Dificuldade de Aprendizagem

A atribuição multifatorial para as causas dos problemas psiquiátricos, chamado de fator biopsicossocial, é bastante ilustrado na questão da criança escolar. O fator, como diz o nome, traz consigo as características do aspecto biológico, psicológico e social. E é sob esse aspecto multifatorial que as dificuldades escolares devem ser consideradas.

Embora existam boas tentativas de se definir e especificar o que, de fato, seria uma Dificuldade de Aprendizagem ou Escolar, não existe ainda uma definição consensual acerca dos critérios e nem mesmo do termo. De modo acadêmico, a denominação Dificuldades da Aprendizagem é preferível à Dificuldades Escolares, menos específico e não restrito, obrigatoriamente, ao aprendizado.

No manual de diagnóstico DSM-5 trata-se do Transtorno Específico de Aprendizagem, logo depois do Transtorno de Déficit de Atenção, ambos incluídos no capítulo Transtornos do Neurodesenvolvimento. Neste capítulo está classificado também a Deficiência Intelectual.

Parece ser sensata a definição da Lei Pública Americana, P.L. 94 -142, que diz: “Dificuldade de aprendizagem específica significa uma perturbação em um ou mais processos psicológicos básicos envolvidos na compreensão ou utilização da linguagem falada ou escrita, que pode manifestar-se por uma aptidão imperfeita de escutar, pensar, ler, escrever, soletrar ou fazer cálculos matemáticos. O termo inclui condições como deficiências perceptivas, lesão cerebral, disfunção cerebral mínima, dislexia e afasia de desenvolvimento. O termo não engloba as crianças que têm problemas de aprendizagem resultantes principalmente de deficiência visual, auditiva ou motora, de deficiência mental, de perturbação emocional ou de desvantagens ambientais, culturais ou econômicas” (Federal Register, 1977).

Quanto às situações clínicas atreladas às Dificuldades da Aprendizagem, citadas na última frase do parágrafo, não se vê justificativa plausível para a exclusão das outras causas da Dificuldades da Aprendizagem.

Tipos
O DSM-5 diz que o Transtorno Específico da Aprendizagem é um transtorno do neurodesenvolvimento com origem biológica que é a base da anormalidade no nível cognitivo as quis são associadas com manifestações comportamentais. Uma característica essencial do transtorno são as dificuldades persistentes para aprender habilidades acadêmicas fundamentais. O desempenho da pessoa nas habilidades acadêmicas afetadas está bem abaixo da média para a idade.

De acordo com o DSM-5, deve-se especificar o tipo de dificuldade de aprendizagem da seguinte forma:
Não se deve tratar os Transtornos Específicos da Aprendizagem como se fossem problemas insolúveis, mas, antes disso, como a necessidade imperiosa de se identificar e prevenir o mais precocemente possível, de preferência ainda na pré-escola.A CID considera essa situação, predominantemente no capítulo intitulado Transtorno do Desenvolvimento das Habilidades Escolares, descrevendo-os como “transtornos nos quais as modalidades habituais de aprendizado estão alteradas desde as primeiras etapas do desenvolvimento. O comprometimento não é somente a consequência da falta de oportunidade de aprendizagem ou de um retardo mental… “.

É muito importante a avaliação global da criança ou adolescente, considerando as diversas possibilidades de alterações que resultam nos Transtornos Específicos da Aprendizagem, para que o tratamento seja o mais específico e objetivo possível.

Existem ainda outras classificações, como por exemplo, quanto a origem dos Transtornos Específicos da Aprendizagem. Alguns autores dividem os Transtornos Específicos da Aprendizagem em Primários e Secundários, de acordo com sua origem. Os Transtornos Específicos da Aprendizagem considerados Primários seriam aqueles cuja causa não pode ser atribuída à elementos psiconeurológico bem estabelecidos ou esclarecidos.

Esses casos englobam, principalmente, as chamadas disfunções cerebrais e, dentro das dessas disfunções, teríamos os Transtorno da Leitura, Transtorno da Matemática e Transtorno da Expressão Escrita, bem como os transtornos da linguagem falada, os quais englobam o Transtorno da Linguagem Expressiva e o Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva.

As Dificuldades da Aprendizagem consideradas secundárias seriam aquelas consequentes à alterações biológicas específicas e bem estabelecidas e alterações comportamentais e emocionais bem esclarecidas.

