Transtornos da Personalidade

Os Transtornos de Personalidade são importantes porque podem representar propensões ou prenunciar transtornos emocionais relativamente específicos mais tarde.

Pessoas explosivas, teatrais, sistemáticas, meticulosas, obsessivas, cismadas, muito emotivas e outros tipos difíceis de se conviver sugerem, a todos intuitivamente, tratar-se de uma maneira de SER e não de ESTAR.  Ao longo da vida muitas dessas pessoas podem melhorar, através de muito empenho e propósito de morrer melhor do que nasceram. Outras estacionam, petrificadas para sempre, sofrendo e fazendo sofrer.

Henri Ey  considera tais pessoas como sendo portadoras de um Ego Patológico, e também as caracteriza não como uma maneira de ESTAR no mundo, mas sobretudo, uma maneira de SER no mundo. Karl Jaspers afirma serem anormais as personalidades que fazem sofrer, tanto a pessoa quanto quem a rodeia. Para Jaspers, as personalidades anormais representam variações não-normais da natureza humana, as quais podem perfeitamente ser entendidas como Transtornos de Personalidade (TP).

Os Transtornos de Personalidade são tipos de comportamentos característicos que expressam maneiras da pessoa viver e de estabelecer relações consigo mesma e com os outros. São distúrbios da constituição e das tendências comportamentais, não diretamente relacionados a alguma doença, lesão, afecção cerebral ou a outro transtorno psiquiátrico. Isso tudo quer dizer que a pessoa simplesmente é desse jeito e será assim.

Habitualmente os Transtornos de Personalidade se acompanham de sofrimento e de comprometimento no desempenho global da pessoa. Aparecem precocemente durante o desenvolvimento individual sob a influência de múltiplos fatores, sejam constitucionais, sociais ou existenciais. Depois de solidificado este conjunto de traços pessoais constituindo uma personalidade não-normal, persistirá indefinidamente.

Entretanto, afortunadamente, dependendo do esforço cognitivo da pessoa, de seu juízo crítico, conhecimento e disposição ao entendimento, tais estados supostamente pétreos podem seguir por caminhos mais favoráveis e de menor sofrimento, tanto para a pessoa deles portadora, quanto dos demais à sua volta. Sabendo lidar com essa questão a pessoa poderá se adaptar perfeitamente à sua maneira de ser, poderá disciplinar pulsões, esquemas de pensamentos, impulsos específicos desses transtornos e tal manejo poderá ser de tal forma eficiente que a qualidade da vida emocional será muito melhorada.

De fato, o que denomina, classifica ou dá o nome ao Transtornos de Personalidade é a predominância de determinados traços, os quais todos os demais têm em doses melhores adaptadas. Todos têm algo de histéricos, uma pitada de paranoia, traços de ansiedade e assim por diante. Entretanto, no Transtornos de Personalidade tais traços são predominantes e dominam e escravisam a maneira de ração dessas pessoas de forma a causar sofrimento (na pessoa e/ou naqueles próximos) e comprometer o desempenho.

As classificações dos tipos de Transtornos de Personalidade dizem respeito à forma da personalidade, ao modo de agir e reagir e não ao conteúdo psíquico e vivencial da pessoa. As maneiras da pessoa ser e de reagir à sua vida mostra COMO é, funcionalmente, esse indivíduo. Os conteúdos vivenciais definem QUEM é essa pessoa.

Esses padrões de comportamento dos Transtornos de Personalidade, permanentes e profundamente arraigados no ser, se manifestam como respostas inflexíveis a uma ampla série de situações existenciais pessoais. Tais respostas representam desvios extremos ou significativos do modo como o indivíduo médio, em uma dada cultura, percebe, pensa, sente e, particularmente, se relaciona com os outros.

Uma pessoa obsessiva, meticulosa, perfeccionista e rígida pode experimentar sérios problemas de adaptação, por exemplo. Não obstante poderá mudar sua maneira de ser para melhor refazendo algumas crenças pessoais e atitudes comportamentais. Assim construirá melhor as relações consigo mesma, com os outros e com a vida, e continuará sendo menos obsessiva, menos meticulosa, menos perfeccionista e menos rígida. Acontecendo assim, a pessoa deixará de ter um Transtornos de Personalidade para ter apenas traços obsessivos, traços perfeccionistas e assim por diante.

As características de personalidade por si só não caracterizam um Transtornos de Personalidade, elas são os traços, ou seja, padrões duradouros de percepção, relação e pensamento acerca do ambiente e de si mesmo, e são exibidos em uma ampla faixa de contextos sociais e pessoais importantes. É somente quando essas características de personalidade são inflexíveis e desadaptadas, quando causam sofrimento e/ou comprometimento significativo no desempenho é que elas podem ser consideradas Transtornos de Personalidade.

Os Transtornos de Personalidade são condições do desenvolvimento da personalidade que aparecem na infância ou adolescência e continuam pela vida adulta. Esta condição constitucional e biológica de desenvolvimento diferencia o Transtornos de Personalidade da Alteração da Personalidade. A Alteração da Personalidade ocorre durante a vida em consequência de alguma condição adquirida, como por exemplo, outro transtorno emocional, dependência química, traumatismo craniano, tumores, infecções cerebrais, etc.

Para a Associação Norteamericana de Psiquiatria, um Transtorno da Personalidade é uma condição invasiva caracterizada por um padrão persistente de vivência íntima ou comportamento inflexível que se desvia acentuadamente das expectativas cultural do indivíduo, é estável ao longo do tempo e provoca sofrimento ou prejuízo.

E qual seria a diferença entre o Transtorno da Personalidade e a doença mental franca? As doenças mentais ocorrem e se desenvolvem a partir de um momento definido da vida, tal como são as crises, reações, processos, episódios e surtos, enquanto os Transtornos da Personalidade, por sua vez, são maneiras problemáticas de ser, constantes e perenes. As doenças mentais surgem e os Transtornos da Personalidade são.

Na Esquizofrenia, por exemplo, assim como nos Transtornos do Humor e outros, as ações e reações da pessoa enveredam por uma trajetória que se afasta mais e mais do normal, resultando em um episódio a partir de um determinado momento na vida. Nos Transtornos da Personalidade o rumo da personalidade está e sempre esteve algo distante do normal, embora não tenha obrigatoriamente que piorar cada vez mais, como nos outros processos psicopatológicos.

Os Transtornos da Personalidade e afetam todas as áreas da personalidade, o modo como o indivíduo vê o mundo, a maneira como expressa as emoções, o comportamento social. Caracteriza um estilo pessoal de vida mal adaptado, inflexível e prejudicial a si próprio e/ou aos que com ele convivem. Essas características, no entanto, apesar de necessárias não são suficientes para identificação dos Transtornos da Personalidade pelo fato de serem muito vagas. A maneira mais clara, como a classificação deste problema vem sendo tratada, é através da subdivisão em tipos de Transtornos da Personalidade, com critérios de diagnóstico próprios e bem definidos.

Convencionalmente os transtornos da personalidade foram divididos em três grupos:
1º. Grupo ou Grupo A – Aqui estão as pessoas caracterizadas essencialmente por pensamentos estranhos, comportamentos excêntricos e mórbida tendência ao isolamento. Estão classificadas aqui as personalidades paranoides e esquizoides, as primeiras possuidoras de rígido padrão de suspeitas e desconfianças infundadas, as segundas emocionalmente distantes e com dificuldade em estabelecer relações sociais.

Indivíduos com Transtorno da Personalidade Paranoide, creem que outras pessoas irão explorá-los, causar-lhes dano ou enganá-los, mesmo sem evidências que apoiem essa expectativa. Suspeitam, com base em pouca ou nenhuma evidência, de que outros estão tramando contra eles e podem atacá-los de repente, a qualquer momento e sem razão. Costumam achar que foram profunda e irreversivelmente maltratados por outra pessoa ou pessoas, mesmo na ausência de evidências objetivas para tal. São preocupados com dúvidas injustificadas acerca da lealdade ou confiança de seus amigos e sócios, cujas ações são examinadas minuciosamente em busca de evidências de intenções hostis.

Pessoas com Transtorno da Personalidade Esquizoide demonstram não ter desejo de intimidade, parecem indiferentes a oportunidades de desenvolver relações próximas e não parecem encontrar muita satisfação em fazer parte de uma família ou de outro grupo social. Preferem ficar sozinhos em vez de com outras pessoas. Com frequência parecem ser socialmente isolados ou “solitários” e quase sempre optam por atividades ou passatempos solitários que não incluem interação com outros. Preferem tarefas mecânicas ou abstratas, como jogos matemáticos ou de computador.

2º Grupo ou Grupo B – Os Transtorno da Personalidade deste grupo têm em comum um comportamento com tendência à dramaticidade, teatralidade, apelação e emoções que se expressam intensamente. Pessoas histriônicas representam esse grupo, sendo muito excitáveis, demonstrativos, justificativos e egocêntricos. Também está incluída aqui a chamada Personalidade Antissocial, que manifesta expressiva incapacidade geral de adaptação aos padrões sociais estabelecidos e para relações afetivas estáveis, bem como o Transtorno Borderline da Personalidade.

Pessoas com Transtorno da Personalidade Antissocial frequentemente têm falta de empatia e tendem a ser insensíveis, cínicos e desdenhosos em relação aos sentimentos, direitos e sofrimentos dos outros. Podem ter conceitos próprios inflados e arrogantes, podem ser cheios de opiniões impactantes, autoconfiantes ou convencidos. Podem ser verbalmente fluentes, exibir um charme desinibido e superficial, mas quase sempre são muito volúveis.

A característica essencial do Transtorno da Personalidade Borderline é um padrão difuso de instabilidade das relações interpessoais, da autoimagem e de afetos. São pessoas com impulsividade acentuada e que tentam de tudo para evitar abandono real ou imaginado. A percepção de uma separação ou rejeição iminente ou a perda de estrutura externa podem levar a mudanças profundas na autoimagem, no afeto, na cognição e no comportamento.

