antônio Egas Moniz, e realizada pela primeira vez em 1935, com o seu colega, Almeida Lima. Moniz baseou sua operação no achado que tinha sido feito alguns anos antes, de que certos sintomas neuróticos induzidos em chimpanzés poderiam ser diminuídos cortando-se as fibras nervosas que conectam o córtex prefrontal com o resto do cérebro. Ele desenvolveu uma técnica chamada leucotomia ou lobotomia que consistia de cortar tratos de fibra entre o tálamo e os lobo frontal, usando uma faca especial chamada um leucótomo.

Os resultados de Moniz foram considerados tão bons, que a lobotomia começou a ser usada em vários países como uma tentativa de reduzir psicose e depressão severa ou comportamento violento em pacientes que não podiam ser tratados com qualquer outro meio (na ocasião, não havia muitos: o choque induzido por insulina e o choque eletroconvulsivo também estavam em seus estágios iniciais e os medicamentos ainda não estavam disponíveis). Assim, a lobotomia era empregada principalmente em pacientes institucionalizados que também mostravam agitação crônica ou angústia e comportamento obsessivo-impulsivo. Moniz foi premiado com o Nobel em 1949 por sua descoberta.

Ablação

A primeira técnica consistente para a psicocirurgia foi desenvolvida pelo neurologista português Dr. Antônio Egas Moniz, e realizada pela primeira vez em 1935, com o seu colega, Almeida Lima. Moniz baseou sua operação no achado que tinha sido feito alguns anos antes, de que certos sintomas neuróticos induzidos em chimpanzés poderiam ser diminuídos cortando-se as fibras nervosas que conectam o córtex prefrontal com o resto do cérebro. Ele desenvolveu uma técnica chamada leucotomia ou lobotomia que consistia de cortar tratos de fibra entre o tálamo e os lobo frontal, usando uma faca especial chamada um leucótomo.

Os resultados de Moniz foram considerados tão bons, que a lobotomia começou a ser usada em vários países como uma tentativa de reduzir psicose e depressão severa ou comportamento violento em pacientes que não podiam ser tratados com qualquer outro meio (na ocasião, não havia muitos: o choque induzido por insulina e o choque eletroconvulsivo também estavam em seus estágios iniciais e os medicamentos ainda não estavam disponíveis). Assim, a lobotomia era empregada principalmente em pacientes institucionalizados que também mostravam agitação crônica ou angústia e comportamento obsessivo-impulsivo. Moniz foi premiado com o Nobel em 1949 por sua descoberta.

Endorfinas

Chamamos de Endorfinas a qualquer dos peptídeos opioides secretados pelo nosso organismo (endógenos) ou ativados no cérebro.  As Endorfinas são formadas por cadeias de aminoácidos e se localizam no sistema límbico e na médula espinal.

As endorfinas possuem as mesmas propriedades da morfina, ou seja, aliviam a dor. elas podem causar euforia, sedação e depressão respiratória.

Entorpecentes

Em farmacologia, a palavra Entorpecente designa os psicotrópicos que têm por principal função embotar ou insensibilizar, aquilo que traz torpor, sono. Trata-se principalmente dos opiáceos, designados também de narcóticos.

Segundo Giuseppe Di Gennaro, o termo entorpecente ou estupefaciente acentuaria o aspecto do efeito provocado pela substância.

Esses termos, Entorpecente ou Estupefaciente, têm conotação generalizada, muito utilizado pelas convenções internacionais que tratam da questão das drogas, designando todos os psicotrópicos cuja distribuição e consumo deve ser regulamentado, levando-se em conta sua presumida toxicidade. Na opinião popular, Entorpecente se refere às drogas em geral

A denominação Psicotrópicos ou drogas psicotrópicas, segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, desde 1981, são substâncias que “agem no Sistema Nervoso Central (SNC) produzindo alterações de comportamento, humor e cognição, possuindo grande propriedade reforçadora sendo, portanto, passíveis de auto-administração”, caracterizando assim a idéia de drogas que levam à dependência.

Das várias classificações existentes dos psicotrópicos, adota-se a do pesquisador francês Chaloult, por ser simples e prática. Chaloult dividiu o que ele denominava de “drogas toxicomanógenas” (indutoras de toxicomanias) em 3 grandes grupos:

1 – Depressores da Atividade do Sistema Nervoso Central
Os Depressores da Atividade do Sistema Nervoso Central (SNC), referem-se ao grupo de substâncias que diminuem a atividade do cérebro, ou seja, deprimem o seu funcionamento, fazendo com que a pessoa fique “desligada”, “devagar”, desinteressada pelas coisas.

Este grupo de substâncias é também chamado de psicolépticos.

As substâncias que compõem o grupo de Depressores do SNC são:
Álcool
Inalantes/solventes
Ansiolíticos
Barbitúricos
Opiáceos

2 – Estimulantes da Atividade do Sistema Nervoso Central
Os Estimulantes da Atividade do Sistema Nervoso Central referem-se ao grupo de substâncias que aumentam a atividade do cérebro. Ou seja, são drogas que estimulam o seu funcionamento, fazendo com que a pessoa fique mais “ligada”, “elétrica”, sem sono.
Este grupo de substâncias é também chamado de psicoanalépticos, nooanalépticos, timolépticos.

As substâncias que compõem o grupo de Estimulantes do SNC são:
Cafeína
Nicotina
Anfetamina
Cocaína

3 – Perturbadores da Atividade do Sistema Nervoso Central
Os Perturbadores da Atividade do Sistema Nervoso Central referem-se ao grupo de substâncias que modificam qualitativamente a atividade do cérebro. Ou seja, perturbam, distorcem o seu funcionamento, fazendo com que a pessoa passe a perceber as coisas deformadas, parecidas com as imagens dos sonhos.

Este grupo de substâncias é também chamado de alucinógenos, psicodélicos, psicoticomiméticos, psicodislépticos, psicometamórficos, alucinantes.
As substâncias que compõem o grupo de Perturbadores do SNC são:

Anticolinérgicos – medicamentos
Anticolinérgicos – plantas
Maconha
Daime
Cacto
Cogumelo
LSD-25

A ação de cada psicotrópico depende: do tipo da droga (estimulante, depressora ou perturbadora), da via de administração, da quantidade da droga, do tempo e da freqüência de uso, da qualidade da droga, da absorção e da eliminação da droga pelo organismo, da associação com outras drogas, do contexto social bem como das condições psicológicas e físicas do indivíduo.

Enurese

Enurese é a emissão aparentemente involuntária de urina pelo adulto ou pela criança que já deveria ter superado o período de educação dos esfíncteres. A Enurese Noturna por crianças mais velhas, adultos ou adolescentes pode ser indício de algum transtorno emocional (ansiedade e/ou depressão), bem como de Disritmia Cerebral.  A Enurese que surge em criança que já tinha superado essa fase pode indicar uma regressão psicológica importante, normalmente sugestiva de sério conflito emocional.

Epilepsia

epilepsia é uma manifestação neurológica muito característica que pode se apresentar de várias maneiras, sendo a mais comum aquela em que há perda da consciência, movimentos involuntários de membros e de cabeça e incontinência urinária e/ou fecal.

Na velhice a manifestação epiléptica está quase sempre relacionada com uma lesão orgânica (epilepsia secundária), ao contrário do que ocorre no jovem, quando a convulsão em geral é devida a uma disfunção da atividade cerebral, sem lesão, sendo por isso denominada primária ou idiopática. Na velhice são a insuficiência vascular cerebral (AVCI) e os tumores cerebrais as principais causas de epilepsia. Uma convulsão também pode ser devida a um distúrbio metabólico como por ex. a queda de açúcar no sangue ou a diminuição nos níveis de oxigênio. Uma situação que eventualmente pode levar a uma convulsão é uma intoxicação por determinados medicamentos, como por exemplo medicamento antidepressivo. O álcool também pode levar à convulsão.

Uma crise convulsiva pode ser confundida com uma síncope ou mesmo um acidente vascular cerebral transitório, daí a importância de se tentar identificar muito bem a manifestação.

O principal cuidado que se deve ter diante de uma convulsão é a proteção da pessoa contra ferimentos e a manutenção da sua respiração mantendo-se as vias áreas superiores desobstruídas.

Toda manifestação epiléptica deve ser avaliada pelo eletroencefalograma, mas é a tomografia cerebral e/ou ressonância nuclear magnética os exames fundamentais para um estudo completo.

O desmaio é um termo vago que indica perda rápida de consciência. Pode ser devida a uma queda brusca da pressão arterial ao mudar de posição muito rapidamente (hipotensão ortostática) ou pode ser desencadeada por uma arritmia cardíaca (arritmia cardíaca). O desmaio pode ser confundido com uma crise convulsiva ou epilepsia e ainda pode ser um sintoma de qualquer doença que compromete difusamente o organismo (infecções, desidratação, anemia, alcoolismo, etc ). É um sintoma muito importante devendo ser sempre valorizado. A descrição minuciosa do desmaio e das circunstâncias em que ocorreu é fundamental.