Código e tipo Característica
315.00 – com prejuízo na leitura Precisão na leitura de palavras

Velocidade de leitura

Compreensão da leitura

315.2 – com prejuízo da expressão escrita Precisão na ortografia

Precisão na gramática

Clareza da expressão escrita

315.1 – com prejuízo na matemática Senso numérico

Memorização de dados aritméticos

Precisão do cálculo

Precisão do raciocínio matemático

Em relação às alterações biológicas (neurológicas) o diagnóstico deve ser dado de acordo com a patologia biológica de base, como por exemplo, as Lesões Cerebrais, Paralisia Cerebral, Epilepsia e Deficiência Mental. Neste caso os Transtornos Específicos da Aprendizagem aparecem como sintoma ou condição secundária.

Questões biológicas envolvem também os sistemas sensoriais, através da deficiência auditiva, hipoacusia, deficiência visual e ambliopia. Teríamos ainda, dentro das causas biológicas, as situações de Dificuldades da Aprendizagem conseqüentes a outros problemas perceptivos que afetam a discriminação, síntese, memória e relação espacial e visualização.

Em relação aos problemas de comportamento, um dos fatores mais marcantes para desenvolvimento de Transtornos Específicos da Aprendizagem são os quadros classificados como Comportamento Disruptivo e, dentro deles, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade e o Transtorno Desafiador e Opositivo.

Quanto ao problemas emocionais que favorecem os Transtornos Específicos da Aprendizagem está a Depressão Infantil e a Ansiedade (de Separação) na Infância. A importância do diagnóstico dos problemas de aprendizagem que levam a criança a apresentar um baixo rendimento escolar e estabelecimento precoce da conduta se justifica por:

  1. – Dentre as principais razões para os Transtornos Específicos da Aprendizagem, as emocionais são atualmente uma daquelas com melhor possibilidades de tratamento;
  2. – Importantíssimo para fazer diagnóstico diferencial dos Transtornos Específicos da Aprendizagem com a Deficiência Mental, quadro muito traumático para familiares e com mau prognóstico;
  3. – Proporcionar um desenvolvimento satisfatório o mais rapidamente possível.

Muito embora as crianças estejam sujeitas à maioria dos transtornos emocionais encontrados nos adultos, na maioria das vezes seu diagnóstico é pobremente realizado, e isto, quando realizado. A maioria das pessoas ainda acredita que criança não fica “nervosa”, porque criança não tem problemas, ou coisas assim.

Outros, infelizmente, acham que “criança nervosa” é falta de correção enérgica, porque quando eram crianças apanhavam se não se comportassem adequadamente. Enfim, a falta de informação sobre psiquiatria infantil é a grande responsável pela maioria das dificuldades de relacionamento, escolares e sociais das crianças, bem como, responsável por inúmeras sequelas emocionais no futuro.

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A prevalência do Transtorno Especifico da Aprendizagem nos domínios acadêmicos da leitura, escrita e matemática é de 5 a 15% entre crianças em idade escolar, em diferentes idiomas e culturas. Nos adultos, a prevalência é desconhecida, mas parece ser de aproximadamente 4%, segundo o DSM-5.

Transtorno Especifico da Aprendizagem é mais comum no sexo masculino do que no feminino (as proporções variam de cerca de 2:1 a 3:1), não podendo ser atribuído a fatores como viés de recrutamento, variação em definições ou medidas, linguagem, raça ou nível socioeconômico.

O Transtorno Especifico da Aprendizagem pode ser precedido em anos pré́-escolares, não de forma invariável, por atrasos na atenção, na linguagem ou nas habilidades motoras. Entretanto, às vezes essas pessoas têm um perfil de capacidades prodigiosa, como capacidades acima da média para desenhar, para design e outras capacidades viso espaciais, embora tenham leitura lenta, trabalhosa e imprecisa, bem como dificuldades na compreensão da leitura e na expressão escrita.

Indivíduos com Transtorno Especifico da Aprendizagem podem apresentar baixo desempenho, não invariavelmente, em testes psicológicos de processamento cognitivo. Ainda não está claro, entretanto, se essas anormalidades cognitivas são causa, correlatos ou consequência do Transtorno Especifico da Aprendizagem.