A característica essencial do Transtorno da Personalidade Histriônica é a emotividade excessiva e difusa e o comportamento de busca de atenção. Indivíduos com o Transtorno da Personalidade Histriônica sentem-se desconfortáveis ou não valorizados quando não estão no centro das atenções. Normalmente cheios de vida e dramáticos, tendem a atrair atenção para si mesmos e podem inicialmente fazer novas amizades por seu entusiasmo, abertura aparente ou sedução. Essas qualidades se extinguem, todavia, à medida que esses indivíduos demandam continuadamente ser o centro das atenções.

3º. Grupo ou Grupo C – Estão neste grupo as personalidades com marcantes traços de dificuldade no controle dos impulsos, quadro que se apresenta como, por exemplo, transtorno explosivo ou impulsivo da personalidade, piromania e cleptomania. Esses transtornos são todos caracterizados por problemas no autocontrole emocional e comportamental. Estão incluídos aqui no terceiro grupo o transtorno ansioso, dependente ou evitativo da personalidade, transtorno anancástico ou obsessivo-compulsivo da personalidade.

A característica essencial do Transtorno da Personalidade Obsessivo-compulsiva é uma preocupação com ordem, perfeccionismo e controle mental e interpessoal à custa de flexibilidade, abertura e eficiência. Esse padrão surge no início da vida adulta e está presente em vários contextos.Pessoas assim tentam manter uma sensação de controle por meio de atenção cuidadosa a regras, pequenos detalhes, procedimentos, listas, cronogramas ou forma a ponto de o objetivo principal da atividade ser perdido. São excessivamente cuidadosas e propensos à repetição, prestando extraordinária atenção aos detalhes e conferindo repetidas vezes na busca por possíveis erros.

No Transtorno da Personalidade Dependente há uma necessidade difusa e excessiva de ser cuidado que leva a comportamento de submissão e apego e a temores de separação. Esse padrão surge no início da vida adulta e está presente em vários contextos. Os comportamentos de dependência e submissão formam-se com o intuito de conseguir cuidado e derivam de uma autopercepção de não ser capaz de funcionar adequadamente sem a ajuda de outros. Pessoas esse transtorno apresentam grande dificuldade em tomar decisões cotidianas.

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Os Transtornos de Personalidade são importantes porque eles podem representar propensões, podem ser preditivos ou prenunciar transtornos emocionais mais específicos.

Pessoas com Transtornos de Personalidade inegavelmente têm maior risco para os diversos transtornos psíquicos, incluindo os transtornos afetivos ou do humor, transtornos de ansiedade, dependência química, esquizofrenia, entre outros.

As pessoas com Personalidades Esquizotípica, por exemplo, estão em risco aumentado de esquizofrenia e aqueles com personalidades anancástica estão em maior risco de transtorno obsessivo-compulsivo.

A presença de um Transtorno de Personalidade também complica a evolução da maioria dos transtornos mentais, seja por razões psicopatológicas propriamente ditas, seja pelas dificuldades de inter-relacionamento pessoal (portanto, com terapeutas e instituições também).

Por causa disso podem ser chamados de personalidade pré-mórbida, sempre que evoluírem para transtornos psíquicos francos.

Além dos psiquiatras estarem atentos à presença de transtorno de personalidade, devem também ampliar o conceito classificatório desses transtornos, pois, frequentemente o distúrbio pode não corresponder a qualquer um dos tipos descritos nos manuais ou listados em glossários psiquiátricos.

Outra questão incômoda à psiquiatria é decidir se os transtornos de personalidade são passíveis de tratamento e se as pessoas com esse diagnóstico devem ser reconhecidos como doentes.

Se transtornos de personalidade não devem ser considerados como doenças mentais, apesar da sua indiscutível relevância para a prática clínica, a alternativa seria considerá-los como sérios fatores de risco e/ou fatores complicadores para outros transtornos mentais, da mesma forma que a obesidade é considerada um risco fator para outras doenças, como por exemplo, diabetes, infarto do miocárdio, cálculos biliares, entre outras.

A Organização Mundial de Saúde (CID-10) inclui os Transtornos de Personalidade nos transtornos mentais e do comportamento.

O termo transtorno é usado para indicar a existência de um conjunto de sintomas ou comportamentos clinicamente reconhecíveis e classificáveis, na maioria dos casos associados com sofrimento e com interferência nas funções pessoais.

A Associação Norteamericana de Psiquiatria, embora faça uma descrição detalhada de Transtornos de Personalidade, não estipula que o comportamento desviante ou os conflitos entre a pessoa e a sociedade sejam, automaticamente, consideradas perturbações mentais, a menos que o desvio ou conflito seja um sintoma de disfunção do indivíduo.

Arriscando atribuir alguma diferença entre Transtornos da Personalidade e a Doença Mental, pode-se dizer, sem muita convicção, que as doenças mentais ocorrem e se desenvolvem a partir de um momento definido da vida, tal como são as crises, reações, processos, episódios e surtos, enquanto os Transtornos da Personalidade, por sua vez, são maneiras problemáticas de ser, constantes e perenes. As doenças mentais surgem e os Transtornos da Personalidade são.

 

Critérios Gerais para Transtorno da Personalidade
As características essenciais de um transtorno da personalidade são:
A. Prejuízo moderado ou grave no funcionamento da personalidade (self/interpessoal).

B. Um ou mais traços de personalidade patológicos.

C. Os prejuízos no funcionamento da personalidade e a expressão dos traços de personalidade do indivíduo são relativamente inflexíveis e difusos dentro de uma ampla faixa de situações pessoais e sociais.

D. Os prejuízos no funcionamento da personalidade e a expressão dos traços de personalidade do indivíduo são relativamente estáveis ao longo do tempo, podendo seu início remontar no mínimo à adolescência ou ao começo da idade adulta.

E. Os prejuízos no funcionamento da personalidade e a expressão dos traços de personalidade do indivíduo não são mais bem explicados por outro transtorno mental.

F. Os prejuízos no funcionamento da personalidade e a expressão dos traços de personalidade do indivíduo não são unicamente atribuíveis aos efeitos fisiológicos de uma substância ou a outra condição médica (p. ex., traumatismo craniano grave).

G. Os prejuízos no funcionamento da personalidade e a expressão dos traços de personalidade do indivíduo não são mais bem entendidos como normais para o estágio do desenvolvimento de um indivíduo ou para seu ambiente sociocultural.

Há um modelo alternativo para classificação dos Transtornos da Personalidade preconizado pelo DSM-5 baseado em traços, quantitativamente falando. No modelo alternativo do DSM-5, os transtornos da personalidade são caracterizados por prejuízos no funcionamento da personalidade e por traços de personalidade patológicos. Os diagnósticos específicos de transtorno da personalidade que podem ser derivados desse modelo incluem os transtornos da personalidade antissocial, evitativa, borderline, narcisista, obsessivo-compulsiva e esquizotípica. Essa abordagem também inclui um diagnóstico de transtorno da personalidade.

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O desconfiado de tudo e de todos

A Personalidade Paranoide deve ser diferenciada da paranoia e da esquizofrenia paranoide na medida em que nestas existem sintomas psicóticos persistentes, como ideias delirantes francas e alucinações, as quais não fazem parte da personalidade paranoide.

Este tipo não-normal de personalidade é típico das pessoas que exibem um padrão de afastamento social persistente, um constante desconforto nas inter-relações humanas, isolamento social, introversão, excentricidade de comportamento e de pensamento.

Não é raro que a pessoa com a Personalidade Paranoide tenha uma vida conjugal cheia de competitividade em várias áreas da atividade, sabotagem e contrariedade ao eventual sucesso do outro, escassas manifestações de afeto, planejamento de estratégias que possam diminuir o outro e enaltecer sua pessoa, intransigência aos erros dos outros e exaustivas justificativas para os seus pontos de vista, acreditando serem sempre os mais corretos.

Essa atitude implicante e pouco humilde transforma essas pessoas em fanáticas nas várias áreas do pensamento; religioso, político, ético, profissional, moral, jurídico, etc.

Há, por conta dessas características e de sua inabalável rigidez, grande desadaptação, resultando em isolamento e resistência sociais.

Os erros de julgamento próprios da Personalidade Paranoide alimentam atitudes megalômanas, de perseguição, de ciúme, ou erotomaníacas , etc.

Pessoas com Personalidade Paranoide supõem que as outras pessoas os exploram, prejudicam ou enganam, ainda que não exista qualquer evidência apoiando esta ideia. Eles suspeitam, com base em poucas ou nenhuma evidência, que os outros estão conspirando contra eles e que poderão atacá-los subitamente, a qualquer momento e sem qualquer razão.

Esse tipo de pessoas costumam acreditar que foram profunda e irreversivelmente prejudicados por outra(s) pessoa(s), mesmo que para tal não existam evidências objetivas.

Elas preocupam-se com dúvidas infundadas quanto à lealdade e confiabilidade de seus amigos ou colegas, cujas ações são minuciosamente examinadas em busca de evidências de intenções hostis.

Qualquer desvio percebido na confiabilidade ou lealdade serve para apoiar suas suposições básicas. Eles sentem-se tão perplexos quando um amigo ou colega lhes demonstra lealdade que não conseguem confiar ou acreditar. Quando enfrentam dificuldades, esperam ser atacados ou ignorados por amigos e colegas.

Os indivíduos com este transtorno relutam em ter confiança ou intimidade com outras pessoas, pelo medo de que as informações que compartilham sejam usadas contra eles. Eles podem recusar-se a responder a perguntas pessoais, afirmando que as informações “não são da conta de ninguém”.

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Esquisitão, caladão e de poucas palavras

Já as pessoas com Transtorno Esquizoide da Personalidade parecem não possuir um desejo de intimidade, mostrando-se indiferentes às oportunidades de desenvolver relacionamentos íntimos. Parecem não obter muita satisfação do fato de fazerem parte de uma família ou de outro grupo social.

