Dicionário – NOPQ

O Dicionário de termos psiquiátricos contém muitas palavras explicadas didaticamente.

Narcisismo

Narcisismo é o sentimento emotivo de amor dirigido a si próprio, ao próprio indivíduo (homem ou mulher). O termo foi criado por Freud.

Segundo Freud, trata-se de um sentimento até certo ponto natural, especialmente nas crianças. Entretanto, pode se manifestar na idade adulta como uma irregularidade provocada às vezes por conflitos, desajustes sexuais, decepções amorosas, etc.

Segundo a Psicanálise, o Narcisismo leva a eleger-se a si próprio como objeto de amor, em vez de essa emoção ser dirigida a outra pessoa do sexo oposto; a libido é dirigida anormalmente ao próprio eu.

Narcolepsia

Na Narcolepsia o sintoma mais expressivo é a sonolência diurna excessiva, colocando o paciente em perigo durante a realização de tarefas comuns, como dirigir, operar certos tipos de máquinas e outras ações que exigem concentração. Isso faz com que a pessoa passe a apresentar dificuldades no trabalho, na escola e, até mesmo, em casa.

Na grande maioria dos casos esse transtorno é incompreendido por familiares, amigos e patrões, associando-o mais comumente à displicência, negligência, preguiça e coisas assim. A sonolência da Narcolepsia geralmente é confundida com uma situação normal, o que leva a uma dificuldade de diagnóstico.

É comum portadores da narcolepsia passarem a vida inteira sem se darem conta que o seu quadro é motivado por uma doença, sendo tachados por todo esse tempo de preguiçosos e dorminhocos. No entanto, se o narcoléptico procurar ajuda especializada, vai descobrir que é vítima de um mal crônico, cujo tratamento é feito por meio de estimulantes e que pode se prolongar por toda a vida. As manifestações da Narcolepsia, principiando pela sonolência diurna excessiva, começam geralmente na adolescência.

Há outro distúrbio do sono geralmente confundido com Narcolepsia; a Catalepsia que é um estado de plasticidade motora no qual o indivíduo conserva as posições que lhe são dadas, como se se tratasse de um boneco de cera (flexibilidade cerosa). Os músculos tornam se como mecânicos, sem vida e sem potência. A Catalepsia pode ser observada, sobretudo, na Esquizofrenia, notadamente do tipo Catatônica e no sono hipnótico, caracterizando-se por uma perturbação psicomotora capaz de cessar bruscamente todos movimentos voluntários, sem que haja lesão dos músculos.

Catalepsia caracteriza-se ainda pela manutenção da atitude ou posição em que se encontrava o paciente no momento do ataque. Durante a perturbação o doente conserva o uso perfeito das faculdades, da inteligência e da percepção, mas fica impossibilitado de responder às questões que lhe são propostas. Os membros se tornam moles, mas não ha contrações, embora os músculos se apresentem mais ou menos rijos. A Catalepsia ocorre em determinadas doenças nervosas, debilidade mental, histeria, intoxicações e alcoolismo.

 

Necrofilia

Necrofilia é um tipo de Parafilia onde a pessoa sente impulso e atração sexual por cadáveres. Parafilias são transtornos da sexualidade caracterizados por anseios, fantasias ou comportamentos sexuais recorrentes e intensos que envolvem objetos, atividades ou situações incomuns e causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

No DSM.IV a Necrofilia está incluída em Parafilia Sem Outra Especificação. Esta categoria é incluída para a codificação de Parafilias que não satisfazem os critérios para qualquer das categorias específicas. Incluem-se aqui a escatologia telefônica (telefonemas obscenos), necrofilia (cadáveres), parcialismo (foco exclusivo em uma parte do corpo), zoofilia (animais), coprofilia (fezes), clismafilia (enemas) e urofilia (urina), entre outras.

Na CID.10 a Necrofilia está classificada em OUTROS TRANSTORNOS DA PREFERÊNCIA SEXUAL. Coloca-a junto com diversas outras modalidades da preferência e do comportamento sexual tais como o fato de dizer obscenidade por telefone, esfregar-se contra outro em locais públicos com aglomeração, a atividade sexual com um animal, o emprego de estrangulamento ou anóxia para aumentar a excitação sexual.

Negação

Negação é um dos Mecanismos de Defesa descritos por Freud. A Negação é a tentativa de não aceitar na consciência algum fato que perturba o Ego. Os adultos têm a tendência de fantasiar que certos acontecimentos não são, de fato, do jeito que são, ou que na verdade nunca aconteceram. Este vôo de fantasia pode tomar várias formas, algumas das quais parecem absurdas ao observador objetivo. A seguinte estória é uma ilustração da negação:

Uma mulher foi levada à Corte a pedido de seu vizinho. Esse vizinho acusava a mulher de ter pego e danificado um vaso valioso. Quando chegou a hora da mulher se defender, sua defesa foi tripla: “Em primeiro lugar, nunca tomei o vaso emprestado. Em segundo lugar, estava lascado quando eu o peguei. Finalmente, Sua Excelência, eu o devolvi em perfeito estado“.

A notável capacidade de lembrar-se incorretamente de fatos é a forma de negação encontrada com maior freqüência na prática psicoterápica. O paciente recorda-se de um acontecimento de forma vívida, depois, mais tarde, pode lembrar-se do incidente de maneira diferente e, de súbito, dar-se conta de que a primeira versão era uma construção defensiva.

Para exemplificar a NegaçãoFreud citou Darwin, que em sua autobiografia dizia obedecer a uma regra de ouro: sempre que eu deparava com um fato publicado, uma nova observação ou pensamento, que se opunha aos meus resultados gerais, eu imediatamente anotava isso sem errar, porque a experiência me ensinou que tais fatos e pensamentos fogem da memória com muito maior facilidade que os fatos que nos são totalmente favoráveis.

Negligência Precoce

Negligência Precoce é a situação onde não há uma interação satisfatória entre mãe e filho durante uma fase crítica na vida da criança. Essa ocorrência caracteriza uma das condições capazes de interferir no desenvolvimento infantil.

Dependendo da dimensão psicológica e neurológica dessa Negligência Precoce, mesmo que a criança tenha recebido cuidados materiais e físicos adequados mas, tenha sido, esse relacionamento, emocionalmente indiferente ou carente, os danos causados podem ser permanentes.

Nervoso Autônomo, Sistema

Existe, no organismo, um Sistema Nervoso Autônomo (SNA), responsável pelo gerenciamento de todas nossas vísceras, órgãos e glândulas. Esse SNA se equilibra em dois sub-sistemas: o Simpático e o Parassimpático. Enquanto o Sistema Simpático, do SNA, acelera tudo, faz subir a pressão, faz aumentar o batimento cardíaco, etc, o Sistema Parassimpático faz exatamente o contrário. Isso para haver um equilíbrio.

Em um susto, por exemplo, primeiro funciona o Simpático e em seguida é equilibrado pelo Parassimpático. O Estado de Desequilíbrio Neurovegetativo é uma antiga expressão que se refere a uma ruptura desse equilíbrio, normalmente devido ao estresse ou ansiedade muito intensa e duradoura. Passa, então a prevalescer ou os sintomas produzidos pelo Simpático ou do Parassimpático.

 

Neurastenia

Neurastenia é uma condição mental caracterizada por um estado de astenia física e psíquica, pela incapacidade de fazer qualquer esforço, por preocupações com a saúde, por uma irritabilidade marcante, cefaléia e distúrbios no sono. A neurastenia por ocorrer como conseqüência de esgotamento emocional, evoluindo de maneira mais ou menos longa, mas com possibilidade de cura na maioria dos casos.

Neurastenia constitui uma forma neurótica difícil de precisar, devido à complexidade e variabilidade dos sintomas. Alguns estudiosos chegam a enquadrá-la na psicastenia, enquanto outros estabelecem numerosas distinções. De uma maneira geral, costuma-se distinguir entre uma neurastenia endógena. que se desenvolve s6bre um terreno constitucional com predisposição específica, e uma neurastenia adquirida em conseqüência de traumas emotivos, cansaço excessivo, etc.

Apresentam-se como sintomas característicos da Neurastenia a insônia, pouca resistência à distração, à irritabilidade, à depressão mental e as dores de cabeça. Tratando-se principalmente de um distúrbio da personalidade, o comportamento do indivíduo sofre transformações que dificultam sua adaptação social e levam-no a uma marginalidade, assim como à ocorrência de fobias, desconfiança, tendência para mistificação. Segundo alguns psicanalistas, a Neurastenia seria uma regressão à personalidade infantil. Insistem também no caráter narcisista da neurastenia.

Neurastenia é uma síndrome descrita freqüentemente em muitas partes do mundo, caracterizada por fadiga e fraqueza, é classificada no DSM-IV como Transtorno Somatoforme Indiferenciado, se os sintomas persistirem por mais de 6 meses.

Segundo a CID.10, existem variações culturais consideráveis para a apresentação deste transtorno, sendo que dois tipos principais ocorrem, com considerável superposição. No primeiro tipo, a característica essencial é a de uma queixa relacionada com a existência de uma maior fatigabilidade que ocorre após esforços mentais freqüentemente associada a uma certa diminuição do desempenho profissional e da capacidade de fazer face às tarefas cotidianas.

A fatigabilidade mental é descrita tipicamente como uma intrusão desagradável de associações ou de lembranças que distraem, dificuldade de concentração e pensamento geralmente ineficiente.

No segundo tipo, a ênfase se dá mais em sensações de fraqueza corporal ou física e um sentimento de esgotamento após esforços mínimos, acompanhados de um sentimento de dores musculares e incapacidade para relaxar. Em ambos os tipos há habitualmente vários outras sensações físicas desagradáveis, tais como vertigens, cefaléias tensionais e uma impressão de instabilidade global.

São comuns, além disto, inquietudes com relação a uma degradação da saúde mental e física, irritabilidade, anedonia, depressão e ansiedade menores e variáveis. O sono freqüentemente está perturbado nas suas fases inicial e média mas a hipersonia pode também ser proeminente.

Neuroreceptor Adrenérgico Alpha1

Neuroreceptor Adrenérgico Alpha1 é um neuroreceptor relacionado à ativação de fosfolipase Cß, com preferência mediante proteínas Gq.

Neuroreceptor Adrenérgico Alpha2

Neuroreceptor Adrenérgico Alpha2 é um neuroreceptor relacionado à inibição de adenil ciclase, com preferência mediante proteínas Gi, e, em alguns tecidos, à regulação dos canais de cálcio e potássio.

Neuroreceptor Adrenérgico Beta1

Neuroreceptor Adrenérgico Beta 1 é um neuroreceptor de adrenalina localizado no músculo cardíaco e no cérebro, cuja estimulação aumenta a freqüência cardíaca.

Neuroreceptor Adrenérgico Beta3

Neuroreceptor Adrenérgico Beta 3 é um neuroreceptor situados exclusivamente em lugares como o tecido adiposo e a vesícula biliar, com uma possível função estimuladora da lipólise e geradora de calor no tecido gorduroso. Conseqüentemente, os agonistas dos receptores adrenérgicos ß3 quiçá sejam medicamentos úteis no tratamento da obesidade.

Neuroreceptor de Dopamina

Neuroreceptor de Dopamina é qualquer dos múltiplos receptores de dopamina do cérebro (D1 a D5) que possua um local específico. Existem dois subtipos diferentes de receptores de dopamina (D1 e D2). Mesmo assim, mediante técnicas de biologia molecular tem-se caracterizado dois subtipos distintos de receptores similares a D1 (D1 e D5) e três subtipos relacionados com D2 (D2, D3 e D4).

Os diversos fármacos podem exercer uma ação seletiva ou específica sobre um desses receptores. Todos os neurolépticos com ação antipsicótica são antagonistas de dopamina e bloqueiam suas ações.

 

Neuroreceptor de Dopamina D1

Neuroreceptor de Dopamina D1: Primeiro receptor de dopamina descoberto que se localiza principalmente nos neurônios estriados. Sua ativação estimula a atividade adenilato ciclase, seu bloqueio impede a estimulação dessa enzima por antagonistas D1 e a administração crônica de um antagonista incrementa a densidade de receptores. O antipsicótico atípico clozapina aumenta os receptores D1 e se associa com uma incidência muito menor de reações extrapiramidais e discinesia tardia.

O receptor de dopamina D1 foi o primeiro subtipo de receptor em que se descreveu um sistema bioquímico efetor. Os estudos com tomografia de emissão de pósitrons em pacientes tratados com clozapina e flupentixol mostram uma ocupação de D1 por este último fármaco de 36% a 44%, enquanto que com clozapina é de 38% a 52%.

A ocupação de D1 induzida por clozapina e flupentixol pode contribuir para seus efeitos antipsicóticos. O grupo D1 contém dois subtipos de receptores: D1 e D5. A afinidade pelos receptores D2 o D1 não é um pré-requisito para a eficácia dos antipsicóticos.

 

Neuroreceptor de Dopamina D4

Neuroreceptor de Dopamina D4: Tipo de receptor de dopamina que compartilha a estrutura com o receptor D2 mas que, a diferença dele, se localiza em regiões corticais.

A autorradiografia quantificada tem permitido localizar a distribuição regional do presente receptor D4 na seguinte ordem: hipocampo > caudado, putamem > tubérculo olfatório = substância negra > núcleo acumbens central > córtex cerebral >. Os receptores de dopamina possuem uma grande afinidade por o antipsicótico atípico clozapina. Além disso, o fato de que esses receptores abundem nas regiões límbica e cortical, e escasseiam no núcleo estriado normal, concorda com as características clínicas da clozapina.

Portanto, o D4 se considera um objetivo prometedor sobre o que atuaram os futuros antipsicóticos. Em a esquizofrenia, os receptores D4 se encontram aumentados em um 500%, enquanto que a densidade dos receptores D2 só é 15% maior.

Neuroreceptor de GABA

Neuroreceptor de GABA: Neuroreceptor do ácido gamma aminobutírico (GABA), localizado no sistema nervoso central. Geralmente, esses receptores exercem uma influência inibidora da descarga neuronal mediante sua ação sobre os canais de cloro. Também contém um lugar de união para benzodiacepinas, que estimula a potência da inibição do neurônio quando um agonista benzodiacepínico se une ao receptor. Em os vertebrados existem dos subtipos principais de receptores GABA: GABAA e GABAB. Ambos tipos tem-se localizado em zonas pré e pós sináptica, e se acredita que participam de forma independente na transmissão sináptica.

Neuroreceptor de GABAA

euroreceptor de GABAA: Proteína macromolecular composta por um canal de cloro com controle de porta por receptor, uma zona de reconhecimento do ácido gamma aminobutírico (GABA), e diferentes lugares de união moduladores para benzodiacepinas, picrotoxina, barbitúricos e esteróides anestésicos.

Esta classe de receptor compreende, ao menos, quatro subunidades protêicas oligoméricas transmembrana, homólogas mas diferentes (a, ß, d e ?), que formam um canal iônico intrínseco de cloro. Os dados existentes indicam que a subunidade a contêm o lugar de reconhecimento de as benzodiacepinas e a subunidade ß, o lugar de união o reconhecimento do GABA.

Os receptores GABAA são os receptores de neurotransmissores inibidores más abundantes do cérebro, e contém os lugares de união para o transmissor primário, GABA e outros agonistas do GABA.

 

Neuroreceptor de GABAB

Neuroreceptor de GABAB: Neuroreceptor que se ativa com o ácido gamma aminobutírico (GABA) e com o miorrelaxante baclofeno, mas que é insensível a as benzodiacepinas e a os barbitúricos. Esses receptores representam a minoria dos lugares GABA no sistema nervoso central dos vertebrados.

Neuroreceptor de Histamina H1

Neuroreceptor de Histamina H1: Os receptores H1 participam nas reações alérgicas. Podem afetar à regulação da ativação cerebral e do apetite. Os neurolépticos possuem afinidade pelos receptores cerebrais H1 e a maioria é mais potente que o antagonista H1, difenhidramina.

