Estresse: o que é isso?

Pode-se dizer, sem medo de errar, que estamos vivendo a Idade da Ansiedade. Diz-se que a simples inclusão da pessoa na sociedade contemporânea preenche, por si só, condição suficiente para o surgimento da Ansiedade. Portanto, viver ansiosamente passou a ser considerado uma situação existencial do homem moderno ou um destino comum ao qual todos estamos, de alguma maneira, atrelados.

A dinâmica que promove as contínuas mudanças em todos os níveis da sociedade exige do ser humano um grande esforço adaptativo, seja física, mental ou socialmente. O endocrinologista canadense Hans Selye (1907-1982) foi o primeiro a pesquisar seriamente o estresse na década de 1930.

Slye observou que organismos diferentes apresentam um mesmo padrão de resposta fisiológica para estímulos sensoriais ou psicológicos. Deu o nome de estresse para esse esforço adaptativo, o qual teria efeitos nocivos em quase todos os órgãos, tecidos ou processos metabólicos.

De modo geral o estresse surge como consequência direta dos esforços adaptativos da pessoa à sua situação existencial. Quando excessivo ou patológico, o estresse é fruto de persistentes, duradouros e desmedidos esforços adaptativos.

Tipos e Origens dos Estressores
Existe 3 tipos básicos de estressores:

1- Estressores sensoriais em contato direto com o organismo. Ex: subir escadas, correr uma maratona, mudanças e temperatura extrema, esportes radicais, etc.
2 – Estressores psicológicos, quando somos acometidos por exigências emocionais. Ex: falar em público, perdas, mudanças, provas, exames, etc.
3 – Estressores toxi-infecciosos e traumáticos (físicos). Ex: cirurgias, parto, vírus, bactérias, fungos, etc.

Origem dos Estressores
No ser humano esses estímulos costumam ter duas origens; podem ser externos e internos. Os estímulos internos se originam nos conflitos pessoais os quais, em última instância, refletem sempre a qualidade afetiva de cada um. Os estímulos externos, por sua vez, representam as ameaças concretas do cotidiano de cada um.

Seria impossível e, ao mesmo tempo indesejável, eliminar completamente todos os tipos de Estresses. Fisiologicamente a ausência total de Estresse equivale à morte. O que se deve pleitear não é acabar com o estresse, mas sim reduzir os efeitos danosos do Estresse patológico sobre a qualidade de vida das pessoas.

O ideal saudável seria buscar uma situação onde o Estresse fosse um acontecimento positivo e não um empecilho ao desempenho, à saúde e à felicidade. O ideal seria adquirir habilidades para melhorar física e mentalmente a resistência ao Estresse, bem como controlar o Estresse desnecessário.

Aproximadamente 50 a 75% de todas as consultas médicas estão direta ou indiretamente relacionadas ao Estresse. A medicina não deve ter apenas um papel importante no tratamento das doenças ligadas ao Estresse, que são muitas, mas sobretudo dar ao assunto uma abordagem preventiva e educacional. Conhecer o Estresse, suas causas, sinais e sintomas é de fundamental importância para aprender a lidar com ele.

Procurando significados para a palavra Estresse (stress, em inglês), estar estressado significa “estar sob pressão” ou “estar sob a ação de estímulo persistente”. Na realidade, estar estressado significa estar em contato com algum estímulo estressor e, em resposta a isso, desencadear um conjunto de alterações no organismo com o objetivo de colocá-lo sob tensão.

Sem esse tal “conjunto de alterações” não se pode falar em Estresse. Essa reação do organismo aos agentes estressores tem um propósito evolutivo, como se fosse um mecanismo de resposta que a natureza dotou os animais para melhorar o desempenho adaptativo.

Hans Selye dividiu a reação de Estresse em três estágios. O primeiro estágio é a Reação de Alarme, durante a qual o organismo reconhece o estressor e começa ativando o sistema neuroendócrino. Ao conjunto das modificações orgânicas resultantes do contato do organismo com o estímulo desencadeador da tensão Hans Selye chamou de Síndrome Geral de Adaptação (SGA).

No Sistema Endócrino, depois da atividade inicial da hipófise, as glândulas suprarrenais são as mais prontamente ativadas. Elas produzem os hormônios típicos do Estresse, ou seja, o cortisol, a adrenalina e a noradrenalina. Por causa disso, notadamente por conta da adrenalina, os batimentos cardíacos aceleram, há dilatação das pupilas, aumenta a sudorese e aparece hiperglicemia (aumento dos níveis de açúcar no sangue).

Concomitantemente a digestão é paralisada, o baço se contrai para jogar mais glóbulos vermelhos na circulação e aumentar o fornecimento de oxigênio aos tecidos. Interrompe-se a atividade imunológica (imunossupressão), por conta do cortisol saído das suprarrenais. Depois dessa primeira Reação de Alarme existem mais duas fase fisiológicas no Estresse, a adaptação e o esgotamento, vistas mais adiante.

A função de toda essa revolução orgânica é preparar o organismo para a ação, para adaptação imediata à situação causadora do Estresse. Em essência o objetivo é favorecer o desempenho e a sobrevivência. Portanto, o Estresse não implica, obrigatoriamente, em uma atitude patológica.

Longe de se considerar o Estresse uma armadilha da natureza, esse conjunto de alterações fisiológicas tem como objetivo adaptar o indivíduo à situação do estímulo estressor. O estado de Estresse está, assim, intimamente relacionado com a capacidade de adaptação do indivíduo à circunstância atual.