Os esquizoides preferem passar seu tempo sozinhos a estarem com outras pessoas. Com frequência são socialmente isolados ou solitários, quase sempre escolhendo atividades ou passatempos solitários que não envolvam a interação com outras pessoas.

Eles preferem tarefas mecânicas ou abstratas, tais como jogos matemáticos ou de computador. Podem ter pouco interesse em experiências sexuais com outra pessoa e têm prazer em poucas atividades, se tiverem com alguma.

Existe, geralmente, uma experiência reduzida de prazer em experiências sensoriais, corporais ou interpessoais, tais como caminhar na praia ao pôr-do-sol ou fazer sexo.

Essas pessoas não têm ou têm muito poucos amigos íntimos ou confidentes, exceto, possivelmente, algum parente em primeiro grau.

Portadores de Transtorno Esquizoide da Personalidade frequentemente mostram-se indiferentes à aprovação ou crítica e parecem não se importar com o que os outros possam pensar deles.

Eles podem ignorar as sutilezas normais da interação social e com frequência não respondem adequadamente aos indicadores sociais, de modo que parecem socialmente ineptos ou superficiais e absortos consigo mesmos.

Essas pessoas geralmente são insossas, sem reatividade emocional visível, e raramente retribuem gestos ou expressões faciais, tais como sorrisos ou acenos.

Afirmam que raramente experimentam fortes emoções, tais como raiva e alegria, frequentemente exibem um afeto restrito e parecem frios e indiferentes.

Entretanto, em circunstâncias muito incomuns nas quais estes indivíduos, pelo menos temporariamente, sentem-se mais à vontade para se revelarem, podem reconhecer sentimentos dolorosos, particularmente relacionados a interações sociais.

Pessoas com Transtorno da Personalidade Esquizoide podem ter uma particular dificuldade para expressar raiva, mesmo em resposta à provocação direta, o que contribui para a impressão de não possuírem emoções.

Transtorno Paranoide de Personalidade
O Transtorno Paranoide da Personalidade, como todos os outros tipos de transtornos da personalidade, independe da cultura e do grupo social que o indivíduo se insere, envolve um estilo global de pensar, sentir ou relacionar com a realidade e com os outros. Caracteriza uma maneira de ser do indivíduo, o qual geralmente concorda com essa sua forma de ser (egosintônica).

Tem normalmente início no final da adolescência ou no começo da idade adulta. Quase invariavelmente há uma crença de estar sendo explorado ou prejudicado pelos outros de alguma forma e, por causa disso, a lealdade e fidelidade das pessoas estão sendo sempre questionadas. Muitas vezes o portador deste transtorno é patologicamente ciumento e questionador da fidelidade do cônjuge, ao ponto de causar situações francamente constrangedoras.

O portador deste distúrbio de personalidade pode interpretar acontecimentos triviais e rotineiros como humilhantes e ameaçadores, desde um erro casual no saldo bancário, até um cumprimento não efusivo podem significar, para ele, atitudes premeditadamente maldosas. Há uma sensibilidade exagerada às contrariedades ou a tudo que possa ser interpretado como rejeição, uma tendência para distorcer as experiências, interpretando-as como se fossem hostis ou depreciativas, ainda que neutras e amistosas (pensamento paranoide). Estas pessoas podem sentir-se irremediavelmente humilhadas e enganadas, consequentemente agressivas e insistentemente reivindicadoras de seus direitos.

Essas pessoas supervalorizam sua própria importância, as suas ideias são as únicas corretas e seus pontos de vistas não devem ser contestadas, daí a facilidade em conquistar inimigos e a tendência em pensamentos autoreferentes. São desconfiadas, teimosas, dissimuladoras e obstinadas, vivem numa solidão frequentemente confundida com timidez, como se não houvesse no mundo pessoas com quem pudessem partilhar sua prodigalidade, dignidade e seus sentimentos superiores.

As pessoas com Transtorno Paranoide da Personalidade são extremamente sarcásticas em suas críticas, irônicas ao extremo nos comentários e contornam as eventuais situações constrangedoras recorrendo a artimanhas teatrais e chantagens emocionais. Não toleram críticas dirigidas à sua pessoa e qualquer comentário neste sentido é entendido como declaração de inimizade.

Pelo entusiasmo com que valorizam suas ideias, sempre as únicas corretas, podem ser vistos como fanáticos nas várias áreas do pensamento; seja religioso, político, ético ou profissional. Gostam de fantasiar,  mas tem dificuldades em distinguir a fantasia da realidade. Pessoas com estes distúrbios são hipervigilantes e tomam precaução contra qualquer ameaça percebida. A afetividade, nestes casos, é muitas vezes restrita e pode parecer fria dado ao gosto destas pessoas em serem sempre objetivas, racionais e pouco emocionais.

 Critérios para diagnóstico do Transtorno Paranoide da Personalidade
A. Um padrão de desconfiança e suspeita difusa dos outros, de modo que suas motivações são interpretadas como malévolas, que surge no início da vida adulta e está presente em vários contextos, conforme indicado por quatro (ou mais) dos seguintes:
1. Suspeita, sem embasamento suficiente, de estar sendo explorado, maltratado ou enganado por outros.
2. Preocupa-se com dúvidas injustificadas acerca da lealdade ou da confiabilidade de amigos e sócios.
3. Reluta em confiar nos outros devido a medo infundado de que as informações serão usadas maldosamente contra si.
4. Percebe significados ocultos humilhantes ou ameaçadores em comentários ou eventos benignos.
5. Guarda rancores de forma persistente (i.e., não perdoa insultos, injúrias ou desprezo).
6. Percebe ataques a seu caráter ou reputação que não são percebidos pelos outros e reage com raiva ou contra-ataca rapidamente.
7. Tem suspeitas recorrentes e injustificadas acerca da fidelidade do cônjuge ou parceiro sexual.
B. Não ocorre exclusivamente durante o curso de esquizofrenia, transtorno bipolar ou depressivo com sintomas psicóticos ou outro transtorno psicótico e não é atribuível aos efeitos fisiológicos de outra condição médica.

Muitas vezes o portador deste transtorno é patologicamente ciumento e questionador da fidelidade do outro, a ponto de causar situações francamente constrangedoras. Como os outros tipos de Transtornos da Personalidade, esse transtorno tem início no final da adolescência ou no começo da idade adulta.

Há, neste tipo de personalidade, uma tendência persistente e injustificável para interpretar as ações dos outros como se fossem deliberadamente hostis, ameaçadoras e mal intencionadas. Há, na Personalidade Paranoide, sempre algo de desconfiança, cisma, interpretações de esquemas de complôs. As opiniões em sentido contrário às suas interpretações não mudam seu ponto de vista, menosprezando assim o bom senso.

A Personalidade Paranoide já havia sido descrita por Kraepelin em 1915, designando indivíduos querelantes, encrenqueiros e criadores de caso .  Essa forma de personalidade constitui o que se chama personalidade pré-mórbida para um quadro mais grave, a Paranoia, que é um transtorno delirante persistente e incurável. O Transtorno Paranoide da Personalidade ocorre entre 0,5 – 2,5% da população geral, sendo mais comum em pessoas do sexo masculino.

As pessoas com Personalidade Paranoide costumam ser reservadas, silenciosas e têm uma percepção bastante acurada do ambiente. São pessoas dotadas de boa sensibilidade em questões de hierarquia e poder, contestando sempre e apresentando dificuldade no relacionamento com autoridades. Há também grande possibilidade de serem patologicamente ciumentas. Na personalidade paranoide se constata, sobretudo, uma hipertrofia do ego que se reflete no orgulho, a certeza de ter razão, o desprezo, desqualificação ou exploração dos outros, a rigidez e intolerância e a supervalorização de suas ideias que se aproxima do fanatismo.

Há nesse Transtorno da Personalidade uma alteração da cognição responsável pela pessoa ver o mundo de maneira especial, com sensibilidade exagerada às contrariedades ou a tudo que possa ser interpretado como rejeição. Há uma notável tendência para distorcer os fatos, interpretando-os como se fossem hostis, traiçoeiros, desleais ou depreciativos, mesmo que sejam neutros e amistosos. Por causa desse psiquismo paranoide, tais pessoas podem se tornar agressivas, resultando em atitudes despropositadamente hostis e violentas, comprometendo significativamente o controle dos impulsos.

Estas pessoas supervalorizam sua própria importância, consideram suas ideias as únicas corretas e seus pontos de vistas não devem ser contestados. Costumam ser insistentemente reivindicadoras de seus direitos. As pessoas com essa forma de personalidade são sempre desconfiadas, teimosas, dissimuladas e obstinadas, tendem a viver em solidão (confundida com timidez), como se não houvesse no mundo pessoas com quem pudessem partilhar sua prodigalidade, dignidade e seus sentimentos superiores.

O sarcasmo, as críticas ácidas e amargas, a ironia constante são características que tornam a convivência com as pessoas paranóides muito desagradável. Além de tudo isso elas não toleram críticas à sua pessoa, nem sob a forma brincadeiras, embora elas mesmas sejam mordazes nas críticas aos outros.

Os traços esquizoides de personalidade se revelam desde a infância e os indivíduos são solitários, estranhos, têm poucos amigos ou até nenhum; são excêntricos, pouco simpáticos, por vezes sisudos e nutrem pouco ou nenhum afeto, assim como respeito pelos outros.

A pessoa esquizoide nos dá a impressão de desinteresse, reserva e falta de envolvimento com os acontecimentos cotidianos e com as preocupações alheias. Normalmente ela tem pouca necessidade de vínculos emocionais e em adequar-se às normas e regras gerais.