Epilepsia Musico gênica

Epilepsia Musico gênica é um quadro onde crises epilépticas são desencadeadas por estímulos musicais. Trata-se de uma afecção rara, estimada em 1 caso em cada 10 milhões de pessoas, ocorrendo geralmente após os 20 anos de idade. Muitos estudos indicam que esses pacientes são pessoas “interessadas em música” (Muszkat).

A Epilepsia Musico gênica, tanto o quadro quanto o nome, foi introduzido em 1937 por Macdonald Critchley. Este pesquisador descreveu onze pacientes que sofriam ataques epilépticos induzidos por música. Alguns dos pacientes de Critchley eram músicos, outros não.

Segundo Oliver Sacks (2007), o caso mais impressionante foi o de um eminente crítico musical do século XIX, Nikonov, que sofreu seu primeiro ataque durante a apresentação da ópera o Profeta de Meyerbeer. Dali por diante ele foi se tornando cada vez mais sensível à música, até que por fim quase toda música, por mais suave que fosse, causava-lhe convulsões.  Curiosamente, a mais nociva de todas as músicas epileptógenas era o chamado fundo musical de Wagner. (veja)

 

Epinefrina (Adrenalina)

Epinefrina ou Adrenalina é um neurotransmissor, substância utilizada para a transmissão de estímulos entre neurônios.  A neurotransmissão química é de fundamental importância para o mecanismo de diversas patologias e para a ação de fármacos e é a responsável pela conversão de energia elétrica para energia química entre um neurônio e outro na sinapse . A neurotransmissão, então, implica na necessidade de síntese do transmissor, de armazenamento, e de liberação.

O efeito do estímulo no neuroreceptor é então observado na alteração da membrana da célula pós-sináptica e nos eventos que disso decorrem, que é a transmissão do estímulo de um neurônio para outro. Dessa forma os neurotransmissores se acoplam aos neuro-receptores.

Atualmente os neuro-receptores vem sendo intensamente estudados. Cada neurotransmissor pode atuar sobre diversos subtipos de receptores de uma mesma categoria e o subgrupo de receptores descritos é crescente na literatura.

Adrenalina ou Epinefrina e a Noradrenalina ou Norepinefrina são neurotransmissores metabolizadas em produtos biologicamente inativos por oxidação (catabolizada pela mono-amino-oxidase – MAO) e metilação (catabolizada pela catecol-O-metiltransferase – COMT).

MAO localiza-se na superfície externa das mitocôndrias e encontra-se em altas concentrações nas terminações dos nervos que secretam norepinefrina.  COMT também encontra-se distribuída em grandes quantidades nas terminações nervosas e no fígado e rins. COMT cataboliza principalmente a norepinefrina circulante a nível hepático.

Nas terminações nervosas, a norepinefrina é iniciantemente inativada pela ação da MAO, em compostos inativos que entram na circulação e são posteriormente metabolizados no fígado pela COMT.

Recaptação de norepinefrina da fenda sináptica é o principal mecanismo de remoção deste transmissor.

Epinefrina e norepinefrina atuam nos receptores alfa e beta, porem a norepinefrina tem maior afinidade pelos alfa e a epinefrina pelos beta.

Epistaxe

Epistaxe é o nome técnico que é dado para sangramento nasal. Sangramento pelo nariz, condição bastante comum principalmente em crianças, na grande maioria das vezes não causa repercussões à saúde.

Causas
A causa mais comum é a superficialização das artérias anteriores do septo nasal, da denominada área de Little.  Este fenômeno é a causa mais comum das epistaxes recorrentes que, principalmente, as crianças apresentam.  A freqüência e a intensidade destes sangramentos dependem de vários fatores:

Crianças que mexem muito no nariz provocam traumatismo justamente na área em questão, que sangra conseqüentemente.

Pacientes portadores de variados tipos rinites ou sinusites, que têm a mucosa nasal mais frágil, que sangra mais facilmente.

Habitantes de regiões com baixo índice de umidade do ar, que apresentam ressecamento e fragilização da mucosa nasal.

Existem ainda sangramentos nasais mais severos, provenientes de pequenos tumores, comumente hemangiomas nasais ou granulomas piogênicos, que se localizam principalmente na região do septo nasal.

Embora o sangramento desta natureza seja mais abundante, quase nunca causa transtornos à saúde do paciente, uma vez que é de fácil controle.

Nas idades mais avançadas, o tipo de sangramento mais frequente vem da parede nasal lateral, e é decorrente, geralmente, de aumento repentino da pressão arterial. Nestes casos além do sangue fluir em grande quantidade pela parte anterior do nariz, o paciente ainda tem sangramento posterior, que flui pela garganta.

 

Ereção, Transtornos da

Disfunção Erétil, antes conhecida por impotência , é a incapacidade de se obter ou manter uma ereção adequada para a prática da relação sexual. Não deve ser confundida com a falta ou diminuição no “apetite sexual”, nem como dificuldade em ejacular ou em atingir o orgasmo.

Impotência Sexual não pode ser encontrada nas classificações internacionais de doenças com este nome genérico.  Na realidade o DSM.IV aborda o problema subdividindo o tema em vários tópicos.  Fala-se em Transtornos do desejo Sexual, Transtorno da Excitação Sexual, Transtornos do Orgasmo e Transtornos de Dor Sexual.

Milhões de homens no mundo passam por esse problema da impotência sexual e as estatísticas mostram uma incidência de até 5% nos homens de 40 anos e até 25% nos de 65 anos. De modo geral, quase todos aqueles que são sexualmente ativos já experimentaram um episódio de impotência pelo menos uma vez na vida.

De qualquer forma o ser humano teme muito qualquer tipo de Impotência Sexual, qualquer rebaixamento em seu desempenho sexual e esse medo tem grande base cultural. Isso provavelmente porque a impotência sempre foi um assunto cercado de muitos tabus.

Esgotamento

Esgotamento, atualmente, é um termo de uso corrente entre as pessoas participantes daquilo que chamamos vida moderna.  Ninguém gosta de pensar na Ansiedade, no Estresse, no Esgotamento ou na Depressão como formas de algum transtorno emocional, é claro.  Isso pode parecer muito próximo do descontrole, da piração ou da loucura e, como de fato, todos temos a possibilidade de sermos afetados pelo estresse, pelo esgotamento ou pela depressão pelo menos alguma vez na vida, então será melhor não considerá-los como formas de algum transtorno emocional.

Não se pode entender Esgotamento sem entender antes a Ansiedade e o EstresseEsgotamento é o estado emocional que se encontra a pessoa depois de ter passado por um período extenso de estresse e de ansiedade.  Nessa circunstância “esgota-se” a capacidade de adaptação, a tolerância e a energia para continuar a luta pela vida.

Esquizofrenia

É uma psicose (ver psicose), onde o paciente, sem causas ainda conhecidas e geralmente iniciando-se por volta dos 15 ao 25 anos de idade, começa a apresentar sintomas que vão afastando da realidade e acaba por construir um mundo particular, fantasioso, absurdo, impossível de ser compartilhado com as outras pessoas.

Segundo Kaplan, aproximadamente 1% da população é acometido pela doença, geralmente iniciada antes dos 25 anos e sem predileção por qualquer camada sócio-cultural. O diagnóstico baseia-se exclusivamente na história psiquiátrica e no exame do estado mental. É extremamente raro o aparecimento de esquizofrenia antes dos 10 ou depois dos 50 anos de idade e parece não haver nenhuma diferença na prevalência entre homens e mulheres.

Alguns sintomas, embora não sejam específicos da Esquizofrenia, são de grande valor para o diagnóstico. Seriam:

1- audição dos próprios pensamentos (sob a forma de vozes)
2- alucinações auditivas que comentam o comportamento do paciente
3- alucinações somáticas
4- sensação de ter os próprios pensamentos controlados
5- irradiação destes pensamentos
6- sensação de ter as ações controladas e influenciadas por alguma coisa do exterior.

As conseqüências sociais, familiares, profissionais e educacionais são terríveis. Em 90% dos casos são incuráveis. O tratamento requer uso constante e a longo prazo de psicotrocioterapia, ópios, além de psicoterapia.

 

Estado Confusional

Na CONFUSÃO MENTAL simples, também conhecida por TURVAÇÃO DA CONSCIÊNCIA, ou ainda por AMÊNCIA, perde-se a relação entre os processos psíquicos na realização do pensamento, da memória e da percepção. Neste estado as vivências não são coerentemente elaboradas e a associação dos estímulos faz-se de forma bizarra. A própria situação do indivíduo, dentro de seu contexto existencial, passa a ser confusa e desorganizada.

O curso do pensamento parece incoerente e, embora fragmentos possam ser expressos de maneira compreensível, são intercalados por lapsos completamente alienados do tema ou da realidade. É uma alteração da qualidade porque o paciente confuso encontra-se vígil, respondendo, ainda que erroneamente, aos estímulos à ele dirigidos, portanto, sua “quantidade” de consciência está normal. A Confusão Mental está, freqüentemente, presente nas psicoses esquizofrenias, crises maníacas intensas, no delirium tremens, nas intoxicações por drogas e estados pós-traumáticos.