Imagine como estaria seriamente comprometida a sobrevivência se um gato permanecesse totalmente apático ao aparecer-lhe um cachorro pela frente. Da mesma forma, imaginemos um ser humano enfrentando uma tempestade com a mesma lassidão que sente depois de comer uma pesada refeição. No esporte, no trabalho ou na vida social o Estresse “normal” desempenha uma função adaptativa e, sobretudo, sadia.

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A ansiedade contínua sem períodos de repouso para recuperação dos recursos emocionais e, principalmente biológicos, acaba levando ao esgotamento.
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Ansiedade e Estresse
Considera-se o Estresse uma ocorrência fisiológica e normal no reino animal. O Estresse é a atitude biológica necessária para a adaptação do organismo à uma nova situação. Em medicina entende-se o Estresse como uma ocorrência fisiológica global, tanto do ponto de vista físico quanto do ponto de vista emocional.

As primeiras pesquisas médicas sobre o Estresse estudaram toda uma constelação de alterações orgânicas produzidas no organismo diante de uma situação de agressão. Fisicamente o Estresse aparece quando o organismo é submetido à uma nova situação, como uma cirurgia ou uma infecção, por exemplo, ou, do ponto de vista psicoemocional, quando há uma situação percebida como de ameaça (entrevista para emprego, por exemplo).

De qualquer forma, trata-se de um organismo submetido à uma situação nova (física ou psíquica), à qual ele terá que adaptar-se, consequentemente, terá que superar. Portanto, o Estresse é um mecanismo indispensável para a manutenção da adaptação à vida, indispensável pois, à sobrevivência. Do ponto de vista psíquico o Estresse se traduz na Ansiedade e está é uma atitude fisiológica (normal) responsável pela adaptação do organismo às situações de perigo. 

De frente para o perigo o desempenho físico para emergências faz coisas extraordinárias, coisas que normalmente não seríamos capazes de fazer em situações mais calmas. Se não existisse esse mecanismo que nos coloca em posição de alerta ou alarme, talvez nossa espécie nem teria sobrevivido às adversidades encontradas pelos nossos ancestrais. Embora a Ansiedade favoreça o desempenho e a adaptação, ela o faz somente até certo ponto, até que nosso organismo atinja um máximo de eficiência.

O Estresse envolve o organismo como um todo e, assim como a adrenalina e o cortisol podem ser considerados consequências endócrinas do Estresse, a ansiedade seria, igualmente, sua consequência psíquica. Há quem compare o Estresse com o susto. De fato, há semelhanças entre as alterações fisiológicas que acontecem durante um susto com aquelas do Estresse.

Assim, podemos dizer que o Estresse patológico e excessivo seria como um estado de susto crônico e continuado. Sendo as reações de estresse muito intensas ou duráveis, as modificações orgânicas determinadas por elas podem resultar em dano ou lesão. Nesse caso, ao invés de contribuírem para a adaptação farão exatamente o contrário.

Nenhuma alteração do organismo terá início se não houver, antes, a presença de um estímulo estressor. Podemos chamar de Estímulo Estressor ou Agente Estressor, qualquer estímulo capaz de provocar no organismo esse complexo conjunto de respostas orgânicas, mentais, psicológicas e/ou comportamentais definidas como Estresse.

A classificação internacional das doenças agrupa num mesmo capítulo as chamadas Reações Agudas ao Estresse Grave e os Transtornos do Ajustamento (adaptação), sugerindo assim que a primeira pode levar ao segundo.

Estresse: esforço adaptativo
Ao se deparar com o agente estressor, o qual pode ser interno ou externo, o organismo desenvolve um processo fisiológico que consiste em reações sistêmicas integradas e conhecido como Síndrome Geral de Adaptação, como visto acima. A mobilização orgânica determinada pelo Estresse é um mecanismo fisiológico normal, necessário e benéfico à adaptação, inclusive, mesmo diante de situações novas consideradas positivas, como é o caso, por exemplo, das promoções profissionais, casamentos desejados, nascimento de filhos, etc., o ser humano produz Estresse para se adaptar.

Os diversos e variados estímulos estressores do cotidiano, mesmo àquelas situações aparentemente irrelevantes e que requerem pequenas mudanças ou adaptações mínimas, envolvem o organismo no mecanismo do Estresse. A intensidade deste mecanismo, entretanto, será variável de pessoa a pessoa, conforme as características individuais da maneira de reagir de cada um.

Em termos científicos o Estresse é a resposta fisiológica e de comportamento de um indivíduo que se esforça para ajustar-se a estímulos internos e externos. Entretanto, a energia necessária para esta adaptação é limitada, de tal forma que se houver persistência do estímulo estressor, mais cedo ou mais tarde o organismo entrará em uma Fase de Esgotamento.

De acordo com a sensibilidade afetiva da pessoa, portanto, segundo a percepção que cada um tem da realidade, de acordo com a valorização do passado ou das perspectivas do futuro, as reações de Estresse podem ser mais intensas ou menos. Uma representação pessimista da realidade favorece reações mais fortes, às vezes desproporcionais aos estímulos estressores, enquanto a representação positiva produz reações estressoras mais amenas.

Mudanças ocorrem continuamente na vida e o indivíduo é biologicamente convocado a se adaptar à elas. Uma “dose baixa” de Estresse é normal, fisiológico e desejável. Trata-se de uma atitude indispensável à capacidade produtiva. As características desse Estresse positivo são: aumento da vitalidade, manutenção do entusiasmo, do otimismo, da disposição física, interesse, do ânimo. Por outro lado, o Estresse patológico e exagerado pode ter consequências danosas, como por exemplo, o cansaço, irritabilidade, falta de concentração, depressão, pessimismo, queda da resistência imunológica, mau-humor.