A natural inclinação para a solidão da pessoa esquizoide se reflete na opção por trabalhos solitários e atividades não competitivas. Preferem passar o tempo consigo próprias escolhendo atividades solitárias ou divertimentos que não envolvam os outros. Preferem investir grande interesse em assuntos que não envolvam seres humanos, como por exemplo, por máquinas e equipamentos, computadores e assuntos do mundo animal.

Os portadores desse tipo de personalidade frequentemente se absorvem obsessivamente em práticas incomuns, tais como dietas esdrúxulas, programas de saúde alternativos, movimentos religiosos e filosóficos incomuns, esquemas de aperfeiçoamento socioculturais, associações mais ou menos secretas, assuntos esotéricos, óvnis, Atlântida, auras e energias obscuras. O diagnóstico dessa forma de personalidade implica em alguns dos critérios abaixo:

Critérios para o diagnóstico de Transtorno Esquizoide da Personalidade
A. Um padrão difuso de distanciamento das relações sociais e uma faixa restrita de expressão de emoções em contextos interpessoais que surgem no início da vida adulta e estão presentes em vários contextos, conforme indicado por quatro (ou mais) dos seguintes:
1. Não deseja nem desfruta de relações íntimas, inclusive ser parte de uma família.
2. Quase sempre opta por atividades solitárias.
3. Manifesta pouco ou nenhum interesse em ter experiências sexuais com outra pessoa.
4. Tem prazer em poucas atividades, por vezes em nenhuma.
5. Não tem amigos próximos ou confidentes que não sejam os familiares de primeiro grau.
6. Mostra-se indiferente ao elogio ou à crítica de outros.
7. Demonstra frieza emocional, distanciamento ou embotamento afetivo.
B. Não ocorre exclusivamente durante o curso de esquizofrenia, transtorno bipolar ou depressivo com sintomas psicóticos, outro transtorno psicótico ou transtorno do espectro autista e não é atribuível aos efeitos psicológicos de outra condição médica.

As pessoas Esquizoides sentem-se frequentemente incompreendidas, o que reforça mais ainda a tendência ao isolamento e ao afastamento dos mortais comuns. Este ausente sentimento de companheirismo normalmente é compensado com o zelo apaixonado pela leitura, pelos animais ou alguma outra expressão artística de difícil compreensão.

Tal como em outros Transtornos da Personalidade, a pessoa esquizoide também é desadaptada, provoca sempre um mal estar familiar, profissional e social, além de angustiante sofrimento pessoal. As áreas perturbadas da personalidade começam por se manifestar na adolescência e persistem na vida adulta, provocando maior ou menor grau de incapacidade pessoal e social, agravando-se consideravelmente em situações de maior stress. A pessoa esquizoide possui traços rígidos, excêntricos e inadequados, impedindo adaptação saudável às mudanças do ambiente e bom relacionamento interpessoal.

As pessoas Esquizoides são normalmente desinteressantes, inconstantes, incoerentes e desinteressadas nas atividades do dia a dia. Trata-se de uma personalidade pré-mórbida ao desenvolvimento de uma patologia mental franca. Cerca de 10% das pessoas com personalidade do tipo esquizoide poderão vir a desenvolver uma esquizofrenia, porém, acontece que este tipo de personalidade agrava-se com o tempo, vindo a resvalar na esquizofrenia.

Pessoas com essa forma de personalidade aparentam não desejar intimidade, portanto, podem ter pouco interesse em experiências sexuais e têm prazer em nenhuma ou em poucas atividades. São geralmente pessoas indiferentes às oportunidades de relações de proximidade, não parecem ter satisfação em fazer parte de uma família ou grupo social. Existe, geralmente, uma experiência reduzida de prazer em experiências sensoriais, corporais ou interpessoais, tais como caminhar na praia ao pôr-do-sol ou fazer sexo, por exemplo.
Ao contrário das pessoas paranoides que rejeitam e se mobilizam muito com quaisquer críticas, as esquizoides são alheias à aprovação ou crítica dos outros. Geralmente elas não se importam com o que eventualmente possam pensar delas, não prestam atenção às sutilezas da interação social parecendo superficiais e egoístas.

Transtorno Explosivo da Personalidade

Na CID-10 o Transtorno Explosivo da Personalidade aparece como Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instável e no DSM.IV como Transtorno Explosivo Intermitente. Alguns autores preferem denominar esse tipo de personalidade como Síndrome de Descontrole Episódico. Aqui, a característica marcante é a tendência para agir impulsivamente e desprezando as eventuais conseqüências do ato impulsivo, junto com esse tipo de comportamento existe instabilidade afetiva. É um transtorno que se caracteriza por episódios de completo fracasso em resistir a impulsos agressivos, resultando em agressões ou destruição de propriedades.

Os freqüentes acessos de raiva podem levar à violência ou a explosões comportamentais e tais crises podem ser agravadas quando essas atitudes impulsivas são criticadas ou impedidas pelos outros. A agressão neste transtorno de personalidade pode ser física ou verbal, mas elas sempre fogem ao controle. Por outro lado tais pessoas não têm conduta anti-social e, pelo contrário, fora das crises são simpáticas, bem falantes, sociáveis e educadas. São constantes também o extremo sarcasmo, a ironia, explosões verbais e, algumas vezes, implicância e persistente amargura.

Alguns autores denominam esse tipo de transtorno da personalidade como passivo-agressiva, tendo em vista alguns traços encontradiços nas pessoas explosivas . Um desses traços é a tendência à procrastinação, isto é, ao adiamento da realização daquilo que precisa ser feito. Diante dessa característica os prazos costumam não ser cumpridos.

As pessoas com esse tipo de transtorno da personalidade reagem agressivamente diante das frustrações, as quais levam ao desencadeamento de um impulso cujo objetivo é o de ferir alguma pessoa ou algum objeto. Não é raro que descarreguem sua ira em aparelhos eletrônicos ou outros objetos inanimados tomando-os como se tivessem vida própria.

A extrema sensibilidade aos aborrecimentos causados pelos pequenos estímulos ambientais produz, nos explosivos, respostas de súbita violência e incontida agressividade. Normalmente chamamos estas pessoas de pavio-curto ou de cinco-minutos. Estes episódios de explosividade geralmente são seguidos de arrependimentos ou auto-reprovação, os quais são capazes de produzir variados graus de depressão, como uma espécie de ressaca moral pelos procedimentos cometidos.

Este tipo de transtorno de personalidade pode ser causa de homicídios não planejados, ataques sem sentido a pessoas estranhas, agressões físicas desproporcionais, direção criminosa de veículos, destruição brutal de propriedades e ataques selvagens a animais. Mesmo fora das crises de agressividade essas pessoas costumam ser ressentidas e muito críticas, tendendo mais para a querelância do que para a convivência harmônica. Um cuidado especial diante desse tipo de transtorno da personalidade é quanto ao uso de bebidas alcoólicas. Há aqui uma propensão ao desenvolvimento de “embriaguez patológica” mesmo após a ingestão de pequena quantidade de álcool.

Denomina-se embriaguez patológica um quadro onde ocorre súbita alteração da personalidade depois da ingestão de álcool, transformando totalmente a pessoa. Nestes episódios de embriaguez patológica a pessoa fica possuída por grande furor, agindo inconseqüentemente e de forma muito agressiva, quer contra pessoas, quer contra objetos. Depois de passado o episódio é comum a pessoa não ter uma lembrança nítida do que aconteceu. Para essas pessoas as bebidas alcoólicas devem ser definitivamente abolidas, tendo em vista os graves riscos à própria pessoa e a terceiros.

Há hipóteses segundo as quais todo ser humano tem algum potencial agressivo, entretanto, a maioria deles tem também, em contrapartida, um mecanismo inibitório dessa agressão. Assim, a pessoa com personalidade explosiva teria inibições muito baixas ou ineficientes para conter o potencial agressivo.

O grau de agressividade manifestada pelas pessoas com transtorno explosivo da personalidade durante os episódios agudos é amplamente desproporcional ao estímulo desencadeante. Tais crises normalmente acarretam atos violentos ou destruição de propriedades. A agressão neste tipo de transtorno de personalidade pode ser física ou verbal, porém, as explosões sempre fogem ao controle. Quando há envolvimento policial durante uma crise de agressividade na embriagues patológica, a pessoa agressiva corre sério risco de sofrer severas conseqüências por não conseguir controlar suas atitudes.

Apesar das crises de furor, as pessoas com transtorno explosivo da personalidade não têm conduta anti-social ou sociopática, pelo contrário, fora das crises são simpáticas, bem falantes, sociáveis, de boa índole e educadas. São constantes nelas também o extremo sarcasmo, ironia e críticas ácidas. De um modo geral, felizmente, a expressiva maioria das pessoas portadoras desse transtorno não chega a agressividade extrema, a ponto de provocar homicídios. Atualmente adota-se a classificação onde o transtorno explosivo da personalidade, chamado explosivo intermitente pelo DSM.IV, está incluído dentro dos transtornos do controle dos impulsos (Quadro 1).

Quadro 1 – Os cinco principais transtornos do controle dos impulsos
Transtorno Explosivo Intermitente Episódios de fracasso em controlar impulsos agressivos, resultando em agressões ou destruição de propriedades.
Cleptomania Fracassos recorrentes em resistir a impulsos de furtar objetos desnecessários para uso pessoal ou destituídos de valor monetário.
Piromania Fracasso em controlar o impulso incendiário, cujo comportamento de faz por prazer, gratificação ou alívio de ansiedade.
Jogo Patológico Incapacidade persistente e recorrente em resistir ao impulso para jogos de azar e apostas.
Tricotilomania Impossibilidade em controlar o impulso de arrancar os pelos do próprio corpo, ocasionando falhas perceptíveis.

 

Esse transtorno costuma ter sérias conseqüências sociais e familiares, tais como a perda do emprego, suspensão escolar, divórcio, dificuldades com relacionamentos interpessoais, acidentes variados e em especial os de trânsito, hospitalizações e envolvimentos policiais. Nos casos mais característicos pode haver alterações eletroencefalográficas inespecíficas, como por exemplo, lentificação da atividade difusa ou, predominantemente no lobo frontal.