Por Amência Maynert descreveu uma perturbação mental caracterizada principalmente por turvação mais ou menos acentuada da consciência, acompanhada de fenômenos de excitação psicomotora.  Kraepelin admitiu a Amência apenas como manifestação sintomática, que se desenvolve de forma aguda, com um quadro de confusão fantástica, acompanhada de distúrbios ilusórios e alucinatórios, e inquietação motora.

A Amência é caracterizada, principalmente, por obnubilação mais ou menos acentuada da consciência, com incoerência do pensamento e perplexidade, incapacidade do paciente apreender a realidade objetiva ao ponto de manifestar desorientação no tempo e no espaço, incompreensão da situação atual, lentidão do pensamento e das respostas e predominância de vivências alucinatórias.

O estado efetivo que acompanha a Amência é de caráter depressivo, ansioso ou mesmo fóbico. Em alguns casos, podem aparecer sintomas catatônicos, interpretações delirantes de ocorrências externas, idéias deliroides confusas e contraditórias. A atividade desenvolvida pelo paciente está de acordo com o estado geral. Freqüentemente se observa uma amnesia completa para o período agudo da Amência ou, quando não, apresenta apenas lembranças fragmentárias e inconsistentes.

Amência aparece mais também no curso agudo das doenças infecciosas, evolui para a cura espontaneamente dentro de semanas, não deixar sintomas residuais e pode seguir com amnésia para certos acontecimentos e lembrança para outros.

 

Estado Crepuscular

Estado Crepuscular é um estreitamento transitório da consciência, com a conservação de uma atividade mais ou menos coordenada, mais ou menos automática. Normalmente há falsa aparência de que o paciente está compreendendo a situação. Em geral, a percepção do mundo exterior é imperfeita ou de todo inexistente.

Neste estado o paciente parece estar totalmente voltado para dentro. Perambula como que ausente psiquicamente, automático e sem objetivos claramente definidos. O pensamento pode ser comparado a uma vivência onírica, pouco clara e da qual as lembranças são embasadas e turvas, não raras vezes nada é lembrado depois de passado o episódio do Estado Crepuscular. Pode manifestar-se um pavor irracional ou uma agressividade extremada durante a crise. Entre as patologias que comumente proporcionam o Estado Crepuscular Epilepsia tem lugar destacado mas não monopoliza todos os pacientes que apresentam este quadro. Situações psicotiformes reativas e vivências muito traumáticas podem “empurrar” o paciente para este estado de afastamento momentâneo de uma realidade sofrível.

Estado Simpaticotônico

Existe um diálogo e comando ininterrupto do cérebro com os órgãos internos. Hoje, os avanços eletrofisiológicos, biofísicos e moleculares, confirmam a sintonia do Sistema Nervoso Autônomo com todo o organismo.

Sistema Nervoso Autônomo está estrutural e funcionalmente organizado para constituir a “interface” entre o meio interno orgânico e o meio ambiente externo, pois coordena a interação do funcionamento dos diferentes aparelhos e sistemas, assegurando toda homeostasia interna, como por exemplo, o controle cardiovascular, regulação térmica, motilidade gastro-intestinal, funções excretoras, reprodução, fisiologia endócrina e normalidade metabólica, bem como as adequadas respostas ao “stress” e as variações térmicas ou do exercício físico.

Esse Sistema Nervoso Autônomo, conhecido também como Sistema Nervoso Vegetativo, constitui um modelo de auto-organização de grande complexidade destinado a assegurar a sobrevivência e a reprodução.

Sistema Nervoso Autônomo enerva todos os órgãos, criando, como sugeriu Galeno, “simpatia”, entre as várias partes do corpo. Ele possui uma grande autonomia e independência relativa à vontade da pessoa.

Esse Sistema é composto por três componentes separados, sua parte simpática, parassimpática e entérica.

Diz-se Estado Simpaticotônico quando predomina a ação da parte Simpática, assim como podemos dizer Parassimpaticotônico com relação ao predomínio de sua parte Parassimpática.

Na fisiologia do Estresse é de fundamental importância o conhecimento da fisiologia do Sistema Nervoso Autônomo (SNA).

Estado Vegetativo

Estado Vegetativo é um estado onde o paciente não mostra nenhuma atividade do córtex cerebral: linguagem, movimento voluntário, etc. O paciente pode ter os olhos abertos, ainda que não mantenha o olhar aos estímulos complexos, e pode manter os ciclos vigília-sono. Não existe evidência de que nesse estado haja interação com o meio.

Em geral o Estado Vegetativo se produz pelo estado de coma ocasionado por traumatismos cranianos, mas pode estar presente também em crianças com anencefalia ou em adultos por agravamento de processos degenerativos (enfermidade de Alzheimer, etc).

O cérebro humano funciona em diferentes níveis de consciência, no mais alto deles, está o estado de alerta, pronto para responder rapidamente às mais variadas exigências. Quando o cérebro deixa de responder, diz-se que chegou ao estado de coma, o último estágio antes da morte. Mesmo assim, o indivíduo comatoso pode recuperar-se e sair do coma num prazo que pode variar de dias a anos.

Embora em coma o indivíduo pareça adormecido, o cérebro de quem dorme, ao contrário do comatoso, tem condições de responder rapidamente a estímulos e atingir em instantes um estado de alerta máximo. Mas não se pode afirmar com certeza até que ponto um paciente em coma não ouve ou não tem noção do que acontece à sua volta. O indivíduo pode estar incapaz de falar ou mover-se, mas isso apenas quer dizer que aqueles que o cercam não sabem se ele pode ver, ouvir ou compreender o que se passa.

Alguns pacientes em coma podem de fato ficar totalmente alheios ao que acontece, mas outros podem perceber a própria situação, sem que se possa atestar isso, pois não conseguem se comunicar. Assim, o coma seria um estado em que a pessoa não responde a estímulos, aparenta estar inconsciente e não pode ser despertada. Em alguns casos, o paciente não responde a movimentos ou à linguagem, em outros, pode mover-se, fazer barulhos ou reagir à dor.

O coma não é uma doença, é um sintoma de uma doença ou uma resposta a um acidente, como uma lesão no cérebro, um problema metabólico, um ataque súbito, uma convulsão. Muitos comas não duram mais do que quatro semanas. Algumas pessoas em coma mantêm-se num Estado Vegetativo em que respiram, digerem e eliminam alimentos e têm pressão sanguínea normal, sem que se deem conta disso.

Estado Vegetativo pode durar anos ou mesmo décadas. O fim do coma pode variar entre a recuperação total e a morte. Se o paciente vai se recuperar e até que ponto se recuperará, depende da causa do coma e da extensão dos danos causados ao cérebro.

Estereótipo

Segundo o site Corpo e Mente, Estereótipo é a forma de pensar sobre determinado indivíduo ou coisa, influenciada pelo contexto amplo em que esse indivíduo ou essa coisa são percebidos.

A percepção (ou o juízo) que temos de indivíduos é muito comumente calcada em maneiras de pensar que fazemos derivar do que seriam os traços tidos como gerais daquele grupo psico-sócio-econômico a que esses indivíduos pertencem (ou pensamos pertencerem); mas por outro lado, e ao mesmo tempo também podemos seguir em nosso raciocínio um caminho contrário, ou seja, fazemos com que essas características tendam a ser aquelas que pensamos devam ser as do grupo a que os indivíduos pertencem.

Portanto, criamos em nossa mente uma ideia baseada e influenciada pelo que pensamos sobre as circunstâncias gerais que rodeiam o grupo no qual o indivíduo pertence: é uma forma estereotipada de pensar, já que o indivíduo isolado pode não apresentar aquelas características.

O exemplo dado por Corpo e Mente é sugestivo e didático: quando uma pessoa vê um indivíduo chamado, digamos, Israel de Tal. ela pode imaginar que se trata de um “comerciante judeu rico, que empresta dinheiro a juros” (e então, para essa pessoa essas serão as características marcantes do estereótipo do judeu, que ela estende ao indivíduo Israel de Tal mesmo sem conhecê-lo direito).

As idéias, que fazemos sobre indivíduos (e também sobre coisas em geral) são influenciadas pelo princípio parte-todo (que diz: as propriedades das partes dependem da natureza do todo), pelo fenômeno da assimilação (tendência para ter uma percepção uniforme e sem diferenciações), e pelo fenômeno do contraste (tendência para se ter uma percepção com diferenças acentuadas) – provocando comumente juízos estereotipados, isto é, que podem não corresponder à realidade.

Estimulação Magnética Transcraniana

Estimulação Magnética Transcraniana (Transcranial Magnetic Stimulation — TMS) é uma nova técnica de abordagem e tratamento de desordens neuropsiquiátricas que permite a exploração, ativação ou inibição das funções cerebrais, de maneira segura, específica, não invasiva e indolor.

O método consiste em atingir o cérebro de forma dirigida, através de pulsos magnéticos sobre o crânio, os quais, atravessando os tecidos, geram uma fraca corrente elétrica capaz de provocar alterações na atividade das células nervosas.