Todos os antidepressivos tricíclicos são bloqueadores H1, o que explica seus efeitos sedativos e de aumento de peso. A doxepina é o antidepressivo tricíclico com maior atividade anti-histamínica, e a desipramina e a protriptilina os de menor atividade.

Neuroreceptor de Histamina H2

Neuroreceptor de Histamina H2: Fora do sistema nervoso, os receptores H2 intervêm na secreção ácida gástrica.

Alguns antidepressivos tricíclicos, como a doxepina e a imipramina, são bloqueadores H2 e, provavelmente, são tão potentes como a cimetidina no tratamento da úlcera péptica. Também podem exercer seu efeito terapêutico diminuindo o sono com movimentos oculares rápidos (REM), já que esta fase do sono se associa com a produção de ácido gástrico.

Neuroreceptor de Histamina H3

Neuroreceptor de Histamina H3: Tipo de receptor histamínico que afeta a síntese e liberação pré-sinápticas de histamina e de outros neurotransmissores.

Neuroreceptor e Neurotransmissor

Na sinapse há a passagem do estímulo entre um neurônio e outro, entre o neurônio pré e pós sináptico. O fenômeno na sinapse é químico, ficando a atividade elétrica restrita ao interior dos neurônios. Os responsáveis por essa atividade química são, de um lado os neurotransmissores e, de outro, os neuroreceptores.

Trata-se da teoria da chave (neurotransmissor) e da fechadura (neuroreceptor). O neurotransmissor sai de um neurônio (pré-sináptico) e acopla-se no neuroreceptor de outro (pós-sináptico).

Com mais detalhes poderíamos dizer que o impulso elétrico num primeiro neurônio (pré-sináptico) leva à exocitose de um “pool” de elementos químicos específicos que irá estimular um segundo neurônio (pós-sináptica), e gerar um potencial elétrico.

A atividade elétrica intra-neuronal produz um potencial de ação na célula pré-sináptica que despolariza sua membrana plasmática. Assim, essa despolarização induz a abertura de canais de Ca++ que entra na célula (na terminação pré-sináptica).

De alguma forma a entrada do Ca++ permite a condução das vesículas sinápticas cheias de neurotransmissores até a membrana pré-sináptica, em seguida ocorre a fusão de tais vesículas com esta membrana e posterior liberação do neurotransmissor pela terminação pré-sináptica na fenda sináptica. Tais neurotransmissores combinam-se com neuroreceptores específicos na membrana plasmática do neurônio pós-sináptico aumentando desta forma, a condutância da membrana plasmática pós-sináptica a íons específicos como Na/K.

Isso acaba levando à alteração do potencial de membrana da célula pós-sináptica, gerando-se potenciais locais eletrotônicos que ao alcançarem o limiar geram um potencial de ação. Os neurotransmissores excedentes ou que já cumpriram seu papel são, em geral, rapidamente degradados ou recaptados.

 

Neurose

Neurose é um quadro psiquiátrico onde a pessoa geralmente tem dificuldades de adaptação, apesar de ser possível trabalhar, estudar, ter vida amorosa, estar bem entrosada com a realidade (ao contrário da psicose).

A pessoa neurótica vive permanentemente em conflitos psíquicos, não conseguindo, desta forma, aproveitar prazeirosamente a existência. Geralmente inicia-se na infância e acompanha o indivíduo por toda a vida. Grande indicação da psicoterapia para o seu tratamento.

Neurose de Transferência

Neurose de Transferência é um termo bifronte que Freud introduziu em dois trabalhos perduráveis de 1914. Em “Recuerdo, repetición y elaboración“, o define como um conceito técnico, por assinalar uma modalidade especial do desenvolvimento do tratamento psicanalítico e, segundo essa modalidade, a enfermidade originária se transforma em uma nova que se canaliza para o terapeuta e para a terapia.

Em “Introdución del narcisismo“, ao contrário, neurose de transferência se contrapõe à neurose narcisística e é, portanto, um conceito psicopatológico.

Os dois significados do termo não são discriminados em geral, entre outras razões porque o próprio Freud pensou sempre que as neuroses narcisísticas careciam de capacidade de transferência e ficavam, portanto, fora dos alcances do seu método.

Se procurarmos ser precisos, no entanto, o que Freud afirma em “Recuerdo, repetición y elaboración” é que, com o começo do tratamento, a enfermidade sofre um giro notável que cristaliza no próprio tratamento. Diz Freud em seu ensaio: “Vemos claramente que a enfermidade do analisado não pode cessar com o começo da análise, e que não devemos tratá-la como um fato histórico, mas como potência atual. Pouco a pouco, vamos atraindo à nós cada um dos elementos dessa enfermidade e fazendo-os entrar no campo de ação do tratamento e, enquanto o enfermo os vai vivendo como algo real, nós vamos praticando neles nosso trabalho terapêutico, que consiste, sobre tudo, na referência ao passado.”

Adiantando o mesmo conceito, já em 1905 havia dito no “Epílogo de Dora“: “Durante um tratamento psicanalítico, se interrompe regularmente a produção de sintomas. Porém, a produtividade da neurose não se extingue com ele, mas atua na criação de uma ordem especial de produtos mentais, inconscientes na sua maior parte, ao que podemos dar o nome de transferências“. Dessas citações se desprende claramente, a meu ver, que Freud concebe a neurose de transferência como um efeito especial do início do tratamento psicanalítico em que cessa a produção de novos sintomas e surgem em substituição a eles outros novos que convergem para o analista e seu ambiente.

Quem melhor definiu a neurose de transferência em sua vertente técnica foi Melanie Klien, no Simpósio sobre Análise Infantil de 1927. Destaca neste simpósio, com veemência, que, se extinguirmos o método freudiano de respeitar o setting analítico e respondermos ao material da criança com interpretações, prescindindo de toda a medida pedagógica, a situação analítica se estabelece igual (ou melhor) que no adulto, e a neurose de transferência, que constitui o âmbito natural de nosso trabalho, se desenvolve plenamente. Com certeza, naquele momento, Klein falava de Neurose de Transferência, porque ainda não sabia que nos anos seguintes, e em boa parte graças ao seu próprio esforço, o fenômeno psicótico em particular e o narcisismo em geral iam se incorporar ao campo operativo do método psicanalítico.

Vale a pena transcrever aqui as afirmações rotundas de Melanie Klein: “Em minha experiência, aparece nas crianças uma plena neurose de transferência, de maneira análoga como surge nos adultos. Quando analiso crianças, observo que seus sintomas mudam, que se acentuam ou diminuem de acordo com a situação analítica. Observo nelas a abreação de afetos em estreita conexão” com o progresso do trabalho em relação a mim. Observo que surge angústia e que as reações da criança são resolvidas no terreno analítico.

Pais que observam seus filhos cuidadosamente com freqüência me contam que se surpreendem ao ver reaparecer hábitos, etc., que haviam desaparecido há muito tempo. Não encontrei crianças que expressem suas reações quando estão em sua casa da mesma maneira que quando estão comigo: em sua maior parte reservam a descarga para a sessão analítica.

Certamente, ocorre que às vezes, quando estão emergindo violentamente afetos muito poderosos, algo da perturbação se torna chamativo para os que rodeiam a criança, mas isso só é temporário e tampouco pode ser evitado na análise de adultos.

Neuroticismo

um conceito mais amplo (Eysenck), se considera o Neuroticismo uma tendência global a apresentar respostas de ansiedade exagerada, de ser neuro-vegetativamente hiper-reativo, de mostrar uma maior fatigabilidade física e mental, de ser proclive à frustração e resistente a mudar os hábitos desadaptativos.

Neuroticismo pode ser entendido como a maneira de viver daquele que têm Neurastenia. Parece depender, psico-neurologicamente, da atividade do Sistema Límbico e do Sistema Nervoso Autônomo (vegetativo), normalmente determinado por fatores genéticos e constitucionais.

Neurotransmissão Excitadora

Impulsos são transmitidos entre uma célula nervosa e outra célula através de sinapses. A transmissão é geralmente química, e o impulso no axônio pré-sináptico causa liberação de um neurotransmissor na terminação pré-sináptica. Este mediador químico é liberado na fenda sináptica e se liga a receptores específicos na célula pós-sináptica. Em algumas sinapses, a transmissão é puramente elétrica e em outras é mista elétrica-química.

O efeito do neurotransmissor liberado não é necessariamente excitar a célula pós-sináptica gerando potenciais de ação, podendo haver inibição da célula que recebe o transmissor químico. A soma das influências excitatórias e inibitórias determinará o ajuste gradual da função neural.

Nas sinapses elétricas, as membranas pré e pós-sinápticas estão muito próximas, e a troca iônica é feita através de pontes de baixa resistência. No entanto, como a grande maioria das sinapses envolve transmissão química, somente esta será aqui discutida.

Anatomia Funcional da Sinapse:
Há uma considerável variação anatômica na estrutura das sinapses em várias partes do sistema nervoso. As terminações das células pre-sinápticas são geralmente alargadas, formando os botões sinápticos. Estes botões são mais comumente localizados em dendritos.

Por vezes, os ramos terminais do axônio formam uma rede ou uma cesta em volta do corpo da célula pós-sináptica tendo um aspecto característico (células em cesto do cerebelo e dos gânglios autonômicos). Em média, cada neurônio apresenta 1000 terminações sinápticas – se considerarmos que o cérebro contem 1012 neurônios, apenas dentro do cérebro humano existem cerca de 1015 sinapses. Na medula, o número de botões sinápticos em cada neurônio motor espinal é da ordem de 10.000.

A neurotransmissão excitadora é a neurotransmissão entre neurônios realizada por numerosos aminoácidos excitadores. Os quatro aminoácidos menores desse tipo são o L-homocisteato, L-cisteato, quinolinato e o N-acetilaspartil glutamato.

Os dos aminoácidos principais são L-glutamato e L-aspartato, sendo o primeiro deles o mais importante, devido a sua polivalência e maior afinidade com o receptor N-metil-D-aspartato (NMDA).

Apesar deo L-glutamato ser o aminoácido excitador de maior concentração e maior afinidade ao receptor, só 20% dele se localiza nas terminações nervosas. Depois da liberação pré-sináptica, as bombas de recaptação de alta afinidade eliminam rapidamente o L-glutamato das sinápses.

Nevralgia do Trigêmeo

Nevralgia do Trigêmeo é uma doença característica da velhice, sendo mais freqüente entre as mulheres. É um quadro doloroso muito intenso, que atinge a face, com características de choque elétrico ou agulhadas e que tem curta duração, segundos em geral. As crises dolorosas ocorrem várias vezes ao dia, podendo levar a conseqüências graves como a depressão ou mesmo o suicídio.

Em geral não é identificada uma causa especifica, mas pode estar relacionada a problemas dentários, do ouvido e mesmo a certos tumores.

O tratamento baseia-se no uso de remédios (drogas anti-epilépticas e antidepressivas) e a estimulação elétrica do nervo. Em algumas situações está indicado tratamento cirúrgico.

Niacina, Ácido Nicotínico ou Vitamina B3

Refere-se a dois compostos: acido nicotínico e nicotinamida. É um tipo de vitamina B que não possui grande capacidade de se armazenar no organismo, daí sua deficiência isolada ser mais fácil de ocorrer. Tem função no processo respiratório das células. Ocorre em inúmeros alimentos, principalmente carne, leite e ovos. Dieta à base de milho favorece a deficiência de niacina, mas o alcoolismo é a sua principal causa. Sua deficiência gera a pelagra, doença caracterizada por manifestações cutâneas (manchas escuras em áreas expostas à luz), diarreia, emagrecimento e irritabilidade. Ocorre lesões nos cantos da boca e na língua. Nas formas graves ocorre quadro de demência, podendo surgir crises convulsivas e alucinações. A maiorias dos produtos vitamínicos comerciais só contem a nicotinamida. Em doses elevadas contribui no tratamento do aumento de gorduras no sangue (triglicerídeos e colesterol). Durante algum tempo a niacina foi tentada no tratamento de certos distúrbios psiquiátricos, como a esquizofrenia, mas sem resultados positivos. Altas doses da niacina podem provocar vasodilatação e dores abdominais.

Ninfomania

Ninfomania é o exagero patológico de desejo sexual na mulher. A Ninfomania pode ser observada em diversos casos de excitação psíquica, sobretudo na mania. Caracteriza-se por uma tendência mórbida para o abuso do coito, delírio erótico com exaltação excessiva dos apetites sexuais.

Ninfomania pode aparecer em conseqüência de certos transtornos neuróticos, sobretudo nas alterações psico-hormonais relacionadas com a menopausa, no Transtorno do Controle dos Impulsos, podendo ainda caracterizar mera forma de parafilia (perversão), facilitada por fatores constitucionais ou por influência do ambiente.

Por outro lado, a Ninfomania também pode ocorrer em diferentes espécies de animais, principalmente em conseqüência de afecções do aparelho genital ou de cios não satisfeitos.

Nolitiva, Síndrome

Nolitiva (sem volição, sem vontade) diz respeito a atitude desmotivada e apática. Trata-se de sinônimo da Síndrome Amotivacional. Trata-se de um conjunto de características de significativo desinteresse associado ao uso abusivo de substâncias psicoativas (drogadicção) que inclui:
– apatia, perda de afetividade, capacidade diminuída para planejar, para pleitear, para encarregar-se, baixa tolerância à frustrações, concentração muito prejudicada, dificuldade em seguir rotinas e cumprir compromissos.

Essa situação amotivacional tem sido associada predominantemente ao uso freqüente de maconha e, de acordo com alguns pesquisadores, pode refletir uma espécie de intoxicação crônico pela droga.

 

Noradrenalina

Noradrenalina é um neurotransmissor, substância utilizada para a transmissão de estímulos entre neurônios.  A neurotransmissão química é de fundamental importância para o mecanismo de diversas patologias e para a ação de fármacos e é a responsável pela conversão de energia elétrica para energia química entre um neurônio e outro na sinapse. A neurotransmissão, então, implica na necessidade de síntese do transmissor, de armazenamento, e de liberação.

O efeito do estímulo no neuroreceptor é então observado na alteração da membrana da célula pós-sináptica e nos eventos que disso decorrem, que é a transmissão do estímulo de um neurônio para outro. Dessa forma os neurotransmissores se acoplam aos neuro-receptores.

Atualmente os neuro-receptores vem sendo intensamente estudados. Cada neurotransmissor pode atuar sobre diversos subtipos de receptores de uma mesma categoria e o subgrupo de receptores descritos é crescente na literatura.

Adrenalina ou Epinefrina e a Noradrenalina ou Norepinefrina são neurotransmissores metabolizadas em produtos biologicamente inativos por oxidação (catabolizada pela mono-amino-oxidase – MAO) e metilação (catabolizada pela catecol-O-metiltransferase – COMT).

MAO localiza-se na superfície externa das mitocôndrias e encontra-se em altas concentrações nas terminações dos nervos que secretam norepinefrina. COMT tambem encontra-se distribuída em grandes quantidades nas terminações nervosas e no fígado e rins.  COMT cataboliza principalmente a norepinefrina circulante a nível hepático.

Nas terminações nervosas, a norepinefrina é inicialmente inativada pela ação da MAO, em compostos inativos que entram na circulação e são posteriormente metabolizados no fígado pela COMT.

Receptação de norepinefrina da fenda sináptica é o principal mecanismo de remoção deste transmissor.

Epinefrina e norepinefrina atuam nos receptores alfa e beta, porem a norepinefrina tem maior afinidade pelos alfa e a epinefrina pelos beta.

Núcleo Paraventricular

Núcleo Paraventricular é uma das estruturas do Hipotálamo. A vasopressina e a ocitocina são os hormônios produzidos no Núcleo Paraventricular e supra-óptico do hipotálamo, e são transportados, passando pela eminência mediana, até a parte posterior da glândula hipófise, onde serão armazenados, ligados a uma proteína denominada neurofisina.