Na vida social e cultural as mudanças cotidianas em si, não são novidade. Na realidade elas são a base da evolução de nossa espécie. O que talvez seja novo ao ser humano e perigoso à sua saúde é a velocidade sem precedentes dessas mudanças e as exigências que elas solicitam.

Essas mudança estão em toda a parte; mudanças importantes na tecnologia, na ciência, medicina, ambiente de trabalho, nas estruturas organizacionais, nos valores e costumes sociais, na filosofia e mesmo na religião. Há, continuamente, uma enorme solicitação de adaptação às pessoas em geral, tanto para os jovens como para os mais velhos.

A Ansiedade, que é o ponto de partida do Estresse, é um sinal de alerta que adverte sobre a necessidade de adaptar-se a uma situação e capacita a pessoa para medidas eficientes nesse sentido. O indivíduo ansioso se coloca em posição de alarme, física e psiquicamente, geralmente como efeito da adrenalina, noradrenalina e cortisol; dilata as pupilas, acelera o coração, diverge o sangue para musculatura voluntária, aumenta a glicose circulante, dilata os brônquios.

A Ansiedade, originalmente fisiológica e indispensável à vida normal, passou a ser objeto de distúrbios quando o ser humano colocou-a não a serviço de sua sobrevivência, como fazia antes, mas a serviço de sua existência, com amplo leque de circunstâncias quantitativas e qualitativas desta existência.

O fato de um evento ser percebido como estressante não depende apenas da natureza do próprio evento, como acontece no mundo animal, mas do significado atribuído ao evento pela pessoa, de seus recursos emocionais, de suas defesas e de seus mecanismos de enfrentamento. Isso tudo diz respeito mais à personalidade do que aos eventos propriamente ditos.

Arqueólogos consideram que o homem primitivo trabalhava muito menos que nós, cerca de vinte horas semanais. Sua jornada diária correspondia à caça e colheita de frutos. O ser humano primitivo manifestava sua ansiedade de maneira muito próxima ao sentimento de medo, um medo especificamente dirigido a algum objeto ou situação específicos, concretos e bem delimitados no tempo e no espaço, ou seja, a situação estressante, o perigo ou a ameaça estavam de fato ali, nesse determinado lugar e nesse determinado momento.

O Estresse na Vida Moderna
Em nossos ancestrais o mecanismo do Estresse foi destinado à sobrevivência diante dos perigos concretos e próprios da luta pela vida, como foi o caso das ameaças de animais ferozes, das guerras tribais, das intempéries climáticas, da busca pelo alimento, da luta pelo espaço geográfico, etc.

No ser humano moderno, apesar dessas antigas ameaças concretas não existirem mais em plenitude, tal como outrora, o equipamento biológico do Estresse continuou existindo. permaneceu em nossa natureza como capacidade para reagirmos ansiosamente diante das ameaças.

Com a civilidade outros perigos apareceram e ocuparam o lugar daqueles que estressavam nossos ancestrais arqueológicos. Atualmente a maioria dos estímulos desencadeadores desta emoção são inespecíficos, geralmente abstratos, não podem ser localizados no tempo e no espaço.

Hoje em dia há o medo da competitividade social, da segurança social, da competência profissional, da sobrevivência econômica, das perspectivas futuras e uma infinidade de ameaças abstratas, porém reais. Enfim, tudo isso passou a representar a mesma tensão que ameaçavam a sobrevivência de nossos ancestrais. O ser humano moderno coloca-se em posição de alarme diante de um inimigo abstrato e impalpável mas, não obstante, que dorme e acorda com ele.

Mesmo na Idade Média o ser humano ainda trabalhava pouco em comparação ao homem moderno. Havia o descanso obrigatório aos domingos e cinquenta feriados por ano, sendo braçais a maioria dos trabalhos, os quais sempre terminavam ao pôr-do-sol. O que se exigia de um cidadão comum da Idade Média em termos de necessidades de conhecimentos para lidar com o simples cotidiano era infinitamente menor do que precisa hoje uma criança de 12 anos.

Tudo leva a crer que o ser humano começou a padecer mais por Estresse excessivo depois da Revolução Industrial. Talvez o que a vida passou a exigir das pessoas nesses últimos 80 anos tenha sido imensamente maior do que todo o desenvolvimento neuro-psicofisiológico destinado à adaptação do ser humano. Essa possível defasagem resultou nas dificuldades em conciliar harmonicamente as necessidades adaptativas à vida social com os recursos orgânicos disponíveis.

Durante uns 40 anos do Século XX o êxodo rural levou milhões de pessoas a trocar a vida do campo pela agitação das cidades com suas características competitivas, agressão urbana, desafios profissionais e de sobrevivência. O ritmo frenético da vida moderna talvez tenha exigido demasiadamente do corpo humano e até a possibilidade de adoecer passou a ser uma ameaça potencial ao sucesso social da pessoa.

Os conturbados tempos modernos têm sido difíceis ao equilíbrio e ao desenvolvimento sadio do corpo humano, apesar de todo o progresso da medicina, das conquistas científicas, técnicas e sociais. Hábitos alimentares inadequados, poluição do ar e da água, agressão sonora e visual do ambiente, insegurança social e no trabalho, violência urbana, crises econômicas e muitas outras fontes de estresse importantes acabam esgotando a capacidade adaptativa da pessoa.

A maioria dos autores acredita que parte expressiva das razões para o Estresse é determinada pelo modo como nossa sociedade está organizada, pela industrialização, pelo consumo e pela concorrência, pelos tipos de relações que deverão ser mantidas, pelas exigências que deverão ser cumpridas, pelas condições de trabalho, pelas difíceis estruturas familiar e social.