Estresse

estresse é o estado de tensão emocional que produz um estado psicológico desagradável caracterizado por irritabilidade, distúrbio de sono e do apetite, dificuldade na concentração, e preocupação exagerada com relação a situações triviais. Em geral há queda no rendimento, com diminuição da memória e impotência. Pode ser desencadeado por uma situação súbita (um assalto, por ex.) ou por situações conflitantes continuas e seguidas.

Na terceira idade as situações “estressantes” podem levar a alterações cardiovasculares, hipertensão arterial, com diversas conseqüências, às vezes graves, como o infarto do miocárdio, doenças gástricas e intestinais. Outras vezes pode ser acompanhado de distúrbios psicológicos os mais variados, como depressão ou agitação. Pode ocorrer o agravamento de uma doença que estava equilibrada, como o diabetes, por ex.

Para o seu tratamento é fundamental identificar-se a sua causa. O seu tratamento se baseia em relaxamento, exercícios físicos, e uso de substâncias psicotrópicas.

Nas ultimas duas décadas foi dada grande atenção aos fatores geradores de tensão e suas conseqüências em pessoas jovens, como o que ocorre nas doenças cardíacas que tem no fator tensional uma de suas principais causas, havendo um grande avanço na profilaxia e no tratamento das doenças das coronárias.

A maior arma contra o estresse é a atividade relaxante, que pode ser a fisioterapia, massagens, caminhadas (“jogging”), a musica, a pintura, etc., sempre realizada com regularidade. Na grande maioria das vezes são obtidos bons resultados sob orientação da terapia ocupacional que é direcionada ao combate da tensão emocional.

Estressores Psicossociais

odos nós estamos sujeitos a eventos estressantes: tensões nos relacionamentos, o trânsito da cidade, cobranças profissionais, etc. Quando falamos em estressores psicossociais, estamos nos referindo a eventos específicos, ou seja: valores ou circunstâncias do ambiente em que o indivíduo está inserido capazes de perturbar seu comportamento normal ou exacerbar um transtorno psíquico.

Os estressores psicossociais atingem pessoas de qualquer idade e, quanto maior a sua gravidade, piores são as conseqüências. Os principais estressores psicossociais que podem influenciar o surgimento de uma perturbação comportamental em crianças e adolescentes vão desde uma mudança de escola, discussões em família e divórcio dos pais até morte dos pais, gravidez indesejada na adolescência, abuso sexual ou doenças crônicas capazes de levar a criança ou o adolescente à morte.

 

Estudo Duplo-Cego

Estudo Duplo-Cego consiste em comparar medicamentos com placebo ou com outros fármacos ativos de forma que os participantes e as pessoas implicadas diretamente em administrar e avaliar o tratamento desconhecem a substância que se administra a cada paciente.

Uma terceira pessoa se encarrega de arquivar o código de identificação de cada embalagem do medicamento em estudo. Este código não se poderá conhecer até que se tenha recolhido todos os dados clínicos da pesquisa.

O projeto desse tipo de estudo deve cumprir com uma série de requisitos como, por exemplo, comparar fármacos que sejam o mais similar possível, poder conhecer o código de identificação em caso de emergência, e tomar precauções estritas para impedir a perda de confidencialidade.

Estupefacientes

Estupefacientes são substâncias capazes de induzir um efeito analgésico, sonífero, euforia e bem estar, criando uma situação de dependência em pouco tempo. Os opiáceos em geral, a morfina e seus derivados em particular são exemplos de estupefacientes.

Euforia

No exame dos Distúrbios da Afetividade, os Afetos Expansivos são considerados por alguns autores como afetos agradáveis. Isso, em contraposição aos afetos depressivos, considerados como desagradáveis. A tonalidade afetiva dos estados expansivos é de prazer, confiança e felicidade, daí a denominação de afetos agradáveis.

Genericamente, o estado afetivo expansivo e conhecido como EUFORIA. Na hipertimia ou estado de ânimo morbidamente elevado distinguem-se a euforia e a exaltação afetiva.

A euforia simples se traduz por um estado de completa satisfação e felicidade. Verificam-se elevação do estado de ânimo, aceleração do curso do pensamento, loquacidade, vivacidade da mímica facial, aumento da gesticulação, riso fácil e logorreia.

euforia simples é observada nos indivíduos predispostos constitucionalmente e, em sua forma pura, na fase maníaca, da psicose maníaco-depressiva, nos estados hipomaníacos, na embriaguez alcoólica, na demência senil e na paralisia geral. Na epilepsia, podem-se verificar estados de euforia simples, nas crises de automatismos mímicos, em geral de duração rápida, que se manifestam por acessos ou crises agudas.

O paciente eufórico apresenta uma postura psíquica de otimismo exagerado, sentimento de plenitude e bem estar acima do normal, confiança em si mesmo aumentada e uma sólida segurança. Encontramos este estado de Euforia nos pacientes maníacos e hipomaníacos, conforme veremos ao estudarmos as entidades nosológicas.

Eutanásia

Eutanásia, por definição de dicionário, significa morte serena, sem sofrimento. Pode ser entendida como a prática pela qual se busca abreviar, sem dor ou sofrimento, a vida de um doente reconhecidamente incurável.

As práticas eutanásicas remontam ao próprio reino animal, quando os insetos necrófilos dão morte aos velhos para livrá-los de sua existência infeliz.

Segundo Sônia Maria Teixeira da Silva , a Bíblia traz-nos o exemplo de Saul, que pedira a morte a um amalecita. Gregos, romanos, espartanos, germanos, sul-americanos praticaram a eutanásia e até os índios brasileiros também tinham o costume de eliminar os velhos. Na Idade Média, usava-se um punhal denominado “misericórdia”, com o qual os soldados livravam os mortalmente feridos de sofrimentos atrozes.

Atualmente, parlamentares dos países desenvolvidos cogitam legitimar a eutanásia, como o fizeram com o aborto. O Parlamento holandês aprovou hoje, 28 de novembro de 2000, por 104 votos a 40, um projeto de lei que legaliza a prática da eutanásia e do suicídio assistido por médicos. A lei deverá ser aprovada pelo Senado, o que é considerado um processo formal, pois a maioria da casa apóia o projeto, sendo a Holanda o primeiro país a autorizar oficialmente esta intervenção médica, tradicionalmente refutada.

Eutanásia não é apenas questão de direito, mas, fundamentalmente, um problema da ética e da medicina, abrangendo a religião e as crenças, interessando à opinião da imprensa, do sociólogo, do filósofo, do escritor e até mesmo do homem do povo.

Normalmente os casos de eutanásia possuem repercussão universal, noticiados que são pela imprensa escrita e falada. Há autores que defendem a tese eutanásica, especialmente pelo móvel da verdadeira piedade humana. Entretanto, a civilização universal ainda não atingiu um grau de aperfeiçoamento que permita a aplicabilidade desse instituto na sua essência.

Eutimia

A palavra grega Eutimia significa equilíbrio do humor (eu=normal; timo=humor). A partir da última CID (Classificação Internacional das Doenças) aparece o termo Distimia (dis=alteração) classificado como um dos tipos de Transtorno Persistente do Humor, onde a principal característica é a tendência constitucional do paciente em viver sob uma tonalidade afetiva tendendo à depressão, durante a maior parte do tempo. Por isso está incluída nos transtornos ditos Persistentes.

Saber exatamente quando o termo Eutimia aparece na história dos sintomas humanos é difícil mas, na obra do filósofo romano Sêneca (4aC-65dC) podemos ter uma ideia da importância do equilíbrio do humor na vida das pessoas. Em A Tranqüilidade da AlmaSereno pede à Sêneca uma orientação sobre importante questão existencial, uma espécie de inconstância da alma que o incomodava. Sêneca responde que “o objeto de tuas aspirações é, aliás, uma grande e nobre coisa, e bem próxima de ser divina, pois que é a ausência da inquietação.

Exibicionismo

Exibicionismo é uma Parafilia cujo foco principal envolve a exposição dos próprios órgãos genitais a um estranho. Às vezes o indivíduo se masturba durante a exposição (ou enquanto fantasia que se expõe). Se o indivíduo age sob a influência desses anseios, geralmente não existe qualquer tentativa de uma atividade sexual adicional com o estranho.

Em alguns casos, o indivíduo está consciente de um desejo de surpreender ou chocar o observador. Em outros casos o indivíduo tem a fantasia sexualmente excitante de que o observador ficará sexualmente excitado. O início em geral ocorre antes dos 18 anos, embora possa começar mais tarde. Poucos indivíduos de grupos etários mais velhos são detidos, o que pode sugerir que a condição se torna menos severa após os 40 anos de idade.

Existencialismo

Existencialismo é o termo usado para designar a filosofia de pensadores que se preocupam com a existência finita do homem no mundo, descartando questões metafísicas como a imortalidade e a transcendência.