Obnubilação da Consciência

Obnubilação da Consciência é uma alteração da consciência e se caracteriza pela diminuição da sensopercepção, lentidão da compreensão e da elaboração das impressões sensoriais. Há ainda lentificação no ritmo e alteração no curso do pensamento, prejuízo da fixação e da evocação da memória, algum grau de desorientação e sonolência mais ou menos acentuada.

Devido ao prejuízo na fixação da memória, possivelmente devido também à alteração da atenção, a qual, embora possa ser despertada por estímulos sensoriais não representa um ponto inicial de alguma progressão psíquica, o paciente obnubilado não se lembra de quase nada do que se passa ou se passou consigo. Na consciência obnubilada nada de novo pode ser acrescentado.

Na Obnubilação da Consciência há também deterioração do pensamento conceptual, que se torna incoerente e fragmentário. Com freqüência surgem formas alucinatórias, pseudo-alucinatórias ou delirantes. Embora o paciente não tenha condições de apresentar qualquer queixa somática, é possível verificar, pela expressão fisionômica, algum sentimento de sofrimento, inquietação, ansiedade, depressão, habilidade emocional ou irritabilidade.

Obnubilação da Consciência pode se apresentar em graus variados, desde leve torpor até à vizinhança do coma. Em muitos casos, a obnubilação da consciência pode representar o primeiro grau da confusão mental ou pode constituir a fase inicial da instalação do coma.

Obsessões

Obsessões são pensamentos ou idéias (p. ex. dúvidas), impulsos, imagens, cenas, que invadem a consciência de forma repetitiva, persistente e estereotipada seguidos ou não de rituais destinados a neutralizá-los.

São experimentados como intrusivos, inapropriados ou estranhos pelo paciente em algum momento, ao longo do transtorno, causando ansiedade ou desconforto acentuados.

A pessoa tenta resistir a eles, ignorá-los ou suprimi-los com ações ou com outros pensamentos, reconhecendo-os, no entanto, como produtos de sua mente e não como originados de fora. Não são simplesmente medos exagerados relacionados com problemas reais.

Oligofrenia

Oligofrenia é sinônimo de Deficiência ou Retardo Mental. A característica essencial do Retardo Mental é um funcionamento intelectual significativamente inferior à média, acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, autocuidados, vida doméstica, habilidades sociais/interpessoais, uso de recursos comunitários, auto-suficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança. O início deve ocorrer antes dos 18 anos. O Retardo Mental possui muitas causas diferentes que afetam o funcionamento do sistema nervoso central.

O funcionamento intelectual geral é definido pelo quociente de inteligência (QI ou equivalente) obtido mediante avaliação com um ou mais testes de inteligência padronizados de administração individual (por ex., Escalas Wechsler de Inteligência para Crianças — Revisada, Stanford-Binet, Bateria Kaufman de Avaliação para Crianças). Um funcionamento intelectual significativamente abaixo da média é definido como um QI de cerca de 70 ou menos (aproximadamente 2 desvios-padrão abaixo da média).

Cabe notar que existe um erro de medição de aproximadamente 5 pontos na avaliação do QI, embora este possa variar de instrumento para instrumento (por ex., um QI de 70 na escala Wechsler é considerado como representando uma faixa de 65-75). Portanto, é possível diagnosticar o Retardo Mental em indivíduos com QIs entre 70 e 75, que exibem déficits significativos no comportamento adaptativo. Inversamente, o Retardo Mental não deve ser diagnosticado em um indivíduo com um QI inferior a 70, se não existirem déficits ou prejuízos significativos no funcionamento adaptativo.

Níveis de Gravidade do Retardo Mental
Quatro níveis de gravidade podem ser especificados, refletindo o atual nível de prejuízo intelectual:
Leve, Moderado, Severo e Profundo.
F70.9 – 317 Retardo Mental Leve Nível de QI 50-55 a aproximadamente 70
F71.9 – 318.0 Retardo Mental Moderado Nível de QI 35-40 a 50-55
F72.9 – 318.1 Retardo Mental Severo Nível de QI 20-25 a 35-40
F73.9 – 318.2 Retardo Mental Profundo Nível de QI abaixo de 20 ou 25
F79.9 – 319 Retardo Mental, Gravidade Não especificada, pode ser usado quando existe uma forte suposição de Retardo Mental, mas a inteligência da pessoa não pode ser testada por métodos convencionais (por ex., em indivíduos com demasiado prejuízo ou não-cooperativos, ou em bebês).

Oniroide, Delírio

Oniroide ou Onírico diz respeito ao sono, ao dormir. O Delírio Oniroide pode ser observado em pacientes toxi-infecciosos, com outras intoxicações crônicas e com enfermidades cerebrais orgânicas, principalmente arteriosclerose cerebral. Suas principais características são: obnubilação da consciência, desorientação e alucinações.

Algumas vezes pode-se observar sinais precursores do Delírio Oniroide, quando então o paciente apresenta mal-estar, sono agitado, intranquilidade, cefaleia e hiperestesias. Pode haver ainda agitação psicomotora. Em alguns casos, o quadro é o de uma leve excitação eufórica, com elevação do estado de ânimo, excitabilidade fácil e tendência incessante à movimentação.

No Delírio Oniroide, ao contrário do que se observa na Obnubilação da Consciência, as reações afetivas são vivas e adequadas ao conteúdo da consciência, notando-se angústia, ansiedade, medo ou, por outro lado, satisfação alegria desmedida e euforia. É com essa afetividade que o enfermo participa ativamente das cenas produzidas por sua imaginação.

A intensidade do Delírio Oniroide é variável. Algumas vezes o Delírio Oniroide aumenta no período vespertino e esmaece durante o dia, assemelhando-se o quadro ao da obnubilação. Passado o Delírio Oniroide, que pode durar horas ou dias, invariavelmente há algum grau amnésia acerca do episódio.

Orientação (e Desorientação) Alopsíquica

Desorientação é um estado psíquico funcional em virtude do qual não temos consciência plena da situação real em que nos encontramos. É indubitável que, ao contrário da Desorientação, a Orientação depende, antes de mais nada, da integridade psíquica e do estado de consciência e, uma vez perturbada esta consciência, altera-se concomitantemente a orientação. A Orientação mobiliza, em sua execução, fatores que muito cooperam em sua eficácia funcional e que envolvem o exercício de certas operações mentais, bem mais complexas do que se conhece.

Chama-se de Orientação Alopsíquica a orientação da pessoa em relação ao mundo, ao tempo e ao espaço. A orientação no tempo e no espaço depende estritamente da percepção, da memória e da contínuo processamento psíquico dos acontecimentos. Na Desorientação Alopsíquica a pessoa se desorienta em relação aos demais e ao ambiente à sua volta. Ela não sabe quem são as outras pessoas, mesmo que tenham sido íntimas, não sabe o que é o ambiente onde está, etc.

Na Desorientação Autopsíquica total, o indivíduo não sabe quem é. Normalmente esse desconhecimento da própria identidade se verifica nas amnésias totais traumáticas, nos estados de acentuada obnubilação da consciência ou na evolução extremas dos processos demenciais. Bem mais freqüente é a chamada falsa orientação autopsíquica. É a que acomete os enfermos delirantes, quando se auto atribuem uma nova identidade ou quando assimilam a personalidade de figuras fantasiosas de seus delírios.

Veja mais em Alterações da Orientação na seção Psicopatologia

Orientação da Consciência

Orientação é um estado psíquico funcional em virtude do qual temos consciência plena, em cada momento de nossa vida, da situação real em que nos encontramos.

É indubitável que a orientação depende, antes de mais nada, da integridade psíquica e do estado de consciência e, uma vez perturbada esta consciência, altera-se concomitantemente a orientação. A orientação mobiliza, em sua execução, fatores que muito cooperam em sua eficácia funcional e que envolvem o exercício de certas operações mentais, bem mais complexas do que se conhece.

De regra, verifica-se a orientação autopsíquica e a orientação alopsíquica, através da entrevista com o paciente. Pode-se dizer que o paciente está bem orientado quanto a noção do eu, quando fornece ele próprio dados de sua identificação pessoal, revelando saber quem é, como se chama, que idade tem, qual sua nacionalidade, profissão, estado civil, etc. Este atributo da consciência lúcida chama-se Orientação Autopsíquica.

Chama-se de Orientação Alopsíquica a orientação da pessoa em relação ao tempo e ao espaço. A orientação no tempo e no espaço depende estritamente da percepção, da memória e da contínuo processamento psíquico dos acontecimentos.

Paixão

Para entender o significado da Paixão é indispensável comentar antes o significado das inclinações.

As inclinações são movimentos afetivos involuntários, duráveis, contínuos, persistentes, em direção a determinado objeto. Esses movimentos de apetite seletivo emergem de disposições extra-conscientes, isto é, das tendências instintivo-afetivas latentes, as quais lhes dão força, sentido e unidade dinâmica, com ou sem repercussões sobre a motilidade e a conduta.

São diferentes das ações impulsivas incoercíveis e das atividades instintivas brutas por comportarem, as inclinações, certa representação na consciência e por suportarem mais eficazmente esforços de contenção de suas manifestações.

O termo Paixão, como se fosse o outro lado da moeda das inclinações, designa um estado afetivo mais agudo, absorvente e tiranizante que estas. A Paixão polariza a vida psíquica do indivíduo na direção de um objeto único, o qual passa a monopolizar os pensamentos e as ações, com ex-clusão ou detrimento de tudo mais. As inclinações e as paixões procedem da mesma esfera de tendências instintivo-afetivas, que formam a base da organização biopsicológica do ser humano.

Outra maneira de considerarmos a paixão é quando consideramos o ser humano enquanto espírito unido a um corpo. Aí somos obrigados a levar em conta as paixões, isto é, a afetividade em sentido mais amplo.

Paixão é, para Descartes, tudo o que o corpo determina na alma. E ele, que nada tem de asceta, acha que devemos antes dominá-las do que desenvolvê-las. Isso porque ele se coloca do ponto de vista da felicidade. O bom funcionamento do corpo, as ligações harmoniosas entre os espí-ritos animais e os pensamentos humanos são altamente desejáveis. A moral surge, então, como uma técnica de felicidade e, nessa técnica, a medicina desempenha importante papel. A moral surge aqui como uma aplicação direta ao mecanicismo cartesiano.

Desde Aristóteles, vários pensadores ressaltaram o caráter de passividade e submissão da pessoa às suas paixões e inclinações, quase sempre tidas por nocivas ou perigosas à razão, e contra as quais pouco se podia apelar através do autodomínio individual. Em oposição a isso, Santo Tomás encarecia a necessidade e possibilidade do ser humano derivar suas paixões para objetos bons e dignos.

Não obstante a opinião de Santo Tomás, Spinoza, Rousseau, Montaigne também viam nas paixões, apetites cegos e indomáveis, que entravam e perturbavam o entendimento, a reflexão, o raciocínio e o julgamento, arrastando o homem à violência, aos desregramentos, fanatismos, sectarismos e despotismos, com todas as suas conseqüências.

Perceber a realidade exatamente como ela é tem sido uma tarefa totalmente impossível para o ser humano. Nós nos aproximamos variavelmente da realidade, de acordo com nossas paixões, nossos interesses, nossas crenças, nosso acervo cultural, etc. Algumas atitudes mentais favorecem um contacto mais íntimo com a realidade, outras afastam deste contacto. Será muito difícil para uma pessoa perdidamente apaixonada, elaborar um correto julgamento acerca da personalidade de quem ama.

Normalmente, nestes casos, a força da Paixão turva a avaliação do objeto amado. Da mesma forma, a realidade que um botânico experimenta diante de uma orquídea certamente será diferente da realidade experimentada pelo poeta diante da mesma orquídea. A realidade do indígena é plena de determinados deuses ausentes na nossa, assim como nossos micróbios não participam da realidade deles e assim por diante.

 

Pânico, Doença ou Síndrome do

Os portadores de Síndrome do Pânico costumam ter tendência a preocupação excessiva com problemas do cotidianos, têm um bom nível de criatividade, excessiva necessidade de estar no controle da situação, têm expectativas altas, pensamento rígido, são competentes e confiáveis. Freqüentemente esses pacientes têm tendência a subestimar suas necessidades físicas. Psicologicamente eles costumam reprimir alguns ou todos sentimentos negativos, sendo os mais comuns o orgulho, a irritação e, principalmente, seus conflitos íntimos.

Essa maneira da pessoa ser acaba por predispor a situações de stress acentuado e isso pode levar ao au-mento intenso da atividade de determinadas regiões do cérebro, desencadeando assim um desequilíbrio bioquímico e conseqüentemente o aparecimento do Pânico.

Depois das primeiras crises de Pânico, durante muito tempo os pacientes se recusam aceitar tratar-se de um transtorno psicoemocional. Normalmente costumam ser pessoas que não se vêem sensíveis aos problemas da emoção, julgam-se perfeitamente controladas, dizem que já passaram por momentos de vida mais difíceis sem que nada lhes acontecesse, enfim, são pessoas que até então subestimavam aqueles que sofriam problemas psíquicos.

Os ataques de pânico são recorrentes (voltam) e caracterizam essencialmente este distúrbio. Essas crises se manifestam por ansiedade aguda e intensa, extremo desconforto, sintomas vegetativos (veja a lista) associados e medo de algo ruim acontecer de repente, como por exemplo da morte iminente, de passar mal, desmaiar, perder o controle, etc. As crises de ansiedade no Pânico duram minutos e costumam ser inesperadas, ou seja, não seguem situações especiais, podendo surpreender o paciente em ocasiões variadas.

O ataque tem um início súbito e aumenta rapidamente, atingindo um pico em geral em 10 minutos acompanhado por um sentimento de perigo ou catástrofe iminente e um anseio por escapar. Os 13 sintomas físicos são os seguintes:

1 – palpitações,
2 – sudorese,
3 – tremores ou abalos,
4 – sensações de falta de ar ou sufocamento,
5 – sensação de asfixia,
6 – dor ou desconforto torácico,
7 – náusea ou desconforto abdominal,
8 – tontura ou vertigem,
9 – sensação de não ser ela(e) mesma(o),
10 – medo de perder o controle ou de “enlouquecer”,
11 – medo de morrer,
12 – formigamentos e
13 – calafrios ou ondas de calor.

 

Para-suicídio

Para-suicídio ou comportamento de auto-lesão, define-se como um tipo de comportamento suicidário que pode ou não ter como objetivo final o suicídio, em que o individuo sem intervenção de outrem provoca uma auto-lesão ou, ingere uma substância em sobredosagem para além da dose reconhecida como terapêutica visando mudanças desejadas pelo próprio, quer através do acto em si ou da suas conseqüências. Será pois o um comportamento em que os fatores, intencionalidade e letalidade têm um valor importante no resultado final.

No Para-suicídio, a intenção significa o valor do desejo que o indivíduo tem em terminar com a sua vida. A letalidade, significará como será o seu comportamento no processo que o levará à morte. O indivíduo que usa um método de elevada letalidade e que possui um elevado índice de intencionalidade, estará perante uma situação de maior perigo do que o que tiver baixo índice de letalidade e intencionalidade.

É pois um tipo de comportamento que nem sempre está associado a doenças do foro psiquiátrico, e que é por vezes uma solicitação de ajuda, de autonomia, inviolabilidade ou de satisfação de qualquer outra necessidade psicológica do próprio.”

Dr. Mário Proença – proenca.mario@suicide-parasuicide.rumos.com
Site Suicide & Parasuicide

Parafasia

Parafasias e Jargonoafasia são alterações afásicas de expressão da linguagem oral. São consideradas tipos de Afasia onde não ocorre a inibição da fala. A linguagem espontânea é rica e volúvel, porém as palavras ou os fonemas não são apropriados. As Parafasias verbais consistem na utilização de uma palavra por outra.