Outro agravante do Estresse, em seu aspecto cultural, está no cerceamento da liberdade que a pessoa deveria ter para expressar os comportamentos e atitudes fisiologicamente próprias do estado de tensão. No mundo moderno não é socialmente aceitável que a pessoa manifeste comportamentos típicos de fuga ou luta, que era a função natural e fisiológica do Estresse.

Assim, o ser humano moderno, ao se confrontar com estímulos estressores do cotidiano, do trabalho, da vida social é impedido de manifestar reações de agressão ou de medo sincero, sendo obrigado a apresentar uma atitude emocional politicamente correta e completamente dissimulada e incompatível com sua situação neuroendócrina real. Se a situação estressante persiste indefinidamente pode sair organicamente muito caro. Haverá um elevado desgaste do organismo, predispondo certas doenças psicossomáticas e somatizações.

Entre os estressores de significativo peso social temos o fracasso ou medo disso, a carga socioeconômica, a manutenção, monotonia e a satisfação com o trabalho, a corrida contra o tempo, as ameaças sociais e financeiras, a percepção do medo da violência urbana, as situações de competição, os trabalhos em condições de perigo, a submissão involuntária aos tabus, a contestação de certos valores, as contrariedades da vida social e das normas.

Situações Ambientais Estressoras ou O Cotidiano Estressor
Como exemplo do estresse na vida gregária, abaixo uma série de notícias de jornais capazes de desencadearem estresse social. Vejamos:

CAMPINAS – Pelo menos 22 pessoas morreram acidentadas nas estradas que cortam a região de Campinas neste Carnaval. O levantamento é do 3º Batalhão da Polícia Militar Rodoviária de Rio Claro (76 km de Campinas) e inclui as mortes no tráfego entre as 12h da última sexta-feira até às 12h de ontem. O total é 15,7% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando ocorreram 19 mortes durante a Operação Carnaval. (Jornal Folha de S. Paulo)

WASHINGTON – Na imensidão do mar a possibilidade de um submarino nuclear subir à tona e abalroar um navio que cruza o seu caminho justo naquele momento é algo que desafia a imaginação – sobretudo sendo esse submarino uma formidável máquina de guerra, dotada dos mais modernos equipamentos de detecção… (CNN Internet)

SÃO PAULO – Uma tentativa de assalto ao carro-forte de um supermercado em Jacareí, a 70 quilômetros de São Paulo, acabou de forma trágica na noite de quarta-feira. Cinco pessoas morreram, incluindo um ladrão que trocou tiros com a polícia, e 12 ficaram feridas. (CNN Internet)

B. PIRAÍ – O taxista Clóvis Alves concedeu uma entrevista exclusiva a equipe de reportagem do Correio da Barra, onde nega a versão de estupro. O taxista disse que já conhecia e mantinha uma relação extraconjugal com a jovem R., de 18 anos, que o denunciou como o autor do estupro. Clóvis se apresentou… (Jornal Correio da Barra)

TEL AVIV – Pelo menos uma pessoa morreu e nove ficaram feridas, nesta quinta-feira, em consequência da explosão de um furgão em uma estrada no norte de Israel, a cerca de 60 quilômetros de Tel Aviv. Autoridades israelenses atribuíram… (CNN Internet)

SEATTLE – Engenheiros e inspetores da defesa civil da cidade norte-americana de Seattle, no estado de Washington, estão trabalhando nesta quinta-feira em todo o município para determinar a extensão dos danos causados pelo forte terremoto de quarta-feira, que matou uma pessoa e feriu pelo menos 163, incluindo três com gravidade…. Este foi o maior abalo sísmico a atingir o estado de Washington nos últimos 52 anos. Os prejuízos provocados pelo tremor foram estimados em bilhões de dólares…. (CNN Internet).

Estresse Pós-traumático e prejuízo na personalidade
Depois da experiência traumática pode ocorrer uma transformação duradoura da personalidade dos pacientes comTranstorno por Estresse Pós-traumático. Trata-se de uma sequela caracterizada por mudanças duradouras no estilo de perceber, pensar e relacionar-se consigo mesmo e os demais, portanto, da personalidade.

Esta alteração da personalidade não só produz mal estar ao paciente mas repercute também na área familiar, social, ou ocupacional. Essa modificação costuma estar presente por pelo menos 3 anos.

Do ponto de vista clínico, é bem possível que os Transtornos Fóbicos dominem o quadro, apresentando medo exagerado e sofrível para sair de casa ou para frequentar lugares públicos se a vivência foi bomba, incêndio ou coisa assim. Também são frequentes as Depressões persistentes com autodepreciação e sentimentos de ser uma carga para os demais.

Seja devido à comorbidade com a Depressão, seja pelo próprio Transtorno por Estresse Pós-traumático, o paciente sente seu futuro desolador, turvo, e sem perspectivas. Depois da experiência traumática, a pessoa com Transtorno por Estresse Pós-traumático mantém um nível de hiperatividade e hipervigilância crônica, com reação exagerada aos estímulos (sobressaltos, sustos) e descontrole emocional, tendendo ora à irritabilidade, ora ao choro.

Lembranças intrusivas e sonhos traumáticos aparecem em mais da metade dos pacientes (67%), sintomas estes que se atenuam com o passar do tempo. O item menos frequente e menos intenso, apesar de relatado exuberantemente na literatura, parece ser a re-experimentação em forma de emoções, como se o fato estivesse ocorrendo de novo.

As condutas de evitação de atividades, lugares ou pessoas relacionadas com o acontecimento, também são as ocorrências comuns e intensas. Tem sido freqüente não apenas a evitação dos os estímulos relacionados com o fato traumático, bem como pensamentos ou conversações que possam recordar a situação traumática.