Tem sido, o Existencialismo, aplicado a filósofos tão diferentes que há quem negue sua existência como escola de pensamento. Os nomes mais identificados com o existencialismo são os franceses Jean-Paul Sartre (1905-1980) e Maurice Merleau-Ponty (1908-1961). É um movimento do século XX, mas tem fortes raízes na obra de filósofos de origem alemã do século XIX, como Sören Kierkegaard (1813-1855) e Friedrich Nietzsche (1844-1900).

Os existencialistas rejeitam o princípio do cartesianismo de que o homem existe porque pensa. Para eles, o ser humano pensa porque existe. A consciência, para os existencialistas, não antecede a experiência, portanto, o Existencialismo tem um parentesco muito próximo do Empirismo (John Locke).

A consciência é parte da existência que, por sua vez, é construída com a vivência, o contato com outras pessoas e objetos. O próprio homem cria essa existência em função de seus sentimentos, desejos e, principalmente, de suas ações. Ele se forma a partir de suas escolhas.

Por isso, os existencialistas prezam a liberdade e a responsabilidade, ao mesmo tempo em que rejeitam o conformismo. Para Sartre e outros autores, essa posição se estende à política. Depois da 2ª Guerra Mundial, o movimento influenciou muito a literatura.

O Desespero Humano (1844), do teólogo dinamarquês Sören Kierkegaard, é a obra apontada como referência do início do existencialismo, que se modela mais vincadamente a partir da Segunda Guerra Mundial, com Martin Heidegger, Karl Jasper, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Gabriel Marcel, Albert Camus, Samuel Beckett, Franz Kafka e Jacques Maritain, entre outros.

Para Sören Kierkegaard, a angústia é o eixo de rotações da existência, o que se explicita numa abordagem de Rafael Gambra : ” A filosofia daquela época correspondia rigorosamente, segundo o filósofo dinamarquês, ao ambiente cultural que imperava: a burguesia egoísta e preguiçosa, que vivia satisfeita num mundo oficialmente perfeito e livre, que ignorava deliberadamente os trágicos fenômenos do pauperismo, do desenraizamento dos humildes do seu meio, da escravidão mecânica, que se iam gerando nas suas costas, apenas uma palavra voltava, uma e outra vez, à mente de Kierkegaard: Existência“.

Mas é o alemão Heidegger que dá mais substância ao conceito, lhe traça os seus contornos. A existência reduz-se ao Dasein, a única presença em nós, perceptível , perdidos do nada, agarrados à angústia, à mercê da morte. A existência sem sentido, desgarrada do universo inacessível à sua verdade. Do homem fechado em si, no Dasein, decorre o existencialismo do desespero, niilista, trágico.

A esta construção fechada, alguns filósofos franceses abriram uma janela, a procurar alguma luz para a existência, que lhe desse um sentido, ainda que imediato e medido pelo tempo, com um objectivo pragmático, profiter la vie. Para Albert Camus, ” há nos homens mais coisas para admirar que coisas para desesperar.” Se, em L Étranger (1942) o herói se conforma, contentando-se com a liberdade de espírito, em La Peste (1947), o herói actua, procura fazer alguma coisa perante a epidemia : “todos os homens que, não podendo ser santos e que recusam admitir os pesadelos, se esforcem, pelo menos, por serem médicos“. Camus procura tirar partido do que é disponível na existência, toda a sua obra é nimbada pelo sexo, segundo ele, ” as verdades da carne “.

E Sartre prosseguirá, também, na linha da natureza humana, com exclusividade total, marcadamente em L Être et le Néant (1943). Em La Nausée (1938), denuncia todo o suporte existencial tradicional, preconceitos, ideias, credos, como falsidades, pois a existência é em si mesma a única realidade herdada, a única legisladora dos comportamentos. E daqui parte para um novo humanismo, de âmbito social, numa nova perspectiva, em que o profiter la vie não se perca , como razão da existência.

Esta é a atmosfera existencial em seus limites, trágica, que atravessa toda a Modernidade, visão não partilhada pela maioria dos intelectuais, que, mesmo em oposição, em busca de outros caminhos, não deixam de ser testemunhas dos mesmos problemas que angustiam o homem, pois não se pode viver insensível e inocente sob o mesmo tecto histórico. Todas as tradições foram postas em causa. Assistiu-se e assiste-se ao desmoronamento de todas as referências, em movimentos que surgem por todo o lado, como os ” Beatniks ” e os “Hippies”.

Extrapiramidal (Reação, Sintoma)

Sintomas, Efeitos ou Síndromes Extrapiramidais são sinônimos. Significa um estado neurológico normalmente produzido pela Doença de Parkinson ou, mais comumente, como efeito colateral dos neurolépticos ou antipsicóticos; substâncias usadas no tratamento da esquizofrenia e outras psicoses. Neste caso o quadro todo chamar-se-á de Impregnação Neuroléptica.

Entre os possíveis efeitos colaterais provocados pelos neurolépticos o mais estudado é a Impregnação Neuroléptica ou Síndrome Extrapiramidal. É o resultado da interferência medicamentosa na via nigro-estriatal, onde parece haver um balanço entre as atividades dopaminérgicas e colinérgicas.

1 – REAÇÃO DISTÔNICA AGUDA
2 – PARKINSONISMO MEDICAMENTOSO
3 – ACATISIA
4 – DISCINESIA TARDIA
5 – SÍNDROME NEUROLÉPTICA MALIGNA

Desta forma, o bloqueio dos receptores dopaminérgicos provocará uma supremacia da atividade colinérgica e, conseqüentemente, uma liberação de sintomas extra-piramidais. Estes efeitos colaterais, com origem no Sistema Nervoso Central, podem ser divididos em cinco tipos:

1 – REAÇÃO DISTÔNICA AGUDA
Ocorre com freqüência nas primeiras 48 horas de uso de antipsicóticos. Clinicamente observa-se movimentos espasmódicos da musculatura do pescoço, boca, língua e às vezes um tipo de opistótono com crises oculógiras. Deve-se fazer diagnóstico diferencial com a crise convulsiva parcial, tétano e histeria. O tratamento com anticolinérgicos injetáveis (Prometazina – Fenergam® ou Biperideno – Akineton®) no músculo é eficaz em poucos minutos para este quadro agudo.

2 – PARKINSONISMO MEDICAMENTOSO
Geralmente acontece após a primeira semana de uso dos antipsicóticos. Clinicamente há um tremor de extremidades, hipertonia e rigidez muscular, hipercinesia e fácies inexpressiva. O tratamento com anticolinérgicos (antiparkinsonianos) é eficaz. Para prevenir o aparecimento desses desagradáveis efeitos colaterais usamos a Prometazina – Fenergam® ou Biperideno – Akineton® por via oral.

Muitas vezes, pode haver o desaparecimento de tais problemas após 3 meses de utilização do neuroléptico, como se houvesse uma espécie de tolerância ao seu uso. Esse fato favorece uma possível redução progressiva na dose do anticolinérgico que comumente associamos ao antipsicótico no início do tratamento.
Alguns autores preferem utilizar os antiparkinsonianos apenas depois de constatados os efeitos extra-piramidais, entretanto, não pensamos assim. Estabelecendo-se um plano de tratamento para a esquizofrenia, sabendo antecipadamente da cronicidade desse tratamento e, principalmente, se as doses a serem empregadas tiverem que ser um pouco mais incisivas, será quase certa a ocorrência desses efeitos colaterais. Já que o paciente deverá utilizar esses neurolépticos por muito tempo, será sempre desejável que tenham um bom relacionamento com eles. Ora, nenhum paciente aceitará como bem vindo um medicamento capaz de fazê-lo sentir-se mal, como é o caso dos efeitos extra-piramidais.

3 – ACATISIA
Ocorre geralmente após o terceiro dia de uso da medicação. Clinicamente é caracterizado por inquietação psicomotora, desejo incontrolável de movimentar-se e sensação interna de tensão. O paciente assume uma postura típica de levantar-se a cada instante, andar de um lado para outro e, quando compelido a permanecer sentado, não para de mexer suas pernas.

A Acatisia não responde bem aos anticolinérgicos ou ansiolíticos e o clínico é obrigado a decidir entre a manutenção do tratamento antipsicótico com aquelas doses e o desconforto da sintomatologia da Acatisia. Com freqüência é necessário a diminuição da dose ou mudança para outro tipo de antipsicótico. Quando isso acontece normalmente pode-se recorrer aos Antipsicóticos Atípicos.

4 – DISCINESIA TARDIA
Como o próprio nome diz, a discinesia tardia aparece após o uso crônico de antipsicóticos (geralmente após 2 anos). Clinicamente é caracterizada por movimentos involuntários, principalmente da musculatura oro-língua-facial, ocorrendo protrusão da língua com movimentos de varredura látero-lateral, acompanhados de movimentos sincrônicos da mandíbula. O tronco, os ombros e os membros também podem apresentar movimentos discinéticos.

A Discinesia Tardia não responde a nenhum tratamento conhecido, embora em alguns casos possa ser suprimida com a readministração do antipsicótico ou, paradoxalmente, aumentando-se a dose anteriormente utilizada.  Procedimento questionável do ponto de vista médico.