A palavra proferida apresenta, algumas vezes, uma relação de ordem conceitual com a palavra substituída (garfo por colher, lápis por borracha) ou de ordem fonética (pêra por cera, marco por barco), porém sua utilização freqüentemente parece ocorrer ao acaso.

As Parafasias literais correspondem a uma deslocação da estrutura fonêmica das palavras, com elisão, inversão de sílabas, substituições, uso de palavras deformadas, porém ainda identificáveis (reutamismo por reumatismo, biciteta por bicicleta) ou de neologismos totalmente sem significado (para um lápis, logamentase, tipão, pinhão de caça…).

Já o jargão (Jargonoafasia) é uma linguagem constituída de parafasias verbais e literais, freqüentemente associado a uma dificuldade sintáxica (dissintaxia) que, diferente do agramatismo, não é uma redução econômica da linguagem, mas sim uma utilização defeituosa da organização gramatical: ex.: “o amigo onde passei as férias”.

Normalmente, o jargonafásico não toma consciência da desorganização em sua linguagem (anosognosia) mas, com o passar do tempo pode surgir alguma atitude crítica que permite ao paciente reconhecer seus erros e tentar corrigi-los.

Parafilias

As Parafilias são caracterizadas por anseios, fantasias ou comportamentos sexuais recorrentes e intensos que envolvem objetos, atividades ou situações incomuns e causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

As características essenciais de uma Parafilia consistem de fantasias, anseios sexuais ou comportamentos recorrentes, intensos e sexualmente excitantes, em geral envolvendo:

1) objetos não-humanos;
2) sofrimento ou humilhação, próprios ou do parceiro, ou
3) crianças ou outras pessoas sem o seu consentimento

Em alguns indivíduos, as fantasias ou estímulos parafílicos são obrigatórios para a excitação erótica e sempre incluídos na atividade sexual. Em outros casos, as preferências parafílicas ocorrem apenas episodicamente (por ex., talvez durante períodos de estresse), ao passo que em outros momentos o indivíduo é capaz de funcionar sexualmente sem fantasias ou estímulos parafílicos.

O comportamento, os anseios sexuais ou as fantasias causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

A imaginação parafílica pode ser posta em ação com um parceiro sem o seu consentimento de modo a causar-lhe danos (como no Sadismo Sexual ou na Pedofilia), podendo o indivíduo estar sujeito à detenção ou prisão. As ofensas sexuais contra crianças constituem uma parcela significativa dos atos sexuais criminosos, sendo que os indivíduos com Exibicionismo, Pedofilia e Voyeurismo perfazem a maioria dos agressores sexuais presos. Esses indivíduos raramente buscam auxílio por sua própria conta, geralmente chegando à atenção dos profissionais de saúde mental apenas quando seu comportamento provocou conflitos com parceiros sexuais ou com a sociedade.

 

Paranoia

A Paranoia (assim como a Parafrenia, veja adiante) é um dos tipos de Psicose Crônica ou, como se diz no CID.10, de Transtorno Psicótico Persistente. De acordo com Kraepelin, a Paranoia é uma entidade clínica caracterizada, essencialmente, pelo desenvolvimento insidioso de um delírio duradouro e inabalável mas, apesar desses Delírios há uma curiosa manutenção da clareza e da ordem do pensamento, da vontade e da ação.

Ao contrário dos esquizofrênicos e doentes cerebrais, onde as idéias delirantes são um tanto desconexas, nesta Psicose Delirante Crônica as idéias se unem num determinado contexto lógico para formar um sistema delirante total, rigidamente estruturado e organizado.

A característica essencial desse Transtorno Delirante Persistente é a presença de um ou mais delírios não-bizarros (ou seja, delírios organizados) que persistem por pelo menos 1 mês. Para o diagnóstico é muito importante que o delírio do Transtorno Delirante Persistente não seja bizarro nem seja desorganizado, ou seja, ele deve ter seu tema e script organizado e compreensível ao ouvinte, embora continue se tratando de uma falsa e absurda crença.

As alucinações não são proeminentes e nem habituais, embora possam existir concomitantemente. Quando existem, a alucinações táteis ou olfativas costumam ser mais freqüentes que as visuais e auditivas.

Normalmente o funcionamento social desses pacientes Paranoicos não está prejudicado, apesar da existência do Delírio. A maioria dos pacientes pode parecer normais em seus papéis interpessoais e ocupacionais, entretanto, em alguns o prejuízo ocupacional pode ser substancial e incluir isolamento social. A impressão que se tem é a de uma ilha de delírio num mar de sanidade, portanto, uma espécie de delírio insular.

TIPOS DE PSICOSES DELIRANTES PERSISTENTES
A – TIPO EROTOMANÍACO

Neste caso o delírio habitualmente se refere ao amor romântico idealizado e a união espiritual, mais do que a atração sexual. Acreditam, freqüentemente, ser amados por pessoa do sexo oposto que ocupa uma posição de superioridade (ídolos, artistas, autoridades, etc.) mas, pode também ser uma pessoa normal e estranha.

B – TIPO GRANDEZA

Neste subtipo de Transtorno Delirante Persistente a pessoa é convencida, pelo seu delírio, possuir algum grau de parentesco ou ligação com personalidades importantes ou, quando não, possuir algum grande e irreconhecível talento especial, alguma descoberta importante ou algum dom magistral. Outras vezes acha-se possuidor de grande fortuna.

C – TIPO CIÚME

Neste tipo de Paranoia a pessoa está convencida, sem motivo justo ou evidente, da infidelidade de sua esposa ou amante. Pequenos pedaços de “evidência”, como roupas desarranjadas ou manchas nos lençóis podem ser coletados e utilizados para justificar o delírio. O paciente pode tomar medidas extremas para evitar que o companheiro(a) proporcione a infidelidade imaginada, como por exemplo, exigindo uma permanência no lar de forma tirana ou obrigando que nunca saia de casa desacompanhado(a).

D – TIPO PERSECUTÓRIO (PARANOIA)
É o tipo mais comum entre os paranoicos ou delirantes crônicos. O delírio costuma envolver a crença de estar sendo vítima de conspiração, traição, espionagem, perseguição, envenenamento ou intoxicação com drogas ou estar sendo alvo de comentários maliciosos.

E – TIPO SOMÁTICO (PARAFRENIA)

A Formação Delirante do Tipo Somático, como justifica o nome, caracteriza-se pela ocorrência de variadas formas de delírios somático e, neste caso, com maiores possibilidades de alucinações que outros tipos de Paranoia. Os mais comuns dizem respeito à convicção de que a pessoa emite odores fétidos de sua pele, boca, reto ou vagina, de que a pessoa está infestada por insetos na pele ou dentro dela, esdrúxulos parasitas internos, deformações de certas partes do corpo ou órgãos que não funcionam.

 

Paraventricular, Núcleo

 Núcleo Paraventricular é uma das estruturas do Hipotálamo. A vasopressina e a ocitocina são os hormônios produzidos no Núcleo Paraventricular e supra-óptico do hipotálamo, e são transportados, passando pela eminência mediana, até a parte posterior da glândula hipófise, onde serão armazenados, ligados a uma proteína denominada neurofisina.

Parkinson, Doença de

Doença de Parkinson atinge cerca de 0.5% das pessoas com mais de 60 anos. É devida a uma degeneração de determinadas células nervosas (que contem uma substância escura e formam a chamada substância negra do cérebro) que produzem um hormônio denominado Dopamina.

Acredita-se que no processo de degeneração destas células nervosas esteja envolvida uma proteína denominada monoamino-oxidase que por sua vez está relacionada à formação dos radicais livres, substâncias que participam diretamente do processo de envelhecimento. A falta da dopamina no organismo decorrente deste processo leva ao aparecimento de tremores, de rigidez muscular e de lentidão dos movimentos, sintomas que constituem a Doença de Parkinson.

A pessoa com a doença apresenta um tremor muito característico que freqüentemente ocorre nas mãos, que piora na posição de repouso e diminui durante o movimento. Os músculos ficam rígidos tornando a face sem expressão, com pouca mímica e os movimentos mais lentos, tornando a marcha difícil e insegura. Caracteristicamente ocorre também uma mudança na escrita que se torna irregular e com diminuição do tamanho das letras.

Estes sintomas não necessariamente surgem juntos, sendo comum o paciente não apresentar tremores.

Pode haver confusão entre o tremor do Parkinson e o tremor senil o qual é benigno, não se relaciona a qualquer doença (vide Tremor), não piora com o repouso e ocorre principalmente em situações de emoção. O tremor senil em geral atinge as duas mãos e não é acompanhado de lentidão dos movimentos. A Doença de Parkinson pode ser devida a um acidente vascular cerebral ou mesmo a um tumor cerebral, situações estas muito raras.

O diagnóstico da Doença de Parkinson é clínico, sendo feita com facilidade pelo médico neurologista, bastando observar a maneira de se movimentar, a expressão facial e os tremores. Sempre deve ser feito uma tomografia cerebral que em geral é normal, para excluir a possibilidade de uma eventual doença cerebral.

O objetivo do tratamento é melhorar os movimentos, se possível, sem medicamentos ou com dose mínima de medicamento. A primeira orientação é o combate à vida sedentária e o estímulo a atividades físicas. O exercício sob orientação fisioterápica é a principal providência inicial.

O tratamento medicamentoso é baseado na administração da dopamina e também de substância que inibe a formação da monoamino-oxidase ou selegilina (Deprenil). As drogas anti-parkinsonianas só são utilizadas em situações mais avançadas da doença. A dopamina é o principal medicamento (Levodopa), e em geral é encontrada comercialmente associada a substância que aumenta sua potência . A Levodopa pode gerar, alongo prazo, efeitos colaterais indesejáveis, como movimentos anormais.

Recentemente surgiram substâncias que otimizam a levodopa, que são o tolcapone e o entacapone. Existem outras substâncias que auxiliam a dopamina ou aumentam a sua eficiência como a bromocriptina e a Amantadina. Drogas anticolinérgicas também podem ser úteis. A selegilina (Deprenil), recentemente desenvolvida, provoca o aumento da dopamina no cérebro, desenvolvendo também uma ação protetora sobre as células nervosas, havendo uma tendência atual de se iniciar o tratamento com ela.

Os exercícios físicos especiais devem ser mantidos durante o uso da medicação. As formas discretas da doença podem ser tratadas somente com fisioterapia com excelentes resultados. Deve-se iniciar o tratamento medicamentoso sempre com o Deprenil, deixando a Dopamina para as situações mais severas.

O Deprenil retarda o desenvolvimento da doença. A falta de atividade física é um fator muito negativo na abordagem da doença, observando-se os piores resultados terapêuticos entre os sedentários. Ver antiparkinsonianos.

O tratamento cirúrgico da Doença de Parkinson está voltado somente para o tratamento das situações em que a rigidez, os tremores e os movimentos lentos são acentuados e não respondem à medicação. Mesmo assim os resultados do tratamento cirúrgico são controvertidos. A palidotomia estereotáxica, baseada em conhecimentos recentes sobre a doença, vem apresentando resultados interessantes.

A Estimulação Cerebral Profunda é uma técnica que pode ser utilizada no tratamento de tremores, tendo ganhado impulso com a utilização da ressonância nuclear magnética. O Implante Cirúrgico de células de feto é uma técnica muito controvertida.

Parkinsonismo

Parkinsonismo pode ser um efeito colateral dos antipsicóticos usados para o tratamento da Esquizofrenia e outras psicoses, ou outros medicamentos com ação no Sistema Nervoso Central. Geralmente acontece após a primeira semana de uso dos antipsicóticos.

Clinicamente há um tremor de extremidades, hipertonia e rigidez muscular, hipercinesia e fácies inexpressiva. O tratamento com anticolinérgicos (antiparkinsonianos) é eficaz. Para prevenir o aparecimento desses desagradáveis efeitos colaterais usamos a Prometazina – Fenergam® ou Biperideno – Akineton® por via oral.

O quadro neuro-motor é bastante semelhante à Doença de Parkinson, porém, decorrente do uso de medicamentos, normalmente, neurolépticos (antipsicóticos).

Muitas vezes, pode haver o desaparecimento de tais problemas após 3 meses de utilização do neuroléptico, como se houvesse uma espécie de tolerância ao seu uso. Esse fato favorece uma possível redução progressiva na dose do anticolinérgico que comumente associamos ao antipsicótico no início do tratamento.

Alguns autores preferem utilizar os antiparkinsonianos apenas depois de constatados os efeitos extra-piramidais, entretanto, não pensamos assim. Estabelecendo-se um plano de tratamento para a esquizofrenia, sabendo antecipadamente da cronicidade desse tratamento e, principalmente, se as doses a serem empregadas tiverem que ser um pouco mais incisivas, será quase certa a ocorrência desses efeitos colaterais. Já que o paciente deverá utilizar esses neurolépticos por muito tempo, será sempre desejável que tenham um bom relacionamento com eles. Ora, nenhum paciente aceitará como bem vindo um medicamento capaz de fazê-lo sentir-se mal, como é o caso dos efeitos extra-piramidais

Passiflora (Maracujá)

Segundo a dissertação de mestrado de Stella Maris Tessaro Figura Kurtz, a família do maracujá se divide em duas espécies (paropsieae e passifloraceae). A primeira (paropsieae) possui 14 gêneros que estão cultivados na Europa,Ásia e África, a segunda (passifloraceae) é originárias das Américas, mais precisamente, do Brasil.

O maracujá é uma fonte de carboidratos, de minerais como cálcio, ferro e fósforo, e ainda das vitaminas A, C e do complexo B. As folhas do maracujá podem ser usadas como sedativo e calmante na forma de extratos, tinturas, infusos e decoctos, efeitos esses decorrentes dos produtos alcaloídicos (passiflorina) retirados das folhas de Passiflora actinia Hooker, Passifloraceae (fonte: http://www.farmaceuticas.ufpr.br).

No Brasil a cultura do maracujá encontra condições excepcionais para seu cultivo, sendo mais comercializado na região sudeste, mas tem participação de outros estados, como por exemplo da Bahia 17,7%, Sergipe 10%, Ceará 8%. Esses estados juntos conseguem um terço da produção total e depois a região sudeste com um quarto da produção, onde São Paulo (14%) lidera a produção, seguido pelo Estado do Rio de Janeiro (7,85%).

Segundo dissertação de mestrado de Larissa de Biaggi Villas Bôas, o maracujá é constituído por diversas espécies do gênero Passiflora, cujas folhas são utilizadas como sedativo e calmante na forma de extratos, tinturas infusos e decoctos. A espécie Passiflora actinia Hook., conhecida popularmente como maracujá-do-mato, é uma espécie nativa da região Sul do Brasil. Seus estudos químicos e farmacológicos são ainda escassos, sendo o objetivo da dissertaçã~o de mestrado de Larissa de Biaggi Villas Bôas, contribuir para o conhecimento dessa espécie.

Os extratos, fluido e metanólico desclorofilado, analisados em CLAE apresentaram pico com tempo de retenção semelhante ao do padrão isovitexina, que também está presente em grande quantidade na espécie P. incarnata. As frações mais polares (n-BuOH e aquosa) apresentaram em estudos anteriores resultados que sugerem a existência de potencial ansiolítico e sedativo em ratos, sendo que o isolamento de substâncias presentes nessas frações, juntamente com biomonitoramento foi um dos objetivos desse trabalho.

A fração n-BuOH, constituída majoritariamente por flavonoides, possui isovitexina, mas orientina e vitexina estão ausentes. Outros flavonoides estão presentes nas frações, mas não puderam ser isolados e identificados. Parte da fração aquosa do extrato metanólico desclorofilado foi submetida à acetilação, de onde foi isolada uma substância e, identificada por 1H e 13C-RMN como glicerol. As separações de substâncias ativas das frações polares utilizando cromatografia em coluna com Sílica Gel 60G, Sephadex LH-20 e Amberlite XAD-16 não foram bem sucedidas, demonstrando a dificuldade de isolamento de constituintes ativos do maracujá, fato já experimentado por outros pesquisadores (LOLLI, L.F.; SATO, C.C.M.; Romanini, C.V.; VILLAS-BÔAS, L.B.; SANTOS,  C.A.M.; OLIVEIRA, R.M.M.W. Possible involvement of GABAa-benzodiazepine receptor in anxiolytic-like effect induced by Passiflora actinia extracts in mice. Journal of Ethnopharmacology, v. 111, p. 308-314, 2007).