Os sintomas e condutas mais frequentemente observados são todos os que refletem um estado de hipervigilância ou hiperativação. São também muito frequentes os sintomas de perda do interesse (pelas coisas e atividades), a sensação de um futuro breve e as condutas de evitação motora (atividades, lugares e pessoas) e o mal estar ao expor-se a estas situações. Esses sintomas relacionados ao estado de hiperativação são os itens mais frequentes na mostra de Medina, Pérez e Gancedo, afetando quase a totalidade dos indivíduos.

Depois da experiência traumática pode ocorrer uma transformação duradoura da personalidade dos pacientes com Transtorno por Estresse Pós-traumático. Trata-se de uma sequela caracterizada por mudanças duradouras no estilo de perceber, pensar e relacionar-se consigo mesmo e os demais, portanto, da personalidade.

Fatores Estressantes
Em tese, Estresse é uma resposta fisiológica, psicológica e comportamental com objetivo de se ajustar às solicitações internas e/ou externas. Essas solicitações capazes de levar ao Estresse são chamadas de Fatores Estressantes ou Agentes Estressores.

Assim, Fator Estressor é um acontecimento, uma condição, uma pessoa ou um objeto capaz de proporcionar suficiente tensão emocional, portanto, capaz de induzir à reação de Estresse.

Os fatores estressantes podem variar amplamente quanto à sua natureza, abrangendo desde componentes emocionais, como por exemplo a frustração, ansiedade, perda, até elementos de origem ambiental, biológica e física, como é o caso do ruído excessivo, da poluição, variações extremas de temperatura, problemas de nutrição, sobrecarga de trabalho, etc.

Podemos ainda considerar os estressores de origem interna ou externa ao indivíduo. Se colocarmos um gato junto de um cão feroz, depois de algum tempo o gato estará esgotado; primeiro ele terá muita ansiedade, entrará em Estresse e, se o estímulo estressor persistir (presença do cão), ele se esgotará.

Tendo em vista o fato do gato representar para o cão uma ameaça menor que o cão representa para ele, o cão poderá ficar esgotado algum tempo depois do gato. Nesse caso o cão representa para o gato um estímulo estressor externo, por estar fora do gato e, ao mesmo tempo, inato, por fazer parte da natureza biológica de todos os gatos.

Nos animais os estímulos para desencadear a ansiedade podem ter duas naturezas e uma só origem: quanto à natureza eles podem ser inatos, como por exemplo, gato tem naturalmente medo de cachorro ou, diferente de inatos, podem ser condicionados por treinamento e experiência.

Quanto à origem os estímulos estressores nos animais serão predominantemente externos, partindo do pressuposto que os animais não têm condições para alimentarem conflitos intrapsíquicos. Mesmo assim, podemos dizer que alguns estímulos estressores para animais têm origem interna, quando provém de comportamentos inatos.

No ser humano esses estímulos costumam ter duas origens; podem ser externos e, principalmente, internos. Os estímulos internos são oriundos dos conflitos pessoais, os quais, em última instância, dependem da tonalidade afetiva de cada um. Os estímulos externos, por sua vez, representam as ameaças concretas do cotidiano a cada um.

O atributo humano de perceber o mundo individualmente proporciona uma representação pessoal da realidade. Essa percepção pessoal da realidade, diferente em cada um de nós, é chamada de procepção da realidade. O principal conhecimento que devemos ter disso é que a realidade será sempre representada intima e subjetivamente e de acordo com os filtros afetivos de cada um.

Portanto, por causa da percepção individual que temos da realidade não é totalmente lícito dizer que esse ou aquele determinado fato é estressor, por si só, pois alguns fatos representam serem estressores para alguns e não para outros.

A percepção pessoal da realidade envolve a maneira de ver e sentir o mundo. Engloba não apenas a concepção das coisas que estão fora da pessoa, como também os conceitos e as crenças intrapsíquicas. Isso inclui também a imagem ou representação de si mesmo, ou seja, inclui a autoestima.

A autoestima pode se apresentar mais negativamente ou mais positivamente, de acordo com a tonalidade afetiva de cada um. A ideia de valor que se tem de si mesmo pode significar um estímulo estressor, causador de ansiedade, quando reflete uma autocrítica perturbadora.

As ameaças externas não costumam ser constantes, mas as internas sim. A possibilidade de ameaças estressoras externas existe no dia-a-dia da pessoa, mas não de forma continuada. Em algumas situações a pessoa pode se sentir segura, do ponto de vista racional. Entretanto, a percepção do estímulo estressor internamente não é racional, é emocional. Isso quer dizer que pode haver ansiedade devido ao medo de ser assaltado e agredido, embora essa possibilidade prática seja mínima.

O intenso medo de ficar doente, por exemplo, pode ser um estímulo estressor interno. Seria um estímulo estressor externo se houvesse, de fato, sinais da saúde está abalada. Porém, enquanto houver apenas o medo de passar mal, de ficar doente, sem nenhuma evidência de doença, será uma ameaça interna.

Enquanto nos animais os agentes estressores externos surgem periodicamente, no ser humano a presença dos estímulos estressores internos pode ser contínuos. Havendo uma afetividade problemática, insegurança ou pessimismo, as ameaças internas são constantes. Nessas circunstâncias, a persistência do agente estressor favorece o aparecimento de esgotamento.

No ser humano a afetividade é quem modula a percepção que se tem do mundo (procepção), e será essa afetividade a maior responsável pelo reconhecimento e avaliação dos estímulos como sendo agressivos e ameaçadores (estressores) ou não. Mesmo se tratando de um estímulo externo, concreto e objetivamente definido, sua eventual natureza aversiva será mais estressante ou menos estressante de acordo com a conotação à ele atribuída pelo afeto.