Além disso, embora déficits cognitivos associados com dificuldades em aprender a ler palavras estejam bem documentados, aqueles associados com outras manifestações do Transtorno Especifico da Aprendizagem (p. ex., compreensão da leitura, calculo aritmético, expressão escrita) são pouco conhecidos ou especificados.

Segundo o DSM-5, as dificuldades de aprendizagem são persistentes e não transitórias. Em crianças e adolescentes, “persistente” significa que existe um limitado progresso na aprendizagem durante pelo menos seis meses apesar de ter sido proporcionada ajuda adicional em casa ou na escola.

Dificuldades em aprender a ler palavras isoladas que não se resolvem completa ou rapidamente com a instrução em habilidades fonológicas ou estratégias de identificação de palavras podem indicar um Transtorno Especifico da Aprendizagem. Evidencias de dificuldades persistentes de aprendizagem podem ser detectadas em relatórios escolares cumulativos, portfólios de trabalhos da criança avaliados, medidas baseadas no currículo ou entrevista clínica.

Nos adultos, dificuldade persistente refere-se a dificuldades contínuas no letramento ou numeralização que se manifestam na infância ou na adolescência, conforme indicado por evidências cumulativas de relatórios escolares, portfólios de trabalhos avaliados ou avaliações prévias.

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A Escola e a Criança
No Brasil parece que a política do ensino público de ensinar parece estar sendo menos importante do que manter a criança na escola. A tática de obter resultados da aprovação quase automática ano-a-ano, faz com que os transtornos emocionais dos alunos, externados através de condutas desviantes, anômalas, rebeldes, indisciplinadas, inconsequentes e toda sorte de atitudes jamais imaginadas há poucas décadas, constituam uma excelente oportunidade para reflexões honestas sobre os limites e as possibilidades do professor e da estrutura escolar.

Se, infelizmente, as crianças carregam suas mazelas emocionais para dentro da escola, e se essas mazelas estão sendo lidadas adequadamente ou não, pode-se dizer que também os professores carreiam suas frustrações, depressões e ansiedades geradas na escola para dentro dos consultórios psiquiátricos, com a desvantagem de não se dispor de tanta literatura especializada a respeito quanto existem sobre a problemática infanto-juvenil.

A noção cultural em torno da infância e da adolescência varia de acordo com a época. Na Idade Média, por exemplo, a duração da infância era reduzida ao mínimo possível, provavelmente devido à necessidade da mão de obra dos infantes. Logo que a criança manifestasse uma certa autonomia de movimentos, era automaticamente incluída no mundo dos adultos, na condição de um pequeno adulto, apto, portanto, à produção.

Antes de meados da década de 60 as regras comportamentais dentro de casa eram algo mais rígidas. Quando as coisas não saiam de acordo com a orientação paterna, haviam os castigos, o corte das regalias e ponto final. Depois dessa fase, veio a época dos acordos entre pais e filhos, a recomendação politicamente correta dos diálogos, discussões e decisões conjuntas.

 

 

Problema da Escola
Não é lícito estabelecer uma regra geral e inflexível atribuindo a todos os casos de Transtornos Específicos da Aprendizagem um mesmo diagnóstico ou um enfoque generalizado. Nem sempre existem provas clínicas de que as causas dos Transtornos Específicos da Aprendizagem possam ser identificadas objetivamente. Muitas vezes as tentativas de se estabelecer diagnósticos para avaliar esses problemas servem para encobrir outras falhas pedagógicas.

Muitas vezes os diagnósticos pouco criteriosos de “hiperatividade”, “fobia escolar” e afins, servem como atenuante para alguma comodidade ou falha da escola para lidar com processos e métodos de aprendizagem. Não é segredo que a maioria das escolas, notadamente as públicas, está longe de cumprir sua tarefa de instruir e educar, envolvidas que estão por ditames políticos ou utilitaristas. Percebe-se, com frequência, que algo está muito errado acontece e que, nem sempre, o erro é exatamente das crianças.

Por isso, cada caso de Transtorno Específico da Aprendizagem deve ser avaliado particularmente, incluindo na avaliação o entorno familiar e escolar. Se os Transtornos Específicos da Aprendizagem estão presentes no ambiente escolar e ausentes nos outros lugares, o problema deve estar no ambiente de aprendizado e não em algum “distúrbio neurológico” misterioso e não-detectável (Jan Hunt).