Pensamento

Pensamento é uma atividade mental que envolve a manipulação de símbolos, sinais, conceitos ou idéias simbolicamente representados.  Pensamento e linguagem estão intimamente relacionados. Se considerarmos a memória como um arquivo, pensamento é o termo utilizado para descreve: as diversas maneiras que temos para recuperar, examinar, combinar e reagrupar as informações arquivadas.

A memória, a aprendizagem, o Pensamento e a linguagem são processos intimamente interligados. Um exemplo disto é o fato de que uma palavra pode lembrar-nos outras e fazer surgir imagens em nossa mente, da mesma forma que uma percepção pode fazer surgir imagens e também nos fazer lembrar de uma descrição linguística.

O vínculo fundamental entre o Pensamento e a linguagem está no fato de que aprendemos muito pela descrição. Nós pensamos pela manipulação interna da linguagem, e o próprio fato de que conseguimos associar corretamente um nome a um objeto é prova evidente de que a nossa memória guarda tanto o nome quanto a representação simbólica da coisa.

Pensamento Dereista

Pensamento Derreista é aquele que se desvia da razão, faltando-lhe vocação em se atrelar à realidade. Sua característica principal e criar, a partir de novas representações, um mundo novo de acordo com os desejos, anseios e angústias. Uma das modalidades (a mais grave) de Pensamento Derreista é o Pensamento Autista, o qual se recolhe totalmente em si mesmo, isolado e emancipado da realidade, prescindindo dos estímulos externos e bastando-se a si mesmo.

Bleuler deixou explícito que nos casos de esquizofrenia o pensar se encontra profundamente alterado. O voltar-se para o mundo interno contribui para que o pensamento se manifeste sob a forma de devaneio, quando a pessoa pode deixar suas fantasias em total liberdade, de rédeas soltas. Em tais circunstâncias, o pensar não obedece às leis da lógica e, nos casos mais acentuados, tudo transcorre como se o indivíduo estivesse submerso num verdadeiro estado onírico.

Para Bleuler, o Pensamento Derreísta obedece às suas próprias leis e utiliza as relações lógicas habituais apenas na medida em que são convenientes mas, de qualquer forma, ele não se acha ligado de nenhuma maneira a essas leis lógicas. O Pensamento Derreísta está dirigido pelas necessidades íntimas do paciente, o qual pensa mediante símbolos, analogias, conceitos fragmentários e vinculações acidentais.

Veja Pensamento Dereista na seção Psicopatologia em Alterações (da Forma) do Pensamento

 

Pensamento Obsessivo

A intromissão indesejável de um pensamento no campo da consciência de maneira insistente e repetitiva, reconhecido pelo indivíduo como um fenômeno incômodo e absurdo, é denominado de Pensamento Obsessivo. Portanto, para que seja Obsessão é necessário o aspecto involuntário das idéias, bem como, o reconhecimento de sua conotação ilógica pelo próprio paciente, ou seja, ele deve ter crítica sobre o aspecto irreal e absurdo desta ideia indesejável.

As Obsessões estão tão enraizadas na consciência que não podem ser removidas simplesmente por um aconselhamento razoável, nem por livre decisão do paciente. Elas parecem ter existência emancipada da vontade e, por não comprometerem o juízo crítico, os pacientes têm a exata noção do absurdo de seu conteúdo mental. Em maior ou menor grau, as Ideias Obsessivas ocorrem em todas as pessoas, notadamente quando crianças.

As Ideias Obsessivas podem aparecer, por exemplo, como uma musiquinha conhecida que “não sai da cabeça”, ou a ideia de que pode haver um bicho debaixo da cama, ou que o gás pode estar aberto apesar da lógica sugerir estar fechado.

Em crianças aparecem como um certo impedimento em pisar nos riscos da calçada, uma obrigatoriedade em contar as árvores da rua ou os carros que passam, etc. Estas idéias obrigatórias, quando exageradas e promovedoras de significativa ansiedade ou sofrimento, constituem quadro patológico.

A temática das Ideias Obsessivas pode ser extremamente variável, entretanto, em grande número de vezes diz respeito à higiene, contaminação, transmissão de doenças, bactérias, vírus, organização ou coisas assim.

É muito freqüente também a existência de Ideias Obsessivas sobre um eventual impulso suicida, como por exemplo saltar da janela de edifícios, ou em ser acometido subitamente por impulsos de agressão e ferir pessoas, principalmente os filhos. Neste último caso a obsessão está justamente em acreditar que, diante de um mal estar súbito, a pessoa venha a perder o controle e executar, impulsivamente, aquilo que sugere tais idéias.

 

Peptidase

Peptidases são enzimas que degradam as proteínas (peptídeos) em fragmentos menores e, eventualmente, em simples aminoácidos. As enzimas comumente encontradas no trato digestivo são a pepsina, a tripsina e peptidases, lipases e amilases. As Peptidases são as enzimas destinadas à decomposição das proteínas.

Podemos encontrar Peptidases próximos das membranas dos neurônios pré e pós sinápticos, no citoplasma ou em fluídos extracelulares do Sistema Nervoso Central, no Líquido Céfalo Raquidiano, no soro ou nos órgãos periféricos.

Percepção

O termo Percepção designa o ato pelo qual tomamos conhecimento de um objeto do meio exterior. A maior parte de nossas percepções conscientes provém do meio externo, pois as sensações dos órgãos internos não são conscientes na maioria das vezes e desempenham papel limitado na elaboração do conhecimento do mundo. Trata-se, a Percepção, da apreensão de uma situação objetiva baseada em sensações, acompanhada de representações e freqüentemente de juízos.

Percepção, ao contrário da sensação, não é uma fotografia dos objetos do mundo determinada exclusivamente pelas qualidades objetivas do estímulo.

Na Percepção, acrescentamos aos estímulos elementos da memória, do raciocínio, do juízo e do afeto, portanto, acoplamos às qualidades objetivas dos sentidos outros elementos subjetivos e próprios de cada indivíduo.

Percepção de Cores, Alteração na

Chama-se Acromatopsia a incapacidade de distinguir cores apesar de haver integridade das células pigmentadas da retina. O distúrbio da percepção de cores está prejudicada por defeito primário na fisiologia dos cones retinianos.

As características principais da Acromatopsia podem ser:
– ausência de função dos cones
– percepção de intensidades luminosas diferenças
– deslumbramento acentuado (glare)

Pernas Agitadas, Síndrome das

 

Síndrome das Pernas Agitadas caracteriza-se por desconfortável sensação, geralmente nas panturrilhas, cujo alívio pode ser obtido por atividades como andar.

Este distúrbio interrompe o sono e quase sempre é acompanhado por PLMS à noite. Os PLMS caracterizam-se por freqüentes e bruscos movimentos dos braços ou das pernas durante o sono e podem ocorrer na ausência da síndrome das pernas agitadas.

Os que sofrem de PLMS podem queixar-se de insônia ou EDS, mas não estarem cientes dos movimentos bruscos de seus membros. Isto porque os movimentos bruscos podem perturbar o sono, mas não acordar completamente o paciente A polissonografia pode confirmar o diagnóstico.

O tratamento farmacológico tem comprovada eficácia para PLMS incluindo o uso de clonazepam e temazepam.

Perseveração do Pensamento

Perseveração do Pensamento é a repetição continuada e anormalmente persistente na exposição de uma ideia. Existe uma aderência persistente de um determinado pensamento numa espécie de ruminação mental, como se faltasse ao paciente a formação de novas representações na consciência.

Percebemos que há uma grande dificuldade em desenvolver um raciocínio, seja por simples falta de palavras, por escassez de ideias ou dificuldade de coordenação mental. Por definição a Perseveração do Pensamento é a repetição automática e freqüente de representações, predominantemente verbais e motoras, que são evocadas como material supérfluo nos casos em que existe um déficit na evo-cação de novos elementos ideológicos.

Perseveração do Pensamento está incluída nos distúrbios do curso do pensamento por sugerir que a temática em pauta se encontra limitada a um curso circular, que não tem fim e repete-se seguidamente. Havia um paciente epiléptico que dizia: “então a minha mãe corria atrás da gente com uma faca, aí eu ia buscar a Genizinha que sabia benzer ela, então chegava e benzia e minha mãe corria atrás da gente com uma faca, aí eu ia buscar a Genizinha que sabia benzer ela, então chegava e benzia minha mãe que corria atrás da gente…”

Observamos Perseveração do Pensamento em alguns casos de agudização psicótica, nos quais há significativa desestruturação da consciência e um determinado estímulo interno passa a se assenhorar de toda personalidade naquele momento. Também observamos em determinados Estados Crepusculares, onde, patologicamente há um significativo estreitamento da consciência.

Personalidade

 

As teorias, discussões e controvérsias sobre a Personalidade foram temas sempre presentes em toda história da filosofia, psicologia, sociologia, antropologia e medicina geral. Entre tantas tendências,destaca-se um tronco ideológico, segundo o qual os seres humanos foram criados iguais quanto sua capacidade potencial. Neste caso, a ocorrência das diferenças individuais seria interpretada como uma decisiva influência ambiental sobre o desenvolvimento da Personalidade.

De acordo com tal enfoque, havendo no mundo uma hipotética igualdade de oportunidades, todos seríamos iguais quanto as nossas realizações, já que, potencialmente somos iguais. Assim pensando, se a todos fossem dadas oportunidades iguais, como por exemplo oportunidades musicais ou artísticas, seria impossível destacar-se um Mozart ou Tchaicowski porque a potencialidade de todos seus colegas de classe seria a mesma. A única diferença entre Einsten e os demais teria sido uma simples questão de oportunidade e circunstâncias ambientais. Neste caso a Personalidade, a inteligência, a vocação e a própria doença mental seriam questões exclusivamente ambientais.

A idéia de buscar fora da pessoa os elementos que explicassem seu comportamento e sua desenvoltura vivencial teve ênfase com as teorias de Russeau, segundo o qual era a sociedade quem corrompia o homem. Subestimou-se a possibilidade da sociedade refletir, exatamente, a totalidade das tendências humanas. Seres humanos que trazem em si um potencial corruptor o qual, agindo sobre outros indivíduos sujeito à corrupção, produzem um efeito corruptível. Ou seja, trata-se de um demérito tipicamente humano.

Outra concepção acerca da Personalidade foi baseada na constituição biotipológica, segundo a qual a genética não estaria limitada exclusivamente à cor dos olhos, dos cabelos, da pele, à estatura, aos distúrbios metabólicos e, às vezes, às malformações físicas, mas também, determinaria às peculiares maneiras do indivíduo relacionar-se com o mundo: seu temperamento, seus traços afetivos, etc.

As considerações extremadas neste sentido descartam qualquer possibilidade de influência do meio sobre o desenvolvimento e performance da Personalidade e atribui aos arranjos sinápticos e genéticos a explicação de todas características da personalidade da pessoa.

Buscando um meio termo, como apelo ao bom senso, podemos considerar a totalidade do ser humano como sendo um balanço entre duas porções que se conjugam de forma a produzir a pessoa tal como é:

1- uma natureza biológica, tendo por base nossa natural submissão ao reino animal e nossa submissão também às leis da biologia, da genética e dos instintos. Assim sendo, os genes herdados se apresentam como possibilidades variáveis de desenvolvimento em contacto com o meio (e não como certeza inexorável de desenvolvimento);

2- uma natureza existencial, supra biológica conferindo à Personalidade elementos que transcendem o animal que repousa em nós. A pessoa, ser único e individual, distinto de todos outros indivíduos de sua espécie, traduz a essência de uma peculiar combinação bio-psico-social.

Desta forma, a ideia de Personalidade poderia ser esbouçada da seguinte maneira:
PERSONALIDADE É A ORGANIZAÇÃO DINÂMICA DOS TRAÇOS NO INTERIOR DO EU, FORMADOS A PARTIR DOS GENES PARTICULARES QUE HERDAMOS, DAS EXISTÊNCIAS SINGULARES QUE SUPORTAMOS E DAS PERCEPÇÕES INDIVIDUAIS QUE TEMOS DO MUNDO, CAPAZES DE TORNAR CADA INDIVÍDUO ÚNICO EM SUA MANEIRA DE SER E DE DESEMPENHAR O SEU PAPEL SOCIAL“.

 

Personalidade Ansiosa

A marca característica do Transtorno Ansioso de Personalidade é a persistência e continuidade de tensão e apreensão. Como conseqüência disso o portador deste tipo psicológico experimenta a crença freqüente de ser socialmente inepto, desinteressante e desagradável, portanto, inferior aos demais. Na realidade, a ansiedade aparece com maior exuberância sempre que tais pessoas vislumbrem a possibilidade de serem objeto de apreciação por parte dos demais.

Normalmente, devido aos sentimentos supra-referidos, há isolamento social e, como o próprio nome do transtorno diz, uma constante evitação social. O que, de fato, eles evitam é a possibilidade de experimentarem sentimentos desagradáveis de desapreço ao se submeterem ao jugo público. Com freqüência se utilizam de mentiras com a intenção de dissimularem sua real situação existencial, pois, de qualquer forma, acham que se os interlocutores souberem como eles são realmente, perderão todo interesse em suas pessoas.

Personalidade Tipo A

descrição, classificação e denominação de Personalidade Tipo A, foram conceitos introduzidos na literatura médica por Friedman e Rosenman depois de 195O.  De acordo com estes autores, existiria um tipo de personalidade chamada Tipo A, o qual se relacionaria à maior propensão para a cardiopatia isquêmica.

Estava pois, caracterizada a Personalidade Tipo A, como sendo portadora de um marcante traço para a ação e emoção, resultando numa atitude de contínua e vigorosa luta em direção aos objetivos, menosprezo às eventuais circunstâncias adversas e afetação especial para com o aproveitamento laborativo do tempo.

Não se pretende aqui afirmar que os enfartados de um modo geral tenham personalidade afins, idênticas nem, tampouco semelhantes. Nada disso. O que se afirma é que pessoas portadoras de alguns traços de personalidade, normalmente de natureza ansiosa, são propensas a problemas coronarianos mais que pessoas sem esses traços.

Também se contesta, de modo geral, que a personalidade dessas pessoas seja constitucionalmente do jeito que se descreve. Nada disso. O que há de comum nesse tipo definido como A de personalidade, é a contundente inclinação à ansiedade exagerada. Os tipos de comportamento decorrente da maneira ansiosa de se viver são mais culturais que biológicos. A competitividade, por exemplo, traço marcante de comportamento da Personalidade Tipo A, só é estimulado pela civilização da produção e do sucesso social, portanto, valores culturais.

 

Personalidade, Alterações da

As Alterações Permanentes da Personalidade estão classificadas como F62 na CID.10. Um transtorno da personalidade e do comportamento adulto que se desenvolve após estresse catastrófico ou excessivamente prolongado, ou após várias doenças psiquiátricas graves num indivíduo sem transtorno de personalidade prévia.

Há uma mudança definitiva e permanente no padrão individual de perceber, relacionar-se com o mundo e consigo próprio. A mudança de personalidade é associada com comportamento inflexível e mal-adaptativo que não estava presente antes da experiência patogênica e não é uma manifestação de outro transtomo i mental nem um sintoma residual de qualquer transtorno mental precedente.