É importante sublinhar que, embora alguns estudos mostrem uma correlação entre o uso de antipsicóticos e esta síndrome, ainda não existem provas conclusivas da participação direta destes medicamentos na etiologia do quadro discinético. Alguns autores afirmam que a discinesia tardia é própria de alguns tipos de esquizofrenia mais deteriorantes.

Quando isso acontece normalmente pode-se recorrer aos Antipsicóticos Atípicos.

5 – SÍNDROME NEUROLÉPTICA MALIGNA
Trata-se de uma forma raríssima de toxicidade provocada pelo antipsicótico. É uma reação adversa dependente mais do agente agredido que do agente agressor, tal como uma espécie de hipersensibilidade à droga. Clinicamente se observa um grave distúrbio extra-piramidal acompanhado por intensa hipertermia (de origem central) e distúrbios autonômicos. Leva a óbito numa proporção de 20 a 30% dos casos. Os elementos fisiopatológicos desta síndrome são objeto de preocupação de pesquisadores e não há, até o momento, nenhuma conclusão sobre o assunto, nem pode-se garantir, com certeza, ser realmente uma conseqüência dos neurolépticos.

 

Extrovertido e Introvertido

A disposição Introvertida ou Extrovertida, caracteriza um traço de personalidade responsável pelo modo de relacionamento da pessoa com a realidade. Como o nome diz, Introvertida é a pessoa que se orienta predominantemente para dentro, se orienta mais para o subjetivo que para o objetivo ou exteriormente dado. O tipo introvertido de personalidade se distingue do tipo extrovertido por se orientar predominantemente por fatores subjetivos e não por elementos objetivos e/ou objetivamente dados. A pessoa introvertida sempre elabora uma opinião subjetiva a partir da percepção do objeto (do mundo), de forma que este tenha, ao lado do objetivamente dado, também e principalmente um caráter subjetivo.

Embora a pessoa com predisposição introvertida também observe as condições exteriores e objetivas, ela elege as determinações subjetivas como os elementos decisivos do existir, portanto, apesar de ser uma pessoa que também se orienta pelos elementos da percepção e do conhecimento como todo mundo, ela supervaloriza o componente subjetivo que ultrapassa a excitação fisiológica dos sentidos.

Nos introvertidos o objeto, os fatos e a realidade concreta provocam manifestações emocionais subjetivas mais fortes que as concepções objetivas que se pode ter deles. Portanto, as concepções subjetivas dos introvertidos são mais poderosas que a influência do próprio objeto e o valor psíquico dessas concepções subjetivas sobrepõem-se a toda e qualquer impressão sensorial que se tem do próprio objeto.

Da mesma forma que para os extrovertidos possa parecer inconcebível que um conceito subjetivo se sobreponha à situação objetiva dos fatos, aos introvertidos também parecerá inconcebível que os valores objetivos dos fatos (objetos) tenha de ser um fator decisivo. Essas posições antagônicas dependem da sensibilidade de cada tipo de personalidade.

Por causa dessa discrepância no contacto com a realidade o extrovertido acabará acreditando que o introvertido é egoísta, vaidoso ou arrogante ideológico.

Parecerá ao extrovertido que o introvertido age sob a influencia de idéias, conceitos, valores éticos, morais, culturais ou mesmo poéticos. O introvertido, devido a sua maneira determinada, normatizadora, francamente generalizadora e, tendo opiniões bem definidas sobre as coisas, será capaz de despertar ainda mais o preconceito dos extrovertidos. A determinação e rigidez do juízo, comuns ao introvertido em relação a tudo que for objetivamente dado, costumam dar a impressão de um forte egocentrismo.

Um exemplo tosco da diferença introvertido-extrovertido seria a sensibilidade necessária ao introvertido para compor uma música e a facilidade do extrovertido em dançar essa música. O arranjo de notas seria o objeto, além do qual exerce sua sensibilidade e subjetivismo o introvertido. A apreensão rítmica (captação do objeto) e coordenação motora é habilidade própria do extrovertido.

Fabulação (ou Confabulação)

A Fabulação ou Confabulação é uma modalidade especial de alteração da memória e atenção que consiste no relato de temas fantásticos os quais, na realidade, nunca aconteceram. São devaneios nos quais o próprio paciente acredita. Em grande parte, resultam de uma alteração da fixação e de uma incapacidade para reconhecer como falsas as imagens produzidas pela fantasia.

O conteúdo das Fabulações, como bem salientou Lange, procede do curso habitual da vida anterior, acontecendo muitas vezes que, achando-se perturbada a capacidade de localizá-las no tempo, lembranças isoladas autênticas completam erroneamente as lacunas da memória.

Confabulação ou Fabulação serve para preencher um vazio da memória que o paciente sente e se mostram como se fosse criada para este fim, podendo variar de tema e conteúdo. No sentido mais particular, a Fabulação é um sintoma de comprometimento orgânico, normalmente denunciando um estado pré-demencial senil ou já uma demência franca.

Confabulação aparece como um sintoma das síndromes amnésicas, demenciais e afásicas, admitindo-se que esteja relacionada às alterações de memória e da consciência.

A síndrome demencial conhecida por Psicose de Korsakoff , devido à carência de Vitamina B1 (tiamina), traumas cranianos, encefalite herpética, intoxicação pelo monóxido de carbono e indiretamente mas muito comumente ao alcoolismo agudo, por envolver danos à memória e a cognição, tem como sintoma mais distinto a Confabulação, quando a pessoa cria histórias detalhadas e verossímeis sobre experiências ou situações para compensar os lapsos de memória.

 

Fadiga Crônica

Existem duas patologias incaracterísticas, tidas até bem pouco tempo, como fingimento, preguiça, má vontade e manha mas que, atualmente foram identificados e diagnósticados como verdadeiras síndromes de causa desconhecida e quadro clínico bem definido. Trata-se da Fibromialgia, um quadro de dores generalizadas pelo corpo todo e da Síndrome da Fadiga Crônica. Ambas patologias estão associadas à estados emocionais desencadeantes ou agravantes, daí a inclusão delas no capítulo das Doenças Psicossomáticas.

Síndrome da Fadiga Crônica (SFC) é uma condição caracterizada por fadiga prolongada e debilitante, acompanhada por vários sintomas inespecíficos como dores de cabeça, repetidas inflamações de garganta, dores musculares e nas articulações e perturbações cognitivas, como por exemplo, lapsos de memória e dificuldade de concentração.

A fadiga intensa é o elemento principal da síndrome e pode aparecer repentinamente ou se instalar gradualmente. A Síndrome da Fadiga Crônica está incluída no capítulo das Doenças Psicossomáticas. O diagnóstico da Síndrome da Fadiga Crônica requer que os sintomas relatados tenham uma história de, pelo menos, seis meses de duração. De modo geral a maioria dos pacientes se queixa de padecer por anos de um quadro extremamente incapacitante e mal entendido, tanto por pessoas leigas, como também por muitos profissionais de saúde.

Está cada vez mais freqüente a queixa de pessoas que têm “cansaço ” crônico quando acabam de acordar e quando voltam das férias. É a Síndrome da Fadiga Crônica (SFC) da qual não se sabe a causa, mas está associada a uma alteração do eixo hipotálamo-hipofisário incluindo a supra-renal, por isso há um nível baixo de cortisona no sangue.

Fanatismo

Fanatismo é o mesmo que Ideias Supervalorizadas. Há situações onde ocorre uma predominância dos afetos sobre a reflexão consciente, com subseqüente alteração do juízo da realidade e com repercussões secundárias no comportamento social do indivíduo. As Ideias Supervalorizadas são conhecidas também como Ideias Prevalentes ou Ideias Superestimadas. É quando o pensamento se centraliza obsessivamente num tópico especialmente definido e carregado de uma enorme carga afetiva.

A imagem literária através da qual se estigmatiza o possuidor das Ideias Supervalorizadas é a do indivíduo fanático, cuja convicção acerca de sua Ideia Superestimada desafia toda argumentação em sentido contrário, inclusive a contra-argumentação embasada em elementos lógicos e razoáveis.

Tendo em vista a grande força sentimental propulsora da convicção prevalente, tal pensamento passa a ser dirigido exclusivamente pela emoção, comumente por uma emoção doentia e com total descaso para com a lógica ou para com a razão.

 

Fantasia

Fantasia é um Mecanismo de Defesa que proporciona uma satisfação ilusória para os desejos que não se podem realizar- o inconsciente cria uma satisfação-substituta que fica em lugar da realidade. É um mecanismo defensivo que alivia a tensão, permitindo uma liberação ilusória da realidade não-satisfeita, ou uma satisfação imaginária dos desejos, cuja satisfação real tenha sido proibida pela repressão.

A  fantasia é uma síntese integrada de idéias, sentimentos, interpretações e memória, predominando elementos instintivos e afetivos. Através da satisfação-substituta e omitindo a realidade, a fantasia pode ajudar a resolver os conflitos e prevenir a progressão da angústia. Freud demonstrou que os sonhos e a fantasia são processos que visam a avaliar a angústia.