Essa dificuldade seletiva para o ambiente escolar é suspeitada quando a criança aprende bem em outros cursos (inglês, música…), aprende manipular aparelhos eletroeletrônicos com facilidade, tem boa performance em atividades lúdicas, enfim, quando ela mostra fora da escola que pode aprender como as demais.

Quais seriam os critérios dos pais ao decidirem por esta ou aquela escola? Excluindo-se a imensa maioria que não pode escolher e aceita a escola pública onde seu filho deve obrigatoriamente estudar, alguns outros podem estar escolhendo a escola motivados por razões sociais; porque querem seus filhos junto com os filhos de outras proeminências sociais, porque é chique dizer onde eles estudam, por alívio de consciência, já que podem sentir-se omissos em outras áreas da atenção aos filhos, pelo preço, enfim, nem sempre o critério é o pedagógico.

John Holt (Teach Your Own – Ensine a Si Mesmo) alerta os pais de crianças em idade escolar, para serem “extremamente céticos em relação a qualquer coisa que as escolas e seus especialistas digam sobre a condição e as necessidades de seus filhos”. Recomenda, com certo exagero, que eles devem compreender ser quase certo que a própria escola, com todas as suas fontes de tensão e ansiedade, esteja agravando ou causando essas dificuldades e que o melhor tratamento provavelmente seja tirar o filho da escola de uma vez por todas (idem).

Muitas vezes os Transtornos Específicos da Aprendizagem são reações compreensíveis de crianças neurologicamente normais, porém, obrigadas a adequar-se às condições adversas das salas de aula. Podemos ver na clínica diária, muitas crianças sensíveis e emocionalmente retraídas que passam a apresentar Transtornos Específicos da Aprendizagem depois de serem submetidas à alguma situação constrangedora não percebida pelos demais. Trata-se de uma situação corriqueira, porém, agindo sobre uma criança afetivamente diferenciada e que nem sempre a escola, a professora, orientadora, coordenadora e demais colegas de classe, percebem.

Normalmente as crianças que apresentam Transtornos Específicos da Aprendizagem no início da escolarização, embora não tenham nenhum problema neuropsiquiátrico, provavelmente são aquelas que precisarão de maior atenção. São crianças que terão de desenvolver suas habilidades de apreensão daquilo que é ensinado. Portanto, cada uma delas precisa ser investigada e compreendida particularmente em suas dificuldades.

Quando o problema maior é da escola, uma restrição das atividades exagerada podem favorecer falsos diagnósticos de Crianças Hiperativas. Se as aulas carecem de atrativos pedagógicos, podem surgir falsos diagnósticos de Déficit de Atenção, se a criança é assediada, se apanha de grupos delinquentes escolares, se é submetida à situações vexatórias (para ela, especificamente), pode-se observar falsos diagnósticos de Fobia Escolar e assim por diante.

Dois extremos podem comprometer a escola em relação aos Transtornos Específicos da Aprendizagem; ou a escola superestima a questão psiconeurológica acreditando comodamente que a criança é realmente um problema, quando, de fato, o problema é de relacionamento ou de adequação difícil às normas da escola ou, ao contrário, subestima um verdadeiro comprometimento neuropsiquiátrico levando aos Transtornos Específicos da Aprendizagem, pensando tratar-se de algum problema disciplinar, de método de ensino, de má vontade, etc.

Problema da Criança
Primeiramente deve-se questionar se, de fato, a criança apresenta algum Transtorno Específico da Aprendizagem, ou se seu rendimento não satisfaz as expectativas do professor (da escola). Um desenvolvimento incomum nem sempre denuncia alguma patologia (a gravidez de gêmeos é anormal estatisticamente e normal medicamente). Pode-se considerar, antes de tudo, dificuldades pessoais eminentemente circunstanciais.

Convém sempre lembrar que a medicina é apenas uma das muitas maneiras de avaliar o ser humano, o qual pode ser arguido pela sociologia, psicologia, antropologia, pela religião, pela pedagogia e assim por diante. Mas a medicina, por sua vez, funciona na base da avaliação, diagnóstico e tratamento e, havendo um diagnóstico MÉDICO, a medicina não abre mão do tratamento.