Sempre houve na psiquiatria uma linha de pesquisa tentando relacionar esse tipo de transtorno da personalidade a alguma alteração estrutural ou funcional do Sistema Nervoso Central. De fato parece haver alguma evidência sugerindo que as lesões focais irritativas (foco eletricamente irritativo), particularmente nos lobos temporal e frontal, estariam relacionadas ao potencial explosivo-agressivo. Esses casos respondem muito bem ao tratamento com estabilizadores do humor anticonvulsivantes.

O DSM-IV cita como possibilidade para uma das causas (ou apenas concomitância) ao transtorno explosivo da personalidade, certas condições neurológicas, como por exemplo, traumatismos cranianos e episódios de inconsciência ou convulsões febris na infância. Imagens funcionais obtidas por PET (tomografia por emissão de pósitrons) têm sido usadas para investigar possíveis alterações na função do cérebro das pessoas portadoras de distúrbios caracterizados por excessiva violência e agressividade.

Algumas pesquisas nessa área têm mostrado porcentagem alta de um nível diminuído do funcionamento cerebral no córtex pré-frontal em pessoas violentas em relação às pessoas normais. Isso pode ser um indício de algum déficit neurológico relacionado à violência. O dano funcional no córtex pré-frontal pode resultar em impulsividade, perda do autocontrole, imaturidade, emotividade alterada e incapacidade para modificar o comportamento, o que pode facilitar os atos agressivos.

De qualquer forma, tendo ou não uma correspondência neurológica, a pessoa com transtorno explosivo da personalidade sabe perfeitamente a natureza de seu ato agressivo. Nos casos de embriaguês patológica, embora depois do episódio a pessoa não tenha uma lembrança nítida do que aconteceu, ela sabe perfeitamente dos efeitos desastrosos do álcool em seu psiquismo, sabe também que deve evitá-lo a qualquer custo, sendo de seu arbítrio o ato de usá-lo.

Não são todas as pessoas explosivas portadoras do transtorno explosivo da personalidade. Muitas outras situações e circunstâncias podem resultar em uma baixa tolerância às frustrações, como por exemplo, o ciúme exagerado, estados de estresse (ou “esgotamento”), autoestima baixa e insegurança alta, e assim por diante.

Para o diagnóstico do transtorno explosivo da personalidade é necessário que o tipo de comportamento explosivo, irritável e pouca consideração para com as conseqüências do ato agressivo seja bastante duradouro, que se manifeste em vários contextos vivenciais e, eventualmente, piora muito com o uso de álcool.

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O pavio curto, bravão e irritado com tudo

Os Transtornos de Personalidade afetam todas as áreas de influência da personalidade de um indivíduo, o modo como ele vê o mundo, a maneira como expressa as emoções, o comportamento social. Caracteriza um estilo pessoal de vida mal adaptado, inflexível e prejudicial a si próprio e/ou aos que com ele convivem.

Essas características no entanto apesar de necessárias não são suficientes para identificação dos Transtornos de Personalidade, pois são muito vagas. A maneira como a classificação deste problema vem sendo tratada é através da subdivisão em tipos de personalidade patológica.

Agressividade e Personalidade
Os impulsos agressivos e destrutivos podem fazer parte do Transtorno Explosivo Intermitente. Tais impulsos, esporádicos, tanto podem fazer-se contra objetos como contra pessoas, inclusive contra a própria pessoa, configurando assim todas as formas e graus de hétera e/ou auto-agressividade.

Na realidade, contrário do que alguns pacientes acham e até dizem com uma ponta de orgulho que “quando fico nervoso fico fora de mim” ou “sou calmo até que não mexam comigo”, esse comportamento não é uma atitude corajosa ou meritosa.

Trata-se, de fato, de um fracasso e incompetência em resistir aos impulsos agressivos, resultando em sérias agressões e destruição de propriedade.

Assim sendo, a característica do Transtorno Explosivo Intermitente é a ocorrência de episódios definidos de fracasso em resistir a impulsos agressivos, acarretando sérios atos agressivos ou a destruição de propriedades.

O grau de agressividade expressada durante um episódio é amplamente desproporcional a qualquer estressor desencadeante.

Alguns autores preferem denominar o Transtornos Explosivos da Personalidade como Transtorno Explosivo Intermitente ou Síndrome de Descontrole Episódico, o que é a mesma coisa. Trata-se de ataques recorrentes de violência incontrolável, frequentemente desencadeadas por estimulação mínima ou mesmo nenhuma e que transforma completamente a personalidade do indivíduo naquele instante.

Esta síndrome pode ser uma das causas de homicídios não planejados, ataques sem sentido à pessoas estranhas, agressões físicas desproporcionais, direção criminosa de veículos, destruição brutal de propriedades e ataques selvagens à animais.

A incidência, quadro clínico, curso e evolução dos Transtornos Explosivos Intermitentes, na prática clínica, autoriza considerarmos o álcool como a mais importante estimulação para desencadear a crise de violência. Academicamente entretanto, quando for assim, aceita-se a denominação genérica de Embriagues Patológica para estes casos.

De qualquer forma, a superposição desses dois diagnósticos é muitíssimo frequente e, entre os pacientes portadores de Embriagues Patológica e Transtornos Explosivos Intermitentes encontramos uma incidência significativa de epiléticos. Assim sendo, há uma certa familiaridade entre essas 3 ocorrências psicopatológicas.

Segundo o DSM, a característica essencial do Transtorno Explosivo Intermitente é a ocorrência de episódios bem definidos onde a pessoa fracassa em resistir a impulsos agressivos, e o grau de agressividade expressada durante esses episódios é amplamente desproporcional à eventual provocação ou ao eventual estressor psicossocial desencadeante. Tais crises normalmente acarretam sérios atos agressivos ou destruição de propriedades.

Não é raro que o paciente com Transtorno Explosivo Intermitente descreva os episódios agressivos como “surtos” ou “ataques” nos quais o comportamento explosivo é precedido por um sentimento de tensão ou excitação, sendo imediatamente seguido por uma sensação de alívio.

Posteriormente, o indivíduo pode sentir remorso, arrependimento ou embaraço pelo comportamento agressivo e suas conseqüências. Entre os episódios explosivos podem persistir como traços de personalidade, sinais de impulsividade, agressividade generalizada, baixa tolerância à frustrações, irritabilidade.

 

 

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O centro das atenções, sem perceberem manipula a todos

Histeria é o termo que designa genericamente as neuroses com sintomatologia corporal exuberante. Atualmente o termo Histérico tem sido substituído por Histriônico. O grau de desadaptação definirá tratar-se de um Transtorno Histriônico da Personalidade ou um Transtorno Neurótico Histriônico. Trata-se de uma neurose causada por conflitos psicológicos, e que se caracteriza por grande expressividade somática ou corporal das ideias, imagens e afetos conflitantes e, normalmente, inconscientes.

O termo é derivado do grego “histerum” (útero) porque, a princípio, pensou-se que essa doença se originava em distúrbios desse órgão). É um transtorno emocional caracterizado por um exagero considerável da sugestionabilidade evidenciada por surpreendente plasticidade da personalidade.

Desse fato decorre uma série de manifestações funcionais de aparência orgânica, tais como, paralisias, perturbações sensoriais, crises nervosas, sono, catalepsia etc. E outros distúrbios psíquicos típicos: mitomania, onirismo, amnésia, automatismo psicomotor etc.

Considerada como expressão orgânica de conflitos inconscientes, a histeria é a neurose de conversão dos psicanalistas (“funcionais” é quando a alteração se dá na função do órgão e não em sua anatomia). Estudos mais sistematizados sobre o assunto começaram com Jean Marie Charcot (I825-1893) que empreendeu uma investigação metódica dos sintomas histéricos graças ao método de observação clínica.

A aparência e o comportamento de indivíduos com Transtorno Histriônico são, em geral, sexualmente provocativos ou sedutores de forma inadequada. Esse comportamento é voltado não somente às pessoas por quem o indivíduo tem interesse romântico ou sexual, mas ocorre também em uma grande variedade de relacionamentos sociais, ocupacionais e profissionais, além do que seria apropriado ao contexto social.

A expressão emocional pode ser superficial e rapidamente instável. Os indivíduos com esse transtorno usam reiteradamente a aparência física para atrair as atenções para si.

Os portadores desse transtorno histriônico são excessivamente preocupados em impressionar os outros por meio de sua aparência e dedicam muito tempo, energia e dinheiro a roupas e embelezamento. Podem buscar elogios acerca da aparência e também ficar chateados de forma fácil e excessiva em virtude de algum comentário crítico sobre como estão ou por uma fotografia que porventura considerem não lisonjeira.

As pessoas com Transtorno da Personalidade Histriônica são altamente sugestionáveis. Suas opiniões e sentimentos são facilmente influenciados pelos outros ou por modismos presentes.Elas podem confiar em demasia, em especial em figuras fortes de autoridade que veem como capazes de solucionar de forma mágica seus problemas.

Os histriônicos têm tendência a dar palpites e a adotar convicções rapidamente. Costumam considerar as relações pessoais como mais íntimas do que realmente são, descrevendo quase todos os conhecidos como “meu queridíssimo amigo” ou fazendo referência a médicos que encontraram uma ou duas vezes em circunstâncias profissionais por seus primeiros nomes.

Personalidade Narcisista
Devido às características egocêntricas e de imaturidade este transtorno só poderia ser uma variável do transtorno histriônico, senão um subtipo do mesmo. A denominação narcisista é originária do nome do jovem da mitologia grega, Narciso, o qual se apaixonou por sua própria imagem quando se viu refletido nas águas de um lago. Ficou tão concentrado, obcecado e enamorado da sua imagem refletida na água, que um dia caiu nela e se afogou. Por causa desse episódio mitológico o nome Narciso nomeia o transtorno da personalidade cuja característica mais forte é o egocentrismo.