Como se vê, os estímulos ambientais serão estressores não apenas por sua natureza objetiva mas, sobretudo, de acordo a avaliação subjetiva que se faz deles. O mesmo podemos dizer em relação aos estímulos internos, ou seja, aos conflitos, frustrações, medos, sentimentos de perda, etc. Dependendo do afeto essas emoções e sentimentos podem significar uma ameaça maior ou menor.

A Força dos Estressores
Com frequência tenta-se estabelecer alguma graduação de importância para os vários estímulos estressores do cotidiano. Embora algumas listas desses eventos possam dar uma ideia de grau ou de força variável dos estressores, como por exemplo, o caso da separação conjugal ser considerada mais estressante que a mudança de emprego e menos do que a morte do filho. Essas graduações se tornam relativas quando se considera que as pessoas são muito diferentes quanto à sua forma de valorizar e reagir aos desafios impostos pela vida.

Algumas pessoas podem superar perfeitamente alguma perda importante, enquanto outros podem desenvolver um transtorno emocional como resposta à acontecimentos estressantes de menor importância. As variáveis pessoais desempenham papel decisivo na maneira de reagir aos eventos de vida.

De um modo geral, é bom saber que existem categorias de estressores quanto às necessidades de esforços adaptativos, como por exemplo, a morte de um ente querido, uma grande perda, severos revezes econômicos, constatação de doença séria, etc., e, ao lado desses, existem outros acontecimentos menos estressantes que acontecem com maior frequência na vida das pessoas. Apesar disso existe ainda a influência dos conflitos íntimos pessoais.

Além dos acontecimentos considerados estressantes, há necessidade de da vulnerabilidade pessoal à ansiedade para manutenção do Estresse. Vulnerabilidade pessoal é uma espécie de tendência constitucional a reagir mais ansiosamente aos estímulos. Algumas pessoas reagem com uma ativação fisiológica maior aos acontecimentos estressantes.

Um exemplo médico que serve de analogia com o Estresse é a reação alérgica. Se dentro de um mesmo ambiente impregnado de bolor estão 10 pessoas e 3 delas reagirem com espirros, coriza e lacrimejamento, ou seja, com sinais de uma rinite alérgica, medicamente falando não se pode atribuir ao fungo do bolor a causa exclusiva para tal rinite. Se assim fosse todos os demais também teriam essa mesma reação. Para ocorrer a reação alérgica é indispensável existir o mofo, sem dúvida, e mais a sensibilidade pessoal. No máximo, pode-se dizer que para a reação alérgica do exemplo são necessários dois elementos: o fungo e a sensibilidade da pessoa.

Ao se estudar a violência urbana e suas consequências psiquiátricas, encontram-se tabelas que listam estímulos estressores relacionados ao desenvolvimento Transtorno por Estresse Pós-traumático de intensidade moderada ou grave. Atualmente, as guerras e os refugiados que estas ocasionam, também estão sendo objeto de especial atenção por parte dos investigadores.

De qualquer forma é fundamental ter em mente que a força dos estressores depende mais da sensibilidade do sujeito do que do valor do objeto, ou seja, depende de como a pessoa valoriza o evento (interno ou externo), mais do que o evento em si. Há pessoas que vivenciam as mesmas experiências que outros e regem diferente, experimentam estresse de graus variáveis ou, às vezes, nem se estressam. É por isso que estudamos, a seguir, o aspecto pessoal dos estressores.

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Medo e Ansiedade
O medo pode matar e isso não é nenhuma novidade na medicina. A ansiedade, que é a versão psicorgânica do medo também mata.

Os atos de violência, em qualquer de suas formas, seja a violência coletiva, como é o caso da guerra, dos atentados, das violações de direitos, seja a violência individualizada, como os assaltos, os estupros, a tortura, etc. podem ser comparados a um fator cancerígeno da alma.

As vítimas diretas ou indiretas (familiares, testemunhas, etc.) da violência correm um risco de desenvolverem algum transtorno emocional em 60% dos casos, enquanto a porcentagem da população geral tem este mesmo risco reduzido a 20%.

Ações violentas sobre o psiquismo humano são aquelas que afetam profundamente a vida psíquica do ser humano, isto é, que prejudicam o conforto psíquico. Submetida a essas ações violentas a pessoa deixa de ser dona e senhora de seu eu, deixa de governar-se e determinar-se a si mesma, perdendo, consequentemente, o domínio de seu ser e de sua liberdade. Nesses casos a qualidade da vida emocional fica seriamente prejudicada.

Efeitos Pessoais dos Estressores
A percepção pessoal da realidade engloba toda a maneira pessoal de ver e sentir o mundo e será só essa realidade (única para a pessoa) a interessar. Esta percepção pessoal da realidade envolve não apenas a concepção que se tem das coisas da realidade externa, tais como os fatos, eventos, objetos, pessoas, etc., mas também os conceitos internos, as escalas de valores, os conflitos e complexos. Junta-se ao material interno ou intrapsíquico, a valoração da autoimagem ou a autoestima.

O principal conclusão que se obtém disso é que a realidade será sempre representada intimamente e de acordo com os filtros afetivos de cada um, ou seja, de acordo com a sensibilidade (afetiva) de cada um.

Da mesma forma, a autoestima será considerada mais negativa ou mais positiva, também de acordo com a tonalidade afetiva de cada um. Assim, a ideia que a pessoa tem de si mesma pode representar um estímulo aversivo e causador de ansiedade.

Mesmo se tratando de eventual estímulo externo, proveniente do mundo objetivo e concreto, sua natureza agressiva poderá ser mais traumática ou menos traumática, ou seja, mais estressante ou menos estressante, dependendo da conotação mais agressiva ou menos agressiva à ele atribuída por nossa sensibilidade (afetiva). Ter que falar em público, por exemplo, pode representar uma ameaça maior ou menor, dependendo das circunstâncias pessoais.