Portanto, é demagógico o discurso que fala em “rotular pacientes” e coisas do gênero: a medicina diagnostica pacientes, ela não rotula pessoas. Profissionais completamente desfamiliarizados com o diagnóstico médico, até por uma questão de conforto emocional, preferem considerar o diagnóstico uma inutilidade ou um mecanismo de discriminação. Não vale nem a pena comentar…

Na realidade, vê-se que a família só é mobilizada a procurar ajuda especializada para suas crianças quando o rendimento escolar e a aprendizagem estão ameaçadas. Infelizmente, na maioria das vezes essa ajuda é procurada incorretamente, pois, na medida em que a família se sente ameaçada por algum estigma cultural, qualquer coisa parece servir, desde que não seja o psiquiatra. Serve o neurologista, o psicólogo, terapeutas e pedagogos, mas o psiquiatra, decididamente não.

Não pretendemos dizer que tais profissionais sejam inadequados para os casos onde a emoção esteja fortemente presente, mas nem sempre o caso será mais adequadamente tratado exclusivamente por eles. De fato, o real motivo para a procura de todos esses profissionais, menos o psiquiatra, claro, é o receio de ter um filho tratado por psiquiatras.

Uma vez esclarecido que psiquiatras não são médicos que só tratam de loucos, do ponto de vista eminentemente médico aborda-se o tema mostrando os quadros psicopatológicos relacionados às situações favorecedoras dos Transtornos Específicos da Aprendizagem. As dificuldades escolares podem ocorrer em 4 situações:

1. – Quando há severo prejuízo do interesse da criança;
2. – Quando a performance global da criança está prejudicada;
3. – Quando há prejuízo da atenção;
4. – Quando há prejuízo na cognição. E esta se subdivide em:
xxxxx4.1 – Prejuízo na apreensão de informações;
xxxxx4.2 – Prejuízo no processamento das informações

Portrait of beautiful young girl with flowers in the park

O número de gestações com Síndrome de Down aumentou mais de 70% nos últimos 20 anos, segundo pesquisadores.
O forte aumento no número de crianças que nascem com Síndrome de Down reflete o crescente número de mulheres mais velhas a engravidar, quando então há um risco mais elevado para esta doença. A Universidade de Londres realizou um estudo abrangendo Inglaterra e País de Gales. O número de gestações com Síndrome de Down aumentou de 1.075 em 1990 para 1.843 em 2008.

Os avanços e a melhora no rastreamento genético pré-natal é que denuncia o aumento do diagnóstico dessas gestações, entretanto, o número de crianças com está síndrome diminuiu. Isso aconteceu porque, de acordo com o estudo, a proporção de casais que decide interromper a gravidez depois do diagnóstico precoce da doença gira em torno de 92%, conforme dizem os pesquisadores ingleses.

Joan Morris, professor de estatísticas médicas da Queen Mary Hospital e que conduziu a pesquisa disse que o risco de um bebê nascer com Síndrome de Down é uma em 940 para uma mulher até os 30 anos, entretanto, depois dos 40 anos o risco sobe para uma em 85. 

1 – Quando há prejuízo do interesse
Afastadas as causas de natureza orgânica, tais como anemia, reumatismo infeccioso, infecções, diabetes, estados de intoxicação, a Depressão Infantil é a maior causa de desinteresse.

O desinteresse está intimamente relacionado ao Humor ou Afeto, e isso é bastante sabido; no mau humor e/ou na depressão, não há interesses por nada. Portanto, o interesse é, em suma, um problema afetivo. Tanto assim que, um dos sintomas mais expressivo dos quadros depressivos pode ser o desinteresse. Para entendê-lo, o primeiro passo é estudar a Depressão, mais precisamente, os Sintomas da Depressão (veja em Depressão).

A Depressão Infantil pode ser consequência de uma Reação de Ajustamento a alguma circunstância ambiental, como por exemplo, a separação dos pais, perdas familiares, mudança de escola e/ou cidade, nascimento de irmão, etc. Pode ainda ser de natureza mais grave e atrelada à constituição do paciente, notadamente quando existem parentes próximos também portadores de depressão.