Como nos demais transtornos de personalidade, todos temos em doses diferentes os mesmos traços observados em exagero nessas pessoas, assim sendo, todos temos uma dose de narcisismo.  Além disso, o narcisismo é uma condição natural do ser humano e uma certa dose dele é fundamental para nosso amor próprio. Gostar de si mesmo, cuidar-se, arrumar-se e ter boa auto-estima é fundamental para nosso bem estar emocional. O aspecto mórbido do narcisismo está exatamente em sua dose, em sua prevalência sobre outros atributos. No transtorno narcisista da personalidade há um excesso de amor próprio.

Todo pessoa com transtorno narcisista da personalidade tem uma atitude de grandiosidade, tanto em suas fantasias quanto em seu comportamento, necessidade de admiração e falta de empatia. Tais condições surgem muito cedo na vida, mais exatamente na primeira infância.

Os critérios de diagnóstico para o transtorno narcisista da personalidade devem começar, obrigatoriamente, por sentimentos de grandiosidade ou de auto-importância. Essas pessoas exageram na descrição de suas realizações e de seus talentos a ponto de mentirem quase compulsivamente. Querem sempre ser reconhecidos como superiores aos demais.

A pessoa com transtorno narcisista da personalidade distorce a representação do mundo que a rodeia sentindo que muitos a amam por sua beleza, por seus encantos, por suas qualidades e por todos seus dons excepcionais.

Tais pessoas têm obsessão por fantasias de sucesso, fama e poder. Muitos querem parecer brilhantes intelectualmente, outros buscam obsessivamente a beleza estética ou um desempenho sexual glorioso. Tudo isso se completa por forte aspiração de autovalorização, por absoluta necessidade de atenção, de elogios e bajulação. Além de egocêntricas essas pessoas são também egoístas, ignorando os sentimentos e necessidades dos outros, portanto, são individualistas.

Na realidade, pessoas com esse tipo de personalidade podem muito bem estar inseridas dentro dos transtornos histriônicos sem nenhum prejuízo de entendimento, pois, não se vê na prática clínica uma pessoa puramente narcisista.

Transtorno Histriônico da Personalidade
A pessoa com Transtorno Histriônico tem como traço básico da personalidade uma desadaptação às possibilidades existenciais normais, reagindo sempre com um exagero, com um faz-de-conta para os outros e para si mesma.

As vivências da personalidade histriônica são sempre teatrais, seja na vida de relação, seja consigo mesma. Seus relacionamentos são mais dramáticos, há mais ciúme, mais inveja, mais mágoa, mais atração, mais sedução… Seus sintomas são mais exuberantes, suas queixas mais contundentes, sua sensibilidade mais exaltada.

A maneira histriônica, teatral e fabricada de se relacionar com a vida não é conscientemente determinada, embora tenha certa intencionalidade. Quando a pessoa histriônica questiona sobre a origem de seus sintomas perguntando se “você acha que eu quero estar doente?”, é bom lembrar que as atitudes histriônicas são involuntárias e intencionais, ou seja, a pessoa não opta para agir e sentir a vida histrionicamente, isso vem de sua personalidade, não obstante, pode haver um propósito ou objetivo inconsciente para sua teatralidade.

Paralelo à teatralidade, a personalidade histriônica se aproxima da mentira e se afasta da afetuosidade autêntica. Isso, algumas vezes, dificulta relacionamentos afetivos estáveis ou mais profundos. Boa parte dos problemas psicológicos ou orgânicos da pessoa histriônica é consequência da inclinação a enganar a si mesma sobre a natureza de seus próprios sentimentos. Trata-se de um autoengano, sufocando ou ocultando de si mesma seus sentimentos autênticos.

Personalidade Histriônica é sinônimo de personalidade histérica, um termo criado possivelmente para ludibriar as pessoas que usam o termo histérico quando querem depreciar alguém. O Transtorno Histriônico de Personalidade é caracterizado por um comportamento colorido, dramático e extrovertido, enfim, sempre exuberante. Está classificado no 2º. grupo dos transtornos de personalidade, onde estão os casos que apresentam comportamento com tendência à dramaticidade, apelação e emoções que se expressam intensamente.

As pessoas com Personalidade Histriônica tendem a exagerar seus pensamentos e sentimentos, apresentam acessos de mau humor, lágrimas e acusações sempre que percebem não ser o centro das atenções, quando não recebem elogios e aprovações. Por outro lado, frequentemente são pessoas animadas e dramáticas, tendem a chamar as atenções sobre si mesmas e podem de início, devido ao seu entusiasmo, encantar as pessoas com as quais travam conhecimento.

As pessoas com esse tipo de transtorno da personalidade manifestam pronunciados traços de vaidade, egocentrismo, exibicionismo e dramaticidade. Atrai muito a personalidade histriônica os estímulos externos potentes, os escândalos, as sensações, as celebridades, enfim, tudo que impressiona, que seja desmedido, incomum ou extremo. No afã de representar um papel mais glorioso, os histriônicos fazem teatro para si e para todos os outros, sua grande plateia. Pode haver momentos onde já não sabem onde termina a realidade e começa a fantasia, passando a acreditar em seus próprios mitos e em suas próprias encenações.

Para a Personalidade Histriônica atrair as luzes dos refletores ela necessita representar sempre um papel interessante, mesmo que isso custe o mal estar de outras pessoas e ainda que essas outras pessoas sejam entes queridos. Quando não chama atenção pela doença, o faz através do papel de mártir, de sofredora. A representação teatral como vítimas, menosprezadas, coitadinhas, enfim, esse papel de “a grande sofredora desinteressada” tem o nome de messianismo.

Uma das marcas mais características das pessoas com Transtorno da Personalidade Histriônica é tentar controlar as outras pessoas através da manipulação emocional ou sedução. Por causa disso, e depois de algum tempo, eles tendem afastar os amigos com as exigências de constante atenção.

As mães com esta personalidade podem idealizar manobras que fazem seus filhos se compadecerem de seu estado “lastimável” e provocar arrependimentos vários. São pessoas que estão sempre a se queixar de incompreensão dos outros, mas jamais tentam compreender os outros ou entender que os outros não têm obrigação de compreendê-los. É comum os filhos alegarem que “minha mãe, não bastassem seus problemas, ainda pega os problemas dos outros...”.

Devido ao fato das pessoas histriônicas cultuarem a doença e as queixas somáticas elas acabam atribuindo todos seus fracassos ou limitações a eventuais transtornos orgânicos que as perturbam, apesar de sua “sempre presente boa vontade”. A somatização, dissociação e repressão são os mecanismos de defesa mais intensamente utilizados pelos histriônicos.

Sexualmente a Personalidade Histriônica determina nas pessoas um comportamento sedutor, provocante e com tendência a erotizar mesmo as relações não sexuais do dia-a-dia. As fantasias sexuais com as pessoas pelas quais estão envolvidos são comuns e, embora sejam volúveis, o arremate final do jogo sexual costuma não ser satisfatório. Essa característica de desempenho sexual problemático faz com que as pessoas histriônicas sejam consideradas pseudo-hiper-sexuais.

 Critérios para o diagnóstico de Transtorno Histriônico da Personalidade
1. Desconforto em situações em que não é o centro das atenções.
2. A interação com os outros é frequentemente caracterizada por comportamento sexualmente sedutor inadequado ou provocativo.
3. Exibe mudanças rápidas e expressão superficial das emoções.
4. Usa reiteradamente a aparência física para atrair a atenção para si.
5. Tem um estilo de discurso que é excessivamente impressionista e carente de detalhes.
6. Mostra autodramatização, teatralidade e expressão exagerada das emoções.
7. É sugestionável (i.e., facilmente influenciado pelos outros ou pelas circunstâncias).
8. Considera as relações pessoais mais íntimas do que na realidade são.

O Transtorno da Personalidade Histriônica proporciona um alto grau de sugestionabilidade. Suas opiniões e sentimentos são facilmente influenciados pelos outros e por tendências do momento. Muitas vezes a pessoa histriônica considera os relacionamentos mais íntimos do que são de fato, dirigindo-se a qualquer pessoa recém conhecida como “meu querido, meu amigo” ou chamando pessoas que deveriam determinar um relacionamento formal pelo seu prenome sem nenhum cuidado com a titularidade.

As pessoas com Transtorno Histriônico da Personalidade costumam ter intolerância ou frustração mais forte que os demais, costumam não se adaptar em situações que envolvem adiamento da gratificação (não sabem esperar), sendo que suas ações frequentemente são voltadas à obtenção de satisfação imediata.

Personalidade Hipocondríaca
Um dos subtipos do transtorno histriônico da personalidade é a personalidade hipocondríaca. O traço fundamental desse tipo de personalidade é o medo ou preocupação exagerada de ter alguma doença, geralmente grave. O medo de ficar doente ou a preocupação de ter uma doença (que muitas vezes se confunde com o desejo de ficar doente) faz a vida consciente de um corpo normal transformar-se em uma vida com um corpo falsamente doente.

O fenômeno da hipocondria é, de fato, classificado como um transtorno emocional somatoforme, ou seja, aqueles estados onde as emoções saltam do psíquico para o orgânico, e está incluído no mesmo capítulo onde estão outros estados ansiosos.

Por outro lado, qualquer reflexão mais responsável sobre psiquiatria mostra a hipocondria mais como um sintoma do que uma doença, ou seja, como uma maneira mal adaptada da pessoa reagir consequente a alguma outra coisa; seja um estado emocional, como por exemplo, a ansiedade ou a depressão, seja como consequência a algum traço de personalidade.