Diante de uma fotografia antiga de algum ente querido já falecido, por exemplo, algumas pessoas experimentam sentimentos tenros, suaves, saudosos e até agradáveis, outras, por sua vez, podem experimentar sentimentos de angústia, tristeza, sensação de perda, pesar, enfim, sentimentos desagradáveis. O que, realmente, dentro das pessoas faz com que essa foto seja valorizada (representada) dessa ou daquela maneira é a Afetividade.

A Afetividade é, pois, quem dá valor e proporciona a representação interna da realidade. A Afetividade também pode representar um ambiente cheio de gente como ameaçador, estressante, e será capaz também de produzir pânico a partir da ideia de morrer de repente.

A Afetividade valoriza subjetivamente a vida, tudo aquilo que está na realidade externa, como os fatos e acontecimentos, bem como valoriza todo material interior ou subjetivo, tais como os medos, os conflitos, anseios, etc. A Afetividade valoriza também os fatos e acontecimentos do passado e as perspectivas futuras.

A melhor analogia para entender a Afetividade é compará-la às lentes de óculos através das quais o mundo é percebido. Esses óculos hipotéticos fazem com que a realidade tenha essa ou aquela representação. Se esses óculos não estiverem bem ajustados a realidade pode ser percebida de forma mais grave, ou menos perigosa, ou mais coloridas, mais distorcidas ou “fora de foco”. Tratar da Afetividade significa regular os óculos através dos quais o mundo é percebido.

Quadros comumente relacionados com Estresse

Transtorno de Estresse Pós-Traumático

Outro quadro psiquiátrico que pode estar presente nos casos de Esgotamento é o Transtorno por Estresse Pós-Traumático. Conceituar e discutir o Transtorno por Estresse Pós-Traumático (TEPT) é bastante atraente para o estudo antropológico e sociológico do mundo contemporâneo. Esse é, talvez, o maior prejuízo que a violência da sociedade moderna impõe ao cidadão.

A pessoa vítima de um assalto, por exemplo, pode amargar um prejuízo emocional muito maior e mais durável do que a querela material com que todos se preocupam. E esses prejuízos emocionais não aparecem nas estatísticas políticas, sociais ou policiais.

Quando a mídia noticia a violência do cotidiano, em todas as esferas, há um zelo especial em informar bem sobre os prejuízos diretos da violência, principalmente, sobre os danos físicos e os prejuízos materiais envolvidos nessa comoção da vida moderna. Mas isso não reflete o total dos prejuízos que sofre a pessoa.

Nas últimas décadas tem havido um aumento da prevalência do Transtorno por Estresse Pós-Traumático para a população em geral, com taxas mais altas ainda entre adolescentes e adultos jovens. O aumento da prevalência implica num aumento real da possibilidade de ocorrência de Transtorno por Estresse Pós-Traumático durante o tempo de vida da pessoa.

Ainda que, por definição, a vivência traumática para produzir um Transtorno de Estresse Pós-Traumático se centralize em experiências humanas consideradas “fora do normal”, como por exemplo, combates militares, torturas e desastres naturais, sequestros, terrorismo, etc., outras formas de agressão engrossam a fileira das causas do transtorno. A agressão urbana cotidiana, por exemplo, bem como o diagnóstico de uma doença potencialmente mortal, a ameaça de falência econômica e, consequentemente existencial, atualmente tem sido considerado agente estressante suficiente para produzir Transtorno de Estresse Pós-Traumático.

A busca de objetividade da psiquiatria sobre aquilo que, exatamente, poderia ser considerada uma vivência traumática suficiente para justificar grave estresse, tem sido uma atitude muitas vezes insensata. Seria o medo da morte, o medo da doença, do sofrimento, seria o componente econômico, familiar, social, ocupacional…? Enfim, como e o quê seria, exatamente, um motivo vivencial suficientemente estressante para ocasionar o desenvolvimento do Transtorno por Estresse Pós-Traumático?

O quadro do Transtorno por Estresse Pós-Traumático revive o antigo problema das relações entre acontecimentos traumáticos da vida e doenças emocionais. Dependendo de cada região ou país do mundo, os agentes causais do Transtorno por Estresse Pós-Traumático têm características e incidências próprias. Em alguns países o terrorismo é uma das principais manifestações da violência que contribui para a patologia pós-traumática, em outras regiões têm sido as catástrofes naturais, as guerras, etc. Em nosso caso, parece ser a violência urbana e a insegurança a que se submetem os cidadãos, os principais promotores desse transtorno.

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático se diagnostica quando uma pessoa volta a experimentar uma emoção traumática com evocações, lembranças, sonhos, cenas retrospectivas, ou até alucinações perturbadoras e intrusivas, tempos depois da ocorrência de um acontecimento fortemente estressor.

Ao experienciar um trauma o paciente costuma apresentar pesadelos e pensamentos invasivos (que independem se sua vontade) muito negativos, pessimistas e trágicos, ao evitar recordações do trauma faz com que ele evite situações relacionadas e afins (sair de casa, falar com estranhos, caminhar no escuro, ficar sozinho, etc.). Havendo aumento da excitabilidade, apresentará perturbações do sono, hipervigilância, ansiedade e irritabilidade. Outras respostas emocionais, comumente associadas com tais traumatismos, são o desespero, os sentimentos de culpa por medidas tomadas ou evitadas e angustia.