ALTERAÇÕES PERMANENTES DA PERSONALIDADE APÓS EXPERIÊNCIA CATASTRÓFICA (F62.0)
Caracterizam-se por uma atitude hostil ou desconfiada em relação ao mundo, isolamento social, sentimento de inutilidade (vazio) ou desesperança e vm sentimento crônico de estar “no limite”, como se estivesse constantemente ameaçado. As alterações estão presentes por pelo menos dois anos e o estresse é tão extremo que é desnecessário considerar a vulnerabilidade pessoal para explicar seu profundo efeito sobre a personalidade.

Os estressores típicos mais relacionados à essas alterações de personalidade incluem experiências em campos de concentração, desastres, cativeiro prolongado com iminente possibilidade de ser morto e exposição prolongada a sitvações de risco de vida tal como ser vítima de terrorismo e de tortura.

ALTERAÇÕES PERMANENTES DA PERSONALIDADE DEPOIS DE DOENÇA PSIOUIÁTRICA
1) Essas alterações de personalidade se caracterizam por uma dependência excessiva e uma atitude exigente em relação aos outros, e uma convicção de ter sido transformado ou estigmatizado pela doença precedente, que levam a:

a) uma incapacidade para estabelecer e manter relações pessoais próximas e isolamento social,
b) passividade,
c) redução de interesses e diminuição do envolvimento em atividades anteriormente prazerosas e apreciadas,
d) queixas persistentes de estar doente que podem ser associadas com queixas hipocondríacas e comportamento de ficar doente,
e) humor disfórico ou lábil não devido à presença de uma doença mental atual nem a transtorno mental anterior com sintomas afetivos residuais e
f) problemas importantes no funcionamento social e ocupacional. As alterações persistem por pelo menos dois anos e não podem ser explicadas nem por um transtorno da personalidade prévio nem como uma recuperação incompleta, ou residual de um transtorno mental antecedente.

Veja Transtornos da Personalidade

Personalidade, Transtornos de

Transtornos de Personalidade seriam modalidades incomuns do indivíduo interagir com sua vida, de se manifestar socialmente, de experimentar sentimentos (ou não experimentá-los). A CID-10 apresenta entre os títulos F60 e F69 uma grande variedade de subtipos de Transtornos de Personalidade. Procuraremos aqui compatibilizá-los todos com outras classificações de forma a abordar os tipos sinônimos com a mesma descrição.

Segundo o CID.10, os “Transtornos de Personalidade abrangem padrões de comportamento profundamente arraigados e permanentes, manifestando-se como respostas inflexíveis a uma ampla série de situações pessoais e sociais. Eles representam desvios extremos ou significativos do modo como o indivíduo médio, em uma dada cultura, percebe, pensa, sente e, particularmente, se relaciona com os outros.

Tais padrões de comportamento tendem a ser estáveis e a abranger múltiplos domínios de comportamento e funcionamento psicológico. Eles estão freqüentemente, mas não sempre, associados a graus variados de angústia subjetiva e a problemas no funcionamento e desempenho sociais.

O DSM-IV fala dos Transtornos de Personalidade da seguinte forma:
Um Transtornos de Personalidade é um padrão persistente de vivência íntima ou comportamento que se desvia acentuadamente das expectativas da cultura do indivíduo, é invasivo e inflexível, tem seu início na adolescência ou começo da idade adulta, é estável ao longo do tempo e provoca sofrimento ou prejuízo.”

Perversão Sexual

Perversão Sexual é uma estrutura psicopatológica caracterizada pelos desvios de objeto e finalidade sexuais. A pessoa portadora de perversão sente-se atraída por aquilo que é pessoalmente ou socialmente proibido e inaceitável.

Dentre as mais conhecidas perversões estão: a pedofilia (atração por crianças); a bestialidade ou a zoofilia ( atração por animais); a sodomia ( uso do orifício anal com finalidades sexuais); o sadismo (prazer obtido ao infligir dor ao parceiro) e o masoquismo (prazer em sofrer); o fetichismo (atração por parte específica do corpo do parceiro ou por algo que o represente).

Algumas formas de Perversão Sexual como o fetichismo (atração partes do corpo do parceiro, peças do vestuário dele, perfumes, etc), o voyerismo (prazer em observar o ato sexual sendo praticado) e o exibicionismo (prazer em exibir o corpo desnudo, especialmente os genitais), são componentes naturais de excitação erótica na vida cotidiana dos casais em geral, tendo importante função no momento antecedente ao ato sexual. Por este motivo, a Psiquiatria retirou o termo “perversão”, que já tem um peso pejorativo no senso comum, e colocou em seu lugar o termo “parafilia” para caracterizar a patologia (para desvio; filia aquilo para que a pessoa é atraída).

Dessa forma fica amenizado o estigma que a palavra perversão coloca sobre a sexualidade humana normal.

O que caracteriza a patologia é a fixação nas escolhas distorcidas de objeto e finalidade sexual. As fantasias são especializadas, de natureza repetitiva e que angustiam a pessoa de modo que ela fica compelida ao ato parafínico.

PET ou SPECT

ratam-se de exames funcionais do cérebro. Os atuais PET SPECT funcionam com o mesmo princípio do antigo mapeamento radioativo de tireoide, apenas foi acrescido e requintado com sofisticação técnica e com os modernos recursos da informática.

Inicialmente, injeta-se no paciente uma dose de uma substância radioativa, chamada traçadora, que será absorvida pelo cérebro. Normalmente trata-se de uma molécula normal de glicose, facilmente absorvida pelas células cerebrais, molécula esta ligada artificialmente ao flúor radioativo. As células no cérebro mais ativas absorverão mais substância traçadora porque elas tem um metabolismo mais acelerado e, conseqüentemente, necessitam de mais energia.

Nessas circunstâncias o átomo de flúor, por ser radioativo, emite um pósitron, que é uma espécie de elétron com carga elétrica positiva. Quando este pósitron colide com o elétron ocorre liberação de raios gama, que são captados pelo aparelho de PET (Positron Emission Tomography). Quando a emissão não é pósitron, mas sim fóton (outra partícula do átomo), o método se chamará SPECT.

No mapeamento cerebral a cor preta significa atividade nula ou de contagem zero, enquanto o branco significa o nível mais alto de atividade. Os equipamentos modernos convertem as várias tonalidades do cinza em tons de cores do arco-íris, sendo o vermelho representando a contagem mais alta, depois vindo o amarelo, depois o verde, e assim por diante. Azul, violeta e preto representam os níveis mais baixos de atividade.

Quando se quer, por exemplo, estudar a função de determinados receptores cerebrais, são usados traçadores que se ligam quimicamente a esses receptores. Normalmente esses traçadores se distribuem em proporção direta no fluxo sanguíneo ou ao consumo de glicose no cérebro, os quais representam medidas fiéis do funcionamento cerebral regional. Atualmente tem-se usado os chamados radio-traçadores, antagonistas de tipos específicos de receptores cerebrais ou bloqueadores pré-sinápticos.

Estes novos traçadores permitem a construção de imagens tomográficas de PET e SPECT que correspondem, à distribuição muito específica de terminais pré-sinápticos dopaminérgicos, de neuro-receptores dopaminérgicos D1 e D2, serotonérgicos 5-HT1Ae 5-HT2, GABA-érgicos, colinérgicos e opioides entre outros.

Na doença de Parkinson, por exemplo, como os receptores de dopamina são danificados, eles podem ter sua função investigada pelo PET ou SPECT. Os computadores associados ao PET e SPECT tomam várias fatias do exame e constroem uma visão tridimensional do órgão, atendendo a qualquer perspectiva desejada.

Piaget, Teoria Cognitiva de

Para Piaget, a atividade intelectual não pode ser separada do funcionamento “total” do organismo. Assim sendo, ele considerou o funcionamento intelectual como uma forma especial de atividade biológica. Ambas as atividades, intelectual e biológica, são partes do processo global através do qual o organismo adapta-se ao meio e organiza as experiências. Piaget concebeu a inteligência como tendo dois aspectos, o cognitivo e o afetivo.

O aspecto cognitivo tem três componentes: o conteúdo, a função e a estrutura. Ele identificou três tipos de conhecimento: o conhecimento físico, o conhecimento lógico-matemático e conhecimento social. O conhecimento físico é o conhecimento das propriedades dos objetos e é derivado das ações sobre os objetos. O conhecimento lógico-matemático é o conhecimento construído com base nas ações sobre os objetos.

O conhecimento social é o conhecimento sobre as coisas criadas pelas culturas e acontece através da interação com as outras pessoas e o meio ambiente. Cada tipo de conhecimento depende das ações físicas ou mentais. As ações instrumentais do desenvolvimento são aquelas que geram desequilíbrios e conduzem ao esforço de estabelecer equilíbrio (equilibração). Assimilação e acomodação são os agentes de equilibração, o auto-regulador do desenvolvimento.

Quatro fatores e suas interações são necessários para o desenvolvimento: a maturação, experiência ativa, interação social e equilibração. O desenvolvimento cognitivo, enquanto um processo contínuo, pode ser dividido em quatro estágios para fins de análise e descrição:

. Sensório-motor (0-2 anos) . O desenvolvimento caminha da atividade reflexa à representação e a solução de problemas sensório-motores. Surgem os sentimentos primitivos de gostar e não gostar. A afetividade é investida no “eu”.
. Pré-operacional (2-7 anos) . Problemas resolvidos pelo emprego das representações mentais – desenvolvimento da linguagem (2-4). Pensamento e linguagem, ambos egocêntricos. Não pode solucionar os problemas de conservação. O desenvolvimento caminha da representação sensório-motora ao pensamento pré-lógico e à solução de problemas. Tem ínicio o verdadeiro comportamento social. Intencionalidade ausente nos julgamentos morais.
. Operações Concretas (7-11 anos) . Pensamento adquire reversibilidade. Pode solucionar os problemas de conservação – as operações lógicas são aplicadas na solução de problemas concretos. Não pode resolver problemas verbais e problemas hipotéticos complexos. O desenvolvimento caminha do pensamento pré-lógico à solução dos problemas concretos. Aparecimento da vontade e início da autonomia. A intencionalidade é construída.
. Operações Formais (11-15 anos) . Pode resolver todos os tipos de problemas, logicamente – e pensar cientificamente. Soluciona os problemas verbais e hipotéticos complexos. Estruturas cognitivas adultas. O desenvolvimento caminha da solução dos problemas concretos à solução lógica de todos os tipos de problemas. Emergência dos sentimentos idealistas e formação da personalidade. Início da adaptação ao mundo adulto.

desenvolvimento afetivo ocorre de modo semelhante ao desenvolvimento cognitivo. Isto é, as estruturas afetivas são construídas como as estruturas cognitivas. O aspecto afetivo é responsável pela ativação da atividade intelectual e pela seleção dos objetos sobre os quais agir.

Algumas recomendações são interessantes, levando-se em consideração a teoria piagetiana:

1. Os pais e professores devem assumir relações de respeito mútuo com as crianças, e não autoritárias, pelo menos alguma parte do tempo em que permanecem juntos. os professores podem encorajar as crianças a resolverem problemas por si mesmas e a desenvolverem a autonomia. Os professores precisam respeitar as crianças.
2. Quando a punição às crianças se fizer necessária, ela deve estar baseada na reciprocidade e não na expiação. Por exemplo, o menino que se recusa a arrumar o seu quarto pode ser privado das coisas que estão no seu quarto. À menina que bate em outras crianças, deve ser negada a interação com outras crianças.
3. Os professores podem promover a interação social nas salas de aula e encorajar o questionamento e o exame de qualquer problema que pode ser levantado pelas crianças.
4. Os professores podem envolver os alunos, mesmo os da pré-escola, em discussões de problemas.  À medida em que ouvem os argumentos de seus colegas podem experimentar a desequilibração cognitiva, que pode conduzir à reorganização de seus conceitos. O conflito cognitivo é necessário para a reestruturação do raciocínio e para o desenvolvimento mental.
5. As escolas e as salas de aula podem ser reestruturadas de modo a permitir uma maior participação dos alunos nos aspectos significativos do processo de direção e administração da escola. A responsabilidade, a cooperação e autodisciplina não podem ser transmitidas às crianças autoritariamente. Tais conceitos devem ser construídos por elas a partir de suas próprias experiências, para o quê as relações de respeito mútuo são essenciais. É discutível a idéia de que as crianças podem desenvolver os conceitos de justiça, baseados na cooperação, em um ambiente cujo sentido de justiça tenha por base apenas a autoridade.

 

Piromania

A característica essencial da Piromania, segundo o DSM.IV, é a presença de múltiplos episódios de provocação deliberada e proposital de incêndios. Os indivíduos com este transtorno experimentam tensão ou excitação afetiva antes de provocarem um incêndio e existe uma fascinação, interesse, curiosidade ou atração pelo fogo e seus contextos situacionais.

Os pirômanos costumam ser espectadores regulares de incêndios nos arredores, podem acionar alarmes falsos contra incêndio e podem sentir prazer a partir de instituições, equipamentos e pessoal associados com incêndios. O comportamento incendiário não visa obter ganhos monetários, expressar uma ideologia sócio-política, encobrir uma atividade criminosa, expressar raiva ou vingança, melhorar as próprias condições de vida, nem são em resposta a um delírio ou uma alucinação.

Placas Senis

Na Doença de Alzheimer, quadro caracterizado por acentuada e progressiva demência, uma série de alterações cerebrais já podem ser consideradas características. Entre as alterações mais descritas estão as chamadas Placas Senis e os emaranhados neurofibrilares, bem como característicos achados na imagem cerebral.

Alzheimer é o nome de um médico alemão, Alois Alzheimer (1864-1915), que em 1906, ao fazer uma autópsia, descobriu no cérebro do morto, lesões que ninguém nunca tinha visto antes. Tratava-se de um problema de dentro dos neurônios (as células cerebrais), os quais apareciam atrofiados em vários lugares do cérebro, e cheios de placas estranhas e fibras retorcidas, enroscadas umas nas outras.

Desde então, esse tipo de degeneração nos neurônios ficou conhecido como Placas Senis, característica fundamental da Doença de Alzheimer.

Positivismo

Positivismo foi uma corrente filosófica cujo mentor e iniciador principal foi Auguste Comte, no século XIX. Apareceu como reação ao idealismo, opondo ao primado da razão, o primado da experiência sensível (e dos dados positivos).

Positivismo propõe a ideia de uma ciência sem teologia ou metafísica, baseada apenas no mundo físico e material. A diferença fundamental entre o Idealismo até então e o Positivismo é que o primeiro procura uma interpretação, uma unificação da experiência mediante a razão e o segundo, ao contrário, se limita à experiência imediata e pura, como acontecia no chamado Empirismo.

Por conta disso é que o Positivismo se caracteriza por uma pobreza filosófica, apesar do grande valor como descrição e análise objetiva da experiência. O maior ganho do Positivismo foi no campo prático, técnico, aplicado.

Segundo o antropólogo Edmund Leach, o Positivismo é a visão de que o inquérito científico sério não deveria procurar causas últimas derivadas de alguma fonte externa mas sim, confinar-se ao estudo de relações existentes entre fatos que são diretamente acessíveis pela observação.

Possessão

O fenômeno da Possessão tem caráter universal e a psicopatologia tenta explicá-lo em termos de sugestão ou auto-sugestão ou como resultado de desdobramentos do eu. Evidentemente a crença cultural em espíritos desempenha papel importante no aparecimento dessas possessões.

Oesterreich acha que através da provocação da Possessão, o ser humano primitivo procurou voluntariamente a presença consciente do metafísico e o desejo da presença divina, ambos oferecendo forte incentivo para continuar a cultivar estados de Possessão. Também os desejos de comunicação com ancestrais e outros parentes mortos desempenha importante papel na Possessão do moderno espiritismo. Em seu estudo, Oesterreich procurou destacar as relações da Possessão com as condições sócio-culturais existentes entre os povos onde o fenômeno é observado e, pode-se dizer que, na sociedade humana, a possessão começa a desaparecer assim que a crença nos espíritos vai perdendo influência. A partir do momento em que não se leva a sério a possibilidade da Possessão, começa a faltar a necessária auto-sugestão.