Quando em doses moderadas a fantasia pode contribuir para a adaptação do indivíduo, já que proporciona a eliminação da angústia e permite que o indivíduo enfrente de novo o problema respectivo.

Entretanto, uma dose constante e profunda de fantasia e devaneio pode fazer com que a pessoa se desvie da realidade, acostumando-se a um mundo irreal e quando ela “acordar para a vida” sentirá mais dificuldades para enfrentar os problemas concretos.

Da mesma forma como a moderação e o exagero, na fantasia, podem ser benéfica e prejudicial respectivamente, também existem fantasias que poderiam ser classificadas de “positivas” (que permitem autodefesa e auto-afirmação), e fantasia “negativas” (que levam o indivíduo a imaginar prolongadamente aspectos contrários ou infelizes da vida, possibilidades de erros, dificuldades às vezes até impossíveis).

Fenótipo

Entende-se por Fenótipo o estado atual no qual se encontra o indivíduo aqui e agora, por Genótipo entende-se seu patrimônio genético e, em nosso caso, por Ambiente nos referimos às influências do destino sobre o desenvolvimento do ser.

De maneira geral, o estado em que se apresenta o indivíduo num dado momento deve ser entendido como uma conjugação entre seu patrimônio genético e a influência ambiental a que se submeteu. Em outras palavras, uma somatória daquilo que ele trouxe para a vida com aquilo que a vida lhe deu. Podemos assim, considerar a Personalidade como sendo composta de elementos constitucionais ou genotípicos e de elemento ambientais ou paratipicos.  O resultado final do indivíduo, tal como se encontra no momento atual, será o seu fenótipo.

A discussão acerca da preponderância de elementos ambientais ou constitucionais na gênese da Personalidade é antiga, acirrada, infindável e inconclusiva. A tendência moderna e Politicamente Correta seria entender a pessoa como um resultado de influência preponderantemente ambiental mas, como o Politicamente Correto sempre se caracteriza por acentuada demagogia, melhor seria uma concepção mais sensata.

Fetichismo

O foco parafílico no Fetichismo envolve o uso de objetos inanimados (“fetiches”). Entre os objetos de fetiche mais comuns estão calcinhas, soutiens, meias, sapatos, botas ou outras peças do vestuário feminino.

O indivíduo com Fetichismo freqüentemente se masturba enquanto segura, esfrega ou cheira o objeto do fetiche ou pode pedir que o parceiro sexual use o objeto durante seus encontros sexuais. Em geral o fetiche é exigido ou enfaticamente preferido para a excitação sexual, podendo os homens, em sua ausência, apresentar disfunção erétil.

Esta Parafilia não é diagnosticada quando os fetiches se restringem a artigos do vestuário feminino usados no transvestismo, como no Fetichismo Transvéstico, ou quando o objeto é genitalmente estimulante porque foi concebido com esta finalidade (por ex., vibrador). Em geral, a Parafilia inicia na adolescência, embora o fetiche possa ter sido investido de uma importância especial na infância. Uma vez estabelecido, o Fetichismo tende a ser crônico.

 

Fibromialgia

Fibromialgia é uma desordem que causa dor muscular e fadiga. Pessoas com fibromialgia tem “pontos sensíveis” no corpo, que são lugares específicos no pescoço, ombros, costas, braços, quadril e pernas. Esses pontos doem quando pressionados. 

Os dados epidemiológicos referentes à prevalência da fibromialgia são variáveis, de acordo com diferentes estudos, dependendo da população avaliada, dos autores e da metodologia aplicada.

Em estudos norte-americanos e europeus a prevalência encontrada foi de 2,1% na prática clínica de família, 5,7% na clínica geral, 5% a 8% em pacientes hospitalizados e chegando a 14% a 20% dos atendimentos em reumatologia.

Existe forte predominância do sexo feminino (80% a 90% dos casos), com um pico de incidência entre os 30 e os 50 anos de idade, podendo manifestar-se em crianças, adolescentes e indivíduos mais idosos.

 

Fissura (Craving)

Desde a década de 1980, o foco no diagnóstico de Dependência Química deslocou-se gradualmente de sinais de tolerância e abstinência para a observação do comportamento do dependente. Com isso ganhou importância os conceitos de Fissura, de perda de controle, e de manutenção do comportamento. A Fissura recebeu maior atenção como um fenômeno crítico e típico da dependência, sendo definida como o desejo ou a memória de uma experiência agradável sobreposta a um estado afetivo negativo do indivíduo.

O temperamento, uma das dimensões da personalidade, também ganhou importância nos estudos sobre dependência, sendo definido como a diferença individual dos comportamentos frente às motivações. Atualmente a Fissura é um fenômeno central nas dependências, e os fatores do temperamento também são importantes para a adição ao jogo e outras patologias.

Craving ou, em português, Fissura, é a mudança no comportamento devido a uma necessidade imperiosa de uma substância psicoativa ou de seus efeitos intoxicantes. O Craving é um termo popular usado para o mecanismo que se supõe estar na base do controle do impulso do dependente químico. Alguns acreditam que esse desejo aumente, pelo menos parcialmente, como resultado de associações condicionadas que evocam respostas de abstinência condicionada.

A cocaína apresenta algumas características diferentes em relação a outras drogas de dependência, como a intensa propriedade de reforço do consumo associada à sintomatologia de abstinência. Apesar de os sintomas da abstinência de cocaína serem pouco específicos, o potencial de reforço parece ser responsável pelo intenso desejo de consumo na abstinência, que é a Fissura ou Craving, responsável maior pelas recaídas durante o tratamento.

Fixação

Fixação é o Mecanismo de Defesa que consiste numa parada no processo de desenvolvimento da personalidade, em uma etapa sem independência completa, madura e uniforme. É um mecanismo que foi primeiramente estudado por Freud, explicando que certas situações infantis (de frustração ou de satisfação intensa, especialmente em algumas partes do corpo) podem continuar provocando e proporcionando experiências de alívio ou então de ansiedades exageradas.

Da infância até a fase adulta, deve haver um desenvolvimento, uma diferenciação e uma maturidade progressiva nos vários aspectos (instintivo, emocional etc.) da personalidade. Esse desenvolvimento progressivo deve verificar-se não apenas nos aspectos psicossexuais da personalidade, mas também nos métodos de pensamento, na maneira de encarar situações difíceis e frustrações, na maneira de manejar a realidade, e ainda na maneira de controlar e de exprimir as emoções e os instintos. Entretanto, nesse processo de desenvolvimento pode acontecer de surgir uma parada, o que provoca uma etapa incompleta da evolução do indivíduo, permanecendo então alguns elementos imaturos na sua personalidade.

Fixação mostra que o indivíduo, não podendo satisfazer normalmente e no tempo certo suas necessidades, vai então continuar procurando essa satisfação através da sua existência. Dentre as causas da fixação podem-se citar: frustrações exageradas que ocorrem ou podem ocorrer na infância; satisfação exagerada durante a infância (portanto, é causa oposta à anterior); educação descontinuada e marcada por atitudes contrárias entre si, isto é, educação caracterizada por alternações anárquicas de um extremo ao outro, quer dizer, da frustração forte à satisfação excessiva.

Esses fatores podem provocar um despreparo no indivíduo para manter o desenvolvimento normal da personalidade, sobrevindo por isso o mecanismo da Fixação. A rigidez a que o indivíduo fica preso, pela fixação, o impede de fazer os ajustamentos adaptativos que as variações de situações da vida normalmente exigem de todos nós.

 

Flash Back

Fenômeno pelo qual uma pessoa que tenha consumido, no passado, algum alucinógeno, de repente e sem consumo atual, volta a experimentar o estado de consciência alterada do consumo prévio. Traduz-se como um transtorno perceptivo persistente por alucinógenos.

Fobia

Fobia é um medo específico intenso o qual, na maioria das vezes, é projetado para o exterior através de manifestações próprias do organismo. Essas manifestações normalmente tocam ao sistema neurovegetativo, tais como: vertigens, pânico, palpitações, distúrbios gastrintestinais, sudorese e perda da consciência por lipotimia. As manifestações autossômicas externadas pela fobia têm lugar sempre que o paciente se depara com o objeto (ou situação) fóbico.

O pensamento fóbico é tão automático quanto o obsessivo e o paciente tem plena consciência do absurdo de seus temores ou, ao menos, sabem-no como completamente infundados na intensidade que se manifestam. Resistem, os temores, a qualquer argumentação sensata e lógica.

Aliás, o medo só será fóbico quando considerado injustificável pelo próprio paciente e, concomitantemente, for capaz de produzir reações adversas comandadas pelo sistema nervoso autônomo.

 

Fóbico, Transtorno

A diferença entre a Fobia sintoma e o Transtorno Fóbico, deve serconsiderada como a diferença que se faz entre o sintoma e a doença. A Fobia, como sintoma faz parte da alteração do pensamento, aparece como um medo imotivado e patológico, ilógico e especificamente orientado para um determinado objeto ou situação. Normalmente é acompanhada de intensa ansiedade e outros sintomas autossômicos. O Transtorno Fóbico-Ansioso se caracteriza, exatamente, pela prevalência da Fobia sintoma entre os demais sintomas de ansiedade, ou seja, um medo anormal, desproporcional e persistente diante de um objeto ou situação específica.