Interessa aqui lidar com a hipocondria traço de personalidade, já que o nosso objetivo não é lidar com as patologias ansiosas e depressivas. Se for uma maneira da pessoa reagir trata-se de um atributo da personalidade, entretanto, dependendo das circunstâncias vivenciais há momentos na vida onde essa característica fica muito mais intensa, chegando então a necessitar de tratamento médico.

A hipocondria se manifesta por interpretações irreais ou errôneas do paciente sobre sintomas ou sensações físicas, levando ao medo e preocupações obsessivas por doenças sérias, embora não possam ser encontradas em exames médicos. As preocupações da pessoa resultam em sofrimento significativo e prejudicam sua capacidade para funcionar em papéis pessoais, sociais e ocupacionais.

Os critérios diagnósticos para a hipocondria exigem que o paciente esteja preocupado com a falsa crença de ter uma doença séria, e que a falsa crença esteja baseada em uma interpretação errônea de sinais ou sensações físicas. Os critérios exigem que a crença da doença exista apesar da ausência de achados patológicos em exames médicos.

A semelhança que permite considerar a pessoa hipocondríaca uma variante da personalidade histriônica não é a teatralidade, a qual pode ser nula ou estar bastante diminuída aqui, mas a evidente direção da atenção para si própria, ao próprio ego (egocentrismo). E é essa a característica que faz a pessoa hipocondríaca “perceber-se” com pessimismo, continuadamente e exageradamente, ao contrário da personalidade narcisista, que também é egocêntrica, porém, não se percebe desse pessimismo.

Não é normal que a pessoa necessite ter uma preocupação obsessiva com seu próprio corpo, nem que seja compelido a uma observação contínua e meticulosa do funcionamento de seu organismo. O normal e mais sadio é que não se perceba o próprio corpo na maior parte do tempo. As múltiplas queixas físicas ou somáticas na hipocondria representam uma preocupação exagerada com o próprio corpo, uma reflexão obsessivamente dirigida ao orgânico.

É importante ter em mente que a pessoa hipocondríaca não simula a doença, ela se sente verdadeiramente doente, sofre como se estivesse doente de fato. Enquanto a personalidade histriônica falseia seus próprios sentimentos, na hipocondria o autoengano é em relação ao próprio corpo. Assim como acontece no transtorno histriônico, na hipocondria a dor é mais dolorida, o cansaço é mais extenuante, os desconfortos são praticamente invalidantes, as palpitações e faltas de ar denunciam sempre um infarto iminente, assim como a tontura com certeza são indícios de um AVC.

Diante de uma doença franca e evidente é o médico quem dá o diagnóstico, muitas vezes surpreendendo o próprio paciente que nem sabia estar doente. Diante da hipocondria é o próprio paciente que se atribui um diagnóstico estabelecido por ele mesmo. Consultado o médico, nada se confirma, exceto a própria hipocondria.

Pensamos em traço hipocondríaco como uma aquisição biológica da personalidade. Kaplan  refere evidências de prevalência aumentada de hipocondria entre gêmeos univitelínicos, fato este que fala a favor do componente genético do traço.

A existência desse traço potencialmente hipocondríaco não significa que a pessoa será obrigatoriamente hipocondríaca e o tempo todo. Como outras potencialidades da personalidade, esse traço é também oportunista e se manifesta em situações favorecedoras.

Por isso não é raro encontrar a hipocondria como uma espécie de compensação a sentimentos de culpa por erros passados ou como expressão de uma autoestima baixa.

Algumas vezes ela reflete também uma agressividade que não encontra meios de se exteriorizar senão através da sensação de doença. O “escape” dessa dinâmica psíquica para a hipocondria seria o modo de uma forma específica de personalidade reagir, como poderia resultar em reações depressivas, histéricas, obsessivas e assim por diante em outras conformações de personalidade.

Algumas evidências sugerem que a pessoa com Transtorno Hipocondríaco, assim como a histriônica, teria um traço de personalidade responsável por uma tolerância menor ao desconforto, logo, sentiria com maior intensidade e incômodo as sensações corpóreas triviais, representando-as como indícios de doenças mais graves.

Transtorno Ansioso da Personalidade
A marca característica deste Transtorno de Personalidade é a persistência e continuidade de tensão e apreensão. Como conseqüência disso o portador deste tipo psicológico experimenta a crença freqüente de ser socialmente inapto, desinteressante e desagradável, portanto, inferior aos demais. Na realidade, a ansiedade aparece com maior exuberância sempre que tais pessoas vislumbrem a possibilidade de serem objeto de apreciação por parte dos demais.

Normalmente, devido aos sentimentos supra-referidos, há isolamento social e, como o próprio nome do transtorno diz uma constante evitação social. O que, de fato, eles evitam é a possibilidade de experimentarem sentimentos desagradáveis de desapreço ao se submeterem ao jugo público. Com freqüência se utilizam de mentiras com a intenção de dissimularem sua real situação existencial, pois, de qualquer forma, acham que se os interlocutores souberem como eles são realmente, perderão todo interesse em suas pessoas.

Assim sendo, a pessoa com este transtorno está sempre dissimulando sua verdadeira performance social, interpessoal ou psicológica, procurando aparentar aquilo que, decididamente, não é. Isso tudo por que, como dissemos, tem uma preocupação excessiva em estar sendo criticada ou rejeitada em quase todas as situações sociais. Há também, aqui, uma severa relutância no envolvimento com outras pessoas, sempre motivada pelo medo da crítica, como dissemos. Poderão envolver-se caso tenham certeza absoluta de sua apreciação.

 Os critérios do DSM.IV para o diagnóstico de Transtorno Ansioso da Personalidade
a) sentimentos persistentes e invasivos de tensão e apreensão;
b) crença constante de ser socialmente inepto, pessoalmente desinteressante ou inferior aos demais;
c) preocupação excessiva em ser criticado ou rejeitado em situações sociais;
d) relutância em se envolver com pessoas, a não ser quando absolutamente certo de ser apreciado;
e) restrições ao estilo de vida devida à necessidade de segurança física;
f) evitação de atividades sociais e ocupacionais que envolvam contacto interpessoal significativo por medo de opiniões a seu respeito

 

Transtorno Obsessivo-Compulsivo da Personalidade (Anancástico)
Há, neste transtorno da personalidade, um padrão generalizado de perfeccionismo e inflexibilidade. Trata-se da personalidade obsessivo-compulsiva e as pessoas assim se preocupam com a observância das normas, das regras, com a organização das coisas e com os detalhes do cotidiano.

Normalmente essas pessoas são escravizadas pelo simétrico, pela limpeza e pela ordem das coisas, desde a arrumação de seus pertences pessoais, como guarda-roupas, gavetas, mesas, até a organização extremamente cuidadosa de coisas relacionadas à ocupação e profissão. As pessoas portadoras do transtorno anancástico da personalidade sofrem com tudo que contraria suas próprias regras, determinações e manias, por isso são exigentes e inflexíveis consigo próprias e com os que lhes são mais próximo.

As pessoas obsessivo-compulsivas têm dificuldades para expressar sentimentos de ternura, compaixão e compreensão aos sentimentos e comportamentos dos outros. Essa dificuldade em manifestar e compreender afetos e sentimentos sublimes dá-nos a impressão de falta de generosidade, de compaixão e de tolerância para com os outros.

Há prejuízo (ou negação) do prazer. Quando as pessoas anancásticas se dão ao luxo do lazer e recreação, fazem isso com tanto planejamento e meticulosidade que acabam sacrificando o próprio prazer em benefício das regras e normas. Anancásticas são pessoas excessivamente escrupulosas com a produtividade, ao mesmo tempo em que tendem a excluir o prazer. É comum ouvirmos de pacientes assim que só se sentem felizes se estão produzindo e, de fato, elas acabam descobrindo alguma coisa “produtiva” mesmo quando estão passando férias na praia.

As características das pessoas anancásticas passam pela presença de sentimentos de dúvida e cautela excessivos. Isso acaba fazendo com que tenham a necessidade constante de se certificarem sobre estar fazendo a coisa certa. Perguntas repetitivas neste sentido e conferência continuada de tudo que fazem é a regra. Por conta disso estão sempre contando e recontando, além de evitarem tomar decisões, principalmente por reavaliarem seguidamente a questão das prioridades.

Há exagerada preocupação com detalhes, regras, listas, ordem, organização e esquemas. A preocupação com que as coisas saiam perfeitas e muito bem planejadas acaba por comprometer substancialmente a execução dessas mesmas coisas.  Aqui nota-se também inflexibilidade, rigidez e teimosia. É comum as pessoas obsessivo-compulsivas perderem muito tempo alinhando coisas, papeis, livros, roupas. Caso essas coisas não estejam “no lugar certo” perturbam-se significativamente.

Há uma aderência excessiva das pessoas obsessivo-compulsivas a algumas convenções sociais e, como se não bastasse sua própria valorização sobre essas normas e regras, insistem fortemente para que os outros se submetam também aos seus conceitos de valor.

Por conta disso são pessoas excessivamente controladoras em suas famílias, seja nos comportamentos ou nos gastos. Aliás, comumente elas são grandes poupadoras, fazendo contas sobre a economia pessoal ou familiar constantemente.

Embasadas em regras sociais ou culturais tais pessoas têm grande dificuldade em se descartar de objetos usados, geralmente sem utilidade. Esse fenômeno se chama “colecionismo” e pode comprometer importante espaço na casa das pessoas obsessivo-compulsivas. Armazenar alimentos mais que o necessário, obviamente muito bem organizados e no “lugares certos”, também acontece.

 Os critérios para o diagnóstico de Transtorno Obsessivo-Compulsivo da Personalidade
a) sentimentos de dúvida e cautela exagerados;
b) preocupação com detalhes, regras listas, ordem, organização e esquemas;
c) perfeccionismo que interfere na conclusão de tarefas;
d) escrupulosidade excessiva com a produtividade, concomitante à quase exclusão do prazer;
e) aderência excessiva à algumas convenções sociais;
f) inflexibilidade, rigidez e teimosia;
g) insistência para que os outros se submetam aos seus conceitos de valor em relação à maneira de fazer as coisas;
h) evitam tomar decisões acreditando haver sempre outras prioridades;
i) falta de generosidade e de sentimentos de compaixão e tolerância para com os outros;
j) dificuldade em descartar-se de objetos usados.