Na clínica psiquiátrica a Possessão é sempre acompanhada do sentimento de desdobramento da personalidade e se manifesta em sua forma típica no delírio de possessão demoníaca ou no Transtorno de Possessão. Há também um evidente aspecto de contaminação (normalmente entre pacientes histéricos) desses fenômenos de possessão, onde ocorrem “epidemias” de possuídos.

Potomania

Potomania é um impulso incontrolável e de causa psiquiátrica, o qual motiva o paciente a beber grandes quantidades de líquidos (água na maioria dos casos).

Debe ser distinguido da polidipsia, ou necessidade de beber grandes quantidades de água para compensar perdas importantes (por exemplo na descompensação diabética ou outras doenças orgânicas).

No caso da Potomania, trata-se de um transtorno psiquiátrico emancipado da necessidade de compensar quaisquer perdas de líquidos.

Pragmatismo

Pragmatismo é um termo usado em Filosofia. Deriva das doutrinas de C. S. Peirce, W. James, J. Dewey e, principalmente, do literato alemão Friedrich J. C. Schiller (1759-1805), cuja tese fundamental é que a verdade de uma doutrina consiste no fato de que ela seja útil e propicie alguma espécie de êxito ou satisfação.

Peirce afirmava que o conceito que temos de um objeto nada mais é que a soma dos conceitos de todos os efeitos concebíveis como decorrentes das implicações práticas que podemos conceber para o referido objeto.

Dizemos que algo é pragmático quando é relativo aos atos que se devem praticar, quando é referente às aplicações práticas, voltado para a ação.

Em psiquiatria dizemos, por exemplo, que o Pragmatismo da pessoa introvertida é algo mais difícil que da pessoa extrovertida, significando que o introvertido tem mais dificuldade em lidar com aspectos da vida prática.

Quando falta o pragmatismo dizemos Apragmatismo, que é a incapacidade de realizar atos eficientes, objetivos e propositais. No Apragmatismo a atividade fica estéril ou ineficaz por incoordenação das ações parciais necessárias à realização do ato pleno.

Nos estados confusionais as pessoas ficam apragmáticas, assim como nos Estados Crepusculares e em algumas crises de epilepsia parcial e/ou psicomotora.

Em muitas doenças mentais, incluindo as mais graves, como a Esquizofrenia, Demência, Deficiência Mental, etc, pode haver um prejuízo do pragmatismo.

Pré-Frontal, Área

área ou córtex pré-frontal é uma região do cérebro que apresenta o período de desenvolvimento mais prolongado, após o nascimento, em relação a qualquer outra parte do cérebro. É de sua responsabilidade as tarefas cognitivas mais sofisticadas e complexas da mente humana.

Devido sua grande heterogeneidade e complexidade, nenhuma teoria é amplamente aceita para explicar as funções do córtex pré-frontal. Entretanto, várias dessas teorias convergem para três funções cognitivas básicas desta área, ligadas à memória de trabalho. Assim, a área pré-frontal vem sendo considerada a “sede” da personalidade. Ainda há muitas especulações em torno dessa região, mas, por meio da interpretação de dados experimentais e clínicos, nota-se que essa estrutura participa na tomada de decisões e na adoção de estratégias comporta mentais mais adequadas à situação física e social; ademais, parece estar relacionada à capacidade de seguir seqüências ordenadas de pensamentos e a modalidades de controle do comportamento emocional.

Sabe-se também que o córtex pré-frontal mantém informações relevantes acessíveis por períodos curtos de tempo, enquanto uma determinada tarefa está sendo executada. Em segundo, ele planeja e executa uma seqüência de ações. Por fim o córtex pré-frontal se encarrega de inibir respostas inadequadas para um determinado contexto, e estimular estas respostas em outros contextos.

Quando o córtex pré-frontal é lesado , há severo prejuízo das responsabilidades sociais (lesões orbitofrontais), bem como a capacidade de concentração e de abstração (lesões dorsolaterais). Em alguns casos, a pessoa, conquanto mantendo intactas a consciência e algumas funções cognitivas, como a linguagem, já não consegue resolver problemas, mesmo os mais elementares.

Quando se praticava a lobotomia pré-frontal para tratamento de certos distúrbios psiquiátricos, os pacientes entravam em estado de “tamponamento afetivo”, não mais evidenciando quaisquer sinais de alegria, tristeza, esperança ou desesperança. Em suas palavras ou atitudes não mais se vislumbravam quaisquer resquícios de afetividade.

 

Projeção

O ato de atribuir a uma outra pessoa, animal ou objeto as qualidades, sentimentos ou intenções que se originam em si próprio, é denominado Projeção. É um mecanismo de defesa através do qual os aspectos da personalidade de um indivíduo são deslocados de dentro deste para o meio externo. A ameaça é tratada como se fosse uma força externa. A pessoa com Projeção pode, então, lidar com sentimentos reais, mas sem admitir ou estar consciente do fato de que a idéia ou comportamento temido é dela mesma.

Alguém que afirma textualmente que “todos nós somos algo desonestos” está, na realidade, tentando projetar nos demais suas próprias características. Ou então, dizer que “todos os homens e mulheres querem apenas uma coisa, sexo”, pode refletir uma Projeção nos demais de estar pessoalmente pensando muito a respeito de sexo. Outras vezes dizemos que “inexplicavelmente Fulano não gosta de mim”, quando na realidade sou eu quem não gosta do Fulano gratuitamente.

Sempre que caracterizamos algo de fora de nós como sendo mau, perigoso, pervertido, imoral e assim por diante, sem reconhecermos que essas características podem também ser verdadeiras para nós, é provável que estejamos projetando.

Pesquisas relativas à dinâmica do preconceito mostraram que as pessoas que tendem a estereotipar outras também revelam pouca percepção de seus próprios sentimentos. As pessoas que negam ter um determinado traço específico de personalidade são sempre mais críticas em relação a este traço quando o vêem nos outros.

Projeto Genoma

O genoma humano, o livro da vida, é a pesquisa conduzida por um consórcio internacional que irá mudar a forma que os cientistas fazem pesquisas e revoluciona a medicina por aumentar o conhecimento sobre o que nos torna humanos. Trata-se do sequenciamento do código genético humano.

Já se revelou que os seres humanos têm menos genes, de 30 mil a 40 mil, o que representa apenas o dobro do apresentado por vermes ou moscas. Mas muitos deles trabalham de forma bastante diferente.

É um manancial de informação que os cientistas descobriram e começaram a entender melhor a genética humana. Estes dados devem estar acessíveis a todos de forma a que possam ser revistos e atualizados com novos detalhes. Eles estão livremente disponível para uso por todos os cientistas.

Projeto Genoma Humano, um consórcio financiado com verbas públicas de centenas de cientistas de todo o mundo, publicou sua seqüência do genoma humano na revista Nature em 2000.

Contrariamente ao Projeto Genoma, cujos resultados são propriedade pública internacional e com total liberdade de informação e liberdade de acesso, a Celera Genomics, é uma equipe concorrente financiada pela iniciativa privada. A Celera Genomics divulgou seu trabalho na revista Science com limitações à sua livre circulação.

Os cientistas que trabalham no Projeto Genoma Humano acreditam que restringir o uso da informação sobre o código genético humano irá prejudicar a pesquisa médica, particularmente nos países em desenvolvimento.

Prolixidade ou Circunstancialidade

Prolixidade é um distúrbio do curso do pensamento onde o paciente revela uma incapacidade irritante para selecionar as representações essenciais daquelas acessórias, ou seja, o pensamento foge da pauta principal e perde-se no detalhamento trivial. Aparece um grande rodeio em torno do tema central, uma riqueza aborrecedora de detalhes e circunstâncias sem propósitos práticos e pormenores desnecessários, tornando o discurso bem pouco agradável. À esta situação chamamos de VISCOSIDADE ou discurso Viscoso ou, quando esta é uma das características constante da pessoa, pode-se chamá-la de pessoa Viscosa. Um exemplo contundente de viscosidade é a conversa ou a atitude de alguns bêbados, muito inconvenientes e dos quais não é fácil se livrar.

Na Circunstancialidade aparece, como é natural, um certo grau de ansiedade por parte do interlocutor, provocada pela morosidade na conclusão da ideia. Um paciente, perguntado se tinha ido fazer uma tomografia, cuja resposta deveria ser algo como sim ou não, dizia: ” bem, tive que ir terça feira passada porque o movimento do escritório às terças é menor; na segunda feira é que tem mais serviço, porque o pessoal deixa tudo para ser resolvido às segundas.

Até que foi bom eu ter deixado para a terça, porque, lá no serviço do tomógrafo, eles também devem ter mais movimento de segunda, que por sinal é um dia terrível. Acho que (brincando) a semana deveria começar pela terça”.

Pseudodemência Depressiva

A depressão emocional em idosos pode chegar a 20%, afetando a cognição e a motivação para a memória. A depressão comumente produz um déficit de memória (mnêmico), especialmente após os 40 anos, e esse prejuízo de memória do depressivo pode ser confundido com um quadro inicial de demência. Essa confusão depressão-demência pode ser maior ainda, levando-se em conta o fato da depressão freqüentemente ter características atípicas nos idosos.

O termo Pseudodemência Depressiva pode sugerir, erroneamente, que os déficits observados serão reversíveis com o tratamento adequado da depressão. Embora isso ocorra em alguns casos, não pode ser considerado como regra geral. Boa parte dos pacientes inicialmente diagnosticados como deprimidos (pseudodementes) apresentaram, depois de algum tempo, verdadeiros sinais de demência, apesar da melhora inicial com o uso de anti depressores. Os próprios estudos de imagem cerebral podem revelar sinais mais compatíveis com demência do que da depressão nos pacientes diagnosticados com Pseudodemência Depressiva.

Assim sendo alguém poderia pensar: “de que adianta conhecer a pseudodemência depressiva, se esta corre paralelamente à demenciação verdadeira?” De fato, embora, possa haver no idoso um déficit cognitivo compatível com a idade e de pequena monta, a presença concomitante de depressão aumenta essa deficiência ao ponto de, aos menos avisados, parecer um verdadeiro quadro de demenciação pura.

O benefício de se saber da existência da Pseudodemência Depressiva e de questionar esse diagnóstico está, primeiramente, no fato de minimizar o prejuízo cognitivo com o tratamento da depressão. Em segundo, diante da possibilidade de melhora, estimular familiares e médicos para o tratamento daquele que se tinha por exclusivamente demenciado.

Psicanálise

Segundo o Dicionário de Psicologia Prática, parte da psicologia que, apoiando-se nos métodos de investigação e análise psicológica. procura descobrir no inconsciente do paciente as tendências, desejos, complexos e tudo aquilo que perturba a sua mente, trazendo à tona da consciência esses elementos perturbadores e revelando consequentemente o mal para que se possa aplicar a psicoterapia.

Psicanálise compreende tanto a teoria freudiana dos fenômenos psíquicos, como a técnica para estudar o inconsciente. O ponto de partida de Freud para o estabelecimento de sua teoria foi essencialmente clínico. Em sono hipnótico, uma paciente de Breuer e Freud revelou vários episódios de sua vida, sentindo-se depois aliviada. Surgiu assim o método catártico, fundamental na terapêutica psicanalítica. Dai Freud concluiu que os sintomas histéricos, (sua paciente era uma histérica) são símbolos comemorativos de certos sucessos traumáticos da vida pregressa do paciente, os quais podem deixar de perturbar a mente do indivíduo, quando trazidos a luz da consciência.

Partindo dessas e de outras experiências, Freud construiu todo um sistema, onde desempenha papel fundamental o conhecimento das diversas fases psíquicas do desenvolvimento do indivíduo. Desde cedo Freud deu grande importância aos fatos eróticos na formação da personalidade. Atribuiu todavia um sentimento bastante lato à noção de libido e da própria sexualidade que, na concepção psicanalítica, não se restringe ao âmbito da região genital, mas abrange toda uma série de fenômenos relacionados com a obtenção do prazer corporal. Segundo a Psicanálise, a criança passa nos primeiros meses de vida por uma fase de sexualidade difusa por todo o corpo, e que somente mais tarde se concentrará nas zonas erógenas.

Nos primeiros anos de vida a atenção da criança, sua tendência sexual, é atraída por um dos pais: o menino pela mãe e a menina pelo pai. Todavia, sob a ação repressora do meio ambiente, a libido infantil entra num período de latência e a criança aprende a recalcar seus desejos e a escondê-los. Com o desenvolvimento, o indivíduo se abre para os colegas do sexo oposto e supera as fases anteriores, mas podem permanecer resquícios, em maior ou menor proporção, dessas dificuldades sexuais infantis, determinando certas formas de conflitos psíquicos ou de anormalidade na conduta sexual.

Psicanálise atribui ainda grande importância aos fenômenos do inconsciente. Muitos dos atos de nossa vida, não apenas os instintivos, mas também os aparentemente reflexivos, realizam-se sem que deles tenhamos consciência. Se os impulsos e tendências do inconsciente são contrários à orientação da consciência, eles não se realizam abertamente porque a censura os recalca. Mas as tendências reprimidas não são eliminadas; continuam agitando 0 inconsciente e provocando conflitos psíquicos.

Psicanálise tem por função exteriorizar essas tendências recalcadas. Mas como o estudo do psiquismo não se baseia em dados concretos e claramente demonstráveis, a psicanálise procura resolver problemas que ainda há pouco nem sequer eram formulados e cuja existência é ainda, muitas vezes, contestadas. Como os neuróticos são formados geralmente pela corresponsabilidade do indivíduo e da sociedade, esta procura constantemente rejeitar as descobertas da Psicanálise que, direta ou indiretamente, condena certos comportamentos coercivos de nossa estrutura social.

Não resta porém a menor dúvida que, enquanto a Psicanálise descobre as origens dos males psíquicos, ela revela os caminhos a serem seguidos para que o mal, seja evitado ou remediado. Graças à divulgação dada por Jung e Adler, às descobertas de Freud e Breuer, o ritmo proporcional de aparecimento de neuróticos em nossa sociedade tem sido contido. Além disso resta a esperança de que à medida em que essa “doutrina” de análise psíquica for sendo vista com mais naturalidade e menos desconfiança por parte dos responsáveis pela formação dos indivíduos, a sociedade dos homens tornar-se-á mais livre e, consequentemente, mais feliz.

O freudismo permanece ainda na concepção dominante em Psicanálise, mas já passou o tempo em que eclipsava todos os outros que se ocupavam do problema. Embora após Freud, os psicanalistas tenham seguido rumos muitas vezes diferentes, a doutrina psicanalítica depende hoje de outros grandes psicólogos e psiquiatras como Erich Fromm, Lipot Szondi, Adler e Jung, principalmente.

Cem esses sucessores de Freud, a Psicanálise lançou novas luzes sobre o inconsciente e pôs mais em relevo o papel deste, no conjunto da vida psíquica. É preciso porém reconhecer que se a psicologia foi enriquecida e consideravelmente renovada pela psicanálise, esta contribuiu para a perda acadêmica daquela. Tratando com neuróticos e indivíduos mais ou menos anormais, o psicanalista é levado a ver desequilíbrio em toda parte e, supondo-o, provoca-o.

Em todo caso, o domínio do inconsciente desvendado primeiramente por Freud, tornou-se hoje o campo de estudo de outros grandes nomes de nosso século.

Psicoterapia

uma forma de tratamento, indicada em quadros psiquiátricos ou nos desajustamentos psicológicos. A Psicoterapia se baseia no tratamento através das palavras, isto é, através da relação psicoterapeuta-paciente; este último se influencia no sentido de resolver seus conflitos e tentar seu crescimento emocional. Existem várias técnicas: psicanálise, psicodrama, psicoterapia de grupo, existencialista, junguiana etc. É um tipo de tratamento que requer necessariamente a motivação e o empenho do paciente. Sua indicação maior é nas neuroses, alterações comportamentais, impulsivas, etc.