Dentro dos quadros fóbicos-ansiosos destacam-se três tipos:

1 – Agorafobia;
2 – Fobia Social e;
3 – Fobia Específica.

AGORAFOBIA pode ser vista nesta página. A FOBIA ESPECÍFICA (anteriormente Fobia Simples) tem como característica essencial o medo acentuado e persistente de objetos ou situações claramente discerníveis e circunscritos. A exposição ao estímulo fóbico provoca, quase invariavelmente, imediata resposta de ansiedade com muitos sintomas físicos. A FOBIA SOCIAL também é um quadro fóbico-ansioso e está nesta página.

Formação Reativa

Formação Reativa é um dos Mecanismos de Defesa descritos por Freud. Esse Mecanismos de Defesa substitui comportamentos e sentimentos que são diametralmente opostos ao desejo real. Trata-se de uma inversão clara e, em geral, inconsciente do verdadeiro desejo. Como outros mecanismos de defesa, as formações reativas são desenvolvidas, em primeiro lugar, na infância.

As crianças, assim como incontáveis adultos, tornam-se conscientes da excitação sexual que não pode ser satisfeita, evocam conseqüentemente forças psíquicas opostas a fim de suprimirem efetivamente este desprazer. Para essa supressão elas costumam construir barreiras mentais contrárias ao verdadeiro sentimento sexual, como por exemplo, a repugnância, a vergonha e a moralidade.

Não só a ideia original é reprimida, mas qualquer vergonha ou auto-reprovação que poderiam surgir ao admitir tais pensamentos em si próprios também são excluídas da consciência.

Infelizmente, os efeitos colaterais da Formação Reativa podem prejudicar os relacionamentos sociais. As principais características reveladoras de Formação Reativa são seu excesso, sua rigidez e sua extravagância. O impulso, sendo negado, tem que ser cada vez mais ocultado.

Através da Formação Reativa, alguns pais são incapazes de admitir um certo ressentimento em relação aos filhos, acabam interferindo exageradamente em suas vidas, sob o pretexto de estarem preocupados com seu bem-estar e segurança. Nesses casos a superproteção é, na verdade, uma forma de punição. O esposo pleno de raiva contra sua esposa pode manifestar sua Formação Reativa tratando-a com formalidade exagerada: “não é querida…” A Formação Reativa oculta partes da personalidade e restringe a capacidade de uma pessoa responder a eventos e, dessa forma, a personalidade pode tornar-se relativamente inflexível.

Frangofilia

Dentre os impulsos dirigidos contra objetos, destacamos a chamada Frangofilia, o impulso ao estraçalhamento de roupas, vestes, travesseiros, colchões, móveis, etc., numa expressão de hostilidade ativa e incontida ao mundo material. A Frangofilia pode ocorrer nos episódios de euforia do Transtorno Afetivo Bipolar, no caso de oligofrênicos, na agitação catatônica e em estados demenciais, senis e pré-senis. Quando ocorre na excitação maníaca a Frangofilia transcorre sem obnubilação da consciência.

Veja:
IMPULSOS PATOLÓGICOS
Impulsos Agressivos-Destrutivos
Frangofilia
Piromania
Dromomania
Dipsomania
Cleptomania
Jogo Patológico
ESTADOS DE EXCITAÇÃO
Estereotipias

Fuga Psicogênica (ou Dissociativa)

A característica essencial da Fuga Dissociativa é uma viagem súbita e inesperada para longe de casa ou do local costumeiro de atividades diárias do indivíduo, com incapacidade de recordar parte ou todo o próprio passado. Isto é acompanhado por confusão acerca da identidade pessoal ou mesmo adoção de uma nova identidade. A perturbação não ocorre exclusivamente durante o curso de um Transtorno Dissociativo de Identidade nem se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou de uma condição médica geral.

Os sintomas devem causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

A viagem pode variar desde breves afastamentos durante períodos relativamente curtos (isto é, horas ou dias), até roteiros complexos, geralmente discretos, por longos períodos (por ex., semanas ou meses); há relatos de indivíduos que cruzam diversas fronteiras nacionais e viajam milhares de quilômetros. Durante uma fuga, os indivíduos em geral parecem não ter psicopatologia e não despertam atenção. Em algum momento, o indivíduo é levado à atenção clínica, geralmente por causa de amnésia para eventos recentes ou falta de consciência da identidade pessoal. Retornando ao estado pré-fuga, a pessoa pode não recordar o que ocorreu durante a fuga.

A maioria das fugas não envolve a formação de uma nova identidade. Se uma nova identidade é assumida durante a fuga, esta habitualmente é caracterizada por traços mais gregários e desinibidos do que os que caracterizavam a identidade anterior. A pessoa pode assumir um novo nome, uma nova residência e envolver-se em atividades sociais complexas e bem integradas, que não sugerem a presença de um transtorno mental.

Frotteurismo

O foco parafílico do Frotteurismo envolve tocar e esfregar-se em uma pessoa sem seu consentimento. O comportamento geralmente ocorre em locais com grande concentração de pessoas, dos quais o indivíduo pode escapar mais facilmente de uma detenção (por ex., calçadas movimentadas ou veículos de transporte coletivo). Ele esfrega seus genitais contra as coxas e nádegas ou acaricia com as mãos a genitália ou os seios da vítima.  Ao fazê-lo, o indivíduo geralmente fantasia um relacionamento exclusivo e  Veja Frotteurismo em Transtornos da Sexualidade, DSM.IV.

Frustração

Frustração é um sentimento experimentado por alguém que não consegue ver realizado o objetivo idealizado.

A Frustração será tanto maior quanto menor for a segurança do indivíduo e quanto mais forte for a atração exercida pelo objetivo não conquistado.

Frustração pode ocorrer de vários modos. Pode se dar quando alguma pessoa ou objeto, ou ainda um estado de coisas, bloqueia o caminho que conduz o indivíduo à sua meta. Um aluno pode sentir-se frustrado por não passar no exame oral porque o professor o perseguiu. O caçador pode sentir-se frustrado porque, no momento preciso, seu fuzil falhou. Outra pessoa pode sentir-se frustrada porque as chuvas vieram arruinar seu programa de fim de semana. Todos esses são exemplos oriundos do ambiente.

Algumas frustrações são de origem intra-psíquica, quando são encontradas dentro do próprio indivíduo. Suas próprias limitações podem impedi-lo de realizar determinadas metas.
Uma terceira fonte de Frustração é o conflito motivacional. A pessoa deixa de satisfazer uma necessidade por não conseguir fazer uma escolha entre as várias alternativas que se lhe apresentam.

Seria, por exemplo, para o indivíduo uma fonte de Frustração a indecisão entre a vontade de economizar dinheiro e o desejo de comprar uma roupa nova.

Fuga de Ideias

Fuga de Ideias é uma alteração da expressão do pensamento caracterizada por uma variação incessante do tema e uma dificuldade importante para se chegar a uma conclusão. A progressão do pensamento encontra-se seriamente comprometida por uma aceleração associativa, a tal ponto que, a ideia em curso é sempre perturbada por uma nova ideia que se forma. Segundo Bleuler, na Fuga de Ideias os doentes geralmente são desviados da representação do objetivo através de quaisquer ideias secundárias.

Assim, no pensamento com Fuga de Ideias, o que há não é uma carência de objetivos mas uma mudança constante do objetivo devido a extraordinária velocidade no fluxo das idéias.

A sucessão de novas ideias, sem que haja conclusão da primeira, torna o discurso pouco ou nada inteligível. Há, pois, passagem de um assunto para outro sem que o primeiro tenha chegado ao fim: “eu não gosto de batatas, mas acho que em São Paulo o clima é melhor. Porque o senhor não compra um carro novo?”

Normalmente costumamos observar 4 características na Fuga de Ideias:

1. Desordem e falta aparente de finalidade das operações intelectuais: mesmo quando há certa relação entre os conceitos, o conjunto carece de sentido e de significado;
2. Predomínio de associações disparatados;
3. Distraibilidade. Facilidade de se desviar do curso do pensamento sob a influência dos estímulos exteriores;
4. Freqüente aceleração do ritmo da expressão verbal.

 

Furor

Furor é um grau extremo de cólera que se traduz por conduta extremamente agressiva e agitada, normalmente acompanhada de estreitamento da consciência. O Furor comumente pode estar associado aos Estados Crepusculares, onde passa a ser acompanhado de automatismo motor, quase sempre com atitudes sem objetivo prático e expressão facial sugestiva de medo ou agressividade.

Quando o Estado Crepuscular é acompanhado de Furor, podemos falar em Furor Epiléptico, distúrbio responsável por graves danos sociais e familiares. Passado o episódio, normalmente o paciente não guarda uma lembrança nítida do ocorrido. Durante estes Estados Crepusculares podem ser cometidos delitos violentos.