Até certo ponto, o Transtorno de Estresse Pós-Traumático poderia ser considerado uma reação normal do organismo à um acontecimento anormal. Nesse caso o “defeito” seria mais do destino que da pessoa. Pensando assim, poderíamos tirar duas conclusões:

a – O trauma estressor é a causa exclusiva do Transtorno por Estresse Pós-Traumático e;

b – Esse estado mórbido pode ocorrer facilmente a qualquer pessoa, pois, de acordo com o conceito, para que seja classificado de Transtorno de Estresse Pós-Traumático, deve ter havido vivência de um estresse de magnitude suficiente para ser traumático à qualquer pessoa.

Existe uma controvérsia quanto à possibilidade de uma vivência traumática ter como consequência um transtorno emocional. É por isso que as pesquisas atuais estão dando mais importância à valorização subjetiva da vivência traumática capaz de produzir o estresse, do que ao estresse, propriamente dito. Os fenômenos psicofisiológicos do estresse são basicamente os mesmos entre as pessoas estressadas mas, por outro lado, as experiências traumáticas vivenciadas por essas pessoas podem ser bem diferentes.

Tendo em vista o fato de que, nem todas as pessoas expostas ao mesmo trauma desenvolvem algum transtorno emocional, podemos afirmar que o acontecimento traumático seria necessário, mas não suficiente para o desenvolvimento do Transtorno por Estresse Pós-Traumático. Isso quer dizer que, embora o agente estressor esteja sempre associado ao desenvolvimento do Transtorno por Estresse Pós-Traumático, ele pode não ser o único elemento a contribuir para seu desenvolvimento.

A atual literatura tem sugerido que o desenvolvimento do Transtorno por Estresse Pós-Traumático não depende só da gravidade do trauma em si, parecendo evidente que a sensibilidade afetiva e as experiências subjetivas de cada um são, no mínimo, tão importantes quanto a vivência em si.

Nos últimos anos, estudos cada vez mais exaustivos do Transtorno por Estresse Pós-Traumático e dos possíveis mecanismos patogênicos envolvidos em sua eclosão, têm revelado um número de agentes estressantes continuamente crescente. Incluem-se, entre esses agentes estressores capazes de desenvolver o Transtorno de Estresse Pós-Traumático, desde conflitos bélicos, onde se descreveu inicialmente esse transtorno (antiga neurose de guerra), até os desastres naturais ou humanos, passando pela violência urbana, abuso físico ou sexual e as enfermidades ou acidentes com grave risco de vida.

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Esgotamento no trabalho.*
A Síndrome de Burnout é o transtorno emocional que mais se adequa à ideia de esgotamento emocional no trabalho. O termo burnout é definido, segundo um jargão inglês, como aquilo que deixou de funcionar por absoluta falta de energia. Metaforicamente é aquilo, ou aquele, que chegou ao seu limite, com grande prejuízo em seu desempenho físico ou mental.

A Síndrome de Burnout é um processo iniciado com excessivos e prolongados níveis de estresse (tensão) no trabalho. Para o diagnóstico, existem quatro concepções teóricas baseadas na possível etiologia da síndrome: clínica, sociopsicológica, organizacional, sociohistórica (Murofuse et al., 2005). A mais utilizada nos estudos atuais é a concepção sociopsicológica. Nela, as características individuais associadas às do ambiente e às do trabalho propiciariam o aparecimento dos fatores multidimensionais da síndrome: exaustão emocional (EE), distanciamento afetivo (despersonalização – DE), baixa realização profissional (RP) (Cherniss, 1980b; World Health Organization, 1998).

A exaustão emocional abrange sentimentos de desesperança, solidão, depressão, raiva, impaciência, irritabilidade, tensão, diminuição de empatia; sensação de baixa energia, fraqueza, preocupação; aumento da suscetibilidade para doenças, cefaleias, náuseas, tensão muscular, dor lombar ou cervical, distúrbios do sono (Cherniss, 1980a; World Health Organization, 1998).

O distanciamento afetivo provoca a sensação de alienação em relação aos outros, sendo a presença destes muitas vezes desagradável e não desejada (Cherniss, 1980a; World Health Organization, 1998). Já a baixa realização profissional ou baixa satisfação com o trabalho pode ser descrita como uma sensação de que muito pouco tem sido alcançado e o que é rea­lizado não tem valor (Cherniss, 1980a; World Health Organization, 1998). Há intensa associação entre baixos níveis de satisfação com o trabalho e problemas mentais e psicológicos como burnout, autoestima, depressão e ansiedade (Faragher et al., 2005).

*Trigo, T.R. et al. Síndrome de burnout ou estafa profissional e os transtornos psiquiátricos Rev. Psiq. Clín 34 (5); 223-233, 2007

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diferença entre Transtorno por Estresse Pós-Traumático e o Transtorno de Adaptação
  Transtorno de Adaptação ou de Ajustamento Transtorno por Estresse Pós-Traumático
1. – Tipo de estressor É uma resposta emocional aos estressores mais comuns do cotidiano e que não provocariam reações exageradas na maioria das pessoas O estressor deve ser extremamente intenso, deve ter uma natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica, e que provocaria sintomas evidentes de perturbação na maioria dos indivíduos submetidos a ele
2. – Tempo da reação Resposta crônica aos estressores do cotidiano, como uma somatória de várias circunstâncias diante das vai-se, paulatinamente, apresentando alterações emocionais. Ex.; mudança de cidade, mudança de emprego, revés econômico, perda do emprego, etc. O estressor é único e a reação é aguda, o quadro todo aparece em pouco tempo (dias), imediata ou mediatamente ao estresse vivido. Ex.: assaltos mais traumáticos, violência urbana, acidentes graves, etc.

para referir:
Ballone GJ Estresse – O que é isso? – in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.net, revisto em 2015