O termo Psicoterapia é genérico e abrange diferentes formas de um trabalho clínico baseado fundamentalmente num relacionamento entre o psicoterapeuta (ou simplesmente terapeuta) e seu paciente, através de encontros chamados de sessões. O que se pretende é que o paciente possa perceber seu mundo interno e seus conflitos, muitas vezes fontes de angústias e sofrimentos psíquicos,de modo diferente. Trata-se de uma ajuda para seu crescimento ou evolução pessoal.

Seres humanos não nascem prontos. Crescem fisicamente mas também precisam evoluir psicologicamente e amadurecerem suas personalidades. E nisto outras pessoas ajudam. Quando pais,amigos e mesmo médicos não conseguem algo o terapeuta pode ser de grande utilidade. Existem diversas formas de atendimento: individual, grupal, familiar, de casal. Podem ser de longa duração ou serem limitadas em tempo previamente determinado e focarem um problema ou assunto difícil para o paciente, em alguma circunstância particular de sua vida. (O.F.Leite)

Psicose Puerperal

Psicose Puerperal é um quadro delirante, freqüentemente alucinatório, grave e agudo que aparece do segundo dia a 3 meses depois do parto. Atualmente se observa no CID.10 (Classificação Internacional de Doenças) uma tendência à considerá-la, juntamente com a Depressão Pós-parto, como um tipo de Transtorno do Humor, iniciada ou precipitada pelo puerpério.

É prático dividir as alterações psíquicas mais comuns do puerpério em três tipos; a Tristeza Materna (Maternity Blues), a Psicose Puerperal e a Depressão Pós-parto.

Tristeza Materna atinge até dois terços das puérperas, desenvolve-se nos 10 primeiros dias de pós-parto e se caracteriza por irritabilidade, depressão, labilidade do humor, choro fácil e indisposição. Sua diferença com Depressão Pós-parto, apesar de não ser bem esclarecida pelos autores, parece ater-se ao grau de severidade e à evolução, bem menor e mais breve.

Depressão Pós-parto, um distúrbio do humor de grau moderado à severo, clinicamente identificado ao Episódio Depressivo, tal como descrito no DSM.IV (Classificação de Doenças Mentais da Associação Norteamericana de Psiquiatria) e no CID.10, com início dentro de seis semana depois do parto. O assunto da classificação da Depressão Pós-parto ainda não está definitivamente estabelecido. Sob o código F53.0 o CID.10 considera a Depressão Pós-Natal incluída no Transtorno Mental e de Comportamento Associado ao Puerpério e não classificado em outro local.

Depressão Pós-parto acomete entre 15 e 20% de todas as parturientes, incidência que pode ser ainda maior, segundo alguns autores, considerando que boa parte das pacientes não procuram ajuda para esse problema afetivo ou prefere se utilizar da totalidade dos cuidados médicos para os bebês e não para si mesmas.

Psicodrama

Psicodrama é uma técnica psicoterápica que utiliza a improvisação de cenas dramáticas sobre determinado tema, por um grupo de indivíduos (crianças ou adultos) que apresentam distúrbios nervosos similares. Os psicoterapeutas participam, habitualmente, desse jogo dramático, analisando-o e orientando-o. No Psicodrama, utiliza-se o papel de tarefa explícita e o jogo de um personagem ou de vários. É então o jogo de um papel no grupo.

No que se refere à terapêutica do grupo, é necessário mencionar esta invenção de J. L. Moreno que necessitou de todo um material e realizou uma verdadeira cena de teatro. O sujeito pode ser normal ou doente. Há um chefe de grupo que deve solicitar as reações e fornecer as interpretações, considerado o terapeuta principal. Há, contudo, terapeutas auxiliares requisitados, eventualmente, como protagonistas da ação. Existe, também, um público que vai representar a reação social. Procede-se, antes, a uma discussão preparatória sobre um tema, depois do jogo dramático começa. O indivíduo representa uma cena ou um papel, preferencialmente, de um membro de sua família ao qual substitui. Terminada a cena, sua discussão se efetua.

É necessário aptidão especial para preencher o papel de chefe do jogo e nesse sentido a personalidade de Moreno facilitou seu emprego, ressaltando-se a facilidade com a qual os enfermos entram no esquema sugerido. O Psicodrama é pouco praticado na França, onde se empregam técnicas da mesma inspiração.

Na técnica de Moreno, objetivada em numerosas divergências, o conflito cuja importância se manifestou durante a discussão em grupo, é, no sentido literal do termo, “representado” e dramatizado. Quando acontece, por exemplo, que um membro da equipe analisada, em certo momento de sua vida, teve intenção de cometer um grave comportamento e que estas idéias parecem possuir ainda uma certa carga afetiva, e posta a oportunidade de realizá-lo livremente numa rápida interpretação teatral. Procede-se, então, à encenação.

As cenas são dispostas de tal modo, que apresentam um cunho de realidade. O paciente pode assim “viver” o comportamento patológico de maneira tão completa quanto possível, como se o tivesse efetuado realmente.

Moreno chega, assim, a realizar cenas dramáticas, realmente vividas, das quais dificilmente se pode fazer uma ideia, lendo friamente a narrativa. Também os outros elementos do grupo sofrem uma forte impressão. Percebe-se, de imediato, os princípios terapêuticos colocados em prática por este método e a forte descarga afetiva que produz. Admite-se em princípio, que a cura pode ser obtida, não unicamente pelo desatar dos complexos e das dificuldades “passadas”, mas, principalmente, ao exteriorizar e examinar, num quadro social real, as dificuldades atuais de adaptação à vida. A contribuição do Psicodrama, na terapêutica de grupo, parece, assim, um aspecto promissor no campo da psicanálise.

 

Psicastenia

O termo Psicastenia, extremamente impreciso, foi idealizado por Pierre Janet para designar um conjunto de fenômenos neuróticos que correspondem, clinicamente, a afecções e estados bem adversos, como as psicopatias, neuroses, esquizofrenia, etc.

Janet distinguiu a Psicastenia da histeria e de outras neuroses. Segundo ele, a Psicastenia seria uma alteração de uma função geral, a função da realidade, fato que provoca substituição da realidade presente por operações de derivação inferiores e desproporcionadas como dúvidas, angústia e obsessões.

Psicocirurgia

Psicocirurgia é um tratamento cirúrgico bastante reservado, sendo indicado tão somente nos distúrbios mentais resistentes a outras formas de tratamento (psicotrópicos, psicoterapias, eletrochoque, entre outros). Os casos devem ser rigorosamente selecionados. A Psicocirurgia antiga limitava-se às lobotomias, causando enormes prejuízos à integridade da personalidade do doente. A Psicocirurgia moderna, usando técnicas avançadas, controlada por computadores, pode trazer alívio ao doente mental, sem alterar sua personalidade e nem determinar lesões neurológicas incapacitantes.

Psicose Maníaco Depressiva

A antiga Psicose Maníaco Depressiva é chamada de Transtorno Afetivo Bipolar. É um transtorno afetivo onde o paciente apresenta períodos de intensa depressão, podendo levá-lo ao suicídio, e períodos de intensa euforia (mania), levando-o quase sempre a graves distúrbios sociais. Entre estes períodos, o doente recupera toda a lucidez.

É uma doença menos grave que a esquizofrenia, já que o paciente, nos intervalos lúcidos que pode durar anos, leva uma vida normal. Não é obrigatório haver os dois tipos de períodos (depressão e mania), sendo que na maioria dos casos ocorre apenas depressão. É uma das moléstias psiquiátricas que mais teve avanços científicos nos últimos anos, sendo indicados certos psicotrópicos que podem evitar os períodos de recaída, com grande segurança e eficiência.

 

Psiconeuroimunologia

Relacionar a Imunologia com a Psiquiatria tem sido fácil, atraente e extremamente didático. Há uma variedade de evidências para o relacionamento recíproco entre Sistema Psicoemocional e vários componentes do Sistema Imunológico, justificando o agravamento e/ou desencadeamento de uma série de doenças físicas por razões emocionais.

A reciprocidade entre o Sistema Nervoso Central e o Sistema Imunológico estimula o desenvolvimento de uma nova e interessante área médica; a Psiconeuroimunologia. Os tópicos de estudo da Psiconeuroimunologia seriam as perturbações de um sistema que se refletem no outro e vice-versa.

Psicogênico

Quando eventos da vida, dificuldades e/ou doenças, ou ainda desvios de comportamento que tem sua origem ou gênero em questões psicológicas pessoais e questões sócio-familiares falamos que esse quadro é Psicogênico.

Psicopata

Não confundir Psicopata com psicótico (doente mental que sofre de psicose). Psicopata refere-se a uma condição que é uma característica de personalidade; por isso não é uma doença propriamente dita. O indivíduo, devido a esta peculiaridade de ser, sofre ou faz sofrer aos outros.

Psicopata é um indivíduo quase sempre impulsivo, incapaz de tolerar frustrações, não consegue atingir os sentimentos superiores (amor, altruísmo, sentimentos, espirituais), sendo um ser egoísta e por isso apresenta quase sempre condutas não aceitas socialmente, apesar de serem compreendidas (ao contrário das condutas não aceitas dos psicóticos, as quais são absurdas).

Os traços psicopáticos acentuam-se na adolescência e, segundo alguns autores, acompanham o indivíduo por toda sua vida. o psicopata geralmente não se motiva a procurar psicoterapia (se o faz é para conseguir outro intento que não o do seu amadurecimento) e por isso é tido como condição irrecuperável.

Psicopatologia

Tem-se definido a Psicopatologia por diversas formas; “o estudo científico das alterações mentais do ponto de vista psicológico” ou “a investigação sistemática dos estados mentais mórbidos“, e “o ramo da ciência que trata da morbidez e patologia da psique ou mente“. Em linguagem menos técnica poderia dizer-se que a Psicopatologia é o estudo de sinais e sintomas das dificuldades mentais.

O termo Psicopatologia é de origem grega; psykhé significando alma e, patologia, implicando em morbidade. Entretanto, como seria impossível suspeitar de uma patologia do espírito ou da alma, já que, conceitualmente o espírito não pode adoecer e, já que, filosoficamente só existiria enfermidade no biológico ou no antropológico, os fenômenos psíquicos só seriam patológicos quando sua existência estivesse condicionada a alterações patológicas do corpo.

Enquanto a Psiquiatria Clínica se constitui num ramo da medicina aplicado às alterações psíquicas, ao diagnóstico, ao tratamento e à profilaxia das doenças mentais, a Psicopatologia se restringe a conhecer e descrever os fenômenos psíquicos patológicos para, dessa forma, oferecer à psiquiatria as bases para a compreensão, mecanismo íntimo e futuro desenvolvimento do psiquismo humano. Compete à Psicopatologia reunir materiais para a elaborar o conhecimento dos fenômenos com os quais a psiquiatria possa coordenar sua ação curativa e preventiva.

Segundo Minkowski, o termo Psicopatologia corresponde mais a uma psicologia do patológico do que a uma patologia do psicológico. Em sua opinião, a psicologia do patológico se refere à descrição global da experiência vivida pelo enfermo e, global, nesse caso, implica em visão holística e integrada do todo psíquico com o todo vivido pela pessoa. Parece-nos que Minkowski se referia ao que conhecemos hoje por Psicopatologia Especial, capaz de elaborar quadros nosológicos a partir do entendimento global dos sintomas, enquanto Jaspers se atinha à Psicopatologia Geral, ou seja, à gênese e fisiopatologia dos sintomas em si.

Psicose

Psicose é um distúrbio psiquiátrico grave onde o paciente perde contato com a realidade, emite juízos falsos (delírios), podendo também apresentar alucinações (ter percepções irreais quanto a audição, visão, tato), distúrbios de conduta levando à impossibilidade de convívio social, além de outras formas bizarras de comportamento.

As Psicoses podem ter várias origens: por lesões cerebrais, tumores cerebrais, esquizofrenia, tóxicos, álcool, infecções, traumas emocionais etc. Algumas Psicose são incuráveis, outras apresentam cura completa. Quase sempre requer tratamento à base de psicotrópicos. Nem sempre é necessária a internação. Nas Psicoses agudas, as psicoterapias são pouco indicadas.

 

Psicossomática

O termo Psicossomática foi criado por Heinroth, no começo do século 19, mas só ganhou maior importância 100 anos depois, quando muitos psicanalistas, liderados por Franz Alexander, passaram a investigar mecanismos psicológicos inconscientes que poderiam provocar ou agravar doenças somáticas (orgânicas).

Assim, muitas enfermidades, cujas causas físicas (somáticas) eram ainda obscuras, foram chamadas de “psicossomáticas”, atribuindo-se sua origem a conflitos psíquicos profundos: alergias, úlceras digestivas, pressão alta sem causa determinada , asma, etc.
Entretanto, na medida em que tais doenças foram melhor estudadas, outras causas orgânicas foram descobertas, percebendo-se que os fatores psicológicos não eram os únicos determinantes, apesar de sua desiciva importância.

Hoje, Psicossomática representa uma corrente da Medicina, que considera todas as doenças de modo mais abrangente e integral, valorizando tanto os fatores psíquicos quanto os somáticos.

Didaticamente, entretanto, recomendamos entender como Doenças Psicossomáticas aquelas determinadas, desencadeadas ou agravadas por razões emocionais, a despeito de terem um componente lesional orgânico; vasoconstricção na hipertensão arterial de fundo emocional, broncoespasmo na asma emocional, urticária na dermatite emocional… enfim, sempre há alguma alteração física constatável.

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Psicotrópicos

Os Psicotrópicos são remédios utilizados no combate da ansiedade, depressão, angustia, insônia, agitação, que são sintomas muito freqüentes no idoso. São também denominados sedativos ou tranqüilizantes. Em geral são compostos por substâncias denominadas benzodiazepínicos. Sua utilização indiscriminada é comum e traz graves efeitos colaterais. A associação destas substâncias com outras também freqüentemente utilizadas na terceira idade, como os diuréticos por ex., podem trazer graves conseqüências, como quedas e fraturas.

É comum observar-se a utilização continuada de tranqüilizante por meses ou até anos seguidos. Estas substâncias alem de provocarem dependência levam a uma queda do rendimento individual como diminuição da memória, da atenção, da força muscular, da potência sexual. Tais fatos acentuam a ansiedade ou a depressão, criando círculo vicioso muito negativo.

Estudos científicos mostram que as substâncias tranqüilizantes se comportam de maneira diferente no organismo do idoso, havendo tendência a aumentar seu efeito sedativo. Não é raro o idoso queixar-se de falta de memória acentuada, justificando-a como sendo devida à idade, e na realidade tratar-se de intoxicação por psicotrópicos.

A pessoa dependente do Psicotrópicos sofre quando de sua retirada súbita, podendo apresentar agitação, palpitações, e tremores. A retirada deve ser sempre feita vagarosamente e sob controle médico.

Aconselha-se o uso de Psicotrópicos com muito critério, de preferência por tempo curto e quando necessário um uso mais prolongado deve ser feito de maneira irregular, descontinuando-o com freqüência.

Na terceira idade é uma boa norma utilizar-se rotineiramente a metade da dose utilizada para o adulto jovem. Em situações de graves distúrbios psiquiátricos sua utilização pode ser continuada e sempre sob controle médico.

A utilização de hipnótico ou regulador de sono também não deve ser prolongada, mesmo porque seu efeito sonífero em geral é curto sendo substituído por sua ação depressora. O uso prolongado de hipnótico pode levar a estado de ansiedade durante o dia. A melhor indicação para seu uso é durante uma viagem noturna quando pode produzir sono que leva à sensação de repouso com mínimos efeitos colaterais. Outra indicação habitual é na noite que precede uma cirurgia.

Naquelas pessoas dependentes de seu uso a sua interrupção abrupta pode levar à insônia grave e grande mal estar.