Transtorno Antisocial da Personalidade
Antes de falar sobre esse tipo de transtorno da personalidade convém esclarecer que os termos Sociopata, Psicopata, Personalidade Psicopática, Personalidade Anti-social ou Dissocial são considerados sinônimos. O DSM.IV  chama esses casos de Personalidades Anti-sociais e a CID.10  de Personalidades Dissociais.

A característica essencial desse transtorno da personalidade é uma inclinação natural e persistente de desrespeito e violação aos direitos dos outros, iniciando-se na infância ou começo da adolescência e continuando indefinidamente na idade adulta. O engodo e a manipulação são aspectos centrais desse transtorno da personalidade e, além da violação dos direitos básicos ou sentimentos dos outros, também há contravenção de normas ou regras sociais importantes.

Na prática essas pessoas podem mentir repetidamente, usar nomes falsos, ludibriar ou fingir. Há também um padrão de impulsividade e explosividade com tendência à irritabilidade e/ou agressividade. Também se observa um fracasso em planejar o futuro, sendo as decisões tomadas ao sabor do momento, de maneira impensada e sem considerar as conseqüências para si mesmo ou para outros.

As características mais marcantes e causadoras de maior impacto social são as seguintes:
a. – Sedução e manipulação. Embora não seja uma regra absoluta os psicopatas serem encantadores, é expressivo o grupo deles que utilizam o encanto pessoal e a capacidade de manipulação de pessoas como meio de sobrevivência social. Através do encanto superficial o psicopata acaba usando as pessoas certas e na medida de suas utilidades, descartando-as depois.

  1. – Mentiras sistemáticas e comportamento fantasioso. A personalidade anti-social utiliza a mentira como ferramenta de trabalho. Normalmente a pessoa com esse transtorno está tão habilitada e habituada a mentir que é difícil perceber quando mente. Ela é capaz de mentir olhando nos olhos e com atitude completamente neutra e relaxada. Essa frieza ao mentir é a responsável pela sistemática capacidade para ludibriar as máquinas detectoras de mentira.
  2. – Ausência de Sentimentos Afetuosos. Desde criança se observa na pessoa psicopata um acentuado desapego aos sentimentos e um caráter marcado pelo fingimento. A pessoa sociopata não manifesta nenhuma sensibilidade por nada, normalmente mantendo-se indiferente. Elas têm grande dificuldade para entender os sentimentos dos outros, mas, por outro lado, podem fingir magistralmente esses sentimentos quando socialmente desejável.
  3. – Amoralidade. Os psicopatas têm grande insensibilidade moral, faltando-lhes totalmente juízo e consciência morais, bem como noção de ética.
  4. – Impulsividade e Incorrigibilidade. A ausência de sentimentos éticos e altruístas, unidos à falta de sentimentos morais, impulsiona o psicopata a cometer brutalidades, crueldades e crimes. A pessoa psicopata nunca aceita os benefícios da reeducação, da advertência e da correção, mas podem disfarçar durante algum tempo seu caráter torpe e anti-social.
  5. – Falta de Adaptação Social. Desde criança a pessoa anti-social manifesta certa crueldade e tendência a atividades delituosas, como por exemplo, o maltrato aos animais, às pessoas mais novas, mentiras continuadas, fugas, etc. A adaptação interpessoal também fica comprometida, tendo em vista a tendência acentuada do psicopata ao egocentrismo e egoísmo.
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Acelerado, preocupado, tenso, apressado…

Ansiedade
O potencial ansioso sempre se manteve fisiologicamente presente no mundo animal à partir dos répteis e sempre carregando consigo o sentimento do medo, sua sombra inseparável. É difícil dizer se era diferente o estresse (esta revolução orgânica e psíquica) que acometia o homem das cavernas diante de um urso feroz, daquilo que sente hoje um cidadão comum diante do assaltante que invade seu lar. Provavelmente não.

Faz parte da natureza humana determinados sentimentos, como é o caso da ansiedade, desencadeada pelo perigo, pela ameaça, pelo desconhecido e pela perspectiva de sofrimento. A Ansiedade, originalmente fisiológica, passou a ser considerada um transtorno quando o ser humano colocou-a não a serviço de sua sobrevivência, como fazia antes e como fazem todos outros animais, mas a serviço de sua existência e do amplo leque de circunstâncias quantitativas e qualitativas desta existência.

O fato de um evento ser percebido como estressante ou ansiogênico (causador de ansiedade) não depende apenas da natureza desse evento, como acontece no mundo animal, mas do significado atribuído à ele pela pessoa, de acordo com seus recursos emocionais, de suas defesas e de seus mecanismos de enfrentamento.

A relação da pessoa com os eventos existenciais, estressores ou não, diz respeito mais à personalidade que aos eventos em si. No mundo animal um cachorro representa para o gato um agente estressor absolutamente preciso e bastante definido: realmente se trata de um cachorro. No ser humano, um elevador pode representar simplesmente um elevador mesmo, quando a pessoa não tem ansiedade patológica (fóbica), ou representar um estímulo bastante estressor, se tiver claustrofobia.

Os estados ansiosos francamente patológicos, como é o caso da Síndrome do Pânico, formam um grupo de patologias classificado como Transtornos da Ansiedade. No caso da pessoa SER ansiosa, mas não ter sintomas suficientes para classificá-la como portadora de algum Transtorno da Ansiedade podemos deduzir que ela tenha um marcante traço de ansiedade em sua personalidade, portanto, um Transtorno Ansioso da Personalidade.

Personalidade Anancástica é o mesmo que Obsessivo-compulsiva. O Transtorno Anancástico da Personalidade corresponde às características obsessivo-compulsivas da conduta, pensamento ou personalidade.

No caso dos Pensamentos Anancásticos, pode se tratar de pensamentos, imagens mentais ou impulsos para agir, quase sempre angustiantes para a pessoa. As ideias obsessivas (ou anancásticos) são pensamentos, representações ou impulsos, que se intrometem na consciência da pessoa de modo repetitivo e estereotipado.

Em regra geral, elas perturbam muito o sujeito, o qual tenta, frequentemente resistir-lhes, mas sem sucesso. A pessoa reconhece, entretanto, que se trata de seus próprios pensamentos, mas estranhos à sua vontade e em geral desprazerosos. Os comportamentos e os rituais compulsivos são atividades estereotipadas repetitivas. A pessoa com esse transtorno não tira prazer direto algum da realização destes atos os quais, por outro lado, não levam à realização de tarefas úteis por si mesmas.

O comportamento compulsivo tem por finalidade prevenir algum evento objetivamente improvável, frequentemente implicando dano ao sujeito ou causado por ele, que ele(a) teme que possa ocorrer. O sujeito reconhece habitualmente o absurdo e a inutilidade de seu comportamento e faz esforços repetidos para resistir-lhes. O transtorno se acompanha quase sempre de ansiedade. Esta ansiedade se agrava quando o sujeito tenta resistir à sua atividade compulsiva.

Às vezes trata-se de hesitações intermináveis entre várias opções, que se acompanham frequentemente de uma incapacidade de tomar decisões banais mas necessárias à vida cotidiana.

Pessoas obsessivo-compulsivas demonstram dedicação excessiva ao trabalho e à produtividade, a ponto de excluir atividades de lazer e amizades. Esse comportamento nem sempre é explicado por necessidade financeira. Com frequência sentem que não têm tempo para tirar uma tarde ou um fim de semana de folga para viajar ou apenas relaxar. Podem ficar postergando atividades agradáveis, como as férias, de modo que elas podem jamais ocorrer. Quando realmente dedicam algum tempo para lazer ou férias, sentem-se bastante desconfortáveis, a não ser que tenham consigo algum tipo de trabalho de modo a não “desperdiçarem tempo”. Pode haver muita concentração em tarefas domiciliares.

Transtorno da Personalidade Antissocial
A Personalidade Antissocial (PAS) é caracterizada por um padrão de comportamento socialmente irresponsável, explorador e sem culpa que começa nos primeiros anos de vida ou no início da adolescência .

Os comportamentos antissociais incluem criminalidade, insucesso em manter um emprego de maneira consistente, manipulação de outros para ganho pessoal.

Referências:
1.Adler A – A Ciência da Natureza Humana, Ed. Companhia Nacional, 1939.
2.Allport GW – Personalidade, EDUSP, 1973, SP.
3.CID.10 é a 10a. revisão da classificação internacional de doenças, da Organização Mundial de Saúde.
4.DSM.IV é a 4a. revisão da classificação de doenças mentais da Associação Norteamericana de Psiquiatria.
5.Ey H, Bernard P, Brisset C – Manual de Psiquiatria, Ed. Massom, 5a.ed., RJ., 1981.
6.Gunderson JG, Phillips KA – Transtornos da Personalidade. In: Kaplan HI, Sadock BJ – Compêndio de Psiquiatria, 9a. Ed, Artes Médicas, Porto Alegre, 2007.
7.Jaspers K – Psicopatologia Geral, Ed. Atheneu, 1997.
8.Jung CG – Tipos Psicológicos, Vozes, 1984, Petrópolis.
9.Kaplan HI, Sadock BJ – Compêndio de Psiquiatria, Artes Médicas, 8ª. Ed., 2000, P. Alegre.
10.Nietzsche F – Humano, Demasiado Humano, Ed. Martins Fontes, 1973.
11.Schopenhauer A – O Mundo Como Vontade E Como Representação, Ed. UNESP, 2007.

para referir:
Ballone GJTranstornos de Personalidade. in. PsiqWeb, Internet – disponível em http://www.psiqweb.net, 2016