Há um sintoma básico da Depressão chamado Estreitamento do Campo Vivencial. É como se o universo de interesses do deprimido vai sendo cada vez menor e mais restrito e a preocupação com suas próprias angústias e seu próprio sofrimento emocional toma conta de todo seu interesse e seus prazeres. Não há ânimo suficiente para admirar um dia bonito, para interessar-se na realização ocupacional, para relacionar-se socialmente, para assistir um filme interessante, para interessar-se pela escola, enfim, nada lhe dá prazer, nada pode motivá-lo.

Neste caso o campo vivencial fica tão estreitado que só cabe o próprio paciente com seu sofrimento, o restante de tudo que a vida pode lhe oferecer não interessa. Os campos da consciência e da motivação estão seriamente comprometidos nos estados depressivos, daí a dificuldade em manter um bom nível de memória, de rendimento intelectual, de iniciativas e participações para tocar adiante o dia-a-dia. Percebem-se os reflexos desta inibição global até na atividade motora, que fica bastante diminuída, e até na própria expressão da mímica, através da aparência de abatimento e de desinteresse.

Outra patologia mental capaz de prejudicar severamente o interesse de crianças e adolescentes é a Esquizofrenia da Infância e Adolescência. Nesse quadro, em termos de comportamento e interação social, a maior parte dos pacientes mantém contatos sociais limitados. Adolescentes que eram socialmente ativos podem tornar-se retraídos, perdem o interesse em atividades com as quais anteriormente sentiam prazer, tornam-se menos falantes e curiosos, e podem passar a maior parte de seu tempo na cama. Para a família esses sintomas de apatia e desinteresse, chamados de sintomas negativos, costumam ser o primeiro sinal de que algo está errado.

2 – Quando o desempenho global da criança está prejudicado
Esses casos de Transtornos Específicos da Aprendizagem são decorrentes de fatores que comprometem o rendimento mental como um todo. Aqui não está mais em destaque o interesse do aluno na escola mas, sobretudo, a incapacidade de trabalhar mentalmente as informações. Da mesma forma que no item anterior, embora em menor intensidade, também a Depressão Infantil pode ocasionar sintomas de baixo rendimento psíquico global, entretanto, são as Deficiências Mentais as patologias que mais ocasionam prejuízo do rendimento mental de maneira muito mais contundente.

Na Depressão Infantil ou do Adolescente, o sintoma básico responsável pelo prejuízo do interesse chama-se Inibição Global. Trata-se de uma espécie de freio ou lentificação dos processos psíquicos em sua globalidade, como se fosse uma dormência generalizada de toda a atividade mental. Em graus variáveis, esta inibição geral torna o indivíduo apático, desinteressado, lerdo, desmotivado, com dificuldade em suportar tarefas elementares do cotidiano e com grande perda da capacidade de raciocínio e de tomar iniciativas.

Em relação à Deficiência Mental, segundo a classificação da OMS – (Organização Mundial da Saúde), a gravidade do quadro seria classificada em 4 níveis: profundo, grave, moderado e leve.

Profundo: São pessoas com uma incapacidade total de autonomia. Os que têm um coeficiente intelectual inferior a 10, inclusive aquelas que vivem num nível vegetativo.

Grave: Fundamentalmente necessitam que se trabalhe para instaurar alguns hábitos de autonomia, já que há probabilidade de adquiri-los. Sua capacidade de comunicação é muito primária. Podem aprender de uma forma linear, são crianças que necessitam revisões constantes.

Moderado: O máximo que podem alcançar é o ponto de assumir um nível pré-operativo. São pessoas que podem ser capazes de adquirir hábitos de autonomia e, inclusive, podem realizar certas atitudes bem elaboradas. Quando adultos podem frequentar lugares ocupacionais, mesmo que sempre estejam necessitando de supervisão.

Leve: São casos perfeitamente educáveis. Podem chegar a realizar tarefas mais complexas com supervisão. São os casos mais favoráveis.

Não são os três níveis mais sérios de Deficiência Mental a preocupar o diagnóstico causal dos Transtornos Específicos da Aprendizagem. Esses pacientes mostram claramente o grau de comprometimento intelectual que apresentam. O problema está na Deficiência Mental Leve, às vezes limítrofe entre o normal e o subnormal. Nesses casos o aluno desenvolve-se sofregamente durante um certo tempo, mas, a partir de um determinado nível de exigência mental começam a apresentar dificuldades.

De acordo com o DSM-5, os domínios ou áreas e sub-habilidades acadêmicos prejudicados nos Transtornos Específicos da Aprendizagem fazem parte dos seguintes especificadores:

315.00 (F81.0) – Com prejuízo na leitura:
– Precisão na leitura de palavras, velocidade ou fluência da leitura –
– Compreensão da leitura

Nota: Dislexia é um termo alternativo usado em referencia a um padrão de dificuldades de aprendizagem caracterizado por problemas no reconhecimento preciso ou fluente de palavras, problemas de decodificação e dificuldades de ortografia.

Se o termo dislexia for usado para especificar esse padrão particular de dificuldades, é importante também especificar quaisquer dificuldades adicionais que estejam presentes, tais como dificuldades na compreensão da leitura ou no raciocínio matemático.

315.2 (F81.81) Com prejuízo na expressão escrita:
– Precisão na ortografia
– Precisão na gramática e na pontuação
– Clareza ou organização da expressão escrita

315.1 (F81.2) – Com prejuízo na matemática:
– Senso numérico
– Memorização de fatos aritméticos
– Precisão ou fluência de calculo
– Precisão no raciocínio matemático

Nota: Discalculia é um termo alternativo usado em referência a um padrão de dificuldades caracterizado por problemas no processamento de informações numéricas, aprendizagem de fatos aritméticos e realização de cálculos precisos ou fluentes.

Se o termo Discalculia for usado para especificar esse padrão particular de dificuldades matemáticas, é importante também especificar quaisquer dificuldades adicionais que estejam presentes, tais como dificuldades no raciocínio matemático ou na precisão na leitura de palavras.

Especificar a gravidade atual:
Leve: Alguma dificuldade em aprender habilidades em um ou dois domínios acadêmicos, mas com gravidade suficientemente leve que permita ao individuo ser capaz de compensar ou funcionar bem quando lhe são propiciados adaptações ou serviços de apoio adequados, especial- mente durante os anos escolares.

Moderada: Dificuldades acentuadas em aprender habilidades em um ou mais domínios acadêmicos, de modo que é improvável que o individuo se torne proficiente sem alguns intervalos de ensino intensivo e especializado durante os anos escolares. Algumas adaptações ou serviços de apoio por pelo menos parte do dia na escola, no trabalho ou em casa podem ser necessários para completar as atividades de forma precisa e eficiente.

Grave: Dificuldades graves em aprender habilidades afetando vários domínios acadêmicos, de modo que é improvável que o indivíduo aprenda essas habilidades sem um ensino individualizado e especializado contínuo durante a maior parte dos anos escolares. Mesmo com um conjunto de adaptações ou serviços de apoio adequados em casa, na escola ou no trabalho, o individuo pode não ser capaz de completar todas as atividades de forma eficiente.

3 – Quando há prejuízo da atenção
Evidentemente o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é a principal situação psiconeurológica que compromete a atenção da criança ou adolescente. Os portadores de TDAH são frequentemente rotulados de “problemáticos”, “desmotivados”, “avoados”, “malcriados”, “indisciplinados”, “irresponsáveis” ou, até mesmo e, erradamente, “pouco inteligentes”.

O TDAH é considerado, atualmente, um dos transtornos psíquicos infantis mais estudados. A sintomatologia principal é a desatenção, hiperatividade e impulsividade da criança. A prevalência do TDAH está entre 3% e 5% em crianças em idade escolar e costuma ser mais comum em meninos do que em meninas. Em adolescentes de 12 a 14 anos, pode ser encontrada numa prevalência de 5,8%.

A característica essencial do TDAH é um padrão persistente de desatenção, hiperatividade e alguns sintomas hiperativo-impulsivos que causam prejuízo no funcionamento familiar, social, acadêmico ou ocupacional do paciente. A desatenção pode tanto se manifestar em situações escolares, quanto sociais. As crianças com este transtorno podem não prestar muita atenção a detalhes e podem cometer erros grosseiros por falta de cuidado nos trabalhos escolares ou em outras tarefas.

Os adolescentes e crianças com TDAH frequência têm dificuldade para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas e consideram difícil persistir nas mesmas tarefas até seu término. Normalmente essas crianças dão a impressão de estarem com a mente em outro local, ou de não estarem escutando o que está sendo dito.

Pode haver frequentes mudanças de uma tarefa para outra, elas podem iniciar uma tarefa, passar para outra, depois voltar a atenção para outra antes de completarem qualquer uma de suas incumbências. Essas crianças frequentemente não atendem a solicitações ou instruções e não conseguem completar os trabalhos escolares, tarefas domésticas ou outros deveres.

A Ansiedade Patológica na Infância e Adolescência também interfere negativamente na atenção das crianças. Dentro desse quadro situa-se a chamada Fobia Escolar, mais adequadamente chamada de Transtorno de Ansiedade de Separação. A característica essencial desse transtorno é a ansiedade excessiva envolvendo o afastamento de casa ou de pessoas com forte vínculo afetivo, normalmente a mãe.

As crianças com este transtorno experimentam um sofrimento excessivo quando separados de casa ou de pessoas de vinculação afetiva importante, bem como podem sofrer antecipadamente diante da simples possibilidade de futura separação. Alguns pacientes com Transtorno de Ansiedade de Separação sentem saudade extrema e chegam a sentir-se doentes (com febre, diarreia, vômito, etc.) devido ao desconforto por estarem longe de casa, incluindo a escola. Por causa disso tudo essas crianças podem apresentar grande relutância ou recusa a irem à escola e, uma vez lá, ficam tão ansiosas que não conseguem prestar atenção necessária.

4 – Quando há prejuízo na cognição
4.1 – Na apreensão da informação
Qualquer alteração neuropsiquiátrica, funcional ou orgânica, suficiente para comprometer o sistema sensorial, seja a nível periférico, como por exemplo, a surdez e a cegueira, seja a nível central, como as lesões cerebrais, interfere sobremaneira na apreensão dos estímulos. Evidentemente, se a pessoa não consegue ouvir ou ver, sua aprendizagem estará seriamente comprometida.

4.2 – No processamento da informação
A síntese das sensações que vêm do exterior sob a forma de estímulos, de forma a constituir percepções conscientes do que ocorre fora da pessoa, dá-se nas zonas corticais do Sistema Nervoso Central (SNC). A anestesia, surdez ou cegueira podem resultar da lesão de um órgão sensorial periférico, do nervo que leva essas informações até o cérebro (nervos aferentes) ou de uma zona cortical do SNC, onde se projetam essas sensações. Em qualquer das circunstâncias está seriamente prejudicada a apreensão da informação.

Há casos onde estão conservadas a integridade das vias nervosas aferentes (periféricas), mas existem lesões cerebrais corticais na vizinhança da área de projeção, nas chamadas áreas para-sensoriais. Embora se mantenha a integridade das sensações percebidas, há importante alteração na qualidade daquilo que é sentido. Nesses casos, fala-se em Agnosia.

Para estudo dos Transtornos Específicos da Aprendizagem as agnosias mais importantes são a visual e auditiva. A agnosia visual é, entre esses transtornos, a melhor conhecida em sua origem. Nesses casos, muito importantes para a leitura, porque a pessoa vê, enxerga mas não sabe o que está vendo, as lesões neurológicas responsáveis são quase sempre bilaterais e afetam as áreas occipitais 18 e 19, contíguas à área 17 onde terminam as projeções visuais (áreas para-sensoriais). A agnosia auditiva, por sua vez, é quando o paciente ouve sons e ruídos, porém não consegue identificá-los, não os compreende.

Outro quadro relacionado à dificuldade no processamento da informação é a Dislexia. Dislexia é um distúrbio específico da linguagem caracterizado pela dificuldade em decodificar (compreender) palavras. Segundo a definição elaborada pela Associação Brasileira de Dislexia, trata-se de uma insuficiência do processo fonoaudiológico e inclui-se frequentemente entre os problemas de leitura e aquisição da capacidade de escrever e soletrar. Resumidamente podemos entender a Dislexia como uma alteração de leitura.

Apesar da criança disléxica ter dificuldade em decodificar certas letras, não o faz devido a algum problema de déficit cognitivo, como ocorre na Deficiência Mental, mas sim de uma alteração cognitiva. Normalmente esses pacientes apresentam um QI perfeitamente compatível com a idade.

para referir:
Ballone GJ – Transtorno Específico da Aprendizagem – in. PsiqWeb, Internet, disponível em http://www.psiqweb.net, revisto em 2015.